CADA vez que anunciam a vinda de políticos portugueses a Macau fico com calafrio na espinha, não só por serem políticos e por andarem a viajar à borla com o País em crise, mas também porque não sabemos qual o disparate que vêm dizer. Há muito que estamos habituados que sempre que alguém do Executivo Português aqui vem só nos deixa mal vistos aos olhos dos cidadãos chineses. Diga-se, em abono da verdade, que passados todos estes anos eles já nem ligam às «trocas e baldrocas» dos políticos de Portugal. Passou mesmo a motivo de risota o simples anúncio de que alguém de Lisboa está a caminho. Só falta começarem a fazer apostas junto do Pacapio, à semelhança do futebol e de outros eventos. A última fornada que por aqui passou deu origem – apenas – a dois casos: Um em que se chamou República da China, por diversas vezes e no mesmo discurso, à República Popular da China, sem que nunca se desse pela gralha. Caso para perguntar que tipo de assessoria trazem e que trabalho de casa fazem. Aliás, penso que ainda hoje o secretário de Estado não deve ter percebido muito bem o que fez porque nem um pedido de desculpas por parte do seu gabinete. O outro em que o «nosso» Paulo Portas (o das feiras) só se atrasou duas horas para a recepção oficial – em sua homenagem – na residência oficial do cônsul-geral de Portugal, vulgo hotel Belavista. Nada contra o atraso, pois pode acontecer a qualquer um quando se trata de voos internacionais, mais barcos e viaturas oficiais e, no meio de tudo isto, o caótico trânsito de Macau, que como sabemos nos causa atrasos de horas a fio como em Lisboa. O lapso de duas horas do vice-Primeiro-Ministro até se compreende, ou melhor, não se aceita, mas compreende-se. O que não se compreende, nem se aceita, é a falta de respeito com que Portas nos vai brindando desde que chegou ao «poleiro». Quando andava pelas feiras a distribuir beijinhos e abraços era uma coisa, agora no poder mostra a sua verdadeira face. Não estive presente na recepção – lamento que o Consulado Geral de Portugal nem sempre convide todos os portugueses de Macau – mas também não fiquei com saudades. Contou quem lá esteve que quando Paulo Portas chegou já metade dos convidados se tinha ido embora (a chegada estava marcada para as nove da noite, apenas apareceu perto das onze...). Não explicou o sucedido, nem pediu desculpas pelo incómodo causado aos presentes. Um digno exemplo de humildade e de educação de um país que nutre a admiração de muitos na Ásia. Como já disse, compreendo que possam acontecer certos atrasos. O que não pode acontecer é faltar ao respeito aos convidados, como se eles ali estivessem por obrigação. Uma explicação sobre o sucedido era o mínimo que se exigia. Nos dias de hoje, com a comitiva de assessores que Paulo Portas deve ter trazido, não se compreende que ninguém tivesse tido a ideia de pegar no telefone e ligado ao cônsul-geral, para o informar que estavam atrasados, explicar-lhe a razão e pedir-lhe que tal fosse transmitido no local, para que todos ficassem a saber a razão do atraso. Até podia dizer que o representante de Portugal se sentia constrangido (mesmo que não fosse verdade) por causar tanto incómodo. O cônsul teria andado, a determinada altura, de convidado em convidado, a tentar apaziguar os ânimos – algo agitados, em resultado de um atraso de que nem ele saberia a razão, segundo chegou ao meu conhecimento através de um dos presentes. Teria sido muito mais razoável que alguém da comitiva do vice-Primeiro-Ministro tivesse ligado e informado o diplomata da situação, ou que tivesse o diplomata ligado a perguntar o que se passava. Penso que deve ter poderes para tal, afinal é o representante máximo de Portugal neste território. Teriam morto dois coelhos de uma cajadada! O atraso ficava explicado e o cônsul não precisava de fazer figuras menos dignas, ficando toda a comunidade a ganhar. Como sempre, ficámos mal vistos! Mas como sempre também acontece nestas ocasiões, já ninguém se lembra e agora resta-nos esperar pela próxima visita. |
Como blog estaremos aqui para escrever as nossas opiniões, observações e para que quem nos visite deixe também as suas. Tentaremos, dentro das possibilidades, manter este local actualizado com o que vai acontecendo à nossa volta em Macau e um pouco em todo o lado...
