Como blog estaremos aqui para escrever as nossas opiniões, observações e para que quem nos visite deixe também as suas. Tentaremos, dentro das possibilidades, manter este local actualizado com o que vai acontecendo à nossa volta em Macau e um pouco em todo o lado...

sábado, 22 de maio de 2010

Fortaleza do Monte às escuras

UM dos maiores ícones do património de Macau, a Fortaleza do Monte, merece ser preservada e mantida em perfeitas condições. Mas quem por ali passeia ao fim do dia sabe que tal anseio está bem longe da realidade. As paredes e as peças de artilharia no exterior estão cheias de exemplos de falta de civismo de quem nos visita. Aliás, também o próprio piso nos mostra bem que há muita gente que não foi educada convenientemente no que diz respeito ao comportamento em sociedade.
É uma vergonha ver o estado a que chegou o seu exterior. Quanto ao interior, nem me quero pronunciar, já que, visto de fora, suscita pouca vontade e interesse em ver o que está lá dentro. E se o que vemos ao chegar não nos agrada, imaginem o que pensam os que se decidem a entrar!
A verdade é que, por fora, a imagem que nos é dada do exterior não é muito convidativa. Parece que existem duas fortalezas. Uma, virada para as Ruínas de São Paulo, bem iluminadas, com bancos e bem tratada; outra, dos outros dois lados, voltada para a zona do hospital Kiang Wu, às escuras, sem bancos e sem caixotes de lixo. Um local que à noite se torna inseguro e pouco aconselhável a quem por ali queira dar umas voltas com tranquilidade.
Torna-se difícil entender tal modo de actuar por parte do Governo. A rede de iluminação está instalada em toda a periferia da estrutura, mas, inexplicavelmente, apenas no percurso que vai da entrada (que fica nas traseiras, na Estrada dos Artilheiros) até à zona de jardim que dá acesso às Ruínas de São Paulo, está ligada durante a noite. Todo o restante percurso que circunda a Fortaleza permanece desligado, deixando na escuridão e, consequentemente, com falta de segurança, toda aquela zona para quem por ali queira passear.
De salientar ainda que não existe segurança, nem mesmo policiamento do local, para já não falar de vídeo-vigilância, o que pode dar azo às mais variadas e indesejáveis situações. Felizmente, ainda não aconteceu nada de grave, apesar de haver relatos de pessoas (especialmente do sexo feminino) que são assediadas nessas zonas mais recônditas e sem iluminação.
Não havendo seguranças nem agentes da autoridade no local, até a apresentação de queixas provoca algum receio, pois quem, eventualmente, tenha visto qualquer coisa de anormal na zona, não quer intrometer-se em assuntos que não lhe dizem respeito, optando por fingir que nada viu. E as vítimas, muitas vezes, para evitarem o vexame público, preferem normalmente não dizer nada.
Como resido na zona há já alguns anos, ali me desloco diariamente com o meu cão, tendo já assistido a cenas menos propícias, especialmente de exibicionismo e mesmo outros actos bem mais condenáveis e que não deveriam ser presenciados naquele local.
Tal como eu, muitos outros residentes ali se dirigem, sendo o local bastante frequentado, principalmente à noite, por famílias e pessoas idosas.
Durante o dia, devido à afluência de turistas àquele local, os residentes evitam por ali andar, porque a confusão é muita e a falta de civismo de quem nos visita é cada vez menor. Mas à noite, e sem outras opções nas redondezas, nós que ali vivemos aproveitamos para desfrutar do local o mais possível.
A falta de policiamento poderia ser resolvida colocando uma caixinha da polícia em cada extremo da estrutura, obrigando assim o agente a ter de ali passar, pelo menos para «picar o ponto». Não sendo um policiamento constante, serviria como elemento dissuasor para quem ali se desloca com segundas intenções. Para nós, residentes, serviria de consolo saber que, de tempos a tempos, cruzaríamos com um agente da autoridade. Não seria pedir muito, penso eu. Os agentes têm uma dessas caixinhas de metal na calçada à entrada da Fortaleza, bastaria deslocá-la para a zona mais distante.

Um episódio triste

No final de uma volta completa à fortaleza com o meu animal de estimação deparei, logo após a esquina onde está o canhão apontado para o lado do Grande Lisboa, com um casalinho de chineses do continente a inscreverem o seu nome na parede do monumento para a posteridade! Não estive com meias medidas e chamei-os à atenção. De nada valeu porque, apesar de terem parado quando lhes disse que era errado o que estavam a fazer, assim que virei costas a caminho de casa, voltaram à tarefa para acabar a sua «obra-prima». Ainda tentei encontrar um agente da autoridade para o alertar, mas, como é usual na zona àquela hora, não consegui ver nenhum. Não me restou senão continuar o meu caminho e escrever este apontamento, com a esperança de que as autoridades e o Governo se decidam, por um lado, a ligar a iluminação em toda a extensão exterior da Fortaleza e, por outro, a colocarem policiamento ou segurança 24 horas, para que o património seja preservado e as pessoas se sintam em segurança.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Até à vista, TAP!

