Como blog estaremos aqui para escrever as nossas opiniões, observações e para que quem nos visite deixe também as suas. Tentaremos, dentro das possibilidades, manter este local actualizado com o que vai acontecendo à nossa volta em Macau e um pouco em todo o lado...
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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Sai Van dos problemas

A CRIAÇÃO da via exclusiva para motociclos na ponte Sai Van era tida, pelos responsáveis da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, como a solução para todos os problemas. No entanto, poucos dias após ter entrado em funcionamento, o resultado está muito aquém do esperado. Aliás, para a população em geral o resultado é aquilo que sempre se esperou, ou seja, um autêntico fracasso que apenas os senhores da DSAT teimam em não ver!

O erro – segundo corre nas bocas do mundo – começou logo pelo facto de terem criado a referida via do lado direito do sentido de marcha, quando o Código da Estrada diz que devemos conduzir o mais à esquerda possível, ficando as faixas mais à direita para ultrapassagens e para veículos em marcha mais rápida.

A segunda queixa tipo tem a ver com o facto da via ter sido criada na ponte onde menos acidentes se registam, não tendo sido proibida a circulação dos veículos de duas rodas na Ponte da Amizade.

Apesar de ter menos importância, corre ainda outra crítica que tem a ver com o facto de terem enfiado no mesmo saco ciclomotores e motociclos! Passou tudo a pagar pela mesma moeda, mesmo que para conduzir alguns dos motociclos seja necessário uma carta de condução similar à de automóvel e os seus custos e níveis de segurança serem muito mais elevados.

Os proprietários de veículos de duas rodas de grande cilindrada não compreendem como podem ser comparados a um ciclomotor de cinquenta centímetros cúbicos. Trata-se de veículos de duas rodas extremamente pesados, difíceis de manobrar a baixas velocidades (de lembrar que a velocidade para as duas rodas foi limitada a 60 quilómetros por hora na Ponte Sai Van!) e que pagam de imposto tanto como os seus congéneres de quatro rodas. E algumas até mais! Só mesmo a DSAT para comparar uma Harley Davidson a um «aspirador com rodas», vulgo scootter!

Felizmente ainda não houve qualquer acidente fatal (até à elaboração deste texto), mas têm sido registados acidentes quase diariamente, causando uma confusão total na ponte. O acesso dos veículos de emergência tem de ser feito pelas únicas duas faixas livres para veículos de quatro rodas, o que causa grande congestionamento no escoamento dos carros. As fotos dos vários acidentes têm andado a circular no ciberespaço, mas parece que os responsáveis da DSAT continuam de palas nos olhos, não vendo o evidente.

Na altura em que a medida foi anunciada, foi dito que era resultado de muitos estudos científicos e de ponderada reflexão. Mas esses estudos, ou os seus resultados, nunca foram tornados públicos para que a população pudesse fazer um juízo mais fundamentado das medidas tomadas. A falta de transparência, aliada aos péssimos resultados que a medida tem atingido, tem gerado desconfiança e mesmo descrença quanto à existência de tais estudos e fundamentos científicos. Se tais resultados existem, que eu espero ser verdade, seria bom que fossem tornados públicos para apaziguar os ânimos.

Mesmo que o resultado real seja negativo, nada impede que a decisão tenha sido tomada de boa fé e baseada em resultados fidedignos. Pode muito bem ter acontecido que o estudo tenha apresentado resultados que não correspondiam à realidade. Mas sem que tais resultados sejam tornados públicos vamos sempre continuar a pensar que isto foi uma ideia «estapafúrdia» de um dos iluminados da DSAT, que agora não quer dar a cara nem o braço a torcer. Ao bom estilo chinês, não quer «perder a face», mesmo perante um completo desastre.

Será preciso morrer alguém num acidente para que se rectifique o que está errado? E, perante tal fiasco, quem será chamado à responsabilidade?

Possivelmente, como sempre acontece em Macau, ninguém será responsabilizado pelos erros que se fazem no Executivo. O povo que vá aguentando…

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Três em um

NOS últimos tempos quem frequenta as redes de informação tem deparado com um crescente número de fotografias e de imagens vídeo que registam o mais variado tipo de infracções de trânsito em Macau. Na sua maioria, é possível identificar os seus autores pela matrícula, ou mesmo pela face da pessoa ao volante. No entanto, as autoridades da RAEM nunca fazem uso dessas imagens para penalizar os seus autores. Será que se levantam algumas questões de violação de privacidade? Será que é ilegal uma pessoa tirar fotografias em plena rua, seja do que for, e depois as colocar na Internet, mesmo tratando-se de um crime? De tal forma que as autoridades não possam usar essas provas para comprovar a infracção ou, pelo menos, para que sirvam de meio educativo?

Quando se trata de questões que envolvem a esfera privada e em que não se está a fazer nada de ilegal, considero que deve haver um certo cometimento na divulgação de fotografias que envolvem terceiros. No entanto, quando as mesmas, intencionalmente ou não, registam infracções, sejam elas de trânsito ou de outra qualquer natureza, penso que não deve haver qualquer tipo de problema com a invasão da privacidade. E, nestes casos, as autoridades deviam usá-las para levar as pessoas retratadas à barra do tribunal.

Noutros locais, nomeadamente na Europa e nos Estados Unidos da América, é já recorrente a polícia usar esse tipo de imagens recolhidas por pessoas anónimas, para tentar apurar a verdade dos factos. Recentemente, em Itália, se não estou em erro, um médico foi detido e multado em milhares de euros, depois de ter metido um vídeo a conduzir o seu Ferrari a mais de 200 quilómetros por hora numa estrada nacional, onde o limite era de sessenta! Mesmo sem se saber a matrícula ou o identidade real da pessoa que meteu o vídeo na Internet, a polícia conseguiu descobrir quem era o condutor e o proprietário do veículo, visto ser uma edição limitada, identificada por algumas marcas decorativas no interior e apenas existirem dois exemplares no País. O médico, quando confrontado pelas autoridades, confessou o crime e confirmou ter sido ele mesmo a meter o vídeo no «Youtube». Além da multa, ficou inibido de conduzir por largos meses.

Outros exemplos há, nomeadamente de fotografias de carros mal estacionados, de acidentes e de infracções ao Código da Estrada, que as polícias de países ocidentais usam para fazer prova das infracções, multando os veículos envolvidos. Aliás, por várias vezes, já vieram a público agradecer a participação da população na divulgação dessas infracções, porque, passado algum tempo, ajudam a reduzir a criminalidade e falta de respeito pela Lei.

Em Macau, se as autoridades fizessem uso de tudo o que é captado pelos cidadãos, certamente que muito mudaria na forma de comportamento de quem aqui vive e, principalmente, de quem nos visita.


Macau - 4 vs Hong Kong - 5

Os parâmetros de exigência das emissões poluentes dos veículos utilizados para transporte público são uma autêntica anedota em Macau.

Enquanto que, em Hong Kong, o Governo paga a quem quiser substituir os seus veículos de transporte por modelos EURO V (e não me venham dizer que estou enganado outra vez, basta ver os anúncios do Governo de Hong Kong que passam nos canais chineses e ingleses há vários anos) enquanto que em Macau insistem no EURO IV.

Para quem se tenha esquecido, o último concurso de alvarás de táxi tinha um caderno de encargos em que indicava que os veículos «devem ter lotação de quatro passageiros (excluindo o condutor) e cilindrada igual ou superior a dois litros, para além de corresponderem às normas EURO IV, com vista a melhorar gradualmente a qualidade do ar de Macau».

Quando aqui escrevi, aquando dos novos contratos de autocarros (que também só pedem EURO IV) e depois dos táxis, vieram-me dizer que estava enganado e que não existia nada como EURO V. Aliás, existe inclusivamente EURO VI, como referi na altura. O que não existe, aparentemente, em Macau é coragem para assumir que os contratos são feitos à medida de quem os assina, pouco se importando com os danos que irão causar à saúde da população.

Olhem para Hong Kong e aprendam com os bons exemplos!


Mais uma vez

Lembram-se, certamente, de aqui se ter falado da destruição de uma zona de lazer na Taipa para que os soldados do Exército Popular de Libertação (EPL) tivessem mais espaço. Pois, como uma tragédia nunca vem só, parece que além de destruírem o espaço de que a população precisa para fazer algum desporto, vão também destruir parte do espaço do mangal, onde as poucas garças ainda sobrevivem!

No local que foi destruído para benefício dos soldados, havia um Centro de Informação e Segurança Rodoviária sob a tutela da famosa DSAT. E, segundo consta, como a educação e o serviço daquele centro parece ser de qualidade insubstituível (basta ver o resultado nas estradas...), vai ser construído um novo, com uma área superior a cinco mil metros quadrados, ou seja 7% do mangal.

Quanto às instalações desportivas, como foi referido na altura do anúncio da grande decisão de dar o espaço aos soldados, e como são de pouca importância (comparativamente ao Centro que ensina a andar na estrada), a sugestão é que vão para Coloane e quem quiser que lá vá ter! Apanhem o autocarro e... Foi mais ou menos essa a insinuação de um membro do Governo, na altura quando se ouviram as queixas.

As prioridades de Macau estão todas trocadas, ou sou eu que não consigo ver bem a abrangência total destas ideias?

Devo estar com a visão muito opaca!…

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Prepotência e falta de educação

A PREPOTÊNCIA e arrogância de alguns dirigentes públicos começa a passar das marcas e, sinceramente, é altura da população começar a pedir contas ao Governo e às decisões por este tomadas e responsabilidade a quem as toma. A isto soma-se o que também vai acontecendo na Assembleia Legislativa, onde alguns deputados, por vezes, passam das marcas nos discursos e linguagem utilizada, sem que ninguém tome uma posição de força.

Já basta termos que levar com a frieza dos serviços prestados pelos privados, que fazem o que querem e lhes bem apetece, nomeadamente as empresas concessionárias de serviços do Governo (água, electricidade, telefones, parques de estacionamento, apenas para citar alguns) que cobram taxas altíssimas e oferecem um serviço e produtos de baixa qualidade, sem que o utente nada possa fazer.

Recentemente, essa prepotência que se vem notando nos anos de RAEM atingiu um patamar nunca visto. Num elevador do parque de estacionamento de um dos novos edifícios da Função Pública, o novo edifício da Direcção dos Serviços de Obras Públicas e Transportes, junto ao edifício da CEM, na Estrada de Dona Maria, foi colocado um aviso, onde se lia, – e passo a citar para que não digam que inventei: – «Atenção – Reservado para utilização dos dirigentes e chefias». Isto porque, segundo se veio a saber, os chefes começaram a chegar atrasados por causa dos abusos dos outros funcionários, que carregavam nos botões dos elevadores todos!

Há em alguns serviços, que pela sua particularidade precisam de elevadores separados, elevadores de serviço: os tribunais, por causa da movimentação dos detidos e dos juízes, quando se realizam julgamentos de alto risco; ou os hospitais, devido à possibilidade de contaminações, quando transportam roupas sujas e outros materiais utilizados. Outros exemplos há mas todos eles com razoáveis justificações.

Relativamente ao edifício em questão, onde funciona a Direcção dos Serviços de Obras Públicas e Transportes, a Direcção dos Assuntos de Tráfego e a Inspecção dos Jogos, qual será a necessidade das chefias e dirigentes terem de deslocar-se em elevadores separados e terem um elevador, apenas para eles, do parque de estacionamento? Tanto quanto sei, não há perigo de ataque, nem de contágio em tais departamentos! Se é porque não podem chegar atrasados, façam como eu, que vivo num quarto andar sem elevador e trabalho num segundo nadar. Saiam mais cedo, para evitar atrasos!

