Como blog estaremos aqui para escrever as nossas opiniões, observações e para que quem nos visite deixe também as suas. Tentaremos, dentro das possibilidades, manter este local actualizado com o que vai acontecendo à nossa volta em Macau e um pouco em todo o lado...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Os animais que somos

OS ANIMAIS de companhia sempre foram uma presença constante em Macau. Desde tempos idos, cães e gatos marcam o quotidiano da vida de quem aqui vive. Apesar do evoluir da sociedade, com o aumento do número de pessoas e a consequente diminuição de espaço, o número de animais continua a aumentar. Segundo os números não oficiais das instituições que se dedicam a proteger os animais, há cada vez mais cães e gatos vadios nas ruas da cidade. Sem ou com números oficiais, a verdade é que os canis de Macau estão cheios e todos os dias aparecem mais animais abandonados.
O querer adquirir um animal de estimação não é decisão que se possa tomar de ânimo leve, porque um cão ou um gato podem chegar a viver uma dezena de anos, aliás alguns chegam mesmo a passar largamente essa marca. Pelo que, ao decidir levar um amigo de quatro patas para casa, temos de fazê-lo depois de muito ponderar e conscientes de que temos as condições necessárias para o tratar de modo conveniente. Caso não se assuma essa responsabilidade, mais vale desistir da ideia porque, mais cedo ou mais tarde, acaba-se por abandonar o animal.
Apesar de saber que estas palavras, possivelmente, irão cair em saco roto, penso que se deve continuar a sensibilizar a população. O Governo, através do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, faz um esforço louvável, sendo também de salientar e enaltecer o trabalho das associações protectoras dos animais no dia-a-dia. Mas, apesar disto, e da dedicação de centenas de pessoas, a situação parece ainda estar longe de ser a ideal.
Falta em Macau uma estrutura que considero essencial na educação e sensibilização das pessoas, ou seja, uma federação ou qualquer outro organismo que congregue, a nível institucional, todas as entidades privadas e públicas que se dedicam à protecção e promoção dos animais de estimação. São essas federações, ou clubes, que organizam eventos e competições, em que os donos e os interessados podem ver os animais em acção: uma actividade que pode servir, em grande medida, para sensibilizar quanto aos direitos dos animais e obrigações dos seus donos. Assim como pode ser um veículo extremamente eficiente para promover as leis que regulam a posse de animais e o comportamento que os seus proprietários devem ter em conta para evitar serem punidos. Para tudo na sociedade tem de haver regras e a posse de animais não deve ser diferente.

Evento sem tradução

A Doca dos Pescadores vai ser palco, este fim-de-semana (começa hoje e termina no Domingo) de um evento denominado (numa tradução livre porque não existe nem sequer versão em inglês) Olimpíadas dos Animais de Estimação. Pelo que consegui perceber no sítio da internet (www.olympets.net), trata-se de uma competição/exibição/certame com cães. O dito evento é apenas uma das etapas de um calendário que já passou por Cantão, Xangai e Hong Kong, voltando depois novamente a Xangai e, por fim, passa por Zhuhai.
Como se pode ver pelo seu carácter «internacional» (!), este evento usa erradamente o nome «International Pet Oympic Games Association», visto que, para ser «international», deveria contar com a participação de países estrangeiros e, antes de mais, deveria ser promovido convenientemente, de modo que os «internationals» pudessem perceber de que tipo de evento realmente se trata. Tal não acontece, pois tudo é comunicado unicamente em chinês, sem qualquer versão em português ou, em última instância, em inglês.
É de louvar que em Macau se organizem eventos desta natureza, mas considero que quando se dá autorização, deve ser exigido que, pelo menos, se usem as duas línguas oficiais e também o inglês, pois só assim se pode assegurar que a população de Macau (que fala chinês, português e inglês) seja um alvo potencial das campanhas de sensibilização.
Desejo, mesmo assim, que o evento possa decorrer da melhor forma e que no próximo ano, caso volte a Macau, seja organizado de forma que todos possamos ser informados devidamente e entender, de facto, o evento.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Thai Tiger com planos para Macau

A Thai Airways e a Tiger Airways vão lançar uma nova companhia de voos de baixo custo. O anúncio foi feito ontem em Banguecoque, depois de muitas negociações feitas em total secretismo. A falta de informação pública foi de tal forma que alguns membros do Parlamento Tailandês pediram à Thai Airways, que é detida maioritariamente pelo Estado, para que viessem explicar a razão por terem apenas anunciado a operação quando esta já estava concluída.
Com início de operações programado para o próximo ano, a nova operadora de voos de baixo custo vai apostar nos mercados da China, com Macau a ser um dos destinos com partida de Banguecoque, Índia e Indonésia.
A nova companhia, que se vai chamar Thai Tiger foi, desde logo, alvo de críticas por parte de outros operadores, nomeadamente por parte do CEO da Thai Airasia, Tassapon Bijleveld. O homem da maior lowcost baseada na Tailândia apontou o dedo à empresa do Governo, dizendo que fizeram uma má aposta porque o mercado da região é de baixo valor. Segundo Tassapon a aposta da Thai, como empresa bandeira do país, deveria passar pelo mercado de topo e não pelo de baixo custo.
Com o início de operações marcado para o início de 2011, a nova empresa terá o seu capital dividido em 49 por cento para a Tiger Airways e os restantes 51 por cento entre a Thai Airways e outras subsidiárias do grupo Thai. A nova companhia irá operar com o mesmo tipo de aeronave que a Tiger Airways está a usar na sua frota e terá a sua base no aeroporto de Suvarnabhumi em Banguecoque oferecendo voos num raio de cinco horas.
A nova aposta é bem vista pelas agências de investimento que dizem ser um passo inteligente por parte da Thai Airways aproveitar a estrutura da Tiger Airways para reforçar a sua posição no mercado de baixo custo.

domingo, 1 de agosto de 2010

Saúde sem português

AGORA que estamos em finais de Julho, quero voltar a um assunto que não abordo há algum tempo: a língua portuguesa e os Serviços de Saúde (SS). Parece ser uma «guerra» perdida, tendo em conta a reacção dos responsáveis deste sector essencial da nossa sociedade. Ou melhor, a falta total de resposta.
Quando falo dos SS, quase sempre acabo por me referir à qualidade dos seus serviços que, de há dez anos a esta parte, parecem tornar-se cada vez piores, na opinião dos utentes. No entanto, o que mais estranho e muito me incomoda é mesmo o completo desrespeito da língua oficial portuguesa. Por muito que os dirigentes dos SS não queiram aceitar, é o que prescreve a Lei. E se aos cidadãos é pedido que a cumpram, aos SS pede-se que dê o exemplo.
Sempre que se aborda tal tema, a reacção dos responsáveis deste serviço é ríspida. Aliás, das últimas vezes, – não sei se por falta de educação ou por não saberem ler ou não se darem ao trabalho de passar os olhos pela Imprensa em língua portuguesa, – nem responderam às críticas feitas.
Os jornalistas, e quem colabora na Imprensa, quando escrevem fazem-no, na maior parte das vezes, criticando. É verdade! Mas confesso que não o fazemos por prazer. Pessoalmente, gostaria de ter oportunidade de escrever mais vezes sobre assuntos positivos. Quando critico, ou exponho algo que considero não estar certo, faço-o com a melhor das intenções e sem qualquer objectivo de denegrir seja o que for. Apenas me interessa que as situações sejam identificadas e rectificadas, nada mais. O que se procura e espera é que as críticas sirvam para melhorar o que pensamos estar mal. Nunca me irão ver aqui a dizer mal de alguém, pelo simples gáudio de denegrir qualquer pessoa ou instituição.
Na semana seguinte à publicação do que escrevo, é com agrado que recebo telefonemas relativamente ao assunto abordado. Não poucas vezes os visados, ou os responsáveis pela questão visada, telefonam a agradecer o facto de terem sido chamados à atenção. As conversas acabam, regra geral, com promessas de tentarem corrigir o que está errado e com votos de que continuemos atentos ao que se faz, pois assim consideram ser uma das funções da Comunicação Social e de quem nela colabora.
Por várias vezes já aqui abordei temas que, mais tarde, acabo por verificar que não eram exactamente como eu os tinha retratado. Erros acontecem de ambos os lados, tanto de quem escreve, como de quem é visado na escrita. Porém, o facto de os assumir e tentar corrigi-los só mostra que os responsáveis têm abertura de espírito suficiente para aprender com as críticas.
Os SS, contudo, parece não aprenderem nada com o que se vai escrevendo, embora tenha que reconhecer que alguns dos problemas aqui criticados foram já melhorados. Dou o exemplo do Centro de Saúde do Tap Seac, que não tinha qualquer tipo de informação em português. Neste momento, apesar de não estar totalmente bilingue, muito já foi feito. Muito há ainda para fazer e as pessoas responsáveis nunca devem esquecer que as melhorias são uma tarefa contínua.
Os responsáveis dos SS podem pensar que fazem o suficiente, mas quem deve dizer se fazem o suficiente, ou não, é a população que usa as instalações diariamente. Assim penso e julgo que se forem perguntar aos residentes que apenas falam português se a informação é suficiente, a resposta será certamente negativa. E a desculpa de que fazem os possíveis não serve porque, se quando fazem o que podem não chega, têm de fazer ainda mais. Mesmo que para isso tenham de tentar fazer o impossível!

