Como blog estaremos aqui para escrever as nossas opiniões, observações e para que quem nos visite deixe também as suas. Tentaremos, dentro das possibilidades, manter este local actualizado com o que vai acontecendo à nossa volta em Macau e um pouco em todo o lado...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Malásia diz-se dona de Alá

NOS meus anos de vida li e ouvi muito disparate relacionado com religiões e tive oportunidade de presenciar muitos abusos, feitos a coberto das crenças de cada um. No entanto, recentemente, deparei com um, vindo da Malásia, que não passa pela cabeça de ninguém.
Não pretendo fazer juízos de valor acerca de cristãos, muçulmanos, budistas, ou de qualquer outra religião, mas, como sempre me ensinaram, num país livre e democrático a minha liberdade acaba quando começa a interferir com a liberdade do meu semelhante.
Vou passar a explicar, resumidamente, o que vinha na imprensa internacional acerca da decisão do Governo malaio e que pode ser facilmente consultado na internet. Trata-se de uma polémica que envolve um lote de Bíblias importado da Indonésia e escrito em bahasa indonésio para os cristãos malaios. O dito lote foi confiscado porque nele aparece escrito a palavra Alá! E, como refere a Lei da Malásia, a palavra Alá não pode ser usada por cidadãos não-muçulmanos! Aliás, uma prerrogativa da Lei, que muitos vêm como uma cedência do Governo de Kuala Lumpur às fortes forças islâmicas do país, em oposição aos direitos de liberdade religiosa consagrados na Constituição da Malásia. Algo que, aos olhos de muitos observadores, é muito preocupante e abre muitos precedentes.
Os órgãos governamentais baseiam o acto de banir o lote de Bíblias no facto da palavra Alá ser de origem arábica, portanto islâmica, e que o seu uso por não-islâmicos irá ser visto pela comunidade islâmica como um insulto! Por seu lado, as autoridades católicas na Malásia vêem o acto como algo ofensivo e ridículo, tendo já avançado com uma queixa-crime em tribunal contra a decisão governamental.
A Federação Cristã da Malásia diz que a palavra Alá tem sido usada ao longo dos séculos para se referirem a «Deus», tanto no bahasa malaio, como Indonésio (que são bastante semelhantes), pelo que não conseguem compreender a razão da decisão actual.
O bispo Ng Moon Hing chegou mesmo a afirmar que, caso o acesso às Bíblias na língua que escolhem não seja garantido, será posto em causa o direito garantido na Constituição, que dá aos católicos malaios liberdade religiosa.
Esta polémica tem minado a imagem de liberdade religiosa que se acreditava existir neste país asiático maioritariamente muçulmano. A Malásia sempre fez questão de salientar que, apesar do islamismo ser a religião mais praticada no país, as outras religiões (que representam mais de 30% da população) são também praticadas livremente.

Alguma semelhança

Esta polémica à volta de quem pode, ou não pode, usar determinados termos traz-me à lembrança alguns casos que se passam em Macau, onde não poucas vezes nos vimos obrigados a medir as palavras que escrevemos, para que não firamos o orgulho da China.
Nunca me irei esquecer que, depois da passagem de soberania, muitos dos termos e nomes utilizados, nomeadamente para identificar edifícios históricos, foram completamente mudados! Isto já para não falar na limpeza de sinais físicos, que foi feita logo aos primeiros dias de RAEM.
Não quero citar mais exemplos para nos apercebermos disso; basta apenas, em relação aos edifícios mais conhecidos, ver fotos do antes e depois de 20 de Dezembro.
Penso que se tratou de exageros que não se voltam a repetir e que agora já não vale a pena tentar corrigir, porque, como se diz popularmente, «seria pior a emenda que o soneto»!
Isto para não falar nas sensibilidades que se mostram feridas, quando nos referimos à China como um Estado totalitário e autoritário!
São diferenças culturais que é necessário aprender a digerir e a interpretar, para que «não se perca a face».
Afinal, andamos há mais de cinco séculos a fazê-lo pela Ásia!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Choro na língua materna

Vinha estampado na imprensa recentemente que os bebés choram no tom da sua língua materna. O estudo de uma universidade europeia diz que os recém-nascidos têm um tom de choro similar ao tom da voz que ouvem enquanto estão no útero.
Sem saber qual a finalidade ou utilidade do estudo, pergunto-me que será dos bebes que ouvem diversas línguas enquanto andam na barriga da mãe?
Aqui por Macau, por exemplo, onde casais multiculturais falam múltiplas línguas (falo por mim que em casa falamos três quatro línguas), os rebentos devem ter os tons todos misturados!
O mesmo estudo adianta que a língua materna pode ter um efeito decisivo no desenvolvimento do feto no útero.
Será que devido à miríade de línguas em Macau os nossos filhos fiquem todos confundidos?
Estudos para tudo e mais alguma coisa!
Vejam o artigo completo aqui...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um cheirinho do meu artigo

Na próxima sexta-feira vai ser possível ler n’O Clarim um artigo sobre as autoridades da Malásia que parecem ser donos da palavra. “Os órgãos governamentais baseiam o acto de banir o lote de Bíblias pelo facto da palavra Alá ser de origem arábica, portanto islâmica, e que o seu uso por não-islâmicos irá ser visto pela comunidade islâmica como um insulto! Por seu lado, as autoridades católicas na Malásia vêm o acto como algo ofensivo e ridículo, tendo já avançado com uma queixa-crime em tribunal contra a decisão governamental.
A Federação Cristã da Malásia diz que a palavra Alá tem sido usada ao longo dos séculos para se referirem a “Deus” tanto no bahasa Malaio como Indonésio (que são bastante semelhantes), pelo que não conseguem compreender a razão da decisão actual.

Alexandre Ho foi arquivado!

