![]() A RECENTE visita de uma delegação de Macau ao Comité dos Direitos Humanos na Suíça deu-me vontade de rir. Não sei se por ter sido apenas a primeira vez desde a criação da Região Administrativa Especial, se pela ingenuidade dos membros do Comité, ou se pela completa falta de respeito da delegação da RAEM que não se dignou a responder a nada do que lhe tinha sido perguntado directamente. Respostas ocas, evasivas e cheias de nada, um estilo que há muito o Governo nos habituou. As respostas foram depois dadas, também algo vazias, por escrito. As respostas de Macau às perguntas claras e directas do órgão internacional foram sempre cheias de rodeios e nada esclarecedoras. As que alguma coisa diziam apontavam o dedo para Pequim para mais detalhes e responsabilidades. Como quem diz, fugiam com o «rabo à seringa» e escapavam à obrigatoriedade de apresentarem justificações claras e concisas a um órgão a que Macau se obrigou a responder por ter subscrito determinadas convenções internacionais. Mas, além da falta de respostas do Governo de Macau, gostei também de ver alguns ilustres do território a defenderem a sua «dama» passados alguns dias, quando a Imprensa começou a esmiuçar o que ia chegando da terra dos chocolates. Especialmente um destacado homem das leis, que muito do que tem deve à democracia e aos direitos e regalias que ela lhe trouxe durante a Administração Portuguesa e lhe continua ainda a trazer, que defendeu em afirmações transcritas em alguns jornais locais que, no que diz respeito aos reparos acerca do desleixo da necessidade de se legislar tendo em vista a eleição por sufrágio universal do Chefe do Executivo previsto na Lei Básica, Genebra tem uma visão «preconceituosa e ignorante». Acredito, mas não percebo porquê, pois são críticas proferidas por quem sempre foi um defensor acérrimo da democracia e do sufrágio universal. Afirmações interessantes proferiu também outro destacado homem ligado às leis e com fortes ligações ao Executivo, defendendo que o facto de Macau assinar um pacto que prevê o sufrágio universal não quer dizer que tenha de o adoptar. Isto dá-nos margem de manobra para da próxima vez que assinarmos um contrato apenas respeitar e honrar as cláusulas que nos forem mais favoráveis, descartando as que não nos interessarem. Se a RAEM apenas faz aquilo que lhe convém no dito pacto internacional, também um simples cidadão pode escolher o que mais lhe interessa. Uma argumentação que gostaria de ver ser usada numa sala de tribunal de Macau mencionando a opinião desse homens das leis. Mas há ainda outros temas focados pela Comité dos Direitos Humanos que nos enchem de vergonha. Ou talvez não, à luz da tradição chinesa, o argumento usado para tentar explicar a «magnitude dos casos de violência doméstica» que, segundo o Comité, «permanece pouco clara e é lamentável a falta de legislação sobre este caso, bem como os casos de assédio sexual». Sinceramente, depois de quase duas décadas a viver no meio da cultura chinesa, não tinha conhecimento que é tradição deste povo encher as mulheres de pancada em casa e abusar do sexo oposto. É mesmo caso para dizer que andamos sempre a aprender. A cultura chinesa é mesmo cheia de meandros difíceis de explorar para uma simples mente ocidental. Vou tentar aprofundar este aspecto da cultura chinesa para saber que fundamentos a afirmação pode ter. É que nunca ouvi um colega chinês gabar-se de ter espancado a mulher por deveres tradicionais. Mas, quem sabe, com a timidez que os caracteriza apenas não querem que se saiba cá fora. Francamente, meus senhores! |
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Genebra e tradições chinesas?
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Alerta para transacções bancárias
![]() VOU contar-vos o que se passou comigo recentemente e que penso já ter acontecido a muitas outras pessoas, que nem sequer dão pelo sucedido, por não prestarem a devida atenção aos extractos bancários. O exemplo recai no Banco Nacional Ultramarino, mas deve, sem que o possa confirmar, acontecer em todos os bancos de Macau. Não sei quantas vezes isto sucedeu mas, tendo em conta os meus hábitos consumistas, presumo que inúmeras vezes. No entanto, relato apenas as que descobri e que me levaram a apresentar queixa formal. Trata-se de um «buraco na lei» em relação aos bancos e à forma como cobram taxas abusivamente aos clientes, sem que estes tenham qualquer conhecimento que o mesmo está a ser feito. Num fim-de-semana, não tendo dinheiro na conta à ordem, decidi levantar um depósito a prazo, para que tivesse dinheiro disponível para pagar o que fosse necessário. Acredito que não deva ter sido o primeiro cliente a levantar dinheiro de uma conta a prazo, num fim-de-semana ou em dias feriado, através da página electrónica do BNU. Tal é possível a qualquer hora do dia. A única nota na página onde são feitos os depósitos e levantamentos das contas a prazo é que «a constituição e o levantamento de Dep. A Prazo está disponível todos os dias. O serviço fica indisponível apenas no final do dia, quando o banco procede à actualização dos ficheiros (entre as 9h00 p.m. – 2h30 a.m.)». Não há qualquer aviso de que a verba só estará disponível no dia útil seguinte. A transacção foi feita sem problemas, tendo a quantia transferida da conta a prazo para a conta à ordem ficado, de acordo com a página da Internet, disponível para uso, como era possível ver na secção onde se verifica o saldo disponível, sendo que o saldo contabilístico era igual ao saldo disponível, pelo que não havia qualquer verba retida. No mesmo dia, ou no seguinte, fiz uns pagamentos também através da Internet e uns levantamentos na Caixa Automática. Mais tarde, quando verificava a conta bancária e o extracto da conta, verifiquei que, em dois meses seguidos, me tinha sido descontado uma quantia de 50 patacas com a justificação «O/D Interest Overdraft Interest». Tendo eu tido, há algum tempo, uma conta «overdraft», entretanto encerrada, pensei que ainda fosse algum engano do banco relativamente a esta conta e à cobrança de juros. Depois de alguma insistência e de algumas idas ao banco propositadamente para tratar do assunto, fui informado que se trata de um «problema do sistema». Fiquei logo com a «pulga atrás da orelha». Segundo explicaram, o sistema informático apenas disponibiliza o dinheiro, transferido de uma conta a prazo para a conta à ordem, no dia útil seguinte. No meu caso, seria na segunda-feira ou no dia após o feriado. Contudo, a quantia transferida ficou logo visível no montante, algo que não me conseguiram explicar, escudando-se o banco no «problema do sistema». Um «problema do sistema» que, entretanto, o cliente tem que pagar, sem ter qualquer responsabilidade por isso e, pior ainda, tendo sido induzido em erro pelo banco quando na sua conta «online» lhe indicou que a verba estava disponível. A reclamação foi feita pedindo que os montantes sejam restituídos, algo que, conhecendo o BNU, não acredito que vá acontecer. Os bancos, à semelhança de todas as outras instituições financeiras, conseguem sempre arranjar forma de justificar estes erros e incutir ao cliente a responsabilidade. Já parece a CTM com a velocidade da Internet! Peço aqui, publicamente, à Autoridade Monetária de Macau que se pronuncie sobre este caso. E, caso necessitem, podem aceder à minha informação no BNU para investigarem o problema. Aceito que possa estar errado, porque nunca leio as letras pequeninas dos contratos que assino mas, se isto é legal, é algo muito injusto para os clientes que acreditam nos bancos a quem confiam o seu dinheiro. |
quinta-feira, 28 de março de 2013
Obras ilegais precisam de subsídios?
![]() AS recentes notícias relativas a um programa do Governo para tentar acabar com as construções ilegais dão-me vontade de rir por diversas razões e nenhuma se pode dizer que seja abonatória. Por parte do Governo, criar um programa especial para tentar acabar com um flagelo que apenas envergonha Macau é dar um tiro no próprio pé. Afinal não existem leis em Macau bem claras que definem que estas construções são ilegais? Se existem leis, qual a razão e a necessidade do Governo vir gastar dinheiro em subsídios para alguns fazerem o favor de repor a legalidade e cumprirem a Lei? No meu caso pessoal, mas que é igual a tantos outros, quando comprei casa esta tinha uma gaiola e outras construções ilegais, à semelhança de outros milhares de apartamentos em Macau. A primeira ordem que dei foi mandar demolir tudo. Primeiro, para que ficasse sem a sensação de estar na prisão; segundo, para que estivesse legal e me sentisse mais seguro e de consciência tranquila. Será que posso agora pedir o subsídio para cobrir as despesas que tive com a minha iniciativa há alguns anos? Se assim for, digam-me como devo proceder para ser ressarcido do prejuízo voluntário que tive. É que se vão agora dar dinheiro aos que infringem a Lei, quem a respeita de forma voluntária tem também direito a ser compensado. Ou estaremos num «Estado» que apenas compensa quem não segue as regras de sociedade? Tem piada que tenha de ser o Governo a dar dinheiro para tudo e mais alguma coisa nesta terra. Se é ilegal, que se levem os responsáveis à Justiça. E, por outro lado, 10 mil patacas??? Eu gastei mais do triplo disso apenas para que me retirassem a estrutura de metal e me reconstruíssem a varanda há mais de cinco anos! Mas relativamente a este assunto também alguns deputados e figuras públicas se têm pronunciado, ora dizendo que não irá resolver nada, ora dizendo que o problema tem raízes tão profundas e que é de muito difícil resolução. O «nosso» Pereira Coutinho, com quem concordo em muita coisa, deu um tropeção ao dizer que «é preciso olhar ao valor histórico e cultural destas construções», segundo declarações feitas ao Hoje Macau. Valor histórico e cultural, sinceramente não entendo! O deputado disse ainda ao mesmo diário que «demolindo o topo do edifício ele (supõe-se quem lá viva) não vai consegui outra casa!». Assim sendo, primeiro preciso que me expliquem qual é o «valor cultural», ou outro qualquer, destas gaiolas que enfeitam as janelas da maioria dos prédios de Macau. Será o caso de fazermos uma nova candidatura a Património Mundial? E relativamente à outra pérola, no caso de não terem onde viver, se demolirem os anexos ilegais no terraço, porque razão há-de o Governo deixar que se continue a viver numa situação de ilegalidade, apenas porque os «moradores» não podem, ou não querem, encontrar outro local para viver? A orientarmo-nos todos por este diapasão podemos chegar ao extremo de ter de começar a aceitar, e ter como normal, os casos de assaltos que se registam todos os dias. Porque se o ladrão não roubar, não tem dinheiro e não tem como sobreviver, coitadinho!... Macau, tanto quanto sei, até está bem servido de leis. Apenas aqui e ali existem algumas lacunas que devem ser revistas e aperfeiçoadas. Mas, no que diz respeito aos prédios e à segurança urbana, penso haver suficientes regulamentos para que tudo seja feito dentro da legalidade. O que o Governo precisa, e o que as Obras Públicas têm tentado fazer nos últimos anos, é aplicar a Lei de forma eficaz e obrigar os prevaricadores a repor a legalidade. Devido às peculiaridades de Macau tem que se adoptar a postura de estudar os casos um a um, mas tal não significa que, perante as adversidades, o Governo resolva – sempre – recorrer aos cofres e dar dinheiro em troca do cumprimento da Lei. Imaginemos se não houvesse dinheiro em Macau. Cruzes sacrilégio, ouço já algumas vozes gritar. Como se iria implementar e fazer cumprir a Lei? O que é necessário é equipar as Obras Públicas, e os outros departamentos responsáveis por estes aspectos, com mão-de-obra suficiente e recursos tecnológicos e financeiros, para que possam fazer o seu trabalho na plenitude e actuem de forma a obrigar todos a cumprir a Lei. |
domingo, 24 de março de 2013
Também posso destruir o Ambiente
