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sexta-feira, 8 de novembro de 2013
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terça-feira, 5 de novembro de 2013
Pobres diabos
QUERO publicamente manifestar o meu apoio a uma classe social que, na minha opinião e que sei ser partilhada por milhares de pessoas em Macau e por milhões pelo mundo fora, é injustamente acusada de falta de escrúpulos. Uma classe social que só tem feito bem e que tem contribuído, sobremaneira, para o bem-estar de todos nós e, muito especialmente, para a imagem do território como espaço aprazível, que todos acolhe de braços (e carteiras, dizem as más-línguas, mas eu nada tenho a ver com isso) abertos e como cidade internacional que é (eu acredito, e o leitor?). Trata-se de uma classe profissional que, diariamente e 24 horas por dia, se esforça, e de que maneira, por nos facilitar a vida e por tornar o nosso dia-a-dia mais aprazível e confortável, rápido e seguro. Sinceramente não compreendo como é que todos continuamos, anos a fio, sem lhes prestar a devida homenagem, visto que, dia após dia, dão todo o suor e lágrimas para o bem comum. São obrigados, faça chuva ou faça sol e até em dias de tufão, a andar de um lado para o outro para darem conta das nossas necessidades, sem nunca reclamarem e sem nunca exigirem mais do que o justo pelos seus préstimos. E, ainda por cima, com o contínuo aumento do custo de tudo o que se compra, vêm a margem de lucro diminuir de dia para dia, sem que para tal haja ajuda do Governo ou a compaixão de todos nós. E logo este Governo que ajuda tudo e todos sem olhar a caras ou à cor. É injusto, digo eu, simples cidadão de Macau que (em abono da verdade raramente o faço) uso os serviços destes zelosos profissionais que são exemplo em tudo, desde o asseio pessoal e conduta profissional, até ao dedicado esmero que colocam na limpeza do local onde exercem a função e na ajuda aos clientes. Levantam-se a altas horas da madrugada, isto quando conseguem dormir alguma coisa, só para se dedicarem às tarefas de limpeza, para que tudo esteja impecável quando nós (ignóbeis e incompreensíveis utentes dos seus preciosos serviços), logo pela manhã, os chamamos com cara de noite bem dormida, mas sempre resmungões! Agora que decidem pedir um aumento do prémio dos seus préstimos em 20% todos a eles se lançam como hienas, revelando a sua insensibilidade. É pena que ninguém compreenda os nossos taxistas, essa classe que tanto nos facilita a vida e que está sempre ali para nos transportar. Eu apoio que o Governo aprove os aumentos sugeridos pela classe e até vou mais longe: o Governo devia pagar-lhes o combustível e o seguro. Isto já para não dizer que devia atribuir-lhes uma medalha pelos serviços prestados em prol do bom nome da terra. Vinte por cento? E que tal 100 por cento de aumento? Vamos todos apoiar os nosso taxistas injustiçados! Notas soltas Tendo em conta as recentes notícias que dão como certa a participação do campeão de Fórmula 3 no ano passado em Macau, o português Félix da Costa, deixo um conselho de amigo ao engenheiro Costa Antunes. Este ano não se esqueça de ter uma cópia de «A Portuguesa», o hino de Portugal, no iPhone, «just in case...». Depois da «barracada» de 2012, é o mínimo que se pede à organização. Ainda relativamente à vinda de Félix da Costa, tanto quanto me lembro, é a primeira vez que um vencedor de Fórmula 3 no ano anterior vem defender o título. A terminar, foi com tristeza que fiquei a saber que a Direcção dos Serviços de Turismo apoiou uma regata no Rio Tejo, em Lisboa, no passado Domingo, organizada pela ANC (Associação Nacional de Cruzeiro, da qual alguns dos membros são funcionários da DST), enquanto residentes de Macau organizam um evento que vai levar o nome de Macau à volta do mundo e o apoio é negado. Critérios… cada um tem os seus. |
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
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sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Desvanecer a pouco e pouco