ATÉ apetece dizer: finalmente, a Transportadora Área Portuguesa (TAP) saiu de Macau! Porque será que ninguém se manifesta surprendido com tal decisão?
A posição da TAP, que juntamente com o Banco Nacional Ultramarino detinham a «holding SEAP», que por sua vez detinha 0,1 por cento do capital da Air Macau, foi sempre de que não era uma instituição de caridade e que não compactuava com investimentos que só davam prejuízo.
Como se sabe, a Air Macau nunca deu lucro. Por muitas manobras que fizessem na apresentação de resultados, o saldo era, ano após ano, negativo. Chegando mesmo, salvo erro no ano passado ou há dois anos, a ultrapassar o valor do capital social, o que em termos financeiros não me parece ser muito bom sinal. Isto, mesmo para mim, que nem percebo nada de Economia!
Agora fica a companhia nas mãos do Governo e da Air China e de outros pequenos investidores. Ou seja, finalmente é uma empresa local e continuará a ser financiada pelo dinheiro dos impostos de Macau e tudo continuará como dantes. A única diferença é que a participação portuguesa numa das empresas estratégicas do território desaparece, ficando assim o poder de negociação mais reduzido, se bem que 0,1 por cento pouco significativo era, e tal viu-se quando se opuseram à decisão do aumento do capital social proposto pelos outros accionistas.
Com a saída da TAP, as esperanças que ainda havia de voltarmos a ter ligações entre a capital portuguesa e o Oriente (a opção que mais apoio reunia entre os cidadãos lusos era a da reactivação da ligação Macau-Banguecoque-Lisboa) desvanecem-se por completo. No entanto, o aspecto que realmente me deixa preocupado é o do uso da língua portuguesa. Pensando melhor, não se trata propriamente de um problema. Afinal, a língua portuguesa já não fazia parte da Air Macau há muitos anos! Basta consultar a página electrónica da empresa, para tal constatar. A dita existe em várias línguas asiáticas e em inglês. Assim como a comunicação da empresa com o exterior e com os passageiros, num completo atropelo à Lei Básica e às suas raízes culturais. Mas quem somos nós para nos queixarmos? Afinal, temos aquilo que criámos e tal vinha sendo prática, mesmo quando eram os portugueses que decidiam as estratégias do grupo!
Este problema, porém, não se restringe apenas à Air Macau. Outras empresas, com capitais estatais portugueses, ignoram o uso de uma das línguas oficiais da RAEM (o Português), mesmo sendo esta a língua oficial do país que nelas investe. A ADA (Administração de Aeroportos), cujos 49 por cento do capital pertencem à ANA – Aeroportos de Portugal, apenas usa o português na sua denominação oficial. E mesmo aqui só aparece depois da denominação em inglês, ao contrário do que aconselham as conservatórias de registo comercial que, quando se quer denominar uma nova entidade com termo inglês, indicam que tem de ter também denominação em Chinês e Português (por esta ordem)
Outra empresa ligada ao aeroporto, a CAM (Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau), – cujo accionista maioritário é o Governo de Macau (detém 55,4 por cento, sendo o restante detido pela STDM e outros accionistas), – publicou na imprensa local portuguesa um anúncio apenas em inglês, relativo ao concurso para concessão da exploração de cafeteria no aeroporto. No entanto, esta companhia apresenta o seu «website» nas duas línguas oficiais da RAEM, além do inglês.
A saída da TAP de Macau só vem, pois, aprofundar ainda mais o desapego existente, por parte de Portugal, em relação a Macau. E sendo o Português uma das línguas oficiais, se não houver um empenho por parte das autoridades do país que para aqui trouxe esta língua, ela mais rapidamente desaparecerá.
E isso, em minha opinião, deverá começar pelo exemplo das empresas em que o Estado português detém capital, directa ou indirectamente. Felizmente, em Macau ainda há algumas empresas nas quais isso acontece.
Não resta qualquer dúvida de que só com um emprenho real por parte de Lisboa e um apoio manifesto à RAEM e a quem aqui reside, se pode esperar que a língua se mantenha e prospere.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A cozinha da NaE com mais receitas

Para quem não tem acompanhado assiduamente o blog da NaE, quero-vos dizer que ela tem publicado, quase diariamente, novas receitas de comida tailandesa (em tailandês, inglês e português).
O número de visitantes tem subido de dia para dia, assim como o número de fans na página no Facebook (actualmente conta já com 223).
Deixo agora uma lista, para quem tem andado mais ocupado, das receitas publicadas desde a última referência no PubEd (26 de Abril de 2010).

No dia 27 de Abril - Sopa de massa com carne de vaca
No dia 28 de Abril - Salada de espinaça de água frita
No dia 29 de Abril - Peixe frito com molho doce
No dia 30 de Abril - Batido de morango e laranja
No dia 3 de Maio - Abóbora frita com ovo
No dia 4 de Maio - Biscoitos de duplo chocolate com pepitas
No dia 5 de Maio –Pato assado com caril vermelho
No dia 6 de Maio - Gambas cozidas com molho de marisco
No dia 7 de Maio - Galinha com molho em arroz (Khao Na Gai)
No dia 10 de Maio - Espinaça d’água frita com pasta de soja
No dia 11 de Maio - Amêijoas com pasta de piripíri
No dia 12 de Maio - Esparguete com carapau seco e couve chinesa
No dia 13 de Maio - Fruto de palmeira com calda


Visitem, comentem e, se tiverem dúvidas acerca das receitas ou dificuldades em encontrar alguns dos ingredientes perguntem que a Nae aconselhará substitutos.

sábado, 8 de maio de 2010

Casa para venda

Casa para venda, na Estrada Nacional 109, em Mira, distrito de Coimbra.
Ajudem a divulgar, por favor.
Para mais informação contactar o número na imagem e ver os detalhes


Bombas de Gasolina para venda


Posto de abastecimento da GALP para venda, por motivos de reforma, na zona de Mira, Coimbra.
Localizado entre Mira e Tocha, na Estrada Nacional 109.
Ajudem a divulgar, por favor.
Para mais informação contactar o número na imagem.


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Até quando, Serviços de Saúde?

MOVIDO pela curiosidade que me assolou a alma depois de um episódio, – mais um, – caricato nos Serviços de Saúde (SS), decidi ver o que significa «fazer um checkup» nos termos médicos. Visto ser completamente ignorante no assunto, ou assim pensarem os SS sobre os pacientes que ali se deslocam, e para que não me restassem dúvidas, consultei um dos muitos dicionários disponíveis na internet dedicados às coisas da medicina.
De acordo com o «Merriam-Webster’s Medical Dictionary», considerado uma das fontes mais credíveis pelos profissionais do sector, o termo em inglês checkup significa: «a general physical examination», sendo que, em português e em termos latos, se pode traduzir «exame físico geral».
Confrontando com o que tinha sido pedido ao médico dos SS, – estava escrito no papel entregue ao paciente «Full Checkup», – deduzi que se tratava de um exame de saúde completo. Aliás, era o que havia sido pedido para ser feito. No entanto, os SS referem «full checkup», mas apenas fazem exames de urina e de sangue, ficando o restante esquecido.
A questão que quero frisar é a da inexactidão do uso das línguas. Quando se tem de recorrer ao uso de uma língua, que não uma das línguas oficiais de Macau, há que ter muito cuidado. Porquê? Porque não sendo a língua utilizada o idioma materno do médico e do paciente, pode dar origem a mal-entendidos com consequências graves. Neste caso o paciente queria fazer um exame completo para apurar, não só o seu estado de saúde, mas também físico. Contudo, o clínico entendeu que seriam apenas necessárias análises de urina e de sangue. Mesmo assim, a terminologia que utilizou foi a de um exame completo. Como se pode ver na foto do boletim de consulta, recorre-se ao chinês, ao português e ao inglês ao mesmo tempo e de forma desigual. O Artigo 9.º da Lei Básica é claro no que respeita ao uso das línguas oficiais e não deixa margem para dúvidas.
No mesmo dia em que estive no Centro de Saúde do Tap Seac, a situação vivida era tão caricata que decidi tirar algumas fotografias. Aproveito agora para as publicar, até para que os SS não me venham acusar de má vontade por andar sempre a criticar a falta de informações em português. A verdade é que essas informações não existem. E mesmo que os responsáveis digam o contrário, os utentes não as encontram.
Na ocasião, dezenas de pessoas esperavam amontoadas num espaço sem as mínimas condições de ventilação e de salubridade. No banco de sangue estava uma pessoa de idade, de nacionalidade portuguesa, que não falava inglês (também de pouco adiantava porque os funcionários ali destacados mal se exprimiam nesse idioma), nem tão pouco cantonense. Sem saber o que fazer e sem ter quem lhe conseguisse explicar o procedimento, viu-se obrigada a ir embora. É que depois de muito procurar, não encontrou nenhuma informação na sua língua que, por acaso, até é uma das oficiais da RAEM. Aliás, como podem ver, o simples procedimento de retirar a senha de chegada está indicado em chinês!
Estando ali e tendo ficado indignado com a situação, tentei confrontar um dos funcionários de bata branca (não o consegui identificar pois não ostentava a placa com o nome) sobre o assunto. A reacção foi brusca, ríspida e totalmente inapropriada para um funcionário público, – tal não foi a falta de respeito e educação, – chegando mesmo a afirmar (num inglês que penso ter entendido) não haver necessidade de afixar informações em português! Indigno-me, tenho vergonha e não sei o que fazer nestas situações.
Acredito que os SS venham agora, – como têm sempre feito, – explicar, por carta, que se esforçam muito para escrever informações em português e que se não fazem mais é porque não podem. Pois eu volto a afirmar: Se fazem, fazem pouco, porque os resultados não se vêm.
A falta de recursos não pode servir de desculpa quando se fala de serviços do Governo, especialmente quando se trata da Saúde Pública. Se não têm funcionários suficientes contratem mais e resolvam a situação, pois a população de Macau tem todo o direito de ser bem atendida. E nas duas línguas oficiais...
No último artigo que escrevi e que intitulei «Serviços de Saúde estão-se nas tintas», publicado em Fevereiro, vieram-me dizer, por carta, que tudo fazem e que não é fácil resolver a situação. Ora, o facto de não ser fácil não pode ser desculpa para que nada se faça. Se outros serviços públicos o fazem, porque não os Serviços de Saúde?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Venetian com controlo de fronteira