![]() MUITO se tem falado da polémica em volta do projecto de construção, em Coloane, de várias torres de uma das empresas de um dos grandes manda-chuvas de Macau. Tudo – segundo consta – porque se descobriu que a dita obra iria meter em perigo, ou mesmo destruir, uma casamata que, possivelmente, pode ter algum valor histórico. Mas, sendo quem é o responsável pela obra – homem de dinheiro e influências, – tudo se admite. Aliás, tudo e mais alguma coisa, a entender pela sua reacção às criticas na Imprensa. Nas suas palavras, feitas públicas em vários jornais e na rádio, afirmou: «Não sou o único a destruir o Ambiente [...] é inevitável destruir o Ambiente» em detrimento do desenvolvimento.... Pessoalmente fiquei apenas surpreendido porque, sendo esta pessoa um destacado político a nível nacional, delegado da RAEM à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e figura de proa do mundo dos negócios em Macau, deveria ter mais tento na língua. Ou, pelo que ficámos agora a saber, talvez não! Por cá, o quero posso e mando já faz escola há muitos anos. Pelo que fiquei a perceber, tendo o «rei na barriga», tanto em Macau como em Pequim, parece estar autorizado a fazer tudo, até mesmo a afirmar que destrói o Ambiente, porque afinal não é o único e até lhe é conveniente para poder meter no ar mais não sei quantos apartamentos. É precisamente aqui que reside a grande diferença de mentalidades. Enquanto que os ocidentais são ensinados, na sua maioria, a fazer tudo para proteger o Ambiente – mesmo que o vizinho do lado nada faça e enriqueça com isso, – aqui quem devia dar o exemplo aponta os erros do vizinho como justificação, para que possa fazer o mesmo ou ainda pior. Então, se o Governo decidiu destruir Seac Pai Van, algo que sempre aqui critiquei e que continuo a considerar como um dos maiores ataques ao equilíbrio ecológico jamais feito em Macau, logo após a destruição do mangal que existia no istmo onde agora cresce o COTAI, porque não deveria Sio Tak Hong construir uma série de torres de habitação em Coloane, mesmo que para isso tenha que destruir património histórico e ambiental? Triste sina e futuro deste país, em que os seus líderes nada querem saber relativamente à protecção ambiental. Quando apenas se olha ao lucro, sem que se tenha qualquer cuidado com o que se destrói para atingir patamares mais altos de riqueza, algo de muito errado deve estar a acontecer na sociedade e nos valores que a regem. Infelizmente em Macau, e um pouco por toda a Ásia, funciona muito este tipo de mentalidade. Basta olhar para as obras ilegais nos prédios que são sempre justificadas com o facto do vizinho também as ter feito. Ou o lixo atirado para o chão porque o outro que vai à frente também atirou e ninguém lhe disse nada, ou o vizinho de cima com música aos altos berros porque na semana passada o do lado também o incomodou. É algo enraizado na cultura que vai até aos mais altos patamares de decisão e que acaba por minar uma sociedade por inteiro. Enquanto estas mentalidades não mudarem e as pessoas não forem educadas para respeitarem o próximo, o foco no próprio umbigo nunca irá deixar de existir. No que diz respeito a Macau, preocupa-me seriamente a educação que dão às crianças, porque desde pequenos que lhes incutem este modo de ver as coisas. Sendo as crianças assim educadas, muito dificilmente se irá mudar a sua mentalidade quando forem adultos. |
sábado, 16 de março de 2013
DST discrimina turistas
OS Serviços de Turismo de Macau têm, há já algum tempo, um sistema de guia electrónico para os turistas. É uma espécie de telefone portátil que debita informação sobre os mais variados locais e que pode ser usado livremente por quem nos visita. Tanto quanto tenho conhecimento, os ditos aparelhos podem ser levantados nas instalações do Turismo no Largo do Senado pelos turistas interessados e usados durante o passeio pelos locais da rota do Património Mundial. Durante três dias e mediante um depósito para assegurar o seu bom uso e restituição. O serviço de «áudio-guia» portátil foi lançado, com pompa e circunstância, pelo ido director Costa Antunes e tinha como objectivo responder às necessidades dos turistas que inundam as nossas ruas diariamente. Não são conhecidos números da sua utilização, mas deduzo que se não os fizeram públicos é porque não devem famosos! Desde 27 de Julho do ano passado que os tais guias estão disponíveis, pelo que já passaram seis meses, altura para se fazer uma avaliação do impacto da medida e dos milhões investidos. Nunca experimentei o dito aparelho mas tive acesso aos textos que são fornecidos pela DST à instituição responsável por criar as versões sonoras nas variadas línguas e estes deixam algo a desejar no que diz respeito à exactidão dos dados e da informação prestada, mas, como se costuma dizer, mais vale isto do que nada! Aliás, em Macau a falta de rigor na informação histórica é algo que não nos deixa surpreendidos nos serviços públicos. Este novo serviço tem a pretensão de tornar os visitantes mais independentes, enquanto percorrem a cidade de atracção em atracção, tendo acesso a vários tipos de informação. No entanto, os turistas estão longe de estar satisfeitos, nomeadamente aqueles que não viram o seu idioma contemplado no aparelho, apesar de serem dos que mais visitam a RAEM para ver a sua história. Porque, como sabemos, a grande maioria dos visitantes que vem da China, vem a Macau pelos casinos, pelo que os «áudio-guia» de nada servem apesarem de lhes estarem reservadas duas das línguas nos mesmos! Neste momento há informação em seis idiomas, Mandarim, Cantonense, Português, Inglês, Japonês e Coreano, tendo sido deixado de parte duas das mais importantes línguas em termos de número de turistas, o Tailandês – um dos mercados mais importantes fora do Jogo – e o Tagalog das Filipinas, de onde o número de turistas tem vindo a crescer de ano para ano, a bom ritmo e com grande poder de compra. Quem mais se queixa de discriminação são os tailandeses que visitam Macau e não conseguem ter acesso à informação histórica que tanto procuram. Muitos deles dominam Inglês mas não o suficiente para conseguir seguir a narrativa na língua de Shakespeare. Sendo a Tailândia um dos mercados mais importantes para Macau no Sudeste Asiático, não se percebe como é que a DST faz uma omissão destas. Muitos dos turistas tailandeses com quem falei mostraram-se bastante desapontados com a falta de sensibilidade do turismo de Macau e uma grande parte pondera não regressar a Macau, apenas devido a esta falta de consideração. O turista tailandês, regra geral, não viaja em grupo, pelo que os guias electrónicos assumem uma grande importância para a sua autonomia na visita a Macau. Já outros dos grupos cujas línguas estão incluídas, apenas visitam os locais turísticos de Macau em grupos organizados, não havendo necessidade da utilização destes aparelhos porque estão sempre acompanhados de um guia profissional que, bem ou mal, tem obrigação de lhes explicar o património. Ainda assim, resta salientar que nem tudo é negativo: Este serviço está disponível diariamente para levantamento entre as 9:00 e as 17:00 horas e, apesar de ser um serviço gratuito, os interessados têm de fazer um depósito de 200 patacas para garantir a boa utilização do aparelho e a sua entrega em boas condições, o que, na minha opinião, é uma medida apropriada e que salvaguarda a integridade da propriedade do Governo de Macau. É que os ditos aparelhos, apesar de serem uns simples rádios, não devem ter sido muito baratos. A devolução do aparelho tem de ser feita no prazo de três dias no balcão de informações no Largo do Senado. Também o Museu do Grande Prémio e o Museu do Vinho contam com visitas áudio-guiadas. Os aparelhos podem ser levantados pelos turistas nos respectivos museus, mediante um depósito simbólico, e têm que ser entregues no local no mesmo dia. |
sexta-feira, 8 de março de 2013
Podia ser o nosso mangal
![]() A NOSSA Macau tem muito que aprender com o exterior e precisa de deixar de continuar a olhar apenas para o seu umbigo. E, quando digo exterior, não me refiro à China (continental como lhe chamam, como se houvesse um novo continente que não tenhamos descoberto), a Hong Kong ou à Formosa. Principalmente a classe dirigente deve deixar de pensar e agir com mentalidade de «quero, posso e mando!». A humildade nos líderes é algo de muito importante e só um que seja humilde, mas competente, pode almejar bons resultados e a aceitação da população e dos seus pares, sem ter que se impor pela arrogância. Os bons exemplos existem em toda a parte, mesmo na nossa equipa governativa há alguns exemplos. No entanto, e como regra geral são estes os mais humildes e descomprometidos, não se impõe aqui citar nomes nem ficaria bem. Aliás, quem faz um bom trabalho não o faz com o objectivo de ser enaltecido, fá-lo por ser profissional e comprometido com os cidadãos. Os que aparecem diariamente na luz da ribalta, dizendo mundos e fundos do que fazem a favor da comunidade, não querem mais que publicidade e promoção pessoal. Querem aparecer na fotografia, como se diz de muitos nossos conhecidos. O trabalho dessas pessoas que se esforçam diariamente, sem procurar colher louros, será reconhecido mais tarde pelas gerações vindouras. Essas sim, como sempre acontece, irão fazer jus ao nome de quem, diariamente, trabalhou para que tivessem um futuro digno. Recentemente estive num país dito de terceiro mundo, mas onde a pobreza urbana não existe e onde não há pessoas a dormir na rua ou a pedir esmola a cada esquina. Os próprios vendedores de rua quando recusamos as suas ofertas não insistem e continuam o seu trabalho sem incomodar quem não lhes quer comprar produtos ou serviços. E, para surpresa minha, não é uma ditadura, mas sim uma democracia onde todos os cidadãos conhecem os seus direitos e obrigações. Apesar da crítica social e política, que sempre se impõe numa democracia, a afluência às urnas em altura de eleições é sempre altíssima, sem haver necessidade dos candidatos andarem a oferecer almoços ou outros favores. E, como tive oportunidade de ouvir várias vezes, apesar de haver diferentes partidos, o sistema eleitoral funciona com votos nas pessoas e não nos partidos, o que dá origem a Governos constituídos, na maior parte das vezes, por candidatos de todos os partidos. Desse grupo de pessoas eleitas, é eleito o Presidente e o Primeiro-Ministro. A escolha é feita no Plenário, mas também é dada a oportunidade aos cidadãos de se pronunciarem. Este país tem um dos projectos de protecção de mangais dos mais avançados de que tenho conhecimento. Aquelas plantinhas que se vai destruindo aos poucos em Coloane e que, outrora, cobriam toda a zona do antigo istmo. No local onde passei mais tempo há um mangal de dimensões invejáveis, algo comparável ao que havia entre a Taipa e Coloane antes de nascer o COTAI. Ao contrário de Macau, onde tudo se destrói para «bem da população», naquele país as pessoas, ricas e pobres, vieram à rua quando tiveram conhecimento da existência de planos para construírem um empreendimento turístico no local. Mesmo com a promessa de milhares de empregos e desenvolvimento para a região, e mesmo com casos de políticos comprados com dinheiro dos investidores, fincaram pé e obrigaram o Governo Central e local a mudar de posição, cancelando todas as licenças entretanto já emitidas, e a desistir da construção e da destruição do habitat natural de milhares de espécies. Em resultado deste movimento nasceu um novo departamento a nível regional e nacional dedicado à preservação do mangal, porque as populações acharam por bem que para «bem da população», preferiam preservar o ambiente em detrimento do desenvolvimento desenfreado. Uma boa forma de afirmar «pobres mas saudáveis», como me explicaram. Quem me explicou todo o processo foi um jovem polícia. Ouvi a história, em Espanhol, deste homem de 27 anos, que na altura do movimento tinha pouco mais de 20 e era aluno da Academia Militar. Agora é, além de delegado da Interpol, o responsável máximo na sua província do projecto de protecção do mangal. A conversa com este jovem fez-me lembrar o que se passa em Macau e tudo o que se tem feito para destruir o pouco que ainda existe. Ali não foram feitos quaisquer obras para preservar a natureza. Foi tudo deixando «ao natural» porque, como me explicou, assim tem sido há milhões de anos. Quando são necessárias intervenções humanas para proteger a natureza é porque algo de muito mau já foi feito anteriormente e essas intervenções não fazem mais que adiar um problema sem solução. |
sexta-feira, 1 de março de 2013
Macau, o que é isso?