NÃO gosto de ser «ave de mau agoiro» mas nos últimos tempos tudo aponta para que o que venho afirmando seja, cada vez mais, uma realidade. Sempre que posso defendo nestas páginas o uso da língua portuguesa e a sua obrigatoriedade. Não porque seja fundamentalista, mas porque assim ficou acordado entre duas nações soberanas e para mim a Lei é para ser cumprida integralmente. No entanto, a pouco e pouco, e como que pela «calada da noite», o Português começa a ser subtraído das suas funções oficiais. Será que já se está a preparar o terreno para o pós-2049? Lamento afirmar que parece que sim! Não tinha tido conhecimento da cerimónia oficial da Feira Internacional de Macau (sempre conhecida por MIF, a sua sigla em Inglês), mas agora veio-se a saber que este ano, ao contrário dos anteriores, a língua portuguesa não marcou presença nos discursos oficiais. Passei por lá no último dia, na tentativa de encontrar alguns contactos para a viagem que estamos a organizar, e também pouca informação vi em Português, aliás, em consonância com a pouca abertura dos empresários presentes para o nosso evento. Se não formos nós a apoiar e a defender aquilo que é nosso, ninguém o fará! É pena que o organizador, neste caso o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), ou seja, o Governo de Macau, esteja a colocar de lado a Lei Básica tão descaradamente e sem que ninguém levante objecções ou peça explicações por tais decisões e medidas. Além do exemplo do que se passou no recinto da Feira Internacional de Macau, a mensagem de agradecimento na passada segunda-feira, o dia seguinte ao encerramento do certame, não deixou margem para dúvidas, tendo sido publicada apenas em Inglês, mesmo nos jornais de língua portuguesa. Por acaso tenho curiosidade em saber se nos jornais chineses foi também posto na língua de Sua Majestade. Na edição do mesmo dia do jornal Ou Mun não havia qualquer tipo de publicidade de agradecimento, apenas um artigo referente à MIF e ao seu encerramento. São pequenos sinais como estes que se vão aglomerando e vão fazendo com que a «nossa» língua acabe por desaparecer, mesmo antes da data previamente acordada entre Pequim e Lisboa. E o que mais me choca é que quem devia levantar a voz, a nossa representação diplomática local, nada faz e nada diz relativamente ao assunto, apenas se focando nos números dos «Vistos Gold». A instituição máxima de promoção de Macau no exterior, a Direcção dos Serviços de Turismo, há muito que deixou de adoptar o Português nas suas intervenções. Apesar de ter inúmeros bilingues, o Português nunca faz parte dos seus discursos oficiais, a favor sempre do Chinês e do Inglês. Porque é mais fácil, dizem! E isso podemos constatá-lo. Basta ver quantas vezes o antigo director discursou em Português em encontros internacionais. Aliás, agora no novo cargo que ocupa na PATA quantas vezes recorreu à sua língua materna? Acredito que seja mais fácil à DST dizer que é mais fácil utilizar o Inglês e o Chinês, assim como é fácil negarem apoio a iniciativas de divulgação de Macau em Português quando, do outro lado da porta, se dão milhões a outras realizações em Chinês e Inglês. Infelizmente existem outros exemplos e cada vez mais frequentes. Várias vezes aqui fiz eco da falta de visão (ou talvez não, se o objectivo é mesmo o de erradicar o seu uso) de não se incluir nos contratos de concessão dos serviços públicos a obrigatoriedade das duas línguas oficiais. Veja-se as operadoras de telecomunicações. Nenhuma delas usa o Português. O mesmo se passa com a Macao Water (Sociedade de Abastecimento de Água de Macau), que até o próprio nome mudou logo após a criação da RAEM, e com a Companhia de Electricidade de Macau que pouco usa a língua portuguesa. E o mesmo se pode dizer da Companhia de Sistemas de Resíduos, que de Português só tem mesmo o nome. No que respeita aos contratos de concessão apenas a – sempre na berlinda – Direcção dos Assuntos de Tráfego tem obrigado as concessionárias de transportes públicos a usar as línguas oficiais. E, bem ou mal, «a coisa» lá tem sido mantida com toda a informação nos autocarros, escrita ou sonora, a ser disponibilizada nos dois idiomas. Apesar de muito de errado haver a apontar à DSAT, aqui a elogio pelo bom trabalho. São falhas a mais para um território que se diz apostado em promover as relações com os Países de Língua Portuguesa e em dar condições para que a língua lusa possa continuar a ter o peso que sempre teve. As últimas novidades neste campo que vieram a público não auguram nada de bom. Recentemente, a Associação de Investigação do Sistema Jurídico de Macau, pelo seu presidente, o proeminente advogado chinês Chan Wa Keong, começou o «ataque» ao sistema jurídico, defendendo, na presença do procurador, Ho Chio Meng, que nada disse em contrário, que os candidatos a juízes não precisam ser bilingues. Começam a ser muitas as forças a puxar apenas para um lado, sem que ninguém venha a terreiro meter ordem no caos e clarificar as dúvidas que vamos tendo. |
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
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terça-feira, 22 de outubro de 2013
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terça-feira, 15 de outubro de 2013
Enfermeiros em apuros?
