Como blog estaremos aqui para escrever as nossas opiniões, observações e para que quem nos visite deixe também as suas. Tentaremos, dentro das possibilidades, manter este local actualizado com o que vai acontecendo à nossa volta em Macau e um pouco em todo o lado...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

SAGRES devia zarpar

A polémica envolta da SAGRES e da sua não vinda a Macau está cada vez mais condimentada. Agora, como se lê por toda a imprensa em artigos baseados num despacho da LUSA, o comandante veio enaltecer a recepção dada ao veleiro em Xangai. Afirmando mesmo que é a melhor que tiveram até hoje. Declaração que deve ter deixado muito contente quem os recebeu anteriormente!
As confusões são tantas, com a Defesa a dizer uma coisa, os Negócios Estrangeiros outra e até a China afirma uma terceira versão.
Agora, de acordo com uma fonte da Capitania dos Portos de Macau, afinal a SAGRES poderia vir a Macau visto que dos quatro portos do território, dois deles teriam condições técnicas para a receber. E, mesmo que assim não fosse, haveria sempre a hipótese de a fundear ao largo de Macau e organizar uma ligação de barco para quem a quisesse visitar.
Sinceramente deixa-me triste, seja qual for a justificação para a não vinda do barco a Macau. Seria uma oportunidade única para os residentes do território visitarem uma embarcação única no mundo.
Com um pouco de boa vontade da parte da China penso que tudo se poderia resolver. E, caso assim continue, volto a dizer que Portugal deveria ordenar à Marinha para zarpar rumo a Díli rapidamente.
Fiquem com algumas imagens da passagem da SAGRES por Macau em 1979...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

SAGRES devia deixar Xangai...

A pouca vergonha veio agora a público numa notícia avançada, em primeira mão pelo blog de João Severino. Embora digam, e como comprova o plano de navegação agora dado a conhecer, a não vinda a Macau era conhecida há muito tempo por quem está envolvido no projecto.
O navio escola SAGRES afinal não vem a Macau na sua viagem de circum-navegação. Depois de ter navegado todo o continente americano e ter atravessado o Oceano Pacífico rumo ao Japão, está agora em Xangai. Mas, com atracagem marcada para Macau no dia 28 de Agosto e partida agendada para o primeiro dia de Setembro rumo a Timor Leste. No entanto, apesar do pedido ter sido feito há vários meses segundo os responsáveis pela missão, a resposta de Pequim foi negativa. As versões sào várias, desde o facto de Macau não estar autorizado a receber embarcações de Guerra (o que contradiz com o facto de Hong Kong as receber frequentemente, mesmo que para tal precisem de autorização de Pequim) ou porque Macau não tem condições técnicas para que o barco atraque em condições de segurança.

Bom, sendo pouco diplomático, apetece-me dizer para mandarem a China às favas! Levantando âncora o quanto antes de Xangai, fazendo as autoridades de Pequim perder a face. Pois a Portugal só resta mostrar que, apesar de pequenos, temos coluna vertebral. E, se não vos deixam passar por Macau que tem toda a carga histórica que é do conhecimento público, também nada fazem em Xangai.
É de lamentar que as autoridades de Macau e da China cheguem a este ponto, não se mostrando abertas a colaborar e encontrar uma solução que possibilite a vinda, tão simbólica, deste embaixador da boa vontade e da fraternidade entre as nações.
Por onde passa, nas palavras do seu comandante, mas também dos milhares de marinheiros que no SAGRES tiveram o prazer de navegar, a embarcação granjeia elogios e deixa amigos. Se a China não a quer em Macau, pois que Portugal não a queira em Xangai e que parta, imediatamente, rumo a Díli para prosseguir viagem por países onde é acolhida de braços abertos. O navio escola, depois de chegar a Timor Leste segue para Jacarta, Banguecoque e Singapura. A viagem de regresso a Lisboa terá início em Malaca e rumo traçado por Kuala Lumpur na Malásia, Goa na Índia e Alexandria no Egipto, passando por Argel e chegando a Lisboa, finalmente, no dia 23 de Dezembro.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Outra vez o Festival secreto

EM Novembro ou Dezembro de 2009 surgiu uma polémica em redor de um festival de cinema que ninguém sabia o que era, de onde vinha, e que tinha surgido em Macau como que por magia. Pois, o mesmo voltou e foi apresentado recentemente pelos mesmos organizadores. Não vou citar nomes porque, de acordo com o que li na Imprensa portuguesa e inglesa diária, o responsável e promotor do evento anda já a processar judicialmente seja quem for que o critique. No entanto, a mesma personalidade, que pouca gente de Macau sabe quem é e de onde veio (não que isso me tire o sono), não se coíbe de criticar a Imprensa local pela falta de cobertura do «seu» evento. Acusando mesmo, indiscriminadamente, os profissionais da comunicação de Macau de não saberem dar a cobertura devida e profissional a eventos de expressão mundial.
Vivendo em Macau há mais de uma dezena de anos e sem qualquer intenção de deixar o território, só me apetece dizer a este senhor que, se pretende que o seu evento seja comparado ao de Cannes, deve começar pelos princípios mais básicos. Primeiro, o «Festival de Cannes» apresenta-se na língua oficial do local onde nasceu (neste caso o francês, em Macau deveria ser em chinês e português), mas não esquece que é internacional; por isso também se apresenta em inglês, árabe, espanhol, japonês e grego. O de Macau começou mal, apenas se apresentando em chinês, daí comprometendo grandemente a sua faceta internacional e, na minha opinião, desrespeitando completamente a tradição de Macau no que diz respeito a línguas.
Também, segundo o que li, o dito director, quando lhe perguntaram se o festival iria fazer acordos com parceiros internacionais (no caso citaram Hong Kong e Portugal), a resposta foi negativa.
Na verdade, não consigo compreender como se pode organizar um evento de cinema, neste caso um festival, sem que haja um completo envolvimento das entidades locais e das entidades culturais de Macau.
Concordo e agrada-me ver o sector privado a tomar iniciativas de carácter cultural, mas quando está em causa a imagem do território no exterior, defendo que o Governo tem um papel marcante a desenvolver. Que mais não seja, um papel de suporte e de apoio em todas as frentes.
Este festival, que muitos acusam de ser uma fachada para obter lucros pessoais, começou com o pé esquerdo na primeira edição, envolto em secretismos e com uma aura de dúvida que lhe turvou a imagem. Na segunda edição, que agora apresentaram, vieram acusar a população e a Imprensa local de serem os principais responsáveis pelos maus resultados obtidos. Penso ser um mau presságio sacudir a água do capote e atirar as culpas para quem os acolhe.
A edição que agora apresentaram vem recheada de extras. Entre eles a promessa de salas de cinema 3D e de uma academia de cinema, entre parcerias com altas individualidades do panorama chinês. Se se querem atingir níveis como o que se faz em Cannes, dêem-se ao trabalho de ver a sua ficha técnica e olhar para a diversidade que faz um festival internacional.
Apetece-me dizer que de promessas está Macau farto e o inferno cheio. A mim convencer-me-ão, quando começar a ver resultados a nível internacional e críticas positivas sobre o trabalho que desenvolvem.
Até lá, o meu modesto conselho é que deixem de atirar pedras aos telhados dos vizinhos, porque os seus também são de vidro.