ESTAVA há dias a passar os olhos pela imprensa diária e deparei com um artigo num jornal local que noticiava um concerto em Macau. Um concerto que, como dizia o artigo, ninguém tinha tido conhecimento aqui na terra!
Refiro-me à actuação da cantora punk Peaches, que teve lugar no Venetian, mas que este empreendimento se «esqueceu» de promover. No mesmo artigo podia-se ler que a maioria dos espectadores eram provenientes de Hong Kong, sendo que a imprensa de Macau teve conhecimento do evento porque, por curiosidade ou pura sorte, se deparou com a promoção na página electrónica da empresa de Las Vegas. Para cúmulo, não se tratou de um qualquer concerto, mas sim de um festival com vários grupos. Um festival denominado MIMA (Macau International Music and Arts) organizado pelos mesmos responsáveis do extinto Rockit Music Festival de Hong Kong. No entanto, apesar de usarem o nome de Macau, nem se deram ao trabalho de nos informar!
Porque não fazer do recinto do Venetian uma área de Hong Kong e colocar nas entradas balcões de controlo de passaporte como nas fronteiras?
A verdade é que a empresa Las Vegas Sands Macau (LVS), desde a saída do advogado Neto Valente, parece «estar-se nas tintas» para a RAEM. As promoções que faz são todas direccionadas a clientes do exterior. Quem se lembra das promoções no início da sua actividade, onde os residentes podiam usufruir de noites nos hotéis a preços convidativos ou as promoções de serviços e produtos nos resort especialmente para quem aqui vive? Pois, por coincidência ou não, desde a saída do proeminente advogado esse apego à comunidade de Macau parece ter desvanecido, se não mesmo desaparecido.
A empresa foi autorizada a operar em Macau perante certas condições, entre as quais se incluía, certamente, trazer valor acrescentado para a comunidade (contratação de mão-de-obra local, benefícios para os residentes, apoio às associações de cariz caritativo, entre outros aspectos) que normalmente este tipo de empresas têm de garantir como contrapartida do lucro que auferem e pelo facto de terem sido preferidas em detrimento de outros candidatos. Assim são obrigados no Estado americano do Nevada.
A verdade é que da LVS, nos últimos meses, o que se nota é apenas um completo descuido por Macau e desrespeito pelas leis do Território. A começar pelo facto de não usar as línguas locais, nem respeitar as tradições culturais da região. A ver, por exemplo, os caracteres chineses usados na toponímia no interior do edifício, que são simplificados em detrimento dos tradicionais usados em Macau. Isto já para não falar na completa inexistência do uso da segunda língua oficial, o português.
Quanto às reclamações apresentadas (mesmo em inglês) a empresa faz ouvidos moucos e ignora-as totalmente. Pessoalmente enviei-lhes diversos pedidos de esclarecimento que nunca foram atendidos. Acredito que não estarei sozinho e que muitos outros residentes se sintam lesados com tudo isto. Pelo que apelo ao Governo que decida fazer algo para proteger a boa imagem de Macau perante quem nos visita e, principalmente, perante todos os que aqui vivem e que não gostam de ser chamados de burro tão frontalmente.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Cozinha da NaE continua...

Para quem não tem tido tempo para acompanhar o que por aqui se tem passado...
A Cozinha da NaE continua a publicar receitas caseiras de comida Tailandesa, e de fusão, além de algumas explicações e introduções a ervas, molhos e temperos mais usados na cozinha do Reino da Tailândia.
Para quem não se lembre dos manuais da escola, os portugueses foram os primeiros ocidentais a chegar ao Reino, ainda na altura se chamava Sião e a capital ainda se encontrava no interior do país, num local chamado de Ayuthaya (celebram-se os 500 anos em 2011). As relações dos tailandeses com os portugueses eram tão boas que, aquando da invasão da antiga capital pelos inimigos birmaneses, o rei trouxe consigo na fuga, além dos seus concidadãos, os portugueses, dando-lhes um lote na nova capital (Thonburi) para que se instalassem. Ainda hoje ali existe o bairro português e a influência da comida lusa pode encontrar-se em diversos pratos tailandeses. Especialmente em sobremesas.
É isso que a NaE, na sua cozinha, tenta trazer a todos os que falam tailandês, inglês e português. Partilhar um pouco desse património gastronómico e de encontro de culturas
Mais recentemente publicou uma receita de “Salada de caranguejo japonês”, uma de “Caril vermelho de cogumelos” e “Carapau salgado frito com couve chinesa”, além de muitas outras.
Vejam, leiam, experimentem e, se tiverem dúvidas ou quiserem partilhar a experiência, deixem uma mensagem à NaE no blog. Ela agradece a interactividade.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cuspo para o chão ou furo a fila

