Como blog estaremos aqui para escrever as nossas opiniões, observações e para que quem nos visite deixe também as suas. Tentaremos, dentro das possibilidades, manter este local actualizado com o que vai acontecendo à nossa volta em Macau e um pouco em todo o lado...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Caos devido a um "tefellin"

O mais recente susto relacionado com uma ameaça de bomba num avião pode muito bem servir de piada. Ao contrário do que se pode pensar, muitos de nós certamente que cometeria o mesmo erro.
O incidente deu-se nos Estados Unidos e envolveu dois jovens, um deles judeu ortodoxo. Este, como todos os judeus que levam a sua religião ao limite, usava uma peça da indumentária judaica chamada de “tefellin”. Aos olhos de uma pessoa que não esteja familiarizada com a religião judaica, um “tefellin” passará muito facilmente por uma qualquer engenhoca que pode explodir a qualquer momento. Aliás, foi o que o jovem americano pensou, tendo logo alertado a tripulação do avião que deu ordem para que a aeronave fosse desviada e aterrasse.
Depois de um interrogatório veio a apurar-se que nada de grave se passava e que tudo não tinha passado de um falso alarme devido ao desconhecimento por parte do passageiro.
Um “tefellin” é um artefacto constituído por duas caixas com uma tira do mesmo material, com versos sagrados no seu interior e que é utilizado, e de ser usado, nas orações da manhã. No entanto, o artefacto, pela sua forma e pela sua colocação no corpo do crente, leva facilmente a outras interpretações. Uma das caixas de cabedal é colocada na nuca sendo que a tira de cabedal é usada para a manter nessa posição. A outra é colocada no braço com a tira de cabedal enrolada nesse membro do crente.
Portanto, quem não sabe e vê alguém usando duas caixas suspeitas atadas ao corpo, facilmente poderá ser levado a pensar o pior!
Não censuro o rapaz que causou o pânico, assim como não censure o judeu por ter sido causador do engano. Cada um tinha a sua convicção.
Lembro-me de toda a polémica em França acerca da proibição do uso de véus e “burkas” às mulheres muçulmanas. Não seria também preferível que a Lei fosse mais abrangente? Ou será que os judeus estão acima da Lei?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Being a Bone Marrow Donor

Following the previous post on the URGENT need to find a compatible bone marrow donor for Afonso, I use this opportunity to clarify some doubts about donating bone marrow.
The initial collection for the compatibility testing can be done without any type of surgery.
Compatibility test can be done through a simple blood sample. If the person is compatible with some patient in need, will be asked to her if still want to proceed and which method want to use. There are two methods to extract bone marrow material.
The best known, and oldest, it’s a minor surgical procedure with anesthesia, which is a small puncture to the pelvic bones to remove a portion of the bone marrow (the bone marrow is renewable, and can donate more than once). This process is what stops most of the people from becoming donors.
However, nowadays is another process that involves the collection of blood, without any surgical intervention. Let's say it will be similar process (do not start attacking me, I am using this only as an example) to hemodialysis, where blood leaves the body by one arm, passes through a machine that removes the cells that are required, and re-enters the body of the donor thru the other arm.
Before the collection the donor will have to take medication that stimulates the creation and concentration of cells needed for transplant.
This information can be found on the website of the Bone Marrow Donor Programme (http://www.bmdp.org/faq.html).

Moreover, the donor may, at any time and without having to explain his reasons, refuse to donate.

Please, at least disclose this information and help save lives.
Who knows if tomorrow we will not be in need of help also.

Ser dador de medula

(for the ones who dont read or understand portuguese, please use the translator on the right side. It's not perfect but will be enough to understand the main idea on this text. Meanwhile, I will try to post if in English ASAP with links also in English)

No seguimento do anterior post, relativo à necessidade URGENTE de se encontrar um dador de medula compatível com o Afonso, aproveito para esclarecer certas dúvidas que me chegaram por email e por comentários no blog.
A recolha de medula, ou na fase inicial os testes de compatibilidade, podem ser feitos sem recurso a qualquer tipo de intervenção cirúrgica.
A compatibilidade pode ser feita através de uma simples recolha de sangue. No caso de se mostrar compatível com o Afonso, ou qualquer outra pessoa em necessidade, o dador decide se quer fazer a doação e como a quer fazer.
Existem dois métodos. O mais conhecido, e mais antigo, passa por uma pequena intervenção cirúrgica, com anestesia, onde é feita a punção dos ossos da bacia para remover uma porção de medula (a medula é renovável, sendo possível doar mais do que uma vez). Este processo é o que mais impede as pessoas de se tornarem doadoras. No entanto, hoje em dia existe um outro processo que passa pela recolha de sangue, sem qualquer tipo de intervenção cirúrgica. Digamos que será um processo semelhante (não me agridam, estou a usar isto só como exemplo) à hemodiálise, onde o sangue sai do organismo por um braço, passa por uma máquina que remove as células necessárias, e volta a entrar no organismo do dador pelo outro braço. Previamente o dador terá de tomar uma medicação que estimula a criação e concentração das células necessárias para o transplante.
Estas informações podem ser consultadas no website do Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão (Centro de Histocompatibilidade do Norte) (http://www.chnorte.min-saude.pt/faq.php).

Aliás, o dador pode, a qualquer momento e sem que nada lhe seja perguntado, desistir da doação.

Por favor, pelo menos, divulguem esta informação e ajudem a salvar vidas.
Quem sabe se amanhã não seremos nós a precisar de ajuda.

Ajudem por favor... Help Please...