Algumas chefias em Macau, especialmente nos últimos anos, parecem que trazem o rei na barriga. Muitos deles, aparentemente a julgar por algumas decisões, nem sequer têm capacidades técnicas para assumir as posições que ocupam e, possivelmente, para encobrirem essas incapacidades, acabam disparando disparates em todas as direcções, apontando o dedo e fazendo a vida difícil a todos os seus subordinados. Infelizmente, e aos olhos de todos, a Administração de Macau está cheia de chefias assim e nada parece ser feito para resolver o problema.

Dá impressão que em Macau impera o princípio de Peter: as pessoas são promovidas até chegarem a um patamar em que se tornam incompetentes…

Acredito que por esta altura o dito aviso já não esteja no elevador e que tenha havido alguém com dois dedos de inteligência que o tenha mandado retirar. No entanto, quem deu a ordem para que fosse ali afixado passa sem ser chamado à responsabilidade!?

A má educação e carácter de alguns dos chefes da Função Pública começa a tornar-se visível; e estes pouco fazem, ou mesmo nada, para a disfarçar. Ainda recentemente, um dos dirigentes do meu serviço, passando por mim e por outros dois colegas num fim-de-semana, nem se dignou cumprimentar-nos. Poderia alegar que não viu, mas tal não me parece plausível, visto que trocou olhares comigo e nada disse.

Não é que eu pretendesse que a pessoa nos cumprimentasse, mas, na posição que ocupa, gostando ou não de confraternizar, tem obrigação de cumprimentar os seus subordinados, por uma questão de boa educação.

São pormenores como este, e como o do aviso colocado no elevador separando as chefias e dirigentes da restante plebe, que fazem com que o funcionalismo público ande completamente sem ânimo e sem grande vontade de se empenhar nos trabalhos da Administração. E andando os funcionários públicos desanimados, isso reflecte-se em toda a sociedade. Os cheques que vão sendo distribuídos não são mais que pensos rápidos e, como tal, não são solução permanente.

Julgo que, se fossem feitos concursos para chefias, em vez de se aplicar o princípio de Peter, o resultado final seria melhor, pelo menos a nível técnico e de conhecimentos.

O Governo e os seus dirigentes parecem viver num outro patamar e custa-lhes, descer ao nível da população, para se aperceberem dos problemas reais. Com algumas excepções, poucos são os que realmente conseguem ter uma comunicação directa com o normal cidadão. Por exemplo, quantos serviços públicos de Macau têm realmente presença na «net», especialmente no «Facebook», que hoje em dia é utilizado por quase 70% da população de Macau com acesso à rede?

Numa era como a que atravessamos, quer se goste das redes sociais ou não, estas são um meio privilegiado para os departamentos governamentais se aperceberem do pulsar da população, das suas queixas e seus anseios.

Os serviços do Governo, individualmente, deveriam ter uma página nessas redes sociais, a que a população possa aceder e deixar os seus comentários. Todos os serviços em países civilizados as têm, desde os Presidentes da República aos serviços administrativos…

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Descaramento e falta de sensatez

COMO se pode entender que uma empresa que apresenta resultados positivos de centenas de milhares de patacas venha reclamar e queixar-se que, mesmo assim, é pouco, porque o Executivo decidiu não aumentar as tarifas do serviço que presta?

Quantas empresas de Macau, que não recebem chorudos subsídios do Governo, se podem gabar de centenas (neste caso meia dúzia) de milhar de patacas de lucro no fim do ano financeiro? Poucas, tirando as empresas ligadas ao jogo e as grandes companhias que contam com estruturas mais do que solidificadas ao longo dos anos.

Na Imprensa vinham retratados dois pontos de vista da apresentação dos resultados financeiros da dita empresa, a Transportes Colectivos de Macau (TCM). Uma notícia dava conta do descontentamento de apenas terem lucrado pouco mais de seiscentas mil patacas, enquanto que outra avançava que tinham perdido mais de 15 milhões. Bom! Perder 15 milhões não é o mesmo que ter prejuízo do mesmo montante, penso eu nas minhas básicas noções de matemática. Hipoteticamente, comparando com os resultados dos anos anteriores, a empresa poderia ter lucrado esses milhões todos, mas, porque foi obrigada a melhorar os serviços e a dar condições dignas a quem faz o trabalho, o lucro caiu para as seiscentas mil patacas. E com este resultado os patrões já não podem comer «abalone» e sopa de barbatana de tubarão todos os dias!

Irá cair o «Carmo e a Trindade»? Ou reflectirá este resultado um melhor serviço para a população? Penso que nenhum dos casos irá acontecer…

A verdade, visível a todos os que se servem dos autocarros, é que mesmo com o «investimento» dos tais 15 milhões que deveriam ter sido lucro na TCM o serviço continua uma lástima e os autocarros, mesmo sendo novos, continuam a ser de uma qualidade abaixo do desejado: barulhentos, poluidores e com pouco conforto, além de serem inseguros.

O Governo, quando subsidia os serviços, neste caso os de transportes públicos colectivos, em princípio não o faz para encher a carteira dos proprietários das empresas; deve fazê-lo tendo em vista que o serviço prestado melhore em favor do utilizador utente. O dito subsídio serve para, perante as adversidades e especificidades do mercado de Macau, ajudar as empresas a fazer face aos custos e garantir que oferecem um serviço de qualidade. Portanto, fácil é de perceber que, num mercado livre, qualquer destas três empresas, que prestam o serviço de transportes colectivos, dificilmente sobreviria porque, se mesmo com subsídios quase não conseguem apresentar lucros suficientes para os seus accionistas, imaginem sem o apoio do Governo.

A verdade é que em Macau as empresas concessionárias estão mal habituadas desde sempre. Aliás, basta vermos os serviços prestados por todas elas, para se ver que a qualidade é um dos aspectos mais negligenciados. E, recentemente, o da segurança também tem andado nas bocas do mundo.

Nos sectores onde foi introduzida concorrência controlada os lucros continuam a ser elevados, tendo em conta a qualidade dos serviços. No caso dos autocarros, olhando para o que oferecem a quem os usa, caso estivessem num mercado de concorrência aberta, já há muito que tinham fechado portas. Portanto, se continuam a existir, isso deve-se ao facto de ser o Governo a sustentá-los, porque o que oferecem não tem qualidade suficiente para se auto-sustentarem.

A opção do Executivo em apoiar as empresas de autocarros deve-se ao facto de seguir uma política de descentralização, optando por atribuir aos privados um serviço que, de outra forma, teria de ser por si mantido. A estrutura de uma empresa de autocarros, com todo o seu equipamento, pessoal e forma de funcionamento, não se coaduna com a organização do Governo que, por si só, já tem uma organização pesada e lenta. Daí se ter optado por oferecer, mediante o pagamento de serviços, essa tarefa a algumas empresas privadas criadas para o efeito. Por outro lado, desta forma, o Governo consegue manter algum controlo sobre o funcionamento dos serviços, sem ter que se preocupar com a gestão corrente dos mesmos.

Todos sabemos que estas críticas vindas agora a público trazem «água no bico», como se costuma dizer. De lembrar que foram antecedidas pela decisão do Executivo em adiar o anunciado aumento de tarifas até Setembro. A questão que fica é esta: Será que se justifica um aumento de tarifas que terá de ser, novamente, suportado pelo Governo na totalidade? O serviço prestado é, para não usar uma palavra mais forte, lamentável. Por que razão têm que receber mais em troca da mesma qualidade?

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Portas abertas ao dinheiro

NUNCA uma visita ministerial teve tão pouco impacto na vida da comunidade portuguesa de Macau. O ministro Paulo Portas passou pelo território, depois de um passeio alargado, com peditório, pelas terras do Império do Meio, mas pouco ou nada deixou para os milhares de portugueses que aqui vivem, nem para a maioria das associações de cariz lusófono.

Aliás, diz-se que o Ministro dos Negócios Estrangeiros veio ao Oriente com a pasta errada. Afinal apenas falou de negócios e o quanto Portugal é apetecível para os chineses! Será que passou a ser um superministro e açambarcou a pasta da Economia, sem que Passos Coelho desse por isso?

Diplomacia Económica, dizem alguns dos defensores desta «nova» abordagem das relações entre países e as comunidades dos cidadãos desses países, espalhados pelo mundo. No entanto, não teria o MNE tido tempo para se inteirar acerca das preocupações da população portuguesa residente? Especialmente das questões relativas ao funcionamento do Consulado, onde diariamente se tem de esperar horas a fio para se tratar da documentação necessária a qualquer cidadão? Não houve tempo para se reunir com as associações de cariz português e se falar dos assuntos que as preocupam? Apenas uma minoria dos representantes da comunidade foi recebida.

Pelo que vi na Imprensa, apenas se abordaram questões económicas e de investimentos, o que me leva a crer que Paulo Portas veio com capacidade de ministro da Economia!

A verdade é que, desde sempre, nos habituámos a nada esperar dos dignitários representantes de Lisboa que, de tempos a tempos, vêm gastar o erário público em passeios pela Ásia. Desculpam-se dizendo que a presença é necessária, para manter as boas relações e angariar investimentos. Pessoalmente, não me parece que os investidores chineses que queiram investir em Portugal estejam dependentes de visitas de ministros e secretários de Estado. Quem tem dinheiro e quer investir sabe muito bem onde o fazer e, caso não saiba, tem a inteligência de pagar a quem saiba fazer o trabalho de casa para eles!

As queixas que aqui apresento não são, infelizmente, apenas minhas. Basta ler o que se publica nos vários sítios da Internet, onde a população pode ventilar livremente o que pensa, para nos apercebermos de que o simples cidadão tem uma ideia pouco abonatória destas visitas ministeriais ao Oriente e, especialmente, a Macau.

A ideia que fica, desde que Macau passou a ser RAEM, é que só passam por aqui porque no território há muito dinheiro. E, das vezes que aqui passam, pouco se interessam pelos portugueses que aqui ficaram: palavras de circunstância, uns apertos de mão, umas palmadinhas nas costas e pouco mais. Medidas concretas, para tentar apoiar quem se encontra longe do seu país, raramente são vistas, se bem que muitas vezes sejam anunciadas!

Desta vez não foi diferente! Um discurso económico, com algumas referências vagas à comunidade, sem entrar em grandes detalhes. Mas, como se costuma dizer, de palavras bonitas estamos todos fartos!

Não se consegue perceber que o ministro dos Negócios Estrangeiros venha visitar um local onde a comunidade portuguesa, por razões históricas, tem uma tradição enorme, e não reúna com os representantes da mesma, na totalidade. Não houve um momento para receber todas as associações que trabalham diariamente em prol da comunidade?

Portugal goza do prestígio que tem, graças aos cidadãos que resolveram deixar o País e não devido aos seus políticos ou políticas externas. E se o Governo em Lisboa não reconhece isso, parece-me que o País percorre um caminho que apenas o levará ainda mais à desgraça.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Falar de Nós

O ARTIGO de hoje vai fugir um pouco do estilo que nos tem acompanhado ao longo dos últimos tempos. Em vez de opinião, será mais a transcrição de uma conversa com uma «filha da terra».

Incluído nos eventos de comemoração do 10 de Junho em Macau, foi organizado o lançamento de três obras relacionadas com Macau e a comunidade macaense. Tive oportunidade de trocar algumas impressões com a autora de um dos trabalhos. «Filhos da Terra – A Comunidade Macaense, Ontem e Hoje», de Alexandra Rangel, é uma obra que vai passar, sem dúvida, a ser de referência para quem queira abordar a temática macaense. Não sendo uma obra exaustiva, começou por ser uma tese académica, que acabou publicada em livro. Ela aí está para todos lermos e percebermos melhor esta terra onde vivemos e «quem são os macaenses». Um trabalho fácil de ler, informativo e que, mesmo para os mais informados sobre a temática, traz novas achegas.