O COMPORTAMENTO das pessoas em Macau foi algo que sempre me fascinou, e por muito que me esforce, cada vez o percebo menos. É frequente dizer, ou ouvir dizer, que são os de fora que vêm para aqui fazer as coisas que nos desagradam. No entanto, penso que não será assim tão linear…
Temos por hábito dizer que as pessoas de Macau são bem comportadas e que os maus exemplos são praticados por quem nos visita. Eu assim gostaria de acreditar, mas o que vemos no dia-a-dia deixa poucas hipóteses para desculpar certos actos menos dignificantes.
Todos sabemos que grande parte da população do território é proveniente de outros locais, nomeadamente da China continental. De acordo com dados «oficiais» muitos dos residentes, especialmente da zona norte, vivem em Macau há menos de vinte anos, ou seja, há menos de uma geração. E desde 2000 o número de pessoas com autorização de residência cresceu em flecha, fazendo com que a percentagem do número de nascidos no território seja cada vez menor.
As conversas de café sobre formas de comportamento, diferenças culturais e afins, alongam-se sem nunca chegarem a consensos satisfatórios. Quando enveredo por este tipo de discussão filosófica, particularmente com amigos de etnia chinesa, acabamos sempre por chegar a uma espécie de consenso onde atiramos as culpas para quem vem de fora e aqui chegou há menos tempo. Existem dois grupos visados nesse sacudir de água do capote, o dos imigrantes vindos do interior da China e dos outros países asiáticos, e o dos turistas que entram e saem todos os dias.

A culpa morre solteira

Mas se olharmos com atenção, nem tudo é assim tão linear: quando vamos a uma repartição pública, por exemplo à sede dos Correios de Macau, que fica ali mesmo no centro, vemos os utentes alinhados em filas ordenadas, pacientemente esperando pela sua vez sem tentarem passar à frente de quem quer que seja. Acredito que os utentes dos Correios sejam locais e não visitantes. A maioria dos utentes, que mais não seja pela especificidade do serviço, devem ser mesmo residentes permanentes.
Depois de vermos as pessoas muito ordenadas nos Correios (ou em qualquer outra repartição pública) deparamos com as mesmas pessoas na paragem do autocarro a empurrarem-se e a passarem à frente de tudo e de todos para entrarem dentro do transporte público. Este comportamento que muitas vezes gostamos de apontar como sendo praticado essencialmente por chineses vindos do continente é deplorável.
Não quero estar aqui a defender os que chegaram há mais ou menos tempo a Macau. A verdade é que a falta de educação não escolhe proveniência. Por experiencia própria posso afirmar que já vi nascidos em Macau a praticar os maiores actos de falta de civismo e já vi pessoas que se mudaram há bem pouco tempo para Macau, vindos do interior da China ou de outro país asiático (com níveis e desenvolvimento mais baixos do que os de Macau) a darem exemplos de civismo e de bom comportamento social.
Já o meu avô dizia, a educação, assim como o conhecimento, não ocupa lugar e fica bem a todo a gente. É tudo uma questão de educação. E, como se sabe, a educação não vem com rótulos mas pode ser ensinada, se bem divulgada. Se houver campanhas sérias e compreensão, mas também fiscalização a sério, as pessoas acabam por «aprender».
O que não vale a pena é andar a gastar milhões na promoção de leis e a ditar «bitaites» de educação cívica, se a fiscalização não for eficiente. Existem Leis e Regulamentos em Macau que são mais do que suficientes para «educar» a população residente e não residente. O que faz falta é que sejam aplicados com seriedade – quando digo seriedade, digo rigidez de forma contínua. Quem é apanhado a prevaricar deve ser punido e assunto arrumado. Isto, claro, daria para muita discussão e, como tudo, nunca poderá ser tão linear.
A complexidade do problema é enorme e de difícil solução, mas se começarem, a sério, pelas escolas, pode ser que daqui a dez ou vinte anos tenhamos uma geração mais educada.
Para quem vem de fora apliquem os diplomas em vigor e não os deixem ir embora sem regularizar a situação.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Vamos americanizar os nomes

O HÁBITO de mudar a nomenclatura dos edifícios e dos locais em Macau foi um dos episódios mais caricatos que marcaram o pós-colonialismo português (como muitos lhe chamaram). Agora, passados mais de dez anos, ameaça vir a tornar-se novamente hábito; desta vez, porém, com outros contornos.
Os finais de 1999 e os primeiros anos do segundo milénio viram nascer um movimento que, de um dia para o outro, viu o Palácio da Praia Grande passar a chamar-se Sede do Governo da RAEM, o Palacete de Santa Sancha passar a Residência do Chefe do Executivo (ou Sala de Recepções da RAEM), o Edifício do Leal Senado a Edifício do IACM, além de muitos outros exemplos. Felizmente, alguns voltaram à denominação original, devido a terem sido incluídos na lista de Património Mundial. No entanto, muitos outros continuam a usar os novos nomes, como que envergonhados do passado que carregam sobre os ombros e que, quer algumas almas iluminadas queiram ou não, traz a Macau milhares de turistas, desejosos de apreciar a diferença cultural, de raiz portuguesa. Se fosse para verem aspectos de cultura chinesa, certamente que o fariam melhor no «continente» e com muito mais opções. A diferença em Macau, é mesmo pelo facto de ser Macau, como divulga a Direcção dos Serviços de Turismo por todo o lado.
Mais recentemente, apareceu uma nova vaga de mudança de nomes oficiais; mas, desta feita, de carácter privado e fomentada pelo investimento estrangeiro no sector do Jogo. Especialmente quando abordamos nomes em língua inglesa, visto que a obrigação de haver denominação em português visível deixou de ser tida em conta. Quando vamos fazer o registo de uma empresa, é-nos dito que há a obrigação de a denominar nas duas línguas oficiais, quando queremos usar também um nome em inglês, como explicaram num cartório de registo comercial.
Voltando ao tema que me leva a escrever esta coluna, o COTAI, mais concretamente, a Estrada do Istmo, passou a chamar-se «COTAI Strip» e à zona do aterro de Seac Pai Van agora chama-se «COTAI South».
Foi precisamente este último que mais me chamou à atenção, visto ser, pelo que sei, o mais recente e porque a nova denominação não corresponde à verdade, já que a zona onde se insere nem sequer faz parte do COTAI (oficialmente, COTAI significa Zona de Aterros entre Coloane e Taipa, sendo a denominação um «portmanteau» nascido destes dois nomes próprios). Trata-se de parte da ilha de Coloane, junto do Parque Natural de Seac Pai Van, e que fora aterrada na década de oitenta do século passado, quando ainda existia o istmo que ligava as duas ilhas e que, segundo se lembram muitos dos que aqui vivem há mais tempo, ficava intransitável em épocas de chuvas mais intensas.
Aliás, naquela zona havia, ou ainda há, um parque industrial cujo nome é «Concórdia» e que era gerido por uma empresa de capitais públicos denominada Sociedade de Desenvolvimento do Parque Industrial da Concórdia.
Se não passaram por esta zona nos últimos dias, aconselho a que o façam, de carro ou autocarro e vejam com os próprios olhos o que se passa, porque está à vista de todos.
Lembro-me de que, quando cheguei a Macau, a ilha de Coloane era apelidada de «pulmão verde de Macau» e que o Governo se manifestava empenhado em que assim ficasse. Foram várias as vezes que «patos bravos» tentaram, por diversas vias, mudar o rumo do Governo e obter autorização de construção em grande escala. Tal nunca fora conseguido, tirando o caso dos prédios na praia de Hac Sá, mantendo a ilha como o único refúgio verde do território, a par da Colina da Guia. Infelizmente – e digo-o com muita mágoa – essa opção e firmeza do Governo parece estar a ceder ao jogo dos interesses, ou seja, dos empresários da construção.
Os «patos bravos», como referia um articulista de Hong Kong recentemente, em Macau têm muito poder e conseguem sempre o que querem.
Afinal, Coloane vai ter construção em altura e a dar o (mau) exemplo, por vergonhoso que seja, é mesmo o Governo! Na zona da pedreira, logo à entrada da ilha, segundo consta, vai nascer um complexo de habitação social!
E no «COTAI South» vai nascer um empreendimento de luxo. Ele está anunciado e até é promovido no próprio local!