A saga do pequeno Afonso continua a ser um exemplo de coragem e luta com que todos devemos aprender.
Nestas alturas devemos meter para traz das costas os orgulhos estúpidos e unir as mãos para tentar salvar quem mais precisa.
O Afonso é filho de André Couto (piloto português que corre no Japão) e sofre de Leucemia Linfoblástica Aguda, uma das mais agressivas formas desta doença. No entanto, a sua tenacidade e vontade de viver mostra-nos que enquanto houver vida há sempre lugar para esperança. Por isso, desde que lhe foi diagnosticada esta terrível doença e foi sabida a necessidade de um transplante de medula, que os apelos se têm multiplicado. Em Portugal (onde se encontra internado) e em Macau (onde o Afonso nasceu e vive) tem havido uma corrente humana de apoio e solidariedade que não tem deixado ninguém indiferente.
Em Macau organizam-se viagens a Hong Kong para testes sanguíneos de compatibilidade (infelizmente não se podem fazer em Macau) ao mesmo tempo que em Portugal se fazem recolhas por todo o país.
Isto não serve apenas para o Afonso mas sim para todas as crianças, em todo o mundo, que neste momento se agarram à vida com todas as forças na esperança de encontrarem um dador compatível.
Vamos, juntemo-nos a este esforço. Não custa nada e pode salvar vidas. Não passa de uma doação de sangue, apenas mais prolongada.

Vejam os pormenores no Facebook
Ou contactem por email:
Ou contactos mais genéricos de centros de doação em Portugal e no mundo:

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O que pensar?

Pois bem… O Haiti foi devastado e milhares de corpos ainda estão por recolher. O número exacto de vítimas mortais nunca será apurado na sua totalidade. As imagens têm corrido muito e causado uma onde de solidariedade internacional nunca antes vista. Nem no tsunami que assolou as praias da Tailândia e da Indonésia, Índia e outros países na região viu tanta ajuda ser angariada em tão pouco tempo.
Agora veio a público que, mesmo neste cenário dantesco de destruição, há quem se desloque a esta ilha das Caraíbas para turismo!
Sinceramente não sei o que pensar. Concordo com todos os argumentos, os pró e os contra. Deixo ao critério de cada um pensar o que quiser. Ambos os lados da questão têm o seu quê de positivo.
Leia tudo aqui neste artigo publicado no YahooNews.
Publico-o aqui na íntegra para quem não lê inglês possa usar o tradutor do blog para o ler em português. Para tal basta usar o menu do tradutor do lado direito da página.


Royal Caribbean's decision to dock ships at Haitian resort creates controversy
Tue Jan 19, 2:21 pm ET


By now, most of us have seen and heard about the profound devastation and suffering wrought upon Haiti last week after a massive earthquake. So you'd probably think there's no way that cruising tourists could have returned to frolicking on Haiti's beaches mere miles from where people are trapped beneath the rubble of a decimated city. Unfortunately, you'd be wrong.
On Sunday, the Guardian reported that Florida-based Royal Caribbean Cruise Lines is docking ships at the "picturesque wooded peninsula" known as Labadee, which it leases on Haiti's northern coast. At Labadee, passengers "enjoy jetski rides, parasailing, and rum cocktails delivered to their hammocks." The British paper also reported that passengers can spend their time "shopping for trinkets at a craft market" while armed guards stand at the entry to the complex to guarantee their safety.
Despite the fact that the ships have delivered relief supplies to the island, some passengers on the ships are reportedly "sickened" over the decision to dock there. One passenger took to an Internet message board to protest the idea of vacationing where "tens of thousands of dead people are being piled up on the streets, with the survivors stunned and looking for food and water."
When Royal Caribbean announced its decision to resume stops at Labadee last week, a company executive cited the economic importance of the resort to the local citizens as well as the opportunity to deliver much-needed supplies.
"We also have tremendous opportunities to use our ships as transport vessels for relief supplies and personnel to Haiti," said associate vice president John Weis. "Simply put, we cannot abandon Haiti now that they need us most."
Still, Royal Caribbean, which recently raised eyebrows when it announced that it's organizing a "cougar cruise" for older single women, has been catching heat from all corners on their decision, prompting company CEO Adam Goldstein to post a defense of the company on their website. Saying that he is "proud of what our people and our ships are doing," Goldstein writes:
The ships going back to Labadee, including Navigator of the Seas today, are obviously making a very valuable contribution to the relief effort by offloading supplies at Labadee. The media understand this and generally have written and spoken about the relief effort in positive terms. But in the last 24 hours, sparked by an article in the Guardian in the UK, a different and more critical view has emerged that questions how our guests can justify having a good time in Labadee when there is such misery less than 100 miles away.
My view is this - it isn't better to replace a visit to Labadee (or for that matter, to stay on the ship while it's docked in Labadee) with a visit to another destination for a vacation. Why? Because being on the island and generating economic activity for the straw market vendors, the hair-braiders and our 230 employees helps with relief while being somewhere else does not help. These 500 people are going to need to support a much larger network of family and friends, including many who are in (or are missing in) the earthquake zone. Also, the north is going to bear a good part of the burden of the agony of the south, and the more economic support there is to the north, the better able the north will be to bear this burden. People enjoying themselves is what we do. People enjoying themselves in Labadee helps with relief. We support our guests who choose to help in this way which is consistent with our nearly 30 year history in Haiti.

- Brett Michael Dykes is a contributor to the Yahoo! News blog

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Onde anda o Português?