A ideia, segundo Alexandra Rangel, surgiu aquando da necessidade de escolher o tema da dissertação de fim de curso da Licenciatura e Mestrado em Ciências da Cultura (especialização em Comunicação e Cultura), na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Perante a necessidade de escolha, a autora teve de decidir entre «diversas hipóteses sobre temática abordada nos vários seminários realizados durante o curso», acabando por escolher um tema «especialmente caro: a comunidade macaense, ontem e hoje». Segundo ela, «duas razões ditaram esta escolha: por um lado, o facto de estar intimamente ligada a essa comunidade e ter acompanhado de perto a sua evolução no período especialmente difícil, de grandes transformações, resultantes do acordo firmado por Portugal e a República Popular da China sobre o futuro de Macau; e, por outro, o desejo de divulgar mais amplamente essa comunidade tão singular, mas ainda, infelizmente, tão pouco conhecida em Portugal».

Um trabalho académico seria, pois, uma boa forma de ajudar a preservar essa herança e de dar a conhecer as características e as transformações no seio dos macaenses. O livro, que fala da comunidade macaense, dos desafios e do seu passado, segundo a autora, não foi muito difícil de organizar, visto existirem muitas fontes e locais onde procurar informação. «Talvez a maior dificuldade tenha residido na selecção das vastas fontes disponíveis», – sublinha – a começar por casa, onde o seu pai, membro destacado da comunidade local, guarda e continuamente aumenta o espólio relacionado com a história dos seus antepassados.

Depois de elaborado o plano de trabalho e identificados os capítulos a escrever, foi feita uma selecção da bibliografia e das pessoas a contactar, algo que demoraria imenso tempo, caso não tivesse havido a ajuda dos ensinamentos aprendidos durante alguns dos seminários organizados pela Universidade; especialmente o de metodologias de investigação foi de grande utilidade, confidenciou-nos a autora.

Apesar de ter começado como tese académica, o livro merece ser lido pela população em geral. A informação que agregou é de grande importância e lança uma nova luz sobre a comunidade macaense, desafios e futuro. Alexandra Rangel considera que é «apenas mais um contributo para um maior e melhor conhecimento dessa comunidade»; mas, depois de o ler, estou convencido ser algo mais do que isso. Agora que a obra é conhecida e que cada vez mais pessoas a lêem, continua a receber incentivos e votos para que continue o trabalho de pesquisa sobre o mesmo tema. Quanto a isso, Alexandra nada garante, mas adianta que, embora não tenha ainda planos concretos, planeia no futuro abordar outros temas relacionados com esta comunidade que bem conhece e com a sua terra.

Este trabalho, apesar de já estar disponível na Internet, na sua versão de tese, há algum tempo, apenas foi lançado como livro incluído nas comemorações do passado 10 de Junho, numa cerimónia de lançamento de três obras publicadas pelo Instituto Internacional de Macau (IIM): «Macau 1937-45 – Os anos da guerra», de João Botas; «Filhos da Terra – A Comunidade Macaense, Ontem e Hoje», de Alexandra Rangel e «The Portuguese Community in Shanghai», de António Pacheco Jorge da Silva.

A apresentação do livro de Alexandra Rangel foi também feita em Lisboa, no passado dia onze deste mês, no Palácio da Independência, durante um serão macaense, em que foi também apresentada outra obra publicada pelo IIM – «O livro de receitas da minha tia/mãe Albertina» – da autoria de Cíntia Conceição Serro.

Quanto à obra «Filhos da Terra – A Comunidade Macaense, Ontem e Hoje», diversas casas de Macau espalhadas pela diáspora já se mostraram interessadas e disponíveis para ajudar a promover a divulgação. Trata-se de um trabalho que todos os que se interessam por Macau, pela sua história e pelas suas gentes devem ler o quanto antes. Um manancial de informação e de novos dados, que irão surpreender os menos atentos e propiciar bons momentos de leitura informativa.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Não há moral para continuar

COMO é do conhecimento público, o Clube Náutico de Macau (CNM) tem sido protagonista de várias cenas menos dignas de uma instituição com mais de seis décadas de história. Recentemente, e após dois anos sem qualquer Assembleia Geral e sem prestar quaisquer explicações aos sócios, à sociedade ou à Comunicação Social sobre as polémicas que foram vindo a terreiro, teve lugar uma AG que serviu para apurar relatórios financeiros de 2009 a 2012 e para a eleição dos novos corpos gerentes. Ou melhor, reeleição dos existentes porque, mesmo havendo interessados em apresentar listas concorrentes, a presente direcção nunca providenciou a lista de membros actualizada. Isto, apesar de alguns sócios a terem pedido, com a antecedência prevista nos regulamentos e por escrito diversas vezes, para que fosse possível saber quantos sócios há com direito a voto e quais as probabilidades de haver transparência na sessão de voto. Um procedimento normal em qualquer associação, pelo que sei.

As alegações de fraude, por parte de alguns associados, são de vária índole e não vale a pena voltar aqui a enumerar todas as polémicas. Certamente que o Governo irá resolver o problema, caso a isso seja chamado e caso não venha a surgir bom senso na presente direcção e em todo o corpo de sócios. Só espero que não tenha que dissolver o Clube ou criar as condições para que isso aconteça. Se tal vier a suceder, esta direcção terá muito que explicar. Uma simples investigação dos Comissariado Contra a Corrupção ou do Comissariado de Auditoria deverá ser suficiente.

Não nos devemos esquecer que o terreno, ao redor do qual giram todas as polémicas, é propriedade do Governo. E, caso este seja retirado ao Clube, nenhuma direcção terá condições para continuar a aguentar o «barco».

Como tenho afirmado desde o início da polémica, não pretendo saber quem é o presidente ou quem são os corpos gerentes, assim como não estou interessado, nem sequer disponível, para assumir qualquer tipo de papel activo numa direcção. O que apenas me interessa é que – seja qual for a «gerência» – o faça em favor do Clube e que, acima de tudo, seja transparente para com todos os sócios e para com a sociedade.

O Clube Náutico de Macau é uma entidade sem fins lucrativos que se deve dedicar ao fomento das actividades náuticas e à gestão das instalações que lhe foram confiadas. E, sempre que algum sócio, em pleno direito, lhe requisite dados que não violem o direito à privacidade dos outros sócios (número e nome), estes lhe sejam facultados a qualquer momento e sem qualquer delongas. É uma entidade associativa, não uma sociedade privada com fins lucrativos, pelo que não há lugar a segredos. A transparência tem de ser total e acima de qualquer desconfiança.

A presente direcção, que foi nomeada para um novo mandato de dois anos, se realmente é tão sincera como diz ser, deveria ter vergonha na cara por obrigar o Clube a passar pelo vexame que tem atravessado nos últimos meses.

Costuma-se dizer que quem não deve, não teme. Portanto, a presente equipa directiva, se está tão segura de que tudo está a ser feito dentro da legalidade, deveria mostrar todos os dados públicos, para consulta de todos os sócios. Deveria cancelar os resultados desta eleição e dar a conhecer todos os dados que os sócios solicitem (mesmo que seja apenas um sócio a requerê-lo), antes das eleições, para que todos estejam em pé de igualdade.

O resultado para aprovação dos relatórios de contas (que foram aprovados todos ao mesmo tempo) foi de 69 votos a favor, 23 contra e 4 abstenções.

Para a eleição dos corpos gerentes, 64 votos a favor, visto que todos os outros abandonaram a sala em protesto.

É de salientar, – e eu posso comprovar porque estive presente no local – não havia mais de 40 pessoas na sala. A maioria dos votos foi feito por procuração; no entanto, os sócios não puderam verificar a veracidade dos nomes nas listas, porque estas não foram disponibilizadas atempadamente.

Dizer que os dados podem ser consultados na sede do Clube a qualquer altura não serve. Estes devem ser facultados antes das eleições e não após as mesmas. Aliás, se pedir para ver a lista de sócios na sede, tenho de esperar que venha autorização do presidente do Clube!

Como posso eu votar em consciência, quando não tenho conhecimento de toda informação?

Por exemplo, na última AG foram votados os relatórios financeiros relativos a 2009/2010/2011. Porque foram estes apenas entregues aos sócios minutos antes da votação? Como podia votar em consciência, se nem tempo tive de analisar os dados e confirmar os documentos apresentados?

Acredito que tudo tenha sido feito dentro da maior das legalidades e que nada haja a esconder. Mas, como a mim me pedem o cartão de sócio para comprovar o meu direito de voto, visto que a minha palavra não chega, serei eu e os outros sócios obrigados a acreditar na palavra da direcção?

Como se costuma dizer, «à mulher de César não basta ser séria, é preciso parecê-lo». Portanto, antes que peçam às pessoas que confiem neles, devem dar provas de o merecer.

Para bem do Clube Náutico, para o bom nome das pessoas envolvidas e para a boa imagem de Macau, penso não haver outra saída, para as pessoas de bem presentes na direcção, que não seja demitirem-se e proporem outro acto eleitoral com todos os elementos, a tempo e horas.

Motivo da polémica: a construção do «Club House» e o contrato que foi assinado mais do que uma vez. Esta situação tinha sido resolvida, se no princípio a actual direcção não tivesse vendido os direitos dos pontões a privados. Esta medida fez com que o CNM ficasse sem fontes de receitas, dando os lucros a associados que especulam agora em busca de lucro. Se as rendas fossem para os cofres do CNM, penso que haveria dinheiro, mais do que suficiente, para fazer o «Club House», sem ser preciso andar com contratos que apenas geram discórdia.

Basta fazer contas! O ponto de amarração mais barato custa mil e 500 patacas por mês (18 mil por ano – todos os outros são mais caros, mas faremos contas pelos preços mais baixos). Há, pelo menos, 57 lugares, pelo que seria mais de um milhão de rendas por ano (1.026.000 patacas). Numa década, haveria dinheiro mais do que suficiente para fazer as construções necessárias e que estão na base de toda esta polémica. A mim, como sócio, interessa-me ver estas contas preto no branco. Tudo o resto, é acessório.

Quanto às declarações recentes da Capitania dos Portos, ao vir dizer que as vendas dos locais de amarração são ilegais, dá vontade de perguntar: porque não tomam a iniciativa e resolvem o problema?

E prevendo a Lei a possibilidade de se ancorar os barcos de recreio noutras zonas, nomeadamente na doca do Fai Chi Kei (durante a Administração Portuguesa havia ali muitos amarrados às bóias que ainda hoje existem), por qual razão a Capitania recusa permitir que ali deixemos os nossos barcos, forçando-nos a ter de pagar a privados que exploram ilegalmente os pontões da marina?

Espero por respostas das autoridades responsáveis.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ainda a «diabrura» dos soldados

ESTA terra onde vivemos começa a tornar-se conhecida pela curta memória que vamos revelando ao mundo. Será mesmo que todos temos memória curta em Macau? Será que só damos atenção a certos assuntos, até que outros apareçam nas páginas dos jornais e nos façam mudar o nosso foco?

Gostaria de perguntar: quem ainda se lembra de uma notícia que veio na Comunicação Social, há uns meses, sobre a destruição do campo de jogos na Taipa, junto ao quartel da guarnição dos Exército Popular de Libertação? Uma decisão do nosso Executivo, em resposta às reivindicações dos soldados, só porque disseram que precisavam de mais espaço para guardar os «brinquedos». Como se o recinto que têm, em local nobre, não fosse suficiente! Para fazer face a essa falta de espaço vão privar a população de um dos poucos locais de desporto na ilha! As obras já arrancaram e podem ser vistas por quem ali se desloca.

