ESTAS últimas semanas tenho tentado, seriamente, encontrar assuntos que possam ser abordados pelo lado positivo. Mas, no entanto, a minha procura tem sido algo inglória. Até parece que em Macau nada se faz que mereça ser enaltecido. Na verdade, não é bem assim.
Há associações e pessoas que se dedicam, diariamente, a fazer coisas positivas e a contribuir para o bem da sociedade. Regra geral, todas as associações de beneficência têm obra que merece ser enaltecida por todos nós. Se não fossem elas, muito do trabalho de apoio aos mais desfavorecidos ficaria a cargo do Governo, com todas as implicações que isso traz e que são do conhecimento público. Este tipo de parceria público-privada, em Macau, funciona positivamente e parece ser a indicada, desde que continue a haver dinheiro nos cofres de Santa Sancha. Pelo que me dizem, o único aspecto que falha é a falta de pontualidade do Governo, que demora em aprovar os apoios financeiros, deixando essas entidades a funcionar com duodécimos e obrigando-as a não pagar aos seus fornecedores. Felizmente, como em Macau já todos sabem como funciona o «Estado», esses fornecedores vão tendo paciência e aguentam o barco, enquanto o dinheiro não chega. Outro dos aspectos menos positivos deste «casamento» é a falta de critérios justos na atribuição das verbas, havendo associações que recebem exageradamente, tendo em conta as actividades e trabalho que fazem, enquanto que outras, pelo contrário, fazem muito com pouco.
Em termos organizativos, e mesmo para a tranquilidade de quem trabalha, não seria tudo mais fácil, se o Governo garantisse, desde logo, os apoios a essas instituições no início, ou no final do ano, tendo em vista o planeamento do seguinte? Assim as associações e instituições de solidariedade poderiam programar as suas actividades sem qualquer tipo de constrangimentos, facilitando a vida a todos os envolvidos.
A verdade é que em Macau há associações para tudo e mais alguma coisa. Esta explosão de colectividades deve ter sido provocada pela abertura dos cordões da bolsa dos subsídios por parte do Governo. Não estou ciente de números certos, mas, sem errar muito, devem existir mais de dez mil instituições, com figura jurídica de associação sem fins lucrativos, a receber subsídios do Governo anualmente. Este fluxo constante de dinheiro, aliado ao tipo de processo eleitoral adoptado para a Assembleia Legislativa, que dá prioridade a deputados eleitos indirectamente em representação de grupos profissionais e interesses associativos, pode muito bem estar por detrás deste crescente número de grupos organizados.
Não seria negativo, se todas as associações apresentassem trabalho. No entanto, e contribuindo cada vez mais para a má imagem que o «associativismo» começa a ter em Macau, há muitas que recebem verbas apenas para organizar festas ou publicar panfletos, ou apenas para pagar as contas correntes.
Basta ver as listas de apoio publicadas em Boletim Oficial, para constatar que algumas recebem até centenas de milhar de patacas por ano para publicarem uma revista! Será uma revista feita em papel especial? Duvido…
O associativismo, na minha opinião, está intimamente relacionado com a coesão da sociedade, mas também com o grau de satisfação que os cidadãos sentem, relativamente à qualidade de vida que usufruem. Se consideram que a qualidade de vida é boa, tende a crescer o número de agregados identificados com actividades lúdicas e de lazer, nomeadamente associações desportivas. Se, pelo contrário, o simples cidadão se sente pouco satisfeito com a sua qualidade de vida, surgem cada vez mais associações com o objectivo de proteger os interesses de classe, nomeadamente instituições que lutam pelos interesses de um bairro, ou de um grupo étnico ou profissional específico.
Para ser justo para com todas as associações, a distribuição das verbas do Governo deve, antes de mais, olhar ao plano de actividades e à totalidade do que foi realizado no ano anterior. Até agora, muitas das críticas da população vão de encontro à falta de critérios na atribuição dos subsídios, ouvindo-se amiúde que o Governo dá mais aos grupos constituídos pelos amigos, deixando de fora associações que fazem muito trabalho em prol dos mais desfavorecidos.
Não me atrevo a aconselhar que o Governo deveria criar uma comissão para estudar esta problemática, porque esse é outro dos problemas deste Executivo: comissões para tudo e mais alguma coisa. Mas, no entanto, algo tem de ser feito, para que as injustiças terminem e as verbas públicas comecem a ir para quem realmente precisa delas. Ver os relatórios de actividades anuais pode ser um bom indicativo (se bem que não seja apenas esse o critério) para se saber quem faz o quê com o dinheiro recebido!
Recentemente foi criada mais uma associação de cariz lusófono e que agrega desde cultura, arte e economia! Polivalente e abrangente quanto baste! Daqui a um ano vou querer ver o que foi feito e de onde veio o dinheiro.
Agora, antes de terminar, gostaria de deixar aqui um lamento: tendo-se passado recentemente 20 anos do desaparecimento daquele que é considerado como o «expoente» máximo da comunidade macaense, foi pena que o antigo presidente da Assembleia Legislativa e homem das leis durante muitos anos, Carlos d’Assumpção, nem uma palavra tenha merecido por parte do actual Executivo de Macau. Nem sequer na Assembleia Legislativa que ajudou a criar!
SINCERAMENTE já começa a fartar o tanto atirar areia para os olhos de quem quer ver. O que se apregoa raramente tem reflexos na realidade e só não vê quem não quer.
EM Macau habituámo-nos a ouvir dos dirigentes do Governo as mais sérias barbaridades, sem que ninguém venha a público dizer que estão enganados e os chame à responsabilidade pelos erros cometidos.