domingo, 4 de abril de 2010

Passividade da DSSOPT

SE me pedissem para eleger a situação que em Macau mais me envergonha ou me deixa perplexo, certamente que elegeria as construções ilegais. O território, ou melhor, os seus telhados, estão cheios delas. Macau cada vez mais se parece com um bairro de lata!
Passamos dias e dias sem nos apercebermos da sua existência. Muitos dos que nos visitam também não as notam porque o território está feito de tal forma que as pessoas raramente olham para cima. Existe algo que nos força a olharmos para a frente ou para o chão e raramente perdemos uns segundos a olhar para o céu. A verdade é que há poucos atractivos que o justifiquem. Se exceptuarmos alguns edifícios que merecem ser apreciados na sua plenitude, pouco mais há para ver acima da cota dos cinco ou dez metros.
Eu vivo num quarto andar na zona histórica de Macau, mesmo nas traseiras da Fortaleza do Monte. Um edifício que data de há cerca de 20 anos, ou pouco menos. No entanto, a zona envolvente com inúmeras construções ilegais fazem acreditar que o bairro data de há mais de um século e, a cada dia que passa, mais parece um bairro de lata.
As queixas à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) de nada servem porque não se vê resultado nenhum do seguimento das mesmas, deixando a impressão que nada é feito. A polícia nem sequer se digna dar acompanhamento ao problema porque, segundo dizem, não lhes compete, atirando a responsabilidade para a entidade anterior.
O prédio em frente ao meu (isto serve apenas de exemplo porque, infelizmente, se repete telhado sim, telhado sim), que já conta com um último andar (anteriormente o terraço) ilegal, foi recentemente alvo de nova intervenção. Ainda não contentes por terem ocupado mais de 50% do terraço do edifício, decidiram cobrir a restante (área comum que deve ser do uso de todos os proprietários do edifício) como se de um anexo da outra se tratasse.
As fotos que vos deixo, que foram tiradas ao longo de vários dias, chegam para ilustrar o que se arrastou aos olhos de todos. Claro, como ninguém olha para cima, estas situações continuam impunes e sem que as autoridades se preocupem.
No prédio ao lado deste existe pelo menos um andar completo todo ilegal. E por cima desse apêndice, já de si fora-da-lei, foi ainda construído um solário «particular»! O peso de tudo isto é tal que, na estrutura exterior do rés-do-chão se viram obrigados a aplicar umas peças metálicas para ajudar a suportar o esforço e abrandar a abertura das fendas nas paredes. Imaginem o que poderá dali advir num qualquer dia azarado.
No meu edifício, os proprietários do quinto (último) andar, decidiram que o terraço era deles, pelo que simplesmente o fecharam e construíram o que bem quiseram sem dar nenhuma satisfação aos restantes vizinhos! Interrogados sobre o assunto, dizem não querer saber. Alguns aconselharam mesmo quem se queixava para apresentarem queixa às autoridades, sabendo que nada se iria resolver!
É esta a passividade que temos de enfrentar em Macau. Mas, imaginemos que acontece um incidente semelhante ao que aconteceu em Hong Kong recentemente. Será que é necessário esperar que haja a queda de um edifício, causando vítimas mortais, para que as autoridades se metam em campo e obriguem os transgressores a repor a legalidade?
De tempos a tempos vemos notícias promovendo as actividades de fiscalização. No entanto, pergunto: Já alguém viu alguma construção ilegal vir abaixo? Em mais de 13 anos, nunca vi nada de semelhante…

segunda-feira, 29 de março de 2010

Vem parque de autocarros

Afinal as promessas do Instituto Cultural da RAEM não passaram de palavras ocas. Ainda há dias diziam que iriam ouvir as opiniões da população e estudar melhor o assunto relativo à demolição das vivendas dos anos sessenta por detrás das Ruínas de São Paulo e, ao passar por ali hoje à tarde, deparei com o facto consumado! De que valeu a indignação de grande parte da população de Macau quando foi anunciado que o património iria ser demolido para ali serem feitas escavações arqueológicas e depois, para espanto de todos, ser construído um parque de estacionamento para os autocarros de turismo.
Eu sugeria ainda mais ao Governo, porque não construir um silo nas traseiras das ruínas, afinal entre a fachada e a cripta existe um espaço vazio!

Sinceramente, para quê andar a mandar areia para os olhos de quem aqui vivi se a decisão estava já tomada e a adjudicação feita?
Bom, esperemos agora os resultados das escavações… Cá para mim, e como é conveniente para alguns, não se vai encontrar nada de relevante. Pois assim fica aberto o caminho para o dito parque de estacionamento que os residentes pedem!
Acredito ser pouco credível que os residentes da zona tenham pedido um parque de estacionamento naquele local, ainda para mais que o parque não se destina a automóveis ligeiros mas sim a autocarros de turismo!

sábado, 27 de março de 2010

Macau e Milão são diferentes?

