Como blog estaremos aqui para escrever as nossas opiniões, observações e para que quem nos visite deixe também as suas. Tentaremos, dentro das possibilidades, manter este local actualizado com o que vai acontecendo à nossa volta em Macau e um pouco em todo o lado...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cuspo para o chão ou furo a fila

O COMPORTAMENTO das pessoas em Macau foi algo que sempre me fascinou, e por muito que me esforce, cada vez o percebo menos. É frequente dizer, ou ouvir dizer, que são os de fora que vêm para aqui fazer as coisas que nos desagradam. No entanto, penso que não será assim tão linear…
Temos por hábito dizer que as pessoas de Macau são bem comportadas e que os maus exemplos são praticados por quem nos visita. Eu assim gostaria de acreditar, mas o que vemos no dia-a-dia deixa poucas hipóteses para desculpar certos actos menos dignificantes.
Todos sabemos que grande parte da população do território é proveniente de outros locais, nomeadamente da China continental. De acordo com dados «oficiais» muitos dos residentes, especialmente da zona norte, vivem em Macau há menos de vinte anos, ou seja, há menos de uma geração. E desde 2000 o número de pessoas com autorização de residência cresceu em flecha, fazendo com que a percentagem do número de nascidos no território seja cada vez menor.
As conversas de café sobre formas de comportamento, diferenças culturais e afins, alongam-se sem nunca chegarem a consensos satisfatórios. Quando enveredo por este tipo de discussão filosófica, particularmente com amigos de etnia chinesa, acabamos sempre por chegar a uma espécie de consenso onde atiramos as culpas para quem vem de fora e aqui chegou há menos tempo. Existem dois grupos visados nesse sacudir de água do capote, o dos imigrantes vindos do interior da China e dos outros países asiáticos, e o dos turistas que entram e saem todos os dias.

A culpa morre solteira

Mas se olharmos com atenção, nem tudo é assim tão linear: quando vamos a uma repartição pública, por exemplo à sede dos Correios de Macau, que fica ali mesmo no centro, vemos os utentes alinhados em filas ordenadas, pacientemente esperando pela sua vez sem tentarem passar à frente de quem quer que seja. Acredito que os utentes dos Correios sejam locais e não visitantes. A maioria dos utentes, que mais não seja pela especificidade do serviço, devem ser mesmo residentes permanentes.
Depois de vermos as pessoas muito ordenadas nos Correios (ou em qualquer outra repartição pública) deparamos com as mesmas pessoas na paragem do autocarro a empurrarem-se e a passarem à frente de tudo e de todos para entrarem dentro do transporte público. Este comportamento que muitas vezes gostamos de apontar como sendo praticado essencialmente por chineses vindos do continente é deplorável.
Não quero estar aqui a defender os que chegaram há mais ou menos tempo a Macau. A verdade é que a falta de educação não escolhe proveniência. Por experiencia própria posso afirmar que já vi nascidos em Macau a praticar os maiores actos de falta de civismo e já vi pessoas que se mudaram há bem pouco tempo para Macau, vindos do interior da China ou de outro país asiático (com níveis e desenvolvimento mais baixos do que os de Macau) a darem exemplos de civismo e de bom comportamento social.
Já o meu avô dizia, a educação, assim como o conhecimento, não ocupa lugar e fica bem a todo a gente. É tudo uma questão de educação. E, como se sabe, a educação não vem com rótulos mas pode ser ensinada, se bem divulgada. Se houver campanhas sérias e compreensão, mas também fiscalização a sério, as pessoas acabam por «aprender».
O que não vale a pena é andar a gastar milhões na promoção de leis e a ditar «bitaites» de educação cívica, se a fiscalização não for eficiente. Existem Leis e Regulamentos em Macau que são mais do que suficientes para «educar» a população residente e não residente. O que faz falta é que sejam aplicados com seriedade – quando digo seriedade, digo rigidez de forma contínua. Quem é apanhado a prevaricar deve ser punido e assunto arrumado. Isto, claro, daria para muita discussão e, como tudo, nunca poderá ser tão linear.
A complexidade do problema é enorme e de difícil solução, mas se começarem, a sério, pelas escolas, pode ser que daqui a dez ou vinte anos tenhamos uma geração mais educada.
Para quem vem de fora apliquem os diplomas em vigor e não os deixem ir embora sem regularizar a situação.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Vamos americanizar os nomes