Desejo de menino

Desde pequenino tenho um desejo secreto: de visitar uma central de incineração. Quanto era mais novo e vivia naquele rectângulo plantado à beira do Atlântico, nunca tive essa oportunidade porque ainda não existiam. Depois que me radiquei em Macau pensava que esse sonho se iria concretizar. Infelizmente, parece que tal não será possível. Assim como eu, penso que centenas de meninos e meninas, crescidos e crescidas, partilham da mesma expectativa. Não é que as centrais locais sejam locais ultra-secretos, nem que a empresa que as gere esteja de portas fechadas, porque de Setembro a Dezembro são organizadas visitas, todos os primeiros, segundos e terceiros sábados do mês, duas vezes ao dia, com transporte gratuito e com a oferta de um chapéu-de-chuva e a possibilidade de ganhar prémios monetários. O problema é que, se não falamos Cantonense, ficamos a olhar para a chaminé, se é que as centrais de incineração as têm.
Como disse, nunca visitei nenhuma e, pelos vistos, nunca irei realizar o tal meu «desejo secreto», em Macau.
Estou desolado… não me deixam concretizar um sonho de infância…

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Os animais que somos

OS ANIMAIS de companhia sempre foram uma presença constante em Macau. Desde tempos idos, cães e gatos marcam o quotidiano da vida de quem aqui vive. Apesar do evoluir da sociedade, com o aumento do número de pessoas e a consequente diminuição de espaço, o número de animais continua a aumentar. Segundo os números não oficiais das instituições que se dedicam a proteger os animais, há cada vez mais cães e gatos vadios nas ruas da cidade. Sem ou com números oficiais, a verdade é que os canis de Macau estão cheios e todos os dias aparecem mais animais abandonados.
O querer adquirir um animal de estimação não é decisão que se possa tomar de ânimo leve, porque um cão ou um gato podem chegar a viver uma dezena de anos, aliás alguns chegam mesmo a passar largamente essa marca. Pelo que, ao decidir levar um amigo de quatro patas para casa, temos de fazê-lo depois de muito ponderar e conscientes de que temos as condições necessárias para o tratar de modo conveniente. Caso não se assuma essa responsabilidade, mais vale desistir da ideia porque, mais cedo ou mais tarde, acaba-se por abandonar o animal.
Apesar de saber que estas palavras, possivelmente, irão cair em saco roto, penso que se deve continuar a sensibilizar a população. O Governo, através do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, faz um esforço louvável, sendo também de salientar e enaltecer o trabalho das associações protectoras dos animais no dia-a-dia. Mas, apesar disto, e da dedicação de centenas de pessoas, a situação parece ainda estar longe de ser a ideal.
Falta em Macau uma estrutura que considero essencial na educação e sensibilização das pessoas, ou seja, uma federação ou qualquer outro organismo que congregue, a nível institucional, todas as entidades privadas e públicas que se dedicam à protecção e promoção dos animais de estimação. São essas federações, ou clubes, que organizam eventos e competições, em que os donos e os interessados podem ver os animais em acção: uma actividade que pode servir, em grande medida, para sensibilizar quanto aos direitos dos animais e obrigações dos seus donos. Assim como pode ser um veículo extremamente eficiente para promover as leis que regulam a posse de animais e o comportamento que os seus proprietários devem ter em conta para evitar serem punidos. Para tudo na sociedade tem de haver regras e a posse de animais não deve ser diferente.

Evento sem tradução

A Doca dos Pescadores vai ser palco, este fim-de-semana (começa hoje e termina no Domingo) de um evento denominado (numa tradução livre porque não existe nem sequer versão em inglês) Olimpíadas dos Animais de Estimação. Pelo que consegui perceber no sítio da internet (www.olympets.net), trata-se de uma competição/exibição/certame com cães. O dito evento é apenas uma das etapas de um calendário que já passou por Cantão, Xangai e Hong Kong, voltando depois novamente a Xangai e, por fim, passa por Zhuhai.
Como se pode ver pelo seu carácter «internacional» (!), este evento usa erradamente o nome «International Pet Oympic Games Association», visto que, para ser «international», deveria contar com a participação de países estrangeiros e, antes de mais, deveria ser promovido convenientemente, de modo que os «internationals» pudessem perceber de que tipo de evento realmente se trata. Tal não acontece, pois tudo é comunicado unicamente em chinês, sem qualquer versão em português ou, em última instância, em inglês.
É de louvar que em Macau se organizem eventos desta natureza, mas considero que quando se dá autorização, deve ser exigido que, pelo menos, se usem as duas línguas oficiais e também o inglês, pois só assim se pode assegurar que a população de Macau (que fala chinês, português e inglês) seja um alvo potencial das campanhas de sensibilização.
Desejo, mesmo assim, que o evento possa decorrer da melhor forma e que no próximo ano, caso volte a Macau, seja organizado de forma que todos possamos ser informados devidamente e entender, de facto, o evento.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Thai Tiger com planos para Macau

A Thai Airways e a Tiger Airways vão lançar uma nova companhia de voos de baixo custo. O anúncio foi feito ontem em Banguecoque, depois de muitas negociações feitas em total secretismo. A falta de informação pública foi de tal forma que alguns membros do Parlamento Tailandês pediram à Thai Airways, que é detida maioritariamente pelo Estado, para que viessem explicar a razão por terem apenas anunciado a operação quando esta já estava concluída.
Com início de operações programado para o próximo ano, a nova operadora de voos de baixo custo vai apostar nos mercados da China, com Macau a ser um dos destinos com partida de Banguecoque, Índia e Indonésia.
A nova companhia, que se vai chamar Thai Tiger foi, desde logo, alvo de críticas por parte de outros operadores, nomeadamente por parte do CEO da Thai Airasia, Tassapon Bijleveld. O homem da maior lowcost baseada na Tailândia apontou o dedo à empresa do Governo, dizendo que fizeram uma má aposta porque o mercado da região é de baixo valor. Segundo Tassapon a aposta da Thai, como empresa bandeira do país, deveria passar pelo mercado de topo e não pelo de baixo custo.
Com o início de operações marcado para o início de 2011, a nova empresa terá o seu capital dividido em 49 por cento para a Tiger Airways e os restantes 51 por cento entre a Thai Airways e outras subsidiárias do grupo Thai. A nova companhia irá operar com o mesmo tipo de aeronave que a Tiger Airways está a usar na sua frota e terá a sua base no aeroporto de Suvarnabhumi em Banguecoque oferecendo voos num raio de cinco horas.
A nova aposta é bem vista pelas agências de investimento que dizem ser um passo inteligente por parte da Thai Airways aproveitar a estrutura da Tiger Airways para reforçar a sua posição no mercado de baixo custo.

domingo, 1 de agosto de 2010

Saúde sem português

AGORA que estamos em finais de Julho, quero voltar a um assunto que não abordo há algum tempo: a língua portuguesa e os Serviços de Saúde (SS). Parece ser uma «guerra» perdida, tendo em conta a reacção dos responsáveis deste sector essencial da nossa sociedade. Ou melhor, a falta total de resposta.
Quando falo dos SS, quase sempre acabo por me referir à qualidade dos seus serviços que, de há dez anos a esta parte, parecem tornar-se cada vez piores, na opinião dos utentes. No entanto, o que mais estranho e muito me incomoda é mesmo o completo desrespeito da língua oficial portuguesa. Por muito que os dirigentes dos SS não queiram aceitar, é o que prescreve a Lei. E se aos cidadãos é pedido que a cumpram, aos SS pede-se que dê o exemplo.
Sempre que se aborda tal tema, a reacção dos responsáveis deste serviço é ríspida. Aliás, das últimas vezes, – não sei se por falta de educação ou por não saberem ler ou não se darem ao trabalho de passar os olhos pela Imprensa em língua portuguesa, – nem responderam às críticas feitas.
Os jornalistas, e quem colabora na Imprensa, quando escrevem fazem-no, na maior parte das vezes, criticando. É verdade! Mas confesso que não o fazemos por prazer. Pessoalmente, gostaria de ter oportunidade de escrever mais vezes sobre assuntos positivos. Quando critico, ou exponho algo que considero não estar certo, faço-o com a melhor das intenções e sem qualquer objectivo de denegrir seja o que for. Apenas me interessa que as situações sejam identificadas e rectificadas, nada mais. O que se procura e espera é que as críticas sirvam para melhorar o que pensamos estar mal. Nunca me irão ver aqui a dizer mal de alguém, pelo simples gáudio de denegrir qualquer pessoa ou instituição.
Na semana seguinte à publicação do que escrevo, é com agrado que recebo telefonemas relativamente ao assunto abordado. Não poucas vezes os visados, ou os responsáveis pela questão visada, telefonam a agradecer o facto de terem sido chamados à atenção. As conversas acabam, regra geral, com promessas de tentarem corrigir o que está errado e com votos de que continuemos atentos ao que se faz, pois assim consideram ser uma das funções da Comunicação Social e de quem nela colabora.
Por várias vezes já aqui abordei temas que, mais tarde, acabo por verificar que não eram exactamente como eu os tinha retratado. Erros acontecem de ambos os lados, tanto de quem escreve, como de quem é visado na escrita. Porém, o facto de os assumir e tentar corrigi-los só mostra que os responsáveis têm abertura de espírito suficiente para aprender com as críticas.
Os SS, contudo, parece não aprenderem nada com o que se vai escrevendo, embora tenha que reconhecer que alguns dos problemas aqui criticados foram já melhorados. Dou o exemplo do Centro de Saúde do Tap Seac, que não tinha qualquer tipo de informação em português. Neste momento, apesar de não estar totalmente bilingue, muito já foi feito. Muito há ainda para fazer e as pessoas responsáveis nunca devem esquecer que as melhorias são uma tarefa contínua.
Os responsáveis dos SS podem pensar que fazem o suficiente, mas quem deve dizer se fazem o suficiente, ou não, é a população que usa as instalações diariamente. Assim penso e julgo que se forem perguntar aos residentes que apenas falam português se a informação é suficiente, a resposta será certamente negativa. E a desculpa de que fazem os possíveis não serve porque, se quando fazem o que podem não chega, têm de fazer ainda mais. Mesmo que para isso tenham de tentar fazer o impossível!

