O CLIMA que se tem sentido nas últimas semanas parece ter causado alguns danos no estado psíquico dos residentes de Macau e, muito em particular, das nossas autoridades. Um prolongado capacete – como se chama por aqui a este período de humidade e neblina que cobre o território como um manto espesso e pesado durante esta altura do ano – tem levado os mais afortunados a antecipar férias e a «fugir» para latitudes mais favoráveis para descansar ao sol, onde podem recuperar emocional e fisicamente.
Quem por aqui fica vê-se «obrigado» a viver num ambiente pesado, pouco animado e que deixa qualquer um de nós cansado, mesmo antes de sair de casa.
Este é um sentimento que atinge a todos, parecendo não ter solução à vista. Até os animais parecem molengões e pouco dados a actividades que lhes consumiriam mais energia do que aquela que precisam para fazer as tarefas indispensáveis à sua sobrevivência. Se fossem pessoas, chamavam-lhes preguiçosos; visto tratar-se de animais, será mais correcto dizer que agem como a sua natureza lhes indica…
Julgo, porém, que é mesmo preguiçoso; e muito mais me apetece chamar ao agente da polícia que não tomou as devidas providências, quando presenciou um crime junto dos edifícios da Nova Taipa. Quando balões de água foram atirados de um dos prédios e destruíram propriedade na via pública, de acordo com o que veio a lume na Comunicação Social, o elemento das forças de segurança nada fez, mesmo perante a insistência dos populares, desculpando-se que não tinha mandato para o efeito! Afinal, para que serve andar fardado, se nem sequer pode tocar à campainha para pedir informações?
Digamos que, nos últimos tempos, a polícia do território parece andar na mira da população. Antes deste caso, um outro, relativo ao facto de um agente da autoridade não saber da ilegalidade da cobrança das famosas taxas de pagamentos com cartões de crédito, foi também alvo de críticas.
É inacreditável que exista tanta falta de inteligência nos jovens agentes do corpo da polícia de Macau! Mais parece burrice! Mas esse termo não pode aqui ser usado. Um polícia, que deve ser preparado e saber, antes de mais, a legislação do Governo que jurou servir, não pode andar na rua, se não estiver apto a responder às solicitações dos cidadãos.
Cada vez assume mais forma o que se houve à boca pequena: que hoje em dia vai para a polícia quem não consegue arranjar outro emprego no Governo ou nos casinos! Isto é, se não é bom para mais nada, há sempre esta solução, visto haver falta de efectivos. É pena, porque a corporação é constituída, na sua maioria, por excelentes indivíduos e tinha, até há poucos anos, uma imagem que transpirava competência e saber. Nos últimos anos, com a entrada de fornadas de mancebos, a qualidade é o que se vê nas ruas.
Felizmente, a polícia de Macau, mesmo assim, nas suas chefias e cargos mais elevados, é composta por pessoas cultas e bem formadas. Porém, o facto de haver alguns elementos que não estão minimamente preparados para usar a farda faz com que toda a corporação fique denegrida. As últimas aulas parecem ter sido bastante produtivas, a julgar pela juventude fardada e sem qualquer preparação para serem agentes.
A juntar ao facto dos agentes não conhecerem a Lei, mais concretamente no caso dos cartões de crédito, tenho ainda que realçar outro aspecto negativo. A tentativa – de acordo com o que foi relatado na Imprensa – de encobrir a falta de preparação do agente, quando o cidadão tentou apresentar queixa, leva a crer que existe um conluio de classe, procurando encobrir os erros dos colegas. Será que isto deve ser tolerado?
Se há falta de formação, tal não deve servir de desculpa para os agentes continuarem a prestar um mau serviço. E, por outro lado, os agentes que tentam proteger os que têm prestações menos positivas deviam ser chamados à responsabilidade, tanto civil como criminal. Ninguém está acima da Lei e a sociedade de Macau deve ser regida de acordo com os códigos legais que a todos obrigam ao cumprimento de regras. No caso de dúvidas no processo, basta irem procurar as gravações de áudio e vídeo das esquadras envolvidas (devem existir, presumo).