Um pequeno exemplo

Infelizmente, há vários anos que sofro de uma problema relacionado com os ossos. Apesar de não ser nada fatal ou que dê muitas dores de cabeça, momentos há em que se torna bastante arreliador e me obriga a tomar medicação e a consultar o médico. Numa dessas idas às consultas de especialidade, deparei com uma brochura sobre o assunto e que datava de 2007. Um folheto sobre dieta com baixos teores de purina (Low Purine, em inglês), mas que apenas encontrei em chinês, pelo que pedi aos SS, via «e-mail», que me fosse fornecido em português. Só que nem se dignaram responder. Assumo que tal não exista; caso contrário, penso que alguém dos SS me teria contactado para me enviar a informação requerida. Que mais não fosse pelo facto de todo o residente de Macau, de acordo com a legislação que nos rege, ter direito a ser informado na sua língua de preferência.
Considero que não esteja a pedir nada de mais aos SS, nem aos outros serviços, quando exijo que nos informem em português. O Governo investe milhões todos os anos na formação e aperfeiçoamento de tradutores e intérpretes, pelo que aos serviços governamentais apenas se exige que façam o que está na Lei.
As críticas que se fazem não têm o objectivo de denegrir ou de perseguir quem quer que seja. Se perseguimos alguma coisa com a constante fiscalização e denúncia, apenas e só o fazemos em prol da igualdade de direitos e de tratamento das duas línguas oficiais, como de resto consagrado na Lei Básica. Apenas, e só, até 19 de Dezembro de 2049. Depois, logo se verá!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Se a moda pega

DE Hong Kong chegou, há dias, uma notícia que me fez franzir o sobrolho. As autoridades, nomeadamente a monetária, da antiga colónia britânica anunciaram que contrataram uma empresa (que para cúmulo não identificaram) para fornecer dados relativos ao modo de funcionamento dos bancos e instituições financeiras aquando da venda de produtos e serviços. Para tal, vão recorrer ao recrutamento de clientes-mistério, um conceito muito usado no sector comercial privado, mas, pelo que se sabe, nunca usado pelo Governo de forma a controlar a actividade de empresas privadas. De acordo com informação tornada pública, o Governo, através dessa empresa de serviços, vai recorrer a idosos, grávidas e jovens para se dirigirem aos bancos e instituições financeiras pretendendo adquirir produtos, servindo este método para avaliar a forma como os funcionários cumprem as normas e regulamentos do mercado.
O escândalo das «mini-bonds», que afectou milhares de pessoas em Hong Kong, está na base desta decisão polémica do Executivo de Donald Tsang. Muitas são, porém, as vozes que se levantam contra a medida, especialmente vindas do sector visado, acusando o Governo de usar tácticas pouco transparentes para controlar um mercado que se orgulha de ser dos mais livres a nível mundial. Um mercado liberal que tem dominado a zona asiática, graças a esse liberalismo e transparência e que o Governo agora mete em questão, acusam os refractários desta medida.
O que me preocupa não é o facto de o Governo estar a tentar evitar que aconteça uma nova crise, levando milhares à falência e à perda de todas as poupanças. Preocupa-me, sim, o facto de ser o próprio Executivo a recorrer a estratégias que pouco dignificam a sua imagem. Recorrendo a clientes-mistério, – junto a minha voz a outras críticas, – creio que o Governo irá criar um clima de desconfiança entre todos os agentes do mercado levando outros sectores (que não o da banca) a considerar que tal pode vir a ser também aplicado na sua área, generalizando a falta de confiança na sociedade.
Será que o Governo esgotou todas as formas legítimas para efectuar acções de fiscalização e tentar evitar que volte a suceder um episódio semelhante ao que abalou o mercado financeiro? Duvido e penso que o recurso a esta táctica se deve simplesmente ao facto de essa ser a forma mais fácil, mas também mais irresponsável, que os dirigentes políticos encontraram para fazer face a um problema bastante real.
Quanto a Macau, este problema financeiro pouco se sentiu por aqui; outros houve, porém, relacionados com a crise da bolsa. Mas como já, normalmente, os dirigentes do território têm o costume de seguir o que se faz em Hong Kong, nomeadamente na área financeira, fico algo preocupado se os responsáveis pela regulação da banca local decidirem por tácticas semelhantes.
O clima que se vive em Macau, no que diz respeito ao sistema de queixas e informações, é já bastante preocupante. Qualquer pessoa pode apresentar queixa, ou mesmo difamar outra, anonimamente junto das autoridades, sem que tema ser descoberto, visto que o anonimato, nestes casos, é mesmo levado a sério. Isto, como sabe quem aqui vive há mais de uma década, tem gerado algum desconforto e tem trazido à memória sensações de outros tempos, em que todos controlavam todos.
Nem quero imaginar se os responsáveis de Macau decidirem também adoptar esta novidade de Hong Kong. Se actualmente, mesmo sem essa nova estratégia, já vivemos num clima de desconfiança, o recurso a este tipo de artimanhas será um pesadelo: o andar sempre a olhar por cima do ombro.

Cozinha da NaE volta a publicar


Depois de alguns dias de inactividade, por questões profissionais, a Cozinha da NaE voltou a abrir!
Desta vez traz-nos um prato de fácil concepção e bem agradável para estes dias quentes. Pode servir de salada ou de prato principal e fica bem acompanhado de um bom vinho branco (testado e aprovado!).
A chefe de serviço vai continuar a publicar receitas, dentro das suas possibilidades. Entretanto, se houver dúvidas, sugestões ou qualquer outra mensagem, enviem para os comentários na página do blog (http://naeskitchen.blogspot.com/). Cada receita tem, no final, um local para comentários que podem usar para interagir com a autora (podem usar qualquer das línguas em que ela publica as receitas).
Por agora, deixo-vos esta receita de “Moo Ma Nao”…

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Senhores tenhamos bom senso

OS RESPONSÁVEIS pelo segundo sector mais importante de Macau, o Turismo, parece que, finalmente, deram ouvidos às gentes da terra! Passados estes anos a dirigir quem nos visita, chegaram à conclusão que o sector tem de passar a apostar na qualidade e não na quantidade.
Apetece-me dizer «Eureka!». Não sei há quantos anos a Imprensa (portuguesa, chinesa e inglesa) vem dizendo que Macau precisa de turistas de qualidade que tragam valor acrescentado, não apenas dinheiro.
Turistas de pé descalço, por muito dinheiro que tenham, mas que cospem para o chão e «mijam» (desculpem o calão, mas tinha mesmo de ser forte) na esquina do edifício dos Correios, não interessam a ninguém, muito menos a Macau, que se quer como destino turístico de nível mundial.
A classe dirigente da RAEM, apesar de genérica e reconhecidamente irem fazendo um bom trabalho, pecam, porém, pelo menos neste aspecto. Estão completamente alheados da realidade, vivendo numa redoma que não lhes permite ver o que se passa cá em baixo. Se, como nós, simples «ralé», andassem na rua a pé, em vez de nos «carros pretos», facilmente chegariam à conclusão que Macau precisa de turistas com qualidade. Para disso se aperceber, basta passar no Largo do Senado à hora de almoço e ver o reboliço que ali vai, com pessoas a cuspir para o chão, a tirar «macacos» do nariz e a gritar e empurrar tudo quanto mexe, sentados no chão ou de cócoras no meio da multidão.
Será este o postal que se quer para o território? Com toda a franqueza, quero acreditar que Macau e as suas gentes merecem melhor e, certamente, com a capacidade profissional de quem aqui reside e trabalha, saberemos fazer melhor do que aquilo que foi feito até agora.
A qualidade do turismo local e daqueles que nos visitam depende do que formos capazes de lhes oferecer e do que for promovido lá fora. A par disso, depende também dos turistas que deixarmos entrar em Macau. A qualidade de que falam os responsáveis do turismo da RAEM julgo estar relacionada com as capacidades socioculturais de quem nos visita e não na sua capacidade financeira. É que, se for dependente desta última característica, temo que não sairemos da cepa torta, pois, como é do conhecimento de todos, ter dinheiro na carteira nem sempre corresponde a ser educado e bem formado. Antes pelo contrário, não é raro ver quem é abastado tornar-se arrogante, mal-educado e pouco respeitador das tradições e bons-costumes locais. O facto de terem poder de compra leva a que pensem ser donos do mundo, quer se trate de ricos chineses, de ocidentais ou de pessoas de qualquer outra proveniência.
Quando os dirigentes do Turismo de Macau afirmam que o futuro do sector no território tem de passar pela qualidade da oferta a quem nos visita, lembro-me de políticas pouco ortodoxas seguidas por alguns países, na tentativa de «escolherem» quem os visita. Na Ásia temos o exemplo do Reino do Butão que, além de quotas anuais por nacionalidade, obriga todo aquele que deseja visitar o País a comprometer-se em gastar um determinado montante de dinheiro, condições exigidas aquando do pedido do visto de entrada. Assim, segundo os dirigentes desses países, conseguem manter de fora grande número de turistas com poucos recursos e controlar o número de pessoas que os visitam, e assegurar que um fluxo constante de verbas entre anualmente no País, tornando assim sustentável um turismo de qualidade e em pequenas quantidades. O número de pessoas que os visitam é diminuto, mas o que gastam «per capita» é elevado.
Será uma boa estratégia para Macau apostar em turistas ricos, nomeadamente grandes apostadores, assegurando que gastem milhões cada vez que entram na RAEM?
Pessoalmente, não penso que seja essa a solução adequada. Os turistas de que Macau precisa nesta fase não são do género daqueles que frequentam as salas de «baccarat». Esses que deixam a carteira nas mesas do casino já estão mais do que conquistados!
Agora precisamos é de cativar quem se interesse por cultura e outras vertentes do entretenimento e mesmo pelo sector dos grandes eventos e convenções. Aí, sim, julgo estar o futuro de Macau e das suas gentes.

domingo, 11 de julho de 2010

CEM suja e não limpa

POR vezes queixamo-nos da falta de limpeza e, quase sempre, as culpas acabam nos ombros de quem menos se pode defender, sejam eles os turistas que vão e vêem, ou os não-residentes que afluem aos milhares para trabalhar em Macau. Será verdade, mas importa notar que quem aqui vive também tem a sua quota-parte na sujidade. Falo por experiência própria, pois no prédio onde resido travo uma batalha constante, muitas vezes muda, contra quem insiste em deixar lixo nos corredores e atirar resíduos pelas janelas. No meu andar resolvi o problema com um aviso para não deixarem lixo no chão. Até ao momento tem funcionado e quem ali vive (são quatro apartamentos no mesmo piso) parece estar a colaborar com a mensagem. Já nos pisos acima, como nos da parte de baixo, a falta de educação cívica continua a reinar! Desde sacos de «snacks» a beatas de cigarros, de tudo um pouco se vai encontrando pelos corredores.
Cabe a todos os Meios de Comunicação Social e aos chineses em particular, visto a grande maioria dos residentes falar apenas chinês, educar as pessoas e fazer passar a mensagem de que deitar lixo no chão, atirar resíduos pelas janelas ou cuspir para o chão, é falta de educação pura e simples. É feio, porco e mau! As mensagens infantis do Governo não chegam e nada resolvem. Para que as pessoas tomem atenção e levem o recado a sério deve-se adoptar uma postura rígida e mesmo agressiva.
Sei de locais onde os residentes chegaram ao ponto de ter de afixar mensagens do tipo: «Se gosta de viver como um porco, faça-o dentro de casa. Os vizinhos não são obrigados a viver como você!» Ou «Não seja um porco, não deixe lixo no chão!». E, mesmo assim, de pouco tem valido, porque a maioria dos residentes (muitos deles acabados de vir do Continente) estão-se nas tintas para os bons costumes aqui da terra e continuam a comportar-se como se estivessem do outro lado da fronteira, à beira de um campo de arroz.
A verdade é que é difícil obrigar os outros a serem higiénicos. Nem todos vivemos em prédios com associações de condóminos, nem com empresas que fazem a limpeza diária dos locais comuns. Se mesmo nesses locais organizados é difícil obrigar as pessoas, imagine-se nos prédios onde não existem associações de condóminos. É uma tarefa quase impossível; aliás, cada vez que se chama alguém à atenção ainda somos insultados.
Não se vislumbra uma solução que seja fácil e, seja ela qual for, terá de passar certamente, antes de mais, por campanhas de educação e por um sistema de coimas eficiente e em que todos participem. Actualmente, se apresentamos queixa de alguém ter feito lixo, somos tratados como se fôssemos nós os criminosos, razão pela qual poucos são os que se dão ao trabalho de apresentar queixa às autoridades.
Nas ruas temos uma empresa concessionária que deveria ser responsável pela manutenção da limpeza, mas isso nem sempre acontece. A CSR (Companhia de Sistemas de Resíduos) recolhe o lixo e limpa as ruas, mas não parece muito competente naquilo que faz, porque os resultados são pouco visíveis. É evidente que, se não houver colaboração de todos, a empresa sozinha pouco pode fazer por muitos meios que tenha.