Que raio de vida esta. Vem agora a público que o Ministério Público arquivou o processo de alegada (que já afirmavam ser confirmada!) corrupção do ex-presidente do Conselho de Consumidores. Lembramos que Alexandre Ho cometeu suicídio recentemente, em Zhuhai, deixando uma carta onde alegava não conseguir aguentar a pressão de ser acusado de corrupção e de não ter oportunidade de se defender. O caso foi conhecido há mais de um ano e há mais de oito meses que não tinha qualquer avanço, sendo durante esse tempo o nome de Alexandre Ho arrastado na praça pública. Em consequência disso foi afastado do cargo que ocupava no CC e era olhado com desconfiança por muitos dos seus pares. Tudo, sem que nada tenha sido provado e que agora se vem a saber (pelo arquivamento) não ter sido provado haver fundamento. O arquivamento vai fazer com que nunca se saiba a verdade das acusações.Agora, pergunta-se, quem será responsabilizado pela morte de uma pessoa inocente (visto que, até prova em contrário, assume-se a inocência da pessoa acusada…)Relembra-se que o alegado caso de corrupção envolvia, de acordo com os dados conhecidos, verbas que ascendiam às 10mil Patacas!
(Imagem da capa do PF noticiando a morte de Alexandre Ho a 19 de Agosto deste ano.)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O mundo lusófono e a infância

ESTE mês que agora começa, o de Novembro, é, por tradição, o de maior cartaz turístico em Macau. Este ano, apenas por força do Grande Prémio, visto que o Festival da Lusofonia foi, uma vez mais, antecipado para Outubro. Resta-nos, que mais não seja, o Festival Internacional de Música, – o encerramento é já amanhã, – que todos os anos lá nos vai trazendo alguma coisa do que se faz em Portugal. Desta vez, aliás, trouxe-nos algo do que se fez, «numa de saudosismo»!
Não se percebe muito bem porque é que no ano em que se comemora o décimo aniversário da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), a festa que assinala a mais-valia de Macau não tenha tido, no mínimo, o mesmo destaque do ano passado. Muitas vozes se levantaram contra esse facto, mas as explicações oficiais foram poucas. Passadas poucas semanas, porém, já ninguém se lembra e a vida continua, como se nada tivesse acontecido e dizendo cada um com os seus botões: «para o ano há mais»!
A verdade é que se nota uma grande disparidade entre o que se diz e o que se faz. Se, por um lado, temos altas figuras da hierarquia, quer de Macau quer de Pequim, a dizer que as relações entre a Grande China e os países da Lusofonia devem passar, obrigatoriamente e com todo o sentido, por Macau, – aliás, para isso até foi criado um fórum que muito tem contribuído para tal, – por outro, esquecem-se de incluir os eventos lusófonos, quando se comemoram os dez anos da RAEM.
Quando nos referimos à lusofonia, às relações com a China e ao papel de Macau, temos também de olhar para o outro lado do problema. O que se faz nos países lusófonos para promover a imagem de Macau como plataforma ideal para este convívio? Ou o que se faz em Portugal, por exemplo, para dignificar e dar a conhecer as relações centenárias com a China e o significado de Macau nas mesmas?
É uma questão antiga que, certamente, não terá apenas uma resposta nem nunca será satisfatoriamente esclarecida. Vamos, como sempre, vivendo de compromissos e posições dúbias, que nenhum dos lados assume oficialmente, mas que ambos praticam como mais lhes convém. Macau é isto mesmo: um compromisso assumido há quase meio século e que promete perdurar por muitos mais anos.
Nós, os lusófonos, queixamo-nos, porque parece estar no nosso sangue tal fazer, ou assim pensam os nossos comparsas asiáticos. Por muito ou pouco que se faça, há sempre críticas a quem faz e ao que se apresenta. Aliás, temos um dito muito conhecido na língua portuguesa que diz, mais ou menos assim: «não se pode agradar a gregos e troianos». Assim sendo, não será necessário entrar em muitos mais detalhes neste campo.
Nós, que decidimos viver em Macau, há muito que aceitamos estas situações como normais e olhamos para cada caso como sendo um percalço do percurso de crescimento da RAEM, como já nos habituámos a ouvir de muitas pessoas de boca oficial.
Ao completar dez anos, a RAEM entra na idade da «estupidez», como é conhecido popularmente o período «teenager» em Portugal. Um período onde todas as traquinices e diabrites são perdoadas, porque não se é ainda adulto, mas também já não se é propriamente uma criança.
Vamos esperar até à maioridade da região para ver em que tipo de adulto se irá transformar. Afinal, iremos vê-la com mais anos de maioridade, do que como criança ou adolescente. Será conveniente lembrar que a RAEM vai andar por aqui até aos cinquenta anos.
Acabámos um ciclo de criança que teve os seus momentos altos e baixos. Vamos agora entrar no período de adolescência, em que serão postos à prova os conhecimentos e experiência adquiridas nos primeiros anos de vida. Um momento, pois, de real preparação e definição do carácter adulto de qualquer entidade. Ora, neste caso, tratando-se de uma entidade e não de uma pessoa, está em causa a forma como a mesma se irá relacionar com os cidadãos que nela vivem.
Preocupamo-nos, principalmente, com o que será da lusofonia em Macau, em todas as suas vertentes.
Julgo que, como se viu nos primeiros anos de vida da RAEM, será da capital que virão sempre os maiores incentivos à preservação e fomento desses laços que a língua portuguesa aqui deixou. Penso também que tal interesse se irá manter, enquanto se mantiverem os interesses económicos da China nos países de língua portuguesa e na União Europeia.
Quando tal terminar, se antes não tiver sido fomentado qualquer outro tipo de dependência, podemos muito bem esquecer o que nos mantém em Macau. Até lá, muito trabalho há a fazer de ambos os lados pelas partes interessadas. Os nossos Governos têm de mostrar muito mais trabalho de casa e, antes de mais, têm de manifestar genuinamente estarem empenhados em alimentar esta relação centenária e privilegiada com a China.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Duarte deixa Macau a suspirar por mais