O HÁBITO de mudar a nomenclatura dos edifícios e dos locais em Macau foi um dos episódios mais caricatos que marcaram o pós-colonialismo português (como muitos lhe chamaram). Agora, passados mais de dez anos, ameaça vir a tornar-se novamente hábito; desta vez, porém, com outros contornos.
Os finais de 1999 e os primeiros anos do segundo milénio viram nascer um movimento que, de um dia para o outro, viu o Palácio da Praia Grande passar a chamar-se Sede do Governo da RAEM, o Palacete de Santa Sancha passar a Residência do Chefe do Executivo (ou Sala de Recepções da RAEM), o Edifício do Leal Senado a Edifício do IACM, além de muitos outros exemplos. Felizmente, alguns voltaram à denominação original, devido a terem sido incluídos na lista de Património Mundial. No entanto, muitos outros continuam a usar os novos nomes, como que envergonhados do passado que carregam sobre os ombros e que, quer algumas almas iluminadas queiram ou não, traz a Macau milhares de turistas, desejosos de apreciar a diferença cultural, de raiz portuguesa. Se fosse para verem aspectos de cultura chinesa, certamente que o fariam melhor no «continente» e com muito mais opções. A diferença em Macau, é mesmo pelo facto de ser Macau, como divulga a Direcção dos Serviços de Turismo por todo o lado.
Mais recentemente, apareceu uma nova vaga de mudança de nomes oficiais; mas, desta feita, de carácter privado e fomentada pelo investimento estrangeiro no sector do Jogo. Especialmente quando abordamos nomes em língua inglesa, visto que a obrigação de haver denominação em português visível deixou de ser tida em conta. Quando vamos fazer o registo de uma empresa, é-nos dito que há a obrigação de a denominar nas duas línguas oficiais, quando queremos usar também um nome em inglês, como explicaram num cartório de registo comercial.
Voltando ao tema que me leva a escrever esta coluna, o COTAI, mais concretamente, a Estrada do Istmo, passou a chamar-se «COTAI Strip» e à zona do aterro de Seac Pai Van agora chama-se «COTAI South».
Foi precisamente este último que mais me chamou à atenção, visto ser, pelo que sei, o mais recente e porque a nova denominação não corresponde à verdade, já que a zona onde se insere nem sequer faz parte do COTAI (oficialmente, COTAI significa Zona de Aterros entre Coloane e Taipa, sendo a denominação um «portmanteau» nascido destes dois nomes próprios). Trata-se de parte da ilha de Coloane, junto do Parque Natural de Seac Pai Van, e que fora aterrada na década de oitenta do século passado, quando ainda existia o istmo que ligava as duas ilhas e que, segundo se lembram muitos dos que aqui vivem há mais tempo, ficava intransitável em épocas de chuvas mais intensas.
Aliás, naquela zona havia, ou ainda há, um parque industrial cujo nome é «Concórdia» e que era gerido por uma empresa de capitais públicos denominada Sociedade de Desenvolvimento do Parque Industrial da Concórdia.
Se não passaram por esta zona nos últimos dias, aconselho a que o façam, de carro ou autocarro e vejam com os próprios olhos o que se passa, porque está à vista de todos.
Lembro-me de que, quando cheguei a Macau, a ilha de Coloane era apelidada de «pulmão verde de Macau» e que o Governo se manifestava empenhado em que assim ficasse. Foram várias as vezes que «patos bravos» tentaram, por diversas vias, mudar o rumo do Governo e obter autorização de construção em grande escala. Tal nunca fora conseguido, tirando o caso dos prédios na praia de Hac Sá, mantendo a ilha como o único refúgio verde do território, a par da Colina da Guia. Infelizmente – e digo-o com muita mágoa – essa opção e firmeza do Governo parece estar a ceder ao jogo dos interesses, ou seja, dos empresários da construção.
Os «patos bravos», como referia um articulista de Hong Kong recentemente, em Macau têm muito poder e conseguem sempre o que querem.
Afinal, Coloane vai ter construção em altura e a dar o (mau) exemplo, por vergonhoso que seja, é mesmo o Governo! Na zona da pedreira, logo à entrada da ilha, segundo consta, vai nascer um complexo de habitação social!
E no «COTAI South» vai nascer um empreendimento de luxo. Ele está anunciado e até é promovido no próprio local!

