Paraíso aqui ao lado
A ILHA de Hengqin (conhecida como ilha da Montanha, em Português, ou Wankam, em Cantonense), localizada mesmo ao lado de Macau, vai ser o novo pólo de desenvolvimento da região do Delta do Rio das Pérolas.
Desde que me lembro, na RAEM sempre se falou da necessidade de expandir para a ilha adjacente, devido à evidente falta de espaço. Aliás, a Ilha da Montanha era, de acordo com muitos registos históricos portugueses, parte integrante da jurisdição do território de Macau, pelo que, por este ponto de vista, seria um crescimento natural. No entanto, o Governo Central parece ter outros planos e quer desenvolver a ilha numa parceria bipartida entre Macau e Zhuhai.
O projecto de desenvolvimento de toda a ilha já está em marcha há algum tempo. O novo pólo da Universidade de Macau, o primeiro investimento do território a ser aprovado, está em avançada fase de construção do lado esquerdo da ponte Flor de Lótus, assim como estão a ser desenvolvidas outras infra-estruturas de apoio viárias e de logística por toda a ilha. Depois da Universidade de Macau seguiram-se pedidos de quase todas as outras instituições de ensino superior do território que, aparentemente, chegaram à conclusão, de um dia para o outro, que precisam de se expandir!
Do lado esquerdo da vila de Henqin, também do lado esquerdo da ponte que liga ao COTAI, está a ser construído o maior parque de diversões aquático da Ásia. Um investimento milionário que estará a contar, certamente, com os clientes atraídos pelos casinos de Macau. Para tal, será necessário permitir a livre circulação de pessoas entre os dois lados, algo que pode acontecer já este ano. Falta apenas o processo de reconhecimento recíproco das cartas de condução ser concluído.
Mas, no meio disto tudo, o que impressiona é a escala do que está a ser feito. O mesmo, apesar do Governo chinês não se mostrar muito aberto acerca dos detalhes, tem aparecido na internet. Recentemente surgiu no «Youtube» um vídeo promocional do projecto da ilha que impressiona até os mais cépticos pela sua abrangência e magnitude.
A apresentação, feita pela empresa Silkroad, onde se vê o real tamanho de Henqin (três vezes o de Macau e a maior ilha de toda a região de Zhuhai), refere o número de habitantes que, dos actuais cerca de três mil, passará, em 2020, para mais de 280 mil!
Na promoção do projecto mostram-se diversas zonas como a Universidade de Macau e o Chime-Long Internacional Ocean Resort – um arrojado projecto global que tem como objectivo final, de acordo com a unidade do Conselho de Estado responsável, o Henqin Overall Development Plan, tornar-se num espaço inteligente, aberto e amigo do ambiente de referência no Delta do Rio das Pérolas.
Dividida em três zonas específicas, Zona de Lazer e Turismo, Zona de Ensino Científico e R&D e Zona Comercial, a ilha tem vários projectos em andamento e, até 2012, irá ter, de acordo com o Município de Zhuhai, grande parte da estrutura rodoviária pronta, onde se incluirão vias principais e secundárias, uma via rápida, uma circular exterior, aterros e jardins. Nessa altura, estará também pronto o sistema de transporte sob terra e mar, incluindo o Metro Cantão-Zhuhai e a extensão da auto-estrada do Oeste Cantão-Zhuhai.
Sendo Henqin uma ilha, como não poderia deixar de ser, o lado marítimo não foi descurado. E, apesar de, no projecto, não se avançar nada em concreto no que diz respeito a marinas e estruturas de apoio à náutica de recreio, no vídeo promocional é dada um grande ênfase a esse aspecto, sendo possível distinguir, pelo menos, duas enormes marinas, uma ligada à zona residencial e outra ligada à zona de lazer, que irá abranger toda a área a sul e este da ilha, onde agora estão o Tianhu Natural Scenic Area, o Hengqincun Ecoligical Park e o Sea Paradise.
Além das marinas, parecer haver uma malha de canais de navegação, possivelmente baseado no que actualmente existe na ilha. Quem conhece a ilha sabe que a zona mais baixa é atravessada por milhares de canais e lagos de criação de peixes, caranguejos e ostras.
Como tudo o que diz respeito a projectos na China, os pormenores não são todos conhecidos e as alterações são constantes, pelo que relativamente à existência ou não de estruturas de náutica de recreio vamos ter de esperar, até que as autoridades se decidam em publicar mais informação e o projecto esteja concluído.
Na verdade, seria de todo positivo que a náutica de recreio fosse levada em consideração neste mega-projecto. A localização é ideal e serviria uma vasta zona, vindo colmatar uma das grandes lacunas de Macau e deste ponto do Delta do Rio das Pérolas.
Com a conclusão da construção da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau em 2016, a ilha de Hengqin passará a ser a demonstração dinâmica da estreita cooperação entre Guangdong, Hong Kong e Macau.
Henqin foi denominada, há três ou quatro anos, pelo Governo Central, como zona de demonstração da cooperação inovadora entre a província de Guangdong, Hong Kong e Macau, sob o princípio «Um país, dois sistemas».
As obras de construção avançam a um ritmo avassalador, como em todos os projectos na China.