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Mal na fotografia
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Acordo discriminatório
ESCLAREÇAM-SE se estiver errado. Recentemente tem-se falado muito do processo de troca de cartas de condução da China e de Macau. Também recentemente foi anunciado, como se fosse a coisa mais natural deste mundo, que se for uma carta de condução de Macau que tenha sido trocada por uma portuguesa não dará o direito a conduzir na China. Para tal tem que ser uma carta de condução tirada em Macau, tudo isto porque, segundo justificam, a China não é signatária da Convenção sobre o Trânsito Rodoviário. Pelo que não aceita cartas de condução de países signatários da mesma. No entanto, Macau é signatário dessa mesma resolução internacional e se o residente tem carta de Macau, tendo ela sido ou não tirada em Macau, que diferença há? É que os signatários da dita convenção não devem discriminar nenhuma das licenças de condução de nenhum dos países membros. Em que ficamos? As cartas de condução de Macau (tiradas em Macau) estão ao abrigo da convenção, mas são reconhecidas no interior da China que, reciprocamente e como mandam as boas regras das relações internacionais, reconhecem as da China para se conduzir aqui. Tendo em mente que quem conduzir na China, com carta de condução de Macau, tem de respeitar as leis e regras de trânsito do outro lado da fronteira, enquanto os do outro lado quando conduzirem em Macau têm de seguir as regras daqui (vou-me rir tanto!), ou seja, as mesmas que são utilizadas na grande maioria dos países do mundo que são signatários da convenção. Pergunto: se as cartas da China vão ser equivalentes às de Macau (entenda-se equivalentes às dos países signatários da Convenção sobre o Trânsito Rodoviário, visto que as de Macau o são), quem os vai impedir de conduzir em todos os outros países signatários da convenção internacional, pedindo a emissão da Carta de Condução Internacional a que terão direito com o reconhecimento em Macau? Por exemplo, em Portugal, onde a carta de condução de Macau é aceite, visto serem signatários da Convenção sobre o Trânsito Rodoviário. A questão que se levanta não é tanto relativamente ao facto de podermos, ou não, nós portadores de cartas emitidas por equivalência a uma estrangeira, conduzir na China. A questão é precisamente o contrário, saber como se vai regular o facto dos condutores da China, por direito que lhes advém de terem acesso à licença em Macau, terem oportunidade de pedir uma carta de condução internacional reconhecida em mais de 70 países. E, por outro lado, como vai Macau explicar que residentes locais, que ao abrigo da Lei Básica são todos iguais e gozam dos mesmos direitos e obrigações, irão passar a ser descriminados baseados na licença de condução que possuem. Tanto quanto sei, na Lei do Trânsito Rodoviário de Macau, recentemente aprovada, não existe qualquer distinção entre carta de condução de Macau tirada localmente ou por equivalência por licença adquirida no exterior. Isto ainda está tudo apenas em fase de estudo, estando o grupo de trabalho debruçado sobre as questões mais importantes, no entanto, ninguém ainda se lembrou de levantar estas dúvidas, pelo que se espera que tais informações cheguem a quem faz parte do grupo de trabalho. Até ao momento o que mais os preocupa é a reivindicação da população que não quer que tal reciprocidade venha a abrir uma porta para que os condutores do continente inundem o mercado de trabalho do território. Quanto a isto, a acreditar nas afirmações da comissão, o problema parece estar resolvido. Mas, na minha opinião, os outros pontos que aqui levanto também têm a sua quota de importância e merecem ser abordados. Não tanto o facto dos portadores de carta tirada em Portugal serem, ou não, habilitados a conduzir do outro lado da fronteira, mas sim o facto dos do outro lado passarem a gozar dos mesmos direitos dos signatários da Convenção sobre o Trânsito Rodoviário quando tiverem direito à carta de condução de Macau. Isto é, passam a ter os mesmos direitos que nós, sem que nós tenhamos os mesmos direitos que eles. |
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
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terça-feira, 5 de novembro de 2013
Pobres diabos