TERÁ passado quase despercebido para a maioria das pessoas, mas, como já vem sendo tradição há vários anos, realiza-se na última noite do ano uma corrida de São Silvestre. O fim de ano de 2009 não fugiu à regra, o que, só por si, não seria motivo suficiente para ser aqui referido. Acontece que, como foi possível ver nas imagens televisivas e fotográficas difundidas nos dias seguintes, a língua oficial, o Português, foi completamente esquecido no evento.
Não seria de admirar, nem motivo para nos insurgirmos, caso tal actividade fosse organizada por uma qualquer instituição privada. Infelizmente, a lei de Macau já não contempla a obrigatoriedade do uso das duas línguas oficiais por todas as instituições do território. Tal dá origem a que tudo quanto é empresa privada ignore em absoluto, e sem qualquer escrúpulo, o uso do Português. Com total desrespeito, tal acontece, muitas vezes, em detrimento da língua inglesa, a coberto da desculpa de que esta é a língua de comunicação entre as várias comunidades em Macau, e acabando por repudiar as centenas de anos de história do território. E, como já estamos habituados, ninguém se mexe para resolver o problema. Gostaria de saber o que aconteceria em Hong Kong, se o Governo negligenciasse o inglês!
Neste caso, sendo uma actividade organizada pelo Instituto do Desporto, tutela do Governo, deveria ter havido mais cuidado com a inclusão da língua portuguesa. Que mais não fosse, porque havia atletas de língua lusa! Ou porque sendo «organizado» pelo Governo, ou seja, com dinheiros públicos, deveria ser aplicada a regra da obrigatoriedade das duas línguas oficiais, que constam na Lei Básica.
É já uma tradição dos primeiros dez anos da RAEM o constante atropelo da língua portuguesa. Mesmo em acontecimentos oficiais, tem sido esquecida inúmeras vezes. Aqui vamos, de vez em quando, dando voz a estes incidentes. Nem sempre se obtêm os resultados pretendidos, no entanto, cabe à comunidade defender os seus próprios interesses. Se tal não fizermos, estes apelos e gritos de indignação caem em saco-roto.

Estranho caso do BNU

Mais que uma vez já aqui escrevemos sobre o tratamento que as diversas instituições de Macau dão aos seus utentes e clientes. Lembram-se ainda, certamente, do caso que aqui referi sobre uma promoção do Banco Nacional Ultramarino/American Express, na qual se oferecia, a preço promocional, um computador portátil. A início só havia versões em chinês! Depois de muita troca de correspondência com um cliente, finalmente apareceram as versões em inglês! Entregues em Macau na sede do banco!
Agora volto ao BNU, que nos brinda com mais uma promoção do género: viagens turísticas, sendo o parceiro a Visa International. Acontece que, desta vez, o cliente ainda não se deu ao trabalho de contactar a Caixa Geral de Depósitos em Portugal acerca do assunto.
A resposta do BNU foi peremptória: «(…) O BNU não tem interferência directa nas promoções em causa, que são negociadas pela Visa International com Agências de Viagem e, posteriormente, colocadas à disposição dos bancos emissores de cartões de crédito. Nem o conteúdo, nem o “layout” do material publicitário podem ser alterados».
No entanto, – perante a evidência da referência do banco, que leva os clientes a consultar a promoção, estar em Português («Os pacotes que a Visa lhe oferece em colaboração com agências de viagem são irresistíveis. Para informações detalhadas clique aqui, por favor»), – um email da instituição diz que, pelo facto de «(…) na frase através da qual se pode aceder aos pacotes em causa não ser referida a necessidade de contactar as agências de viagem para informações pormenorizadas, teremos este aspecto em consideração em futuras promoções».
O caso dos computadores foi resolvido, mesmo não tendo o BNU «interferência directa nas promoções», logo que Lisboa tomou conhecimento do assunto. Já neste caso, sacodem a água do capote, atirando as responsabilidades para a VISA International.
Sendo o BNU um banco detido pelo Governo português e sendo o Português uma das línguas oficiais de Macau, não seria pedir muito que, pelo menos, interferissem um pouco naquilo que oferecem aos clientes. Afinal, somos todos iguais, ou não? Se os vossos parceiros não vos oferecem garantias de tratamento igual com todos os vossos clientes, será mais aconselhável que eles deixem de o ser, caso o banco não queira assumir a responsabilidade de ter de tratar da informação, de modo que todos os seus clientes sejam tratados de forma correcta.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sapatos tradicionais

Para quem diz que em Portugal não se faz nada positivo gostaria de deixar apenas este recorte que encontrei na internet.
As críticas que se podem fazer ao país são-no, muitas vezes, com razão de ser, especialmente no tocante às políticas seguidas e formas de enfrentar desafios (como as crises económicas).
No entanto, como se sabe, o povo português é trabalhador e só não faz mais porque os dirigentes ou lhes cortam as pernas com impostos e regulamentos ou então, muito ao estilo de ocidental, oferecem subsídios para inactividade. O resultado é o que se sabe. Pessoas a não quererem trabalhar porque acabam por lucrar mais do que se estiverem o dia todo com as mãos ocupadas.
Vejam, como com uma arte das mais tradicionais do país, a de sapateiro, se pode fazer muito. Infelizmente não há quem queira seguir o mesmo e o Governo não incentiva estas actividades.
Vejam a notícia neste link do Café Portugal….