Antes de enveredar pela destruição do espaço da população, e para fazerem face à falta de espaço que dizem sentir, porque não usam o que têm? Se repararem nas imagens disponíveis no «Google Maps», existe no recinto do EPL espaço livre para construírem as ditas arrecadações. Têm a maior piscina de Macau e a que maior «ratio» por utente apresenta, quando mesmo ao lado existe a piscina olímpica da RAEM e que eles também deveriam utilizar! Têm um espaço de treino e para paradas que ultrapassa o do campo desportivo que pediram ao Governo e que raramente é utilizado. E têm jardins que apenas eles podem usufruir, visto ser um local vedado à população.

Basta ver o mapa para se verificar a falta de aproveitamento do espaço disponível. Esta falta de racionalização não se coaduna com Macau, onde a escassez de terreno é um dos maiores problemas que enfrentamos.

A zona C na foto, que engloba a piscina ao ar livre, a zona de parada e as zonas de jardins e de treino é, sem qualquer dúvida, muito maior que a zona B, onde se encontram os dois campos de futebol e a parede de escalada. Portanto, qual é a necessidade de privar a população de um escasso espaço de lazer e desporto, quando existe, no recinto do exército, área livre para as ditas instalações de arrecadação?

Será que o homens da farda, sendo eles o epíteto do que deve ser a honra e rectidão na nação, não percebem que Macau tem falta de terreno e que a população tem de vir sempre em primeiro lugar? Afinal, não juram eles defender a Pátria e a suas gentes? Essas mesmas que agora atacam, espoliando o pouco que ainda têm. Pelo menos foi isso que fiz, quando jurei bandeira no meu tempo de tropa.

Quando a notícia veio a público, lembro-me de as autoridades dizerem que os campos seriam mudados para Coloane! E, nestas mesmas páginas, me indignei e pedi que me explicassem como iriam milhares de pessoas da Taipa para Coloane? Certamente que o Gabinete de Comunicação Social não enviou o texto aos visados, pois até hoje não recebi qualquer reacção das autoridades nem resposta às minhas questões.

Mas, apesar de continuar indignado e das obras estarem a arrancar no mesmo momento em que o leitor lê estas linhas, parece que mais ninguém se preocupa.

Em comparação, quando se falou da construção de um edifício junto ao lago da Avenida da Praia, até petições surgiram para tentar salvar as garças e o seu «habitat». Não descurando a importância das garças e do ecossistema de Macau, não seria também meritório organizar uma manifestação de desagrado, relativamente ao facto do Exército Popular de Libertação estar a ocupar terrenos que são do usufruto da população? Ou será que, sendo o exército, estão acima da Lei e ninguém se atreve a criticá-los? Que me desculpem os mais sensíveis, mas eu fui criado num país livre, nascido durante uma ditadura, mas criado durante um período de grande liberdade, pelo que, mesmo sendo o exército o símbolo máximo da autoridade e do poder, não me refreio de o criticar, quando considero que estão a violar direitos da população que juram proteger.

A justificação dada para a necessidade do terreno está relacionada com o facto de precisarem de espaço para armazenarem os equipamentos. Sendo o COTAI tão perto da Ilha da Montanha – no máximo cinco minutos – não seria prático que se optasse por construir o tal depósito para o material do outro lado do canal? Que diferença faria terem de se deslocar cinco minutos, quando está em causa não prejudicarem a população?

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Irresponsabilidade ou desleixo?

DECORRE por estes dias uma actividade promovida pelas autoridades marítimas de Macau, com a participação de centenas de pessoas do território e visitantes. Durante a época de defeso da pesca, pelo segundo ano consecutivo, pescadores, Capitania dos Portos e outras autoridades têm andado a levar residentes e turistas a passear em alguns barcos de pesca pelas águas adjacentes ao território: uma forma de fazer face à crise e ocupar os pescadores durante esta época de defeso imposta pelas autoridades de Pequim, segundo justificam os impulsionadores da iniciativa. E uma forma de dar a conhecer a ancestral forma de vida dos homens do mar, justificam as autoridades.

Até aqui, tudo bem! Aliás, considero meritória a actividade e espero que se possa manter durante muitos anos. E, se possível, deveria estar disponível durante todo o ano. Certamente que alguns pescadores iriam preferir andar a passear, do que nas lides pesadas da pesca, caso conseguissem sustentar a família dessa forma.

No entanto, o que me preocupa nisto é a questão da segurança. A legislação marítima de Macau é muito clara no que diz respeito aos requisitos de segurança das embarcações de recreio, de pesca e comerciais. Neste caso, seria uma de pesca, transformada em recreio, pelo que se terá de aplicar o que à última diz respeito.

Além de ser obrigatório estar equipada de rádio de comunicações, radar, sistema de posicionamento global e, no caso de embarcações, com as dimensões das de pesca, têm ainda de ter outros equipamentos electrónicos que, para além de ajudarem à navegação, servem para garantir a segurança a bordo, mas cuja complexidade técnica não vale a pena estar aqui a esmiuçar.

Além de tudo isto, a emissão de uma licença para uma embarcação obriga a que exista uma farmácia a bordo; e, no caso de embarcações deste tamanho, terá de ser bastante completa, desde comprimidos para enjoo, até compressas e alfinetes de ama. Uma lista abrangente e que pode ser consultada na página da Capitania dos Portos, assim como toda a restante legislação.

A par de tudo isto, no acto de registo de embarcações tem de se declarar o número de ocupantes, com a obrigação de ter um colete salva-vidas para cada um deles. E, para barcos desta dimensão, é obrigatório também dispor de embarcações salva-vidas que se encham de ar automaticamente, quando forem metidas à água.

Andar a vender bilhetes, promovidos pelo Governo e com o seu aval, para levar pessoas a passear em embarcações que não oferecem as mínimas condições de segurança, parece-me ser, em minha opinião e tendo em conta já alguma minha experiência de mar, um acto de tremenda irresponsabilidade e, por outro lado, um acto de completa falta de consideração e de justiça para com os empresários que apostaram nas embarcações de lazer e que são obrigados a pagar impostos e a cumprir todos os requisitos que atrás enunciei.

Há, pelo menos, duas embarcações que navegam, diariamente, nas águas de Macau com turistas e que cumprem, aparentemente, todos os requisitos. Esses barcos, que servem inclusivamente refeições, estão a ser discriminados, em favor dos pescadores.

Consulado fica mal na fotografia

Foi com agrado que vi, mais uma vez, se bem que por razões muitos tristes, Macau juntar esforços quando foi pedido auxílio para ajudar a família da jovem portuguesa que faleceu num trágico acidente de viação. Sem meios de suportar os custos da transladação do corpo, e depois de ter recebido uma nega do Consulado Geral de Portugal em Macau, a família ficou nas mãos da generosidade da população, para fazer com que tal fosse possível.

Foi uma onda contagiante de solidariedade que se viu em torno deste obstáculo e que rapidamente ultrapassou as expectativas iniciais. Macau, como já tinha acontecido noutras ocasiões – lembram-se das campanhas para ajudar Timor? – juntou mãos e uniu todas as comunidades no apoio a esta jovem portuguesa e à sua família.

Quem acabou por ficar mal na fotografia foi o Consulado de Portugal. As comparações não se fizeram esperar e vários casos foram trazidos à praça pública, nomeadamente pela comunidade não portuguesa ou chinesa. Por exemplo, casos de turistas filipinos e tailandeses que perdem a vida em Macau e os seus representantes diplomáticos não hesitam em prestar todo o apoio às famílias afectadas. A transladação dos corpos fica sempre a cargo das representações diplomáticas, assim como todo o processo burocrático. Afinal, para que servem as representações dos nossos países no estrangeiro, se não for para ajudar os seus nacionais em tempos de aflição?

Na verdade, não sei o que se passou no Consulado de Portugal, mas custa-me acreditar que não houvesse 15 mil euros para suportar os custos do processo. E, mesmo que não dispusessem da verba, julgo que não deveria ser muito difícil encontrá-la junto de entidades locais, nomeadamente o cônsul honorário em Hong Kong ou departamentos do Governo da RAEM.

Muito feio e um péssimo exemplo de solidariedade da parte de quem deveria ser a primeira instituição a resolver o problema. Esperemos que, futuramente, haja um plano de contingência e que não voltem a suceder casos semelhantes. Um fundo de emergência para fazer frente a estes casos deveria existir em todas as representações diplomáticas.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Carreiras 25 e 25X não respeitam contrato

NESTES últimos dias, devido a uma reparação mal feita no meu veículo pessoal, tenho andado de transportes públicos e apraz-me dizer que, não obstante a manifesta falta de qualidade dos veículos utilizados por todas as companhias, a cobertura e a eficiência dos mesmos têm melhorado muito. Durante o fim-de-semana, tendo de deslocar-me ao COTAI assiduamente, nunca demorei mais de 15 a 20 minutos, a partir do centro da cidade. Isto, incluindo o tempo de espera na Rua do Campo pelo autocarro número 25 ou 25X.

Saliente-se que os esforços das autoridades em aumentar a rotatividade e assiduidade dos autocarros nas paragens tem dado frutos. No entanto, continuamos a contar com veículos velhos ou, quando novos, são de tão má qualidade que mais valia serem velhos!

Não consigo perceber como é que autocarros com um e dois anos façam mais barulho do que uma lata velha ao vento e que o seu interior esteja a cair aos bocados, devido à manifesta falta de qualidade dos materiais utilizados pelos construtores chineses.

Por que razão não obrigaram a que se comprassem autocarros de qualidade comprovada? Não é preciso ir muito longe: o exemplo de Hong Kong, onde usam marcas britânicas, serve muito bem. Mas, mesmo em Macau há exemplos de empresas, ligadas ao jogo, que chegaram à conclusão que marcas chinesas não servem. Apesar de serem mais baratas, a longo termo, acabam por ficar mais caras, devido à manutenção e à constante substituição que é necessário fazer. A Venetian e a SJM são os primeiros exemplos, tendo optado por começar a substituir a frota por marcas europeias.

Disseram-me, aquando do concurso, – por acaso a sua minuta passou pelas minhas mãos – que as marcas envolvidas eram muito utilizadas no interior da China e que eram das mais conceituadas! Mas, sabendo nós que os critérios de qualidade que se aplicam na China continental são muito baixos, por que razão os deixaram aplicar a Macau? Não deverá a RAEM, «centro de turismo internacional», ter parâmetros de qualidade mais altos, à altura dos pergaminhos que apregoa aos sete ventos? Ou, será que o «slogan» irá passar para «centro de turismo chinês»? Bom…

No contrato de concessão que todas as operadoras aceitaram e assinaram, havia, pela primeira vez, a obrigatoriedade dos autocarros estarem equipados com sistema de GPS e com sistema de informação sonora e visual das paragens, nas duas línguas oficiais e também em Inglês. Mas, na verdade, depois de um ano de actividade sob o novo contrato de concessão, este sistema raramente funciona em muitos dos autocarros. Aliás, o sistema é igual em todas as concessionárias! Afinal teve de ser o Governo a fazê-lo, para que as empresas o usassem!

Das vezes que utilizei, nomeadamente, as carreiras 25 e 25X, nunca vi o sistema a funcionar na sua totalidade. Muitas das vezes o som está desligado e o sistema visual apenas dá informações em Chinês. Apesar de ter tentado contactar as companhias, nomeadamente a TRANSMAC, que é a que explora as carreiras referidas, não houve qualquer tipo de resposta.

Para me precaver de qualquer tipo de mal-entendido, enviei as interpelações nas três línguas usadas, referidas no contrato que assinaram com o Governo. Mas, mesmo assim, não houve direito a qualquer tipo de contacto por parte da empresa. Tentativas de abordagem feitas via telefone foram em vão, porque nunca consegui fazer-me entender, ou faziam por não entender.