QUERO publicamente manifestar o meu apoio a uma classe social que, na minha opinião e que sei ser partilhada por milhares de pessoas em Macau e por milhões pelo mundo fora, é injustamente acusada de falta de escrúpulos. Uma classe social que só tem feito bem e que tem contribuído, sobremaneira, para o bem-estar de todos nós e, muito especialmente, para a imagem do território como espaço aprazível, que todos acolhe de braços (e carteiras, dizem as más-línguas, mas eu nada tenho a ver com isso) abertos e como cidade internacional que é (eu acredito, e o leitor?). Trata-se de uma classe profissional que, diariamente e 24 horas por dia, se esforça, e de que maneira, por nos facilitar a vida e por tornar o nosso dia-a-dia mais aprazível e confortável, rápido e seguro. Sinceramente não compreendo como é que todos continuamos, anos a fio, sem lhes prestar a devida homenagem, visto que, dia após dia, dão todo o suor e lágrimas para o bem comum. São obrigados, faça chuva ou faça sol e até em dias de tufão, a andar de um lado para o outro para darem conta das nossas necessidades, sem nunca reclamarem e sem nunca exigirem mais do que o justo pelos seus préstimos. E, ainda por cima, com o contínuo aumento do custo de tudo o que se compra, vêm a margem de lucro diminuir de dia para dia, sem que para tal haja ajuda do Governo ou a compaixão de todos nós. E logo este Governo que ajuda tudo e todos sem olhar a caras ou à cor. É injusto, digo eu, simples cidadão de Macau que (em abono da verdade raramente o faço) uso os serviços destes zelosos profissionais que são exemplo em tudo, desde o asseio pessoal e conduta profissional, até ao dedicado esmero que colocam na limpeza do local onde exercem a função e na ajuda aos clientes. Levantam-se a altas horas da madrugada, isto quando conseguem dormir alguma coisa, só para se dedicarem às tarefas de limpeza, para que tudo esteja impecável quando nós (ignóbeis e incompreensíveis utentes dos seus preciosos serviços), logo pela manhã, os chamamos com cara de noite bem dormida, mas sempre resmungões! Agora que decidem pedir um aumento do prémio dos seus préstimos em 20% todos a eles se lançam como hienas, revelando a sua insensibilidade. É pena que ninguém compreenda os nossos taxistas, essa classe que tanto nos facilita a vida e que está sempre ali para nos transportar. Eu apoio que o Governo aprove os aumentos sugeridos pela classe e até vou mais longe: o Governo devia pagar-lhes o combustível e o seguro. Isto já para não dizer que devia atribuir-lhes uma medalha pelos serviços prestados em prol do bom nome da terra. Vinte por cento? E que tal 100 por cento de aumento? Vamos todos apoiar os nosso taxistas injustiçados! Notas soltas Tendo em conta as recentes notícias que dão como certa a participação do campeão de Fórmula 3 no ano passado em Macau, o português Félix da Costa, deixo um conselho de amigo ao engenheiro Costa Antunes. Este ano não se esqueça de ter uma cópia de «A Portuguesa», o hino de Portugal, no iPhone, «just in case...». Depois da «barracada» de 2012, é o mínimo que se pede à organização. Ainda relativamente à vinda de Félix da Costa, tanto quanto me lembro, é a primeira vez que um vencedor de Fórmula 3 no ano anterior vem defender o título. A terminar, foi com tristeza que fiquei a saber que a Direcção dos Serviços de Turismo apoiou uma regata no Rio Tejo, em Lisboa, no passado Domingo, organizada pela ANC (Associação Nacional de Cruzeiro, da qual alguns dos membros são funcionários da DST), enquanto residentes de Macau organizam um evento que vai levar o nome de Macau à volta do mundo e o apoio é negado. Critérios… cada um tem os seus. |
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
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sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Desvanecer a pouco e pouco
NÃO gosto de ser «ave de mau agoiro» mas nos últimos tempos tudo aponta para que o que venho afirmando seja, cada vez mais, uma realidade. Sempre que posso defendo nestas páginas o uso da língua portuguesa e a sua obrigatoriedade. Não porque seja fundamentalista, mas porque assim ficou acordado entre duas nações soberanas e para mim a Lei é para ser cumprida integralmente. No entanto, a pouco e pouco, e como que pela «calada da noite», o Português começa a ser subtraído das suas funções oficiais. Será que já se está a preparar o terreno para o pós-2049? Lamento afirmar que parece que sim! Não tinha tido conhecimento da cerimónia oficial da Feira Internacional de Macau (sempre conhecida por MIF, a sua sigla em Inglês), mas agora veio-se a saber que este ano, ao contrário dos