domingo, 4 de abril de 2010

Passividade da DSSOPT

SE me pedissem para eleger a situação que em Macau mais me envergonha ou me deixa perplexo, certamente que elegeria as construções ilegais. O território, ou melhor, os seus telhados, estão cheios delas. Macau cada vez mais se parece com um bairro de lata!
Passamos dias e dias sem nos apercebermos da sua existência. Muitos dos que nos visitam também não as notam porque o território está feito de tal forma que as pessoas raramente olham para cima. Existe algo que nos força a olharmos para a frente ou para o chão e raramente perdemos uns segundos a olhar para o céu. A verdade é que há poucos atractivos que o justifiquem. Se exceptuarmos alguns edifícios que merecem ser apreciados na sua plenitude, pouco mais há para ver acima da cota dos cinco ou dez metros.
Eu vivo num quarto andar na zona histórica de Macau, mesmo nas traseiras da Fortaleza do Monte. Um edifício que data de há cerca de 20 anos, ou pouco menos. No entanto, a zona envolvente com inúmeras construções ilegais fazem acreditar que o bairro data de há mais de um século e, a cada dia que passa, mais parece um bairro de lata.
As queixas à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) de nada servem porque não se vê resultado nenhum do seguimento das mesmas, deixando a impressão que nada é feito. A polícia nem sequer se digna dar acompanhamento ao problema porque, segundo dizem, não lhes compete, atirando a responsabilidade para a entidade anterior.
O prédio em frente ao meu (isto serve apenas de exemplo porque, infelizmente, se repete telhado sim, telhado sim), que já conta com um último andar (anteriormente o terraço) ilegal, foi recentemente alvo de nova intervenção. Ainda não contentes por terem ocupado mais de 50% do terraço do edifício, decidiram cobrir a restante (área comum que deve ser do uso de todos os proprietários do edifício) como se de um anexo da outra se tratasse.
As fotos que vos deixo, que foram tiradas ao longo de vários dias, chegam para ilustrar o que se arrastou aos olhos de todos. Claro, como ninguém olha para cima, estas situações continuam impunes e sem que as autoridades se preocupem.
No prédio ao lado deste existe pelo menos um andar completo todo ilegal. E por cima desse apêndice, já de si fora-da-lei, foi ainda construído um solário «particular»! O peso de tudo isto é tal que, na estrutura exterior do rés-do-chão se viram obrigados a aplicar umas peças metálicas para ajudar a suportar o esforço e abrandar a abertura das fendas nas paredes. Imaginem o que poderá dali advir num qualquer dia azarado.
No meu edifício, os proprietários do quinto (último) andar, decidiram que o terraço era deles, pelo que simplesmente o fecharam e construíram o que bem quiseram sem dar nenhuma satisfação aos restantes vizinhos! Interrogados sobre o assunto, dizem não querer saber. Alguns aconselharam mesmo quem se queixava para apresentarem queixa às autoridades, sabendo que nada se iria resolver!
É esta a passividade que temos de enfrentar em Macau. Mas, imaginemos que acontece um incidente semelhante ao que aconteceu em Hong Kong recentemente. Será que é necessário esperar que haja a queda de um edifício, causando vítimas mortais, para que as autoridades se metam em campo e obriguem os transgressores a repor a legalidade?
De tempos a tempos vemos notícias promovendo as actividades de fiscalização. No entanto, pergunto: Já alguém viu alguma construção ilegal vir abaixo? Em mais de 13 anos, nunca vi nada de semelhante…

