Como blog estaremos aqui para escrever as nossas opiniões, observações e para que quem nos visite deixe também as suas. Tentaremos, dentro das possibilidades, manter este local actualizado com o que vai acontecendo à nossa volta em Macau e um pouco em todo o lado...
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terça-feira, 10 de abril de 2012

Soldados «roubam» zona de lazer à população

ESTA semana gostaria de pedir a alguém que me explicasse a razão do Exército Popular de Libertação (EPL) precisar de mais espaço em Macau. Por mais imaginação que tente usar, não consigo desvendar a necessidade dos «soldadinhos de chumbo» terem mais espaço e, ainda para mais, terem-no em detrimento das zonas de lazer da população!

Ou sou eu que não entendo nada disto, ou é a classificação dos valores morais nesta terra que anda toda virada do avesso.

Então, aos senhores que gostam de andar aos tiros, que olham muito para o seu umbigo e que deveriam ser os primeiros a dar o exemplo de bons cidadãos, o Governo, de mão beijada, oferece-lhes um terreno, numa zona nobre do COTAI e retira à população um espaço de lazer!? Algo de muito errado se passa por aqui!

O Governo, perante a apatia de toda a população, veio dizer que vai ser construído um espaço de lazer, de raiz, em Coloane! Ora eu, que nem vivo na Taipa nem em Coloane, deveria estar-me nas tintas para tudo isso. Mas, infelizmente, não estou, pois não consigo perceber como é que um espaço de lazer em Coloane (que é necessário, sem dúvida, perante a escassez dos mesmos na ilha) pode colmatar a subtracção de um na ilha da Taipa, onde a sua falta é também gritante, devido ao rápido e desenfreado crescimento da população e da especulação imobiliária.

Será que o Governo vai providenciar ligações directas do antigo local para o novo, para todos os residentes da Taipa que queiram ir jogar à bola? Ou será que os interessados têm de ir a pé? Afinal, até nem é má ideia, visto que o objectivo é mesmo fazer exercício!

O que mais me preocupa, no meio de tudo isto, é a falta de interesse que o anúncio da oferta do local ao exército provocou na população e na Comunicação Social. Aparte alguns poucos esguichos de opinião na Imprensa portuguesa, pouco mais se ouviu. Cala e segue, como se costuma dizer!

Os soberanos interesses da Nação e a defesa territorial de Macau que está seriamente ameaçado (pelas hordas que vêm do outro lado da fronteira!?), a tudo obrigam e todos os sacrifícios são justificáveis, em tempos de crise iminente como esta que atravessamos…

Ironias à parte, resta-nos saber o que está por detrás desta decisão. E, já agora, gostaria de saber qual a posição do EPL, relativamente a este assunto. Será que é só mais um caso em que apenas os cidadãos não-chineses se queixam e a comunidade chinesa amocha?

Se tivesse sido tornado público em Abril, eu ainda me sentiria tentado a pensar que fosse peta de 1 de Abril, mas como isto veio ao conhecimento da sociedade a meio do mês de Março, sou mesmo obrigado a acreditar que é mais uma das aberrações de Macau.

O Governo, quando anunciou tal novidade, dizia que se devia a um «reajustamento do quadro de pessoal» do EPL, mas que não afectaria os residentes! De acordo com o Conselho do Executivo, a «Administração já escolheu um novo espaço (…), para que a relocalização não afecte o uso destas instalações recreativas e desportivas pela população»! De acordo com a mesma explicação, a decisão tomada teve em conta as «necessidades em termos de construção de instalações de treino e depósito de equipamento» que, a par com o aumento de efectivos, obrigam a que o quartel aumente para uma área superior a 61 mil metros quadrados.

Nós estamos na China, certo? Penso que sim, e sempre assim foi. Por isso, por que razão precisa o Exército de estar a aumentar os seus efectivos em Macau, se os seus componentes nada fazem aqui? E, por que razão precisam de espaço para armazenar o equipamento, se o outro lado da fronteira, tanto Zhuhai como a ilha da Montanha ficam a menos de cinco minutos de carro? A mesma incógnita se aplica ao facto de justificarem a necessidade com o facto de não terem espaço para exercício…

Então, pelo facto de os soldados não terem espaço para esticar as pernas, quem se lixa é a população, que vai ser obrigada a ir para Coloane para dar pontapés na bola!?

Que me desculpem os mais conservadores, mas, numa época como a que vivemos, em que Pequim apregoa as relações pacíficas com o Mundo, numa Região dita Especial, parece que acabaram de sair da Revolução Cultural, tal é a necessidade de militarizar e defender o quinhão.

sábado, 14 de maio de 2011

O CLARIM - Semanário Católico de Macau

200 médicos… só se anunciam 22?

PARECE piada de Primeiro de Abril mas, infelizmente, não o é! Ao que parece, o sector da Saúde de Macau precisa, para o novo hospital a construir na Taipa, de 200 novos médicos!

Com a conhecida qualidade dos serviços que nos prestam actualmente, e com as dificuldades que têm enfrentado para recrutar profissionais capazes ao exterior, prevejo que iremos ter mais uma fornada de médicos vindos do interior da China, com toda a carga negativa que isso acarreta! Falta de qualidade, mau domínio de inglês e nenhum de português ou mesmo cantonense, arrogância e pouco profissionalismo.

A área da Saúde em Macau está mal e precisa de mudar radicalmente, na opinião de especialistas locais e do exterior.

Há já vários anos que não se consegue convencer clínicos de qualidade de Portugal para exercerem em Macau (tirando alguns casos esporádicos). As condições oferecidas não são atractivas, como eram anteriormente.

Com a necessidade de recrutar mais duas centenas de médicos e sem opções viáveis, temo sinceramente pela nossa saúde. Recrutar no continente não é solução que nos sirva, visto que a qualidade, tanto em termos técnicos como linguísticos, é muito má.

Sempre que me desloco aos Serviços de Urgência, a primeira pergunta que faço ao médico que me atende é sobre a sua origem! Quando me indicam um vindo do continente, educadamente, peço para me encontrarem algum médico que fale português, desculpando-me com o facto de não saber inglês! Muitas vezes a opção que me dão é o ter como intermediário uma enfermeira/intérprete, mas que recuso, insistindo na necessidade de ter um clínico que me atenda na minha língua. Afinal, o Português também é língua oficial de Macau. Esta insistência gera, regra geral, muito desconforto. No entanto, insisto em não mudar de posição, porque a Lei assim o diz. Depois de muita insistência a situação é resolvida.