QUE tal chegarmos a um local para comer e apreciar a vista junto a um dos mais idílicos locais nas Caraíbas e nos dizerem, com um sorriso na cara, que somos o primeiro português a visitar o estabelecimento?«Big Lee beach bar» foi destino sem qualquer razão aparente, pois nem sequer sabia da sua fama. Mas, logo à chegada, o «grande» Lee acolheu-me com um sorriso no rosto, perguntando-me de que país vinha. A parte de ser português entendeu muito bem e confessou logo que, tanto quanto se lembrava dos três anos de actividade, eu era o primeiro. Mesmo considerando estranho, porque muitos portugueses visitam o País de férias. Já a parte de ser proveniente de Macau foi algo mais complicado de explicar a este americano de Chicago, metendo a nu as debilidades da qualidade da promoção feita pelo Turismo de Macau no exterior. Comparações feitas com Hong Kong e Las Vegas, lá ficou a saber onde fica Macau e assegurou que, definitivamente, era também o primeiro oriundo de Macau! Portanto, algo orgulhosamente, posso afirmar que me senti um «descobridor» e assim levei o nome de Macau ao outro lado do Mundo, sem que o Turismo gastasse uma pataca. É triste verificar que o Turismo de Macau gaste milhões em promoções e, num país onde os casinos são também uma forte fonte de receitas e atraem milhões de turistas anualmente, ninguém tenha ideia de onde fica Macau, ou tenham alguma vez ouvido falar da «Las Vegas do Oriente». Nem mesmo pessoas ligadas ao sector dos jogos de fortuna e azar!... As Caraíbas são um mercado potencial, onde abundam jogadores ávidos de outras apostas mais exóticas, mas que é totalmente posto de parte pelas autoridades de Macau. A história repete-se nas Ilhas Virgens Britânicas, em Curaçao, em Trindade e Tobago, etc. «Macau, o que é isso e onde fica?», ouvi vezes sem conta. Provavelmente fiz mais para promover Macau em duas semanas, do que o Turismo e os seus milhões em campanhas direccionadas a quem, por natureza, já tem Macau como destino final. De que vale gastar milhões da RAEM a promover Macau em mercados como a China e Hong Kong, Tailândia e Malásia? Todos sabem o que é Macau e aqui vêm com intenção de jogar. O que é preciso para estes mercados tradicionais são operações de charme para cativar e manter clientes. Em locais como as Caraíbas, onde o jogo também atrai milhões e ninguém cospe ou defeca no chão, são precisas campanhas para tentar convencer alguns dos muitos apostadores a viajar até à Ásia. Começando, claro, por promover o que é Macau: onde fica e o que pode oferecer. Essa divulgação não se faz com delegações e festinhas. Há que usar métodos mais subtis para ir chamando a atenção, como campanhas em aviões, em veleiros e em barcos de cruzeiro, como vi o Turismo das Filipinas fazer, ou o de Singapura, que tinham publicidade em vários veleiros a navegar por aquelas águas. Tive oportunidade de conhecer um casal de Singapura que decidiu fazer uma pausa de dois anos na sua vida profissional para navegar pelas Caraíbas e que era apoiado, quase na totalidade das suas despesas, pelo Governo da cidade-Estado, algo que Macau poderia fazer mas não tem visão para tal. Sendo o Mar das Caraíbas o paraíso da vela e o local de eleição de todos os apaixonados por este modo de vida, tem como suporte publicitário de excelência os veleiros e as suas tripulações. Ninguém fica indiferente a um veleiro quando entra num porto ou quando passa com as velas cheias de vento. Ou mesmo quando vêem as tripulações a passar com os uniformes, ostentando logótipos de certas marcas. Um método simples e eficiente! Quem está por dentro do mercado da publicidade sabe que nos Estados Unidos a publicidade em veleiros movimenta milhões e gera resultados mais eficientes do que os média tradicionais. Infelizmente, Macau e o organismo responsável pela sua promoção nem tem qualquer visão neste sentido. Mesmo tendo sido contactados por diversas vezes, continuam a ignorar algo que é cristalino como a água. O leitor sabe-me explicar como se pode recusar apoios a projectos para levar o nome de Macau aos quatro cantos do mundo, quando – ainda por cima – apenas se pede apoio institucional para levar o nome desta terra? Eu não consigo perceber tanta falta de visão e de vontade! |
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Vão acabar as gaiolas?
FAZ já vários anos que diversas forças vivas de Macau tentam «convencer» o Governo para a necessidade de haver legislação relativa às obras ilegais e às inspecções obrigatórias dos prédios habitacionais. Agora, segundo consta no novo «Regime Geral da Construção Urbana», que se encontra em fase final legislativa, as inspecções vão ser obrigatórias, pelo que a Associação dos Arquitectos apela para que, de uma vez por todas, se aplique a Lei.
Como sabemos, o problema de Macau não é não existirem leis. Elas existem e o enredo legislativo do território até é, de certa forma, bastante completo. O problema, na realidade, é que ninguém quer saber das leis e quem devia fiscalizar não as sabe ou assobia para o lado, passando maior parte dos atropelos sem serem sancionados como deve ser. Apenas, de quando a quando, lá temos conhecimento de uma ou outra obra ilegal que veio abaixo e aparecem os seus responsáveis nas capas dos jornais.
Não é só nas obras e construções! É em tudo. Olhe-se para a Polícia e vejamos quantas vezes vimos um agente a fazer o trabalho como deve ser? Salvo raras excepções, o que salta à vista é a falta de profissionalismo e uma atitude de deixa andar. Um pouco à semelhança do famoso dito «mo man tai»! Quantas vezes vi agentes da autoridade a passarem, a pé ou motorizados, por flagrantes incumprimentos da Lei sem nada fazerem. Mas o mesmo se pode aplicar ao cidadão comum que tem obrigação denunciar também o que vê de errado. Por exemplo, quantos de nós já chamámos alguém à razão no autocarro quando não se levanta para dar o lugar a um idoso ou a uma grávida?
Fico algo apreensivo agora com esta nova lei que vai, dizem, acabar com as construções ilegais e obrigar que prédios antigos sejam, forçosamente, inspeccionados para se assegurar que são seguros e que tudo está dentro da normalidade. Pessoalmente já ando a fazer queixas de construções ilegais no meu prédio e nos das imediações desde que cheguei a Macau e... nada aconteceu! Agora, com tanto empenho, se não me cuido até o meu apartamento vai de atacado mesmo depois de, por iniciativa própria, ter tirado todos os apêndices ilegais (gaiolas na sua maioria). A ver vamos quando essa febre de fiscalização chegar.
Não sei quem irá ficar com tal ventura, mas desconfio que devem ser as Obras Públicas. Se assim for, temo que nada mude porque a equipa de Jaime Carion já não dá para as encomendas com todos os trabalhos que tem de fazer. E, como se costuma dizer, sem ovos não se fazem omeletas. Portanto, se até agora não conseguiram fazer mais com os efectivos que têm, e que parece já não dão conta do recado, se vêem as competências alargadas, pouco mais poderão fazer. Jaime Carion, apesar dos poucos recursos à disposição, tem feito um trabalho notório e que merece ser realçado por todos nós. Falta de determinação não lhe podemos apontar, assim como não se lhe pode dizer que não mostra dedicação.
Como em tudo em Macau, vamos esperar para ver se a montanha não pare um rato! Desconfio que será um pouco à semelhança da legislação anti-tabaco que nos primeiros dias deu azo a uma corrida às inspecções com direito a cobertura noticiosa em directo! Algo que também contribuiu para muitos abusos e fez com que uma legislação que tinha tudo para ser bem acolhida, acabou por causar mau estar e muita incompreensão por parte de todos. Aliás, a autoridade responsável pela sua aplicação é muitas vezes acusada de querer fazer mais do que o estipulado na mesma lei. Portanto, no que diz respeito à lei que vai regular as inspecções obrigatórias, espero que não se caia no mesmo erro. Se for bem elaborada e melhor aplicada, poderemos estar perante uma oportunidade de luxo para o território meter de lado alguns dos cancros que nos afectam em termos urbanísticos. Para, de uma vez por todas, lavar a cara dos horríveis prédios do território que ostentam feios gradeamentos de ferro nas janelas e varandas. Mas, acima de tudo, uma oportunidade para obrigar os proprietários, como eu e o leitor, a manter os prédios em boas condições.