Um exemplo elucidativo

Recentemente, na rua onde vivo, na Calçada do Monte, um dos prédios teve um problema eléctrico, tendo sido chamada a CEM (Companhia de Electricidade de Macau) de madrugada para resolver o problema. Por volta das sete da manhã, quando fui à rua, vi três viaturas da CEM e vários elementos da empresa a tentar resolver o problema. Fizeram o que tinham a fazer, restabeleceram o abastecimento eléctrico ao edifício e abandonaram o local depois do serviço terminado. Ao fazê-lo, porém, nem sequer se preocuparam em limpar a sujidade que fizeram na entrada do edifício e no passeio público.
Na noite desse mesmo dia, voltando a passar por ali, verifiquei que o lixo ainda lá se encontrava: desde fita-isoladora, a braçadeiras plásticas e restos de cabos eléctricos. Um pouco de tudo se encontrava no local, sem que os funcionários da CEM se tenham preocupado sequer em chamar a CSR para que procedesse à limpeza adequada da zona. Por sorte, nesse dia choveu copiosamente, o que ajudou a «limpar» aquele espaço, afastando os resíduos ali abandonados. O restante, que não foi levado pelas águas da chuva, foi limpo pela proprietária do restaurante ali próximo, por estar mesmo ao lado do local onde se amontoava o lixo.
Não seria obrigação da CEM, neste caso concreto, limpar toda a zona e deixar o local em perfeitas condições de limpeza?

terça-feira, 6 de julho de 2010

Uma escapadela de Macau

Durante uma semana estivemos fora de Macau. Depois de muito ponderar entre viajar para a Europa ou ficar pela Ásia, por causa da obrigatoriedade de gozar férias anuais, decidimos ir para Boracay nas Filipinas. Um local paradisíaco a pouco mais de três horas de Macau.

Não será propriamente barato, visto ter ficado tão, ou mais caro, do que ir à Europa mas, na nossa sincera opinião, para quem gosta de praia e de não ter de se preocupar com mais nada, apresenta-se como a melhor opção.
Saímos de Macau no dia 27 de Julho pelas 10 e meia da noite e às sete da manhã do dia 28 estávamos na recepção do hotel onde iríamos ficar sete noites.

Depois de uma escala em Manila, capital das Filipinas, de 1 quatro horas, e depois de um vôo de duas horas e meia de Macau, seguiu-se uma curta ligação num avião bimotor a hélices para o aeroporto de Caticlan, em Aklan. Cansados mas satisfeitos, faltou apenas uma curta viagem de barco para a ilha de Boracay para chegar ao merecido descanso.

O primeiro dia foi preenchido com a descoberta dos cantos da casa e, da parte da tarde depois de descansados da viagem, uma ida ao “centro” onde aproveitámos para comer marisco. Algo que se tornou uma prática diária, apenas interrompida no último dia onde nos propusemos a experimentar o frango assado local.
Os sete dias que se seguiram foram repartidos entre idas à praia de areia de “Diniwid”, a cinco minutos do hotel, à “white sand beach” que ficava um pouco mais longe mas apenas 10 minutos a pé pela beira-mar e, no quinto dia, decidimos explorar a ilha com uma motorizada alugada, acabando por descobrir duas praias privadas (dentro de um empreendimento turístico que não era suposto termos entrado!) e que se assemelhavam, quero acreditar, ao paraíso na terra! Areia branca, fina, águas límpidas e ninguém na praia!

O local que escolhemos para ficar instalados, o “Boracay West Cove”, propriedade do famoso pugilista filipino Manny Pacquiao, não será dos mais baratos da ilha nem dos mais convenientes, visto o único acesso é pela montanha através de umas escadas íngremes e depois de andar pela praia uns bons minutos. No entanto, o preço e o esforço são recompensados com uma vista do quarto de nos fazer acordar sempre bem-dispostos. 180 graus de mar, sem qualquer distração além da vegetação.

Uma experiência a repetir sempre que tenhamos meia dúzia de dias para fugir de Macau.
Deixo-vos agora algumas fotos e, se precisarem, posso dar mais informações.
Já estamos com saudades...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Fortaleza voltou às escuras

«COISA gabada, coisa estragada!» Nunca um provérbio se aplicou tão bem como nesta situação. Não é costume em Macau voltarem atrás depois de tomarem uma decisão, seja ela qual for; mas desta vez parece ter acontecido.
Há algumas semanas retratei aqui aquilo que me parecia ser uma total falta de consideração para com os moradores da zona da Fortaleza do Monte. A falta de iluminação em mais de dois terços do monumento fazia, e faz, com que o local se torne perigoso para quem circule por ali à noite. Quem viva naquela zona não tem outra opção senão sujeitar-se a esse perigo iminente e a todo o tipo de ameaças por parte de desconhecidos. Posteriormente, há duas semanas, referi nestas páginas que o problema tinha sido resolvido e a iluminação em todo o perímetro já estava reposta. Recentemente constatei, porém, que o problema voltou ao estado inicial: a Fortaleza está apenas iluminada do lado das Ruínas de São Paulo e na entrada principal (que se faz pelo Caminho dos Artilheiros), deixando às escuras todo o restante monumento e obrigando os moradores que ali se deslocam ao fim do dia para fazer exercício ou apenas relaxar, a terem de enfrentar todo o tipo de situações.
A princípio, pensei que a iluminação não estivesse ligada devido a qualquer problema técnico, mas tal não se confirmou, dado que após a publicação do artigo foi prontamente activada. Agora, passados poucos dias, é de estranhar a decisão de voltar a desligar a mesma.
É evidente que significa mais uma fonte de despesa, mas não são todos os moradores merecedores de tratamento igual? E, caso a decisão tenha por base um princípio economicista (o que seria algo caricato e bizarro), porque não se opta por ligar apenas metade dos projectores do lado das Ruínas de São Paulo, usando a restante potência para activar outros tantos no restante percurso?
É, por isso, muito surpreendente que tal decisão tenha sido tomada, mais ainda depois de terem reconhecido o erro e terem tentado remediá-lo, na sequência da denúncia feita com o artigo publicado n’O Clarim.
Espera-se que os responsáveis voltem a repor a normalidade. Os moradores, certamente, agradecerão, de modo a poderem voltar a circular no local sem receio de assédio ou intimidação.
Além do problema da iluminação, continua a sentir-se também o da falta de segurança, pelo que se mostra urgente colocar ali pessoas a fazer vigilância 24 horas ou, pelo menos, fazer um plano de passagem assídua dos agentes da autoridade pela zona.

Estatísticas sínicas

É interessante viver numa terra que faz tantos estudos, pesquisas e cria grupos de trabalho para tudo e mais alguma coisa. Quem se apercebe de tal dinâmica fica com a ideia de que se trabalha muito e de dedica muito tempo a tentar perceber os anseios da população.
Em Macau, em qualquer altura do ano, estão sempre a decorrer, no mínimo, uma meia dúzia de estudos; elaboram-se outros tantos inquéritos e criam-se grupos de trabalho para coordenar tudo isto. Muitas vezes até temos de recorrer a serviços prestados por especialistas de fora, porque os de dentro não conseguem dar resposta a tanta solicitação.
Perante esta dinâmica, quais são os resultados? Bem, este é outro problema que deve merecer mais uma pesquisa aprofundada e ver criado um grupo especializado para abordar o tema, começando pela problemática que o criou.
Diariamente vemos nas páginas de jornais artigos que nos falam do resultado desta pesquisa, da reunião deste ou daquele grupo, da percentagem de pessoas que estão agradadas (ou nem por isso) com tudo e mais alguma coisa! Apenas me interrogo quanto à fiabilidade e base científica de tudo isto.
Todos sabemos que estatísticas são o que são e valem por isso mesmo. Existe até aquela piada muito portuguesa, ligada ao futebol, e que diz que «prognósticos, só no fim!».
Ao longo dos anos que levo em Macau, nunca fui abordado para qualquer tipo de questionário, fosse ele qual fosse, nem mesmo dos censos à população que, penso, deveriam ser verdadeiramente universais.
Até já tentei ser entrevistado na rua, perguntando aos «supostos» entrevistadores profissionais (muitas vezes jovens sem qualquer preparação para colecção de dados estatísticos que se querem rigorosos e científicos) qual o teor e a finalidade das perguntas que fazem. Devo confessar que, até ao momento, ainda não consegui fazer com que a minha opinião constasse num desses inúmeros inquéritos que se fazem anualmente à custa do erário do Governo. Mais: de todos os que tive oportunidade de ver, nem um foi feito nas duas línguas oficiais. São todos, invariavelmente, feitos (apenas) em chinês e redigidos no mesmo idioma.
Numa cidade com milhares de residentes que não falam nem lêem chinês, quem manda fazer tais estudos de opinião deveria ter em atenção esse facto e, no mínimo, usar as duas línguas oficiais; além disso, dado que Macau se promove como cidade turística, também em inglês.Como se pode fazer um estudo de opinião em Macau, se não se levam em conta as comunidades que aqui vivem? Que validade tem um resultado de um estudo, por exemplo sobre o fumo e a nova lei anti-tabaco, se nele apenas constam resultados recolhidos em chinês e junto da comunidade chinesa? É essa a representatividade universal que se quer para Macau?

sábado, 26 de junho de 2010

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IMAG0064.jpg, originally uploaded by g5665.

Civismo: há muito por fazer!