A MEMÓRIA de Macau é curta, mas só para algumas coisas. Lembram-se daquela senhora que para ganhar votos e ter visibilidade na campanha eleitoral se lembrou de atacar directamente os profissionais da Saúde de origem portuguesa, dizendo que a sua contratação colocava em perigo a vida dos pacientes chineses? Pois agora essa senhora é deputada! Ou que raio isso quererá significar em Macau, visto que foi eleita por uma lista da qual nada se espera, a não ser dizer que «sim» a tudo o que o Governo e Pequim ordenarem. A nova deputada na primeira oportunidade, e quando confrontada pela sua famosa afirmação de pré-campanha, que certamente lhe rendeu mais umas centenas de votos e que a ajudou na eleição para o poleiro no Hemiciclo, apressou-se a desmentir tudo o que havia dito. Como boa artista política que é, ou deve ser porque a experiência ainda é quase nula, deu o dito por não dito. Começa bem! Afinal não é isso que os políticos fazem? Na campanha prometem uma coisa e quando chegam ao almejado lugar logo se esquecem. A verdade é que as afirmações ficaram gravadas e ninguém as pode apagar, por muito que a sua autora se desdobre em explicações. Wong Kit Cheng diz-se mal interpretada e explicou – aqui cito o Jornal Tribuna de Macau para não ser também eu mal interpretado – «concordo com a medida da contratação. Mas tem de haver um bom mecanismo de importação e de saída, e depois podemos decidir se é preciso contratar profissionais estrangeiros ou não». Uma ideia muito aquém das declarações de Julho à Imprensa chinesa, durante a época de pré-campanha: «A contratação de enfermeiros em Portugal é uma medida inadequada devido a barreiras culturais. (…) Servir os doentes é a principal função dos enfermeiros e a comunicação é muito importante e, para assegurar a qualidade desta comunicação, os enfermeiros necessitam de conhecimentos em Chinês, tanto orais como escritos (…); a maioria dos residentes só fala Chinês, pelo que há uma barreira linguística durante o serviço[dos enfermeiros portugueses] que é intransponível (…); a enfermagem passa por não só cuidar da saúde dos doentes mas também por dar apoio psicológico e verbal aos mesmos, duvido que os enfermeiros portugueses consigam oferecer bons serviços em Macau. (…) A contratação de enfermeiros portugueses poderá colocar em risco a vida dos cidadãos». Depois de ser eleita para o assente quentinho do Plenário dos Lagos Nam Van mudou o discurso. Já aquando das afirmações eleitoralistas de Wong Kit Cheng manifestei preocupação, não sendo o único a protestar e a fazer entender que a «madame» deveria ser chamada à razão sobre o assunto dos enfermeiros. Aliás, a associação dos enfermeiros portugueses, assim como os próprios Serviços de Saúde, veio a público repudiar o que a então «normal» cidadã havia aludido. A minha consternação não era tanto pelo teor, que roçava o xenófobo, mas pelo facto de virem de uma pessoa que ocupa uma posição de destaque na comunidade local. Não nos esqueçamos que Wong Kit Cheng, antes de ser deputada, é vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau (www.macauwomen.org.mo), a associação mais poderosa em termos sociais e das mais influentes na vida social e política do território, visto dela fazerem parte todas as esposas e outros membros femininos das famílias dos detentores dos mais altos cargos políticos da RAEM. Assim como a maior parte dos membros femininos dos maiores grupos empresariais alinhados com Pequim, que controlam a economia de Macau. Tina Ho, a sua presidente, antiga deputada e uma das