Falo por mim, por diversas vezes tentei congregar as vontades no prédio onde vivo para procedermos à sua manutenção, mas sempre me deparei com a falta de interesse da maior parte dos proprietários. Quando recorri ao apoio do Governo, neste caso do Instituto de Habitação, tudo fizeram mas em nada resultou porque não podem obrigar, baseados na lei vigente, os proprietários a manter em boas condições os seus prédios.
Espero que este novo articulado venha trazer melhores mecanismos e formas mais fáceis de obrigar todos os prédios, novos e velhos, a terem associações de condóminos, seguranças e portas fechadas, assim como estruturas seguras e bem mantidas para a segurança de todos.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Largo do Senado de volta
![]() UM dia destes, apesar de ter acordado um tanto ou quanto maldisposto, algo me fez mudar de disposição e meter um sorriso na cara. Uma constatação, durante o meu percurso matinal de casa para o trabalho, de algo que já deveria ter notado há muito tempo e que, aliás, o Governo deveria ter tido o cuidado de anunciar. Se fazem alarido de tudo e mais alguma coisa, porque não salientar aquilo que a população há muito ansiava e que fizeram de bem? Afinal vale a pena andarmos nas páginas do jornais, nas ondas da rádio e nas imagens da televisão a criticar e a apontar o que se faz de menos bem em Macau. Os esforços da Comunicação Social e de quem nela colabora, lentamente vão sendo recompensados com os erros corrigidos e as sugestões acatadas. Aliás, os comentários que foram sido feitos não foram mais do que o espelho do real sentir da grande maioria da população. Já tinha perdido a contas às vezes que, desde os anos noventa do século passado, abordámos a problemática do uso do Largo do Senado para todo o tipo de eventos, advogando sempre que esta praça nobre do território e nosso postal ilustrado que enche a medidas de milhões, com a sua carismática imagem do ondulado da calçada à portuguesa, deveria ser usada apenas para ser praça. Limpa, bonita e acessível. Para ser a cara de Macau e a sala de visitas para quem aqui nos vem visitar – e deixar o dinheiro que vai aguentando a nossa economia. Antigamente, não há muito tempo, ali se organizava todo o tipo de eventos, desde barraquinhas de jogos das mais variadas associações a feiras das mais enigmáticas onde de tudo se vendia, atafulhando a já estreita praça. Alturas havia que não nos conseguíamos movimentar devido a instalarem barracas dos lados, não deixando espaço para que moradores e turistas conseguissem passar sem ter que se atropelar e acotovelar constantemente. Felizmente, há mais de um ano se não estou em erro, nada se organiza no Largo do Senado. Tirando a esporádica actividade inaugural na zona de entrada, onde ainda continuam a colocar um palco. Isto ainda é um dos aspectos a rever, porque até mesmo estas actividades podem, e devem, ser feitas noutro local. Felizmente as barracas que enchiam a restante praça desapareceram, devolvendo o espaço aos turistas e aos residentes. Um outro aspecto que ainda falta solucionar é o da constante autorização do direito à manifestação por parte de um cidadão que já se tornou presença – incómoda e barulhenta – na praça, incomodando tudo e todos com o seu circo diário. Há que não ter medo em considerar a Praça do Leal Senado, assim como outros locais turísticos e Património classificado da UNESCO, como área interdita a todo o tipo de actividades que possam incomodar o normal funcionamento do local. Sejam elas barracas, feiras ou mesmo manifestações. Que fique claro que ao vedar o acesso ao local a manifestações não significa que não se reconheça o direito à manifestação, apenas se resguarda certas zonas desse tipo de actividades. Assim como não se pode buzinar na zona dos hospitais, de acordo com o Código da Estrada, não quer dizer que seja proibido buzinar em todo o lado! A situação no Largo do Senado estava a tornar-se cada vez mais complicada e difícil de gerir devido ao contínuo aumento de turistas que ali se aglomeram diariamente. Em dias normais já é difícil circular por aquele local, imaginem como era quando ainda se lembravam de ladear a praça com barraquinhas e afins... Finalmente levaram a sério as sugestões veiculadas pela Comunicação Social para que essas «feiras» fossem descentralizadas para outros locais, nomeadamente a renovada Praça do Tap Seac e para o Espaço Sintra. Aliás, nestes locais ultimamente têm surgido um sem número de eventos e actividades, possivelmente reflectindo aquilo que se tem vindo a advogar. E, contrariamente ao que o Governo anteriormente dizia, justificando o contínuo uso do Largo do Senado, a população parece não se importar que tais actividades sejam feitas nos novos locais. As mentalidades mudam-se... Tanto quanto sei, não me parece que a população tenha reclamado pela deslocação das feiras e eventos para outros locais da cidade. Antes pelo contrário, as pessoas a quem perguntei sobre o assunto mostraram-se mais satisfeitas com esta mudança do que com a situação que se vivia anteriormente. Estes locais que agora acolhem os eventos que, tradicionalmente caíam no Largo do Senado, têm mais condições, são mais espaçosos e oferecem melhores infra-estruturas, tanto a quem ali vai ver as actividades como a quem tem de participar nas mesmas. |
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Algo vai mal
![]() O ASSUNTO arrisca-se a tornar tabu em Macau, se não se continuar a falar e a fazer frente a quem o impulsiona. Este território sempre viveu de liberdade de expressão e de Imprensa, estando este direito consagrado na mini-constituição que regula os nossos direitos e obrigações. Mas, na verdade, e principalmente nos últimos anos, são cada vez mais as pressões sobre os jornalistas e sobre quem escreve e fala na Comunicação Social. Certamente que devem estar ao corrente da polémica com a decisão da TDM, canal de rádio, em cancelar o programa Fórum Macau, que se realizava aos Domingos no parque da Areia Preta e era transmitido ao vivo. Um programa, extensão da versão diária em estúdio, que tanto contribuiu para o desenvolvimento do sentido crítico da população chinesa, normalmente pouco dada a pronunciar a sua opinião em público. No entanto, talvez por tocar em assuntos muito sensíveis e dizer muitas verdades, foi encontrada uma forma de, primeiro, reduzir o seu impacto e, agora, de extingui-lo na totalidade. Deixando-se assim a população sem local público para ventilar as suas opiniões de forma livre e sem censura. Felizmente, mas também sob muitas pressões, continua a edição diária a partir dos estúdios da rádio. Aliás, esta versão original fora também alvo de manobras pouco claras há um ou dois anos, tendo alguns dos seus elementos sido «convidados» a deixar a antena. Não sei o que está por detrás da decisão da TDM, que veio a público dizer que tal se deve à falta de pessoal! Desculpa que, sinceramente, custa a acreditar, porque se há falta de pessoal, tal resolve-se contratando mais ou afectando pessoal de outras secções para o programa. Mais não seja de forma temporária até se conseguir contratar mais profissionais para colmatar as lacunas. Privar a população do programa em espaço ao ar-livre, que segundo me dizem todos os chineses que conheço é o mais bem recebido por ser aberto a todo o tipo de opiniões, parece-me pouco sensato e uma completa falta de visão. Para não dizer que existe por detrás uma mão manipuladora de «lápis azul» em riste. Apetece-me dizer que da TDM já não me admiro de nada porque, depois de lá ter trabalhado, habituei-me a saber como funcionam os meandros e como se manobram interesses instalados. Neste caso, e sabendo-se que o programa esteve envolto em diversas polémicas com figuras do Governo da RAEM que levaram mesmo ao afastamento de alguns colaboradores, a decisão da TDM, por muito verdadeira e sincera que seja, cheira a esturro. Tanto mais que não é apenas o exemplo a TDM e do Fórum Macau. Recentemente tivemos também a interferência de um órgão de soberania num dos sítios da Internet de um jornal local de língua portuguesa. Assunto que até hoje continua sem grandes explicações e sobre o qual não tem havido grandes desenvolvimentos. E fala-se à boca pequena que nos jornais chineses essas pressões são ainda mais evidentes e diárias. Temo, sinceramente, pela liberdade de expressão em Macau. Se nos tempos da administração portuguesa, nomeadamente durante a vigência de Rocha Vieira, as tentativas de manipulação eram evidentes e bem visíveis, no mandato de Edmund Ho a situação pareceu melhorar, reinando uma liberdade nunca antes sentida em Macau onde todos podiam abordar tudo o que queriam sem haver qualquer tipo de censura ou tentativa de influenciar o que se falava ou escrevia. Pelo menos que se tenha conhecimento e que tenha sido público. Eu próprio nesta coluna abordei alguns temas mais polémicos e nunca fui chamado à atenção. No entanto, ultimamente, tenho recebido recados de vária ordem, sempre sub-repticiamente, de forma dissimulada. Ora através de interpostas pessoas, ora directamente mas sem ir tocar expressamente no assunto em questão. Aliás, o recado mais caricato veio de um camarada de profissão que, a coberto da sua suposta preocupação para com o bem-estar da minha pessoa, mandou dizer para eu ter mais tento na língua quando escrevo sobre assuntos do Governo. Ainda quero acreditar que em Macau existe liberdade de expressão e que todos, independentemente dos nossos deveres e obrigações profissionais, crenças e preferências, temos direito de nos expressar. Desde que não se insulte ninguém directamente nem se revelem informações que possam estar sob sigilo profissional, todos devemos ser livres para expressar a nossa opinião, seja ela contra o Governo e as suas políticas, seja contra empresas privadas ou qualquer outro assunto.Pessoalmente escrevo tanto contra como a favor e tento sempre, nas minhas crónicas como na minha vida, pautar-me pela independência e objectividade. Gosto de apontar o que considero estar errado mas, ao mesmo tempo, tento apresentar possíveis soluções porque criticar por criticar não serve de muito. E, quando vejo algo que penso ser merecedor de ser elogiado, também não me coíbo de o fazer. Aliás, gostava de ter mais razões para o fazer… |
sábado, 26 de janeiro de 2013
Bom exemplo
PARECE mentira mas, afinal, em Macau, há quem saiba o que faz, no que respeita ao trânsito e suas sinalizações. Deve ser por causa do Ano Novo Chinês que se aproxima e desta euforia de coisas positivas que o final de um ciclo sempre traz!
O dito bom exemplo, que vem contradizer tudo o que se tem dito sobre a falta de conhecimentos e de capacidade técnica dos senhores do trânsito de Macau, está na estrada que liga a Ponte da Amizade ao cemitério da Taipa. Na zona está a ser construída uma passagem superior para peões. A sinalização está tão bem feita que, para espanto pessoal, me verguei e decidi dedicar esta coluna a elogiar algo que, regra geral, anda sempre muito mal.
No caso específico, os sinais estão distribuídos a distâncias aceitáveis e dão amplo espaço ao condutor para se aperceber das limitações e fazer os devidos ajustes na condução. Como se pode constatar nas fotografias, até a sinalização é clara, sem inequívocos, não deixando qualquer margem de erro, mesmo para quem tem carta de condução mas que, aparentemente, não deveria ser autorizado a conduzir. É que há muitos destes em Macau, estando a sua maioria a conduzir transportes públicos!