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

29 de Novembro de 2009

Aqui fica, para quem esteve presente, e também para quem não esteve, um slideshow (que ainda não está pronto) com fotografias do nosso Casamento, no passado dia 29 de Novembro. Espero que gostem...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Mau gosto em todo lado

Desta feita falo de algo que vi muito longe de Macau mas que, sinceramente, poderia ser visto em qualquer esquina da RAEM.
"ESTIVE fora de Macau quase um mês e deu para me aperceber que o que muitas vezes criticamos não é exclusivo do local onde vivemos. Há em mim uma faceta que detesta, de todas as formas, qualquer tipo de danificação de bens públicos, fazendo de mim, à partida, um acérrimo defensor da não proliferação da arte do «grafitti». Gosto de arte, aprecio pintura de rua (sendo ela mesmo algumas vezes de «grafitti»), mas deve ter bom gosto e ser apelativa para os meus olhos. Quando se trata apenas de meia-dúzia de riscos ou efémeras declarações de amor, não considero isso arte, mas apenas uma falta de respeito para com a propriedade que é de todos.
Em Macau há uma franja da sociedade, e cada vez maior, que se dedica a este tipo de manifestação artística (como lhe chamam). Os exemplos espalhados pela cidade são mais que muitos e todos eles de muito mau gosto. Raras são as excepções em que se pode dizer que o trabalho final é apelativo.
As autoridades têm feito o que podem para tentar evitar que estes artistas danifiquem o que é propriedade pública. As campanhas têm sido sucessivas e estão previstas mesmo coimas para quem seja apanhado a transgredir os regulamentos. No entanto, a fiscalização que é feita é insuficiente. Sabendo-se que na sua maioria estes trabalhos são feitos pela calada da noite, a fiscalização que é feita diariamente torna-se infrutífera. Mesmo as patrulhas da polícia, que circulam de carro toda a noite, acabam por ser pouco produtivas porque, na sua maioria, os locais por onde passam não são os mesmos onde estes artistas dão azo à sua inspiração.
Diria que os autocarros, como já muitos de nós reparámos, há muito que são «laboratórios de treino» para estas pessoas. Usam as costas dos assentos para escrever e desenhar, como se de um caderno de papel cavalinho se tratasse. Daí, penso eu, passam para os taludes das obras e depois para as fachadas de edifícios históricos.
Apesar de nos queixarmos, este problema, no entanto, não é exclusivo de Macau. Todas as grandes cidades, especialmente europeias e americanas, vivem com este suplício há muitos anos. Trago-vos o exemplo de Paris, onde escrevi este artigo e onde os autocarros, metro e paredes de tudo quanto é edifício no centro da cidade, e até mesmo os caixotes do lixo, são «atacados» por estes artistas da noite.
À semelhança de Macau, também em Paris parece ser pouca a sensibilidade dos turistas e dos cidadãos, em geral, para preservar o património histórico. Em todas as visitas que fiz, tive a oportunidade de ver registos de quem por lá tinha passado antes de mim. Vi inscrições e desenhos dos quatro cantos do mundo. Para exemplificar, deixo-vos duas fotografias de um exemplo na língua portuguesa e outro numa língua asiática, deixados na escadaria de acesso à cúpula na Basílica do Sagrado Coração de Montmarte. As próprias autoridades francesas, assim como os próprios residentes de Paris com quem tive oportunidade de trocar impressões, mostram-se indignados com este comportamento, mas dizem-se sem capacidade para o resolver.
É tudo uma questão de educação, diziam-nos. E é verdade. Isto não passa senão de um problema de educação, ou melhor, como me disse uma senhora parisiense já idosa, de falta de educação, porque para expressões artísticas, mesmo no caso de «grafitti», em Paris há instalações disponíveis para quem se queira expressar dessa forma.
Com efeito, eu próprio tive oportunidade de visitar um desses locais (onde não me foi permitido fotografar, devido às preocupações com os direitos de autor das obras em elaboração) e fiquei a saber que todos são livres de ali entrar, registar-se e dar asas à sua imaginação da forma que entenderem. Sem qualquer restrição ou linha mestra imposta pelas instituições estatais. O local, apesar de ser apoiado pelo Governo (pela Câmara Municipal de Paris) era cedido por um privado, ao abrigo da lei do mecenato. Algo que, em Macau, muitos empresários estariam interessados em fazer, se de tal tirassem proveitos fiscais.
As cidades não são assim tão diferentes umas das outras. Seja na Europa ou na Ásia, as preocupações são as mesmas e os anseios da população também. É tudo uma questão de educação."
Para ler n'O Clarim de hoje juntamente com muito mais...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Faltas na fronteira

Será possível que a Polícia de Segurança Pública de Macau não tome em consideração os milhares de pessoas que cruzam a fronteira das Portas do Cerco diariamente e que não lêem chinês?
Desde que foi aberta a nova secção do posto fronteiriço que estão nas paredes, em todo o percurso entre o controlo automático dos Bilhetes de Identidade e as escadas rolantes de saída para o lado da China, uns papéis com indicações de direcção No entanto, como se pode constatar na fotografia, apenas estão em chinês.
Lembramos os responsáveis das autoridades na fronteira, mais uma vez, que existem duas línguas oficiais em Macau que devem ser utilizadas em todas as comunicações oficiais. E, que mais não seja, devem respeitar o facto de uma grande fatia da população de Macau não saber ler os caracteres chineses, apesar de falarem a língua!
A situação pode ser vista por diversas vezes no referido percurso. E, nas novas fronteiras automáticas acontece que somente aparece a língua chinesa e inglesa, sendo a segunda língua oficial negligenciada. O que não acontecia nas fronteiras automáticas instaladas anteriormente.
Esperamos, para o respeito de todos na RAEM, que a situação seja revista a bom tempo.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo

Já passou muito tempo desde que fiz o meu último post no blog. Tenho andado arredado destas lides devido a afazeres pessoais. Quem me conhece sabe do que estou a falar e, para que fiquem a saber melhor, basta consultarem a página no Facebook, pois lá está a “reportagem” fotográfica detalhada de todos os movimentos nestes últimos dias.
Desde o dia 23 de Novembro em Macau, e no mundo, aconteceu muita coisa. No campo pessoal, posso dizer que tem sido o mês mais feliz da minha vida. Tive amigos juntos durante dias, tive os meus pais de visita ao local que adoptei como minha casa, estive de visita ao local onde nasci e passei os melhores dias com a pessoa mais importante da minha vida. Agora? Agora é tempo de voltar ao trabalho e ao dia-a-dia do escritório.
Dentro em breve estaremos a entrar num novo ano, o de 2010, o fecho da primeira década deste século.
Transcrevo agora, porque o não fiz até agora, os meus textos publicados n’O Clarim. Não o faço na íntegra porque seria muito maçudo. Deixo-vos apenas um excerto e o link para a página do jornal para que possam ler a sua totalidade.
Até breve… Depois vos falarei das mudanças que vi encontrar em Macau depois de um mês fora.

No dia 27 de Novembro publicava n’O Clarim um artigo sobre o Festival de Gastronomia, ou melhor “food festival” visto que o português nem sequer fazia parte das línguas usadas! “Não seria um caso de maior importância, se o mesmo não fosse suportado pelo Governo e pago, se não na totalidade, pelo menos em grande parte, por dinheiros públicos.
Porventura para condizer com a quase inexistência de presença de restaurantes de comida portuguesa, o único que se pode, a muito custo, apelidar de comida portuguesa que está presente é o Restaurante Carlos, além do Café OuMun, esse sim genuinamente português, mas que tem como «prato forte» a pastelaria e padaria, apesar de servir refeições diariamente.
Na imprensa, a organização dizia, pela voz do deputado e presidente da Associação dos Empresários do Sector da Restauração – responsável pela organização do evento, Chan Chak Mo, que «este é o único evento do género em Macau que se apresenta como uma boa oportunidade para os restaurantes locais promoverem a sua cozinha junto dos turistas e residentes». E dizia ainda que a culinária portuguesa estava presente com sete restaurantes do território, que se associaram ao evento para dar a conhecer e provar algumas das iguarias lusas, como o pão com chouriço, enchidos e vinhos.
Já no dia 4 de Dezembro escrevi sobre o que há muito tempo se pedia. Igualdade de tratamento entre Macau e Hong Kong. “FOI anunciado recentemente que os residentes de Macau, desde o início de Dezembro, não teriam de preencher a declaração de entrada em Hong Kong. Algo que era reivindicado há vários anos e que, do meu ponto de vista e à luz da reciprocidade, era discriminatório e deixava os residentes da RAEM prejudicados em relação aos seus vizinhos da antiga colónia britânica.
Entretanto, uma notícia veio agora a público informando que a data exacta é o próximo dia 10, depois de Hong Kong ter aprovado um novo diploma de combate à imigração ilegal. Ao ler-se o que foi publicado, fica-se com a impressão de que o facto de nós não entrarmos em Hong Kong apenas com o bilhete de identidade se deve ao facto de o nosso documento de identificação não ser avançado tecnologicamente até há bem pouco tempo!
Na edição de 18 de Dezembro, por dificuldades de comunicação, não me foi possível enviar o habitual artigo para publicação. No entanto, ainda fui a tempo de enviar o de Natal. Publicado no dia 23 de Dezembro, falava do que se passou durante o ano e do meu desejo para prenda de Natal e para 2010. “É tradição pedirem-se prendas de Natal e eu creio que este ano muitos dos residentes de Macau devem estar a sonhar com o desejo de encontrar no sapatinho mais surpresas agradáveis do que no Natal de 2008.
Se olharmos para trás, vemos um ano cheio de tragédias e de preocupações. A nível mundial foi aquilo que todos sabemos: crise económica, crise do imobiliário, «crash» das bolsas, conflitos bélicos e a gripe A H1N1. Isto só para mencionar algumas das aflições que inquietaram o mundo. A nível local, tivemos também os nossos problemas. A crise económica afectou Macau da pior forma, deixando milhares sem emprego, devido à paragem das obras no COTAI. As grandes empresas (refiro-me nomeadamente aos casinos) deixaram de contratar, afectando sobremaneira a mão-de-obra local. Quanto à gripe A H1N1, também nos afectou e continua a afectar, com novos casos diários e mortes registadas. A juntar a tudo isto, temos o facto da China, numa tentativa compreensível de proteger a sua economia na região do Delta do Rio das Pérolas, ter voltado a restringir a atribuição de vistos individuais a quem nos queria visitar. E de um momento para o outro decidiu acabar com os vistos que permitiam aos residentes do continente visitar Macau e Hong Kong de uma só vez. Com esta medida, acabou por tirar grande parte dos apostares da RAEM, fazendo as estatísticas caírem a pique logo nos primeiros meses do ano. No entanto, como sempre acontece e sem ninguém perceber muito bem como, o sector do Jogo começou a recuperar e a dar sinais de liderança no processo de saída da crise económica, acabando o ano com mais umas marcas nunca antes registadas. O que, em ano de crise, faz com que todos pensemos que esta passou ao lado do sector mais forte da economia de Macau.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

CAR for SALE... good conditions...

Para os residentes de Macau. For Macau residents
Um anúncio de um amigo. A friends announcement
Carro para venda em muito bom estado e primeiro dono. Car for sale, pristine conditions, first owner.