empresárias mais influentes, é um bom exemplo, assim como a vice-presidente do Conselho Executivo, a actual directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes, que tanto apregoa a favor dos laços portugueses, mas depois deixa cair projectos ligados a essa mesma Lusofonia, como o caso do restaurante da Casa de Portugal – só para citar um, porque existem outros. É chegado o momento da comunidade lusa ficar em alerta, porque os sinais começam as ser cada mais. Esperemos que as afirmações da senhora deputada sejam isso mesmo: apenas afirmações. |
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quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Joao Gomes has sent you a message
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sexta-feira, 4 de outubro de 2013
O «rigor» da Macao Water
A MACAO Water, à semelhança de todos os outros fornecedores de serviços públicos, actua com a postura do «quero, posso e mando», deixando o utente completamente dependente das suas vontades e sem qualquer forma de recorrer das decisões tomadas.
Não me querendo debruçar sobre o completo desrespeito pela língua portuguesa, quer nas suas instalações, quer na página da Internet, onde a língua de Camões é tratada «abaixo de cão», quero apenas referir vários casos que se têm registado na minha zona, inclusivamente comigo. Aliás, é do meu caso que agora escrevo, dado que as várias tentativas de contactar a empresa se mostraram completamente inúteis no passado.
Da Macao Water recebi a última conta, para o endereço de residência, no dia 18 de Novembro de 2012. Desde aí mais nenhuma factura me chegou às mãos, facto pelo qual diversas vezes informei a empresa, que diz ser minha responsabilidade, visto que eles – claro – enviam a correspondência a tempo e horas a todos os clientes. Se a «carta» não chega ao destino, a culpa é do destinatário!!! De quem mais poderia ser!?
Pergunto: Não prevê a Lei que antes de se decidir pelo corte ou outra medida sancionatória se esgotem todas as formas de contacto com a pessoa visada? Ou será que basta assumir que a «carta» chegou a «Garcia» para que seja considerada entregue, logo, um dado adquirido?
Tanto quanto me lembro, a Macao Water, aquando da assinatura do contrato de abastecimento de água, pediu-me o endereço, o número de telefone fixo e de telemóvel e, inclusivamente, o endereço electrónico. Acredito que assim o façam com todos os novos clientes. Garanto que pelo correio nada chegou e todos os dias chegam lá a casa várias cartas e panfletos publicitários. Tão pouco fui contactado por telefone, telemóvel ou mesmo por correio electrónico. Assim como também não recebi nada na minha Caixa Postal, um endereço que também já disponibilizei à Macao Water, mas que esta se recusa a utilizar. De referir que todas as outras contas que recebo chegam, a tempo e horas, à Caixa Postal.
Regra geral não tenho problemas com as contas, uma vez que no dia em que recebo o salário as saldo via Internet, através do «website» do BNU, sendo a da Macao Water uma das contas mensais de uma lista que também inclui a CEM, a CTM, a 3Three e outras semelhantes. Uma lista de números de contas que guardo, religiosamente, junto do computador de casa e na agenda do telemóvel, já para evitar esquecimentos. No entanto, muito assiduamente, a Macao Water recusa o pagamento via BNU. A tal facto, visto não ser culpa minha, pouco ligo, tentando novamente no dia seguinte e, se a situação se mantém, espero que me seja enviado qualquer aviso. Como nunca acontece, repito o pagamento no mês seguinte.