segunda-feira, 29 de março de 2010

Vem parque de autocarros

Afinal as promessas do Instituto Cultural da RAEM não passaram de palavras ocas. Ainda há dias diziam que iriam ouvir as opiniões da população e estudar melhor o assunto relativo à demolição das vivendas dos anos sessenta por detrás das Ruínas de São Paulo e, ao passar por ali hoje à tarde, deparei com o facto consumado! De que valeu a indignação de grande parte da população de Macau quando foi anunciado que o património iria ser demolido para ali serem feitas escavações arqueológicas e depois, para espanto de todos, ser construído um parque de estacionamento para os autocarros de turismo.
Eu sugeria ainda mais ao Governo, porque não construir um silo nas traseiras das ruínas, afinal entre a fachada e a cripta existe um espaço vazio!

Sinceramente, para quê andar a mandar areia para os olhos de quem aqui vivi se a decisão estava já tomada e a adjudicação feita?
Bom, esperemos agora os resultados das escavações… Cá para mim, e como é conveniente para alguns, não se vai encontrar nada de relevante. Pois assim fica aberto o caminho para o dito parque de estacionamento que os residentes pedem!
Acredito ser pouco credível que os residentes da zona tenham pedido um parque de estacionamento naquele local, ainda para mais que o parque não se destina a automóveis ligeiros mas sim a autocarros de turismo!

sábado, 27 de março de 2010

Macau e Milão são diferentes?