Tenho conhecimento que ambos os casos, o do cartão de crédito e o dos balões de água, deram entrada na polícia e que, em ambos, houve referência à falta de profissionalismo dos agentes envolvidos. Agora, como residente de Macau, espero que o resultado do inquérito seja tornado público, pois a população tem o direito de saber como se processam estes casos, que envolvem falta de qualidade de quem tem por obrigação proteger os direitos e a segurança dos residentes locais.
Não se trata de uma perseguição aos agentes de autoridade. É apenas uma exigência de um serviço de qualidade, assim como nos exigem o cumprimento da Lei e o respeito das regras de bom comportamento numa sociedade de direito.
Se aos cidadãos exigem que sigam regras e que cumpram o que está estipulado na Lei, também o mero cidadão tem de exigir que as autoridades sigam e se guiem pelas mesmas leis e por um código de conduta que seja recto e claro. E, acima de tudo, que seja íntegro e respeitador dos direitos de todos os residentes de Macau.
O facto de virem, há umas semanas, anunciar que o valor das multas emitidas aumentou exponencialmente, em nada abona para a imagem da autoridade. Sinceramente, gostaria de saber que multas aumentaram mais e em que é que estas contribuem para a melhoria da segurança na estrada no território, em geral.
A SITUAÇÀO dos transportes públicos está a atingir um ponto de não retorno em Macau. Os acidentes sucedem-se em catadupa e o Governo parece ser incapaz de meter mão no problema para o resolver de uma vez por todas. O congestionamento continua a agravar-se de dia para dia e, perante a eventualidade de vir a ser permitida a entrada livre de carros vindos do outro lado da fronteira, o futuro apresenta-se bastante negro para o território.
JÁ deixei de fumar a tempo inteiro há alguns anos; no entanto, ainda considero que as leis antitabaco são uma afronta à liberdade de cada um. Se proíbem as pessoas de fumar em locais abertos, como parques e jardins, porque não proíbem também de respirar ou de comer ou de andar?
NOS últimos tempos têm surgido no território vários sinais de trânsito com caracteres chineses, indo contra o estipulado internacionalmente nas leis e nas convenções internacionais. Recorde-se que Macau é membro de livre vontade dessas mesmas convenções e que elas regulam toda a sinalética e regras de gestão da circulação automóvel, nomeadamente a Convenção sobre Trânsito Rodoviário, feita em Genebra, em 19 de Setembro de 1949.
Esta semana o texto foi escrito a dois tempos. Mais parece que estava a adivinhar que iria escrever de música, mais concretamente do saudoso Clube de Jazz de Macau (CJM) que, após oito anos de ter «fechado» portas, ressurge agora com uma sessão promocional na Casa Garden. É amanhã, às dez da noite. Quem se deslocar ali para os lados do Jardim Camões será brindado com excelente música da antiga banda residente do CJM, os The Bridge, com algumas imagens sobre a história do clube e dos festivais internacionais que organizou desde Julho de 1985 e com uma «jam session» de artistas convidados.
A SEMANA anterior foi dominada pelo incidente que envolveu a Companhia de Telecomunicações de Macau. Uma falha no serviço de comunicações, que deixou milhares de pessoas sem qualquer tipo de acesso à «Internet» ou ao serviço móvel de telecomunicações. Pessoalmente, a falha não poderia ter vindo em pior altura e até parece ter sido propositada. Aconteceu exactamente quando tinha agendada uma conferência telefónica com pessoas em Angola. Felizmente, tudo se resolveu com a boa compreensão do outro lado da linha, quando finalmente foi possível fazer uma chamada telefónica.
FINALMENTE entrámos a sério do mês de Fevereiro e com ele devem ter acabado as férias e festas que marcaram Janeiro e que nos fizeram perder a paciência com tanto turista e tanta falta de consideração pelo local visitado e pela sua cultura e costumes. Estava tentado a escrever os meses com letra minúscula, como manda o novo Acordo Ortográfico, mas como Macau ainda não aderiu e como eu sou completamente contra, vamos ficar pelas maiúsculas!