No entanto, em Setembro, assim como no mês anterior em que estive ausente de Macau, não foi possível efectuar o pagamento, após ter recebido o salário na conta do BNU. O que considerei estranho, porque nunca tinha acontecido dois meses seguidos. Passados alguns dias, já eu me tinha esquecido do sucedido – não tinha recebido qualquer aviso da Macao Water, nem qualquer contacto via telefone ou através de qualquer outro meio, – dei com um papel da Macao Water na minha caixa do correio. Intrigado, pensei que fosse a dita factura que nunca tinha chegado. Para minha surpresa, era uma nota a informar que a água havia sido cortada. Nem sequer era um aviso de que iriam cortar em determinada data, apenas que a mesma já estava cortada! Chegado a casa fui verificar se tinha água que, para minha surpresa, correu da torneira! Perante o facto, e com a carta a «moer-me» a cabeça, desci ao rés-do-chão para verificar o contador, deparando então com uma braçadeira de plástico a bloquear a torneira do contador da minha residência. No entanto, quem ali a colocou – tal não era a pressa – não teve a preocupação de fechar o abastecimento, nem sequer deixá-la selada, como já vi em outras ocasiões.
Perante o sucedido, e como não conseguia realizar qualquer pagamento à Macao Water, via online ou pelos Correios, decidi contactar a empresa. Fui então informado de que o abastecimento de água havia sido cancelado e que tinha de me dirigir às suas instalações, na Ilha Verde, para regularizar a situação.
Tentei, sem aval, pedir explicações acerca do sucedido e do facto de não ter recebido qualquer tipo de aviso, mas de nada serviu. Assim como de nada serviu dizer que a braçadeira de plástico apenas evitava que eu conseguisse fechar a água, não de a abrir! E que não havia selo no contador... Um diálogo de surdos como é normal nas empresas de fornecimento de serviços públicos adjudicados.
Não ponho em causa o corte no abastecimento, mas sim a falta de comunicação da empresa, que tem todos os meios para contactar o cliente. E também lamento que o cliente seja sempre tido como culpado. Neste caso, o zelo da Macao Water foi tanto que nem sequer verificaram se a água estava realmente fechada antes de colocarem a braçadeira e nem afixaram qualquer aviso no contador! Ou se o colaram, como afirmam ter feito, o mesmo desapareceu, pois qualquer pessoa pode ter acesso à caixa dos contadores do meu prédio. A mesma encontra-se no exterior e a Macao Water não a mantém fechada à chave.
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segunda-feira, 23 de setembro de 2013
O CLARIM - Semanário Católico de Macau
Maltratado
DEVE ter notado que deixei de trazer a estas páginas assuntos relacionados com a CTM e o seu péssimo serviço. Tal, involuntariamente, deveu-se ao reconhecimento de que nada iria mudar apesar de, no início e quando ainda havia alguém de língua portuguesa preocupado na estrutura da empresa, muitas promessas terem sido feitas.
A verdade é que o serviço da CTM continua tão mal que só as concorrentes conseguem fazer pior! Mas, qualidade, ou a total ausência dela, à parte, a verdade é que na CTM pouco ou nada há a salientar pela positiva.
A minha última experiência nas instalações da companhia deveu-se ao processo que, paulatinamente, tenho vindo a desenvolver, tendo em vista a total desvinculação dos seus serviços. Dado ainda não haver outra opção para a Internet e para o telefone fixo (apesar de já ter sido adjudicada, infelizmente ainda temos de «gramar» com serviços de baixa qualidade e somos obrigados a pagar dos preços mais altos do mundo). Tudo, claro, com a conivência do nosso Governo e da direcção que regula as telecomunicações.
Como se sabe, a CTM já não tem como accionista qualquer empresa portuguesa. A Portugal Telecom vendeu a sua participação há já algum tempo, ficando assim de fora dos destinos da empresa. No entanto, o facto de não ter qualquer accionista luso não a isenta da obrigação do uso das duas línguas oficiais de Macau. Mas neste aspecto – reconheço – se há alguém a apontar o dedo, esse alguém é mesmo o Governo que não incluiu nas normas constantes no contrato de concessão tal obrigatoriedade. Afinal, que se pode pedir de uma firma privada quando é o próprio Governo o primeiro a «estar nas favas» para o cumprimento do acordado na Lei Básica e para a promoção do Português como uma das línguas oficiais e pilar do segundo sistema? Já para não falar no completo desinteresse pela cultura lusófona fora daquilo que tem sido feito e que parece mal deixar cair. Penso que para bem entendedor meias-palavras devem bastar, mas este assunto será alvo de outro artigo em breve.