Agora, perante a necessidade de virem mais 200 médicos, e com a conhecida dificuldade de «importar» clínicos de Portugal e o deficiente domínio da língua inglesa por parte dos profissionais de Saúde do continente, prevejo um futuro ainda mais negro para quem precisa de se dirigir aos hospitais locais.

Já por diversas vezes sugeri que, na impossibilidade de oferecerem melhores condições aos médicos a recrutar em Portugal, tentem outros mercados. Afinal, a língua portuguesa é falada noutros países. Ao que se sabe, pelo menos o Brasil tem excedente de médicos que poderiam, eventualmente, prestar serviço em Macau. E, na falta de falantes da língua portuguesa, seria caso de optar pelos de língua castelhana (Cuba poderia ser uma opção, visto que em Portugal os contratam também) ou de língua inglesa (com as Filipinas aqui tão perto e muitos profissionais de qualidade disponíveis).

A par dos 200 médicos para o novo hospital a surgir em 2014 no COTAI serão precisos, – de acordo com os números dos Serviços de Saúde, – cerca de quatro centenas de enfermeiros e outros profissionais especializados.

Perante a escassez, em Macau, de trabalhadores com esta formação, como irá o Governo solucionar o problema?

Pelo que me é dado a saber, de acordo com dados divulgados anteriormente, há no território cerca de quatro centenas de pessoas habilitadas a exercer funções nesta área, mas as suas qualificações não são reconhecidas localmente, devido a problemas meramente burocráticos. Possivelmente, a abordagem deste problema de forma sistemática e séria seria um primeiro passo para resolver a escassez que o sistema enfrenta. Solução esta que poderia, pelo menos, atenuar o grande problema que é contratar mão-de-obra de qualidade ao exterior.

Recruta-se em Portugal

Em Portugal foram já publicados, entretanto, anúncios com intenção de recrutar especialistas. Para esse efeito, de acordo com um aviso publicado pela Ordem dos Médicos do País, os candidatos precisam de ter cinco anos de experiência. Oferecem a «Médico Especialista»: remuneração mensal de 68,820 a 83,700 patacas (equivalente a cerca de 6.000–7.300 euros), dependendo das habilitações literárias e experiência profissional; 22 dias úteis de férias anuais; subsídio de Natal e de férias; bilhete de avião de classe económica de ida e regresso ao local de origem; alojamento. Entre o dia 17 e 22 deste mês estará em Portugal o «subdirector dos Serviços de Saúde, Chan Wai Sin, a fim de realizar entrevistas aos médicos especialistas que forem selecionados».

De acordo com os detalhes sobre as especialidades, há duas vagas para Anatomia Patológica, Cardiologia e Gastroenterologia e uma vaga para Anestesiologia, Neurologia, Patologia Clínica e Pediatria, Cirurgia Toráxica e Vascular, Obstetrícia/Ginecologia, Imagiologia, Oncologia, Psiquiatria e Urologia, Otorrinolaringologia e Ortopedia, Medicina Física e Reabilitação e Medicina Legal.

No total são 22 as vagas, muito aquém dos 200 necessários para todo o corpo clínico!

Sabendo o que se tem passado com alguns dos médicos recrutados mais recentemente, sinto-me na obrigação de deixar um pequeno aviso a quem se candidate. No que se refere a condições de alojamento, aconselho a que deixem tudo preto no branco e por escrito. Caso contrário, quando aqui chegarem, acabam enfiados num «buraco», porque, em Macau, «alojamento» pode ter diversas interpretações e todas elas muito distantes daquilo a que em Portugal chamam casa! Os critérios são «um pouco» diferentes dos de Portugal!

Entretanto, ficamos sem saber de onde virão os outros 178 médicos!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O CLARIM - Semanário Católico de Macau

Uma dieta de coelho

capa_lrg VAMOS ter coelho para o ano inteiro, agora que cruzámos a última lua de mais um ciclo chinês. Chegámos a 4708, de acordo com o milenar calendário tradicional do Império do Meio. Um ano do coelho que será ensombrado pelos pandas de Seac Pai Van ou, que mais não seja, pela moda que se vê por toda a cidade. Por sorte, e tirando as orelhas ao coelho, os animais até se parecem um com o outro. São ambos peludos e, de certa forma, dados a abraços aconchegados.

A verdade é que, sem darmos por isso, Macau deu mais uma volta ao calendário e, terminado o ano do tigre, entramos agora no ano Xin Mao, ou mais conhecido como ano do coelho.

Não sou muito dado a adivinhações mas sempre me entretenho, nestas alturas, a ler o que se vai publicando na imprensa local acerca do que nos espera para este novo ciclo. Sem querer entrar em pormenores, tenho a dizer que não fiquei muito convencido, tanto pelos dotes de adivinho dos «especialistas» contactados, assim como com os prognósticos avançados. Se no ano do tigre se esperavam dias difíceis, as previsões para este ano parecem ser ainda piores. Na verdade, não me lembro de ver, ao longo dos anos a viver no Oriente, um adivinho a dar um prognóstico positivo para o ano seguinte. Sem saber muito bem porquê, as hipóteses avançadas apontam sempre mais para o lado negativo. Atrevo-me a dizer que se trata de uma boa forma de se protegerem. É que, dizendo ser negativo, mesmo que não se concretize, ninguém lhes vai apontar o dedo. Pelo contrário, se apontarem um futuro risonho e depois não se concretiza, terão uma mão-cheia de processos judiciais em cima e a clientela a cair em flecha! Tal e qual como a Comunicação Social, o que é positivo não vende!

Sem dar-me ares de cartomante ou de adivinho chinês, atrevo-me a dizer que este ano vamos ter doze luas dominadas por uma polémica em redor do Metro Ligeiro, entrelaçada com «boas novas» dos pandas de Coloane e uma ou outra novidade que não veio no programa de Governo. Prevejo também que para os lados do COTAI se registem mais umas detenções de trabalhadores ilegais e que os pequenos empresários de Macau continuem a ter sérias dificuldades em encontrar mão-de-obra. E, por último, é quase certo que a venda de coelhos de estimação irá aumentar durante este ano, sendo um bom ano para as quintas produtoras do outro lado da fronteira. Cuidado com as pragas de sarna que normalmente afligem este animal. E acrescento ainda: se estes prognósticos não se registarem, pouco pior há-de ser o nosso ano!

