NOS últimos tempos quem frequenta as redes de informação tem deparado com um crescente número de fotografias e de imagens vídeo que registam o mais variado tipo de infracções de trânsito em Macau. Na sua maioria, é possível identificar os seus autores pela matrícula, ou mesmo pela face da pessoa ao volante. No entanto, as autoridades da RAEM nunca fazem uso dessas imagens para penalizar os seus autores. Será que se levantam algumas questões de violação de privacidade? Será que é ilegal uma pessoa tirar fotografias em plena rua, seja do que for, e depois as colocar na Internet, mesmo tratando-se de um crime? De tal forma que as autoridades não possam usar essas provas para comprovar a infracção ou, pelo menos, para que sirvam de meio educativo?
Quando se trata de questões que envolvem a esfera privada e em que não se está a fazer nada de ilegal, considero que deve haver um certo cometimento na divulgação de fotografias que envolvem terceiros. No entanto, quando as mesmas, intencionalmente ou não, registam infracções, sejam elas de trânsito ou de outra qualquer natureza, penso que não deve haver qualquer tipo de problema com a invasão da privacidade. E, nestes casos, as autoridades deviam usá-las para levar as pessoas retratadas à barra do tribunal.
Noutros locais, nomeadamente na Europa e nos Estados Unidos da América, é já recorrente a polícia usar esse tipo de imagens recolhidas por pessoas anónimas, para tentar apurar a verdade dos factos. Recentemente, em Itália, se não estou em erro, um médico foi detido e multado em milhares de euros, depois de ter metido um vídeo a conduzir o seu Ferrari a mais de 200 quilómetros por hora numa estrada nacional, onde o limite era de sessenta! Mesmo sem se saber a matrícula ou o identidade real da pessoa que meteu o vídeo na Internet, a polícia conseguiu descobrir quem era o condutor e o proprietário do veículo, visto ser uma edição limitada, identificada por algumas marcas decorativas no interior e apenas existirem dois exemplares no País. O médico, quando confrontado pelas autoridades, confessou o crime e confirmou ter sido ele mesmo a meter o vídeo no «Youtube». Além da multa, ficou inibido de conduzir por largos meses.
Outros exemplos há, nomeadamente de fotografias de carros mal estacionados, de acidentes e de infracções ao Código da Estrada, que as polícias de países ocidentais usam para fazer prova das infracções, multando os veículos envolvidos. Aliás, por várias vezes, já vieram a público agradecer a participação da população na divulgação dessas infracções, porque, passado algum tempo, ajudam a reduzir a criminalidade e falta de respeito pela Lei.
Em Macau, se as autoridades fizessem uso de tudo o que é captado pelos cidadãos, certamente que muito mudaria na forma de comportamento de quem aqui vive e, principalmente, de quem nos visita.
Macau - 4 vs Hong Kong - 5
Os parâmetros de exigência das emissões poluentes dos veículos utilizados para transporte público são uma autêntica anedota em Macau.
Enquanto que, em Hong Kong, o Governo paga a quem quiser substituir os seus veículos de transporte por modelos EURO V (e não me venham dizer que estou enganado outra vez, basta ver os anúncios do Governo de Hong Kong que passam nos canais chineses e ingleses há vários anos) enquanto que em Macau insistem no EURO IV.
Para quem se tenha esquecido, o último concurso de alvarás de táxi tinha um caderno de encargos em que indicava que os veículos «devem ter lotação de quatro passageiros (excluindo o condutor) e cilindrada igual ou superior a dois litros, para além de corresponderem às normas EURO IV, com vista a melhorar gradualmente a qualidade do ar de Macau».
Quando aqui escrevi, aquando dos novos contratos de autocarros (que também só pedem EURO IV) e depois dos táxis, vieram-me dizer que estava enganado e que não existia nada como EURO V. Aliás, existe inclusivamente EURO VI, como referi na altura. O que não existe, aparentemente, em Macau é coragem para assumir que os contratos são feitos à medida de quem os assina, pouco se importando com os danos que irão causar à saúde da população.