RECENTEMENTE, ao ler um artigo publicado por uma advogada brasileira, fiquei com a impressão de ver aí retratada a sociedade de Macau. Quando me dediquei a digerir o que tinha acabado de ler, lembrei-me de afirmações de Carlos Morais José, feitas recentemente, acerca da infantilização da sociedade e dos benefícios que isso traz para as camadas governantes. Em Macau é conveniente ter-se uma sociedade infantil, pois assim ela pode ser manipulada e moldada de forma a que aceite tudo o que o Governo decida.
A SITUAÇÀO dos transportes públicos está a atingir um ponto de não retorno em Macau. Os acidentes sucedem-se em catadupa e o Governo parece ser incapaz de meter mão no problema para o resolver de uma vez por todas. O congestionamento continua a agravar-se de dia para dia e, perante a eventualidade de vir a ser permitida a entrada livre de carros vindos do outro lado da fronteira, o futuro apresenta-se bastante negro para o território.
JÁ deixei de fumar a tempo inteiro há alguns anos; no entanto, ainda considero que as leis antitabaco são uma afronta à liberdade de cada um. Se proíbem as pessoas de fumar em locais abertos, como parques e jardins, porque não proíbem também de respirar ou de comer ou de andar?
NOS últimos tempos têm surgido no território vários sinais de trânsito com caracteres chineses, indo contra o estipulado internacionalmente nas leis e nas convenções internacionais. Recorde-se que Macau é membro de livre vontade dessas mesmas convenções e que elas regulam toda a sinalética e regras de gestão da circulação automóvel, nomeadamente a Convenção sobre Trânsito Rodoviário, feita em Genebra, em 19 de Setembro de 1949.
Esta semana o texto foi escrito a dois tempos. Mais parece que estava a adivinhar que iria escrever de música, mais concretamente do saudoso Clube de Jazz de Macau (CJM) que, após oito anos de ter «fechado» portas, ressurge agora com uma sessão promocional na Casa Garden. É amanhã, às dez da noite. Quem se deslocar ali para os lados do Jardim Camões será brindado com excelente música da antiga banda residente do CJM, os The Bridge, com algumas imagens sobre a história do clube e dos festivais internacionais que organizou desde Julho de 1985 e com uma «jam session» de artistas convidados.
A SEMANA anterior foi dominada pelo incidente que envolveu a Companhia de Telecomunicações de Macau. Uma falha no serviço de comunicações, que deixou milhares de pessoas sem qualquer tipo de acesso à «Internet» ou ao serviço móvel de telecomunicações. Pessoalmente, a falha não poderia ter vindo em pior altura e até parece ter sido propositada. Aconteceu exactamente quando tinha agendada uma conferência telefónica com pessoas em Angola. Felizmente, tudo se resolveu com a boa compreensão do outro lado da linha, quando finalmente foi possível fazer uma chamada telefónica.
FINALMENTE entrámos a sério do mês de Fevereiro e com ele devem ter acabado as férias e festas que marcaram Janeiro e que nos fizeram perder a paciência com tanto turista e tanta falta de consideração pelo local visitado e pela sua cultura e costumes. Estava tentado a escrever os meses com letra minúscula, como manda o novo Acordo Ortográfico, mas como Macau ainda não aderiu e como eu sou completamente contra, vamos ficar pelas maiúsculas!
RECENTEMENTE tive a triste notícia da morte de um amigo. Uma pessoa que, por motivos puramente comerciais, tive a oportunidade de conhecer e que, ao longo dos anos, se transformou naquela personagem que está sempre presente. Que não se imagina noutro local que não seja o seu espaço de trabalho, sempre com um sorriso na cara, um aperto de mão firme e palavras de boas vindas. Bem disposto, afável e, acima de tudo, sempre muito sincero. Tão sincero, que muitas vezes prejudicou o seu negócio, só porque considerava que o produto que queríamos comprar não combinava connosco. A minha esposa nunca irá esquecer que ele não a deixou comprar nada em jade, porque o jade é para «malta velha»! São negociantes destes que deixam saudades e que passam a barreira da amizade.
ANTES de mais, Kung Hei Fat Choi para todos os leitores d’O CLARIM e para todos os meus amigos. Espero que o Dragão nos traga muita saúde e prosperidade e que seja um ano de mais avanços do que recuos, em todos os campos das nossas vidas.
MUITOS de nós já passamos pela «aventura» de apanhar um táxi em Macau. No entanto, apesar de tal ser cada vez mais difícil, torna-se ainda mais incrível na época dos tufões. As queixas de abusos nas tarifas são mais do que muitas e a DSAT desdobra-se em desculpas, reafirmando que tudo faz para combater o problema. Confesso não acreditar no que dizem e considero que mais valia estarem calados, do que dizerem sempre o mesmo. Desculpem ser tão directo!
POIS é! Chegámos a 2012 e pouco ou nada parece ter mudado no panorama de Macau. Continuamos a viver o dia-a-dia sem grandes perspectivas de futuro e, pelo menos, também não receamos que a qualidade de vida piore muito mais, como acontece um pouco por toda a Europa. Fora disso, os dias com frio continuam e o Ano Novo Chinês (do Dragão) está à porta.
TODOS os anos o mesmo ritual... As ruas iluminam-se, o tempo arrefece e, como que por magia, todos se conhecem e se tornam mais amáveis, distribuindo os cumprimentos e sorrisos que durante o ano mantiveram escondidos numa gaveta esquecida, mas que agora vêem a luz do dia.