anteriores, a língua portuguesa não marcou presença nos discursos oficiais. Passei por lá no último dia, na tentativa de encontrar alguns contactos para a viagem que estamos a organizar, e também pouca informação vi em Português, aliás, em consonância com a pouca abertura dos empresários presentes para o nosso evento. Se não formos nós a apoiar e a defender aquilo que é nosso, ninguém o fará! É pena que o organizador, neste caso o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), ou seja, o Governo de Macau, esteja a colocar de lado a Lei Básica tão descaradamente e sem que ninguém levante objecções ou peça explicações por tais decisões e medidas. Além do exemplo do que se passou no recinto da Feira Internacional de Macau, a mensagem de agradecimento na passada segunda-feira, o dia seguinte ao encerramento do certame, não deixou margem para dúvidas, tendo sido publicada apenas em Inglês, mesmo nos jornais de língua portuguesa. Por acaso tenho curiosidade em saber se nos jornais chineses foi também posto na língua de Sua Majestade. Na edição do mesmo dia do jornal Ou Mun não havia qualquer tipo de publicidade de agradecimento, apenas um artigo referente à MIF e ao seu encerramento. São pequenos sinais como estes que se vão aglomerando e vão fazendo com que a «nossa» língua acabe por desaparecer, mesmo antes da data previamente acordada entre Pequim e Lisboa. E o que mais me choca é que quem devia levantar a voz, a nossa representação diplomática local, nada faz e nada diz relativamente ao assunto, apenas se focando nos números dos «Vistos Gold». A instituição máxima de promoção de Macau no exterior, a Direcção dos Serviços de Turismo, há muito que deixou de adoptar o Português nas suas intervenções. Apesar de ter inúmeros bilingues, o Português nunca faz parte dos seus discursos oficiais, a favor sempre do Chinês e do Inglês. Porque é mais fácil, dizem! E isso podemos constatá-lo. Basta ver quantas vezes o antigo director discursou em Português em encontros internacionais. Aliás, agora no novo cargo que ocupa na PATA quantas vezes recorreu à sua língua materna? Acredito que seja mais fácil à DST dizer que é mais fácil utilizar o Inglês e o Chinês, assim como é fácil negarem apoio a iniciativas de divulgação de Macau em Português quando, do outro lado da porta, se dão milhões a outras realizações em Chinês e Inglês. Infelizmente existem outros exemplos e cada vez mais frequentes. Várias vezes aqui fiz eco da falta de visão (ou talvez não, se o objectivo é mesmo o de erradicar o seu uso) de não se incluir nos contratos de concessão dos serviços públicos a obrigatoriedade das duas línguas oficiais. Veja-se as operadoras de telecomunicações. Nenhuma delas usa o Português. O mesmo se passa com a Macao Water (Sociedade de Abastecimento de Água de Macau), que até o próprio nome mudou logo após a criação da RAEM, e com a Companhia de Electricidade de Macau que pouco usa a língua portuguesa. E o mesmo se pode dizer da Companhia de Sistemas de Resíduos, que de Português só tem mesmo o nome. No que respeita aos contratos de concessão apenas a – sempre na berlinda – Direcção dos Assuntos de Tráfego tem obrigado as concessionárias de transportes públicos a usar as línguas oficiais. E, bem ou mal, «a coisa» lá tem sido mantida com toda a informação nos autocarros, escrita ou sonora, a ser disponibilizada nos dois idiomas. Apesar de muito de errado haver a apontar à DSAT, aqui a elogio pelo bom trabalho. São falhas a mais para um território que se diz apostado em promover as relações com os Países de Língua Portuguesa e em dar condições para que a língua lusa possa continuar a ter o peso que sempre teve. As últimas novidades neste campo que vieram a público não auguram nada de bom. Recentemente, a Associação de Investigação do Sistema Jurídico de Macau, pelo seu presidente, o proeminente advogado chinês Chan Wa Keong, começou o «ataque» ao sistema jurídico, defendendo, na presença do procurador, Ho Chio Meng, que nada disse em contrário, que os candidatos a juízes não precisam ser bilingues. Começam a ser muitas as forças a puxar apenas para um lado, sem que ninguém venha a terreiro meter ordem no caos e clarificar as dúvidas que vamos tendo. |
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
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terça-feira, 22 de outubro de 2013
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terça-feira, 15 de outubro de 2013
Enfermeiros em apuros?