A NOSSA terra parece, aos olhos de quem a olha de fora, que não se preocupa com a herança cultural. Isto foi-me já dito vezes sem conta e pelas mais variadas pessoas. Quero acreditar, sinceramente, que não é verdade. Mas olhando para o que vamos vendo com o passar dos anos, cada vez me convenço mais que os de fora têm mais objectividade do que nós que aqui vivemos. No dia-a-dia parece que vamos atirando areia para os olhos e, pouco a pouco, vamos deixando que o património vá dando lugar à modernidade.
O evoluir dos tempos não é negativo. Pelo contrário, progressos tecnológicos e novas mentalidades criadas com o passar dos anos, são sempre bem-vindos. No entanto, quando isso começa a destruir aquilo que os nossos antepassados nos deixaram, algo estará errado, porque um povo que não respeita o seu passado nunca poderá ter um futuro risonho. A história conta-nos isso muitas vezes, pelo que todos temos a obrigação de fazer com que tal não aconteça.
Em Macau, com o passar dos anos, muito do património foi desaparecendo, sendo poucos os exemplos de locais que foram preservados, em detrimento do desenvolvimento económico. O exemplo mais recente é o dos edifícios militares da zona de Mong Há, que o Governo decidiu demolir, apesar dos protestos de indignação vindos de vários sectores da sociedade, com mais conhecimentos sobre o assunto que os próprios especialistas que decidiram pela sua demolição. Arquitectos, membros de associações de preservação do património e outros especialistas fizeram ouvir as suas vozes, mas de nada serviu.
Outro dos exemplos recentes é o da anunciada demolição do bairro comunitário no Fai Chi Kei, uma obra arquitectónica de estilo único no território, premiada internacionalmente e que os «especialistas» do Governo decidiram que tinha de ir abaixo para dar lugar a um novo empreendimento (de habitação social também). A decisão sobre este caso parece estar tomada e nada leva a crer que possa mudar. Eu diria, decisão «à Macau» e que ninguém se aventura a pretender alterar. Houvesse nesta terra um movimento cívico forte, como acontece em Hong Kong ou em muitos países europeus, e ver-se-ia se a decisão iria para a frente!
Está na calha mais uma dessas decisões. E isto, mesmo apesar do presidente do departamento que trata dos assuntos culturais desta terra ter dito que, por ele, a decisão seria alterada e os edifícios preservados. Afinal, quem manda?
Primeiro, Guilherme Ung Vai Meng veio a público dizer que, como homem da cultura e das artes, não concordava com a demolição das «casas dos funcionários públicos» junto da entrada da Fortaleza do Monte. Depois, deu o dito por não dito e já não se opõe a que tal aconteça, mas na condição de aquele projecto ser incluído no plano geral de revitalização da zona. Acontece que, e como é do conhecimento público, a decisão parece ter vindo a ser forjada desde 2003. Agora, após um grupo de membros da sociedade ter sugerido a construção de um parque de estacionamento na zona, o Governo anunciou a sua demolição. Um anúncio feito, – pelo que é público, – sem ter sido precedido de qualquer estudo. Apenas planeado para dar resposta ao requisito daqueles cidadãos. Quem são eles? Isso ninguém diz, mesmo que a população da zona diga que não quer ali nenhum parque de estacionamento. A resposta, ao que se sabe, deverá ser, contudo, do conhecimento de quem tomou a decisão! Pelo que se vê, este é mais um exemplo evidente onde o que está em causa é a lei do mais forte a levar sempre a melhor. É caso para perguntar: Até quando, em Macau, estará em vigor este tipo de decisões, que ignora a voz e o direito dos mais fracos?
Havia um problema que impedia a concretização do plano, isto é, o facto de o terreno ser privado! Isso foi resolvido em 2008, tendo as negociações com o Montepio sido concluídas com a troca de direitos de construção de um terreno na Rua de São Tiago da Barra (publicado no Boletim Oficial em Novembro de 2008).
Na verdade, aquilo que me preocupa é o facto de estar mais do que anunciada a construção de um parque de estacionamento naquele local! Destruir construções únicas em Macau, em zona histórica, para depois ali instalar um parque de estacionamento que só vai fazer com que mais veículos acedam à zona? Creio, do ponto de vista de cidadão, que isso só revela falta de bom senso.
Em qualquer cidade turística, com as mesmas características de Macau (Milão ou Coimbra, por exemplo) a norma é deixar os carros fora dos centros históricos e «obrigar» os turistas a andar a pé. Em Macau, apesar da sua pequenez e do traçado estreito das suas vias e das dificuldades do trânsito automóvel cada vez mais denso e caótico, tudo parece ser deixado ao capricho dos patrões das agências de viagens que, olhando apenas para os seus interesses, querem levar os turistas «ao colo» até ao interior dos monumentos!
Demolir os prédios para fazer escavações, até posso concordar; agora, depois destas terminadas, pretender ali fazer um estacionamento? Não, obrigado!
Afinal, para que foi feito o parque de estacionamento no Tap Seac (aliás, o maior parque de autocarros em Macau)? Proporcionem aos turistas o andar a pé, pois além de assim fazerem exercício, os autocarros deixarão de poluir o centro urbano e de congestionar o trânsito. E mais: até os comerciantes que têm estabelecimentos nas ruas entre o estacionamento e as zonas históricas agradecerão, ao ver os seus rendimentos aumentar com os turistas que vão passando à porta. Porque não pensar nisto a sério, no interesse da própria cidade e de todos os cidadãos?
Quando vou a qualquer cidade com centro histórico, se o quero visitar, tenho de andar a pé cerca de 30 minutos. Porque é que em Macau tem de ser diferente?

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ilha desapareceu

Durante quase 30 anos, a Índia e o Bangladeche argumentaram sobre o controle de uma minúscula ilha na Baía de Bengala. Agora a subida do nível das águas terá resolvido o litígio. New Moore Island foi totalmente submersa, confirmou Sugata Hazra oceanógrafo, professor da Universidade Jadavpur, em Calcutá. O desaparecimento foi confirmado por imagens de satélite e patrulhas marítimas.
"O que os dois países não conseguiram resolver com anos de conversações, foi resolvido pelo aquecimento global", enfatizou Sugata Hazra. Cientistas da Escola de Estudos Oceanográficos da Universidade têm notado um aumento alarmante do ritmo de subida do nível do mar ao longo da última década na Baía de Bengala. Até 2000, o nível do mar subiu cerca de 3 milímetros por ano, mas durante a última década têm vindo a aumentar cerca de 5 milímetros anualmente, afirmou o especialista.
Outra ilha próxima, Lohachara, ficou submersa em 1996, obrigando seus habitantes a deslocar-se para o continente, enquanto quase metade da superfície da ilha de Ghoramara está também já debaixo de água. Pelo menos dez outras ilhas da região estão em risco. O Bangladeche, com 150 milhões de habitantes, é um dos países mais afectados pelo aquecimento global. As autoridades estimam que 18 por cento da área costeira do país será engolida pelas águas e 20 milhões de pessoas serão deslocadas, se o nível do mar subir 1 metro até 2050, como previsto por alguns modelos climáticos.
A Índia e o Bangladeche reclamam a soberania de New Moore Island, uma ilha com cerca de 3,5 km de comprimento e 3 km de largura. As autoridades do Bangladeste chama-lhe South Talpatti Island. Não existia nenhuma estrutura permanente na ilha, mas, em 1981 a Índia enviou alguns soldados para o local, tendo içado a bandeira nacional.
Leiam toda a notícia no YahooNews

terça-feira, 23 de março de 2010

China try to rule where it has no power!