TOYOTA ECHO 1.3 5 Doors M/T
車牌號碼Matrícula Registration: MJ-27-XX
顏色Cor Color: AZUL METALIZADO Blue

價錢Preço Price: 港幣四萬八千元HKD48,000
電話Telefone Telephone: 甄先生 6682 1816 (Mario)


Um cheirinho do meu artigo

Na última edição de Novembro d’ O Clarim não queria deixar passar a oportunidade de vos falar do maior evento gastronómico de Macau. Termina no próximo dia 29 e penso já ser tarde para reparos este ano. No entanto, tenho esperança de que no próximo ano alguns erros possam ser redimidos.
Na imprensa a organização dizia, pela voz do deputado e presidente da Associação dos Empresários do Sector da Restauração - responsável pela organização do evento, Chan Chak Mo, que “este é o único evento do género em Macau que se apresenta como uma boa oportunidade para os restaurantes locais promoverem a sua cozinha junto dos turistas e residentes”. Afirmando ainda que a culinária portuguesa estava presente com sete restaurantes do território, que se associaram ao evento para dar a conhecer e provar algumas das iguarias lusas, como o pão com chouriço, enchidos e vinhos.
Sinceramente, apesar de lá ter ido duas vezes, nada vi além do que referi anteriormente.
Vi sim vários restaurantes locais apelidados de comida portuguesa e que já aqui várias vezes critiquei e apelei para que autoridades portuguesas fizessem algo em relação ao assunto porque, na minha opinião, é um atentado ao bom nome do nosso país, costumes e cultura gastronómica. Porque, servir comida que nada tem a ver com a tradição de Portugal e chamar-lhe “comida portuguesa” só pode ser um insulto à nossa inteligência e à nossa identidade como povo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ideias formosinas

NÃO quero que me interpretem mal sobre o tema que vou abordar no texto de hoje, mas como estamos habituados a tanta decisão sem qualquer senso em Macau, porque não mais uma?
Há um problema que algumas associações de defesa de direito dos animais tentam combater de diversas formas e que tem a ver com o aumento contínuo do número de cães abandonados nas ruas de Macau. Número esse que, sempre que a Economia abana, tende a aumentar ainda mais.
Do mesmo modo, quando os bolsos têm mais dinheiro, aumenta o número de cachorros comprados pelas famílias com posses em Macau. As que não têm assim tantas possibilidades compram-nos do outro lado da fronteira, sem que as autoridades policiais pareçam preocupar-se com isso, pois basta dar mais 100 reminbis para que passem o dito para este outro lado da fronteira!
As razões de abandono aqui apontadas são, frequentemente, resultantes da falta de espaço, de tempo e de paciência. E eu acrescentaria mais uma: a falta de carácter (para não dizer outra coisa menos apropriada) de quem assim procede. O que me veio à mente seria bem pior!
Pois bem! Aqui ao lado, em Taiwan, um jovem empresário teve a brilhante ideia de criar um conceito novo de hotel canino. Difere dos muitos que vão aparecendo aqui e além, por oferecer espaço, actividades e um serviço completo aos seus hóspedes. Além de oferecer a possibilidade, a quem não tem casa com condições para ter um animal, de deixar ali o seu cão e ir visitá-lo sempre que quiser. As condições que oferecem não são umas pequenas gaiolas onde colocam os pobres animais quando os seus donos ainda têm o civismo suficiente para os manter em casa e pagar por um local onde possam ser acolhidos durante as férias.
Este hotel, segundo uma notícia veiculada pela imprensa internacional, cobra por dia cerca de 100 patacas, excluindo comida, mas oferece piscina, jardins, animadores e quartos privados para cada cachorro, no caso de não estarem bem em sociedade!
Pode parecer que dão mais atenção aos cães do que às pessoas, mas a verdade é que, quando assumimos o compromisso de ter um cão, se devem ponderar muito bem todas as condições exigidas pelo animal, nomeadamente, as condições financeiras que permitam ao seu dono sempre que, por qualquer razão, tenha de ausentar-se de Macau, deixar o cachorro alojado em local condigno.
Pessoalmente já tive cães e sei que surge uma grande dificuldade quando se pretende ir de férias, por não haver locais em Macau onde se possa deixar o animal (ou animais) nas condições mínimas exigidas. Pois deixar um animal, que se tem como sendo parte da família, num local com pouco mais de um metro quadrado, onde não pode correr ou andar livremente, não me parece que seja o mais indicado.
Por essas razões e pelo facto das casas em Macau não estarem minimamente preparadas para animais de estimação, decidi não ter mais cão em casa.
Quando me lembrei de referir este exemplo de Taiwan, fi-lo com o propósito de lembrar que, por estranho que pareça, este projecto poder ser aplicado em Macau sem grandes obstáculos. Como há inúmeros edifícios industriais abandonados, ou em ruínas, estes poderiam, sem muito investimento, ser transformados neste tipo de hotéis. Muitos deles poderiam ser mesmo usados pelo Governo para albergar condignamente os animais das pessoas que não os querem, ou não os podem ter em casa.
À semelhança deste caso de Taiwan, poderia também ser oferecido o serviço de hospedagem vitalícia (um pouco à semelhança de creche ou lar de idosos), onde quem não tem, ou não quer ter, um animal em casa pudesse ir e visitar o seu animal, sendo responsável pela sua alimentação e estadia. Em Taiwan, aliás, comparam este serviço ao de babysitter a tempo inteiro. Porém para animais é mais barato!
Numa época em que todos reclamamos quanto ao preço das casas e pela falta de habitação social do Governo, esta sugestão poderá cair mal em algumas mentes mais conservadoras. Porém, visto que os animais são como parte da família, seria sensato recorrer a edifícios devolutos para oferecer mais um serviço útil e assim contribuir para, de uma vez por todas, acabar com os cães vadios nas ruas de Macau, dando-lhes um local devidamente apropriado. Ao mesmo tempo, desse modo dar-se-ia também, a quem não tem condições em casa para ter um animal de estimação, a possibilidade de ter um, assumindo a respectiva responsabilidade de cuidar dele.
Claro que tudo isto funciona em Taiwan! Em Macau tenho as minhas sinceras dúvidas que as pessoas continuassem a honrar o compromisso de cuidar e pagar para o seu animal de estimação! Com efeito, se têm a falta de carácter de os abandonar, quando já não lhes convém tê-los em casa, que fariam se estivessem num estabelecimento deste tipo?!
São precisas leis que protejam os animais e a população! Mas, acima de tudo, é preciso que, seguidamente, essas leis sejam realmente postas em prática com o rigor que se impõe.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Food Festival uma vergonha em Macau