Tendo conhecimento pessoal do que foi exigido nos contratos, considero que, se fossem cumpridos na íntegra, teríamos serviços de autocarro de boa qualidade. No entanto, o que acontece é que não há fiscalização. O controle que a DSAT faz restringe-se à assiduidade das chegadas e partidas, tudo o resto que foi exigido, normas EUROIV, materiais utilizados, autocarros com acesso para deficientes, sistemas sonoros e visuais nas línguas oficiais, etc. Tudo isso passa sem que ninguém regule e fiscalize, pelo que as companhias de autocarros estão-se nas tintas para a letra do contrato.

Quanto à qualidade dos autocarros, visto que os accionistas das empresas concessionárias não os utilizam, os utentes que se aguentem!

Se do outro lado da fronteira servem, porque não hão-de servir em Macau? – devem dizer, indignados, os responsáveis! Nós, os residentes de Macau, somos mesmo muito exigentes!…

No meu ponto de vista, Macau não se deve nivelar pelos requisitos de qualidade da China continental, neste campo. Se pretendemos ser «civilizados» e considerar Macau como uma cidade internacional, é necessário e urgente que os responsáveis do sector dos transportes comecem a tomar medidas adequadas e a fazer cumprir os contratos.

Amigos ou não, os contratos são para cumprir!

Estamos a falar de transportes públicos. Quanto aos táxis, infelizmente, continua tudo na mesma!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Críticas construtivas

NO seguimento do meu artigo de há duas semanas, em que falava de um bom exemplo dado pelos agentes da autoridade de Macau, não queria deixar passar a oportunidade de referir que bons e maus exemplos vêmo-los em todas as profissões. O referido artigo deu origem a uma série de comentários, uns abonatórios, outros nem tanto!

Se, na generalidade, na Imprensa se aborda mais os maus exemplos, isso se deve ao facto de serem estes a excepção e não a regra. Qualquer profissional tem por obrigação exercer bem a sua função, sendo os erros merecedores de comentários menos positivos e de críticas que se espera sejam construtivas.

Quando feitos de forma construtiva, os comentários são sempre positivos. Quem deles é alvo deve aprender a tirar o melhor proveito e usá-los como forma de aumentar a qualidade do produto do seu trabalho. As críticas que apontam para outro lado, o melhor é esquecê-las e não pensar mais no assunto!

Na verdade, a polícia de Macau, como já foi dito inúmeras vezes, é de boa qualidade e a grande maioria dos agentes são bem formados e dignos da farda que envergam. A qualidade da escola de polícia está acima de qualquer suspeita e tem provas dadas ao longo dos anos.

No entanto, alguns agentes, quando começam a trabalhar na rua,c parece terem esquecido tudo o que aprenderam durante a formação, acabando por denegrir o todo da corporação, levando a que a população tenha a polícia em muito pouca consideração.

O facto dos agentes serem frequentemente visados nas páginas dos jornais e nas redes sociais reflecte apenas a necessidade de haver uma maior fiscalização por parte dos superiores e das comissões – (Macau é a terra delas!) – que foram criadas para assegurar a qualidade. Muitos desculpam os «descuidos», pelo facto de ser um trabalho de rua, em vez de ser num escritório com ar condicionado! Contudo, não nos podemos esquecer que também são feitas muitas críticas a outros funcionários públicos da linha da frente que trabalham em locais com ar condicionado e ambiente controlado. Portanto, o facto de ser um trabalho que tem de lidar com os rigores do clima em nada os desculpa das asneiras que fazem!

Quando me aparecem com essas desculpas, só me apetece dizer que ninguém é obrigado a ser polícia. E se não querem ser alvos de críticas desse tipo, optem por outras profissões. Afinal, pelo que sei, só vai para a polícia quem quer.

Qualquer profissão, especialmente as que lidam diariamente com a população, são constantemente alvo de críticas por parte das pessoas com quem contactam. É da natureza humana apontar apenas os erros…

Por exemplo, os jornalistas, pelo simples facto de fazerem críticas em textos de opinião, ou de abordarem certos temas de forma menos «correcta», são bombardeados com comentários de pessoas que ou não entenderam, ou não concordam com o ponto de vista. Infelizmente, por muito que se tente, não se consegue agradar a todos.

O que me aborrece é o facto de alguns cidadãos não aceitarem que possa haver pessoas com pontos de vista diferentes, assim como pessoas que, no seu direito à opinião, não gostem do trabalho dos agentes (tanto da polícia como de qualquer outro serviço) e sejam alvo de represálias por expressarem a sua opinião livremente. Afinal, temos ou não liberdade de expressão em Macau?

Hipoteticamente, o eu não gostar da polícia em geral não deve ser um factor negativo para a minha vida em sociedade. Assim como não deve ser para outros cidadãos que, possivelmente, não gostem de médicos, ou juízes, ou dos fiscais do fumo, para citar alguns exemplos.

Cada cidadão tem a liberdade de apontar o que pensa estar errado e esperar, da parte das autoridades competentes, que isso seja corrigido, quando tal se justificar.

A verdade é que em Macau, neste caso a polícia, tem muito que melhorar, especialmente no que diz respeito aos agentes que andam à chuva e ao sol. O factor climatérico não pode, nem deve, interferir na sua capacidade de desenvolver e prestar um serviço de qualidade ao cidadão comum. Há muitos agentes policiais que, mesmo perante os rigores do clima de Macau, prestam um serviço exemplar.

Um erro, por pequeno que seja, causa má impressão na população e acaba por manchar a globalidade da corporação, pondo em causa os milhares de agentes que, diariamente, dão o seu melhor, à chuva e ao sol.

É isto que as chefias da corporação devem ter em conta: ver onde estão os maus exemplos e corrigi-los, para que toda a equipa fique a ganhar. Tentar desculpar as chamadas «ovelhas negras» só acaba por prejudicar toda a imagem do grupo.

Por mim, como sempre, andarei por aqui para ir apontando o dedo e aprendendo com as críticas.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Feira de iates, outra vez!

O TEMPO passa como se fosse vento, sem que nos apercebamos de que a cada dia ficamos mais velhos e as oportunidades só se concretizam uma vez. Se não as aproveitamos, vamos acabar por nos arrepender durante o resto das nossas vidas. Isto aplica-se tanto a pessoas, como ao próprio Governo.

No ano passado, mais ou menos nesta altura, escrevia sobre algo que pouco, ou mesmo nada, foi falado na Imprensa local. Apesar de ser um evento de grande envergadura e de ser, então, a primeira vez organizado nesta cidade, não mereceu o apoio que merecia da população, da Comunicação Social e, muito em especial, do Governo, que apenas olha para o Jogo, para os «patos bravos» e a especulação imobiliária com o seu lucro fácil.

Macau vai ser palco, pela segunda vez, de uma feira de iates e barcos de luxo. Ao contrário do que a maioria da população pensa, barcos não são apenas para gente rica, pois há-os para todas as bolsas. Aliás, existe o estereótipo de que os donos de barcos e quem viaja de barco são milionários. Pois, posso garantir que quem tem essa ideia nunca meteu os pés dentro de um veleiro ou de um barco a motor. Aliás, a nível mundial, os milionários nesta vertente são uma minoria e raramente embarcam em grandes viagens, servindo os seus barcos apenas para ostentar e mostrar a sua riqueza.

Há todo um outro mercado na náutica de lazer que gera riqueza e empregos, mas que não significa que os proprietários sejam ricos.

Se bem que o exemplo da feira de Macau aponte mais para as carteiras recheadas da China, a verdade é que em Macau não há condições para mais barcos. A actual marina, se é que lhe podemos mesmo chamar marina, está cheia e não tem qualquer tipo de condições. Nem casa-de-banho tem, para já não falar nas outras instalações de apoio que os sócios, que pagam mensalidades e jóias de membro, deveriam ter para uso: bar, duches, zona de reparações, entre outras, apenas para citar algumas das lacunas.

Por outro lado, quem quer comprar barco em Macau enfrenta o problema de não ter onde o colocar. E, caso opte por um barco que possa ser colocado num reboque, enfrenta um outro problema ainda maior, relacionado com o trânsito. Ao que parece, em Macau, não é permitido circular com atrelado em carros particulares, o que inviabiliza qualquer tipo de recurso a essa solução para fazer face à falta de lugares na marina.

Recentemente escrevi nestas páginas que a directora da Capitania dos Portos dizia haver dois locais para iates em Macau. Continuo à espera que me digam onde fica o segundo, porque quero ir ver!

Por outro lado, a Lei Marítima de Macau reconhece a existência de vários portos em Macau e locais de ancoragem. Mas, na verdade, isso não passa de letras no papel. Se quiserem provar isso, experimentem mandar uma mensagem a pedir um local para ancorar um barco. A resposta irá apontar para a Marina do Lamau (que, como já se referiu, está cheia). Portanto, um livre residente de Macau que pague impostos, como toda a gente, se quiser ter barco, em vez de carro, vê-se obrigado a ter de pagar a uma entidade privada para o «estacionar». Algo que, no meu ponto de vista, é injusto, pois quem tem carro pode estacionar na rua, visto ainda existirem locais sem parquímetros.

Antigamente era possível ancorar no Porto Interior, na zona onde param os barcos de pesca, mediante o pagamento de uma taxa anual à Capitania. Actualmente, porém, apesar de tal estar previsto na lei, a Capitania recusa-se a atribuir bóias de ancoragem a privados que não sejam «pescadores». Uma discriminação que não se percebe.

Com todos estes contratempos, Macau avança para a segunda feira de iates! Espero que este ano, pelo menos, os representantes do Governo, nomeadamente do Turismo, se dignem a comparecer no evento, que mais não seja para saborearem uns aperitivos de graça e beberem uns copos de champanhe!

A iniciativa este ano está a cargo das mesmas entidades que organizaram o evento há um ano. Aliás, entidades da China, algo que também não se percebe, dado haver em Macau empresas com experiência suficiente para realizar um evento desta natureza. Além disso, a empresa responsável pelo evento nem sequer tem história na organização de feiras de barcos!

Ah! Este ano parece que vai haver uma regata com dezenas de veleiros. Eu, incredulamente, pergunto-me de onde virão tais velejadores e embarcações! Em Macau há cinco, mas apenas três sobem as velas regularmente! E quando se organizam regatas de e para Hong Kong, nunca se conseguem mais de dez… Vamos esperar…

Fórum alarga esfera

Apenas um pequeno aparte, visto ter lido a notícia recentemente e não querer deixar passar a oportunidade de a realçar. O Fórum de Macau prepara-se para alargar a sua esfera de influência a actividades não económicas, nomeadamente à cultura, pelo que foi abordado por alguns dos seus membros numa reunião na semana passada. Gostaria de manifestar o meu agrado e esperar que não voltem a recusar apoio a iniciativas de cariz cultural e de promoção de Macau, como aconteceu recentemente, depois de terem garantido que dariam todo o apoio necessário a nível institucional.

Sabendo-se que o Fórum tem vindo a apoiar a Semana Cultural e a Lusofonia, é muito difícil entender a recusa de apoio a um evento que tem como propósito promover Macau e os laços que ligam os países de língua Portuguesa.

Fica o reparo, a nota de agrado e o conselho para que submetam novamente a proposta, se esse propósito avançar. Desta vez enviem directamente ao secretário-geral; pode ser que a receptividade não mude.

Afinal, a Economia e o Comércio andam sempre de mãos dadas com a cultura e os laços afectivos.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Bom exemplo

É JÁ normal passarmos dias e semanas a criticar tudo e todos, esquecendo que diariamente há pessoas que se esforçam por fazer o seu melhor para tornar a nossa vida um pouco mais fácil e segura. Tornou-se hábito criticar as autoridades de Macau por tudo o que de menos positivo fazem. Mas, apesar de evidentemente haver muito que pode ser mudado para que a imagem da polícia seja melhorada, há sempre bons exemplos.