UM colega escrevia um destes dias sobre um episódio que se tinha registado com ele e que envolvia um agente policial no exercício das suas funções. No caso tratava-se de fazer aquilo que melhor, aparentemente, sabem fazer: passar multas! Descrevia esse colega que estava a retirar o seu veículo motorizado de duas rodas do local de estacionamento (aparentemente ilegalmente estacionado) e que o agente o barrou até que conseguisse acabar de preencher as coimas que estava a passar a todos os veículos na mesma situação, sem ter qualquer outra opção para sair do local.
Na verdade, e sem que se queira desculpar o indesculpável, o veículo estava mal estacionado e merecia ser autuado por isso. No entanto, estando o seu condutor a retirá-lo do local, haveria necessidade do agente o manter no local (chegando mesmo a pedir-lhe que o voltasse a estacionar no mesmo espaço) até que terminasse a tarefa de preencher todos os recibos correspondentes às multas dos veículos transgressores?
A polícia tem todo o direito, e mesmo obrigação, de fazer cumprir a lei. No entanto, e como todos sabemos, a mesma lei é flexível, assim como deveria ser a atitude dos agentes. Felizmente que a maioria dos agentes da autoridade opta por uma postura mais relaxada, deixando seguir (apenas com uma reprimenda ou «ralhete») quem se apressa a retirar os veículos em transgressão. Isto vê-se diariamente nas ruas do território, ficando bem esta postura pedagógica aos agentes da autoridade. Há, no entanto, alguns que parece não compreenderem que a autoridade tem mais de educativo do que punitivo, optando por exercerem o poder que lhes está atribuído como se de semideuses se tratasse, esquecendo-se que ninguém consegue respeito recorrendo a atitudes de força.
Essa postura arrogante e prepotente de alguns agentes, que acaba por denegrir a imagem de toda a corporação, é a que fica na memória das pessoas e especialmente de quem nos visita e presencia cenas tristes como uma que vejo com alguma frequência. Na zona onde resido, assim como em muitas outras da cidade, é usual ver agentes fazerem a identificação de pessoas no meio da rua. Já várias vezes me detive com o simples propósito de os ver a trabalhar, porque considero este «modus operandi» muito«sui generis». Regra geral são grupos de três polícias fardados, conversando animadamente enquanto não encontram alguém a quem lhes «apeteça» pedir a identificação. Digo «apetecer» porque, confesso, não consigo descortinar o critério usado para, aleatoriamente, pedir aos transeuntes que se identifiquem. A verdade é que das vezes que me detive para os ver trabalhar, nunca tive a oportunidade de os ver a identificar qualquer ocidental ou qualquer outra pessoa que aparentasse ser chinês. Sistematicamente mandam parar, muitas vezes com uma arrogância de meter medo até mesmo a quem apenas os vê actuar, cidadãos do sudeste asiático.
Creio não ser por discriminação que o façam, mas não deixo de me interrogar sobre a razão porque não mandam parar outras etnias? Nunca o fizeram comigo, nem com alguém que conheço; contudo, a forma como actuam causa má impressão e deixa uma imagem de discriminação junto das pessoas, especialmente junto dos turistas que muitas vezes assistem a estas cenas.
Compreendo que se devem fazer acções de identificação nas ruas, pois são parte importante do combate à ilegalidade no território, mas fazer estas acções em plena zona de circulação de turistas ou em zonas de grandes aglomeração de pessoas deveria ser evitado, porque causa muito mau aspecto. Ou, a ter de ser feito, que o seja a todos quantos passam pelo local e educadamente.
Um outro caso que presenciei e me deixou perplexo passou-se na Rua do Campo, na paragem do autocarro junto ao edifício da Função Pública. Estavam no local cerca de meia dúzia de pessoas, entre elas duas senhoras de nacionalidade filipina. Eu estava à espera do autocarro e, desde que ali me encontrava, tinha reparado num agente encostado à parede, junto da loja de roupa nas imediações, a falar ao telefone animadamente e a fumar. Durante o tempo de espera pelo autocarro para o meu destino (cerca de 15 minutos devido ao trânsito), muitas pessoas chegaram e partiram. No entanto, o agente apenas decidiu vir pedir a identificação quando essas duas pessoas chegaram e, quando o fez, foi de forma pouco educada e em tom bastante autoritário, de tal forma que as restantes pessoas ali presentes ficaram estupefactas perante tal cena em que as duas senhoras se sentiram completamente embaraçadas. Quando estas se identificaram como residentes permanentes, nem um pedido de desculpa do agente, que entregou os documentos de identificação, virou costas e voltou ao seu «posto de espera» junto do estabelecimento de venda roupa!
Não sei se se trata de uma nova técnica de actuação das autoridades. Mas, se assim é, é caso para dizer que têm mesmo muito a melhorar, pois educação, cortesia e postura são algumas das características que devem estar sempre presentes nos agentes da autoridade que trabalham na rua. A desculpa de que não existem agentes em Macau e que os que são formados o são com muitas limitações não pode servir de desculpa, porque a segurança e bem-estar da população devem vir sempre em primeiro lugar.
Apesar de tudo, e como acredito na boa vontade das autoridades, julgo que estes sejam apenas maus exemplos e não representam a totalidade das Forças de Segurança. Importa, porém, referir que são aspectos a ter em conta, para melhorar, porque basta apenas uma nódoa para o pano ficar sujo.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

City of Nightmares para locais

O CITY of Dreams está a revelar uma face pouco atraente aos residentes de Macau que não falam chinês, adoptando uma postura discriminatória.
Recentemente, esta empresa promoveu uma «feira de emprego», com o intuito de recrutar trabalhadores locais para os mais diversos departamentos. Afinal, as restrições à importação de mão-de-obra parecem estar a criar problemas de recrutamento a algumas empresas.
Como resultado desta campanha, muitas foram as pessoas de Macau que ali se deslocaram. No entanto, apesar de terem BIR, muitas deram de caras com um tratamento discriminatório e pouco simpático por não falarem chinês.
Sem qualquer pré-inscrição, os interessados apenas tinham de se dirigir ao hotel Grand Hyatt e assistir à sessão de recrutamento.
Depois de ouvir algumas críticas à forma como foram tratados alguns residentes permanentes e não permanente, decidi ver por mim mesmo. Meti-me ao caminho e apresentei-me. A primeira pergunta que me colocaram foi se tinha BIR, ao que respondi afirmativamente, para surpresa – estampada na cara – de quem me questionou. Terá sido, porventura, a primeira vez que viu um português residente permanente de Macau?
De seguida, fui encaminhado, juntamente com outros candidatos, na maioria chineses, para o Salão de Teatro, onde tivemos direito a uns petiscos e bebidas antes da sessão de apresentação. Logo depois desta sessão, fomos encaminhados para a entrevista onde, comprovando aquilo que me tinha sido relatado diversas vezes, me foi dito (sem qualquer pudor nem rodeios) que não contratavam ninguém local que não soubesse chinês!
Sem nunca lhes revelar que a minha presença ali nada tinha a ver com procura de emprego, perguntei a que tipo de vaga poderia eu concorrer, tendo em conta a minha experiência profissional, académica e domínio de línguas, incluindo uma das oficiais, etc. Foi-me respondido que, não dominando chinês, os residentes de Macau poucos trabalhos poderão desempenhar no City of Dreams. Quanto muito, podem, independentemente das qualificações, concorrer a uma vaga de empregado de mesa! Perante isto perguntei como me tratariam, caso me candidatasse a um lugar superior, mas apresentando a minha candidatura como não residente? Responderam que na minha área teriam algumas vagas, especialmente para alguém com experiência na Função Pública do território, conhecimento do funcionamento da máquina administrativa e no campo da Comunicação Social! – Mesmo não sabendo chinês?, perguntei para que não houvesse dúvidas, ao que me foi confirmado que aos não residentes não lhes é pedido que saibam chinês, porque a língua de comunicação dentro da empresa é o idioma inglês!

Empresa tem obrigações sociais

O City of Dreams, como empresa privada, pode fazer o que bem entender e contratar quem bem desejar. No entanto, há obrigações sociais a que a empresa deve obedecer. A contratação de locais, não discriminando com base na etnia, religião e língua, é um desses princípios. Sendo uma empresa a operar em Macau e onde um empresário local assume uma posição de liderança, deveria fazer mais para promover, proteger e fazer cumprir o que está previsto na Lei Básica. Aqui o City of Dreams, Lawrence Ho e seus associados deixam muito a desejar.
Macau não são só chineses. Macau é feito de uma mescla heterogénea de etnias, crenças e línguas, sendo que duas são oficiais e uma terceira é tida como de comunicação aceite por todos. A não aceitação de candidaturas por pessoas que não dominem chinês, para posições onde este não é obrigatoriamente necessário, é uma discriminação e deve ser repudiada por todos, por muito que os responsáveis tentem disfarçar dizendo que a situação não é assim tão linear.
Compreende-se que, para certas posições, seja necessário falar chinês, mas para outras, visto trabalhar-se num ambiente internacional, o domínio do chinês de nada adianta porque a língua de comunicação será sempre o inglês, tal como me foi dito por funcionários da empresa. Mas mesmo que argumentem que é necessário o domínio do cantonense, como justificam que tal não o seja para quem é recrutado no exterior? Não será esse requisito uma forma de discriminação dos residentes de Macau que não falam este idioma?
Em Macau, de acordo com a Lei Básica, somos todos iguais, falando ou não as línguas oficiais do território. Nenhum tipo de discriminação pode ser feito quando se concorre a um local de trabalho, baseada na questão da língua, religião ou etnia. A não ser que a referida posição exija, sem margens para dúvidas, que seja necessário o recurso à língua em questão.
Até quando vai o Governo deixar estas injustiças serem praticadas contra os residentes? Para o constatar basta requerer a lista dos trabalhadores contratados e ver quantos não falam cantonense…

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Autoridades apresentam trabalho

O SER humano é, por natureza, inconformado e sempre pronto e predisposto a fazer críticas sobre tudo o que o rodeia. Dou aqui a mão à palmatória porque, nestas mesmas páginas, na maioria das vezes, escrevo mais sobre injustiças ou dou voz a críticas. Pontos de vista que apenas são guiados pelo meu critério e a minha opinião como cidadão livre e preocupado com o que me rodeia. Não significa que esteja sempre certo, nem que seja a visão da maioria da população É apenas a minha e, consoante critérios que nem sempre são os mais lineares, dou-lhes a devida ampliação junto dos leitores, esperando sempre que tenham alguma receptividade junto de quem é visado.
Quem nos lê deve lembrar-se de que, recentemente, falei da falta de iluminação na Fortaleza do Monte. Pois, desta vez, ao contrário do que geralmente aqui acontece (mas confesso que isto me dá muito mais prazer), quero elogiar o trabalho das autoridades e de quem se responsabiliza pelo local. Aproveito para confirmar que o problema fora já resolvido. Cinco dias depois de ter sido publicado o artigo sobre o assunto, a iluminação foi reposta. Digamos que foi rápida e pronta a acção dos responsáveis pela Fortaleza. Agora apresenta-se mais segura e muito mais atraente à noite. Quem por ali der umas voltas no fim do dia, agradece e mostra-se satisfeito com o facto de haver iluminação em todo o perímetro do monumento. Aqui deixo, pois, os parabéns a quem leu o artigo e decidiu actuar para rectificar a situação. Os moradores, os demais cidadãos e os turistas agradecem, certamente, o dito melhoramento.
Continua, no entanto, a sentir-se necessidade de mais policiamento no local, especialmente à noite. A certas horas, quem por ali circula sente-se inseguro, tendo em conta situações de assalto ou até de assédio, que por vezes acontecem. Não tenho conhecimento de nenhum caso grave, mas, se o local não for vigiado, por exemplo com a passagem de hora a hora de um agente da autoridade no perímetro, temo que algo possa vir a acontecer a alguém mais incauto.