Olhem para Hong Kong e aprendam com os bons exemplos!
Mais uma vez
Lembram-se, certamente, de aqui se ter falado da destruição de uma zona de lazer na Taipa para que os soldados do Exército Popular de Libertação (EPL) tivessem mais espaço. Pois, como uma tragédia nunca vem só, parece que além de destruírem o espaço de que a população precisa para fazer algum desporto, vão também destruir parte do espaço do mangal, onde as poucas garças ainda sobrevivem!
No local que foi destruído para benefício dos soldados, havia um Centro de Informação e Segurança Rodoviária sob a tutela da famosa DSAT. E, segundo consta, como a educação e o serviço daquele centro parece ser de qualidade insubstituível (basta ver o resultado nas estradas...), vai ser construído um novo, com uma área superior a cinco mil metros quadrados, ou seja 7% do mangal.
Quanto às instalações desportivas, como foi referido na altura do anúncio da grande decisão de dar o espaço aos soldados, e como são de pouca importância (comparativamente ao Centro que ensina a andar na estrada), a sugestão é que vão para Coloane e quem quiser que lá vá ter! Apanhem o autocarro e... Foi mais ou menos essa a insinuação de um membro do Governo, na altura quando se ouviram as queixas.
As prioridades de Macau estão todas trocadas, ou sou eu que não consigo ver bem a abrangência total destas ideias?
Devo estar com a visão muito opaca!…
A PREPOTÊNCIA e arrogância de alguns dirigentes públicos começa a passar das marcas e, sinceramente, é altura da população começar a pedir contas ao Governo e às decisões por este tomadas e responsabilidade a quem as toma. A isto soma-se o que também vai acontecendo na Assembleia Legislativa, onde alguns deputados, por vezes, passam das marcas nos discursos e linguagem utilizada, sem que ninguém tome uma posição de força.
COMO se pode entender que uma empresa que apresenta resultados positivos de centenas de milhares de patacas venha reclamar e queixar-se que, mesmo assim, é pouco, porque o Executivo decidiu não aumentar as tarifas do serviço que presta?
NUNCA uma visita ministerial teve tão pouco impacto na vida da comunidade portuguesa de Macau. O ministro Paulo Portas passou pelo território, depois de um passeio alargado, com peditório, pelas terras do Império do Meio, mas pouco ou nada deixou para os milhares de portugueses que aqui vivem, nem para a maioria das associações de cariz lusófono.
O ARTIGO de hoje vai fugir um pouco do estilo que nos tem acompanhado ao longo dos últimos tempos. Em vez de opinião, será mais a transcrição de uma conversa com uma «filha da terra».
COMO é do conhecimento público, o Clube Náutico de Macau (CNM) tem sido protagonista de várias cenas menos dignas de uma instituição com mais de seis décadas de história. Recentemente, e após dois anos sem qualquer Assembleia Geral e sem prestar quaisquer explicações aos sócios, à sociedade ou à Comunicação Social sobre as polémicas que foram vindo a terreiro, teve lugar uma AG que serviu para apurar relatórios financeiros de 2009 a 2012 e para a eleição dos novos corpos gerentes. Ou melhor, reeleição dos existentes porque, mesmo havendo interessados em apresentar listas concorrentes, a presente direcção nunca providenciou a lista de membros actualizada. Isto, apesar de alguns sócios a terem pedido, com a antecedência prevista nos regulamentos e por escrito diversas vezes, para que fosse possível saber quantos sócios há com direito a voto e quais as probabilidades de haver transparência na sessão de voto. Um procedimento normal em qualquer associação, pelo que sei.
A LÍNGUA portuguesa anda mesmo pelas ruas da amargura na terra onde vivemos. Apesar de constar como língua oficial e de existirem nos serviços públicos muitos funcionários que a «falam», fazer passar a mensagem é cada vez mais complicado, especialmente quando isso é tentado via telefone.
ESTA terra onde vivemos começa a tornar-se conhecida pela curta memória que vamos revelando ao mundo. Será mesmo que todos temos memória curta em Macau? Será que só damos atenção a certos assuntos, até que outros apareçam nas páginas dos jornais e nos façam mudar o nosso foco?