Mas voltando à CTM e à experiência recente que me fez interromper o jejum de críticas ao rol de erros, falhas e falta de consideração pelos clientes:
A ida à loja da empresa deveu-se ao processo de encerramento de uma das contas de telemóvel que ainda tinha na dita operadora. E, como estou de saída de Macau, pedi para que as contas fossem saldadas no momento, ao invés de ter de esperar que fosse enviada a conta – a última suponho – para a morada de casa para posterior pagamento. Receando falhar esse pagamento e como sou cumpridor das minhas obrigações, achei por bem pagar tudo ali na hora: o montante em falta e a respectiva penalização pela quebra de contrato. Depois de todos os formulários preenchidos num dos balcões de atendimento personalizado, o funcionário, pouco satisfeito com o facto de eu estar a cancelar a conta, mandou-me dirigir ao balcão dos pagamentos. Assim fiz e quando ali cheguei a funcionária de serviço (que não verá aqui o nome retratado, mas que bem merecia!...) parecia estar a fazer um grande «frete». Olhou para os dois recibos que tinha comigo e, à «fina força», queria apenas receber o montante relativo ao saldo da conta, gritando, literalmente, que a «outra» conta, relativa à quebra de contrato, tinha de ser paga posteriormente, quando me fosse enviado o recibo.
Tentei, por diversas vezes e tentando não me alterar, apesar de me apetecer meter a mão pelo vidro adentro e apertar-lhe o «gargalo», explicar-lhe que se a CTM não recebesse o montante neste dia, possivelmente, não o iria receber, porque eu estaria de saída do território. Sinceramente, penso que quando falamos para o sistema automático do «hotline» temos mais interacção do que aquela que estava a ter com a dita funcionária.
Depois de muito insistir e de a ouvir vociferar em Chinês do outro lado do vidro, como se o estrangeiro depois de mais de uma década em Macau não percebesse a língua, lá se decidiu a receber o dinheiro. Algo que afirmava, a pés juntos no início, que não poderia ser feito. Pergunto: o que terá mudado ao fim de cinco minutos de gritos e insultos? Será que, entretanto, a CTM alterou os regulamentos internos e passou a aceitar aquilo que a funcionária insistia ser uma irregularidade? Má vontade, pura e simples! Falta de educação e arrogância de quem não sabe fazer mais nada do que aquilo que um par de horas de treino lhe ensinaram a fazer. A ignorância nesta terra anda sempre de mão dada com a arrogância e falta de educação, infelizmente!
Bem sei que a senhora está a seguir ordens e que os seus superiores devem estar muito contentes porque cumpre o que lhe dizem e não levanta ondas com ideias novas. Mas será esse o serviço que queremos de uma concessionária de serviço público que recebe milhões do Governo (indirectamente dos nossos impostos)? Fica muito mal à CTM, mas já estamos habituados, não é?