POUCAS pessoas em Macau tiveram conhecimento, mas passou pelo território, entre 16 e 26 deste mês, um dos fadistas mais conhecidos da nova geração em Portugal. Duarte, prémio Amália revelação de 2005/2006, esteve na região em visita privada e aproveitou para fazer uma pré-apresentação do seu novo álbum, que será lançado em meados de Novembro, no Museu do Fado em Lisboa.
Com a sua voz inconfundível, Duarte acedeu a quatro actuações, uma na Casa Garden, sede da Fundação Oriente; uma no restaurante Miramar, em Coloane; e duas no restaurante O Santos. Todas as actuações, num ambiente descontraído e com Duarte a cantar e a tocar viola, foram acompanhadas pelo exímio guitarra portuguesa, Samuel Cabral. Guitarrista que já tocou com todos os grandes nomes do Fado e um dos melhores especialistas da guitarra portuguesa da actualidade. Um apelativo extra das actuações de Duarte em Macau foi ver e ouvir Samuel Cabral dedilhar as cordas da guitarra portuguesa, extraindo os acordes mais incríveis nos concertos.
Duarte, por sua vez, recebeu várias ovações do público em pé, nos locais onde actuou. Apesar de não ser muito frequente ouvir fado em Macau, quem agora teve tal oportunidade mostrou saber como comportar-se no ambiente típico de uma casa de fados. Excepção feita a uma das actuações, em que um dos presentes, depois de várias advertências, teve de ser convidado a abandonar o local por estar a perturbar a actuação dos artistas e o bom ambiente no interior do recinto. Foi, porém, uma excepção, que não voltou a repetir-se.
Apesar dos vários contactos feitos para conseguir organizar mais actuações deste fadista em Macau, as portas mantiveram-se todas fechadas. Mesmo instituições que deviam ser sensíveis para mostrar o que se faz em Portugal, consideraram de pouca importância o facto de estar no território uma das vozes mais representativas da nova vaga de fadistas portugueses. Aliás, esta seria até uma boa oportunidade para, com pouco investimento, organizar um evento cultural que a comunidade local apreciaria. Prova disso foram as várias actuações feitas, que mereceram os maiores elogios por parte de quem esteve presente. Um dos comentários mais ouvidos foi o de que era incompreensível estarem estes artistas em Macau e não ter sido organizado nada pelas entidades oficiais, fossem elas da cultura do Governo ou da parte do Consulado Geral de Portugal.
Pessoalmente, tendo marcado presença em todas as actuações, não me lembro de ter visto ninguém em representação do Governo, nem mesmo o cônsul geral de Portugal em Macau ou alguém do Consulado Geral.
Falo disto porque, a pedido do fadista e do seu agente, por sermos amigos de longa data, me tinha sido solicitado fazer contactos com possíveis locais interessados em que eles actuassem. Dos que tive possibilidade de contactar, – não vale a pena estar aqui a enumerá-los, – as respostas foram todas negativas ou, com muita falta de respeito, nem sequer responderam. Os que responderam positivamente foram os locais onde o fadista actuou e que, – diga-se, – mostraram toda a disponibilidade para mais actuações e um possível regresso em breve.
Muitas vezes nos queixamos em Macau pelo facto de não haver muitas oportunidades para desfrutar de momentos vivos da cultura portuguesa, especialmente no que diz respeito às novas tendências. Acontece, porém, surgirem ocasiões como esta, em que elas nos «batem à porta», mas as portas se mantêm fechadas. O próprio Governo, que através dos seus departamentos de cultura se diz apostado em não deixar morrer a cultura de cariz português que torna Macau um local diferente, pouco ou nada faz. Aliás, alguns digníssimos representantes do Instituto Cultural (IC) cruzaram-se com os ditos fadistas num casino de Macau e nem se dignaram a apresentar cumprimentos!
Duarte deixou Macau bastante bem impressionado pela forma como foi recebido, sem qualquer tipo de ressentimento e deixou a porta aberta para um possível regresso, caso as entidades oficiais de Macau assim o entendam.
Eu diria mais: se querem trazer a Macau grupos que representem Portugal e que nos tragam o que de melhor lá se faz actualmente, acho que deveriam aproveitar oportunidades como esta, em vez de andarem a gastar milhares a trazer grupos e artistas que passaram à história há dezenas de anos e que apenas nos trazem cultura datada e sem nada de novo.
O que se quer em Macau, a nível de cultura de cariz português, é o que se vai fazendo de novo, porque de saudosismo, por cá, já estamos todos bem servidos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O que aí vem na próxima «quadratura»

NOS últimos anos habituámo-nos a ouvir grandes disparates na política de Macau, mas, como sempre, à boa maneira desta terra, olha-se para o lado e nada se diz, ficando tudo bem como dantes.
Depois de ler algumas declarações na imprensa, feitas por um dos novos deputados, apetece-me dizer que vamos ter um mandato da Assembleia Legislativa bastante emocionante e «colorido»! A avaliar pelas recentes opiniões dessa cara nova, podemos esperar de tudo nestes próximos quatro anos. Afinal, pode ser que, a partir de agora, a desculpa mais usada em meios institucionais (é tudo uma questão cultural) passe a ser usada «oficialmente» e seja regulamentada.
Mak Soi Kun, que tomou posse na passada sexta-feira e que é uma das surpresas das eleições deste ano, diz ter como bandeira do seu mandato a «qualidade de vida e defesa das Pequenas e Médias Empresas». Numa recente entrevista publicada na imprensa de língua portuguesa, afirmou que olha para os jantares oferecidos, como sendo uma «forma de mostrar respeito» pelos eleitores!
O deputado eleito pela lista Guangdong-Macau e que veio substituir Fong Chi Keong, diz-se defensor do cidadão comum, mas, por outro lado, não deixa de defender os interesses dos empresários. Algo que, em minha modesta opinião, pode, pelo menos, trazer algumas incompatibilidades! A não ser que, na opinião deste senhor, segundo o qual deve ser a população a decidir acerca das reformas políticas, sejamos todos empresários!
Quando um legislador defende que oferecer jantares aos eleitores é uma questão sem importância e que apenas serve para mostrar respeito só pode estar na política com intenções de «brincar» com todos nós e, mais grave, brincar com as instituições governamentais.
A sombra de Fong Chi Keong, ao afirmar que não vê nada de errado nos jantares que ofereceu, e que tal é tradição em Macau, apenas mostra que desrespeita o primado da Lei da RAEM. A lei eleitoral é clara nesse aspecto, pelo que desculpá-lo por ser uma questão cultural (algo que nunca percebi muito bem e que pode ser muito ambíguo) ou por apenas ser uma forma de dizer «obrigado», é algo que não deve ter lugar e que merece ser punido.