A verdade é que Macau é signatário da Convenção de Genebra e este tipo de obras nas rodovias são reguladas por aspectos do documento, paralelamente aos aspectos do trânsito e das regras da estrada. Aliás, por alguma razão tem sido tão complicado coordenar o trânsito de Macau com a circulação de veículos do interior da China. É que Pequim não é signatária da convenção, regendo os seus problemas relacionados com o trânsito automóvel por regras criadas internamente. Mais: pelo que me parece, em Macau, apesar do segundo sistema, tem-se vindo, cada vez mais, a impor o primeiro sistema, e por essa via as anómalas regras da China, causando caos e desordem, sem que ninguém saiba muito bem o que fazer.
Passivamente, aos olhos de todos, o que acabei de referir é tido como um dado adquirido, sem que nada se faça para se mudar a situação. Se não formos nós, residentes de Macau de plenos direitos, a exigir que neste território se cumpra a Lei e o que foi acordado a partir de 20 de Dezembro de 1999, ninguém o fará. O desrespeito do «regulamento de sinalização de obras e emergências em rodovias» é apenas um dos muitos exemplos que se vêem diariamente e ninguém se dá ao trabalho de apontar para que sejam corrigidos. A começar pela Polícia!
O trânsito de Macau, com o crescente número de carros e outros veículos motorizados, começa a ser impossível de regular. Primeiro foi o desenfreado crescer de autocarros de turismo relacionados com os novos hotéis e casinos, depois os autocarros das agências de turismo para transportar as hordas que aqui aportam diariamente. Agora é um não parar de registos de novos carros e veículos de duas rodas. Macau há muito que atingiu o limite de veículos em circulação, para tal basta ver que a direcção responsável pela gestão do trânsito se viu obrigada a projectar um novo centro de inspecção, para fazer face ao crescente número de veículos em circulação. Ao que parece, por detrás dessa necessidade não está o crescente número de inspecções a veículos existentes, mas sim o facto de não conseguirem fazer face ao número de veículos novos obrigados a submeterem-se à primeira inspecção, o que torna tudo isto ainda mais preocupante.
É urgente encontrar uma solução para o problema do trânsito de Macau. As opções são todas pouco consensuais e todas elas têm prós e contras. Pessoalmente preferia que o Governo subsidiasse a substituição de carros antigos por novos, mais amigos do ambiente e, de uma vez por todas, implementasse inspecções anuais para TODOS os veículos em circulação. E, ao mesmo tempo, que tornasse obrigatório apresentar o comprovativo de local de estacionamento (em parque particular ou público) para quem quiser comprar veículo novo. Um parque para cada carro. E, para quem decidisse, – e bem, a meu ver – não ter carro, a concessão de benefícios fiscais.
Não são medidas populares, eu sei, mas viriam ajudar a resolver o problema da falta de estacionamento e o aumento desmesurado do número de veículos em circulação. Por outro lado, ajudava a reconverter a actual frota circulante por uma menos poluente.
Ainda voltando ao tema inicial: os sinais nas zonas de obras. É tempo da DSAT meter mãos à obra e obrigar os empreiteiros a seguir as directrizes internacionais para que se evite alguma tragédia.
Afinal, se há quem saiba como fazer bem as coisas, porque não se exige a todos que sigam o exemplo?
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Capitania desrespeita Lei Básica
Capitania desrespeita Lei Básica |
![]() COMEÇA a ser um bocado desencorajador e cansativo andar sempre a escrever sobre o mesmo assunto e não ver quaisquer mudanças; apenas palavras ocas e sem qualquer significado mas que, quando proferidas, metem todos os que se interessam pela língua portuguesa em Macau a saltar de contentes. Dizem que vão apostar mais na língua portuguesa e os deputados da Assembleia Legislativa regurgitam com excitação e tentam puxar os louros para si. Enquanto a comunidade continua a acreditar que a intenção dos governantes é mesmo de fazer a língua portuguesa valer, como foi acordado entre Lisboa e Pequim: ser língua oficial, a par da língua chinesa, até 20 de Dezembro de 2049. Incluo-me no grupo dos eternos sonhadores que acreditam que, em Macau, o Governo irá tudo fazer para que a língua portuguesa seja respeitada e tratada em pé de igualdade com a chinesa. Mas a realidade que se constata diariamente faz-me pensar noutro sentido, apesar de secretamente querer acreditar que estou redondamente enganado. Existem sinais, agora que estamos no terceiro mandato do Chefe do Executivo, que não deixam sinais para dúvidas. Vejam quantos sítios na Internet foram criados desde 20 de Dezembro de 1999 e quantos deles têm o seu endereço em Português. Na sua maioria são denominados em Inglês e, se nada for feito, acredito que irão começar a ser denominados em Chinês visto que, passadas quase três décadas da invenção da Internet, os caracteres chineses já são aceites para escrever na barra de endereços nos navegadores do ciberespaço. Em Macau, no sector privado, existe pelo menos um já denominado em Chinês, o do empreendimento La Scala (www.御海南灣.com). Portanto, não se admirem que comecem a surgir os do Governo também em Chinês em detrimento do Português. Outro dos sinais que me deixam apreensivo diz respeito à correspondência que, insensatamente, vamos recebendo como lixo nas caixas do correio, sem que tenha sido requisitada aos departamentos do Governo. Urge existir em Macau um sistema, à semelhança da Europa, que permita aos residentes recusar receber correspondência não solicitada nas suas caixas do correio. Recentemente recebi, desta vez da Capitania dos Portos, o bonito panfleto relativo à poupança de água, um assunto que me é querido mas que, por imposição do Governo, não posso aprofundar porque, segundo consegui perceber nas únicas palavras na língua oficial que é a portuguesa «para adquirir a versão portuguesa deste folheto, por favor, consultem a seguinte página electrónica do Grupo de Trabalho:www.marine.gov.mo/waterconservation». Só depois de seguir o «link» é que fiquei exactamente a saber o que era o conteúdo do panfleto mas, como podem ver pela imagem da página principal do dito «grupo», até aqui se torna complicado encontrar aquilo que for. A coluna da esquerda que, supostamente, deveria servir para navegação está de tal forma confusa em Português que tive de clicar um a um até encontrar o que procurava:www.marine.gov.mo/waterconservation/pdfs/recycledWaterPlan_p.pdf. Para espanto meu e defraudado com tanta falta de consideração para com quem não lê Chinês, fiquei a saber que é o texto da consulta pública referente ao Plano de Desenvolvimento de Água Reciclada em Macau (2013-2022). Uma pesquisa que deve interessar a todos quantos vivem em Macau e não apenas à comunidade chinesa, mas que a Capitania (ou o dito grupo de trabalho) devem considerar que não vale a pena tratar as duas línguas oficias em igualdade, relegando os que apenas lêem Português para uma posição subalterna relativamente a quem lê Chinês. Pergunto: Se o texto tivesse sido enviado em Português e tivesse escrito que se quisessem a versão chinesa tinham de ir à Internet e descarregá-la, será que os leitores de Chinês iriam gostar desta forma de tratamento? Afinal, sendo residente permanente de pleno direito, e obrigações, de Macau, não descarto nem desisto do direito que tenho a ser tratado em pé de igualdade. A Lei Básica é clara: tanto o Chinês como o Português são línguas oficias, podendo ambas ser usadas nos serviços públicos. Portanto, porque insistem alguns em não respeitar a regra, tratando uma das línguas como sendo de somenos importância? Gostaria de saber se a Capitania dos Portos prevê reparar o erro e dar ordens para que, a partir de agora, tudo seja enviado nas duas línguas, pelo menos até 2049! |
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Governo actua quando tem de actuar
Governo actua quando tem de actuar |
![]() MUITO se tem falado da qualidade das construções em Macau, com prédios de habitação social, com apenas dois ou três anos, a caírem aos bocados. Prédios devolutos por todo o lado, sem que ninguém se ocupe da sua recuperação e sem que o Governo seja capaz de obrigar os seus proprietários a proceder à sua manutenção. Aliás, todos achamos normal gastar quatro ou cinco milhões numa habitação nova para logo a demolir e voltar a reconstruir, porque a qualidade da construção é de muito baixa qualidade. O chavão que se houve muito em Portugal, «casa, chave na mão», significando que está pronta a habitar, não se aplica ao território! Numa cidade como Macau, onde abunda dinheiro, destoa o facto de vivermos lado a lado com prédios a cair aos poucos. Bonito postal ilustrado que é registado por muitos dos turistas que nos visitam, deleitados com as muitas iluminações nocturnas e embevecidos com o que de bom temos para oferecer. Compreendo e apoio a decisão do Governo em não enveredar pela fácil decisão de tomar em mãos todas as recuperações que é necessário serem feitas. Temos exemplos nos dois prédios que nos últimos meses de 2012 fizeram manchetes, obrigando os seus habitantes a saírem dos seus apartamentos. Se num caso, o Governo foi peremptório em dizer que não iria fazer a recuperação, obrigando os proprietários das fracções a encontrar uma solução, neste são obrigados a desembolsar todo o valor necessário para demolir e voltar a construir o prédio. No caso da zona do Patane ainda não é conhecida a solução, mas tudo aponta para que sejam responsabilizados os proprietários e os responsáveis da obra no terreno ao lado. No entanto, outros exemplos há em que o Governo nada faz e devia também ter uma postura activa. Sei de um exemplo, num edifício junto da zona histórica, em que o Governo foi chamado, por diversas vezes, para inspecionar infiltrações dentro das habitações no penúltimo andar, nomeadamente, na zona imediatamente por baixo do limite da varanda recuada do último andar e na parede que liga ao prédio vizinho. Das inspecções nada foi definido e os proprietários continuam sem saber como resolver o problema, tendo as suas frações cheias de infiltrações nos quartos onde dormem. A solução que encontraram foi proceder a obras, ano sim, ano não! Após várias insistências junto de vários departamentos do Governo, o Laboratório de Engenharia Civil concluiu que o problema da infiltração se devia ao facto da deficiente manutenção do prédio vizinho, que fazia com que as águas descessem por entre as paredes, afectando essas habitações. Com uma das causas identificadas, os proprietários quiseram saber como se iria resolver o assunto. Contactado o Governo para mediar a situação com o proprietário do prédio vizinho, nada foi feito até ao momento, continuando toda a situação como inicialmente! Mas, se este problema é do foro privado, outros há que afectam a generalidade da população. Entre muitos, quero destacar um que se arrasta há vários anos. Na rua ao lado da Escola Portuguesa de Macau, no edifício onde está a loja da Vista Alegre, há uma fuga de água que, em dias de muita chuva, corre como se fosse uma torneira aberta. O problema afecta todos quantos ali passam, incluindo muitas crianças, tendo de se desviar para o lado, para evitar ficarem molhados com água de dúbia limpeza e de origem desconhecida. Neste caso é praticamente impossível o Governo dizer que não tem conhecimento do problema, pois, diariamente ali passam funcionários de todos os departamentos e tal é do conhecimentos de todos. E mesmo sendo um edifício privado, trata-se de um problema de salubridade pública. Será falta de iniciativa, ou será que o prédio pertence a alguma força que convém não incomodar? Um pouco à semelhança de muitas coisas em Macau que, por serem ou pertencerem a fulano ou sicrano, não são fiscalizadas ou, à boa maneira local, olha-se para o lado, como se nada de anormal se passasse. |
domingo, 23 de dezembro de 2012
É o fim do mundo!