Obras ilegais vão abaixo

Outro caso, mas agora de construções ilegais num prédio também na mesma zona da Fortaleza do Monte, mais concretamente num edifício que tem fachada na Calçada do Monte e na Rua do Sol, e que aqui também abordei há tempos ilustrando-o com várias fotografias da evolução da construção, tenho também o gosto de referir que têm sido tomadas algumas medidas para resolver o problema. Apesar de, aparentemente, se assemelhar mais difícil de resolver, porque se trata de construções fixas, parte delas foram desmanteladas dias após o assunto ter sido abordado e, recentemente, verifiquei que as restantes estruturas foram já alvo de notificação por parte da DSOPT, com editais afixados nas duas línguas oficiais nos acessos ao edifício em questão. Espera-se que os visados resolvam rectificar a situação e repor a segurança no edifício. Os vizinhos, sem dúvida, mostrar-se-ão satisfeitos e gratos pelo facto de estarem agora a viver num local mais seguro.
Acontece, porém, que os editais afixados na portaria principal do prédio em questão – não sei se contra a lei – foram retirados. Não se sabe por quem, mas quero pensar que as autoridades terão outras formas de fazer cumprir a lei na sua totalidade.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Será Sun Yat-sen mais importante?

NUMA terra que lentamente vai perdendo as suas raízes e características que a fizeram especial durante séculos, irrita-me a passividade com que se olha para o delapidar do património que é de todos nós. Principalmente porque estamos numa época em que se valoriza, cada vez mais, nas sociedades mais desenvolvidas, o que é antigo e de boa qualidade. Por cá, parece que andamos em sentido oposto e apenas se olha para o que é novo, «kitsch» e desprovido de qualquer valor histórico, civilizacional ou cultural.
Os exemplos aparecem nas páginas dos jornais diariamente, mas as autoridades, ou quem por inerência de funções devia ter alguma sensibilidade para situações relacionadas com casos deste género, parecem assobiar para o lado e fechar os olhos cada vez que «cai por terra» um pouco da história comum do território.
Macau é feito de uma mescla de influências, que variam entre o oriental e o ocidental, com grandes marcas do que é chinês, do que é português ou de características portuguesas. É isto, em grande parte, que traz ao território um bom número de turistas sedentos de vestígios históricos da sã convivência milenar entre o Oriente e Ocidente.
É do conhecimento de todos que a grande maioria dos turistas que nos visitam (99%) pouco se importa com o património e pouco mais querem do que mesas de bacará e máquinas de papa-níqueis. No entanto, e como prefiro inclinar-me para a lenga-lenga dos responsáveis do Turismo de Macau, os outros (o tal 1% restante) vêm com vontade de ver algo diferente, algo que só a RAEM pode oferecer – como diz o chavão «Num mundo de diferenças, a diferença é Macau!».
Recentemente a população ficou estupefacta, pela positiva desta vez, com a acertada decisão do Instituto Cultural de salvar a pretensa farmácia que serviu de refúgio ao fundador da China moderna! Pelo que foi dado a conhecer, o presidente do IC foi célere depois de alertado, mesmo não havendo quaisquer certezas de que tal edifício seja mesmo o das secretas reuniões de Sun Yat-sen para conspirar contra o regime imperial Qing. Apesar das dúvidas, fica o aplauso para a decisão de suspender os trabalhos e proceder a melhores averiguações para tentar salvar, que mais não seja, um edifício que data de finais de 1800, portanto, com mais de cem anos de existência. Só o próprio facto da sua «antiguidade» já faz com que mereça ser restaurado e apreciado pela população e por quem nos visita, com ou sem Sun Yat-sen!
Pena me faz que não seja seguido este princípio em todos os casos referentes ao património que diariamente é delapidado. Se decidiram optar por salvar este prédio (que estava destinado a dar lugar à construção de apartamentos), porque não fazer o mesmo com os edifícios nas traseiras das Ruínas de São Paulo? Confesso que não compreendo o uso de dois pesos e duas medidas. A única diferença entre eles é que um representa a história da China e o outro apenas representa o lado ocidental de Macau. Não quero pensar sequer que tal seja a razão de tão «científica» decisão. Porque, se assim fosse, estariam então os princípios orientadores da sociedade local em muito maus lençóis…
A verdade é que o edifício da Rua das Estalagens fica de pé até novos estudos serem feitos e os edifícios dos funcionários públicos, na Rua D. Belchior Carneiro, apesar de serem exemplares únicos daquele tipo de arquitectura em Macau (e mesmo na Ásia), estão com o destino traçado para darem lugar a um parque de estacionamento.
Estejam atentos às notícias mais recentes e antevejam o que irá acontecer nos próximos dias! É de pasmar, mas é mesmo verdade. Aqui deitamos por terra prédios históricos que não se vêem em mais lugar nenhum do continente asiático, para dar lugar a espaço destinado a veículos motorizados! Mesmo que digam e mostrem que é em nome da preservação do património. O facto de existirem vestígios da antiga muralha, ou de supostas cerâmicas Qing, será razão suficiente para demolir exemplares completos de um estilo arquitectónico que não existe em nenhum outro local de Macau?
É isto que me leva a dizer que na RAEM andamos em sentido oposto ao do resto do mundo, pelo menos no que a conservação do património diz respeito!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Serviços muito lentos

IMAGINEM que têm uma qualquer maleita e que precisam de ser vistos por um especialista. Agora imaginem também que vos dizem que só para finais de Setembro terão consulta de especialidade! Perante tal resposta, o que logo nos vem à mente é que até lá o paciente vai morrer!
Quase parece uma anedota! No entanto, esta é a realidade para muitas pessoas que usam os serviços do hospital do Governo. Relato apenas um caso em que fui interveniente directo.
Num fim-de-semana, decidi ir às urgências (optei pelo fim-de-semana porque não queria estar a faltar às minhas obrigações profissionais), para que me fosse receitado medicamento para um problema de artrite reumática que me afecta há muitos anos e que, nos últimos tempos, tem vindo a piorar (daí a razão de precisar de medicação).
Após a consulta, pedi ao médico que me fizesse a marcação de uma consulta de especialidade, para que fossem feitos exames mais concretos ao problema. Para minha surpresa, o clínico avisou-me logo que, no Centro Hospitalar Conde de São Januário só teria consulta para finais de Setembro, isto é, quatro meses depois! No entanto, teve o bom senso de me explicar que, caso eu concordasse, poderia ter uma consulta mais rápida no hospital privado (penso que ao abrigo de qualquer protocolo que o Governo tem com esta instituição). Tendo acedido à sua sugestão, aguardei que me informassem da data da consulta no Kiang Wu e o processo seguiu com toda a normalidade. Fui consultado naquele hospital privado quatro dias depois!
Perante isto, logo surge em mim a interrogação: porque tem o hospital do Governo de recorrer a serviços privados para dar resposta às necessidades dos seus utentes? Não seria mais sensato optar por reforçar o seu quadro de clínicos e aumentar as instalações, em vez de dar mais dinheiro ao sector privado? Fica mal aos olhos da opinião pública ver entregar milhões a uma instituição particular, sem que para tal haja uma explicação aceitável. E, – pior ainda! – esta instituição nem sequer satisfaz as obrigações no que diz respeito às línguas oficiais, pois dado que a língua portuguesa é inexistente, o recurso ao inglês é a solução, apesar deste ser quase impossível de perceber!
Ao ser, quase, «obrigado» pelo Governo a ir ao hospital privado, não terei o direito de escolher qual hospital privado quero? Se o serviço fosse prestado nas instalações do hospital governamental, não haveria lugar a escolha, mas se nos enviam para o sector privado, deveríamos ter, pelo menos, o direito de escolha do local onde queremos ser observados.
A imagem do hospital privado Kiang Wu não é das melhores, pois são conhecidos casos de tratamento discriminatório de utentes do mesmo. Sabendo-se disso, e não tendo o hospital público capacidade para dar resposta aos seus utentes, deveria permitir que estes pudessem escolher livremente onde querem ser tratados, em vez de os condicionar, logo à partida, e sem qualquer alternativa, o hospital que lhe propõem.
É certo que a escolha entre um serviço de baixa qualidade e um serviço tardio não se apresenta muito fácil de fazer. Mas essa é, no fundo, a escolha que nos é colocada. Caso optemos por outra solução, sai-nos do bolso, porque o Governo apenas subsidia as consultas no hospital da sua escolha.

Nota mais positiva

Para que não digam que ando sempre a criticar os serviços do hospital público, quero dizer que o atendimento nas urgências, nesta consulta que tive num sábado à tarde, foi rápido (pouco mais de uma hora entre o registo e o ser atendido) e o médico que me atendeu mostrou ser bastante competente. Apesar de não falar português, expressava-se correctamente em inglês, não tendo havido qualquer tipo de atrito ou dificuldade de comunicação durante a consulta.
Embora se notem ainda certas atitudes de indelicadeza por parte do pessoal que faz o atendimento e a triagem (pois parecem estar ali a fazer um favor aos pacientes, como se ali fôssemos por divertimento!), quero realçar que melhorou bastante, especialmente no que toca ao tempo de espera dos doentes. As condições do local de espera, porém (temperatura e circulação de ar), eram desajustadas, deixando muito a desejar e a mostrar bem que precisam urgentemente de ser revistas.
Devo dizer, e faço-o com grande satisfação, que fiquei bem impressionado com o tratamento que tive nesta experiência das urgências do hospital público.

domingo, 23 de maio de 2010

Storm surge...