Como não quero passar sem deixar um cheirinho do que li, aproveito para escrever que, em 2011, de acordo com as revistas da especialidade, o que define o ano não é o tamanho do animal, mas sim os seus intrínsecos valores. No caso do coelho, caso fosse pelo tamanho, teríamos um ano pequenino, doze meses muito «sofisticados». Seja lá o que isto quer dizer! «Gracioso e sensível»! Daí que os especialistas aconselhem para que as decisões sejam «tomadas tendo por base a nossa intuição e de forma sensível e ponderada, pondo de lado todos os impulsos e explosões espontâneas».

Dizem ainda que os nascidos no ano deste animal serão «bons candidatos para políticos ou diplomatas», o que me leva a deduzir que em Macau e Portugal, nos anos do coelho, a partir de 1939 (os de 39 terão agora 71 anos; os de 1951, 59 anos; os de 63 estarão a contar 47 anos e os de 75 terão completado 35 anos), tenham nascido muito poucas pessoas. E as que nasceram enveredaram pela profissão errada, se tivermos em conta o estado da política actualmente! Esperança então para o futuro…

Resta-nos apenas esperar que, no ano de Xin Mao, prestes a começar, tenhamos saúde, emprego e boa disposição. Tudo o mais que vier será por acréscimo.

Um bom ano a todos os amigos e leitores.

Kung Hei Fat Choi!

PS – Permitam-me um aparte. Assim como gosto pouco de ver decorações natalícias nos templos chineses, também não gosto de ver decorações de Ano Novo Chinês em igrejas católicas. Cada tradição no seu lugar certo, para que todos sejam respeitados.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Leonel de Barros deixou-nos

Nunca tive a oportunidade de privar muito com ele. No entanto, estando em Macau há mais de uma década, seria impossível passar ao lado da figura de Leonel de Barros. Possivelmente o maior investigador da história de Macau dos últimos anos. Profícuo na sua produção literária e artística, muito deixou para que recordemos a Macau do seu tempo.

As suas obras ficam para a posteridade. Macau deve honrar o seu nome e não o deixar esquecer.

Leonel de Barros deixou Macau ontem, sem nunca ter partido. Paz à sua alma.

Macau e quem aqui vive ficou mais pobre.

O Jornal Tribune de Macau fez-lhe uma homenagem na passagem do seu 86° aniversário. (ver aqui o texto no JTM)

Na foto do projecto Memória Macaense, durante o lançamento de um dos seus livros. Leonel de Barros ao centro.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Falar quando há algo para dizer

NA última deslocação que o Primeiro-Ministro de Portugal, José Sócrates, fez à Região Administrativa Especial de Macau, alguns dos «importantes» da terra ficaram indignados pelo facto de este não ter dirigido a palavra à comunidade portuguesa.

Pessoalmente, não me interessa nada que o Primeiro-Ministro, seja ele de Portugal, da China ou de qualquer outro país, venha a Macau e nos dirija a palavra (falo como residente). O que me interessa mesmo são actos e acções. De palavras e boas intenções estou cheio e, penso eu, será este o sentimento da maioria da comunidade radicada ou nascida em Macau.

Se Sócrates veio a Macau e não dirigiu a palavra à comunidade portuguesa, deverá ter sido porque não tinha nada de importante para dizer e, quando assim é, mais vale estar calado. De palavras ocas estamos todos fartos, pois sempre que por aqui passa um qualquer dirigente de Lisboa ouvimos um rol de promessas que nunca são cumpridas.

De que serve dirigir a palavra à comunidade se, logo após entrarem no barco para Hong Kong (sim, porque já nem voos de Lisboa para Macau temos), se esquecem de que existe uma comunidade significativa neste território?

Quem aqui vive e tem raízes em Portugal espera mais do Executivo de Lisboa; pelo que me toca, vivo muito bem sem que eles se preocupem. Não me pagam «tachos», nem conto com o Governo de Portugal para a reforma ou qualquer outro tipo de apoio; portanto, se aqui querem vir e não falar, tanto melhor!

Por outro lado, acho de completo mau gosto que um dignitário de Portugal venha a Macau e apenas convide uma parte da comunidade para se encontrar com ele. Se vem em representação do País, deveria «honrar» com um convite ou, no mínimo, com um encontro aberto, todos aqueles que possuem um passaporte de Lisboa. O facto de ter convidado apenas uma «elite» demonstra, de facto, a forma como olham para quem aqui tenta dignificar o nome do País.

Há muito deixei de participar em reuniões que tenham lugar no Bela Vista, pois considero que apenas se realizam para a fotografia e nada mais significam. Há outras formas de mostrar à comunidade de nacionalidade portuguesa (não nos podemos esquecer que são umas centenas de milhar), que Lisboa não os esqueceu.

Relativamente aos encontros no Bela Vista, havia quem os caracterizasse como sendo um óptimo local para beber bom vinho e comer maus aperitivos «à pala»! Como sou mau de estômago, prefiro beber bom vinho em casa e confeccionar os meus aperitivos. Assim poupo nas azias!

Para que Lisboa nos ouça, temos o Consulado Geral de Portugal, cujo trabalho, se exceptuarmos alguns funcionários que deixam nódoa na folha de serviço por serem arrogantes, apresenta um saldo muito positivo. A destacar, sem dúvida, o nosso cônsul, que tem sido hábil nos contactos e tem feito intervenções bem medidas em prol dos portugueses e da presença da cultura portuguesa em Macau.

Também a Casa de Portugal, apesar de ser uma associação particular, tem tudo feito para elevar bem alto a presença lusa nestas terras. As iniciativas estão à vista e são muitas, e quem lidera a associação só não faz mais, porque faltam os meios para isso.

Para além destas duas instituições, não nos podemos esquecer também as de cariz mais local, como a Associação dos Macaenses, a qual, embora direccionada para os «filhos da terra», nunca esquece a sua portugalidade. Isso mesmo o seu presidente, Miguel de Senna Fernandes, faz questão em manter. É o que sucede com a também local APOMAC, mais voltada para os aposentados, mas, apesar de zelar pelos interesses dos seus associados, nunca renunciou às características lusas que a viram nascer.