Um pequeno exemplo

Infelizmente, há vários anos que sofro de uma problema relacionado com os ossos. Apesar de não ser nada fatal ou que dê muitas dores de cabeça, momentos há em que se torna bastante arreliador e me obriga a tomar medicação e a consultar o médico. Numa dessas idas às consultas de especialidade, deparei com uma brochura sobre o assunto e que datava de 2007. Um folheto sobre dieta com baixos teores de purina (Low Purine, em inglês), mas que apenas encontrei em chinês, pelo que pedi aos SS, via «e-mail», que me fosse fornecido em português. Só que nem se dignaram responder. Assumo que tal não exista; caso contrário, penso que alguém dos SS me teria contactado para me enviar a informação requerida. Que mais não fosse pelo facto de todo o residente de Macau, de acordo com a legislação que nos rege, ter direito a ser informado na sua língua de preferência.
Considero que não esteja a pedir nada de mais aos SS, nem aos outros serviços, quando exijo que nos informem em português. O Governo investe milhões todos os anos na formação e aperfeiçoamento de tradutores e intérpretes, pelo que aos serviços governamentais apenas se exige que façam o que está na Lei.
As críticas que se fazem não têm o objectivo de denegrir ou de perseguir quem quer que seja. Se perseguimos alguma coisa com a constante fiscalização e denúncia, apenas e só o fazemos em prol da igualdade de direitos e de tratamento das duas línguas oficiais, como de resto consagrado na Lei Básica. Apenas, e só, até 19 de Dezembro de 2049. Depois, logo se verá!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Se a moda pega

DE Hong Kong chegou, há dias, uma notícia que me fez franzir o sobrolho. As autoridades, nomeadamente a monetária, da antiga colónia britânica anunciaram que contrataram uma empresa (que para cúmulo não identificaram) para fornecer dados relativos ao modo de funcionamento dos bancos e instituições financeiras aquando da venda de produtos e serviços. Para tal, vão recorrer ao recrutamento de clientes-mistério, um conceito muito usado no sector comercial privado, mas, pelo que se sabe, nunca usado pelo Governo de forma a controlar a actividade de empresas privadas. De acordo com informação tornada pública, o Governo, através dessa empresa de serviços, vai recorrer a idosos, grávidas e jovens para se dirigirem aos bancos e instituições financeiras pretendendo adquirir produtos, servindo este método para avaliar a forma como os funcionários cumprem as normas e regulamentos do mercado.
O escândalo das «mini-bonds», que afectou milhares de pessoas em Hong Kong, está na base desta decisão polémica do Executivo de Donald Tsang. Muitas são, porém, as vozes que se levantam contra a medida, especialmente vindas do sector visado, acusando o Governo de usar tácticas pouco transparentes para controlar um mercado que se orgulha de ser dos mais livres a nível mundial. Um mercado liberal que tem dominado a zona asiática, graças a esse liberalismo e transparência e que o Governo agora mete em questão, acusam os refractários desta medida.
O que me preocupa não é o facto de o Governo estar a tentar evitar que aconteça uma nova crise, levando milhares à falência e à perda de todas as poupanças. Preocupa-me, sim, o facto de ser o próprio Executivo a recorrer a estratégias que pouco dignificam a sua imagem. Recorrendo a clientes-mistério, – junto a minha voz a outras críticas, – creio que o Governo irá criar um clima de desconfiança entre todos os agentes do mercado levando outros sectores (que não o da banca) a considerar que tal pode vir a ser também aplicado na sua área, generalizando a falta de confiança na sociedade.
Será que o Governo esgotou todas as formas legítimas para efectuar acções de fiscalização e tentar evitar que volte a suceder um episódio semelhante ao que abalou o mercado financeiro? Duvido e penso que o recurso a esta táctica se deve simplesmente ao facto de essa ser a forma mais fácil, mas também mais irresponsável, que os dirigentes políticos encontraram para fazer face a um problema bastante real.
Quanto a Macau, este problema financeiro pouco se sentiu por aqui; outros houve, porém, relacionados com a crise da bolsa. Mas como já, normalmente, os dirigentes do território têm o costume de seguir o que se faz em Hong Kong, nomeadamente na área financeira, fico algo preocupado se os responsáveis pela regulação da banca local decidirem por tácticas semelhantes.
O clima que se vive em Macau, no que diz respeito ao sistema de queixas e informações, é já bastante preocupante. Qualquer pessoa pode apresentar queixa, ou mesmo difamar outra, anonimamente junto das autoridades, sem que tema ser descoberto, visto que o anonimato, nestes casos, é mesmo levado a sério. Isto, como sabe quem aqui vive há mais de uma década, tem gerado algum desconforto e tem trazido à memória sensações de outros tempos, em que todos controlavam todos.
Nem quero imaginar se os responsáveis de Macau decidirem também adoptar esta novidade de Hong Kong. Se actualmente, mesmo sem essa nova estratégia, já vivemos num clima de desconfiança, o recurso a este tipo de artimanhas será um pesadelo: o andar sempre a olhar por cima do ombro.

Cozinha da NaE volta a publicar


Depois de alguns dias de inactividade, por questões profissionais, a Cozinha da NaE voltou a abrir!
Desta vez traz-nos um prato de fácil concepção e bem agradável para estes dias quentes. Pode servir de salada ou de prato principal e fica bem acompanhado de um bom vinho branco (testado e aprovado!).
A chefe de serviço vai continuar a publicar receitas, dentro das suas possibilidades. Entretanto, se houver dúvidas, sugestões ou qualquer outra mensagem, enviem para os comentários na página do blog (http://naeskitchen.blogspot.com/). Cada receita tem, no final, um local para comentários que podem usar para interagir com a autora (podem usar qualquer das línguas em que ela publica as receitas).
Por agora, deixo-vos esta receita de “Moo Ma Nao”…