É o fim do mundo! |
![]() POIS bem, se os Maias estiverem certos, amanhã, dia 21, o mundo, como o conhecemos, irá chegar ao fim! Ou, então, assim nos quiseram fazer querer... Eu continuo a acreditar na teoria de que o problema foi a pedra e que esta se refere a fenómenos naturais. Como não acredito em profecias, o melhor que sei fazer é continuar a trabalhar e a escrever regularmente. Para já, e antes de me alargar, quero desejar a todos um Feliz Natal e um próspero Ano Novo, cheio de coisas boas e, acima de tudo, com muita saúde. Voltando atrás, se o mundo acabar muitos dos nossos problemas estão resolvidos e não haverá mais guerra, fome ou desgraças. Mas, descansem as mentes mais inquietas, as grandes potências, Estados Unidos, Rússia, Nações Unidas e, possivelmente, até a China (só que esta não o tornou público) já vieram dizer que tudo não passa de um erro. Afinal, deve mesmo ter sido um problema de falta de espaço! Maldita roda de pedra! No entanto, os dois assuntos que quero abordar apontam para que um fim esteja próximo. Seja lá o que isso significa.... O Governo, finalmente, decidiu dar medalhas a um grupo de estrangeiros. E, para quem não saiba, não residentes vindos do «continente» podem entrar para a Polícia. Leram bem! É assim mesmo! Sinceramente, não sabia que era possível entrar para a Polícia não sendo residente permanente de Macau. Residentes do outro lado da fronteira são aceites como alunos na Escola Superior as Forças de Segurança. Mas afinal, não é necessário ser residente permanente para se aceder a um lugar na Função Pública? Ainda por cima nas Forças de Segurança onde o rigor, acima de tudo, deve ser a pauta dominante. A notícia veio a público, não devido à identidade do aluno, mas porque o mesmo esteve envolvido num caso de roubo, ou tentativa de roubo, a um agente da autoridade, um futuro colega! Sim, continuam a ler bem! Um aluno, que se espera um dia vir a ser polícia e exemplar oficial e baluarte da sociedade, tentou roubar o equipamento (entenda-se arma, cassetete, etc…) a um agente quando este estava a averiguar as causas de um acidente de viação junto da Escola em Coloane. A notícia vinha impressa numa edição recente do Jornal Tribuna de Macau. Aliás, de acordo com o relato, o agente roubado tentou perseguir o cadete, de 30 anos (!), mas este conseguiu desaparecer, tendo mais tarde sido encontrado ferido com gravidade, com cortes de arma branca, num edifício na Areia Preta, depois do segurança do prédio ter alertado as autoridades para o facto. O caso continua envolto em segredo, porque o cadete deu entrada no hospital em estado grave. A Escola reagiu dizendo que vai instaurar um processo disciplinar e averiguar as causas. Não seria caso para, sumariamente, se dizer que estaria fora da Escola e que não estará mais apto a envergar o uniforme policial? Ou será que após o processo disciplinar vai continuar a frequentar o curso e um dia será oficializado agente da autoridade? Cada vez fico mais confuso com a dualidade de critérios em Macau. Alguém me explica porque é que um residente do outro lado da fronteira foi autorizado a frequentar o curso da academia policial que está encarregue de formar os oficiais que, um dia, irão liderar as Forças de Segurança? Hóquei condecorado Finalmente, digo eu! Mas deve ser porque o mundo está para acabar! Já demorava para o Governo da RAEM condecorar o grupo que mais medalhas traz para Macau. Seja ele de origem portuguesa – ou não – o facto é que são os mais medalhados e os que mais títulos internacionais têm no território. É uma justiça que se faz fora de tempo. A medalha e o devido reconhecimento já deveria ter sido feito há muitos anos. E, como defendem os atletas que receberam as medalhas, era preferível ter melhores condições para praticar a modalidade do que a distinção de Santa Sancha. Com melhores condições, os resultados podem melhorar e atingir outros patamares. Se sem recinto próprio conseguem vencer o campeonato asiático anos a fio, imaginem o que seria possível fazer com treinos regulares, competições assíduas e com condições dignas para os atletas. A medalha, que referi num artigo anterior quando venceram o campeonato asiático, foi entregue no passado dia 14 de Dezembro. Parabéns a todos, inclusivamente a quem se lembrou de reconhecer publicamente quem realmente merece. |
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Será que importa mesmo?
![]() HOJE, como estamos quase no fim do ano e a apenas uma edição d’O CLARIM entrar em 2013, vou transcrever uma conversa que tive com uma pessoa amiga e que, tendo vindo de quem veio, me deixa apreensivo acerca do futuro da língua portuguesa em Macau. Não serão citados nomes, como se compreende, nem departamentos governamentais, mas não será muito complicado meter os pontos nos «is». Certo dia, depois de ter participado numa actividade relativa ao recrutamento de funcionários para a máquina administrativa, encontrei um amigo regressado a Macau para umas curtas férias, depois de aqui ter vivido largos anos e ter ocupado lugares de destaque antes de 1999. Conversa puxa conversa, começámos a desenrolar os quês e porquês da língua de Camões em Macau. Dando eu comigo a defender que a língua está melhor agora do que anteriormente, contrapondo o meu interlocutor dizendo que não estava e que, para tal constatar, bastaria ver que tudo quanto é publicado, que possa ser interpretado de diversas formas, tem sempre no final que prevalecer a versão chinesa, mesmo sendo esta, na maior parte das vezes, ou uma tradução, ou tendo como base um texto original em Português. Argumentos que me obrigaram a engolir o sapo e concordar com o ponto do meu amigo. Disse ainda este meu amigo que basta ver como funcionam os serviços e ver que a maioria dos documentos internos são feitos apenas em Chinês, sem que haja qualquer versão em Português. Realidade que justificam com o facto dos documentos não se destinarem a pessoas que não lêem Chinês, portanto, a versão chinesa é suficiente. Pessoalmente, até ao momento, concordava com isto mas, bem vistas as coisas, se as línguas oficiais são duas, segundo o ponto de vista do meu amigo, não deveria tudo ser elaborado em ambas? E – perguntava-me ele – se a situação se inverter? Se for um documento que tenha como destinatário apenas quem lê Português, será que passa sem versão chinesa? Bem vistas as coisas, a verdade é mesmo essa. Quando reclamamos porque não existem versões bilingues vêm logo dizer que não se destina a quem lê Português, pelo que não faz mal. Na realidade, tenho visto muitos portugueses a serem os primeiros a defender essa teoria, deixando passar situações em que deveriam ser os primeiros a exigir que houvesse a versão nas duas línguas oficiais. Recentemente aconteceu-me isso num banco emissor local e não assinei até que viesse a versão em Português. Se não formos nós a defender aquilo que é nosso, mais ninguém o faz, afirmava o meu amigo entre um cigarro e um expresso (ao ar livre, entenda-se, por causa da Lei Anti-tabaco!). Aconselhou-me então a olhar para a jurisdição mais próxima com bilinguismo, Singapura, onde tudo, mas mesmo tudo, é publicado em todas as línguas oficiais (Inglês, Bahasa malaio, Chinês e Tamil). Nem lhes passa pela cabeça publicar, seja o que for do Governo, pelo menos, que não obedeça à Lei. A teoria do meu amigo ia mais longe e culpava, principalmente, a parte portuguesa do Grupo de Ligação por não ter sido capaz de impor uma presença da língua lusa mais forte, tanto no sector público, com o ensino universal em todas as escolas (públicas e privadas que recebem subsídios chorudos do Governo) como mesmo no sector privado. Como exemplo apontava para Hong Kong, onde o Inglês é e sempre foi língua obrigatória desde que os britânicos ali assentaram os pés. Mesmo que os resultados do ensino não sejam brilhantes, a verdade é que quem nasce e vive em Hong Kong sabe o mínimo de Inglês. Em Macau ensina-se Português nas escolas do Governo mas não em todas, dizia, acrescentando ainda que o facilitismo no ensino é tanto que é confrangedor ver os níveis de Português dos alunos das escolas luso-chinesas. No sector privado, nomeadamente nos hotéis, pelo que tinha tido oportunidade de ver desde que chegou, o Português era equivalente a zero em detrimento do Inglês e do Chinês simplificado. Contrapus que sempre assim foi! Ao que ele, felizmente, concordou. Verdade é que se temos Português em Macau, isso em grande parte se deve a Pequim. As autoridades portuguesas nada fizeram para que, pelo menos, a nossa língua ficasse aqui com futuro. Enquanto a Lei Básica reinar, de uma forma ou de outra, o Português continuará a ser residual. Mas, depois de 2049, defendia o meu interlocutor, desaparecerá por completo. Actualmente, de quando em quando, lá aparece um arauto na Assembleia Legislativa, seja ele quem for, que vai argumentando acerca do Português e da necessidade do Governo investir e dar mais atenção à sua divulgação e uso. Mas foram esses mesmos deputados que, por decreto, votaram a não obrigatoriedade do uso de Português nas denominações comerciais logo após a criação da RAEM. Outros ainda insistem, e muito bem, em usar a língua portuguesa mas, para fazerem passar a mensagem, vêm-se obrigados a recorrer sempre ao Chinês. Um exemplo crasso disso foram as recentes LAG, onde os deputados que falam Português foram sempre «obrigados» a expressar-se em Chinês, caso contrário nenhum dos secretários os iria perceber e a mensagem perdia-se. São esses mesmos deputados que defendem o Português, mas depois organizam eventos onde essa língua não consta, como por exemplo o arraial da gastronomia… Muito há que fazer e parece-me, como me dizia o meu amigo, não haver tempo suficiente… |
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Diferenças entre vizinhos
Diferenças entre vizinhos |