I don't understand China... they are the first one's saying that NO one have the right to interfere in the internal affairs of the country (or any country or company)... why they try to change Google's policy?
Google's example is a good one to show China that, after all, they can't do whatever they want. Google cannot work in China without censoring the content but... if in Taiwan or Hong Kong, China have to shut their mouth... :)


Novas receitas... comentem e experimentem...

A Cozinha da NaE tem mais umas receitas de deixar agua na boca… A mais recente, de uma sopa de coco com massa, à moda do Norte, é de morrer por mais… Não será das mais fáceis, nem terá os condimentos mais fáceis de encontrar no estrangeiro, mas vale a pena tentar mesmo que tenham de fazer algumas adaptações. O essencial é mesmo o sabor do coco da sopa e isso resolve-se com leite de coco em lata que se encontra em qualquer supermercado.Outra receita, essa fácil de fazer e que deixará muita gente espantada com a semelhança com um prato caseiro português, é a “Sopa da Mãe”. Experimentem e vejam como diferentes temperos e especiarias acabam por dar o mesmo sabor a que estão acostumados a milhares de quilómetros de distância!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Paredes sujas e falta de locais para exercício

AO andar por Macau é fácil encontrar, em vários locais, anúncios e outros papéis afixados em paredes e muros indiscriminadamente. Esta prática, banida em grande parte das cidades civilizadas, continua na RAEM sem que ninguém faça nada para lhe meter cobro. Era norma, antes de 1999, os edifícios governamentais terem uma placa onde se podia ler «Proibido afixar anúncios». Placa que, só por si, e em conjunto com o facto de se tratar de um edifício do Governo, servia de intimidação a quem afixa esse tipo de lixo.
Quando era miúdo, ainda a viver em casa dos meus pais, lembro-me de ter um amigo de escola cujos pais eram proprietários de uma discoteca. Algo que na altura começava a estar em voga junto da juventude. Era usual, nas épocas festivas, haver sessões especiais nas matinés, ou nas noites de sexta e sábado. E, para que se assegurasse uma casa cheia nesses eventos especiais, era necessário proceder à sua divulgação. Sendo a discoteca em causa uma pequena empresa e as disponibilidades financeiras serem limitadas, cabia à ajuda dos amigos fazer o papel de coladores de cartazes nas cidades vizinhas. O raio de acção atingia cerca de 50 quilómetros, o que abrangia, pelo menos três grandes cidades portuguesas.
Nas noites de colagem de cartazes, – o que era sempre de grande importância porque nos fazia sentir mais «crescidos», – havia sempre um «briefing» onde o «chefe de brigada», normalmente mais velho, tinha sempre o cuidado de alertar para não se colarem cartazes onde fosse proibido. Não obstante, algumas vezes acontecia, por ser noite e os locais serem escuros, serem colados cartazes em paredes onde estava explicitamente proibida tal actividade. Quando tal acontecia, regra geral, seguia-se um telefonema para os proprietários da discoteca, exigindo que retirassem o que colaram e que deixassem a parede nas condições iniciais. Isto, para nós, significava mais uma noite de escova na mão a retirar papéis e colas das paredes! Caso tal não fosse feito, como aconteceu algumas vezes porque chegávamos ao local e a polícia já lá estava, havia lugar a uma multa ao proprietário do estabelecimento por afixação ilegal de material de propaganda e uma valente «ensaboadela» aos coladores!
Na sua maioria estes cartazes têm contactos telefónicos, ou o seu proprietário está explicitamente identificado, pelo que a responsabilidade será fácil de apurar. Falta vontade de quem tem autoridade para o fazer. Entretanto, a nossa cidade continua suja, porca e imunda.

Zona da Fortaleza sem locais de exercício

Para quando uma zona de exercício para os moradores que vivem junto da Fortaleza do Monte? Nos últimos anos temos visto zonas de exercício nascer em tudo quanto é lado. Em quase todos os jardins, se não mesmo em todos, foram instalados aparelhos de apoio ao exercício físico. No entanto, uma das zonas nobres da cidade, a zona junto da Fortaleza do Monte e num raio superior a mil metros, não existe uma única área com estes equipamentos para que a população que ali vive possa fazer exercício. Não se conhecem as razões, mas a falta de espaço não será uma delas. Pelo menos na zona envolvente da Fortaleza, onde existe um jardim em toda a volta, há imenso espaço que pode ser usado para o efeito. Os residentes iriam certamente aplaudir a medida. Diariamente, de manhã e ao fim do dia, são centenas os moradores da área que ali se deslocam para fazer exercício, mas apenas caminhar ou a correr, sem outra opção para exercitar o corpo. Esta área foi, há já algum tempo, citada por deputados na Assembleia Legislativa devido à falta de instalações de apoio e do lixo que se acumulava no chão. O problema, pelo que constatei, continua sem ser resolvido na totalidade.
Caso não queiram instalar os ditos aparelhos na dita zona, há outros locais onde tal pode ser feito. Na parte traseira da fortaleza, no Caminho dos Artilheiros, há um terreno livre privado que, se houver vontade política e boa vontade por parte do proprietário, poderá ser arrendado para ali construir um pequeno jardim com equipamentos para exercício. Há também um terreno similar a meio da Calçada do Monte, um local que está vedado há anos e onde proliferam todo o tipo de ratos e outras pestes que contribuem para a insalubridade daquela zona. Daí que uma intervenção do Governo seria uma boa forma de resolver dois problemas de uma vez só. Outro local, embora mais pequeno, situa-se na Rua de Santa Filomena, por detrás do depósito do lixo, onde caberão três ou quatro equipamentos que seriam, sem dúvida, de bom uso para quem ali vive.
Reconheço que é complicado para o Governo ter uma percepção global das necessidades da população. Por isso, cabe a todos nós lançar alertas e ideias para aquilo que consideremos ser mais premente.
Estou em crer que os governantes acolherão de bom agrado as nossas sugestões. Afinal, trata-se de um dever cívico de todos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