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Senhores tenhamos bom senso

OS RESPONSÁVEIS pelo segundo sector mais importante de Macau, o Turismo, parece que, finalmente, deram ouvidos às gentes da terra! Passados estes anos a dirigir quem nos visita, chegaram à conclusão que o sector tem de passar a apostar na qualidade e não na quantidade.
Apetece-me dizer «Eureka!». Não sei há quantos anos a Imprensa (portuguesa, chinesa e inglesa) vem dizendo que Macau precisa de turistas de qualidade que tragam valor acrescentado, não apenas dinheiro.
Turistas de pé descalço, por muito dinheiro que tenham, mas que cospem para o chão e «mijam» (desculpem o calão, mas tinha mesmo de ser forte) na esquina do edifício dos Correios, não interessam a ninguém, muito menos a Macau, que se quer como destino turístico de nível mundial.
A classe dirigente da RAEM, apesar de genérica e reconhecidamente irem fazendo um bom trabalho, pecam, porém, pelo menos neste aspecto. Estão completamente alheados da realidade, vivendo numa redoma que não lhes permite ver o que se passa cá em baixo. Se, como nós, simples «ralé», andassem na rua a pé, em vez de nos «carros pretos», facilmente chegariam à conclusão que Macau precisa de turistas com qualidade. Para disso se aperceber, basta passar no Largo do Senado à hora de almoço e ver o reboliço que ali vai, com pessoas a cuspir para o chão, a tirar «macacos» do nariz e a gritar e empurrar tudo quanto mexe, sentados no chão ou de cócoras no meio da multidão.
Será este o postal que se quer para o território? Com toda a franqueza, quero acreditar que Macau e as suas gentes merecem melhor e, certamente, com a capacidade profissional de quem aqui reside e trabalha, saberemos fazer melhor do que aquilo que foi feito até agora.
A qualidade do turismo local e daqueles que nos visitam depende do que formos capazes de lhes oferecer e do que for promovido lá fora. A par disso, depende também dos turistas que deixarmos entrar em Macau. A qualidade de que falam os responsáveis do turismo da RAEM julgo estar relacionada com as capacidades socioculturais de quem nos visita e não na sua capacidade financeira. É que, se for dependente desta última característica, temo que não sairemos da cepa torta, pois, como é do conhecimento de todos, ter dinheiro na carteira nem sempre corresponde a ser educado e bem formado. Antes pelo contrário, não é raro ver quem é abastado tornar-se arrogante, mal-educado e pouco respeitador das tradições e bons-costumes locais. O facto de terem poder de compra leva a que pensem ser donos do mundo, quer se trate de ricos chineses, de ocidentais ou de pessoas de qualquer outra proveniência.
Quando os dirigentes do Turismo de Macau afirmam que o futuro do sector no território tem de passar pela qualidade da oferta a quem nos visita, lembro-me de políticas pouco ortodoxas seguidas por alguns países, na tentativa de «escolherem» quem os visita. Na Ásia temos o exemplo do Reino do Butão que, além de quotas anuais por nacionalidade, obriga todo aquele que deseja visitar o País a comprometer-se em gastar um determinado montante de dinheiro, condições exigidas aquando do pedido do visto de entrada. Assim, segundo os dirigentes desses países, conseguem manter de fora grande número de turistas com poucos recursos e controlar o número de pessoas que os visitam, e assegurar que um fluxo constante de verbas entre anualmente no País, tornando assim sustentável um turismo de qualidade e em pequenas quantidades. O número de pessoas que os visitam é diminuto, mas o que gastam «per capita» é elevado.
Será uma boa estratégia para Macau apostar em turistas ricos, nomeadamente grandes apostadores, assegurando que gastem milhões cada vez que entram na RAEM?
Pessoalmente, não penso que seja essa a solução adequada. Os turistas de que Macau precisa nesta fase não são do género daqueles que frequentam as salas de «baccarat». Esses que deixam a carteira nas mesas do casino já estão mais do que conquistados!
Agora precisamos é de cativar quem se interesse por cultura e outras vertentes do entretenimento e mesmo pelo sector dos grandes eventos e convenções. Aí, sim, julgo estar o futuro de Macau e das suas gentes.

domingo, 11 de julho de 2010

CEM suja e não limpa

POR vezes queixamo-nos da falta de limpeza e, quase sempre, as culpas acabam nos ombros de quem menos se pode defender, sejam eles os turistas que vão e vêem, ou os não-residentes que afluem aos milhares para trabalhar em Macau. Será verdade, mas importa notar que quem aqui vive também tem a sua quota-parte na sujidade. Falo por experiência própria, pois no prédio onde resido travo uma batalha constante, muitas vezes muda, contra quem insiste em deixar lixo nos corredores e atirar resíduos pelas janelas. No meu andar resolvi o problema com um aviso para não deixarem lixo no chão. Até ao momento tem funcionado e quem ali vive (são quatro apartamentos no mesmo piso) parece estar a colaborar com a mensagem. Já nos pisos acima, como nos da parte de baixo, a falta de educação cívica continua a reinar! Desde sacos de «snacks» a beatas de cigarros, de tudo um pouco se vai encontrando pelos corredores.
Cabe a todos os Meios de Comunicação Social e aos chineses em particular, visto a grande maioria dos residentes falar apenas chinês, educar as pessoas e fazer passar a mensagem de que deitar lixo no chão, atirar resíduos pelas janelas ou cuspir para o chão, é falta de educação pura e simples. É feio, porco e mau! As mensagens infantis do Governo não chegam e nada resolvem. Para que as pessoas tomem atenção e levem o recado a sério deve-se adoptar uma postura rígida e mesmo agressiva.
Sei de locais onde os residentes chegaram ao ponto de ter de afixar mensagens do tipo: «Se gosta de viver como um porco, faça-o dentro de casa. Os vizinhos não são obrigados a viver como você!» Ou «Não seja um porco, não deixe lixo no chão!». E, mesmo assim, de pouco tem valido, porque a maioria dos residentes (muitos deles acabados de vir do Continente) estão-se nas tintas para os bons costumes aqui da terra e continuam a comportar-se como se estivessem do outro lado da fronteira, à beira de um campo de arroz.
A verdade é que é difícil obrigar os outros a serem higiénicos. Nem todos vivemos em prédios com associações de condóminos, nem com empresas que fazem a limpeza diária dos locais comuns. Se mesmo nesses locais organizados é difícil obrigar as pessoas, imagine-se nos prédios onde não existem associações de condóminos. É uma tarefa quase impossível; aliás, cada vez que se chama alguém à atenção ainda somos insultados.
Não se vislumbra uma solução que seja fácil e, seja ela qual for, terá de passar certamente, antes de mais, por campanhas de educação e por um sistema de coimas eficiente e em que todos participem. Actualmente, se apresentamos queixa de alguém ter feito lixo, somos tratados como se fôssemos nós os criminosos, razão pela qual poucos são os que se dão ao trabalho de apresentar queixa às autoridades.
Nas ruas temos uma empresa concessionária que deveria ser responsável pela manutenção da limpeza, mas isso nem sempre acontece. A CSR (Companhia de Sistemas de Resíduos) recolhe o lixo e limpa as ruas, mas não parece muito competente naquilo que faz, porque os resultados são pouco visíveis. É evidente que, se não houver colaboração de todos, a empresa sozinha pouco pode fazer por muitos meios que tenha.

Um exemplo elucidativo

Recentemente, na rua onde vivo, na Calçada do Monte, um dos prédios teve um problema eléctrico, tendo sido chamada a CEM (Companhia de Electricidade de Macau) de madrugada para resolver o problema. Por volta das sete da manhã, quando fui à rua, vi três viaturas da CEM e vários elementos da empresa a tentar resolver o problema. Fizeram o que tinham a fazer, restabeleceram o abastecimento eléctrico ao edifício e abandonaram o local depois do serviço terminado. Ao fazê-lo, porém, nem sequer se preocuparam em limpar a sujidade que fizeram na entrada do edifício e no passeio público.
Na noite desse mesmo dia, voltando a passar por ali, verifiquei que o lixo ainda lá se encontrava: desde fita-isoladora, a braçadeiras plásticas e restos de cabos eléctricos. Um pouco de tudo se encontrava no local, sem que os funcionários da CEM se tenham preocupado sequer em chamar a CSR para que procedesse à limpeza adequada da zona. Por sorte, nesse dia choveu copiosamente, o que ajudou a «limpar» aquele espaço, afastando os resíduos ali abandonados. O restante, que não foi levado pelas águas da chuva, foi limpo pela proprietária do restaurante ali próximo, por estar mesmo ao lado do local onde se amontoava o lixo.
Não seria obrigação da CEM, neste caso concreto, limpar toda a zona e deixar o local em perfeitas condições de limpeza?

terça-feira, 6 de julho de 2010

Uma escapadela de Macau

Durante uma semana estivemos fora de Macau. Depois de muito ponderar entre viajar para a Europa ou ficar pela Ásia, por causa da obrigatoriedade de gozar férias anuais, decidimos ir para Boracay nas Filipinas. Um local paradisíaco a pouco mais de três horas de Macau.

Não será propriamente barato, visto ter ficado tão, ou mais caro, do que ir à Europa mas, na nossa sincera opinião, para quem gosta de praia e de não ter de se preocupar com mais nada, apresenta-se como a melhor opção.
Saímos de Macau no dia 27 de Julho pelas 10 e meia da noite e às sete da manhã do dia 28 estávamos na recepção do hotel onde iríamos ficar sete noites.

Depois de uma escala em Manila, capital das Filipinas, de 1 quatro horas, e depois de um vôo de duas horas e meia de Macau, seguiu-se uma curta ligação num avião bimotor a hélices para o aeroporto de Caticlan, em Aklan. Cansados mas satisfeitos, faltou apenas uma curta viagem de barco para a ilha de Boracay para chegar ao merecido descanso.