O PASSADO fim-de-semana em Hong Kong revelou, mais uma vez, outra das grandes diferenças entre a antiga colónia britânica e este pequeno torrão que já esteve sob Administração Portuguesa. Os cidadãos de Hong Kong, desde que ouviram falar na proposta de Educação Nacional como disciplina obrigatória para as escolas dos seus filhos, uniram-se e vieram para a rua fazer saber ao Executivo local que não estariam dispostos a que houvesse «lavagem cerebral» autorizada aos mais novos, sob o capote de se ensinar os valores da Nação Chinesa. E, quando o Governo não quis ouvir, não tiveram qualquer problema de afrontar Pequim e dizer, alto e bom som, que ali não iriam permitir que os líderes comunistas interferissem com a educação dos mais novos, à semelhança do que acontece do outro lado da fronteira.As comparações com Macau tornam-se inevitáveis, mesmo que aqui ainda não se fale de Educação Nacional. Aliás, penso quem nem sequer se irá levantar essa questão, visto que nas escolas chinesas, desde sempre, se ensinou que o mundo roda em torno da China. E, nas escolas do Governo, a maioria dos professores são da China, ou ali tiveram a sua formação, pelo que estão, desde logo, condicionados. Se ainda houver algumas escolas onde se ensina que a China é mesmo o «Império do Meio», estas devem ser residuais e de pouco peso no plano geral de Educação. À semelhança do Artigo 21, que em Hong Kong trouxe milhões às ruas e não foi aprovado, a Educação de cariz nacional deverá ser um «não problema» em Macau. Por cá, há muito – ou melhor, desde sempre, – que nos habituámos a este «deixa andar». Nunca ninguém se queixa acerca do que nos é imposto pela capital. Tudo o que vem do outro lado das Portas do Cerco é para aceitar, sem abrir a boca. Sejam eles autocarros, que nem na China os querem, ou legislações que nos vão tirando regalias e nos tornando, cada vez mais, meros residentes de qualquer outra cidade chinesa. Os nossos vizinhos de Hong Kong, apesar de não serem perfeitos em termos de defesa dos direitos cívicos e democráticos, podem servir-nos de exemplo. Desde sempre, nunca tiveram problemas em fazer ouvir o que pensam e em lutar pelos seus pontos de vista. De tal modo que, invariavelmente, acabam por fazer prevalecer a vontade popular, por muito que o Executivo insista em impor o seu ponto de vista. Sinceramente, gostaria de ver esta mentalidade em Macau. Ficaria contente em ver os habitantes da RAEM irem para a rua lutar por algo que achem ser seu por direito. Infelizmente, penso que isto nunca irá acontecer. Se estiver enganado, estarei lá. Tirando umas pequenas manifestações no 1º de Maio e uns ajuntamentos em outras datas mais emblemáticas, pouco mais se passa. E, com os cheques que o Governo vai (atempadamente) distribuindo, os ânimos dos mais exaltados acabam por esfriar, pelo menos por um ano... Em Hong Kong, o Executivo tentou a mesma estratégia, doando cheques aos seus residentes, mas o efeito não resultou. Os seus cidadãos – claro está! – não recusaram a dádiva do Governo, mas não se calaram mesmo depois de terem os dólares na conta bancária. Algo que, para os governantes, deve ter sido difícil compreender. Em Macau, estamos numa época em que se começam a falar em derrapagens financeiras em vários projectos. Começam-se a descobrir vários problemas relacionados com esbanjamento de milhões públicos. Talvez fosse uma boa altura para vir para a rua reclamar e pedir para que, de uma vez por todas, ao invés de se desperdiçarem os milhões dos impostos, se elabore uma real política social, com apoios aos mais novos e aos mais carenciados. Isso sim, seria um bom motivo para vir gritar para a Avenida da Praia Grande… |
Serviços de muito má qualidade
Serviços de muito má qualidade |
PARECE que não é só a qualidade vida que começa a piorar em Macau. A cada dia que passa parece também que a qualidade dos serviços prestados, mesmo por grandes marcas, deteriora-se a olhos vistos.O exemplo que vos quero aqui trazer tem a ver com a Siemens, mas pode ser adaptado a qualquer outra marca que, na Europa, temos como sinónimo de qualidade e bom serviço. Trata-se de um esquentador eléctrico, de um modelo que praticamente não existe em Macau, que foi instalado em minha casa, um pouco por capricho. Se soubesse o que sei hoje tinha ido para uma qualquer bagatela chinesa e teria ficado o assunto resolvido. Logo a começar pelo facto de qualquer electricista de «vão de escada» o saber concertar. O que não acontece com este modelo alemão. Aliás, para o instalarem quando era novo teve de ser chamado um técnico da marca, já que o electricista que fez a instalação eléctrica em minha casa nem se atreveu a tentar. Logo ali fiquei com a «pulga atrás da orelha». Não entrando em pormenores, o esquentador funcionou, durante 5 anos, sem qualquer problema. O período de garantia acabou, mas a Siemens sempre se disponibilizou para lhe fazer a manutenção, pelo que quando avariou com um problema no termóstato, resolvi contratar os serviços especializados da marca. Contactei o escritório em Hong Kong e fui muito bem atendido. O problema começou com a empresa concessionária em Macau das reparações da Siemens. Por experiência com outras marcas, trata-se exactamente do mesmo técnico que faz as manutenções das máquinas de lavar Whirpool. No caso, depois de quatro tentativas para me arranjar a máquina de lavar, que tinha sempre problemas diferentes (!), a Whirpool fartou-se de tanta falta de profissionalismo e enviou-me uma máquina nova de Hong Kong. Problema resolvido! Mas voltando ao esquentador: Na primeira visita, seria um problema do controlador da temperatura, tendo sido informado por Hong Kong que iria custar cerca de mil patacas para o substituir, ao que eu concordei. Combinado dia e hora para reparar, isto é, para retirar o controlador e meter o novo, verificou-se que o problema seria do sistema de tubagem interno do esquentador, pois mesmo com o novo controlador no lugar nada funcionava como devia ser. Mais uns dias de espera e outro telefonema de Hong Kong, porque me recuso a falar com a empresa de Macau, visto serem extremamente mal educados ao telefone. Acertou-se outro dia para substituir a tubagem do esquentador, uma espécie de serpentina de plástico por onde a água passa. Na segunda visita, o dito técnico, já visivelmente com «cara de poucos amigos» e eu com pouca disposição para o aturar, chega ao local com um mecanismo completo do esquentador dentro de uma caixa ainda selada. E, pensando eu que iria tirar o mecanismo velho e colocar o novo, fiquei de boca aberta vendo que apenas ia tirando peças do novo para as substituir no velho. Depois do demorado processo, e da quase totalidade das peças mudadas e eu sem perceber porque não tinha substituído todo o módulo, nada funcionava, novamente! Ao telefone, já comigo no meu local de trabalho, explicaram-me que afinal a culpa era da canalização da água, que estava a entrar por onde deveria sair. Ao que eu perguntei, como tinha o esquentador funcionado durante mais de cinco anos? E, tendo sido a Siemens quem o instalou, como seria possível que tivessem trocado os canos? Tudo isto ficou sem resposta! Eu continuo com água fria mas, felizmente, é Verão! Agora espero que a Siemens me contacte, porque ao «técnico» disse-lhe para arrumar a trouxa e voltar para o sítio de onde tinha vindo, deixando o esquentador da forma como o encontrou. Entretanto, fui ver o que se passava e, mesmo não sendo técnico, reparei que o problema era mesmo um cabo eléctrico que tinha sido ligado no local errado, não dando energia à bomba interna do esquentador para fazer circular a água quente e que, ao mesmo tempo, liga a resistência para aquecer a água. Da Siemens, em Macau ou Hong Kong, continuo à espera que alguém se digne a telefonar para explicar o que se passou. Da próxima vez, gastarei menos dinheiro e compro uma coisa qualquer feita na China! |
Asneiras pagas com milhões
Asneiras pagas com milhões |
A MAIS recente guerra entre a Apple e a Samsung, à volta de questões relacionadas com patentes de aparência duvidosa e que poucos entendem, faz-me lembrar o que se passa na Assembleia Legislativa aqui da terra.Portanto, e tal como a Apple e a rival coreana, gritam, gesticulam, mas, no fim, acabam por receber dos dois lados. O mesmo se passa com os gigantes dos telefones. Não nos esqueçamos que a Samsung é a maior fornecedora de «microships» e «displays» da Apple, assim como muitos dos deputados têm negócios com o Executivo. Fong Chi Keong, deputado que se tem destacado pela má educação e falta de carácter para estar sentado na Assembleia Legislativa, parece que tem tudo controlado no seio do Governo e ninguém lhe toca. O Governo, esse, parece que perdeu mesmo o decoro e anunciou publicamente que tinha adjudicado, sem concurso público, a uma empresa de Fong Chi Keong, a Man Kan, a renovação do edifício dos Secretários do Executivo, no valor de milhões de patacas. Um anúncio feito como se tratasse do mais natural dos procedimentos. Afinal, vale a pena ser mal educado e chamar nomes a tudo e a todos, especialmente na AL. No seguimento deste escândalo, enquanto trocava impressões com um colega sobre a figura em causa, fiquei a saber que, em tempos e antes de ser deputado, Fong Chi Keong era uma pessoa afável e de bom trato. Mas, segundo esse meu colega, a personagem parece que mudou do dia para a noite depois de ter sido nomeado deputado. Ao que eu acrescentei, mudou ou terá vindo ao de cima o que realmente sempre foi? A bem da verdade, estou-me nas tintas se o Governo dá o dinheiro ao deputado Fong, ou a outro amigo qualquer. Tanto me faz, como se me fez, como se costuma dizer na gíria. A mim não dará de certeza, porque não tenho lá amigos. Agora, que os deputados não se saibam comportar como gente civilizada em plenário, deixa-me triste, porque a imagem que fica para o exterior é de que somos todos uma cambada de analfabetos, burros e iletrados. Uns labregos, recorrendo novamente à gíria. O que, em abono da verdade, não fica muito longe da verdade, no cômputo total da sociedade. Ainda assim, uma grande parte, onde me incluiu eu e o caro leitor, ficaria mal vista, porque se esforça no dia-a-dia para dar o seu melhor para o desenvolvimento desta terra, e para que a sua imagem além fronteiras seja mais do que apenas casinos, prostitutas, seitas e incompetência a gerir o trânsito. Ao passarmos os olhos pelo que se escreve na Imprensa internacional, acerca de Macau, apenas encontramos assuntos relacionados, ora com a criminalidade, ora com casinos, prostitutas e escândalos financeiros. E, se nos dedicarmos a ler relatos de visitantes em «blogs» pessoais encontramos queixas sobre o mau funcionamento dos serviços de transportes, da corrupção endémica, da falta de qualidade dos trabalhadores do sector da restauração e da falta de qualidade generalizada dos serviços prestados. Se dão milhões à empresa do deputado depois deste dizer umas asneiras em plenário, que mais se pode esperar!? Não espero que isto mude, porque – como sabemos – tal nunca irá acontecer, enquanto continuarem a existir empresários sentados nas cadeiras da AL. Isto é, enquanto não houver uma profissionalização e um quadro legislativo de incompatibilidades para os deputados; o mesmo devendo também ser aplicado aos dirigentes de toda a equipa governativa. A concluir, lembram-se que foi anunciado mais um gabinete para coadjuvar Chui Sai On nas questões internacionais, certo? Sabem que a esposa dele tem interesses na organização de eventos, certo? Esperem para ver no que isto vai dar... |