Lusofonia

Este fim-de-semana realiza-se a décima segunda edição do certame que assinala o lado lusófono de Macau. Agora chamado de Festival da Lusofonia voltou ao formato inicial de dois dias e meio com três noites de espectáculos e um orçamento muito mais reduzido.
Nos últimos dias tenho visto várias pessoas a apontar o dedo ao Instituo para os Assuntos Cívicos e Municipais pela falta de verba; se olharmos, porém, para os anos anteriores, a verba aplicada tem aumentado de ano para ano. Apenas em 2008 foi substancialmente mais elevada porque houve a participação do Fórum para a Cooperação Económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Tal ajuda este ano não existiu, sendo o IACM obrigado a fazer ginástica financeira para conseguir, na medida do possível, manter algum do nível que mostrou no certame do ano passado.
Todos sabemos que sempre que os eventos melhoram quando existem fundos suficientes para se fazer um bom trabalho, no ano seguinte torna-se difícil explicar a razão pela qual se apresenta um programa mais fraco. No entanto, tem que se ter em conta que a entidade responsável, assim como a pessoa que trabalha horas a fio para que estes dois dias e meio de festa possam existir, estão constringidos por rigores orçamentais.
Cabe ao Governo, talvez à secretaria que tutela o Turismo ou a Cultura, tomar pulso desta iniciativa e desbloquear a verbas necessárias para organizar um certame à altura do que se fez no ano passado. Afinal, há tantas verbas do Orçamento do Governo que acabam por não ser utilizadas!
Para este ano resta-me dizer que, com pouco mais de um milhão de patacas, muito se faz e muito se oferece, quando comparado com os muitos milhões que havia no ano passado!
Divirtam-se, pois! Um feliz Festival da Lusofonia 2009.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Um cheirinho do meu artigo

Na edição da próxima sexta-feira vão ler um texto que fala dos disparates de um novo deputado.
A sombra de Fong Chi Keong ao afirmar que não vê nada de errado nos jantares que ofereceu, e que tal é tradição em Macau, apenas mostra que desrespeita o primado da Lei da RAEM. A Lei eleitoral é clara nesse aspecto, pelo que desculpá-lo por ser uma questão cultural (algo que nunca percebi muito bem e que pode ser muito ambíguo) ou por apenas ser uma forma de dizer “obrigado” é algo que não deve ter lugar e que merece ser punido.
E que aborda também a Lusofonia, o festival que hoje começa e que todos criticam.
Este fim-de-semana realiza-se a décima segunda edição do certame que assinala o lado lusófono de Macau. Agora chamado de Festival da Lusofonia voltou ao formato inicial de dois dias e meio com três noites de espectáculos e um orçamento muito mais reduzido.
Nos últimos dias tenho visto várias pessoas a apontar o dedo ao Instituo para os Assuntos Cívicos e Municipais pela falta de verba mas, se olharmos para os anos anteriores, a verba aplicada tem aumentado de ano para ano. Apenas em 2008 foi substancialmente mais elevada porque houve a participação do Fórum para a Cooperação Económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Tal ajuda este ano não existiu, sendo o IACM obrigado a fazer ginástica financeira para conseguir, na medida do possível, manter algum do nível que mostrou no certame do ano passado.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Barracas de gente rica

As barracas da Ilha Verde acabaram, segundo anunciou o Governo com toda a pompa na semana passada. Este legado, que a todos envergonhava e que se arrastou por dezenas de anos, chegou finalmente ao fim. Para que não esqueçamos a triste história, está patente no Armazém do Boi uma exposição fotográfica que mostra a sua evolução ao longo dos anos.
Todo o processo de demolição esteve envolto em polémica, seja porque os ocupantes reclamavam mais indemnizações do Governo, fosse porque o Governo era acusado de não ouvir as partes interessadas e de recorrer à força excessiva para efectuar as demolições e os necessários desalojamentos.
O episódio final, que envolvia a última família que se recusava a abandonar a barraca, teve o fim que todos adivinhavam. As máquinas do Governo avançaram e demoliram o que ali existia.
Agora que tudo veio abaixo, fala-se da história da família que ali vivia e que se recusava a sair porque, consideravam, deveriam receber mais do Governo.
A verdade é que, segundo os documentos oficiais, que são públicos, a dita família a viver numa barraca (segundo diziam) tinha comprado, em 1994 e em 1995 duas habitações económicas, tendo posteriormente vendido uma delas. No entanto, o registo de propriedade desta nunca mudou de nome, o que é o mesmo que dizer que a família era proprietária de duas habitações sociais subsidiadas pelos impostos de todos nós e ainda reclamavam a atribuição de mais uma casa em troca da barraca na Ilha Verde.
Não critico que as pessoas tentem lutar por uma vida melhor, mas quando para tal não olham a meios, a verdade tem de ser dita. Esta família, sendo proprietária de habitação subsidiada pelo Governo, não tem direito a outra. A Lei é clara nesse aspecto. Aliás, a família, ao ter adquirido duas casas, estava já a violar os regulamentos de atribuição de casa subsidiada pelo Governo. O regulamento diz claramente que para os residentes se candidatarem não podem ser proprietários de qualquer fracção habitacional em Macau e devem ter condição económica que justifique a atribuição da ajuda do Governo.
O facto de a família ser proprietária de, pelo menos, uma habitação em Macau, faz com que não tenha direito a outra das mesmas condições. Pelo que a remoção da barraca na Ilha Verde dará, quanto muito, lugar a uma pequena indemnização pelo facto do Governo os ter expropriado, no caso de haver documentos que comprovem a sua titularidade sobre o terreno onde a barraca se encontra. Caso contrário, não têm direito a nada.
Aliás, olhando para os dados que são conhecidos, a referida família, tendo a certa altura duas casas, não me parece que seja propriamente uma família necessitada de habitação social! Além do mais, vendeu, ao que se sabe, uma das habitações sociais que tinha adquirido entre 1994 e 1995 o que, só por si, deveria ser factor suficiente para nunca mais ser elegível para atribuição de habitação subsidiada pelo Governo.
Reclamam que são uma família numerosa (penso que seis elementos) e que a segunda habitação (de cerca de 40 metros quadrados) não é suficiente. Por isso reclamam que lhes seja atribuída uma de três quartos e até fixam o preço máximo em 300 mil patacas! No entanto, esquecem-se que já tiveram direito a duas fracções anteriormente, enquanto que, pela Lei, deveriam apenas ter recebido um apartamento.
A questão aqui prende-se com o facto de se saber, ao certo, se esta família precisa, ou não, de casa do Governo. O facto de já lhes ter sido dada a oportunidade de adquirirem duas fracções a preço subsidiado, e o facto de terem vendido uma delas, leva a pensar que não deverá haver grande dificuldade económica no seio da família para que adquiram casa como a maioria das pessoas de Macau, caso não estejam satisfeitos com o que o Governo lhes deu.
Sei de casos de famílias que pagaram bem mais do que esta para ter uma casa de 40 metros quadrados. E quando digo bem mais, refiro-me a quatro e cinco vezes mais!
Esta situação tem sido explorada pela comunicação social e alimentada pelas diversas movimentações da família, no intuito de conseguirem o que querem; porém, desta vez e de acordo com a Lei, o Governo tem sido inflexível. Aliás, assim deveria agir em todos os incidentes deste e de outro tipo.
Por outro lado, há muitas famílias que se encontram em situação muito pior do que esta e que continuam à espera que lhes seja atribuída uma habitação social ou subsidiada, para que possam levar uma vida digna.
Enquanto o Governo continuar a perder tempo com casos destes, não será possível ao Instituto de Habitação debruçar-se sobre os casos que realmente precisam de ajuda e, como todos sabemos, apesar de toda a riqueza existente em Macau, esses casos abundam a cada esquina.
Só não os vê quem não quer ou quem não tem sensibilidade para ver a miséria que nos rodeia.
Apetece dizer, eu quero uma casa do Governo com três quartos também!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sangue por todo o lado