Por último, não gostaria de deixar passar a oportunidade de referir também a ATFPM, dos funcionários públicos e dirigida por José Pereira Coutinho e Rita Santos. Antes de mais, ela assume-se como uma associação de cariz português, embora a sua mais importante missão seja a defesa dos interesses dos funcionários públicos. Esta deverá ser, sem dúvida, a associação de Macau que mais membros tem com nacionalidade portuguesa, sem esquecer que o seu próprio presidente é também membro do Conselho das Comunidades Portuguesas, em representação de Macau.

Sem querer estar a enumerar todas as associações e clubes de cariz português, penso que estaremos bem representados enquanto comunidade. Pelo que não precisamos que venham de Lisboa dar-nos música…

Que venham e fiquem bem caladinhos! É melhor do que virem e, ao abrirem a boca, acabarem por sair asneiras...

O CLARIM - Semanário Católico de Macau

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Laranjas com produto tóxico (for Eng use the link)

Um aviso que vem de Xangai mas que pode muito bem ser aplicado em Macau. As laranjas à venda podem estar contaminadas com uma cera tóxica.
As autoridades de Xangai ordenaram que os vendedores de fruta parassem de comercializar laranjas por suspeitas de uso de uma cera tóxica. A notícia está a ser veiculada pela imprensa do continente como sendo um dos últimos escândalos de segurança alimentar.
O Governo de Xangai está a realizar testes nas laranjas depois de consumidores se queixarem que a pele ficava vermelha depois de estar em contacto com as laranjas compradas em alguns mercados da cidade, lia-se no Oriental Morning Post.
As ceras industriais podem afectar os cérebros dos humanos, o sistema imunitário e causar problemas respiratórios avança o jornal.
“Os guardanapos (de papel) ficam vermelhos quando se limpa a pele e se segurar a laranja na mão esta fica vermelha”, afirmou um consumidor de nome Hu.
Um vendedor não identificado no mercado abastecedor de produtos agrícolas disse ao jornal que algumas laranjas eram tratadas com esta cera industrial tóxica para “que parecessem mais frescas e pudessem ser vendidas a um preço mais alto”.
As autoridades de Xangai ordenaram a todos os vendedores que retirassem dos pontos de venda todas as laranjas enquanto os testes decorrem.
Até ao momento ainda não foi apurado se as laranjas estavam a ser tratadas com a cera tóxica pelos vendedores ou pelos produtores na provincial de Jiangxi.
O Governo chinês está cada vez mais sobre pressão, tanto dos seus cidadãos como de países como os Estados Unidos da América para que melhorem os parâmetros de segurança alimentar e dos medicamentos.
Fica a questão para Macau. Será que nos nossos mercados também estão a vender deste tipo de laranjas?
Ler aqui no Channel News Asia.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cozinha da NaE volta a publicar

Para quem andado mais desatento… a Cozinha da NaE voltou, recentemente, a publicar mais algumas delícias.
Vão consultar e aproveitem para experimentar pratos mais inovadores e provar sabores menos usuais.
Se precisarem de conselhos e dicas, enviem comentários no blog que a NaE responde assim que tiver tempo.
Ah, se houver críticas, conselhos, sugestões ou mesmo pedidos, não se façam rogados!
Tenho o prazer de anunciar que a Cozinha da NaE foi contactada por um Chef brasileiro, que está neste momento a elaborar um livro (traduzido de espanhol para português), para esclarecer algumas dúvidas relativas a ingredientes da comida tailandesa.
As novas receitas:
Massa com carne de vaca em sopa de coco
Carne picada com erva-cidreira

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Um dia de chuva triste em Macau

Como é do conhecimento de todos, e para tristeza minha e de todos quantos conhecem (e mesmo quem não conhece) a família Couto e a família Saraiva, o menino Afonso sucumbiu na luta contra a doença que o afectava. Um exemplo de perseverança e de força de viver que nos deixou, tanto ele como todos quantos se esforçaram para o ver melhorar e nunca desistiram. Lutou até ao último minuto, até ao último suspiro do seu pequeno corpo mas grande em dignidade.
A cadeia de solidariedade que se gerou depois que lhe foi diagnostica a leucemia veio alertar para os perigos desta doença e para a necessidade, urgente, de haver um banco de dadores a nível mundial que inclua, universalmente, todos os países e territórios
Em Macau, até surgir este problema, tal nunca tinha sido levantado! Não que não tivessem havido outros casos de leucemia antes do Afonso, mas sim porque a consciência colectiva não estava alerta para este problema. O Afonso, a sua luta e o seu sacrifício, deixam um legado que será difícil de esquecer em todo o mundo.
Eu, sinceramente, agora espero que quem se chegou à frente, nomeadamente instituições quer aproveitaram a necessidade de promover a causa para se darem mais a conhecer, que não se esqueçam que existem outros “Afonsos” que lutam diariamente, mesmo em Macau.
Espero que esta onda de solidariedade continue, especialmente para aqueles que não tiveram a sorte de nascer num berço com tanta visibilidade mas que merecem também o esforço de todos nós. Por mim, aqui estou para o que for preciso.
Quanto às famílias Couto e Saraiva, o meu chapéu retiro, numa solene vénia de respeito pela coragem e determinação que mostraram. O esforço e dedicação de André e Graça perante a doença do seu filho merece não ser deixado ao esquecimento e deve ser continuado para que outras crianças possam beneficiar dele.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Festas com dinheiros públicos