O primeiro dia foi preenchido com a descoberta dos cantos da casa e, da parte da tarde depois de descansados da viagem, uma ida ao “centro” onde aproveitámos para comer marisco. Algo que se tornou uma prática diária, apenas interrompida no último dia onde nos propusemos a experimentar o frango assado local.
Os sete dias que se seguiram foram repartidos entre idas à praia de areia de “Diniwid”, a cinco minutos do hotel, à “white sand beach” que ficava um pouco mais longe mas apenas 10 minutos a pé pela beira-mar e, no quinto dia, decidimos explorar a ilha com uma motorizada alugada, acabando por descobrir duas praias privadas (dentro de um empreendimento turístico que não era suposto termos entrado!) e que se assemelhavam, quero acreditar, ao paraíso na terra! Areia branca, fina, águas límpidas e ninguém na praia!

O local que escolhemos para ficar instalados, o “Boracay West Cove”, propriedade do famoso pugilista filipino Manny Pacquiao, não será dos mais baratos da ilha nem dos mais convenientes, visto o único acesso é pela montanha através de umas escadas íngremes e depois de andar pela praia uns bons minutos. No entanto, o preço e o esforço são recompensados com uma vista do quarto de nos fazer acordar sempre bem-dispostos. 180 graus de mar, sem qualquer distração além da vegetação.

Uma experiência a repetir sempre que tenhamos meia dúzia de dias para fugir de Macau.
Deixo-vos agora algumas fotos e, se precisarem, posso dar mais informações.
Já estamos com saudades...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Fortaleza voltou às escuras

«COISA gabada, coisa estragada!» Nunca um provérbio se aplicou tão bem como nesta situação. Não é costume em Macau voltarem atrás depois de tomarem uma decisão, seja ela qual for; mas desta vez parece ter acontecido.
Há algumas semanas retratei aqui aquilo que me parecia ser uma total falta de consideração para com os moradores da zona da Fortaleza do Monte. A falta de iluminação em mais de dois terços do monumento fazia, e faz, com que o local se torne perigoso para quem circule por ali à noite. Quem viva naquela zona não tem outra opção senão sujeitar-se a esse perigo iminente e a todo o tipo de ameaças por parte de desconhecidos. Posteriormente, há duas semanas, referi nestas páginas que o problema tinha sido resolvido e a iluminação em todo o perímetro já estava reposta. Recentemente constatei, porém, que o problema voltou ao estado inicial: a Fortaleza está apenas iluminada do lado das Ruínas de São Paulo e na entrada principal (que se faz pelo Caminho dos Artilheiros), deixando às escuras todo o restante monumento e obrigando os moradores que ali se deslocam ao fim do dia para fazer exercício ou apenas relaxar, a terem de enfrentar todo o tipo de situações.
A princípio, pensei que a iluminação não estivesse ligada devido a qualquer problema técnico, mas tal não se confirmou, dado que após a publicação do artigo foi prontamente activada. Agora, passados poucos dias, é de estranhar a decisão de voltar a desligar a mesma.
É evidente que significa mais uma fonte de despesa, mas não são todos os moradores merecedores de tratamento igual? E, caso a decisão tenha por base um princípio economicista (o que seria algo caricato e bizarro), porque não se opta por ligar apenas metade dos projectores do lado das Ruínas de São Paulo, usando a restante potência para activar outros tantos no restante percurso?
É, por isso, muito surpreendente que tal decisão tenha sido tomada, mais ainda depois de terem reconhecido o erro e terem tentado remediá-lo, na sequência da denúncia feita com o artigo publicado n’O Clarim.
Espera-se que os responsáveis voltem a repor a normalidade. Os moradores, certamente, agradecerão, de modo a poderem voltar a circular no local sem receio de assédio ou intimidação.
Além do problema da iluminação, continua a sentir-se também o da falta de segurança, pelo que se mostra urgente colocar ali pessoas a fazer vigilância 24 horas ou, pelo menos, fazer um plano de passagem assídua dos agentes da autoridade pela zona.

Estatísticas sínicas

É interessante viver numa terra que faz tantos estudos, pesquisas e cria grupos de trabalho para tudo e mais alguma coisa. Quem se apercebe de tal dinâmica fica com a ideia de que se trabalha muito e de dedica muito tempo a tentar perceber os anseios da população.
Em Macau, em qualquer altura do ano, estão sempre a decorrer, no mínimo, uma meia dúzia de estudos; elaboram-se outros tantos inquéritos e criam-se grupos de trabalho para coordenar tudo isto. Muitas vezes até temos de recorrer a serviços prestados por especialistas de fora, porque os de dentro não conseguem dar resposta a tanta solicitação.
Perante esta dinâmica, quais são os resultados? Bem, este é outro problema que deve merecer mais uma pesquisa aprofundada e ver criado um grupo especializado para abordar o tema, começando pela problemática que o criou.
Diariamente vemos nas páginas de jornais artigos que nos falam do resultado desta pesquisa, da reunião deste ou daquele grupo, da percentagem de pessoas que estão agradadas (ou nem por isso) com tudo e mais alguma coisa! Apenas me interrogo quanto à fiabilidade e base científica de tudo isto.
Todos sabemos que estatísticas são o que são e valem por isso mesmo. Existe até aquela piada muito portuguesa, ligada ao futebol, e que diz que «prognósticos, só no fim!».
Ao longo dos anos que levo em Macau, nunca fui abordado para qualquer tipo de questionário, fosse ele qual fosse, nem mesmo dos censos à população que, penso, deveriam ser verdadeiramente universais.
Até já tentei ser entrevistado na rua, perguntando aos «supostos» entrevistadores profissionais (muitas vezes jovens sem qualquer preparação para colecção de dados estatísticos que se querem rigorosos e científicos) qual o teor e a finalidade das perguntas que fazem. Devo confessar que, até ao momento, ainda não consegui fazer com que a minha opinião constasse num desses inúmeros inquéritos que se fazem anualmente à custa do erário do Governo. Mais: de todos os que tive oportunidade de ver, nem um foi feito nas duas línguas oficiais. São todos, invariavelmente, feitos (apenas) em chinês e redigidos no mesmo idioma.
Numa cidade com milhares de residentes que não falam nem lêem chinês, quem manda fazer tais estudos de opinião deveria ter em atenção esse facto e, no mínimo, usar as duas línguas oficiais; além disso, dado que Macau se promove como cidade turística, também em inglês.Como se pode fazer um estudo de opinião em Macau, se não se levam em conta as comunidades que aqui vivem? Que validade tem um resultado de um estudo, por exemplo sobre o fumo e a nova lei anti-tabaco, se nele apenas constam resultados recolhidos em chinês e junto da comunidade chinesa? É essa a representatividade universal que se quer para Macau?

sábado, 26 de junho de 2010

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IMAG0064.jpg, originally uploaded by g5665.

Civismo: há muito por fazer!