A NOSSA terra parece, aos olhos de quem a olha de fora, que não se preocupa com a herança cultural. Isto foi-me já dito vezes sem conta e pelas mais variadas pessoas. Quero acreditar, sinceramente, que não é verdade. Mas olhando para o que vamos vendo com o passar dos anos, cada vez me convenço mais que os de fora têm mais objectividade do que nós que aqui vivemos. No dia-a-dia parece que vamos atirando areia para os olhos e, pouco a pouco, vamos deixando que o património vá dando lugar à modernidade.
O evoluir dos tempos não é negativo. Pelo contrário, progressos tecnológicos e novas mentalidades criadas com o passar dos anos, são sempre bem-vindos. No entanto, quando isso começa a destruir aquilo que os nossos antepassados nos deixaram, algo estará errado, porque um povo que não respeita o seu passado nunca poderá ter um futuro risonho. A história conta-nos isso muitas vezes, pelo que todos temos a obrigação de fazer com que tal não aconteça.
Em Macau, com o passar dos anos, muito do património foi desaparecendo, sendo poucos os exemplos de locais que foram preservados, em detrimento do desenvolvimento económico. O exemplo mais recente é o dos edifícios militares da zona de Mong Há, que o Governo decidiu demolir, apesar dos protestos de indignação vindos de vários sectores da sociedade, com mais conhecimentos sobre o assunto que os próprios especialistas que decidiram pela sua demolição. Arquitectos, membros de associações de preservação do património e outros especialistas fizeram ouvir as suas vozes, mas de nada serviu.
Outro dos exemplos recentes é o da anunciada demolição do bairro comunitário no Fai Chi Kei, uma obra arquitectónica de estilo único no território, premiada internacionalmente e que os «especialistas» do Governo decidiram que tinha de ir abaixo para dar lugar a um novo empreendimento (de habitação social também). A decisão sobre este caso parece estar tomada e nada leva a crer que possa mudar. Eu diria, decisão «à Macau» e que ninguém se aventura a pretender alterar. Houvesse nesta terra um movimento cívico forte, como acontece em Hong Kong ou em muitos países europeus, e ver-se-ia se a decisão iria para a frente!
Está na calha mais uma dessas decisões. E isto, mesmo apesar do presidente do departamento que trata dos assuntos culturais desta terra ter dito que, por ele, a decisão seria alterada e os edifícios preservados. Afinal, quem manda?
Primeiro, Guilherme Ung Vai Meng veio a público dizer que, como homem da cultura e das artes, não concordava com a demolição das «casas dos funcionários públicos» junto da entrada da Fortaleza do Monte. Depois, deu o dito por não dito e já não se opõe a que tal aconteça, mas na condição de aquele projecto ser incluído no plano geral de revitalização da zona. Acontece que, e como é do conhecimento público, a decisão parece ter vindo a ser forjada desde 2003. Agora, após um grupo de membros da sociedade ter sugerido a construção de um parque de estacionamento na zona, o Governo anunciou a sua demolição. Um anúncio feito, – pelo que é público, – sem ter sido precedido de qualquer estudo. Apenas planeado para dar resposta ao requisito daqueles cidadãos. Quem são eles? Isso ninguém diz, mesmo que a população da zona diga que não quer ali nenhum parque de estacionamento. A resposta, ao que se sabe, deverá ser, contudo, do conhecimento de quem tomou a decisão! Pelo que se vê, este é mais um exemplo evidente onde o que está em causa é a lei do mais forte a levar sempre a melhor. É caso para perguntar: Até quando, em Macau, estará em vigor este tipo de decisões, que ignora a voz e o direito dos mais fracos?
Havia um problema que impedia a concretização do plano, isto é, o facto de o terreno ser privado! Isso foi resolvido em 2008, tendo as negociações com o Montepio sido concluídas com a troca de direitos de construção de um terreno na Rua de São Tiago da Barra (publicado no Boletim Oficial em Novembro de 2008).
Na verdade, aquilo que me preocupa é o facto de estar mais do que anunciada a construção de um parque de estacionamento naquele local! Destruir construções únicas em Macau, em zona histórica, para depois ali instalar um parque de estacionamento que só vai fazer com que mais veículos acedam à zona? Creio, do ponto de vista de cidadão, que isso só revela falta de bom senso.
Em qualquer cidade turística, com as mesmas características de Macau (Milão ou Coimbra, por exemplo) a norma é deixar os carros fora dos centros históricos e «obrigar» os turistas a andar a pé. Em Macau, apesar da sua pequenez e do traçado estreito das suas vias e das dificuldades do trânsito automóvel cada vez mais denso e caótico, tudo parece ser deixado ao capricho dos patrões das agências de viagens que, olhando apenas para os seus interesses, querem levar os turistas «ao colo» até ao interior dos monumentos!
Demolir os prédios para fazer escavações, até posso concordar; agora, depois destas terminadas, pretender ali fazer um estacionamento? Não, obrigado!
Afinal, para que foi feito o parque de estacionamento no Tap Seac (aliás, o maior parque de autocarros em Macau)? Proporcionem aos turistas o andar a pé, pois além de assim fazerem exercício, os autocarros deixarão de poluir o centro urbano e de congestionar o trânsito. E mais: até os comerciantes que têm estabelecimentos nas ruas entre o estacionamento e as zonas históricas agradecerão, ao ver os seus rendimentos aumentar com os turistas que vão passando à porta. Porque não pensar nisto a sério, no interesse da própria cidade e de todos os cidadãos?
Quando vou a qualquer cidade com centro histórico, se o quero visitar, tenho de andar a pé cerca de 30 minutos. Porque é que em Macau tem de ser diferente?

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ilha desapareceu

Durante quase 30 anos, a Índia e o Bangladeche argumentaram sobre o controle de uma minúscula ilha na Baía de Bengala. Agora a subida do nível das águas terá resolvido o litígio. New Moore Island foi totalmente submersa, confirmou Sugata Hazra oceanógrafo, professor da Universidade Jadavpur, em Calcutá. O desaparecimento foi confirmado por imagens de satélite e patrulhas marítimas.
"O que os dois países não conseguiram resolver com anos de conversações, foi resolvido pelo aquecimento global", enfatizou Sugata Hazra. Cientistas da Escola de Estudos Oceanográficos da Universidade têm notado um aumento alarmante do ritmo de subida do nível do mar ao longo da última década na Baía de Bengala. Até 2000, o nível do mar subiu cerca de 3 milímetros por ano, mas durante a última década têm vindo a aumentar cerca de 5 milímetros anualmente, afirmou o especialista.
Outra ilha próxima, Lohachara, ficou submersa em 1996, obrigando seus habitantes a deslocar-se para o continente, enquanto quase metade da superfície da ilha de Ghoramara está também já debaixo de água. Pelo menos dez outras ilhas da região estão em risco. O Bangladeche, com 150 milhões de habitantes, é um dos países mais afectados pelo aquecimento global. As autoridades estimam que 18 por cento da área costeira do país será engolida pelas águas e 20 milhões de pessoas serão deslocadas, se o nível do mar subir 1 metro até 2050, como previsto por alguns modelos climáticos.
A Índia e o Bangladeche reclamam a soberania de New Moore Island, uma ilha com cerca de 3,5 km de comprimento e 3 km de largura. As autoridades do Bangladeste chama-lhe South Talpatti Island. Não existia nenhuma estrutura permanente na ilha, mas, em 1981 a Índia enviou alguns soldados para o local, tendo içado a bandeira nacional.
Leiam toda a notícia no YahooNews