Presenciei há pouco, assim como muitas outras pessoas, um incidente que envolveu uma criança, estudante do ensino secundário. O jovem, que não deveria ter mais de 15 ou 16 anos, encontrava-se sentado, com uniforme vestido, sangrando abundantemente na zona da cabeça. O sangue era tanto que não deu para saber de onde estaria a sair. No entanto, visto que os polícias no local não pareciam muito preocupados, deduzo que seria do nariz e que nada de anormal se terá passado.
O incidente deu-se à hora de almoço, a Rua do Dr Soares, que liga a Almeida Ribeiro à Calçada do Tronco Velho, ali mesmo perto do edifício amarelo ao lado do Leal Senado, com imensas pessoas a passar e a parar para ver o que se passava, dificultando ainda mais a chegada da ambulância que havia já sido chamada.
Não fiquei, nem sequer abrandei para saber ao certo o que se passou com o jovem, visto as autoridades estarem a tomar conta da ocorrência. Mas, no regresso ao escritório, depois de almoço, passei pelo local onde o jovem se encontrava sentado e deparei com a triste cena que a foto retrata.
Sangue por todo o lado, lenços de papel sujos de sangue, enfim, tudo o que o jovem usou para estancar a sangria, ali ficou sem que nem os agentes da PSP nem os do Corpo de Bombeiros se dignassem a removê-los e a limpar o chão.
É uma questão de civismo mas também de higiene pública visto tratar-se de sangue humano e, no caso de ter alguma doença contagiosa, poderá ser um risco para a Saúde Pública.
Os agentes da polícia passam ali diariamente, mais do que uma vez visto que no cimo da Calçada do Tronco Velho existir o Comissariado Número 1, e nada fazem.
Cabe à população indignar-se e fazer alguma coisa?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Duarte actua n'O Santos em Macau

Noite de fados, com a participação do fadista português Duarte, vencedor do Prémio Amália 2005/2006.
Duarte vai estar em Macau por uns dias, para visita particular, e acedeu actuar n’O Santos duas noites.
Dia 19 de Outubro, Segunda-feira, a partir das 21 horas.
Dia 20 de Outubro, Terça-feira, a partir das 20 horas.
Neste dia O Santos abre apenas para a noite de fados!
Em Novembro de 2006, o Duarte recebeu o prémio “Melhor novo fadista” da Fundação Amália Rodrigues, a mais prestigiada organização de Fado em Portugal, um legado deixado pela Diva do Fado, Amália Rodrigues.

Para reservas, use o link do Facebook, ou contacte o Restaurante O Santos (28825594).

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A culpa morre solteira

AS eleições para a Assembleia Legislativa foram a novela que todos sabemos. Os atrasos na divulgação dos votos, as confusões com os cartazes das listas, os almoços, jantares, autocarros e outros acessórios fizeram do evento algo de colorido, muito à maneira de Macau. Se não estivéssemos habituados, ainda poderíamos considerar tudo isto digno de um país do terceiro mundo, mas, como se diz nesta terra, «Macau sã assi».
A minha opinião acerca de tudo isto é muito privada e não caberia aqui estar a divulgá-la, mas como o Chefe do Executivo se manifestou recentemente acerca da contagem dos votos nulos, achei que também poderia manifestar a minha abertamente.
É incompreensível como é que Edmund Ho, em fim de mandato, vem a público dizer que as pessoas que não cumpriram a Lei (a Comissão Eleitoral e a Assembleia de Apuramento Geral) não têm de ser chamadas à responsabilidade porque, «no final de contas, tudo correu bem»!
Os factos são muito claros. Os votos nulos foram validados por aquelas duas instituições, sendo, depois, devido a recurso interposto judicialmente por algumas listas, considerados inúteis pelo Tribunal de Última Instância. Portanto, a entidade judicial máxima da RAEM considera que o acto foi ilegal. Sabe-se quem o praticou (pelo menos sabe-se de quem é a responsabilidade institucional) e nada acontece?
Apontam o dedo ao facto dos eleitores não saberem onde deviam meter o carimbo. No entanto, não me lembro de ter visto na comunicação social qualquer campanha de educação sobre a forma de votar. Algo que se justificava, visto ter sido a primeira vez que o sistema de carimbo era utilizado.
Mas Edmund Ho não está sozinho nesta campanha de perdão institucional. A ele juntou-se o Comissário Cheong U, dizendo que tudo correu dentro do normal, mesmo tendo o CCAC recebido quase 350 queixas relativas a este processo eleitoral.