UM colega escrevia um destes dias sobre um episódio que se tinha registado com ele e que envolvia um agente policial no exercício das suas funções. No caso tratava-se de fazer aquilo que melhor, aparentemente, sabem fazer: passar multas! Descrevia esse colega que estava a retirar o seu veículo motorizado de duas rodas do local de estacionamento (aparentemente ilegalmente estacionado) e que o agente o barrou até que conseguisse acabar de preencher as coimas que estava a passar a todos os veículos na mesma situação, sem ter qualquer outra opção para sair do local.
Na verdade, e sem que se queira desculpar o indesculpável, o veículo estava mal estacionado e merecia ser autuado por isso. No entanto, estando o seu condutor a retirá-lo do local, haveria necessidade do agente o manter no local (chegando mesmo a pedir-lhe que o voltasse a estacionar no mesmo espaço) até que terminasse a tarefa de preencher todos os recibos correspondentes às multas dos veículos transgressores?
A polícia tem todo o direito, e mesmo obrigação, de fazer cumprir a lei. No entanto, e como todos sabemos, a mesma lei é flexível, assim como deveria ser a atitude dos agentes. Felizmente que a maioria dos agentes da autoridade opta por uma postura mais relaxada, deixando seguir (apenas com uma reprimenda ou «ralhete») quem se apressa a retirar os veículos em transgressão. Isto vê-se diariamente nas ruas do território, ficando bem esta postura pedagógica aos agentes da autoridade. Há, no entanto, alguns que parece não compreenderem que a autoridade tem mais de educativo do que punitivo, optando por exercerem o poder que lhes está atribuído como se de semideuses se tratasse, esquecendo-se que ninguém consegue respeito recorrendo a atitudes de força.
Essa postura arrogante e prepotente de alguns agentes, que acaba por denegrir a imagem de toda a corporação, é a que fica na memória das pessoas e especialmente de quem nos visita e presencia cenas tristes como uma que vejo com alguma frequência. Na zona onde resido, assim como em muitas outras da cidade, é usual ver agentes fazerem a identificação de pessoas no meio da rua. Já várias vezes me detive com o simples propósito de os ver a trabalhar, porque considero este «modus operandi» muito«sui generis». Regra geral são grupos de três polícias fardados, conversando animadamente enquanto não encontram alguém a quem lhes «apeteça» pedir a identificação. Digo «apetecer» porque, confesso, não consigo descortinar o critério usado para, aleatoriamente, pedir aos transeuntes que se identifiquem. A verdade é que das vezes que me detive para os ver trabalhar, nunca tive a oportunidade de os ver a identificar qualquer ocidental ou qualquer outra pessoa que aparentasse ser chinês. Sistematicamente mandam parar, muitas vezes com uma arrogância de meter medo até mesmo a quem apenas os vê actuar, cidadãos do sudeste asiático.
Creio não ser por discriminação que o façam, mas não deixo de me interrogar sobre a razão porque não mandam parar outras etnias? Nunca o fizeram comigo, nem com alguém que conheço; contudo, a forma como actuam causa má impressão e deixa uma imagem de discriminação junto das pessoas, especialmente junto dos turistas que muitas vezes assistem a estas cenas.
Compreendo que se devem fazer acções de identificação nas ruas, pois são parte importante do combate à ilegalidade no território, mas fazer estas acções em plena zona de circulação de turistas ou em zonas de grandes aglomeração de pessoas deveria ser evitado, porque causa muito mau aspecto. Ou, a ter de ser feito, que o seja a todos quantos passam pelo local e educadamente.
Um outro caso que presenciei e me deixou perplexo passou-se na Rua do Campo, na paragem do autocarro junto ao edifício da Função Pública. Estavam no local cerca de meia dúzia de pessoas, entre elas duas senhoras de nacionalidade filipina. Eu estava à espera do autocarro e, desde que ali me encontrava, tinha reparado num agente encostado à parede, junto da loja de roupa nas imediações, a falar ao telefone animadamente e a fumar. Durante o tempo de espera pelo autocarro para o meu destino (cerca de 15 minutos devido ao trânsito), muitas pessoas chegaram e partiram. No entanto, o agente apenas decidiu vir pedir a identificação quando essas duas pessoas chegaram e, quando o fez, foi de forma pouco educada e em tom bastante autoritário, de tal forma que as restantes pessoas ali presentes ficaram estupefactas perante tal cena em que as duas senhoras se sentiram completamente embaraçadas. Quando estas se identificaram como residentes permanentes, nem um pedido de desculpa do agente, que entregou os documentos de identificação, virou costas e voltou ao seu «posto de espera» junto do estabelecimento de venda roupa!
Não sei se se trata de uma nova técnica de actuação das autoridades. Mas, se assim é, é caso para dizer que têm mesmo muito a melhorar, pois educação, cortesia e postura são algumas das características que devem estar sempre presentes nos agentes da autoridade que trabalham na rua. A desculpa de que não existem agentes em Macau e que os que são formados o são com muitas limitações não pode servir de desculpa, porque a segurança e bem-estar da população devem vir sempre em primeiro lugar.
Apesar de tudo, e como acredito na boa vontade das autoridades, julgo que estes sejam apenas maus exemplos e não representam a totalidade das Forças de Segurança. Importa, porém, referir que são aspectos a ter em conta, para melhorar, porque basta apenas uma nódoa para o pano ficar sujo.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

City of Nightmares para locais

O CITY of Dreams está a revelar uma face pouco atraente aos residentes de Macau que não falam chinês, adoptando uma postura discriminatória.
Recentemente, esta empresa promoveu uma «feira de emprego», com o intuito de recrutar trabalhadores locais para os mais diversos departamentos. Afinal, as restrições à importação de mão-de-obra parecem estar a criar problemas de recrutamento a algumas empresas.
Como resultado desta campanha, muitas foram as pessoas de Macau que ali se deslocaram. No entanto, apesar de terem BIR, muitas deram de caras com um tratamento discriminatório e pouco simpático por não falarem chinês.
Sem qualquer pré-inscrição, os interessados apenas tinham de se dirigir ao hotel Grand Hyatt e assistir à sessão de recrutamento.
Depois de ouvir algumas críticas à forma como foram tratados alguns residentes permanentes e não permanente, decidi ver por mim mesmo. Meti-me ao caminho e apresentei-me. A primeira pergunta que me colocaram foi se tinha BIR, ao que respondi afirmativamente, para surpresa – estampada na cara – de quem me questionou. Terá sido, porventura, a primeira vez que viu um português residente permanente de Macau?
De seguida, fui encaminhado, juntamente com outros candidatos, na maioria chineses, para o Salão de Teatro, onde tivemos direito a uns petiscos e bebidas antes da sessão de apresentação. Logo depois desta sessão, fomos encaminhados para a entrevista onde, comprovando aquilo que me tinha sido relatado diversas vezes, me foi dito (sem qualquer pudor nem rodeios) que não contratavam ninguém local que não soubesse chinês!
Sem nunca lhes revelar que a minha presença ali nada tinha a ver com procura de emprego, perguntei a que tipo de vaga poderia eu concorrer, tendo em conta a minha experiência profissional, académica e domínio de línguas, incluindo uma das oficiais, etc. Foi-me respondido que, não dominando chinês, os residentes de Macau poucos trabalhos poderão desempenhar no City of Dreams. Quanto muito, podem, independentemente das qualificações, concorrer a uma vaga de empregado de mesa! Perante isto perguntei como me tratariam, caso me candidatasse a um lugar superior, mas apresentando a minha candidatura como não residente? Responderam que na minha área teriam algumas vagas, especialmente para alguém com experiência na Função Pública do território, conhecimento do funcionamento da máquina administrativa e no campo da Comunicação Social! – Mesmo não sabendo chinês?, perguntei para que não houvesse dúvidas, ao que me foi confirmado que aos não residentes não lhes é pedido que saibam chinês, porque a língua de comunicação dentro da empresa é o idioma inglês!

Empresa tem obrigações sociais

O City of Dreams, como empresa privada, pode fazer o que bem entender e contratar quem bem desejar. No entanto, há obrigações sociais a que a empresa deve obedecer. A contratação de locais, não discriminando com base na etnia, religião e língua, é um desses princípios. Sendo uma empresa a operar em Macau e onde um empresário local assume uma posição de liderança, deveria fazer mais para promover, proteger e fazer cumprir o que está previsto na Lei Básica. Aqui o City of Dreams, Lawrence Ho e seus associados deixam muito a desejar.
Macau não são só chineses. Macau é feito de uma mescla heterogénea de etnias, crenças e línguas, sendo que duas são oficiais e uma terceira é tida como de comunicação aceite por todos. A não aceitação de candidaturas por pessoas que não dominem chinês, para posições onde este não é obrigatoriamente necessário, é uma discriminação e deve ser repudiada por todos, por muito que os responsáveis tentem disfarçar dizendo que a situação não é assim tão linear.
Compreende-se que, para certas posições, seja necessário falar chinês, mas para outras, visto trabalhar-se num ambiente internacional, o domínio do chinês de nada adianta porque a língua de comunicação será sempre o inglês, tal como me foi dito por funcionários da empresa. Mas mesmo que argumentem que é necessário o domínio do cantonense, como justificam que tal não o seja para quem é recrutado no exterior? Não será esse requisito uma forma de discriminação dos residentes de Macau que não falam este idioma?
Em Macau, de acordo com a Lei Básica, somos todos iguais, falando ou não as línguas oficiais do território. Nenhum tipo de discriminação pode ser feito quando se concorre a um local de trabalho, baseada na questão da língua, religião ou etnia. A não ser que a referida posição exija, sem margens para dúvidas, que seja necessário o recurso à língua em questão.
Até quando vai o Governo deixar estas injustiças serem praticadas contra os residentes? Para o constatar basta requerer a lista dos trabalhadores contratados e ver quantos não falam cantonense…

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Autoridades apresentam trabalho