Afinal o termo “storm surge” tem tradução para português… O que aqui temos dito, por inúmeras vezes, mas que os SMG parecem ignorar, deve mesmo estar certo.
As marés de tempestade, termo que o presidente dos Comités dos Tufões, Olavao Rasquinho, utilizou várias vezes em entrevista à TDM


veja a entrevista aqui na TDM

sábado, 22 de maio de 2010

Fortaleza do Monte às escuras

UM dos maiores ícones do património de Macau, a Fortaleza do Monte, merece ser preservada e mantida em perfeitas condições. Mas quem por ali passeia ao fim do dia sabe que tal anseio está bem longe da realidade. As paredes e as peças de artilharia no exterior estão cheias de exemplos de falta de civismo de quem nos visita. Aliás, também o próprio piso nos mostra bem que há muita gente que não foi educada convenientemente no que diz respeito ao comportamento em sociedade.
É uma vergonha ver o estado a que chegou o seu exterior. Quanto ao interior, nem me quero pronunciar, já que, visto de fora, suscita pouca vontade e interesse em ver o que está lá dentro. E se o que vemos ao chegar não nos agrada, imaginem o que pensam os que se decidem a entrar!
A verdade é que, por fora, a imagem que nos é dada do exterior não é muito convidativa. Parece que existem duas fortalezas. Uma, virada para as Ruínas de São Paulo, bem iluminadas, com bancos e bem tratada; outra, dos outros dois lados, voltada para a zona do hospital Kiang Wu, às escuras, sem bancos e sem caixotes de lixo. Um local que à noite se torna inseguro e pouco aconselhável a quem por ali queira dar umas voltas com tranquilidade.
Torna-se difícil entender tal modo de actuar por parte do Governo. A rede de iluminação está instalada em toda a periferia da estrutura, mas, inexplicavelmente, apenas no percurso que vai da entrada (que fica nas traseiras, na Estrada dos Artilheiros) até à zona de jardim que dá acesso às Ruínas de São Paulo, está ligada durante a noite. Todo o restante percurso que circunda a Fortaleza permanece desligado, deixando na escuridão e, consequentemente, com falta de segurança, toda aquela zona para quem por ali queira passear.
De salientar ainda que não existe segurança, nem mesmo policiamento do local, para já não falar de vídeo-vigilância, o que pode dar azo às mais variadas e indesejáveis situações. Felizmente, ainda não aconteceu nada de grave, apesar de haver relatos de pessoas (especialmente do sexo feminino) que são assediadas nessas zonas mais recônditas e sem iluminação.
Não havendo seguranças nem agentes da autoridade no local, até a apresentação de queixas provoca algum receio, pois quem, eventualmente, tenha visto qualquer coisa de anormal na zona, não quer intrometer-se em assuntos que não lhe dizem respeito, optando por fingir que nada viu. E as vítimas, muitas vezes, para evitarem o vexame público, preferem normalmente não dizer nada.
Como resido na zona há já alguns anos, ali me desloco diariamente com o meu cão, tendo já assistido a cenas menos propícias, especialmente de exibicionismo e mesmo outros actos bem mais condenáveis e que não deveriam ser presenciados naquele local.
Tal como eu, muitos outros residentes ali se dirigem, sendo o local bastante frequentado, principalmente à noite, por famílias e pessoas idosas.
Durante o dia, devido à afluência de turistas àquele local, os residentes evitam por ali andar, porque a confusão é muita e a falta de civismo de quem nos visita é cada vez menor. Mas à noite, e sem outras opções nas redondezas, nós que ali vivemos aproveitamos para desfrutar do local o mais possível.
A falta de policiamento poderia ser resolvida colocando uma caixinha da polícia em cada extremo da estrutura, obrigando assim o agente a ter de ali passar, pelo menos para «picar o ponto». Não sendo um policiamento constante, serviria como elemento dissuasor para quem ali se desloca com segundas intenções. Para nós, residentes, serviria de consolo saber que, de tempos a tempos, cruzaríamos com um agente da autoridade. Não seria pedir muito, penso eu. Os agentes têm uma dessas caixinhas de metal na calçada à entrada da Fortaleza, bastaria deslocá-la para a zona mais distante.

Um episódio triste

No final de uma volta completa à fortaleza com o meu animal de estimação deparei, logo após a esquina onde está o canhão apontado para o lado do Grande Lisboa, com um casalinho de chineses do continente a inscreverem o seu nome na parede do monumento para a posteridade! Não estive com meias medidas e chamei-os à atenção. De nada valeu porque, apesar de terem parado quando lhes disse que era errado o que estavam a fazer, assim que virei costas a caminho de casa, voltaram à tarefa para acabar a sua «obra-prima». Ainda tentei encontrar um agente da autoridade para o alertar, mas, como é usual na zona àquela hora, não consegui ver nenhum. Não me restou senão continuar o meu caminho e escrever este apontamento, com a esperança de que as autoridades e o Governo se decidam, por um lado, a ligar a iluminação em toda a extensão exterior da Fortaleza e, por outro, a colocarem policiamento ou segurança 24 horas, para que o património seja preservado e as pessoas se sintam em segurança.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Até à vista, TAP!

ATÉ apetece dizer: finalmente, a Transportadora Área Portuguesa (TAP) saiu de Macau! Porque será que ninguém se manifesta surprendido com tal decisão?
A posição da TAP, que juntamente com o Banco Nacional Ultramarino detinham a «holding SEAP», que por sua vez detinha 0,1 por cento do capital da Air Macau, foi sempre de que não era uma instituição de caridade e que não compactuava com investimentos que só davam prejuízo.
Como se sabe, a Air Macau nunca deu lucro. Por muitas manobras que fizessem na apresentação de resultados, o saldo era, ano após ano, negativo. Chegando mesmo, salvo erro no ano passado ou há dois anos, a ultrapassar o valor do capital social, o que em termos financeiros não me parece ser muito bom sinal. Isto, mesmo para mim, que nem percebo nada de Economia!
Agora fica a companhia nas mãos do Governo e da Air China e de outros pequenos investidores. Ou seja, finalmente é uma empresa local e continuará a ser financiada pelo dinheiro dos impostos de Macau e tudo continuará como dantes. A única diferença é que a participação portuguesa numa das empresas estratégicas do território desaparece, ficando assim o poder de negociação mais reduzido, se bem que 0,1 por cento pouco significativo era, e tal viu-se quando se opuseram à decisão do aumento do capital social proposto pelos outros accionistas.
Com a saída da TAP, as esperanças que ainda havia de voltarmos a ter ligações entre a capital portuguesa e o Oriente (a opção que mais apoio reunia entre os cidadãos lusos era a da reactivação da ligação Macau-Banguecoque-Lisboa) desvanecem-se por completo. No entanto, o aspecto que realmente me deixa preocupado é o do uso da língua portuguesa. Pensando melhor, não se trata propriamente de um problema. Afinal, a língua portuguesa já não fazia parte da Air Macau há muitos anos! Basta consultar a página electrónica da empresa, para tal constatar. A dita existe em várias línguas asiáticas e em inglês. Assim como a comunicação da empresa com o exterior e com os passageiros, num completo atropelo à Lei Básica e às suas raízes culturais. Mas quem somos nós para nos queixarmos? Afinal, temos aquilo que criámos e tal vinha sendo prática, mesmo quando eram os portugueses que decidiam as estratégias do grupo!
Este problema, porém, não se restringe apenas à Air Macau. Outras empresas, com capitais estatais portugueses, ignoram o uso de uma das línguas oficiais da RAEM (o Português), mesmo sendo esta a língua oficial do país que nelas investe. A ADA (Administração de Aeroportos), cujos 49 por cento do capital pertencem à ANA – Aeroportos de Portugal, apenas usa o português na sua denominação oficial. E mesmo aqui só aparece depois da denominação em inglês, ao contrário do que aconselham as conservatórias de registo comercial que, quando se quer denominar uma nova entidade com termo inglês, indicam que tem de ter também denominação em Chinês e Português (por esta ordem)
Outra empresa ligada ao aeroporto, a CAM (Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau), – cujo accionista maioritário é o Governo de Macau (detém 55,4 por cento, sendo o restante detido pela STDM e outros accionistas), – publicou na imprensa local portuguesa um anúncio apenas em inglês, relativo ao concurso para concessão da exploração de cafeteria no aeroporto. No entanto, esta companhia apresenta o seu «website» nas duas línguas oficiais da RAEM, além do inglês.
A saída da TAP de Macau só vem, pois, aprofundar ainda mais o desapego existente, por parte de Portugal, em relação a Macau. E sendo o Português uma das línguas oficiais, se não houver um empenho por parte das autoridades do país que para aqui trouxe esta língua, ela mais rapidamente desaparecerá.
E isso, em minha opinião, deverá começar pelo exemplo das empresas em que o Estado português detém capital, directa ou indirectamente. Felizmente, em Macau ainda há algumas empresas nas quais isso acontece.
Não resta qualquer dúvida de que só com um emprenho real por parte de Lisboa e um apoio manifesto à RAEM e a quem aqui reside, se pode esperar que a língua se mantenha e prospere.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A cozinha da NaE com mais receitas

Para quem não tem acompanhado assiduamente o blog da NaE, quero-vos dizer que ela tem publicado, quase diariamente, novas receitas de comida tailandesa (em tailandês, inglês e português).
O número de visitantes tem subido de dia para dia, assim como o número de fans na página no Facebook (actualmente conta já com 223).
Deixo agora uma lista, para quem tem andado mais ocupado, das receitas publicadas desde a última referência no PubEd (26 de Abril de 2010).

No dia 27 de Abril - Sopa de massa com carne de vaca
No dia 28 de Abril - Salada de espinaça de água frita
No dia 29 de Abril - Peixe frito com molho doce
No dia 30 de Abril - Batido de morango e laranja
No dia 3 de Maio - Abóbora frita com ovo
No dia 4 de Maio - Biscoitos de duplo chocolate com pepitas
No dia 5 de Maio –Pato assado com caril vermelho
No dia 6 de Maio - Gambas cozidas com molho de marisco
No dia 7 de Maio - Galinha com molho em arroz (Khao Na Gai)
No dia 10 de Maio - Espinaça d’água frita com pasta de soja
No dia 11 de Maio - Amêijoas com pasta de piripíri
No dia 12 de Maio - Esparguete com carapau seco e couve chinesa
No dia 13 de Maio - Fruto de palmeira com calda


Visitem, comentem e, se tiverem dúvidas acerca das receitas ou dificuldades em encontrar alguns dos ingredientes perguntem que a Nae aconselhará substitutos.

sábado, 8 de maio de 2010

Casa para venda

Casa para venda, na Estrada Nacional 109, em Mira, distrito de Coimbra.
Ajudem a divulgar, por favor.
Para mais informação contactar o número na imagem e ver os detalhes


Bombas de Gasolina para venda


Posto de abastecimento da GALP para venda, por motivos de reforma, na zona de Mira, Coimbra.
Localizado entre Mira e Tocha, na Estrada Nacional 109.
Ajudem a divulgar, por favor.
Para mais informação contactar o número na imagem.