SERÁ que nunca ninguém se interrogou sobre o que fazem as associações de Macau com o dinheiro que o Governo lhes dá todos os anos?
Tenho de confessar que me faz grande confusão que associações sem fins lucrativos organizem jantares e galas para angariação de fundos, quando recebem do Executivo subsídios anualmente. Tais jantares custam, a quem neles participa, centenas de patacas, chegando algumas vezes a atingir um milhar por cabeça.
Penso que as verbas do Governo são, por vezes, distribuídas de forma pouco correcta e que algumas associações acabem por receber menos do que aquilo que precisam, mas, assim sendo, qual a necessidade de organizarem jantares? Porque não pedem mais subsídios à Administração? Estou em crer que, se apresentarem um bom projecto, os vários departamentos governamentais não irão rejeitar conceder mais alguns milhares de patacas. E caso isso não resulte, poderiam fazer peditórios de rua como acontece com muitas outras organizações. Jantares são caros e custam muito dinheiro para servirem como forma de angariação de fundos.
Como cidadão de Macau sinto-me algo desiludido com o facto de haver tantas associações em Macau e que muitas delas só apareçam para organizar os ditos eventos de recolha de fundos ou em tempo de campanhas eleitorais.
Não estou contra a organização deste tipo de jantares, nem de eventos semelhantes. Simplesmente, defendo que, se os querem organizar, o façam sem ter em mente um valor por cabeça. Se é de angariação de fundos, deixem ao critério de cada participante a verba que querem atribuir. Ao colocarem uma etiqueta quanto ao preço na participação, mais parece estarem a vender um produto e não a pedir a ajuda desprendida da população. Pessoalmente, não participo; prefiro fazer donativos directamente à causa em questão, do que dar dinheiro para o hotel ou grupo que organiza a festa. Afinal, trata-se de ajudar quem precisa, e quem nesta situação se encontra não deve ter muitas razões para fazer festas.
Alguém se terá lembrado já de ir ver quanto gasta o Governo anualmente em subsídios e apoios a instituições privadas e semi-privadas? Sendo obrigatório a publicação de todas as contas dos organismos públicos em Boletim Oficial, esses dados ali aparecem. Numa pesquisa do ano passado, referente apenas aos três primeiros trimestres do ano, duas das maiores fontes dessas verbas, a Fundação Macau e o Instituto de Acção Social (IAS), despenderam mais de 770 milhões de patacas!
Não me dei ao trabalho de examinar as verbas totais de todos os outros departamentos que atribuíram subsídios ou apoios, visto serem dezenas deles e milhares os recipientes. Mas, com base nos números que pude ver, será fácil perceber que a verba disponível para os apoios é mais que suficiente para tudo e mais alguma coisa.
Penso que a atribuição dessas verbas não seja a mais razoável, pois nos dois maiores «fornecedores» que observei mais aprofundadamente deparei com algumas injustiças. Não irei referir nomes, para não ferir susceptibilidades, mas é difícil perceber como é que um organismo que luta diariamente para recuperar pessoas para a sociedade receba apenas umas centenas de milhares, enquanto uma associação privada que se dedica à cultura seja subsidiada em mais de seis milhões em apenas nove meses!
Isto para não falar em associações bem mais conhecidas que recebem o grosso do bolo. Por exemplo, algumas ligadas aos operários ou aos moradores recebem aos milhões anualmente para cobrir despesas de funcionamento e para organização de eventos.
Não haverá, certamente, um sistema de distribuição de apoios infalível; mas julgo que o esbanjamento de verbas que se vê em Macau não é saudável para os cofres da RAEM. Uma forma mais ponderada terá de ser encontrada para que os dinheiros cheguem a quem realmente precisa.
Como referia no início, verbas do Governo não devem ser utilizadas para organizar festas ou actividades do género. Tal deve ser auto-financiado pelas próprias associações ou por fundos privados. Será difícil explicar, a quem sobrevive com uma pensão do IAS, que o mesmo instituto atribua centenas de milhares de patacas a uma instituição, para que esta possa pagar os custos de organização de um jantar de angariação de fundos!
Algo vai muito errado nesta sociedade.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Onde pára a Polícia?

POR muito que as forças policiais venham a público dizer que a situação da segurança no território tem vindo a melhorar, a verdade é que, para quem sente a falta dela no dia-a-dia, a realidade é outra.
Quem discorda dos números oficiais interroga-se: de que vale a situação melhorar no cômputo geral, se à minha porta as coisas ficam pior a cada dia que passa?
Não ponho em questão que, na globalidade, a ocorrência de crimes tenha mesmo registado um decréscimo; no entanto, para quem vive em certas zonas da cidade que tradicionalmente não eram de risco, a situação tem vindo a agravar-se, sem que nada seja feito para a inverter.
Onde vivo e circulo assiduamente (imaginem um perímetro em redor da Fortaleza do Monte, englobando o Largo do Senado) as ocorrências têm sido cada vez mais frequentes. Se é fácil perceber que na área entre o Largo do Senado e as Ruínas de São Paulo possa registar-se um aumento, devido ao grande número de turistas e à aglomeração de pessoas, o que facilita a actuação de carteiristas e outro tipo de criminosos, o mesmo já não se percebe que se venham a registar crimes por esticão e mesmo ofensas corporais graves em locais onde raramente se aglomeram pessoas.
Só nos últimos dias, na escadaria junto da Fortaleza do Monte, na Calçada das Verdades, foram detectados dois crimes, um por esticão a uma estudante do colégio das imediações, em plena luz do dia, e outro a uma residente de um dos prédios na dita calçada, quando esta regressava a casa por volta das duas da manhã, depois de ter terminado o seu trabalho num dos casinos. Em ambos os casos não se registou a presença policial para resolver o problema. Estes são casos de que tenho conhecimento e que são recentes. Creio, porém, não serem os únicos.
De nada vale as pessoas gritarem por ajuda, já que a polícia nunca se vê por ali. Toda aquela zona não é policiada, nem sequer tem sistema de vigilância vídeo. Que eu saiba, apenas existem caixas de registo de passagem dos agentes policiais no final do Caminho dos Artilheiros, a meio da Calçada do Monte, e uma outra junto da Travessa do Penedo. A verdade, porém, é que a existência destas caixas onde os agentes de autoridade têm de ir assinar o livro de presença ou inserir o cartão electrónico, de pouco vale, porque muitas das vezes se dirigem de carro ou motorizada, deixando o local logo após terem registado a sua passagem. Este tipo de vigilância não serve, de forma alguma, para diminuir a incidência deste tipo de criminalidade, nem tão pouco para dar segurança à população que diariamente ali tem de passar.
Ainda não há muito tempo, um criminoso foi detido, depois de ter furtado um saco a uma rapariga na mesma zona. O indivíduo foi interceptado, não pela polícia, mas sim por um residente português, que acudiu aos gritos de ajuda da vítima e que acabou, depois de uma perseguição quase até à Rua de São Domingos, por atirar ao chão o criminoso, fazendo com que devolvesse os bens furtados.
Embora seja de louvar a intervenção da pessoa, não é este tipo de justiça que se quer para Macau. O território costumava ser um local seguro e isso mesmo era motivo de orgulho para quem aqui vive. Ora, se as autoridades não fizerem o seu trabalho de casa, suspeito que não teremos muitos motivos para nos voltarmos a orgulhar de andar na rua, a qualquer hora e em qualquer local que seja, sem termos de nos preocupar se iremos ser assaltados ou importunados pela pessoa que segue atrás de nós.
A indiferença dos novos agentes é alarmante. Já por diversas vezes chamei à atenção para alguns que encontro na rua, alertando para situações irregulares que eles têm obrigação de tomar em conta e fazem como se nada fosse, continuando o seu caminho e dizendo que não é da sua competência.
Admito que a Polícia não tenha efectivos suficientes para colocar um agente em cada esquina, mas pode muito bem fazer circular a pé aqueles que tem ao seu serviço, em vez de andarem de carro ou motorizada. Patrulhas a pé são mais efectivas e levam as pessoas sentirem-se mais seguras. E nessas patrulhas, que devem cobrir todo o território ou pelo menos os locais que são consideradas mais isolados, especialmente à noite, e sem esquecer também o período diurno, os agentes devem, tanto quanto possível, entrar em conversa com os residentes.
Importa ter em conta o policiamento de proximidade, aproveitando para perguntar se algo de errado se tem passado, para se aperceberem das ansiedades de quem vive na zona e saber que aspectos devem ser mais vigiados. Este tipo de policiamento é bastante efectivo e serve, sem dúvida alguma, para dissuadir os malfeitores de actuarem nessa área.
Será pedir muito ver os nossos polícias na rua e a falar com os moradores das zonas que patrulham? E quando digo falar, refiro-me a comunicarem, não a dar ordens como costumam fazer com toda a arrogância que a farda parece dar a muitos deles. Os agentes da polícia devem ser, antes de autoridade, fonte geradora de segurança e de bem-estar na sociedade.
Felizmente, alguns ainda o são.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