É mesmo Macau!

É incompreensível que, num local onde existem leis e onde o primado da lei é uma das pedras basilares da nossa sociedade, se possa deixar passar incólume este tipo de situações. A verdade é que dois organismos de fiscalização não fizeram o seu trabalho e causaram prejuízos a um processo eleitoral que se queria transparente. Em última instância, quando não se pode ou não se quer apurar em pormenor o responsável pelo erro, é o chefe máximo que o deve assumir. Assim mandam as regras de um bom chefe: quando os seus subordinados falham e não se pode identificar quem foi, é o chefe que, por uma questão de honorabilidade, deve chegar à frente e assumir toda a responsabilidade.
Seria impensável em qualquer outro local acontecer uma situação desta natureza e continuar tudo na mesma. Olhe-se, por exemplo, para a situação que se passou durante a campanha eleitoral em Portugal e da polémica em torno das suspeitas de escutas telefónicas ao pessoal da Casa da Presidência da República. Ainda não se sabendo ao certo se é, ou não, verdade, o assessor do Presidente foi já demitido visto ter sido identificado como o responsável directo da informação. Mesmo que não tenha sido ele quem deu a informação à imprensa, a responsabilidade final é dele, porque está no âmbito das suas atribuições.
Aqui por Macau começa a tornar-se hábito pessoas com responsabilidade não assumirem as suas próprias responsabilidades quando acontecem erros crassos. É de justeza de carácter que se fala.
Quando um dirigente não tem frontalidade e carácter para assumir a responsabilidade por algo que correu mal sob a sua alçada, que mais se poderá pedir dessa pessoa ou, em última instância, desse sistema

Prazos que não se cumprem

COMEMORAM-SE amanhã seis décadas de vida da República Popular da China, uma data de grande importância para toda a nação chinesa e que nos deixa cheios de orgulho por vivermos neste grande país. No entanto, por muito que goste de enaltecer o meu país de acolhimento, não é disso que quero escrever. Aliás, nestes dias muito se há-de escrever sobre os 60 anos da China e, tendo eu pouco mais do que metade dessa provecta idade, não terei nenhum conhecimento de causa para me pronunciar sobre a efeméride. O que sei, pelos livros da história ocidental, pouco abona a favor de Pequim, pelo que mais vale estar calado!
O que quero aqui abordar é algo que li recentemente e que, cada vez que passo pelo local, me faz sentir um frio na espinha. Recentemente, a presidente do Instituto Cultural, Heidi Ho, anunciava que a Casa do Mandarim estaria para abrir. Não sei se seria campanha eleitoral fora de época ou se estava a ouvir mais um «bitaite» descabido, como os muitos que a ex-colega manda. A dita casa deve ser assombrada ou ter mau «fong soi». Há vários anos que está a ser recuperada e já por várias vezes foi anunciada a sua abertura ao público; mas, como se pode ver quando por ali se passa, tudo continua fechado a sete chaves!
A verdade é que a Casa do Mandarim é parte importante de todo o Património de Macau e o facto de estar fechada ao público é uma perda enorme para todos nós. A sua recuperação deveria ter sido tarefa de primeira importância e deveria ter sido levada a cabo com toda a seriedade, pois só assim seria possível terminá-la em prazo aceitável, para ser restituída a quem dela tem direito a usufruir: todos nós e quem nos visita.
Milhões têm sido canalizados para a sua recuperação Ao certo ninguém sabe quando foi gasto, ou quanto ainda será preciso gastar nas restantes obras de beneficiação do local. Mas não é o dinheiro a razão deste apontamento. A razão é bem outra. É que o prazo, que se arrasta no tempo, começa a dar indícios de que muitos interesses ocultos devem estar a lucrar com este atraso fenomenal. Bem ao estilo de Macau, o mais impressionante é que, para além de umas interpelações esporádicas de alguns deputados na Assembleia Legislativa, pouco mais se vê na procura da verdade por detrás de todo este processo de recuperação.
Outro aspecto que quero salientar é a forma da sua recuperação. Segundo sei, os trabalhos tinham como objectivo restituir a forma original ao edifício. Será que quando o «mandarim» ali vivia já a casa tinha portão de ferro eléctrico?

Os parquímetros para motociclos

Foi anunciado recentemente que o Governo planeia lançar, a título experimental, lugares de estacionamento pago para veículos de duas rodas. Lembro-me de ter aqui abordado este tema uma ou duas vezes e de sempre ter referido que, ao se avançar para esta medida, havia outros factores a ter em conta.
A criação de parquímetros para veículos de duas rodas não é tão fácil como para os automóveis. Primeiro tem de se ter em conta como se vai processar o pagamento e a sua prova. Deve ter-se em conta também toda a demarcação do lugar de estacionamento porque, se somos obrigados a pagar, teremos de receber algo de volta. Logo, ao ter de pagar por estacionamento, tem de haver uma demarcação no piso para cada veículo.
Um ponto a ter em conta em Macau e de que todos os proprietários de veículos de duas rodas têm conhecimento, é a facilidade com que outros utentes movem os veículos estacionados para conseguirem arranjar um espaço para o seu. Nestes casos, e tendo os veículos estacionados pago a tarifa devida, como se vai proceder ao seu controle, caso o utente seguinte o retire da zona demarcada? Por outro lado, caso não sejam demarcados lugares individuais e caso não haja a emissão de títulos de pagamento, como se pode provar que o utente pagou o tempo devido?
Sendo proprietário de motociclo, e defendendo os parquímetros para veículos de duas rodas há muito tempo, alerto para a necessidade de se ter cuidado com muitos aspectos de carácter técnico.
Por outro lado, ao se introduzirem parquímetros, sejam eles para duas ou quatro rodas, deve-se ter em conta que a maior parte dos prédios de Macau não têm parque de estacionamento. Dou o meu exemplo: no prédio onde comprei casa não existem estacionamentos para venda, pelo que sou obrigado a estacionar na rua. O silo automóvel mais próximo é privado e não disponibiliza lugares mensais; o do Governo, nas proximidades, não tem lugares disponíveis. Qual será, pois, a solução para pessoas na minha situação, se tiver todos os lugares com parquímetro na zona onde vivo? Vou ter de ir, de duas em duas horas, meter a moedinha? Porque não criar, à semelhança de muitas cidades ocidentais, cartões de estacionamento em parquímetros para residentes da área, ou passes de estacionamento que são pagos mensalmente ou anualmente ao Governo?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Gripe A e os critérios dos médicos