A MEMÓRIA de Macau é curta, mas só para algumas coisas. Lembram-se daquela senhora que para ganhar votos e ter visibilidade na campanha eleitoral se lembrou de atacar directamente os profissionais da Saúde de origem portuguesa, dizendo que a sua contratação colocava em perigo a vida dos pacientes chineses? Pois agora essa senhora é deputada! Ou que raio isso quererá significar em Macau, visto que foi eleita por uma lista da qual nada se espera, a não ser dizer que «sim» a tudo o que o Governo e Pequim ordenarem. A nova deputada na primeira oportunidade, e quando confrontada pela sua famosa afirmação de pré-campanha, que certamente lhe rendeu mais umas centenas de votos e que a ajudou na eleição para o poleiro no Hemiciclo, apressou-se a desmentir tudo o que havia dito. Como boa artista política que é, ou deve ser porque a experiência ainda é quase nula, deu o dito por não dito. Começa bem! Afinal não é isso que os políticos fazem? Na campanha prometem uma coisa e quando chegam ao almejado lugar logo se esquecem. A verdade é que as afirmações ficaram gravadas e ninguém as pode apagar, por muito que a sua autora se desdobre em explicações. Wong Kit Cheng diz-se mal interpretada e explicou – aqui cito o Jornal Tribuna de Macau para não ser também eu mal interpretado – «concordo com a medida da contratação. Mas tem de haver um bom mecanismo de importação e de saída, e depois podemos decidir se é preciso contratar profissionais estrangeiros ou não». Uma ideia muito aquém das declarações de Julho à Imprensa chinesa, durante a época de pré-campanha: «A contratação de enfermeiros em Portugal é uma medida inadequada devido a barreiras culturais. (…) Servir os doentes é a principal função dos enfermeiros e a comunicação é muito importante e, para assegurar a qualidade desta comunicação, os enfermeiros necessitam de conhecimentos em Chinês, tanto orais como escritos (…); a maioria dos residentes só fala Chinês, pelo que há uma barreira linguística durante o serviço[dos enfermeiros portugueses] que é intransponível (…); a enfermagem passa por não só cuidar da saúde dos doentes mas também por dar apoio psicológico e verbal aos mesmos, duvido que os enfermeiros portugueses consigam oferecer bons serviços em Macau. (…) A contratação de enfermeiros portugueses poderá colocar em risco a vida dos cidadãos». Depois de ser eleita para o assente quentinho do Plenário dos Lagos Nam Van mudou o discurso. Já aquando das afirmações eleitoralistas de Wong Kit Cheng manifestei preocupação, não sendo o único a protestar e a fazer entender que a «madame» deveria ser chamada à razão sobre o assunto dos enfermeiros. Aliás, a associação dos enfermeiros portugueses, assim como os próprios Serviços de Saúde, veio a público repudiar o que a então «normal» cidadã havia aludido. A minha consternação não era tanto pelo teor, que roçava o xenófobo, mas pelo facto de virem de uma pessoa que ocupa uma posição de destaque na comunidade local. Não nos esqueçamos que Wong Kit Cheng, antes de ser deputada, é vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau (www.macauwomen.org.mo), a associação mais poderosa em termos sociais e das mais influentes na vida social e política do território, visto dela fazerem parte todas as esposas e outros membros femininos das famílias dos detentores dos mais altos cargos políticos da RAEM. Assim como a maior parte dos membros femininos dos maiores grupos empresariais alinhados com Pequim, que controlam a economia de Macau. Tina Ho, a sua presidente, antiga deputada e uma das empresárias mais influentes, é um bom exemplo, assim como a vice-presidente do Conselho Executivo, a actual directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes, que tanto apregoa a favor dos laços portugueses, mas depois deixa cair projectos ligados a essa mesma Lusofonia, como o caso do restaurante da Casa de Portugal – só para citar um, porque existem outros. É chegado o momento da comunidade lusa ficar em alerta, porque os sinais começam as ser cada mais. Esperemos que as afirmações da senhora deputada sejam isso mesmo: apenas afirmações. |
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quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Joao Gomes has sent you a message
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