PSP obriga ao pagamento de multas

SERÁ possível ser obrigado a pagar multas de estacionamento quando as únicas pessoas que podem conduzir o veículo autuado estão fora de Macau? Aparentemente, a Polícia de Segurança Pública (PSP) diz que sim e nada se pode fazer para os convencer do contrário.
O caso que vou relatar tem vindo a arrastar-se desde Dezembro de 2009. Algum tempo depois de regressar de férias, no passado mês de Janeiro, um residente preparou-se para ir pagar o Imposto de Circulação (IC). No entanto, ficou a saber que agora não é possível fazê-lo, caso o veículo em questão tenha multas por saldar, uma medida que muito se aplaude e que evita que se acumulem milhares de patacas em multas por pagar.
Ao ver vedado o acesso ao pagamento do IA num dos bancos locais, a pessoa foi averiguar a situação, tendo detectado que o veículo tinha duas multas por pagar. Ou melhor, duas infracções administrativas, uma datada de 6 de Dezembro e outra de 15 do mesmo mês.
Para que se perceba melhor, torna-se necessário dizer que as únicas pessoas com acesso ao veículo (que tinham chave para o abrir) estiveram fora do território, tendo o automóvel ficado estacionado durante todo o tempo no mesmo local. O casal tinha deixado Macau, pelo aeroporto internacional, no dia 4 de Dezembro, em companhia de familiares que acabavam de visitar Macau e apenas regressaram, via Terminal Marítimo do Porto Exterior, no dia 18 do mesmo mês. Pelo que, olhando para os registos de saída e entrada dos Serviços de Migração (4 e 18 de Dezembro), se pode ver que nos dias em que as multas foram aplicadas (6 e 15 de Dezembro) estavam ausentes de Macau.
O carro, quando chegaram, estava estacionado, pelo que, se alguém o utilizou indevidamente teve a gentileza de o estacionar no exacto mesmo local e com o mesmo combustível com que ficou antes de se ausentarem!
A justificação foi apresentada à polícia, da primeira vez através do seu serviço de correio electrónico, tendo sido enviada uma carta datada de 2 de Fevereiro e assinada pelo comandante, informando que não via a PSP, e passo a citar: «Verifica-se que as características da viatura autuada são idênticas às do veículo de V.Exa., pelo que não vê esta Polícia qualquer acção incorrecta por parte do agente autuante». Adiantando ainda mais que só resta ao proprietário dirigir-se ao Departamento de Trânsito para pagar as multas. Nem uma pequena referência ao facto de haver o direito de reclamar!
Da segunda queixa, feita no Departamento de Trânsito e por escrito, chegou a resposta já em Março (no envelope consta a data de 4 de Março, na notificação em língua portuguesa não consta qualquer data de emissão, apenas na versão chinesa!) e o conteúdo era, por outras palavras, o mesmo. Se bem que desta vez informam da possibilidade de reclamação, recurso superior ou aos tribunais.
No entanto, a data e o arrastar do processo não deixava grandes opções ao multado. Tendo a data limite para pagar o IA (final de Março) muito próxima, a opção do recurso tornava-se pouco viável porque, como se sabe, o não pagamento do imposto atempado faz com que o mesmo fique muito mais caro.
Perante esta situação, pergunto o seguinte: Não estando o proprietário, ou quem tem acesso ao veículo, em Macau na altura das infracções, que legitimidade tem a autoridade policial para obrigar o cidadão a pagar uma multa por uma transgressão que não cometeu?
O automóvel poderia, compreensivelmente, ter sido furtado. Mas, raramente, tanto quanto sei, quem o furta o volta a entregar no mesmo local e nas mesmas condições!
Como referi anteriormente, o que está aqui em causa não são as multas em si, mas sim o ter de as pagar devido à obrigatoriedade de regularizar o Imposto de Circulação. Aliás, o valor das multas em questão ascende a pouco mais de 600 patacas. Os «timings» da autoridade são bastante apertados, não deixando grandes opções a quem se vê obrigado a pagar um imposto.
Assim, julgo ser de criticar, primeiro, a inflexibilidade da polícia e a sua postura perante o cidadão. A autoridade existe para manter a ordem pública e não para impor a sua vontade. E, – tanto quanto sei, – em Macau qualquer pessoa é considerada inocente, até prova em contrário. Neste caso, pelo que deduzo, parece que está a funcionar ao contrário, tendo o cidadão de provar que é inocente. Tudo o que se pede é que a autoridade mostre provas concretas de que era mesmo o veículo em questão e, se tal fizer, que justifique como pode o veículo estar em dois locais, quando os seus proprietários estão ausentes. Se foi usado por terceiros, trata-se de uso indevido de propriedade privada.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Quem era Irena Sendler?

Uma senhora de 98 anos chamada Irena faleceu a 12 de Maio de 2008.
Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.
Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos nazis relativamente aos judeus (sendo alemã!).
Irena trazia meninos escondidos no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de serapilheira, na parte de trás da sua camioneta (para crianças de maior tamanho). Também levava na parte de trás da camioneta, um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do Gueto.
Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer. Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças.
Por fim os nazis apanharam-na e partiram-lhe ambas as pernas e os braços e prenderam-na brutalmente.
Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim. Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a família A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adoptivos.
No ano passado foi proposta para receber o Prémio Nobel da Paz... mas não foi seleccionada. Quem o recebeu foi Al Gore por uns diapositivos sobre o Aquecimento Global.
Não permitamos que alguma vez, esta Senhora seja esquecida!

In MEMORIAM - 63 YEARS LATER

In Memoriam - 63 anos depois

Por favor, leia atentamente o cartoon mostrado abaixo.

ESTÁ TRADUZIDO MAiS ABAIXO

Tradução do cartoon:

Menina: Tenho que lhe dizer uma coisa, senhor... Tem no seu braço uma tatuagem sem graça nenhuma. É só um monte de números.
Senhor: Bem, teria a tua idade quando me a fizeram. Mantenho-a como uma recordação.
Menina: Oh! ... Uma recordação de dias mais felizes?
Senhor: Não, de um tempo em que o mundo ficou louco. "Imagina-te a ti mesma num país em que os teus compatriotas seguem a voz de um político extremista que não gostava da tua religião. Imagina que te tiravam tudo, que enviava toda a tua família para um campo de concentração, para trabalhar como escravos, e ser assassinados sistematicamente Nesse sítio tiravam-te até o teu nome para ser substituído por um número tatuado no teu braço. Chamou-se a isso “O Holocausto”, quando milhões de pessoas foram mortas só pelas suas crenças religiosas..."
Menina: Então tu usas essa tatuagem para recordares o perigo das políticas extremistas!
Senhor: Não, querida. É para que tu o recordes.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Duarte na Livraria Portuguesa

Novo disco do Duarte (Aquelas coisas da gente) já está disponível em Macau. Composto por 13 músicas, algumas da autoria do próprio cantor e outras em parceria, está na Livraria Portuguesa, ali na “Rua das Mariazinhas”, por 200 Patacas. O número de exemplares é limitado.
Neste alinhamento é possível encontrar fados como o Mistérios de Lisboa ou Évora Doce ou ainda uma música cantada em colaboração com um músico grego.
Duarte está anunciado, mas não confirmado oficialmente, como presença em Macau nos festejos do 10 de Junho. A notícia vinha há dias na imprensa portuguesa local mas, até agora, nem o Consulado, nem a Casa de Portugal, nem mesmo a Fundação Oriente, confirmaram a sua vinda para o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Seria bom que, a confirmar-se, fosse também aproveitada a ocasião para fazer actuações noutros pontos da Ásia, nomeadamente em Banguecoque, visto que dentro em breve Portugal e o Reino da Tailândia estarão a comemorar 500 anos de relações diplomáticas.

NaE's kitchen A Cozinha da NaE

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