As informações relativas à gripe A em Macau limitam-se à publicação, diária, de dados estatísticos e pouco mais se sabe oficialmente. No entanto, em conversas “de café” vai-se sabendo que o tratamento que se dá aos pacientes que se dirigem aos Serviços de Saúde com sintomas gripais, ou porque em sua consciência consideram que são pessoas de risco por terem estado em contacto com pessoas infectadas, não é uniforme. Há exemplos de quem se dirigiu às Urgências com pequenos sintomas de gripe e lhes foi recusado o teste de H1N1 e foram enviados para casa 1 ou 2 dias sem mais medicação do que a normalmente receitada. Outros, que mantiveram contacto prolongado com doentes infectados, e porque não apresentavam sintomas febris, nem sequer lhes foi feito o rastreio nem lhes foi dado ordem de quarentena, tendo-lhes sido dito que poderiam continuar a fazer a sua vida diária como normalmente. E outros existem que, mesmos sem sinais de doença, mas porque “apanharam um médico simpático” ficaram uma semana em casa como medida de precaução!
A verdade é que em Macau, um local com pouco mais de 500 mil pessoas, 3392 é o número total de casos de infectados. Destes, nove continuam hospitalizados e destes nove, dois estão em estado satisfatório enquanto os outros sete estão em estado considerado grave.
Entre terça e quarta-feira os Serviços de Saúde anunciaram ter detectado mais nove dezenas de pessoas com sinais de H1N1. “Entre os dias 6 e 7 de Outubro da parte da tarde, registaram-se 90 casos de doentes com sintomas gripais que recorreram ao Centro Hospitalar Conde de São Januário e ao Hospital Kiang Wu. No dia 7 de Outubro, nenhum estabelecimento escolar local necessitou de proceder à suspensão de aulas por infecção colectiva pela gripe. No entanto, os Serviços de Saúde continuam a manter o sistema de vigilância epidemiológica nos estabelecimentos escolares, lares e outras instituições.
De segunda a terça-feira, de acordo com os SS, foram encontrados em Macau quase uma centena de pessoas com gripe A. “Do dia 5 à tarde a dia 6 de Outubro à tarde, um total de 92 doentes com sintomas gripais recorreram à consulta médica respectivamente, dos Serviços de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário e do Hospital Kiang Wu. A 6 de Outubro, na Escola Portuguesa de Macau (EPM), um total de 7 turmas, do 8.º ao 12.º ano, teve de suspender as aulas por ocorrência de um grande número de casos de infecção colectiva de Gripe A (H1N1). Segundo informação da escola, na madrugada do dia 2 de Outubro, mais de 100 alunos da EPM participaram numa festa privada organizada pelos estudantes finalistas. Nos dias sucessivos à festa, alguns alunos começaram a apresentar sintomas gripais tendo sido posteriormente confirmados como casos de Gripe A (H1N1). Visto que muitos alunos destas 7 turmas manifestaram ao mesmo tempo sintomas gripais, os Serviços de Saúde já informaram a escola em causa para a suspensão das aulas por 5 dias nas turmas supracitadas, a fim de prevenir a propagação da gripe na escola. Os S.S. continuam a manter um sistema de vigilância epidemiológica para os estabelecimentos escolares, lares e outras instituições.
De domingo a segunda-feira tinham sido detectados 142 casos positivos de H1N1. “Do dia 4 até à tarde do dia 5 de Outubro, um total de 142 doentes com sintomas gripais recorram à consulta médica respectivamente dos Serviços de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário e do Hospital Kiang Wu. A 5 de Outubro, um total de 3 turmas teve de suspender as aulas por ocorrência de casos de infecção colectiva de Gripe A (H1N1), registados principalmente na turma P1 da Escola Secundária Sam Yuk de Macau, na turma (Chi) do 4º ano da Escola Primária Luso-chinesa De Tamagnini Barbosa e na turma P6C da Escola Cheung Kung Hui (Macau). Os Serviços de Saúde estão a acompanhar de perto a situação epidemiológica em estabelecimentos escolares, lares e outras instituições.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Um cheirinho do meu artigo

Na próxima edição d’O Clarim vai ler-se ainda sobre o processo eleitoral. Mesmo um pouco fora de época, acho que devia voltar a falar de todo o processo de recontagem de votos. Afinal foi o Chefe do Executivo que trouxe o assunto à baila. “É incompreensível que, num local onde existem leis e onde o primado da Lei é uma das pedras basilares da nossa sociedade, se possa deixar passar incólume este tipo de situações. A verdade é que dois organismos de fiscalização não fizeram o seu trabalho e causaram prejuízos a um processo eleitoral que se queria transparente. Em última instância, quando não se pode ou não se quer apurar em pormenor o responsável pelo erro, é o chefe máximo que o deve assumir. Assim mandam as regras de um bom chefe, quando os seus subordinados falham e não se pode identificar quem foi, é o chefe que, por uma questão de honorabilidade, deve chegar à frente e assumir toda a responsabilidade.