SS pela hora da morte

Por muito que se diga e se escreva, os Serviços de Saúde parecem fazer ouvidos moucos às críticas da população Acabado de vir do Centro de Saúde de São Lourenço, onde me disseram que o medico me atenderia, se calhar, depois das três da tarde (tendo eu dado entrada antes do meio-dia), deparei novamente com um total desleixo com as informações na segunda lingual oficial, o português. Quanto a “staff” a falar português, por muito que tenha perguntado, nem vê-lo!

Claro que virei costas e decidi ir à privada porque se tivesse de esperar até que o médico me visse, a minha situação iria piorar.

Estamos entregues aos bichos?

Percebo que demore tempo quando há muitas pessoas à espera. No entanto, este não foi o caso porque estariam no interior do Centro de Saúde menos de cinco pacientes…

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SS pela hora da morte

Por muito que se diga e se escreva, os Serviços de Saúde parecem fazer ouvidos moucos às críticas da população Acabado de vir do Centro de Saúde de São Lourenço, onde me disseram que o medico me atenderia, se calhar, depois das três da tarde (tendo eu dado entrada antes do meio-dia), deparei novamente com um total desleixo com as informações na segunda lingual oficial, o português. Quanto a “staff” a falar português, por muito que tenha perguntado, nem vê-lo!

Claro que virei costas e decidi ir à privada porque se tivesse de esperar até que o médico me visse, a minha situação iria piorar.

Estamos entregues aos bichos?

Percebo que demore tempo quando há muitas pessoas à espera. No entanto, este não foi o caso porque estariam no interior do Centro de Saúde menos de cinco pacientes…

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SS pela hora da morte

Por muito que se diga e se escreva, os Serviços de Saúde parecem fazer ouvidos moucos às críticas da população Acabado de vir do Centro de Saúde de São Lourenço, onde me disseram que o medico me atenderia, se calhar, depois das três da tarde (tendo eu dado entrada antes do meio-dia), deparei novamente com um total desleixo com as informações na segunda lingual oficial, o português. Quanto a “staff” a falar português, por muito que tenha perguntado, nem vê-lo!

Claro que virei costas e decidi ir à privada porque se tivesse de esperar até que o médico me visse, a minha situação iria piorar.

Estamos entregues aos bichos?

Percebo que demore tempo quando há muitas pessoas à espera. No entanto, este não foi o caso porque estariam no interior do Centro de Saúde menos de cinco pacientes…

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Cartões com taxas ilegais e nada se faz