Nota final: se a CTM realmente quiser apurar o que aqui escrevo, estou na disponibilidade de facultar uma cópia do recibo da conta onde consta o nome da dita funcionária e o local e hora onde aconteceu, visto que deve ter ficado gravado no circuito interno e será fácil comprovar.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Cheias revelam problemas
DURANTE o tempo que estive de férias parece que Macau foi afectado, mais uma vez, por chuvas intensas que voltaram a causar estragos avultados em diversas zonas da cidade. Desta vez, supostamente, foi a Taipa mais afectada, assim como Coloane, nomeadamente as estradas e os terrenos onde decidiram construir a habitação social de Seac Pai Van. Muitos já dizem que o erro, desde o início, foi mesmo a sua localização! Ao se ter decidido destruir a antiga pedreira, deitando abaixo grande parte da montanha para se erigir habitação social, o Governo voltou a meter o pé na argola. Primeiro, porque a sua localização nunca foi aceite pela maioria da população, particularmente pela população alvo da dita habitação. Segundo, porque todas as evidências apontam para que tenha sido um projecto feito e preparado à medida do agrado dos fortes lobbies da construção civil do território. Ninguém irá corroborar esta afirmação, mas não será muito difícil perceber que terá sido uma decisão tomada à revelia de todas as evidências. Ou será que o Governo pensa que pode estar certo sozinho e nunca erra nas decisões que toma? Acredito que assim possa pensar, se olharmos a muitas das decisões tomadas, mas há-de chegar o momento em que terá de parar e dar ouvidos às queixas. Como não estou, de forma alguma, ligado à habitação social, económica ou de qualquer outra forma a ser privilegiado, ou prejudicado, pelo citado empreendimento, sinto-me na liberdade de continuar a insistir que a melhor solução teria sido, sem quaisquer dúvidas, a opção de recuperar prédios devolutos e, ao mesmo tempo, reabilitar zonas da cidade para se criar os necessários apartamentos. Ao que parece, e a ver pelas taxas de ocupação, a necessidade da habitação agora concluída não será assim tão premente visto que ninguém, ou quase ninguém, se quer para ali mudar, mesmo com todos os incentivos e toda a propaganda feita por quem decide. As chuvas fortes de Agosto vieram colocar a descoberto, ao que os acontecimentos indicam, que tudo foi feito em cima do joelho. Apesar de virem dizer que se deveu a alterações morfológicas e outras que tais, a verdade é que as águas não têm para onde ir! Fica a pergunta: então quando se fazem ou planeiam projectos desta envergadura (de salientar que não é só a habitação social, mas sim todo um «bairro» habitacional que também inclui área residencial de luxo) não é normal haver estudos de impacto ambiental, de segurança altimétrica, sistemas de drenagem e de impermeabilidade de solos, etc.? Ou será que foi mesmo tudo feito em cima do joelho, para agradar aos patos-bravos da terra e à sua sede de lucro rápido? A opção da recuperação de prédios devolutos teria tido um impacto positivo muito maior, revitalizando artérias menos nobres da cidade e oferecendo a possibilidade às pessoas que necessitam de habitação social de não terem de sair do perímetro onde vivem. Como se sabe a maioria dessas pessoas são da zona Norte, exactamente uma das áreas com maior número de prédios devolutos e em risco de ruína, ou a precisarem de obras de recuperação. Era aqui que o Governo deveria ter investido os milhões que enterraram em Seac Pai Van. Possivelmente teria até gasto mais se optasse pela recuperação, mas o resultado seria, na minha opinião, muito mais positivo. Além de não obrigar a grandes alterações nos hábitos das pessoas necessitadas, também contribuiria para melhorar o ambiente de diversos locais do território. Compreendo, no entanto, que este tipo de intervenção não agrade muito aos homens das construções porque as margens de lucro, versus o trabalho que tem de ser feito, é muito menor. Além de que envolve muito mais controlo de custos e escolha de materiais de melhor qualidade, enquanto que na construção de raiz vale de tudo um pouco. Aliás, basta ver para a qualidade da construção social e as condições que apresentam escassos meses após terem sido concluídas, sem que ainda tenham sido utilizadas... As chuvas de Agosto apenas serviram para colocar a nu um problema que é do conhecimento de todos. As obras feitas sem grandes estudos, sérios, preliminares, apenas servem para agradar a alguns e não para resolver os problemas sociais. O resultado está à vista de todos: em vez de resolverem um problema que afecta Macau acabaram por meter a descoberto outro bem pior. |
sábado, 7 de setembro de 2013