Ontem desloquei-me ao Nono Festival da Gastronomia de Macau, ou melhor, 9th Macau Food Festival, visto já nem existir a denominação em português no local do evento. Porventura para condizer com a, quase, inexistência de presença de restaurantes de comida portuguesa. O único que se pode, a muito custo, apelidar de comida portuguesa que estava presente era o Restaurante Carlos, além do café OuMun, esse sim genuinamente português mas que tem como "prato forte" a pastelaria e padaria, apesar de servir refeições também.
A organização, a cargo da associação que agrega proprietários de restaurantes de Macau e outras do sector, mas que conta com um volumoso apoio do
Governo, seja a nível monetário (ascende a vários milhões o investimento feito) que seja a nível logístico com o apoio da Direcção dos Serviços de Turismo na sua promoção além de outros organismos governamentais. Aliás, este evento é, a par do Grande Prémio de Macau, um dos maiores do cartaz anual da RAEM.
O desprezo é tal que não se vislumbrava uma única palavra em português nos cupões ou nos cartazes no recinto. O inglês que se ía vendo era, muitas das vezes, usado pelos restaurantes convidados da Malásia.
No local de compra dos cupões, quando tentámos falar inglês (porque o português estaria fora de questão) olharam para nós como se estivéssemos a cometer o maior dos crimes. Quanto perguntamos algo, acerca do uso dos cupões, começaram a comentar em chinês (pensando que não iríamos perceber certamente) que vínhamos para ali falar inglês como se eles tivessem obrigação de nos entender!
Não a têm , claro está, alias depois falou-se em chinês e até pedido de desculpas houve. No entanto, existem duas línguas oficiais em Macau e o Governo, visto que ali enfiou milhões de patacas de todos nós, tem mais que os obrigar a usar os dois idiomas. Quanto ao inglês, devem-no utilizar porque este evento é turístico e grande parte dos turistas que nos visitam usam a língua inglesa como meio de comunicação, na falta do português ou do chinês.
É apenas uma questão de bom senso para uma cidade que se diz INTERNACIONAL.
Quanto ao português, é do Governo a obrigação, e da associação que organiza o evento com o dinheiro do Governo, fazer o seu uso adequado.
Não será, certamente, pedir muito.
Basta olhar para o evento da Lusofonia, onde o chinês e o português são usados em pé de igualdade, mesmo sendo um evento virado para as comunidades de lingua portuguesa.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Um cheirinho do meu artigo

Esta sexta-feira n’ O Clarim vai sair um texto que, apesar de abordar um tema importante e premente, versa mais o lado humorístico do problema dos animais abandonados em Macau. Apresenta-se uma solução vinda de Taiwan recentemente e que em Macau poderia, sem grandes problemas, vir a ser aquilo a que popularmente apelidamos “matar dois coelhos (pobres diabos!) de uma cajadada só!”...
A ler na sexta-feira, depois deste cheirinho. “(...)Existem inúmeros edifícios industriais abandonados, ou em ruínas, que podem sem muitos investimentos, serem transformados neste tipo de hotéis. Muitos deles poderiam ser mesmo usados pelo governo para albergar condignamente os animais das pessoas que não os querem, ou não os podem ter em casa.
À semelhança deste caso de Taiwan, poderia também ser oferecido o serviço de hospedagem vitalícia (um pouco à semelhança de creche ou lar de idosos) onde quem não tem, ou não quer ter, um animal em casa pudesse ir e visitar o seu animal, sendo responsável pela sua alimentação e estadia. Em Taiwan, aliás, comparam este serviço ao de babysitter a tempo inteiro, mas para animais e mais barato! (…)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Malásia diz-se dona de Alá

NOS meus anos de vida li e ouvi muito disparate relacionado com religiões e tive oportunidade de presenciar muitos abusos, feitos a coberto das crenças de cada um. No entanto, recentemente, deparei com um, vindo da Malásia, que não passa pela cabeça de ninguém.
Não pretendo fazer juízos de valor acerca de cristãos, muçulmanos, budistas, ou de qualquer outra religião, mas, como sempre me ensinaram, num país livre e democrático a minha liberdade acaba quando começa a interferir com a liberdade do meu semelhante.
Vou passar a explicar, resumidamente, o que vinha na imprensa internacional acerca da decisão do Governo malaio e que pode ser facilmente consultado na internet. Trata-se de uma polémica que envolve um lote de Bíblias importado da Indonésia e escrito em bahasa indonésio para os cristãos malaios. O dito lote foi confiscado porque nele aparece escrito a palavra Alá! E, como refere a Lei da Malásia, a palavra Alá não pode ser usada por cidadãos não-muçulmanos! Aliás, uma prerrogativa da Lei, que muitos vêm como uma cedência do Governo de Kuala Lumpur às fortes forças islâmicas do país, em oposição aos direitos de liberdade religiosa consagrados na Constituição da Malásia. Algo que, aos olhos de muitos observadores, é muito preocupante e abre muitos precedentes.
Os órgãos governamentais baseiam o acto de banir o lote de Bíblias no facto da palavra Alá ser de origem arábica, portanto islâmica, e que o seu uso por não-islâmicos irá ser visto pela comunidade islâmica como um insulto! Por seu lado, as autoridades católicas na Malásia vêem o acto como algo ofensivo e ridículo, tendo já avançado com uma queixa-crime em tribunal contra a decisão governamental.
A Federação Cristã da Malásia diz que a palavra Alá tem sido usada ao longo dos séculos para se referirem a «Deus», tanto no bahasa malaio, como Indonésio (que são bastante semelhantes), pelo que não conseguem compreender a razão da decisão actual.
O bispo Ng Moon Hing chegou mesmo a afirmar que, caso o acesso às Bíblias na língua que escolhem não seja garantido, será posto em causa o direito garantido na Constituição, que dá aos católicos malaios liberdade religiosa.
Esta polémica tem minado a imagem de liberdade religiosa que se acreditava existir neste país asiático maioritariamente muçulmano. A Malásia sempre fez questão de salientar que, apesar do islamismo ser a religião mais praticada no país, as outras religiões (que representam mais de 30% da população) são também praticadas livremente.