RECENTEMENTE tive a triste notícia da morte de um amigo. Uma pessoa que, por motivos puramente comerciais, tive a oportunidade de conhecer e que, ao longo dos anos, se transformou naquela personagem que está sempre presente. Que não se imagina noutro local que não seja o seu espaço de trabalho, sempre com um sorriso na cara, um aperto de mão firme e palavras de boas vindas. Bem disposto, afável e, acima de tudo, sempre muito sincero. Tão sincero, que muitas vezes prejudicou o seu negócio, só porque considerava que o produto que queríamos comprar não combinava connosco. A minha esposa nunca irá esquecer que ele não a deixou comprar nada em jade, porque o jade é para «malta velha»! São negociantes destes que deixam saudades e que passam a barreira da amizade.
ANTES de mais, Kung Hei Fat Choi para todos os leitores d’O CLARIM e para todos os meus amigos. Espero que o Dragão nos traga muita saúde e prosperidade e que seja um ano de mais avanços do que recuos, em todos os campos das nossas vidas.
MUITOS de nós já passamos pela «aventura» de apanhar um táxi em Macau. No entanto, apesar de tal ser cada vez mais difícil, torna-se ainda mais incrível na época dos tufões. As queixas de abusos nas tarifas são mais do que muitas e a DSAT desdobra-se em desculpas, reafirmando que tudo faz para combater o problema. Confesso não acreditar no que dizem e considero que mais valia estarem calados, do que dizerem sempre o mesmo. Desculpem ser tão directo!
POIS é! Chegámos a 2012 e pouco ou nada parece ter mudado no panorama de Macau. Continuamos a viver o dia-a-dia sem grandes perspectivas de futuro e, pelo menos, também não receamos que a qualidade de vida piore muito mais, como acontece um pouco por toda a Europa. Fora disso, os dias com frio continuam e o Ano Novo Chinês (do Dragão) está à porta.
TODOS os anos o mesmo ritual... As ruas iluminam-se, o tempo arrefece e, como que por magia, todos se conhecem e se tornam mais amáveis, distribuindo os cumprimentos e sorrisos que durante o ano mantiveram escondidos numa gaveta esquecida, mas que agora vêem a luz do dia.
HÁ situações em Macau muito difíceis de entender. No último dia de apresentação das Linhas de Acção Governativa, em resposta às críticas dos deputados, relativamente à falta de qualidade das ligações à Internet no território, o responsável pelo Serviço de Regulação de Telecomunicações (DSRT) afirmou que a falta de concorrência no mercado local é o factor principal dessa baixa qualidade, e esta a óbvia razão que fez o Governo decidir avançar com o programa de Internet livre em vários locais da cidade. «Devido à falta de concorrência, as tarifas não correspondem às aspirações dos utentes. Por isso o Governo instalou o sistema Wi-fi Go», anunciou Tou Veng Keong.
ESTE período que atravessamos todos os anos é sempre pardacento e sem grandes assuntos para abordar. Além da aproximação da quadra festiva do Natal, pouco mais há para dizer.
CADA vez se torna mais claro que, para ter autorização de contratar uma empregada doméstica, é mais fácil ir a uma agência de emprego, do que usar os serviços do Governo. Numa destas agências, mesmo não tendo justificação plausível para se contratar uma empregada, basta abrir a carteira e pagar cerca de dez mil patacas para se ter uma quota assegurada, sem mais perguntas!
A SAÚDE, ou a falta dela, em Macau, é um assunto que acaba por reunir o consenso da população, mas um tema que, infelizmente, anda sempre nas bocas do mundo pelas piores razões. É evidente que, nos últimos anos, o sistema de saúde tem vindo a piorar, devido à falta de mão-de-obra qualificada e nada, ou muito pouco, tem sido feito para resolver o problema.
RECENTEMENTE tive conhecimento que um grupo empresarial, com muita tradição no mercado da náutica de lazer, com sede em Hong Kong, mas cujo proprietário é de Macau e de uma das famílias mais proeminentes do território, tinha avançado com uma proposta para dinamizar uma estrutura que, em tempos, foi de referência junto das gentes locais. Infelizmente a resposta foi um redondo não, por parte de quem agora tem a responsabilidade de gerir essa instalação desportiva e de recreação.