Em Macau, como não temos mais para onde crescer e não queremos mais aterros, esperamos que este projecto da Ilha da Montanha venha restituir a qualidade de vida que tínhamos há bem pouco tempo. Só falta que nos deixem ali residir como se fosse parte do nosso território.
ESPERO que não me considerem tendencioso depois de lerem estas linhas, mas não posso deixar de vir a público repudiar algo que se ficou a saber recentemente.
PELO nome da associação que Vossa Excelência dirige percebemos porque é que os serviços que nos obrigam a pagar são de tão baixa qualidade. Afinal de contas, trata-se de uma colectividade dedicada ao comércio! Ora eu que pensava serem os táxis um serviço de transporte público!
NÃO sei há quanto tempo a entrevista foi publicada, – penso que em 2007, – mas ainda me lembro do nome Philippe Wind, visto que falava Português na perfeição. Recordo que tinha afirmado que a companhia que dirigia estava empenhada em manter a língua portuguesa, porque era uma das línguas oficiais de Macau e porque havia razões históricas para tal; além de que ele próprio a falava e considerava que era de primordial importância a sua manutenção, tanto para a Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau, como para a própria Região Administrativa Especial de Macau, servindo, além de outros fins, de factor diferenciador. Daí que todos os esforços estariam a ser feitos para que a língua se mantivesse em todos os aspectos organizacionais e nos contactos com os clientes. Referiu-me que seriam afectados novos fundos para contratação de pessoas que dominassem as duas línguas oficiais e estariam a ser feitos contactos para resolver o problema das traduções. Apesar das dificuldades de recrutamento de mão-de-obra especializada, que já nessa altura se sentia, garantiu-me que o objectivo era para cumprir.
AGORA que o tempo quente parece ter chegado para ficar em Macau, gostaria de chamar a atenção do leitor para uma falha que se arrasta, há alguns anos, sem que ninguém faça nada para a rectificar e que afecta grande número de pessoas. E para piorar ainda mais a situação, muitas delas são debilitadas e doentes. Por isso, as queixas conhecidas têm sido poucas.
A FRENTE marítima de Macau vai mudar radicalmente nos próximos anos. O projecto de consulta está em andamento e, apesar de ter sido divulgado, tanto localmente como no exterior, parece ser completamente desconhecido. Em Macau poucas pessoas estão a par dos planos do Governo nesta área e as acções de divulgação têm sido pouco esclarecedoras.
O QUE se pode esperar do futuro de uma terra que deixa morrer as suas tradições, em detrimento de um comercialismo desenfreado?
PARECE piada de Primeiro de Abril mas, infelizmente, não o é! Ao que parece, o sector da Saúde de Macau precisa, para o novo hospital a construir na Taipa, de 200 novos médicos!
MUITO se tem dito e escrito sobre os trabalhadores que são necessários em Macau e a importação de mão-de-obra do exterior. Nos últimos tempos a Galaxy Resort tem andado nas bocas do mundo, muito por ser, neste momento, o maior investimento ainda em curso no território.
O «SEGUNDO sistema», através da Lei Básica, garante aos residentes um direito há muito enraizado nas culturas ocidentais. Refiro-me, mais em concreto, ao Artigo 27º da pequena constituição (de Macau), que foi acordada entre Portugal e a China e que estará em vigor até 2049.
MAIS de três dezenas de crianças praticam gratuitamente desporto todas as semanas, graças a uma organização fundada por três residentes de Macau, sem qualquer apoio do Governo. Apesar de terem sido obrigados a constituir uma empresa de responsabilidade limitada e não uma associação, – idiossincrasias da Lei local, – optaram por criar a «academia» sem fins lucrativos, apenas pelo amor ao que fazem e para desenvolverem um desporto que já teve muitas tradições em Macau. Investiram algumas centenas de milhares de patacas do seu próprio bolso, recebem alguns apoios de entidades privadas e tentam, a todo o custo, convencer o Instituto do Desporto (ID) para a necessidade que têm de (pelo menos) serem reconhecidos oficialmente. Pois, se tal acontecer, mais apoios poderão chegar pela via privada, nomeadamente da concessionária do Jogo Galaxy, que está na disposição de avançar com um donativo superior a trezentas mil patacas, o que seria suficiente para fazer face às necessidades mais urgentes.
EM Macau somos mais de meio milhão e a quantidade de residentes permanentes e não permanentes cresce de dia para dia. Mesmo sem os incentivos de compra de casa para aquisição de residência permanente, a verdade é que, mensalmente, o número de pessoas autorizadas a permanecer no território tem vindo a aumentar.
HÁ certos aspectos em que Macau está uns passos à frente de Hong Kong. Nos últimos anos, o nosso território tem dado alguns exemplos à região vizinha, embora ainda tenhamos muito que aprender com ela.
QUANDO era miúdo, lá na minha terra tínhamos uma expressão da qual ainda hoje gosto de me lembrar quando algo nos aparece a conta-gotas. Dizíamos que era às «mijinhas», ou seja, nunca vinha tudo de uma vez e tínhamos de esperar eternamente até que tudo chegasse! Digamos, era um martírio para uma criança impaciente.
ESTE artigo vai soar a diário de uma pessoa insatisfeita, mas, como penso não estar sozinho nesta luta, decidi, mesmo assim, escrever.