Alguma semelhança

Esta polémica à volta de quem pode, ou não pode, usar determinados termos traz-me à lembrança alguns casos que se passam em Macau, onde não poucas vezes nos vimos obrigados a medir as palavras que escrevemos, para que não firamos o orgulho da China.
Nunca me irei esquecer que, depois da passagem de soberania, muitos dos termos e nomes utilizados, nomeadamente para identificar edifícios históricos, foram completamente mudados! Isto já para não falar na limpeza de sinais físicos, que foi feita logo aos primeiros dias de RAEM.
Não quero citar mais exemplos para nos apercebermos disso; basta apenas, em relação aos edifícios mais conhecidos, ver fotos do antes e depois de 20 de Dezembro.
Penso que se tratou de exageros que não se voltam a repetir e que agora já não vale a pena tentar corrigir, porque, como se diz popularmente, «seria pior a emenda que o soneto»!
Isto para não falar nas sensibilidades que se mostram feridas, quando nos referimos à China como um Estado totalitário e autoritário!
São diferenças culturais que é necessário aprender a digerir e a interpretar, para que «não se perca a face».
Afinal, andamos há mais de cinco séculos a fazê-lo pela Ásia!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Choro na língua materna

Vinha estampado na imprensa recentemente que os bebés choram no tom da sua língua materna. O estudo de uma universidade europeia diz que os recém-nascidos têm um tom de choro similar ao tom da voz que ouvem enquanto estão no útero.
Sem saber qual a finalidade ou utilidade do estudo, pergunto-me que será dos bebes que ouvem diversas línguas enquanto andam na barriga da mãe?
Aqui por Macau, por exemplo, onde casais multiculturais falam múltiplas línguas (falo por mim que em casa falamos três quatro línguas), os rebentos devem ter os tons todos misturados!
O mesmo estudo adianta que a língua materna pode ter um efeito decisivo no desenvolvimento do feto no útero.
Será que devido à miríade de línguas em Macau os nossos filhos fiquem todos confundidos?
Estudos para tudo e mais alguma coisa!
Vejam o artigo completo aqui...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um cheirinho do meu artigo

Na próxima sexta-feira vai ser possível ler n’O Clarim um artigo sobre as autoridades da Malásia que parecem ser donos da palavra. “Os órgãos governamentais baseiam o acto de banir o lote de Bíblias pelo facto da palavra Alá ser de origem arábica, portanto islâmica, e que o seu uso por não-islâmicos irá ser visto pela comunidade islâmica como um insulto! Por seu lado, as autoridades católicas na Malásia vêm o acto como algo ofensivo e ridículo, tendo já avançado com uma queixa-crime em tribunal contra a decisão governamental.
A Federação Cristã da Malásia diz que a palavra Alá tem sido usada ao longo dos séculos para se referirem a “Deus” tanto no bahasa Malaio como Indonésio (que são bastante semelhantes), pelo que não conseguem compreender a razão da decisão actual.

Alexandre Ho foi arquivado!

Que raio de vida esta. Vem agora a público que o Ministério Público arquivou o processo de alegada (que já afirmavam ser confirmada!) corrupção do ex-presidente do Conselho de Consumidores. Lembramos que Alexandre Ho cometeu suicídio recentemente, em Zhuhai, deixando uma carta onde alegava não conseguir aguentar a pressão de ser acusado de corrupção e de não ter oportunidade de se defender. O caso foi conhecido há mais de um ano e há mais de oito meses que não tinha qualquer avanço, sendo durante esse tempo o nome de Alexandre Ho arrastado na praça pública. Em consequência disso foi afastado do cargo que ocupava no CC e era olhado com desconfiança por muitos dos seus pares. Tudo, sem que nada tenha sido provado e que agora se vem a saber (pelo arquivamento) não ter sido provado haver fundamento. O arquivamento vai fazer com que nunca se saiba a verdade das acusações.Agora, pergunta-se, quem será responsabilizado pela morte de uma pessoa inocente (visto que, até prova em contrário, assume-se a inocência da pessoa acusada…)Relembra-se que o alegado caso de corrupção envolvia, de acordo com os dados conhecidos, verbas que ascendiam às 10mil Patacas!
(Imagem da capa do PF noticiando a morte de Alexandre Ho a 19 de Agosto deste ano.)

NaE's kitchen A Cozinha da NaE

NaE's kitchen A Cozinha da NaE
Visite... Visitem...