terça-feira, 23 de março de 2010

China try to rule where it has no power!


I don't understand China... they are the first one's saying that NO one have the right to interfere in the internal affairs of the country (or any country or company)... why they try to change Google's policy?
Google's example is a good one to show China that, after all, they can't do whatever they want. Google cannot work in China without censoring the content but... if in Taiwan or Hong Kong, China have to shut their mouth... :)


Novas receitas... comentem e experimentem...

A Cozinha da NaE tem mais umas receitas de deixar agua na boca… A mais recente, de uma sopa de coco com massa, à moda do Norte, é de morrer por mais… Não será das mais fáceis, nem terá os condimentos mais fáceis de encontrar no estrangeiro, mas vale a pena tentar mesmo que tenham de fazer algumas adaptações. O essencial é mesmo o sabor do coco da sopa e isso resolve-se com leite de coco em lata que se encontra em qualquer supermercado.Outra receita, essa fácil de fazer e que deixará muita gente espantada com a semelhança com um prato caseiro português, é a “Sopa da Mãe”. Experimentem e vejam como diferentes temperos e especiarias acabam por dar o mesmo sabor a que estão acostumados a milhares de quilómetros de distância!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Paredes sujas e falta de locais para exercício

AO andar por Macau é fácil encontrar, em vários locais, anúncios e outros papéis afixados em paredes e muros indiscriminadamente. Esta prática, banida em grande parte das cidades civilizadas, continua na RAEM sem que ninguém faça nada para lhe meter cobro. Era norma, antes de 1999, os edifícios governamentais terem uma placa onde se podia ler «Proibido afixar anúncios». Placa que, só por si, e em conjunto com o facto de se tratar de um edifício do Governo, servia de intimidação a quem afixa esse tipo de lixo.
Quando era miúdo, ainda a viver em casa dos meus pais, lembro-me de ter um amigo de escola cujos pais eram proprietários de uma discoteca. Algo que na altura começava a estar em voga junto da juventude. Era usual, nas épocas festivas, haver sessões especiais nas matinés, ou nas noites de sexta e sábado. E, para que se assegurasse uma casa cheia nesses eventos especiais, era necessário proceder à sua divulgação. Sendo a discoteca em causa uma pequena empresa e as disponibilidades financeiras serem limitadas, cabia à ajuda dos amigos fazer o papel de coladores de cartazes nas cidades vizinhas. O raio de acção atingia cerca de 50 quilómetros, o que abrangia, pelo menos três grandes cidades portuguesas.
Nas noites de colagem de cartazes, – o que era sempre de grande importância porque nos fazia sentir mais «crescidos», – havia sempre um «briefing» onde o «chefe de brigada», normalmente mais velho, tinha sempre o cuidado de alertar para não se colarem cartazes onde fosse proibido. Não obstante, algumas vezes acontecia, por ser noite e os locais serem escuros, serem colados cartazes em paredes onde estava explicitamente proibida tal actividade. Quando tal acontecia, regra geral, seguia-se um telefonema para os proprietários da discoteca, exigindo que retirassem o que colaram e que deixassem a parede nas condições iniciais. Isto, para nós, significava mais uma noite de escova na mão a retirar papéis e colas das paredes! Caso tal não fosse feito, como aconteceu algumas vezes porque chegávamos ao local e a polícia já lá estava, havia lugar a uma multa ao proprietário do estabelecimento por afixação ilegal de material de propaganda e uma valente «ensaboadela» aos coladores!
Na sua maioria estes cartazes têm contactos telefónicos, ou o seu proprietário está explicitamente identificado, pelo que a responsabilidade será fácil de apurar. Falta vontade de quem tem autoridade para o fazer. Entretanto, a nossa cidade continua suja, porca e imunda.