COMO sou pouco adepto de andar com dinheiro na carteira, dependo muito do uso dos cartões de crédito e de débito, além de outro tipo de cartões de pagamento existentes em Macau, desde o «Macau Pass» a outros mais especializados. Ao contrário da Europa, onde existe há dezenas de anos a possibilidade de fazer pagamentos com cartões de débito, essa «modernidade» só agora começa a estar disponível em Macau. Se não estou em erro, apenas o cartão do Banco da China possibilita que se façam pagamentos sem se usar o crédito, fazendo um débito directo na conta à ordem. Ou seja, o mesmo que ir à Caixa de Multibanco e retirar o dinheiro necessário; só que aqui fazemos o pagamento na caixa da loja, introduzindo o código de segurança no terminal do cartão.
Além de não ser prudente andar com elevada importância na carteira, porque se a perdermos ficamos sem o dinheiro nela contido, também não existe o problema da falta de trocos. Ora, o facto de não haver em Macau uma rede global de pagamento com cartão de débito, faz com que toda a pessoa que não opte por trazer dinheiro consigo tenha de andar numa constante correria para a caixa automática.
Além deste contratempo, há ainda outro bem mais problemático, dado que implica uma violação da lei. Quantos de nós não nos deparámos já com a exigência do pagamento de uma taxa, quando usamos o cartão de crédito para fazer um pagamento? Muitos estabelecimentos, nomeadamente de material electrónico, exigem uma taxa que pode ir dos 2 aos 5 por cento sobre o valor da compra, para aceitarem um pagamento com cartão de crédito. Dizem que é uma taxa que o banco lhes cobra. Tal não é verdade e os bancos são os primeiros a desmenti-lo. O único pagamento que o banco exige é mensal e prende-se com a taxa de utilização do terminal na loja, algo que não deve ser imputado ao cliente, porque o mesmo paga uma anuidade ao banco pelo uso do cartão. Além do desmentido da parte dos bancos, também a lei, nomeadamente o decreto-lei nº 16/95/M, de 3 de Abril, no seu número dois do segundo artigo, diz o seguinte: «Todos os pagamentos de bens e serviços efectuados no território de Macau com recurso a cartões de crédito ou cartões de débito, emitidos localmente ou no exterior, terminais electrónicos de pagamento em postos de venda e outros instrumentos similares, devem ser realizados em patacas, não sendo permitido invocar esta obrigação para adicionar aos preços ajustados ou ao valor da transacção quaisquer encargos adicionais». Mais: no artigo 8 do mesmo articulado pode ler-se que qualquer violação pode ser denunciada à Autoridade Monetária de Macau.
A prática é corrente e, quase à força, somos obrigados a pactuar com ela diariamente, sem que muito possa ser feito. Aliás, quando as autoridades afirmam que tal não é tão frequente, só me apetece dizer que deviam enviar clientes fictícios para fazerem compras. Se for preciso, até posso apresentar uma lista de lojas que seguem esta prática.
Acontece que passar do papel à acção é complicado, porque as ditas lojas certamente não irão escrever no recibo que x ou y por cento foi para a taxa cobrada abusivamente pelo recurso ao pagamento por cartão de crédito. Os proprietários e funcionários desses estabelecimentos sabem tão bem como todos nós que é ilegal e recusam-se a passar qualquer documento escrito, referente a esse pagamento. Assim sendo, como pode o cliente provar que pagou uma quantia a mais para cobrir a dita taxa? Não consegue, claro está! Daí talvez se justifique o número de queixas que a AMCM recebeu desde 2008. Apenas um caso foi levado ao seu conhecimento e foi resolvido depois de contactado o comerciante que, diligentemente, restituiu a verba cobrada ilegalmente. Quanto ao que sucedeu depois disso, nada foi adiantado. Sou levado a pensar que a ilegalidade continua a ser seguida, pois não deve ter havido penalização de forma exemplar!
Já de acordo com o Conselho dos Consumidores o total de queixas é algo mais elevado, mas certamente também não reflecte a realidade. Oito casos reportados desde 2008 são valores muito pouco ilustradores daquilo que se regista nas lojas de Macau.
Porque não bastará que o cliente lesado envie o recibo do pagamento, juntando um comprovativo do preço original (seja ele uma foto ou mesmo o recibo de outra pessoa que comprou o mesmo, mas em numerário), para que as autoridades actuem e acabem com esta ilegalidade?
Perante a situação descrita, não vejo outra saída e daí o facto de tão poucos casos serem levados até à sua resolução. Sinceramente, se fosse proprietário de um estabelecimento que utilize este procedimento, não acederia ao pedido de estipular no recibo de compra que uma percentagem foi para o pagamento do cartão de crédito.
Felizmente, há outras lojas onde nada disto se verifica e os pagamentos podem ser feitos sem que qualquer taxa seja cobrada, o que deita por terra o argumento dos vendedores quando dizem ser o banco a cobrar a taxa!
Senhores da Autoridade Monetária, até quando vamos ter de pactuar com esta ilegalidade em Macau? Levem os vossos funcionários às compras, metam-se em campo. Basta um em cada dia ir a lojas, como a Koyo, ou aos vendedores de computadores da Fortune Tower, apenas para citar alguns exemplos.
Por essas e por outras, deixei de comprar nesses locais. Para estas compras, há outras alternativas, como as lojas da CTM ou da Fortress, onde a oferta é semelhante e o pagamento é sempre o mesmo, com ou sem cartão de crédito, e as diferenças de preço não justificam o pagamento de uma taxa adicional.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Blasted Mechanism in Macau?

Too bad that no one promotes much of what we do well in Portugal in Asia. Despite the years that we have in Macau we continue to ignore that is up to each of us to help promote what is ours. Not only the portuguese egg tarts and cod cakes along with the Mateus Rosé wine.
Who knows, or remembers that in November 1st, just over 15 days in Macau will be one of the greatest groups of music in Portugal? Besides Amalia and Madredeus this should be the third best known group abroad.
There are two major music groups in Portugal today, apart from musical preferences. What matters is that they drag crowds and sell a lot. They are Moonspell, a heavymetal group and Blasted Mechanism, an experimental electronic rock band. Who had the previlige of watching them live says they are a shown not to be missed.
We will have this privilege in Macau. On November the 1st on Nam Van Lake and the admission it’s free.
It’s a pity that no one is promoting it as it should be. I believe that if the promotion is done as it should be the space of lakes would be too small to accommodate those who want to see it.
This is not a show for the Portuguese community, especially since they not even sing in Portuguese.
Blasted Mechanism is a global phenomenon, just check the success they are making in the music charts all over the world.
Promote the concert in Japan, Indonesia, Singapore and Hong Kong and see that the venue will be too small.
Take a peek of them in a live concert.

Blasted Mechanism em Macau?

É pena que não se promova muito do que se faz, bem, em Portugal na Ásia.
Apesar dos anos que temos de Macau continuamos a ignorar que cabe a cada um de nós ajudar a promover aquilo que é nosso. Não é apenas os pastéis de nata e os de bacalhau a par do Mateus Rosé, em Portugal faz-se muito e bem.
Quem sabe, ou se lembra que a 1 de Novembro, a pouco mais de 15 dias, vai estar em Macau um dos maiores expoentes da música actual em Portugal?
A par da desaparecida Amália e dos extintos Madredeus deve ser o terceiro grupo mais conhecido no estrangeiro.
Existem dois grandes grupos de música actualmente em Portugal, aparte gostos musicais. O que interessa é que vendem e arrastam multidões no estrangeiro. Um trata-se dos Moonspell, grupo de heavymetal e os outros são os Blasted Mechanism, uma banda de rock electrónico experimental. Quem os viu ao vivo diz que são um espectáculo só por si.
Vamos ter esse privilégio em Macau. No dia 1 de Novembro nos Lagos Nam Van e a entrada é livre.
Pena é que ninguém está a promover isto como deve ser. Acredito que se a promoção fosse feita como deve ser o espaço dos Lagos será pequeno demais para acolher quem os queira ver.
Isto não se trata de um espectáculo para a comunidade portuguesa, tanto mais que nem sequer cantam em Português.
Os Blasted Mechanism são um fenómeno mundial e para tal basta ver o sucesso que vão fazendo nos top’s um pouco por todo o mundo.
Promovam o concerto no Japão, na Indonésia, em Singapura e em Hong Kong e verão que o local escolhido será muito pequeno para tanta gente.
Fica um cheirinho de um concerto ao vivo.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sem fundo - TDM vs CA