Quando é realmente importante
ESTAMOS de volta às bancas e é Setembro, mês de eleições em Macau para a Assembleia Legislativa, um período onde ouvimos de tudo. Das promessas mais disparatadas às afirmações mais polémicas que, depois das canas dos foguetes recolhidas no final da festa, acabam por cair no esquecimento, voltando a vida ao normal e ao normal andamento desta cidade que se diz internacional. No entanto, de certa forma, tudo o que envolve as eleições e as suas polémicas vai servindo para nos desviar a atenção do que é realmente importante e que o Governo não quer que as pessoas critiquem ou analisem. Nos últimos tempos temo-nos esquecido, completamente, dos problemas relacionados com a salubridade pública. A qualidade do ar, da água e da comida que ingerimos. Ninguém se lembra de tentar saber como as obras do metro irão afectar o nosso dia-a-dia e o que está a ser feito para minorar os seus efeitos. Poucos de nós ainda nos lembramos que há bem pouco tempo foi vendido óleo do esgoto na China e que, possivelmente, muito terá vindo para Macau. Ou que paira no ar a esquizofrénica possibilidade de um novo surto de H5N1, desta vez, segundo afiança o «lobby» da farmacêutica, pior do que o anterior e com características de pandemia! Por outro lado, todos sabemos que alguns candidatos à AL não querem enfermeiros portugueses e que outros querem enfermeiros portugueses. Há para todos os gostos! E sabemos que todos prometem mundos e fundos e que depois nada fazem porque na Assembleia Legislativa, com a actual forma organizativa do Governo, nada ou quase nada se decide. Alguém se lembra de uma proposta de Lei do Governo que não tenha sido aprovada ou de um deputado que tenha visto uma proposta sua aprovada? Tudo o que vai ao hemiciclo, com a actual constituição de deputados nomeados, eleitos indirectamente e directamente, tem a sua aprovação garantida visto que mesmo que os deputados eleitos directamente se unam e votem contra, nunca serão em número suficiente para bloquear a passagem de uma Lei. O número total de deputados este ano aumentou para 33, os eleitos directamente passaram a ser 14, os indirectos 12, sendo que os nomeados continuam a ser os sete desde o início da RAEM. No entanto, sendo os eleitos indirectos defensores de interesses intrinsecamente ligados ao Governo, muito dificilmente iriam juntar forças com um hipotético voto massivo dos eleitos directamente contra uma qualquer proposta de Lei mais polémica. Tanto para mais que nos próprios eleitos directamente existem muitos que são, ostensivamente, alinhados com as políticas pró-Pequim. Tudo o que se ouve e vê em torno das eleições é um autêntico atentado à inteligência dos residentes de Macau. Desde a publicidade/propaganda da Comissão eleitoral que nem sequer respeita as duas línguas oficiais em pé de igualdade, remetendo o Português para segundo nível, apenas com legendas da versão em Chinês (e se o telespectador for invisual?), aos tempos de antena que obrigam o canal português da televisão a passar sem qualquer legendagem ou versão na língua de Camões. É Macau no seu melhor e a tempo inteiro! Depois do período de férias gostaria de ter regressado e ver a comunidade e o Governo mais preocupados com outras questões. Nomeadamente as questões sociais como a falta de apoios aos mais carenciados e a falta de habitação social condigna. Não aquela que engoliu milhões de patacas e que ninguém quer porque a construíram em Seac Pai Van sem perguntar se a sua localização seria a melhor. Macau, com tantos prédios devolutos nas zonas antigas, teria tido melhores opções se tivesse optado por renovar esses edifícios, transformando-os em habitações condignas para os mais necessitados, como vem sendo feito em cidades internacionais como Londres, Nova Iorque ou mesmo em Singapura. Mas, claro, como se sabe, remodelar prédios não dá tanto lucro aos construtores civis como a sua construção de raiz... E os problemas do acesso aos cuidados de saúde e as listas e filas de espera no hospital público que obrigam pessoas necessitadas a terem de optar por serviços particulares se quiserem ser tratados em tempo útil? O hospital da Taipa teima em não aparecer enquanto que o de Macau continua em obras indefinidamente. O número de médicos aumenta mas o problema mantém-se. A falta de qualidade dos clínicos vindos do continente (tirando algumas excepções) não consegue ser colmatada com o aumento do número de efectivos. E o mesmo se aplica aos enfermeiros, mesmo que alguns candidatos eleitorais se tenham insurgido contra a vinda de enfermeiros portugueses. Já agora, alguém me sabe dizer quando foi que chegou o último enfermeiro vindo de Portugal? |