Os aspectos negativos abundam nas redes sociais, em imagens captadas nas ruas do território, com agentes da autoridade a actuarem de forma menos correcta e pouco profissional, seja o atravessar uma passadeira sem cumprirem as regras do trânsito, ou o abusarem da autoridade que a farda lhes dá. No entanto, julgo que todos agentes, em essência e felizmente ainda na sua maioria, são pessoas de bem e que se esforçam perante a adversidade para darem sempre o seu melhor.

A população tem, por tradição, um olhar sempre muito atento às coisas erradas que as autoridades fazem. Mas, quando algo de bom é feito, regra geral, fica esquecido e passa sem ser enaltecido. É precisamente um destes episódios que hoje quero aqui realçar. Aconteceu recentemente e envolveu, pelo menos, seis agentes da autoridade. Todos eles procederam de forma correcta e voluntariosa.

Num fim de dia, com o tráfego no seu auge à saída do túnel, no final da Rua do Campo, um carro pára com falta de combustível num dos semáforos junto do jardim Lou Lim Ieoc. Como se deve imaginar, a paragem do veículo causa muita confusão no trânsito. Um dos dois ocupantes, sem ter outra solução, decide deixar o veículo com os quatro piscas ligados e com o outro ocupante pronto para receber os agentes da autoridade que deveriam chegar a qualquer momento. Entretanto, desloca-se a pé ao posto de abastecimento mais próximo, neste caso o da Caltex, do outro lado do túnel da Guia! Na ida, atravessou o túnel a pé, algo que é ilegal, mas não foi interceptado por nenhum agente. No trajecto de volta, um polícia de motorizada deu-lhe indicação para parar na saída do túnel. Rapidamente explicada a situação, o agente deixou a mensagem, que lhe cabe deixar nestas situações sobre a necessidade de se seguir as regras e cumprir os requisitos de segurança. Porém, vendo a urgência da situação, não demorou mais de dez segundos e deixou seguir a pessoa com o combustível, rumo ao carro imobilizado.

Chegado ao local onde o veículo se encontrava, já vários agentes da autoridade estavam a tentar resolver a situação. Apesar da confusão inicial, devido ao facto dos agentes dominarem pouco o Inglês e não falarem Português, mostraram-se bastante cooperantes e, entre tentarem minorar o problema do trânsito e tentarem encontrar uma solução, ofereceram-se para empurrar o veículo para um local seguro, depois de atravessada a Avenida Horta e Costa.

Durante todo o processo, não se notou um único momento de maior tensão nem de falta de profissionalismo ou arrogância por parte dos agentes. Mesmo perante a manifesta irritação dos ocupantes do veículo, devido à situação em que se encontravam, os agentes nunca mudaram de postura. Tudo tentaram para ajudar a resolver o problema, tendo mesmo pedido para que fosse chamado um reboque para que o carro fosse removido, mais tarde, para um local onde fosse possível ver e solucionar o problema.

Enquanto era empurrado o veículo, para que o trânsito fluísse normalmente, e já com algum combustível no depósito, este decidiu pegar, deixando todos os envolvidos algo surpresos. É que durante o período em que o carro esteve parado sem combustível, e depois de várias tentativas de o fazer pegar, a bateria tinha «morrido». Sendo um veículo automático, era suposto não pegar de empurrão! Assim que o veículo começou a funcionar, os agentes ajudaram a controlar o trânsito para que o veículo se imobilizasse em local seguro, tendo um dos ocupantes, o proprietário, ficado com alguns dos agentes, esperando que lhe fosse dado um «sermão» ou que lhe fosse passado qualquer tipo de multa.

Os agentes sorriram, dizendo ter sido bom que tudo se tenha resolvido sem necessidade de reboque e desejaram a continuação de boa viagem. Um aperto de mão do agente mais sénior e muitos obrigados da parte do ocupante do carro «selaram» o incidente.

Uma situação que poderia ter sido bem mais complicada, caso a autoridade tivesse tido outro tipo de postura. Mas, com profissionalismo e com boa educação e uma postura de servir a população, ficou beneficiada a boa imagem de toda a corporação.

Pena que os agentes não tenham sido identificados, pois mereciam, da parte envolvida, uma menção de agradecimento. Ficam estas palavras de agradecimento, depois de me terem contado o incidente.

Por vezes, a imagem que temos das autoridades acaba distorcida e errada, apenas porque tendemos a olhar para o todo, tomando como exemplo uma pequena parte. E essa parte pequena é sempre a do lado negativo.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Nem tudo são espinhos

ESTAS últimas semanas tenho tentado, seriamente, encontrar assuntos que possam ser abordados pelo lado positivo. Mas, no entanto, a minha procura tem sido algo inglória. Até parece que em Macau nada se faz que mereça ser enaltecido. Na verdade, não é bem assim.

Há associações e pessoas que se dedicam, diariamente, a fazer coisas positivas e a contribuir para o bem da sociedade. Regra geral, todas as associações de beneficência têm obra que merece ser enaltecida por todos nós. Se não fossem elas, muito do trabalho de apoio aos mais desfavorecidos ficaria a cargo do Governo, com todas as implicações que isso traz e que são do conhecimento público. Este tipo de parceria público-privada, em Macau, funciona positivamente e parece ser a indicada, desde que continue a haver dinheiro nos cofres de Santa Sancha. Pelo que me dizem, o único aspecto que falha é a falta de pontualidade do Governo, que demora em aprovar os apoios financeiros, deixando essas entidades a funcionar com duodécimos e obrigando-as a não pagar aos seus fornecedores. Felizmente, como em Macau já todos sabem como funciona o «Estado», esses fornecedores vão tendo paciência e aguentam o barco, enquanto o dinheiro não chega. Outro dos aspectos menos positivos deste «casamento» é a falta de critérios justos na atribuição das verbas, havendo associações que recebem exageradamente, tendo em conta as actividades e trabalho que fazem, enquanto que outras, pelo contrário, fazem muito com pouco.

Em termos organizativos, e mesmo para a tranquilidade de quem trabalha, não seria tudo mais fácil, se o Governo garantisse, desde logo, os apoios a essas instituições no início, ou no final do ano, tendo em vista o planeamento do seguinte? Assim as associações e instituições de solidariedade poderiam programar as suas actividades sem qualquer tipo de constrangimentos, facilitando a vida a todos os envolvidos.

A verdade é que em Macau há associações para tudo e mais alguma coisa. Esta explosão de colectividades deve ter sido provocada pela abertura dos cordões da bolsa dos subsídios por parte do Governo. Não estou ciente de números certos, mas, sem errar muito, devem existir mais de dez mil instituições, com figura jurídica de associação sem fins lucrativos, a receber subsídios do Governo anualmente. Este fluxo constante de dinheiro, aliado ao tipo de processo eleitoral adoptado para a Assembleia Legislativa, que dá prioridade a deputados eleitos indirectamente em representação de grupos profissionais e interesses associativos, pode muito bem estar por detrás deste crescente número de grupos organizados.

Não seria negativo, se todas as associações apresentassem trabalho. No entanto, e contribuindo cada vez mais para a má imagem que o «associativismo» começa a ter em Macau, há muitas que recebem verbas apenas para organizar festas ou publicar panfletos, ou apenas para pagar as contas correntes.

Basta ver as listas de apoio publicadas em Boletim Oficial, para constatar que algumas recebem até centenas de milhar de patacas por ano para publicarem uma revista! Será uma revista feita em papel especial? Duvido…

O associativismo, na minha opinião, está intimamente relacionado com a coesão da sociedade, mas também com o grau de satisfação que os cidadãos sentem, relativamente à qualidade de vida que usufruem. Se consideram que a qualidade de vida é boa, tende a crescer o número de agregados identificados com actividades lúdicas e de lazer, nomeadamente associações desportivas. Se, pelo contrário, o simples cidadão se sente pouco satisfeito com a sua qualidade de vida, surgem cada vez mais associações com o objectivo de proteger os interesses de classe, nomeadamente instituições que lutam pelos interesses de um bairro, ou de um grupo étnico ou profissional específico.

Para ser justo para com todas as associações, a distribuição das verbas do Governo deve, antes de mais, olhar ao plano de actividades e à totalidade do que foi realizado no ano anterior. Até agora, muitas das críticas da população vão de encontro à falta de critérios na atribuição dos subsídios, ouvindo-se amiúde que o Governo dá mais aos grupos constituídos pelos amigos, deixando de fora associações que fazem muito trabalho em prol dos mais desfavorecidos.

Não me atrevo a aconselhar que o Governo deveria criar uma comissão para estudar esta problemática, porque esse é outro dos problemas deste Executivo: comissões para tudo e mais alguma coisa. Mas, no entanto, algo tem de ser feito, para que as injustiças terminem e as verbas públicas comecem a ir para quem realmente precisa delas. Ver os relatórios de actividades anuais pode ser um bom indicativo (se bem que não seja apenas esse o critério) para se saber quem faz o quê com o dinheiro recebido!

Recentemente foi criada mais uma associação de cariz lusófono e que agrega desde cultura, arte e economia! Polivalente e abrangente quanto baste! Daqui a um ano vou querer ver o que foi feito e de onde veio o dinheiro.

Agora, antes de terminar, gostaria de deixar aqui um lamento: tendo-se passado recentemente 20 anos do desaparecimento daquele que é considerado como o «expoente» máximo da comunidade macaense, foi pena que o antigo presidente da Assembleia Legislativa e homem das leis durante muitos anos, Carlos d’Assumpção, nem uma palavra tenha merecido por parte do actual Executivo de Macau. Nem sequer na Assembleia Legislativa que ajudou a criar!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

As criancices de Macau

RECENTEMENTE, ao ler um artigo publicado por uma advogada brasileira, fiquei com a impressão de ver aí retratada a sociedade de Macau. Quando me dediquei a digerir o que tinha acabado de ler, lembrei-me de afirmações de Carlos Morais José, feitas recentemente, acerca da infantilização da sociedade e dos benefícios que isso traz para as camadas governantes. Em Macau é conveniente ter-se uma sociedade infantil, pois assim ela pode ser manipulada e moldada de forma a que aceite tudo o que o Governo decida.

A verdade é que, quanto mais os membros da sociedade se comportam como crianças, mais fácil se torna para o Governo controlá-los e influenciá-los. E, em Macau, esses comportamentos são cada vez mais visíveis, sejam eles nos «Hello Kitty’s» ou nos carros cheios de bonecos e outras decorações dignas de um quarto de criança, seja nos comportamentos que se vêem à mesa dos restaurantes, ou nos tópicos de conversas entre pessoas adultas à mesa do café. Ou, em casos mais severos, na falta de capacidade para conjecturarem sobre o futuro e sobre o que querem para as suas vidas.

Este fenómeno não é recente e o seu estudo já se arrasta desde o século XVII, quando o filósofo alemão, Immanuel Kant, o abordou dizendo que «a menoridade é a incapacidade de fazer uso do seu entendimento sem a direcção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a sua causa não estiver na ausência de decisão e coragem de se servir de si mesmo sem a direcção de outrem».

Passados três séculos, é incrível como estas palavras continuam muito actuais e visíveis em Macau, assim como em toda a Ásia. Na Europa, aparentemente, tal se faz sentir noutros moldes.

No mesmo texto de autoria brasileira lia-se que «a infantilização do adulto, ou seja, o processo tendente a infantilizar e manter a pessoa infantil, sem capacidade de raciocínio claro, sem opinião própria decorrente do seu próprio entendimento, interessa aos Governos que pretendem induzir as pessoas a acreditarem no que eles querem que acreditem, mesmo sem lógica e sem coerência. Isso começa pelos discursos, pela demagogia e pela publicidade muitas vezes hipnótica, sempre rebaixando a mentalidade, como se fôssemos todos destituídos de raciocínio e de capacidade de entendimento».