Zona da Fortaleza sem locais de exercício

Para quando uma zona de exercício para os moradores que vivem junto da Fortaleza do Monte? Nos últimos anos temos visto zonas de exercício nascer em tudo quanto é lado. Em quase todos os jardins, se não mesmo em todos, foram instalados aparelhos de apoio ao exercício físico. No entanto, uma das zonas nobres da cidade, a zona junto da Fortaleza do Monte e num raio superior a mil metros, não existe uma única área com estes equipamentos para que a população que ali vive possa fazer exercício. Não se conhecem as razões, mas a falta de espaço não será uma delas. Pelo menos na zona envolvente da Fortaleza, onde existe um jardim em toda a volta, há imenso espaço que pode ser usado para o efeito. Os residentes iriam certamente aplaudir a medida. Diariamente, de manhã e ao fim do dia, são centenas os moradores da área que ali se deslocam para fazer exercício, mas apenas caminhar ou a correr, sem outra opção para exercitar o corpo. Esta área foi, há já algum tempo, citada por deputados na Assembleia Legislativa devido à falta de instalações de apoio e do lixo que se acumulava no chão. O problema, pelo que constatei, continua sem ser resolvido na totalidade.
Caso não queiram instalar os ditos aparelhos na dita zona, há outros locais onde tal pode ser feito. Na parte traseira da fortaleza, no Caminho dos Artilheiros, há um terreno livre privado que, se houver vontade política e boa vontade por parte do proprietário, poderá ser arrendado para ali construir um pequeno jardim com equipamentos para exercício. Há também um terreno similar a meio da Calçada do Monte, um local que está vedado há anos e onde proliferam todo o tipo de ratos e outras pestes que contribuem para a insalubridade daquela zona. Daí que uma intervenção do Governo seria uma boa forma de resolver dois problemas de uma vez só. Outro local, embora mais pequeno, situa-se na Rua de Santa Filomena, por detrás do depósito do lixo, onde caberão três ou quatro equipamentos que seriam, sem dúvida, de bom uso para quem ali vive.
Reconheço que é complicado para o Governo ter uma percepção global das necessidades da população. Por isso, cabe a todos nós lançar alertas e ideias para aquilo que consideremos ser mais premente.
Estou em crer que os governantes acolherão de bom agrado as nossas sugestões. Afinal, trata-se de um dever cívico de todos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