Esbanja-se muito na Saúde
Esbanja-se muito na Saúde |
NA Imprensa local falava-se, recentemente, nos milhões gastos na Saúde e do quanto tem ido parar ao Kiang Wu – ou seja, ao hospital privado – e a outras instituições.Numa cidade como a de Macau, onde abundam milhões para dar aos amigos e distribuir pelos mais variados sectores, o serviço de Saúde do Governo continua a ser uma «porcaria». No entanto, há verbas para esbanjar com o sector privado, suportando, muitas vezes, serviços que nada trazem de valor acrescentado para a população em geral. Há aqui algo de muito errado! Se há dinheiro para suportar as extravagâncias dos amigos do privado (não esquecer que o presente Chefe do Executivo foi durante anos presidente da associação que detém o Kiang Wu e a sua família tem ali muitos interesses), por que não há dinheiro e capacidade para repor a qualidade no Centro Hospitalar Conde de São Januário? Quando cheguei a Macau, há alguns anos, o CHCSJ era uma unidade de Saúde de referência na Ásia e destino de visitas de vários especialistas, nomeadamente do Japão e de Singapura, locais que agora gozam de excelente qualidade de cuidados de Saúde, tanto no sector privado, como no público. Algo que, quando perguntado aos responsáveis desses países, dizem ser, de alguma forma, inspirado no que viram e aprenderem em Macau antes da transferência de soberania. Não consigo entender (até consigo mas não posso afirmar nestas páginas!) como é que o sistema de Saúde do território chegou ao estado em que está. Ainda por cima, quando se entregam, de mão beijada, milhões às associações e aos operadores do sector privado. Os responsáveis continuam a dizer que não conseguem recrutar médicos e enfermeiros em Portugal para reforçar os quadros clínicos. Eu, não sendo especialista em recrutamento, caso queiram, consigo dar-lhes contactos de médicos e enfermeiros disponíveis para virem para Macau se lhes pagarem condignamente. Aliás, os pagamentos e condições dignas devem ser oferecidas a todos os profissionais, a começar pelos que já aqui estão estabelecidos há vários anos. Não sou contra o sector privado na Saúde, mas acredito que este deve apenas complementar o público. Só assim compreendo que o Governo dê, de mão beijada, milhões aos operadores privados. Esse dinheiro apenas deve ser disponibilizado depois de se assegurar que tudo foi feito para garantir no público o fornecimento de serviços da mais alta qualidade. Se o sector do Estado não consegue oferecer serviços de qualidade, o sector privado deve continuar a sobreviver com as suas próprias verbas e não com dinheiros que deviam ser investidos no desenvolvimento e aperfeiçoamento dos serviços públicos. Macau tendo, felizmente, tanta abundância de verbas, deve ser capaz de repor a qualidade dos serviços que havia anteriormente. Tanto mais que, antes de 1999, a abundância de dinheiros públicos nunca atingiu os valores que hoje conhecemos. Se era possível, perante as restrições orçamentais pré-RAEM, manter um sistema de saúde público de qualidade, por que razão numa época de abundância de dinheiro continuamos a ser martirizados com serviços de Saúde de baixa qualidade? O nível profissional de grande parte dos clínicos não está aqui em questão. O grande problema parece ser mesmo a falta de profissionais e uma grande falta de capacidade da sua gestão. Problemas que a injecção de dinheiro pode ajudar a resolver em várias vertentes. Se há falta de mão-de-obra, contratem-se mais trabalhadores! Se há falta de capacidade de gestão, procurem-se profissionais capazes da sua execução em Macau ou no exterior! Pagar aos privados para fazerem o trabalho que cabe ao Governo é que não me parece ser o caminho a seguir, se se quer garantir, a longo termo, serviços de Saúde universais de qualidade. |
«Mãe África»
«Mãe África» |
SE me perguntarem o que senti na minha primeira viagem a África, a resposta será um imensurável prazer de liberdade e uma sensação de espaço infinita. A paisagem, mesmo antes de pisar a terra, é de tal forma vasta e avassaladora que nos faz sentir como se estivéssemos chegado a «casa» e fossemos recebidos de braços abertos.Possivelmente quem ali viveu sabe do que falo melhor do que eu. O vermelho da terra, o pôr-do-sol penetrante, a poeira amarelada que cobre tudo, como um manto que aconchega a criança numa noite de frio. Tudo isto, juntamente com o calor humano que se encontra, faz da experiência algo difícil de esquecer e, acima de tudo, profundamente marcante. Por muito que tente encontrar uma forma simples de explicar o que senti, e que ainda sinto (mesmo agora estando a continuar a escrever esta crónica já sentado no banco do avião num voo de 12 horas e a 36 mil pés de altitude algures sobre o Índico), apenas consigo dizer que é um sentimento algo materno, como aqueles sentimentos que ligam mães e filhos (mais do que aos pais), mesmo que separados à nascença. Um cordão umbilical que apenas encontra explicação e razão nos especialistas que defendem ser África o «Berço da Humanidade». A «Mãe África» que deu origem a toda a raça humana que, a partir desses planaltos imensos, partiu para popular o mundo. A minha primeira experiência de África foi Moçambique. Uma estadia de quatro dias que me fez visitar a capital Maputo, antiga Lourenço Marques, e a distante Lichinga (antiga Vila Cabral), lá perto desse grande lago que é o Niassa (disseram-me que o terceiro maior de África, mas que a mim me pareceu um oceano), que aos nossos exploradores mais deve ter parecido o mar, mas com água doce. Maputo, todos nós já ouvimos falar e vimos imagens na televisão. É uma cidade, capital, como muitas outras, onde nada falta e onde a toda a hora se encontra um mundo de gente com todos os problemas que isso traz. Já Lichinga é «África»! Terra vermelha, pó quando o vento levanta, muita chuva quando os deuses assim o decidem, casario térreo (o 24, o prédio mais alto da cidade, tem apenas quatro andares!) e ruas geometricamente traçadas desde que os portugueses ali decidiram «fazer» uma vila. À volta existem hoje muitas aldeias que, a pouco e pouco, vão passando a ser parte da cidade e a ver as suas palhotas substituídas por casas de alvenaria. Lichinga é a capital da província do Niassa, a maior de todo o País e também a mais isolada. Pelo que ouvi do presidente do Conselho Municipal, Lichinga é a única capital provincial que não tem ligação por estrada com a capital. Existe, porém, ligação aérea e, em breve, frequentes e fiáveis viagens de comboio. No entanto, pegando nas palavras do presidente do Conselho Municipal, para desenvolver o potencial da província é essencial haver um cordão umbilical rodoviário à capital para escoar os produtos e pessoas. Mas não me quero perder em descrições dos problemas burocráticos do Niassa. O meu propósito é mesmo falar-vos da «minha» África. São sentimentos de uma primeira experiência, provavelmente como os amores de criança, apesar de quase todos os que se aperceberam disso me dizerem que ficará para toda a vida. «Não há amor como o primeiro» disse sem conta um dos amigos que fiz por ali nesta deslocação oficial. Confesso que, mesmo sem antes ter ido a Moçambique, já me sentia apaixonado pela terra através das estórias contadas pelo meu pai e das experiências que ali viveu ao longo de vários anos e que me habituei a ouvir desde que me lembro de ser gente. Desde tenra idade que sei que tinha de ser algo de muito especial porque, até hoje, guarda lá amizades que não vê há décadas, mas que o tempo não enfraqueceu. Isso tive a oportunidade de viver na última noite em que fiquei no hotel Avenida. Ao chegar de ver o Benfica perder com o Barcelona, (apesar de ser simpatizante dos encarnados deu-me algum prazer a derrota, porque esta trouxe umas bombas de gasolina da GALP para Lichinga, resultado de uma aposta de teimosia que tinha sido feita na brincadeira por um alto dirigente da GALP, na presença de todos nós, com o antigo governador do Niassa) alguém me interpelou na entrada do hotel, sem nunca me ter visto ou falado, mas sabia perfeitamente quem eu era. Pois, segundo me disse, era a cara do meu pai há 40 anos. Um senhor que eu nunca tinha visto e que me recebeu como fosse seu filho, pois via em mim o amigo que não encontrava há décadas. Falta dizer que nessa última noite não dormi. Ficámos horas no bar do hotel a falar, ou melhor, eu a ouvir estórias de tempos passados, contadas como se tivesse sido eu um dos intervenientes e delas me tivesse esquecido. Era o outro eu, só que há quarenta anos! Sinceramente, agora regressado e com tempo de pensar em tudo o que vivi em quatro dias, não me admiro de me ter sentido em casa no leito da «Mãe África» e no caloroso abraço dos nossos irmãos. |






QUE tal chegarmos a um local para comer e apreciar a vista junto a um dos mais idílicos locais nas Caraíbas e nos dizerem, com um sorriso na cara, que somos o primeiro português a visitar o estabelecimento?





O PASSADO fim-de-semana em Hong Kong revelou, mais uma vez, outra das grandes diferenças entre a antiga colónia britânica e este pequeno torrão que já esteve sob Administração Portuguesa. Os cidadãos de Hong Kong, desde que ouviram falar na proposta de Educação Nacional como disciplina obrigatória para as escolas dos seus filhos, uniram-se e vieram para a rua fazer saber ao Executivo local que não estariam dispostos a que houvesse «lavagem cerebral» autorizada aos mais novos, sob o capote de se ensinar os valores da Nação Chinesa. E, quando o Governo não quis ouvir, não tiveram qualquer problema de afrontar Pequim e dizer, alto e bom som, que ali não iriam permitir que os líderes comunistas interferissem com a educação dos mais novos, à semelhança do que acontece do outro lado da fronteira.
PARECE que não é só a qualidade vida que começa a piorar em Macau. A cada dia que passa parece também que a qualidade dos serviços prestados, mesmo por grandes marcas, deteriora-se a olhos vistos.
A MAIS recente guerra entre a Apple e a Samsung, à volta de questões relacionadas com patentes de aparência duvidosa e que poucos entendem, faz-me lembrar o que se passa na Assembleia Legislativa aqui da terra.
NA Imprensa local falava-se, recentemente, nos milhões gastos na Saúde e do quanto tem ido parar ao Kiang Wu – ou seja, ao hospital privado – e a outras instituições.
SE me perguntarem o que senti na minha primeira viagem a África, a resposta será um imensurável prazer de liberdade e uma sensação de espaço infinita. A paisagem, mesmo antes de pisar a terra, é de tal forma vasta e avassaladora que nos faz sentir como se estivéssemos chegado a «casa» e fossemos recebidos de braços abertos.