Aqui em Macau juntam-lhe cheques e outros doces, como quem dá um saco de rebuçados a uma criança, para que ela deixe de choramingar. Lembram-se de alguém tentar convencer os funcionários públicos de que os aumentos não teriam retroactivos, porque o orçamento não teria capacidade de os cobrir? Como? Então o Governo nunca consegue gastar o orçamento anual e seriam agora uns meros retroactivos que nos iriam levar à bancarrota?

Durante a leitura vinham-me à cabeça os pandas e todo o carnaval feito à sua volta: os pandas que até falam como pessoas! E as publicidades infantis que nos ensinam como lavar as mãos e como escolher o que comprar e os diálogos infantis que se lêem e ouvem na Comunicação Social local.

Basta olhar para a publicidade que nos é impingida na televisão local (e na de Hong Kong no que diz respeito a publicidade institucional, porque a de empresas privadas, nomeadamente de cariz ocidental, até tem qualidade), em que somos todos tratados como crianças sem inteligência, para as quais se tem de recorrer ao uso de bonecos animados e discursos infantis, para fazer passar a mensagem.

Este processo, como dizem os estudiosos, é vantajoso para Governos que querem manietar a sociedade, de forma que esta seja dócil e fácil de convencer. No entanto, a longo termo, os riscos são muito elevados, visto que essa geração se tornará completamente inútil no que diz respeito a liderança.

Em Macau, daqui a dez ou vinte anos, os jovens, que agora são bombardeados com mensagens infantis e que entram na sua fase de jovens adultos a comportarem-se como se tivessem dez anos, não irão estar minimamente preparados para tomar as rédeas do poder e de liderança deste território.

Segundo Kant, a única saída para este ciclo vicioso é a «transformação do espírito», isto é, a mudança de mentalidade e o acordar da população, rejeitando tudo o que o Governo e as autoridades lhes tentam impingir. Só assim poderão «emergir da menoridade e empreender uma marcha segura», tendo como resultado final adultos seguros de si e com ideias próprias e construtivas.

Um adulto infantilizado perde a sua liberdade e, com ela, a vida que poderia viver com «maturidade, gratificação, aperfeiçoamento de si mesmo, prejudicando assim suas relações afectivas, sociais, profissionais».

A sociedade de Macau caminha perigosamente para a infantilização, e ninguém parece estar preocupado com isso. No entanto, basta-nos olhar para o outro lado da fronteira. Na China, com todos os problemas que se lhe podem apontar, sendo um país comunista onde faltam grande parte das liberdades, nota-se que a sociedade não «necessita de protecção a esse ponto». Basta ver que as publicidades e os discursos dos seus líderes são muito mais sérios e, gostando-se ou não da ideologia, cheios de significado.

Aliás, barreiras ideológicas à parte, os jovens do outro lado da fronteira que vêm trabalhar para Macau estão muito melhor preparados dos que os locais. Falam mais línguas, têm mais conhecimentos e, acima de tudo, têm personalidade e sabem o que querem, sem medo de tomarem decisões.

domingo, 18 de março de 2012

Condução: problema está na exigência

A SITUAÇÀO dos transportes públicos está a atingir um ponto de não retorno em Macau. Os acidentes sucedem-se em catadupa e o Governo parece ser incapaz de meter mão no problema para o resolver de uma vez por todas. O congestionamento continua a agravar-se de dia para dia e, perante a eventualidade de vir a ser permitida a entrada livre de carros vindos do outro lado da fronteira, o futuro apresenta-se bastante negro para o território.

A última empresa a entrar no mercado dos transportes públicos, a Reolian, tem sido o alvo de todas as críticas neste sector. Pessoalmente, e sem ter nada a ver com o assunto, lamento o que tem sido dito de forma pouco justa, porque se formos ver os registos das outras concorrentes, a Transmac e a Transportes Colectivos de Macau (TCM) não ficam nada melhor na fotografia! Com efeito, acidentes acontecem em todas elas.

A Reolian está a pagar, talvez, por ter sido a última e estar sob o constante escrutínio da população e da opinião pública. Talvez por ser estrangeira? Não quero acreditar que seja por isso, tanto mais que o sócio local é de peso, mas…

A verdade é que os problemas dos transportes públicos e dos acidentes têm raízes bem mais profundas do que apontar culpas à empresa A, B ou C.

Estou em crer que, à semelhança de muitos locais menos civilizados do que Macau, se fosse obrigatório para os condutores profissionais (e aqui incluo-os todos, taxistas, motoristas privados, condutores de autocarro, etc) fazerem cursos anuais ou bienais de reciclagem com provas também obrigatórias, muitos deles, se não mesmo a totalidade, não veriam a licença profissional renovada. Tem de haver critérios rígidos para quem «transporta» as nossas vidas diariamente. Afinal, os pilotos de avião não são obrigados ao mesmo? A diferença é apenas que um anda no ar e o outro em terra, mas ambos têm responsabilidade pelas vidas humanas que transportam.

O problema está na raiz do sistema e parte já do modo como as licenças são atribuídas e as cartas de condução são emitidas. Tirar a carta de condução, em Macau, é mais fácil do que fazer o exame da quarta classe! Por isso, como será possível exigir que os condutores profissionais estejam habilitados a conduzir bem?

E, se a isso juntarmos toda uma multidão de condutores «amadores» que diariamente circulam nas ruas de Macau, o problema assume proporções alarmantes, com resultados que todos conhecemos. A par disto, temos uma autoridade complacente, que apenas actua em situações de mau estacionamento. Se as regras fossem aplicadas abrangentemente, os condutores depressa aprenderiam que há regulamentos e formas de comportamento que têm de ser seguidos.

O nosso sistema de ensino de condução (desde o normal ao profissional) é podre e caduco. As pessoas ficam habilitadas a conduzir, sem nunca terem estado inseridos em situações reais de trânsito. Aliás, quando são admitidas às aulas de condução, não sabem nem dez por cento da teoria! Portanto, quando não sabem as regras, como podem vir a ser bons condutores?

Os próprios instrutores, salvo raras excepções, são grande parte do problema, porque também eles não sabem o suficiente para ensinarem aos alunos. Ora, quando o mestre é fraco, todos sabemos que a obra sai torta.

Quantos de nós não foram já buzinados pelo carro de trás, quando paramos na passadeira para deixar passar os peões? A mim acontece-me diariamente e apetece-me sempre sair do carro e perguntar ao condutor que buzinou se conhece o Código!

Urge fazer uma reforma completa do sistema de ensino da condução e da forma de actuação das autoridades, perante as infracções ao trânsito. Há situações que merecem mais atenção do que o estacionamento ilegal.

Só depois de mudar o sistema de ensino seriamente, se pode começar a pensar em ter condutores civilizados em Macau. E, quanto aos que poderão vir do outro lado da fronteira, há que os informar muito claramente que as regras aqui são diferentes e que a autoridade não perdoa transgressões.

Custa muito pouco sonhar com um futuro melhor!

domingo, 4 de março de 2012

Uma selva de sinais sem regulação

NOS últimos tempos têm surgido no território vários sinais de trânsito com caracteres chineses, indo contra o estipulado internacionalmente nas leis e nas convenções internacionais. Recorde-se que Macau é membro de livre vontade dessas mesmas convenções e que elas regulam toda a sinalética e regras de gestão da circulação automóvel, nomeadamente a Convenção sobre Trânsito Rodoviário, feita em Genebra, em 19 de Setembro de 1949.

A autoridade responsável pelo trânsito em Macau ainda não se pronunciou publicamente acerca disto. Aliás, se o fizer de forma semelhante como aborda outros problemas, certamente virá dizer que nada de grave se passa e que apenas estamos a ser mais flexíveis e a facilitar a integração regional!

A grande diferença, – aparentemente as mentes bestiais da Direcção dos Assuntos de Trânsito ainda não o perceberam, – é que na China (continental, como lhe chamam, criando mais um continente) não existe obrigatoriedade de seguir as convenções internacionais relativas ao trânsito, porque Pequim nunca assinou nenhuma delas, fazendo o que bem quer e lhe apetece, relativamente aos sinais de trânsito e regras da estrada. Cria-os e redesenha-os a seu bel-prazer, razão pela qual a carta de condução da China não é reconhecida em lado nenhum no estrangeiro, nem mesmo em Hong Kong! Do mesmo modo, a China também não reconhece cartas de condução de outros países.

Apenas Macau reconhece a carta de condução chinesa. Vá-se lá saber porquê e em que critérios se baseia, visto que aquele documento não respeita os requisitos necessários para que tal possa ser feito e, além do mais, não existe reciprocidade no processo! Mediante uma licença especial, sem exame, alguns condutores da China podem conduzir em Macau. No entanto, se nós quisermos conduzir na China, precisamos de carta de condução da RPC. Só que, com dinheiro tudo se resolve! Até no aeroporto em Pequim se consegue uma carta de condução chinesa, mediante pagamento e apresentação de uma carta estrangeira válida!

Na China as diferenças nas leis são tão díspares que, por exemplo, quando um semáforo está vermelho, sem haver indicação de direcção, os condutores podem virar à direita, coisa que em Macau é proibido. Na RAEM, de acordo com o código da estrada, quando o semáforo está vermelho, é proibido qualquer manobra, estando o condutor obrigado a esperar até que a sinalização luminosa seja de luz verde para continuar a marcha. Quero ver como vai ser o trânsito em Macau, quando os carros de Zhuhai começarem a entrar livremente, e em número elevado, no território!

Além dos sinais com caracteres chineses, como um que se encontra na zona do COTAI (as fotos foram gentilmente cedidas pelos membros do grupo do «Conversa entre a malta» na rede social Facebook), há outros exemplos também eles de perigosa interpretação e que não obedecem às mais básicas regras e leis que os regulam, sejam em tamanho, dimensões, cores ou figuras utilizadas. Outra tendência recente é a dos sinais feitos à mão: obras de arte de fazer inveja a qualquer «atelier» de artistas locais!

Em Macau sempre houve uma cultura do desenrascanço. E em certas áreas parece de tal forma enraizada, que ninguém sabe onde acaba o que é legal e começa a violação da Lei. Por isso, tais erros continuam a registar-se, sem que ninguém se dê ao trabalho, ou preocupação, de os corrigir. Leva-nos a crer que as chefias responsáveis não circulam pelas estradas de Macau, ou não têm a mínima capacidade técnica e intelectual para deterem os lugares que ocupam. Julgo ambas as razões mais que suficientes para que sejam chamados à atenção e serem substituídos.

À DST cabe a fiscalização e a mudança destes sinais e de outros que possam vir a ser instalados contra as regras. Assim como lhe deve caber fiscalizar as sinalizações usadas pelas empresas que executam trabalhos de manutenção nas vias públicas, visto serem, frequentemente, essas empresas a usar sinais vindos da China e com caracteres chineses (devem ser mais baratos e de fácil aquisição).

Os sinais a utilizar em Macau, tanto quanto sei, é obrigatório terem a chancela do Governo; pelo que devem ser mais caros e difíceis de adquirir.

Relativamente a obras nas faixas de rodagem, há outro aspecto a ter em conta, relacionado com a sinalização. Além de terem de usar sinais regulamentados e que devem ser licenciados pelas autoridades locais com a aplicação de um selo ou marca oficial, devem fazê-lo de acordo com as regras e respeitar todas as distâncias a que devem colocar os sinais provisórios. É frequente ver-se os sinais em cima das obras, o que, em dias de chuva ou em alturas de trânsito intenso, impossibilita os condutores de ficarem a par da mudança das condições de segurança.