3068 casos de Gripe A H1N1


Terminadas as celebrações dos 60 anos da China popular, voltados ao trabalho, vamos agora fazer o balanço da gripe. Parece que nada mudou e continuamos com a mesma situação que tínhamos antes de ter-mos rumado às praias das Filipinas!
De acordo com o último despacho dos Serviços de Saúde, a única alteração é mesmo a nova estratégia de elaboração dos títulos, que agora são ênfase aos pacientes que vão tendo alta hospitalar. Daqui podemos depreender duas coisas, ou o número de casos graves que necessitam de hospitalização estão a aumentar ou os cuidados paliativos não estão a funcionar pelo que os pacientes têm de ser admitidos!
Do dia 3 até à tarde do dia 4 de Outubro, registaram-se totalmente 89 casos de doentes com sintomas gripais que recorreram ao serviço de urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário e ao serviço de urgência do Hospital Kiang Wu. No dia 4 de Outubro, um total de 3 turmas tiveram de suspender as aulas por ocorrência de vários casos confirmados da Gripe A (H1N1), sendo respectivamente a turma “Mong” do 3.° ano do ensino secundário-geral da Escola Secundária Pui Ching, turma 9 do 3.° ano do ensino secundário-geral da Escola Hou Kong e turma 9A da Escola Portuguesa de Macau. Os Serviços de Saúde ainda estão a acompanhar de perto a situação de ocorrência de gripe em estabelecimentos escolares, lares e outras entidades.
No último dia de Setembro tinham sido detectados 34 novos casos.
No dia 1 de Outubro foram mais 33.
No dia 2, surpreendentemente, e sem que haja qualquer explicação oficial, foram detectados 141 casos, um aumento de quase 500% relativamente ao dia anterior!
No dia 3 o número de casos baixou para os 89.
Quanto aos casos mais graves, são neste momento seis.
Como agora já não são fornecidos dados totais de casos de gripe A, cabe-nos fazer as contas. 2.771 casos no dia 30 de Setembro, portanto, até ontem tinham sido detectados mais de três mil casos. Mais concretamente 3068 casos de Gripe A H1N1.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

2694 casos, fase de transmissão sustentada


De acordo com os Serviços de Saúde a “A H1N1 entrar na 3ª. fase (fase de transmissão sustentada)” pelo que agora, todos os que apresentarem sintomas de gripe serão tratados com antivirais. Sendo os casos mais graves submetidos a exames virais para despistagem do H1N1.
Para breve, à semelhança de Hong Kong, sob a desculpa de salvaguardar os recursos humanos, deverá ser anunciada a paragem da contabilização dos casos diários. Em Hong Kong, recentemente, um responsável da Saúde adiantava que o número de infectados era duas ou três vezes mais do que os números oficiais (25 mil)! E que, actualmente, mais de 80% dos casos de gripe (leve, média e severa) eram já de gripe A, pelo que os clínicos estavam instruídos para tratarem todos os pacientes como se estivessem na presença de casos positivos.
Aqui, por enquanto, ainda se contam casos, com uma notória diminuição dos mesmos nos últimos dias! No dia 26 anunciava-se que “Do dia 25 até à tarde do dia 26 de Setembro, os Serviços de Saúde registaram 44 novos casos confirmados da Gripe A (H1N1), sendo 15 do sexo feminino e 29 do sexo masculino, com idades variando entre 1 e 66 anos. A turma P4D da Escola de Aplicação anexa à Universidade de Macau em que se verificaram casos de infecção colectiva da Gripe A (H1N1), foi avisada pelos Serviços de Saúde para suspender as aulas. Além desta, existem 9 turmas que foram obrigadas a suspender as aulas devido à apresentação colectiva de casos com sintomas gripais, sendo os casos registados principalmente na Escola Hou Kong (Pré-Primário), na Escola para Filhos e Irmãos dos Operários e na Escola Secundária Pui Va. Os Serviços de Saúde estão a acompanhar de perto a situação de pandemia de gripe em estabelecimentos escolares, lares e outras instituições.
E no Domingo “Do dia 26 até à tarde do dia 27 de Setembro, os Serviços de Saúde registaram 25 novos casos confirmados da Gripe A (H1N1), sendo 12 do sexo feminino e 13 do sexo masculino, com idades variando entre 7 meses e 31 anos. Relativamente à Turma P3B da Escola São Paulo e à Turma F1C da Escola Secundária Pui Ching, cujas aulas tinham sido suspensas por terem verificados casos de infecção colectiva de gripe, após a análise laboratorial, foram confirmados ser casos de infecção colectiva da Gripe A (H1N1). Os Serviços de Saúde estão a acompanhar de perto a situação de pandemia de gripe em estabelecimentos escolares, lares e outras instituições.
Na totalidade foram contabilizados, até ao dia 27 de Setembro, 2694 casos da Gripe A.

Um cheirinho do meu artigo

É costume aqui dizer que na próxima sexta-feira vão ler n’O Clarim isto e aquilo. Bom, esta semana é na Quinta-feira em virtude dos feriados que caem na quinta e sexta-feira.
No artigo desta semana falo de dois assuntos, um de cariz cultural outro de cariz cívico.
Milhões têm sido canalizados para a sua recuperação Ao certo ninguém sabe quando foi gasto, ou quanto ainda será preciso gastar nas restantes obras de beneficiação do local. A verdade é que o dinheiro, neste caso, é o mal menor. O prazo, que se arrasta no tempo, começa a dar indícios de que muitos interesses ocultos devem estar a lucrar com este atraso fenomenal. Mas, bem ao estilo de Macau, o mais impressionante é que, para além de umas interpelações esporádicas por alguns deputados na Assembleia Legislativa, pouco mais se vê na procura da verdade por detrás de todo o processo de recuperação.
Outro aspecto que quero salientar é a forma da sua recuperação. Segundo sei os trabalhos tinham como objectivo restituir a forma original ao edifício. Será que quando o “mandarim” ali vivia já a casa tinha portão de ferro eléctrico?
(…)
Foi anunciado recentemente que o Governo planeia lançar, a título experimental, lugares de estacionamento pago para veículos de duas rodas. Lembro-me de ter abordado este tema aqui por uma ou duas vezes e de sempre referir que, ao se avançar por esta medida, havia outros factores a ter em conta.
A criação de parquímetros para veículos de duas rodas não é tão fácil como a criação para os automóveis. Primeiro tem de se ter em conta como se vai processar o pagamento e a sua prova. Deve ter-se em conta também toda a demarcação do lugar de estacionamento porque, se somos obrigados a pagar, teremos de receber algo de volta. Logo, ao se pagar por estacionamento, tem de haver uma demarcação no piso para cada veículo.

NaE's kitchen A Cozinha da NaE

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