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Até quando, Serviços de Saúde?

MOVIDO pela curiosidade que me assolou a alma depois de um episódio, – mais um, – caricato nos Serviços de Saúde (SS), decidi ver o que significa «fazer um checkup» nos termos médicos. Visto ser completamente ignorante no assunto, ou assim pensarem os SS sobre os pacientes que ali se deslocam, e para que não me restassem dúvidas, consultei um dos muitos dicionários disponíveis na internet dedicados às coisas da medicina.
De acordo com o «Merriam-Webster’s Medical Dictionary», considerado uma das fontes mais credíveis pelos profissionais do sector, o termo em inglês checkup significa: «a general physical examination», sendo que, em português e em termos latos, se pode traduzir «exame físico geral».
Confrontando com o que tinha sido pedido ao médico dos SS, – estava escrito no papel entregue ao paciente «Full Checkup», – deduzi que se tratava de um exame de saúde completo. Aliás, era o que havia sido pedido para ser feito. No entanto, os SS referem «full checkup», mas apenas fazem exames de urina e de sangue, ficando o restante esquecido.
A questão que quero frisar é a da inexactidão do uso das línguas. Quando se tem de recorrer ao uso de uma língua, que não uma das línguas oficiais de Macau, há que ter muito cuidado. Porquê? Porque não sendo a língua utilizada o idioma materno do médico e do paciente, pode dar origem a mal-entendidos com consequências graves. Neste caso o paciente queria fazer um exame completo para apurar, não só o seu estado de saúde, mas também físico. Contudo, o clínico entendeu que seriam apenas necessárias análises de urina e de sangue. Mesmo assim, a terminologia que utilizou foi a de um exame completo. Como se pode ver na foto do boletim de consulta, recorre-se ao chinês, ao português e ao inglês ao mesmo tempo e de forma desigual. O Artigo 9.º da Lei Básica é claro no que respeita ao uso das línguas oficiais e não deixa margem para dúvidas.
No mesmo dia em que estive no Centro de Saúde do Tap Seac, a situação vivida era tão caricata que decidi tirar algumas fotografias. Aproveito agora para as publicar, até para que os SS não me venham acusar de má vontade por andar sempre a criticar a falta de informações em português. A verdade é que essas informações não existem. E mesmo que os responsáveis digam o contrário, os utentes não as encontram.
Na ocasião, dezenas de pessoas esperavam amontoadas num espaço sem as mínimas condições de ventilação e de salubridade. No banco de sangue estava uma pessoa de idade, de nacionalidade portuguesa, que não falava inglês (também de pouco adiantava porque os funcionários ali destacados mal se exprimiam nesse idioma), nem tão pouco cantonense. Sem saber o que fazer e sem ter quem lhe conseguisse explicar o procedimento, viu-se obrigada a ir embora. É que depois de muito procurar, não encontrou nenhuma informação na sua língua que, por acaso, até é uma das oficiais da RAEM. Aliás, como podem ver, o simples procedimento de retirar a senha de chegada está indicado em chinês!
Estando ali e tendo ficado indignado com a situação, tentei confrontar um dos funcionários de bata branca (não o consegui identificar pois não ostentava a placa com o nome) sobre o assunto. A reacção foi brusca, ríspida e totalmente inapropriada para um funcionário público, – tal não foi a falta de respeito e educação, – chegando mesmo a afirmar (num inglês que penso ter entendido) não haver necessidade de afixar informações em português! Indigno-me, tenho vergonha e não sei o que fazer nestas situações.
Acredito que os SS venham agora, – como têm sempre feito, – explicar, por carta, que se esforçam muito para escrever informações em português e que se não fazem mais é porque não podem. Pois eu volto a afirmar: Se fazem, fazem pouco, porque os resultados não se vêm.
A falta de recursos não pode servir de desculpa quando se fala de serviços do Governo, especialmente quando se trata da Saúde Pública. Se não têm funcionários suficientes contratem mais e resolvam a situação, pois a população de Macau tem todo o direito de ser bem atendida. E nas duas línguas oficiais...
No último artigo que escrevi e que intitulei «Serviços de Saúde estão-se nas tintas», publicado em Fevereiro, vieram-me dizer, por carta, que tudo fazem e que não é fácil resolver a situação. Ora, o facto de não ser fácil não pode ser desculpa para que nada se faça. Se outros serviços públicos o fazem, porque não os Serviços de Saúde?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Venetian com controlo de fronteira

ESTAVA há dias a passar os olhos pela imprensa diária e deparei com um artigo num jornal local que noticiava um concerto em Macau. Um concerto que, como dizia o artigo, ninguém tinha tido conhecimento aqui na terra!
Refiro-me à actuação da cantora punk Peaches, que teve lugar no Venetian, mas que este empreendimento se «esqueceu» de promover. No mesmo artigo podia-se ler que a maioria dos espectadores eram provenientes de Hong Kong, sendo que a imprensa de Macau teve conhecimento do evento porque, por curiosidade ou pura sorte, se deparou com a promoção na página electrónica da empresa de Las Vegas. Para cúmulo, não se tratou de um qualquer concerto, mas sim de um festival com vários grupos. Um festival denominado MIMA (Macau International Music and Arts) organizado pelos mesmos responsáveis do extinto Rockit Music Festival de Hong Kong. No entanto, apesar de usarem o nome de Macau, nem se deram ao trabalho de nos informar!
Porque não fazer do recinto do Venetian uma área de Hong Kong e colocar nas entradas balcões de controlo de passaporte como nas fronteiras?
A verdade é que a empresa Las Vegas Sands Macau (LVS), desde a saída do advogado Neto Valente, parece «estar-se nas tintas» para a RAEM. As promoções que faz são todas direccionadas a clientes do exterior. Quem se lembra das promoções no início da sua actividade, onde os residentes podiam usufruir de noites nos hotéis a preços convidativos ou as promoções de serviços e produtos nos resort especialmente para quem aqui vive? Pois, por coincidência ou não, desde a saída do proeminente advogado esse apego à comunidade de Macau parece ter desvanecido, se não mesmo desaparecido.
A empresa foi autorizada a operar em Macau perante certas condições, entre as quais se incluía, certamente, trazer valor acrescentado para a comunidade (contratação de mão-de-obra local, benefícios para os residentes, apoio às associações de cariz caritativo, entre outros aspectos) que normalmente este tipo de empresas têm de garantir como contrapartida do lucro que auferem e pelo facto de terem sido preferidas em detrimento de outros candidatos. Assim são obrigados no Estado americano do Nevada.
A verdade é que da LVS, nos últimos meses, o que se nota é apenas um completo descuido por Macau e desrespeito pelas leis do Território. A começar pelo facto de não usar as línguas locais, nem respeitar as tradições culturais da região. A ver, por exemplo, os caracteres chineses usados na toponímia no interior do edifício, que são simplificados em detrimento dos tradicionais usados em Macau. Isto já para não falar na completa inexistência do uso da segunda língua oficial, o português.
Quanto às reclamações apresentadas (mesmo em inglês) a empresa faz ouvidos moucos e ignora-as totalmente. Pessoalmente enviei-lhes diversos pedidos de esclarecimento que nunca foram atendidos. Acredito que não estarei sozinho e que muitos outros residentes se sintam lesados com tudo isto. Pelo que apelo ao Governo que decida fazer algo para proteger a boa imagem de Macau perante quem nos visita e, principalmente, perante todos os que aqui vivem e que não gostam de ser chamados de burro tão frontalmente.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Cozinha da NaE continua...

Para quem não tem tido tempo para acompanhar o que por aqui se tem passado...
A Cozinha da NaE continua a publicar receitas caseiras de comida Tailandesa, e de fusão, além de algumas explicações e introduções a ervas, molhos e temperos mais usados na cozinha do Reino da Tailândia.
Para quem não se lembre dos manuais da escola, os portugueses foram os primeiros ocidentais a chegar ao Reino, ainda na altura se chamava Sião e a capital ainda se encontrava no interior do país, num local chamado de Ayuthaya (celebram-se os 500 anos em 2011). As relações dos tailandeses com os portugueses eram tão boas que, aquando da invasão da antiga capital pelos inimigos birmaneses, o rei trouxe consigo na fuga, além dos seus concidadãos, os portugueses, dando-lhes um lote na nova capital (Thonburi) para que se instalassem. Ainda hoje ali existe o bairro português e a influência da comida lusa pode encontrar-se em diversos pratos tailandeses. Especialmente em sobremesas.
É isso que a NaE, na sua cozinha, tenta trazer a todos os que falam tailandês, inglês e português. Partilhar um pouco desse património gastronómico e de encontro de culturas
Mais recentemente publicou uma receita de “Salada de caranguejo japonês”, uma de “Caril vermelho de cogumelos” e “Carapau salgado frito com couve chinesa”, além de muitas outras.
Vejam, leiam, experimentem e, se tiverem dúvidas ou quiserem partilhar a experiência, deixem uma mensagem à NaE no blog. Ela agradece a interactividade.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cuspo para o chão ou furo a fila

O COMPORTAMENTO das pessoas em Macau foi algo que sempre me fascinou, e por muito que me esforce, cada vez o percebo menos. É frequente dizer, ou ouvir dizer, que são os de fora que vêm para aqui fazer as coisas que nos desagradam. No entanto, penso que não será assim tão linear…
Temos por hábito dizer que as pessoas de Macau são bem comportadas e que os maus exemplos são praticados por quem nos visita. Eu assim gostaria de acreditar, mas o que vemos no dia-a-dia deixa poucas hipóteses para desculpar certos actos menos dignificantes.
Todos sabemos que grande parte da população do território é proveniente de outros locais, nomeadamente da China continental. De acordo com dados «oficiais» muitos dos residentes, especialmente da zona norte, vivem em Macau há menos de vinte anos, ou seja, há menos de uma geração. E desde 2000 o número de pessoas com autorização de residência cresceu em flecha, fazendo com que a percentagem do número de nascidos no território seja cada vez menor.
As conversas de café sobre formas de comportamento, diferenças culturais e afins, alongam-se sem nunca chegarem a consensos satisfatórios. Quando enveredo por este tipo de discussão filosófica, particularmente com amigos de etnia chinesa, acabamos sempre por chegar a uma espécie de consenso onde atiramos as culpas para quem vem de fora e aqui chegou há menos tempo. Existem dois grupos visados nesse sacudir de água do capote, o dos imigrantes vindos do interior da China e dos outros países asiáticos, e o dos turistas que entram e saem todos os dias.