Nas pontes de Macau, muitos dos acidentes acontecem principalmente nestas alturas, sem que nada seja feito, nem ninguém seja responsabilizado. E, para piorar ainda mais a situação, muitas vezes estas obras são acompanhadas por um agente da polícia, que nada faz senão tentar regular o tráfego. O próprio agente deveria ter conhecimentos que lhe permitissem saber se a sinalização está bem colocada e se as distâncias estão regulares, obrigando os trabalhadores a colocá-las de acordo com as regras estabelecidas, para que a segurança rodoviária possa ser mantida. É usual ver nas estradas da Europa, por exemplo, sinalizações dois mil metros antes das obras, para que os condutores fiquem suficientemente alerta para a mudança das condições de segurança na rodovia.

Ainda um outro aspecto relativamente aos sinais de trânsito. Além da necessidade de seguirem as regras estabelecidas internacionalmente, os sinais, – visto em Macau haver duas línguas oficiais, – devem, quando é necessário escrever algo nas placas de fundo branco que acompanham alguns deles, ser feitos em Chinês e Português inteligível. Quanto ao Chinês, não me pronuncio. No entanto, há exemplos em Português que nada informam, por estarem cheios de erros e gralhas e em nada se parecerem com a língua de Camões!

Algo que merece ponderação e a atenção dos funcionários destes serviços.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O CLARIM - Semanário Católico de Macau

O Jazz está aí

Esta semana o texto foi escrito a dois tempos. Mais parece que estava a adivinhar que iria escrever de música, mais concretamente do saudoso Clube de Jazz de Macau (CJM) que, após oito anos de ter «fechado» portas, ressurge agora com uma sessão promocional na Casa Garden. É amanhã, às dez da noite. Quem se deslocar ali para os lados do Jardim Camões será brindado com excelente música da antiga banda residente do CJM, os The Bridge, com algumas imagens sobre a história do clube e dos festivais internacionais que organizou desde Julho de 1985 e com uma «jam session» de artistas convidados.

Quer se goste ou não de jazz, a verdade é que Macau precisa de um clube desta natureza. Assim como precisa de teatros e de clubes de poesia e de outras artes semelhantes, em nome da diversidade cultural.

Quem vive em Macau desde o tempo da administração portuguesa lembra-se certamente das noites no CJM, primeiro na Rua das Alabardas (para quem não sabe é uma pequena rua na zona da igreja de São Lourenço) na porta da famosa parede de azulejos brancos e vermelhos. E, mais tarde, na Casa de Vidro, no NAPE. Especialmente este último local era visitado por muitos aficionados vindos de Hong Kong, visto que a abertura na zona nova da cidade coincidiu com o fecho do clube de Hong Kong. Era frequente ver pessoas influentes da política da região vizinha, sentados na esplanada da Casa de Vidro a ouvir as notas que vinham do espaço interior e a apreciar a vista do rio, ao anoitecer.

A debandada de Portugueses – a grande maioria dos sócios do clube, – e outros problemas, acabaram por ditar o fim daquele espaço e o encerramento do clube.

Este novo fôlego, na esperança de que seja o primeiro de muitos passos, vem dar novo ânimo a quem gosta deste tipo de música. O passo seguinte é convocar uma assembleia geral, para que seja eleita uma nova direcção, capaz de encontrar outro local.

A casmurrice de alguns, poucos, sócios que ainda vivem em Macau, merece ser enaltecida e a iniciativa receber apoio do Governo. Para tal espera-se que o Instituto Cultural, através do seu director, um manifesto apreciador do estilo, consiga encontrar meios que possam oferecer à cidade mais uma opção em termos musicais.

Subsídios só para alguns

A facilidade com que se criam associações em Macau está intrinsecamente ligada à forma como algumas delas conseguem angariar doações dos bolsos do Governo. Aliás, há quem defenda que existem tantas associações apenas porque o Executivo da Praia Grande abre o saco do dinheiro para o distribuir em tempos mais atribulados e usa este expediente de forma a acalmar os ânimos da população e dos cabecilhas dos grupos organizados.

Acontece que, caso seja particulares a pedir apoios para uma iniciativa, todas as portas se fecham! Algo de muito estranho se passa, quando um privado, em nome individual, se vê confrontado com a necessidade de pedir apoios para ser capaz de levar a cabo a sua iniciativa, seja ela uma exposição ou um evento. De nada vale que a mesma tenha como objectivo final promover a cultura, o desporto ou mesmo o nome de Macau local e internacionalmente. Se não tiver uma associação, ou não for amigo de um todo poderoso, nada feito! Todas as portas se fecham e a arrogância vem toda ao de cima nas instituições que deviam estar de portas abertas para apoiar tudo quanto tem a ver com Macau e as iniciativas dos seus residentes, independentemente da sua etnicidade ou «cor partidária» e contactos.

Há vários exemplos, nomeadamente de pedidos submetidos à Fundação Macau, a maior «apoiante» dos eventos em Macau, em nome do Governo. A mesma diz que só apoia eventos de «actividades de cooperação e intercâmbio com instituições ou entidades congéneres, ou cuja actividade seja compatível com os fins desenvolvidos por esta Fundação»! No entanto, se formos ver no Boletim Oficial o que se publica nas listas de verbas atribuídas, alguns dos apoios custam a encaixar nestes parâmetros. Mas a isto o Governo nada diz e deixa andar, sem que se apure os argumentos, apesar de, esporadicamente, alguns deputados se tenham vindo a insurgir na Assembleia Legislativa contra estas injustiças. Afinal, a Fundação pode fazer o que bem entender com as suas verbas, sem dar justificações a ninguém.

Episódios como este fazem-me lembrar toda a polémica relacionada com a Fundação Jorge Álvares (FJA), que tanta tinta fez correr nos primeiros meses de RAEM. A esta obrigaram a cancelar alguns apoios e a cortar subsídios, só porque pareciam «duvidosos». Critérios que não se entendem, tanto mais que na altura a FJA já nada mais tinha a ver com a RAEM.

Mas voltemos ao assunto principal. Caso um particular residente do território tenha a veleidade de pedir apoios para o quer que seja, as barreiras que encontra são mais do que muitas. Se for um particular «famoso», todos os problemas se resolvem. A questão que levanto é a seguinte: como pode um normal cidadão ser apoiado para organizar um evento, sem que tenha de andar a «lamber botas»? Certamente que se apresenta como tarefa impossível. Os critérios de atribuição, muitas vezes, dependem do facto de gostarem, ou não, da pessoa, nada tendo a ver com a essência do projecto.

Da lista dos apoios concedidos pelas maiores instituições de Macau, seria interessante serem conhecidos os projectos rejeitados e as razões por detrás de tal rejeição. Afinal, tratando-se de dinheiros públicos, o processo de aprovação e de rejeição deve ser totalmente transparente. No que diz respeito a dinheiros públicos, deveria haver uma total abertura perante a sociedade.

A este respeito, o sector privado parece querer dar bons exemplos. Nos últimos dias temos assistido a uma guerra entre o número um e o número dois da «Wynn Resorts», devido a um subsídio atribuído à Universidade de Macau. O caso cresceu tanto, que está mesmo a ser investigado pelas autoridades americanas, para que se apure a verdade dos factos. Claro que este exemplo é exagerado e as verbas envolvidas são de tal forma avultadas, que duvido que alguma vez Macau subsidie (ou apoie) algo nestes montantes. Mas o exemplo da transparência que a «Wynn Resorts» está a revelar, com tudo a ser resolvido pelas autoridades competentes, mostra que Macau e as suas principais fontes de subsídios e apoios pecuniários têm muito a aprender no que diz respeito às políticas de transparência na atribuição de apoios e subsídios a projectos locais.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O CLARIM - Semanário Católico de Macau

Quem assume a responsabilidade?

A SEMANA anterior foi dominada pelo incidente que envolveu a Companhia de Telecomunicações de Macau. Uma falha no serviço de comunicações, que deixou milhares de pessoas sem qualquer tipo de acesso à «Internet» ou ao serviço móvel de telecomunicações. Pessoalmente, a falha não poderia ter vindo em pior altura e até parece ter sido propositada. Aconteceu exactamente quando tinha agendada uma conferência telefónica com pessoas em Angola. Felizmente, tudo se resolveu com a boa compreensão do outro lado da linha, quando finalmente foi possível fazer uma chamada telefónica.

No meu caso, as perdas não foram avultadas; no entanto, imagino o que deverá ter acontecido com os bancos ou empresas que teriam contratos, encontros e outros detalhes da sua actividade profissional para essas horas em que estivemos isolados do mundo; ou com as pessoas que precisaram de telefonar para as emergências do hospital ou para os bombeiros, para que fossem assistidas numa situação de vida ou de morte!

Ainda ninguém se lembrou de quantificar os danos financeiros que essas horas causaram à população de Macau, ou as vidas que estiveram em perigo devido a essa falha; e, havendo manifestamente danos e perdas, financeiras ou não, saber a quem cabe a sua compensação e o assumir de responsabilidades.

A CTM resolveu a questão com uns pedidos de desculpas publicados na Imprensa e com a distribuição de umas patacas! Da próxima vez que me esquecer de pagar a conta, faço o mesmo para ver se cola! Com dinheiro e falta de vergonha tudo se resolve em Macau!

Lembro-me que, na primeira conferência de imprensa, logo após o incidente, o representante do Governo, o director dos Serviços de Regulação das Telecomunicações, deixou a achega dizendo que, apesar de ser positiva a reacção da CTM e a forma como lidou com o assunto sem tentar sacudir água do capote, há a necessidade urgente das empresas de telecomunicações criarem um sistema de emergência, para fazer face a estes incidentes. Caso o sistema principal falhe, tem de haver um de reserva, que possa ser imediatamente accionado, para que os utentes não sejam prejudicados e para que os serviços mínimos sejam acautelados.

Esta afirmação do responsável governamental constitui, para mim, uma novidade. Com efeito, pensava eu que a CTM, assim como as outras companhias, fossem obrigadas, na força da letra do contrato de concessão, a ter um sistema de emergência para fazer face a estes incidentes. Afinal, parece que não!

Esta clarificação vem levantar outras dúvidas. Será que as outras concessionários também não têm sistemas de emergência? O que acontecerá, se a Companhia de Electricidade de Macau for afectada por um problema que meta toda a rede eléctrica abaixo? Será que a CEM tem meios de, numa situação de emergência, fazer face à necessidade de assegurar o abastecimento de electricidade aos residentes e manter os serviços mínimos a funcionar? E a Sociedade de Abastecimentos de Água de Macau (que agora se chama Macao Water), será que tem capacidade de nos fornecer água, caso o seu abastecimento seja interrompido por qualquer razão?

São perguntas pertinentes que merecem alguma ponderação de quem elabora os contratos de concessão. Se não for precavido nestes contratos a necessidade de se assegurar o serviço, em casos graves de emergência, como poderá a população estar segura de que o serviço que paga não sofrerá qualquer interrupção?

É muito usual, em Macau, quando acontece este tipo de incidentes inesperados, resolver a situação com pedidos de desculpas. No meu entender, tal não chega e os responsáveis, sejam eles quem forem, devem ser punidos. Existe responsabilidade civil e criminal em acções destas e os responsáveis de topo das empresas envolvidas, em último caso, devem ser responsabilizados perante a justiça e a população. No mínimo, exige-se a sua demissão porque, afinal de contas, são eles os responsáveis máximos.

O residente comum, se não cumprir aquilo que se espera dele no local de trabalho, é chamado à atenção pelo seu patrão ou superior e, caso seja uma falha grave, acaba por ser posto na rua. Por que razão os responsáveis dessas empresas, ao colocarem milhares de vidas em perigo e atentarem contra os interesses económicos de toda a sociedade, ficam impunes?

Temos aqui muito que pensar e meditar para os próximos dias.

NaE's kitchen A Cozinha da NaE

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