O SER humano é, por natureza, inconformado e sempre pronto e predisposto a fazer críticas sobre tudo o que o rodeia. Dou aqui a mão à palmatória porque, nestas mesmas páginas, na maioria das vezes, escrevo mais sobre injustiças ou dou voz a críticas. Pontos de vista que apenas são guiados pelo meu critério e a minha opinião como cidadão livre e preocupado com o que me rodeia. Não significa que esteja sempre certo, nem que seja a visão da maioria da população É apenas a minha e, consoante critérios que nem sempre são os mais lineares, dou-lhes a devida ampliação junto dos leitores, esperando sempre que tenham alguma receptividade junto de quem é visado.
Quem nos lê deve lembrar-se de que, recentemente, falei da falta de iluminação na Fortaleza do Monte. Pois, desta vez, ao contrário do que geralmente aqui acontece (mas confesso que isto me dá muito mais prazer), quero elogiar o trabalho das autoridades e de quem se responsabiliza pelo local. Aproveito para confirmar que o problema fora já resolvido. Cinco dias depois de ter sido publicado o artigo sobre o assunto, a iluminação foi reposta. Digamos que foi rápida e pronta a acção dos responsáveis pela Fortaleza. Agora apresenta-se mais segura e muito mais atraente à noite. Quem por ali der umas voltas no fim do dia, agradece e mostra-se satisfeito com o facto de haver iluminação em todo o perímetro do monumento. Aqui deixo, pois, os parabéns a quem leu o artigo e decidiu actuar para rectificar a situação. Os moradores, os demais cidadãos e os turistas agradecem, certamente, o dito melhoramento.
Continua, no entanto, a sentir-se necessidade de mais policiamento no local, especialmente à noite. A certas horas, quem por ali circula sente-se inseguro, tendo em conta situações de assalto ou até de assédio, que por vezes acontecem. Não tenho conhecimento de nenhum caso grave, mas, se o local não for vigiado, por exemplo com a passagem de hora a hora de um agente da autoridade no perímetro, temo que algo possa vir a acontecer a alguém mais incauto.

Obras ilegais vão abaixo

Outro caso, mas agora de construções ilegais num prédio também na mesma zona da Fortaleza do Monte, mais concretamente num edifício que tem fachada na Calçada do Monte e na Rua do Sol, e que aqui também abordei há tempos ilustrando-o com várias fotografias da evolução da construção, tenho também o gosto de referir que têm sido tomadas algumas medidas para resolver o problema. Apesar de, aparentemente, se assemelhar mais difícil de resolver, porque se trata de construções fixas, parte delas foram desmanteladas dias após o assunto ter sido abordado e, recentemente, verifiquei que as restantes estruturas foram já alvo de notificação por parte da DSOPT, com editais afixados nas duas línguas oficiais nos acessos ao edifício em questão. Espera-se que os visados resolvam rectificar a situação e repor a segurança no edifício. Os vizinhos, sem dúvida, mostrar-se-ão satisfeitos e gratos pelo facto de estarem agora a viver num local mais seguro.
Acontece, porém, que os editais afixados na portaria principal do prédio em questão – não sei se contra a lei – foram retirados. Não se sabe por quem, mas quero pensar que as autoridades terão outras formas de fazer cumprir a lei na sua totalidade.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Será Sun Yat-sen mais importante?

NUMA terra que lentamente vai perdendo as suas raízes e características que a fizeram especial durante séculos, irrita-me a passividade com que se olha para o delapidar do património que é de todos nós. Principalmente porque estamos numa época em que se valoriza, cada vez mais, nas sociedades mais desenvolvidas, o que é antigo e de boa qualidade. Por cá, parece que andamos em sentido oposto e apenas se olha para o que é novo, «kitsch» e desprovido de qualquer valor histórico, civilizacional ou cultural.
Os exemplos aparecem nas páginas dos jornais diariamente, mas as autoridades, ou quem por inerência de funções devia ter alguma sensibilidade para situações relacionadas com casos deste género, parecem assobiar para o lado e fechar os olhos cada vez que «cai por terra» um pouco da história comum do território.
Macau é feito de uma mescla de influências, que variam entre o oriental e o ocidental, com grandes marcas do que é chinês, do que é português ou de características portuguesas. É isto, em grande parte, que traz ao território um bom número de turistas sedentos de vestígios históricos da sã convivência milenar entre o Oriente e Ocidente.
É do conhecimento de todos que a grande maioria dos turistas que nos visitam (99%) pouco se importa com o património e pouco mais querem do que mesas de bacará e máquinas de papa-níqueis. No entanto, e como prefiro inclinar-me para a lenga-lenga dos responsáveis do Turismo de Macau, os outros (o tal 1% restante) vêm com vontade de ver algo diferente, algo que só a RAEM pode oferecer – como diz o chavão «Num mundo de diferenças, a diferença é Macau!».
Recentemente a população ficou estupefacta, pela positiva desta vez, com a acertada decisão do Instituto Cultural de salvar a pretensa farmácia que serviu de refúgio ao fundador da China moderna! Pelo que foi dado a conhecer, o presidente do IC foi célere depois de alertado, mesmo não havendo quaisquer certezas de que tal edifício seja mesmo o das secretas reuniões de Sun Yat-sen para conspirar contra o regime imperial Qing. Apesar das dúvidas, fica o aplauso para a decisão de suspender os trabalhos e proceder a melhores averiguações para tentar salvar, que mais não seja, um edifício que data de finais de 1800, portanto, com mais de cem anos de existência. Só o próprio facto da sua «antiguidade» já faz com que mereça ser restaurado e apreciado pela população e por quem nos visita, com ou sem Sun Yat-sen!
Pena me faz que não seja seguido este princípio em todos os casos referentes ao património que diariamente é delapidado. Se decidiram optar por salvar este prédio (que estava destinado a dar lugar à construção de apartamentos), porque não fazer o mesmo com os edifícios nas traseiras das Ruínas de São Paulo? Confesso que não compreendo o uso de dois pesos e duas medidas. A única diferença entre eles é que um representa a história da China e o outro apenas representa o lado ocidental de Macau. Não quero pensar sequer que tal seja a razão de tão «científica» decisão. Porque, se assim fosse, estariam então os princípios orientadores da sociedade local em muito maus lençóis…
A verdade é que o edifício da Rua das Estalagens fica de pé até novos estudos serem feitos e os edifícios dos funcionários públicos, na Rua D. Belchior Carneiro, apesar de serem exemplares únicos daquele tipo de arquitectura em Macau (e mesmo na Ásia), estão com o destino traçado para darem lugar a um parque de estacionamento.
Estejam atentos às notícias mais recentes e antevejam o que irá acontecer nos próximos dias! É de pasmar, mas é mesmo verdade. Aqui deitamos por terra prédios históricos que não se vêem em mais lugar nenhum do continente asiático, para dar lugar a espaço destinado a veículos motorizados! Mesmo que digam e mostrem que é em nome da preservação do património. O facto de existirem vestígios da antiga muralha, ou de supostas cerâmicas Qing, será razão suficiente para demolir exemplares completos de um estilo arquitectónico que não existe em nenhum outro local de Macau?
É isto que me leva a dizer que na RAEM andamos em sentido oposto ao do resto do mundo, pelo menos no que a conservação do património diz respeito!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Serviços muito lentos