A culpa morre solteira

Mas se olharmos com atenção, nem tudo é assim tão linear: quando vamos a uma repartição pública, por exemplo à sede dos Correios de Macau, que fica ali mesmo no centro, vemos os utentes alinhados em filas ordenadas, pacientemente esperando pela sua vez sem tentarem passar à frente de quem quer que seja. Acredito que os utentes dos Correios sejam locais e não visitantes. A maioria dos utentes, que mais não seja pela especificidade do serviço, devem ser mesmo residentes permanentes.
Depois de vermos as pessoas muito ordenadas nos Correios (ou em qualquer outra repartição pública) deparamos com as mesmas pessoas na paragem do autocarro a empurrarem-se e a passarem à frente de tudo e de todos para entrarem dentro do transporte público. Este comportamento que muitas vezes gostamos de apontar como sendo praticado essencialmente por chineses vindos do continente é deplorável.
Não quero estar aqui a defender os que chegaram há mais ou menos tempo a Macau. A verdade é que a falta de educação não escolhe proveniência. Por experiencia própria posso afirmar que já vi nascidos em Macau a praticar os maiores actos de falta de civismo e já vi pessoas que se mudaram há bem pouco tempo para Macau, vindos do interior da China ou de outro país asiático (com níveis e desenvolvimento mais baixos do que os de Macau) a darem exemplos de civismo e de bom comportamento social.
Já o meu avô dizia, a educação, assim como o conhecimento, não ocupa lugar e fica bem a todo a gente. É tudo uma questão de educação. E, como se sabe, a educação não vem com rótulos mas pode ser ensinada, se bem divulgada. Se houver campanhas sérias e compreensão, mas também fiscalização a sério, as pessoas acabam por «aprender».
O que não vale a pena é andar a gastar milhões na promoção de leis e a ditar «bitaites» de educação cívica, se a fiscalização não for eficiente. Existem Leis e Regulamentos em Macau que são mais do que suficientes para «educar» a população residente e não residente. O que faz falta é que sejam aplicados com seriedade – quando digo seriedade, digo rigidez de forma contínua. Quem é apanhado a prevaricar deve ser punido e assunto arrumado. Isto, claro, daria para muita discussão e, como tudo, nunca poderá ser tão linear.
A complexidade do problema é enorme e de difícil solução, mas se começarem, a sério, pelas escolas, pode ser que daqui a dez ou vinte anos tenhamos uma geração mais educada.
Para quem vem de fora apliquem os diplomas em vigor e não os deixem ir embora sem regularizar a situação.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Vamos americanizar os nomes

O HÁBITO de mudar a nomenclatura dos edifícios e dos locais em Macau foi um dos episódios mais caricatos que marcaram o pós-colonialismo português (como muitos lhe chamaram). Agora, passados mais de dez anos, ameaça vir a tornar-se novamente hábito; desta vez, porém, com outros contornos.
Os finais de 1999 e os primeiros anos do segundo milénio viram nascer um movimento que, de um dia para o outro, viu o Palácio da Praia Grande passar a chamar-se Sede do Governo da RAEM, o Palacete de Santa Sancha passar a Residência do Chefe do Executivo (ou Sala de Recepções da RAEM), o Edifício do Leal Senado a Edifício do IACM, além de muitos outros exemplos. Felizmente, alguns voltaram à denominação original, devido a terem sido incluídos na lista de Património Mundial. No entanto, muitos outros continuam a usar os novos nomes, como que envergonhados do passado que carregam sobre os ombros e que, quer algumas almas iluminadas queiram ou não, traz a Macau milhares de turistas, desejosos de apreciar a diferença cultural, de raiz portuguesa. Se fosse para verem aspectos de cultura chinesa, certamente que o fariam melhor no «continente» e com muito mais opções. A diferença em Macau, é mesmo pelo facto de ser Macau, como divulga a Direcção dos Serviços de Turismo por todo o lado.
Mais recentemente, apareceu uma nova vaga de mudança de nomes oficiais; mas, desta feita, de carácter privado e fomentada pelo investimento estrangeiro no sector do Jogo. Especialmente quando abordamos nomes em língua inglesa, visto que a obrigação de haver denominação em português visível deixou de ser tida em conta. Quando vamos fazer o registo de uma empresa, é-nos dito que há a obrigação de a denominar nas duas línguas oficiais, quando queremos usar também um nome em inglês, como explicaram num cartório de registo comercial.
Voltando ao tema que me leva a escrever esta coluna, o COTAI, mais concretamente, a Estrada do Istmo, passou a chamar-se «COTAI Strip» e à zona do aterro de Seac Pai Van agora chama-se «COTAI South».
Foi precisamente este último que mais me chamou à atenção, visto ser, pelo que sei, o mais recente e porque a nova denominação não corresponde à verdade, já que a zona onde se insere nem sequer faz parte do COTAI (oficialmente, COTAI significa Zona de Aterros entre Coloane e Taipa, sendo a denominação um «portmanteau» nascido destes dois nomes próprios). Trata-se de parte da ilha de Coloane, junto do Parque Natural de Seac Pai Van, e que fora aterrada na década de oitenta do século passado, quando ainda existia o istmo que ligava as duas ilhas e que, segundo se lembram muitos dos que aqui vivem há mais tempo, ficava intransitável em épocas de chuvas mais intensas.
Aliás, naquela zona havia, ou ainda há, um parque industrial cujo nome é «Concórdia» e que era gerido por uma empresa de capitais públicos denominada Sociedade de Desenvolvimento do Parque Industrial da Concórdia.
Se não passaram por esta zona nos últimos dias, aconselho a que o façam, de carro ou autocarro e vejam com os próprios olhos o que se passa, porque está à vista de todos.
Lembro-me de que, quando cheguei a Macau, a ilha de Coloane era apelidada de «pulmão verde de Macau» e que o Governo se manifestava empenhado em que assim ficasse. Foram várias as vezes que «patos bravos» tentaram, por diversas vias, mudar o rumo do Governo e obter autorização de construção em grande escala. Tal nunca fora conseguido, tirando o caso dos prédios na praia de Hac Sá, mantendo a ilha como o único refúgio verde do território, a par da Colina da Guia. Infelizmente – e digo-o com muita mágoa – essa opção e firmeza do Governo parece estar a ceder ao jogo dos interesses, ou seja, dos empresários da construção.
Os «patos bravos», como referia um articulista de Hong Kong recentemente, em Macau têm muito poder e conseguem sempre o que querem.
Afinal, Coloane vai ter construção em altura e a dar o (mau) exemplo, por vergonhoso que seja, é mesmo o Governo! Na zona da pedreira, logo à entrada da ilha, segundo consta, vai nascer um complexo de habitação social!
E no «COTAI South» vai nascer um empreendimento de luxo. Ele está anunciado e até é promovido no próprio local!

domingo, 4 de abril de 2010

Passividade da DSSOPT

SE me pedissem para eleger a situação que em Macau mais me envergonha ou me deixa perplexo, certamente que elegeria as construções ilegais. O território, ou melhor, os seus telhados, estão cheios delas. Macau cada vez mais se parece com um bairro de lata!
Passamos dias e dias sem nos apercebermos da sua existência. Muitos dos que nos visitam também não as notam porque o território está feito de tal forma que as pessoas raramente olham para cima. Existe algo que nos força a olharmos para a frente ou para o chão e raramente perdemos uns segundos a olhar para o céu. A verdade é que há poucos atractivos que o justifiquem. Se exceptuarmos alguns edifícios que merecem ser apreciados na sua plenitude, pouco mais há para ver acima da cota dos cinco ou dez metros.
Eu vivo num quarto andar na zona histórica de Macau, mesmo nas traseiras da Fortaleza do Monte. Um edifício que data de há cerca de 20 anos, ou pouco menos. No entanto, a zona envolvente com inúmeras construções ilegais fazem acreditar que o bairro data de há mais de um século e, a cada dia que passa, mais parece um bairro de lata.
As queixas à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) de nada servem porque não se vê resultado nenhum do seguimento das mesmas, deixando a impressão que nada é feito. A polícia nem sequer se digna dar acompanhamento ao problema porque, segundo dizem, não lhes compete, atirando a responsabilidade para a entidade anterior.
O prédio em frente ao meu (isto serve apenas de exemplo porque, infelizmente, se repete telhado sim, telhado sim), que já conta com um último andar (anteriormente o terraço) ilegal, foi recentemente alvo de nova intervenção. Ainda não contentes por terem ocupado mais de 50% do terraço do edifício, decidiram cobrir a restante (área comum que deve ser do uso de todos os proprietários do edifício) como se de um anexo da outra se tratasse.
As fotos que vos deixo, que foram tiradas ao longo de vários dias, chegam para ilustrar o que se arrastou aos olhos de todos. Claro, como ninguém olha para cima, estas situações continuam impunes e sem que as autoridades se preocupem.
No prédio ao lado deste existe pelo menos um andar completo todo ilegal. E por cima desse apêndice, já de si fora-da-lei, foi ainda construído um solário «particular»! O peso de tudo isto é tal que, na estrutura exterior do rés-do-chão se viram obrigados a aplicar umas peças metálicas para ajudar a suportar o esforço e abrandar a abertura das fendas nas paredes. Imaginem o que poderá dali advir num qualquer dia azarado.
No meu edifício, os proprietários do quinto (último) andar, decidiram que o terraço era deles, pelo que simplesmente o fecharam e construíram o que bem quiseram sem dar nenhuma satisfação aos restantes vizinhos! Interrogados sobre o assunto, dizem não querer saber. Alguns aconselharam mesmo quem se queixava para apresentarem queixa às autoridades, sabendo que nada se iria resolver!
É esta a passividade que temos de enfrentar em Macau. Mas, imaginemos que acontece um incidente semelhante ao que aconteceu em Hong Kong recentemente. Será que é necessário esperar que haja a queda de um edifício, causando vítimas mortais, para que as autoridades se metam em campo e obriguem os transgressores a repor a legalidade?
De tempos a tempos vemos notícias promovendo as actividades de fiscalização. No entanto, pergunto: Já alguém viu alguma construção ilegal vir abaixo? Em mais de 13 anos, nunca vi nada de semelhante…

NaE's kitchen A Cozinha da NaE

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