Comissariado de Auditoria fez uma análise do Relatório de Contas da TDM e, pasmem-se, descobriu que o Administrador Delegado, Manuel Gonçalves, tinha um plano de Saúde que cobria tudo e mais alguma coisa. Para ele e para a família! Só em 2007 e 2009 foram gastos 270 mil patacas em Hong Kong e Portugal! Isto além de viagens privadas e outras regalias.
Outro aspecto salientado pelo CA foi o de usar viagens oficiais para efeitos de férias, aproveitando a deslocação paga pela empresa para ficar mais uns dias de folga. A isto a TDM responde “que não vislumbrava quaisquer situações lesivas aos interesses da empresa no facto de ser o secretariado da Comissão Executiva, em vez dos serviços administrativos, a tratar das passagens aéreas relativas a deslocações em serviço dos administradores.” Adiantando ainda que quanto “ao gozo de férias no seguimento das deslocações em serviço à Europa (...) o número de dias de ausência ao serviço do Administrador-delegado, descontados devidamente os fim-de-semana e feriados, era efectivamente inferior ao número de dias indicados no relatório. Por outro lado, o mesmo pagou todas as despesas emergentes das suas deslocações pessoais, não tendo causando qualquer prejuízo à TDM.”
Tanto quanto sei não é aconselhável gozar férias no seguimento de missões oficiais, fazendo-se uso da passagem de avião paga pelo erário público.

Leiam na íntegra o resultado da auditoria neste link
Uma pérola no Oriente que é Macau!
Agora falta ver em que vai dar o relatório porque situações destas não devem passar impunes numa sociedade de direito como é a de Macau.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Não há foto da bandeira monárquica no Consulado?

Para animar as hostes aqui em Macau, no Dia da República alguns monárquicos (suponhamos) decidiram hastear a bandeira azul e branca no mastro do Consulado Geral de Portugal em Macau! Logo num dia em que o nosso ilustre representante diplomático, o Senhor Cansado, estava ausente em Hong Kong!

Dia feriado em Portugal, logo também assinalado no Consulado de Macau, pelo que o representante de Portugal foi à ex-colónia britânica passear oficialmente!

A brincadeira, por se tratar de violação de espaço privado, não teve graça nenhuma. Mas, por outro lado, até veio animar um dia que em Macau já nem sequer é assinalado pelas nossas autoridades!

Pena não haver fotografias do ensejo que foi comunicado à Lusa por mensagem de telemóvel (logo deverá haver um número que a Lusa deve guardar ao abrigo da confidencialidade das fontes jornalísticas!) e mais tarde confirmado pelo nosso Cônsul que adiantou que a situação foi rapidamente resolvida.

Deixa-me curioso como pode uma pessoa entrar no perímetro do consulado sem que seja detectado!


Aqui o despacho da Lusa.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

o lixo em Macau

O lixo em Macau está cada vez a ficar mais amontoado. Seja pela falta de eficácia da companhia concessionária, seja por este tipo de pessoas que diariamente o rebuscam na procura de ganha-pão. Não querendo ser insensível, acredito existirem coimas para quem pratica este tipo de actividade mas será que alguém alguma vez foi autuado? E, se o foi, será que é civicamente moral fazê-lo? Acredito que quem se vê obrigado a vasculhar lixo não o faça por vontade própria, fá-lo por pura necessidade porque a sociedade onde vive não lhe proporciona as condições mínimas necessárias para a sua sobrevivência. Onde anda o Estado Social de Macau? Ou melhor, como anda…

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Henrique de Senna Fernandes deixou-nos

Um dos grandes vultos da escrita portuguesa deixou-nos com uma grande obra. Partiu do nosso convívio mas deixou para trás milhares de páginas e histórias inesquecíveis. Henrique de Senna Fernandes morreu, a literatura de língua portuguesa ficou mais pobre.

Transcrevo aqui a descrição do Homem e da sua obra pela editora Gryphus.

http://www.gryphus.com.br/autor_sseena%20fernandez.html

“Henrique de Senna Fernandes é a personificação da Macau do século XX. Nascido em 1923, neste pequeno enclave na foz do Rio das Pérolas, acompanhou de perto a transição deste território sob administração de Portugal desde 1557 até o arriar da bandeira portuguesa, em 19 de dezembro de 1999, quando Macau se tornou uma Região Administrativa Especial da República Popular da China. Com mais de 400 anos de História, foi o primeiro entreposto e a última colônia européia na China.

Filho de uma das mais antigas e ilustres famílias macaenses, Henrique de Senna Fernandes teceu uma vida próspera e confortável com os seus 11 irmãos até o início da Segunda Guerra Mundial na Ásia, quando o pai perdeu a fortuna na Bolsa de Hong Kong, e a família teve de procurar abrigo em Macau, fugindo ao avanço japonês. Passou por um período de miséria terrível e sofreu discriminação social. Não obstante, sua determinação em não vergar perante as intempéries dessa vida no limite, fortaleceu o talento para a escrita. E é nele que a Macau dos anos 30, 40 e 50 encontra um legítimo testemunho, através de livros como Nam Van – Contos de Macau e Amor e Dedinhos de Pé. .

A mulher – e as suas múltiplas facetas – é o tema central da obra de Henrique de Senna Fernandes, e o amor, a sua natural conseqüência, envolvendo com freqüência uma moça chinesa e uma rapaz macaense. De alguma forma, há referências autobiográficas em seus livros. Também ele, o orgulho de uma família tradicional macaense, amou e casou-se com uma bela mulher chinesa, desafiando as convenções de uma cidade pequena e conservadora.

Estudou Direito em Coimbra, tornou-se advogado, regressou e montou escritório, apenas para conseguir independência financeira. Sua verdadeira vocação foi sempre escrever e ensinar.

Filho incondicional da sua terra, sempre teve (e ainda tem) orgulho das raízes portuguesas. “Se Portugal é a minha pátria, Macau é a minha mátria”, gosta de dizer.”


Aqui fica a sua página no Facebook

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NaE's kitchen A Cozinha da NaE

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