O MANDATO da actual direcção do Clube Náutico de Macau (CNM) terminou no dia 6 de Junho, sem que tenham sido convocadas eleições nem apresentados quaisquer relatórios ao longo dos dois anos, para aprovação em Assembleia Geral. Para fazer frente a este problema e tentar resolvê-lo, um grupo de sócios descontentes, entre os quais se encontram o ex-deputado Jorge Fão e o ex-CEO da CTM, Paulo Alves, decidiram avançar com um abaixo-assinado para obrigar à convocação de novas eleições no clube.
DECORRE por estes dias uma actividade promovida pelas autoridades marítimas de Macau, com a participação de centenas de pessoas do território e visitantes. Durante a época de defeso da pesca, pelo segundo ano consecutivo, pescadores, Capitania dos Portos e outras autoridades têm andado a levar residentes e turistas a passear em alguns barcos de pesca pelas águas adjacentes ao território: uma forma de fazer face à crise e ocupar os pescadores durante esta época de defeso imposta pelas autoridades de Pequim, segundo justificam os impulsionadores da iniciativa. E uma forma de dar a conhecer a ancestral forma de vida dos homens do mar, justificam as autoridades.
NESTES últimos dias, devido a uma reparação mal feita no meu veículo pessoal, tenho andado de transportes públicos e apraz-me dizer que, não obstante a manifesta falta de qualidade dos veículos utilizados por todas as companhias, a cobertura e a eficiência dos mesmos têm melhorado muito. Durante o fim-de-semana, tendo de deslocar-me ao COTAI assiduamente, nunca demorei mais de 15 a 20 minutos, a partir do centro da cidade. Isto, incluindo o tempo de espera na Rua do Campo pelo autocarro número 25 ou 25X.
NO seguimento do meu artigo de há duas semanas, em que falava de um bom exemplo dado pelos agentes da autoridade de Macau, não queria deixar passar a oportunidade de referir que bons e maus exemplos vêmo-los em todas as profissões. O referido artigo deu origem a uma série de comentários, uns abonatórios, outros nem tanto!
O TEMPO passa como se fosse vento, sem que nos apercebamos de que a cada dia ficamos mais velhos e as oportunidades só se concretizam uma vez. Se não as aproveitamos, vamos acabar por nos arrepender durante o resto das nossas vidas. Isto aplica-se tanto a pessoas, como ao próprio Governo.
É JÁ normal passarmos dias e semanas a criticar tudo e todos, esquecendo que diariamente há pessoas que se esforçam por fazer o seu melhor para tornar a nossa vida um pouco mais fácil e segura. Tornou-se hábito criticar as autoridades de Macau por tudo o que de menos positivo fazem. Mas, apesar de evidentemente haver muito que pode ser mudado para que a imagem da polícia seja melhorada, há sempre bons exemplos.
ESTAS últimas semanas tenho tentado, seriamente, encontrar assuntos que possam ser abordados pelo lado positivo. Mas, no entanto, a minha procura tem sido algo inglória. Até parece que em Macau nada se faz que mereça ser enaltecido. Na verdade, não é bem assim.
SINCERAMENTE já começa a fartar o tanto atirar areia para os olhos de quem quer ver. O que se apregoa raramente tem reflexos na realidade e só não vê quem não quer.
EM Macau habituámo-nos a ouvir dos dirigentes do Governo as mais sérias barbaridades, sem que ninguém venha a público dizer que estão enganados e os chame à responsabilidade pelos erros cometidos.
RECENTEMENTE, ao ler um artigo publicado por uma advogada brasileira, fiquei com a impressão de ver aí retratada a sociedade de Macau. Quando me dediquei a digerir o que tinha acabado de ler, lembrei-me de afirmações de Carlos Morais José, feitas recentemente, acerca da infantilização da sociedade e dos benefícios que isso traz para as camadas governantes. Em Macau é conveniente ter-se uma sociedade infantil, pois assim ela pode ser manipulada e moldada de forma a que aceite tudo o que o Governo decida.