IMAGINEM que têm uma qualquer maleita e que precisam de ser vistos por um especialista. Agora imaginem também que vos dizem que só para finais de Setembro terão consulta de especialidade! Perante tal resposta, o que logo nos vem à mente é que até lá o paciente vai morrer!
Quase parece uma anedota! No entanto, esta é a realidade para muitas pessoas que usam os serviços do hospital do Governo. Relato apenas um caso em que fui interveniente directo.
Num fim-de-semana, decidi ir às urgências (optei pelo fim-de-semana porque não queria estar a faltar às minhas obrigações profissionais), para que me fosse receitado medicamento para um problema de artrite reumática que me afecta há muitos anos e que, nos últimos tempos, tem vindo a piorar (daí a razão de precisar de medicação).
Após a consulta, pedi ao médico que me fizesse a marcação de uma consulta de especialidade, para que fossem feitos exames mais concretos ao problema. Para minha surpresa, o clínico avisou-me logo que, no Centro Hospitalar Conde de São Januário só teria consulta para finais de Setembro, isto é, quatro meses depois! No entanto, teve o bom senso de me explicar que, caso eu concordasse, poderia ter uma consulta mais rápida no hospital privado (penso que ao abrigo de qualquer protocolo que o Governo tem com esta instituição). Tendo acedido à sua sugestão, aguardei que me informassem da data da consulta no Kiang Wu e o processo seguiu com toda a normalidade. Fui consultado naquele hospital privado quatro dias depois!
Perante isto, logo surge em mim a interrogação: porque tem o hospital do Governo de recorrer a serviços privados para dar resposta às necessidades dos seus utentes? Não seria mais sensato optar por reforçar o seu quadro de clínicos e aumentar as instalações, em vez de dar mais dinheiro ao sector privado? Fica mal aos olhos da opinião pública ver entregar milhões a uma instituição particular, sem que para tal haja uma explicação aceitável. E, – pior ainda! – esta instituição nem sequer satisfaz as obrigações no que diz respeito às línguas oficiais, pois dado que a língua portuguesa é inexistente, o recurso ao inglês é a solução, apesar deste ser quase impossível de perceber!
Ao ser, quase, «obrigado» pelo Governo a ir ao hospital privado, não terei o direito de escolher qual hospital privado quero? Se o serviço fosse prestado nas instalações do hospital governamental, não haveria lugar a escolha, mas se nos enviam para o sector privado, deveríamos ter, pelo menos, o direito de escolha do local onde queremos ser observados.
A imagem do hospital privado Kiang Wu não é das melhores, pois são conhecidos casos de tratamento discriminatório de utentes do mesmo. Sabendo-se disso, e não tendo o hospital público capacidade para dar resposta aos seus utentes, deveria permitir que estes pudessem escolher livremente onde querem ser tratados, em vez de os condicionar, logo à partida, e sem qualquer alternativa, o hospital que lhe propõem.
É certo que a escolha entre um serviço de baixa qualidade e um serviço tardio não se apresenta muito fácil de fazer. Mas essa é, no fundo, a escolha que nos é colocada. Caso optemos por outra solução, sai-nos do bolso, porque o Governo apenas subsidia as consultas no hospital da sua escolha.

Nota mais positiva

Para que não digam que ando sempre a criticar os serviços do hospital público, quero dizer que o atendimento nas urgências, nesta consulta que tive num sábado à tarde, foi rápido (pouco mais de uma hora entre o registo e o ser atendido) e o médico que me atendeu mostrou ser bastante competente. Apesar de não falar português, expressava-se correctamente em inglês, não tendo havido qualquer tipo de atrito ou dificuldade de comunicação durante a consulta.
Embora se notem ainda certas atitudes de indelicadeza por parte do pessoal que faz o atendimento e a triagem (pois parecem estar ali a fazer um favor aos pacientes, como se ali fôssemos por divertimento!), quero realçar que melhorou bastante, especialmente no que toca ao tempo de espera dos doentes. As condições do local de espera, porém (temperatura e circulação de ar), eram desajustadas, deixando muito a desejar e a mostrar bem que precisam urgentemente de ser revistas.
Devo dizer, e faço-o com grande satisfação, que fiquei bem impressionado com o tratamento que tive nesta experiência das urgências do hospital público.

domingo, 23 de maio de 2010

Storm surge...

Afinal o termo “storm surge” tem tradução para português… O que aqui temos dito, por inúmeras vezes, mas que os SMG parecem ignorar, deve mesmo estar certo.
As marés de tempestade, termo que o presidente dos Comités dos Tufões, Olavao Rasquinho, utilizou várias vezes em entrevista à TDM


veja a entrevista aqui na TDM

sábado, 22 de maio de 2010

Fortaleza do Monte às escuras

UM dos maiores ícones do património de Macau, a Fortaleza do Monte, merece ser preservada e mantida em perfeitas condições. Mas quem por ali passeia ao fim do dia sabe que tal anseio está bem longe da realidade. As paredes e as peças de artilharia no exterior estão cheias de exemplos de falta de civismo de quem nos visita. Aliás, também o próprio piso nos mostra bem que há muita gente que não foi educada convenientemente no que diz respeito ao comportamento em sociedade.
É uma vergonha ver o estado a que chegou o seu exterior. Quanto ao interior, nem me quero pronunciar, já que, visto de fora, suscita pouca vontade e interesse em ver o que está lá dentro. E se o que vemos ao chegar não nos agrada, imaginem o que pensam os que se decidem a entrar!
A verdade é que, por fora, a imagem que nos é dada do exterior não é muito convidativa. Parece que existem duas fortalezas. Uma, virada para as Ruínas de São Paulo, bem iluminadas, com bancos e bem tratada; outra, dos outros dois lados, voltada para a zona do hospital Kiang Wu, às escuras, sem bancos e sem caixotes de lixo. Um local que à noite se torna inseguro e pouco aconselhável a quem por ali queira dar umas voltas com tranquilidade.
Torna-se difícil entender tal modo de actuar por parte do Governo. A rede de iluminação está instalada em toda a periferia da estrutura, mas, inexplicavelmente, apenas no percurso que vai da entrada (que fica nas traseiras, na Estrada dos Artilheiros) até à zona de jardim que dá acesso às Ruínas de São Paulo, está ligada durante a noite. Todo o restante percurso que circunda a Fortaleza permanece desligado, deixando na escuridão e, consequentemente, com falta de segurança, toda aquela zona para quem por ali queira passear.
De salientar ainda que não existe segurança, nem mesmo policiamento do local, para já não falar de vídeo-vigilância, o que pode dar azo às mais variadas e indesejáveis situações. Felizmente, ainda não aconteceu nada de grave, apesar de haver relatos de pessoas (especialmente do sexo feminino) que são assediadas nessas zonas mais recônditas e sem iluminação.
Não havendo seguranças nem agentes da autoridade no local, até a apresentação de queixas provoca algum receio, pois quem, eventualmente, tenha visto qualquer coisa de anormal na zona, não quer intrometer-se em assuntos que não lhe dizem respeito, optando por fingir que nada viu. E as vítimas, muitas vezes, para evitarem o vexame público, preferem normalmente não dizer nada.
Como resido na zona há já alguns anos, ali me desloco diariamente com o meu cão, tendo já assistido a cenas menos propícias, especialmente de exibicionismo e mesmo outros actos bem mais condenáveis e que não deveriam ser presenciados naquele local.
Tal como eu, muitos outros residentes ali se dirigem, sendo o local bastante frequentado, principalmente à noite, por famílias e pessoas idosas.
Durante o dia, devido à afluência de turistas àquele local, os residentes evitam por ali andar, porque a confusão é muita e a falta de civismo de quem nos visita é cada vez menor. Mas à noite, e sem outras opções nas redondezas, nós que ali vivemos aproveitamos para desfrutar do local o mais possível.
A falta de policiamento poderia ser resolvida colocando uma caixinha da polícia em cada extremo da estrutura, obrigando assim o agente a ter de ali passar, pelo menos para «picar o ponto». Não sendo um policiamento constante, serviria como elemento dissuasor para quem ali se desloca com segundas intenções. Para nós, residentes, serviria de consolo saber que, de tempos a tempos, cruzaríamos com um agente da autoridade. Não seria pedir muito, penso eu. Os agentes têm uma dessas caixinhas de metal na calçada à entrada da Fortaleza, bastaria deslocá-la para a zona mais distante.

Um episódio triste

No final de uma volta completa à fortaleza com o meu animal de estimação deparei, logo após a esquina onde está o canhão apontado para o lado do Grande Lisboa, com um casalinho de chineses do continente a inscreverem o seu nome na parede do monumento para a posteridade! Não estive com meias medidas e chamei-os à atenção. De nada valeu porque, apesar de terem parado quando lhes disse que era errado o que estavam a fazer, assim que virei costas a caminho de casa, voltaram à tarefa para acabar a sua «obra-prima». Ainda tentei encontrar um agente da autoridade para o alertar, mas, como é usual na zona àquela hora, não consegui ver nenhum. Não me restou senão continuar o meu caminho e escrever este apontamento, com a esperança de que as autoridades e o Governo se decidam, por um lado, a ligar a iluminação em toda a extensão exterior da Fortaleza e, por outro, a colocarem policiamento ou segurança 24 horas, para que o património seja preservado e as pessoas se sintam em segurança.

NaE's kitchen A Cozinha da NaE

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