PSP obriga ao pagamento de multas

SERÁ possível ser obrigado a pagar multas de estacionamento quando as únicas pessoas que podem conduzir o veículo autuado estão fora de Macau? Aparentemente, a Polícia de Segurança Pública (PSP) diz que sim e nada se pode fazer para os convencer do contrário.
O caso que vou relatar tem vindo a arrastar-se desde Dezembro de 2009. Algum tempo depois de regressar de férias, no passado mês de Janeiro, um residente preparou-se para ir pagar o Imposto de Circulação (IC). No entanto, ficou a saber que agora não é possível fazê-lo, caso o veículo em questão tenha multas por saldar, uma medida que muito se aplaude e que evita que se acumulem milhares de patacas em multas por pagar.
Ao ver vedado o acesso ao pagamento do IA num dos bancos locais, a pessoa foi averiguar a situação, tendo detectado que o veículo tinha duas multas por pagar. Ou melhor, duas infracções administrativas, uma datada de 6 de Dezembro e outra de 15 do mesmo mês.
Para que se perceba melhor, torna-se necessário dizer que as únicas pessoas com acesso ao veículo (que tinham chave para o abrir) estiveram fora do território, tendo o automóvel ficado estacionado durante todo o tempo no mesmo local. O casal tinha deixado Macau, pelo aeroporto internacional, no dia 4 de Dezembro, em companhia de familiares que acabavam de visitar Macau e apenas regressaram, via Terminal Marítimo do Porto Exterior, no dia 18 do mesmo mês. Pelo que, olhando para os registos de saída e entrada dos Serviços de Migração (4 e 18 de Dezembro), se pode ver que nos dias em que as multas foram aplicadas (6 e 15 de Dezembro) estavam ausentes de Macau.
O carro, quando chegaram, estava estacionado, pelo que, se alguém o utilizou indevidamente teve a gentileza de o estacionar no exacto mesmo local e com o mesmo combustível com que ficou antes de se ausentarem!
A justificação foi apresentada à polícia, da primeira vez através do seu serviço de correio electrónico, tendo sido enviada uma carta datada de 2 de Fevereiro e assinada pelo comandante, informando que não via a PSP, e passo a citar: «Verifica-se que as características da viatura autuada são idênticas às do veículo de V.Exa., pelo que não vê esta Polícia qualquer acção incorrecta por parte do agente autuante». Adiantando ainda mais que só resta ao proprietário dirigir-se ao Departamento de Trânsito para pagar as multas. Nem uma pequena referência ao facto de haver o direito de reclamar!
Da segunda queixa, feita no Departamento de Trânsito e por escrito, chegou a resposta já em Março (no envelope consta a data de 4 de Março, na notificação em língua portuguesa não consta qualquer data de emissão, apenas na versão chinesa!) e o conteúdo era, por outras palavras, o mesmo. Se bem que desta vez informam da possibilidade de reclamação, recurso superior ou aos tribunais.
No entanto, a data e o arrastar do processo não deixava grandes opções ao multado. Tendo a data limite para pagar o IA (final de Março) muito próxima, a opção do recurso tornava-se pouco viável porque, como se sabe, o não pagamento do imposto atempado faz com que o mesmo fique muito mais caro.
Perante esta situação, pergunto o seguinte: Não estando o proprietário, ou quem tem acesso ao veículo, em Macau na altura das infracções, que legitimidade tem a autoridade policial para obrigar o cidadão a pagar uma multa por uma transgressão que não cometeu?
O automóvel poderia, compreensivelmente, ter sido furtado. Mas, raramente, tanto quanto sei, quem o furta o volta a entregar no mesmo local e nas mesmas condições!
Como referi anteriormente, o que está aqui em causa não são as multas em si, mas sim o ter de as pagar devido à obrigatoriedade de regularizar o Imposto de Circulação. Aliás, o valor das multas em questão ascende a pouco mais de 600 patacas. Os «timings» da autoridade são bastante apertados, não deixando grandes opções a quem se vê obrigado a pagar um imposto.
Assim, julgo ser de criticar, primeiro, a inflexibilidade da polícia e a sua postura perante o cidadão. A autoridade existe para manter a ordem pública e não para impor a sua vontade. E, – tanto quanto sei, – em Macau qualquer pessoa é considerada inocente, até prova em contrário. Neste caso, pelo que deduzo, parece que está a funcionar ao contrário, tendo o cidadão de provar que é inocente. Tudo o que se pede é que a autoridade mostre provas concretas de que era mesmo o veículo em questão e, se tal fizer, que justifique como pode o veículo estar em dois locais, quando os seus proprietários estão ausentes. Se foi usado por terceiros, trata-se de uso indevido de propriedade privada.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Quem era Irena Sendler?

Uma senhora de 98 anos chamada Irena faleceu a 12 de Maio de 2008.
Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.
Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos nazis relativamente aos judeus (sendo alemã!).
Irena trazia meninos escondidos no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de serapilheira, na parte de trás da sua camioneta (para crianças de maior tamanho). Também levava na parte de trás da camioneta, um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do Gueto.
Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer. Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças.
Por fim os nazis apanharam-na e partiram-lhe ambas as pernas e os braços e prenderam-na brutalmente.
Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim. Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a família A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adoptivos.
No ano passado foi proposta para receber o Prémio Nobel da Paz... mas não foi seleccionada. Quem o recebeu foi Al Gore por uns diapositivos sobre o Aquecimento Global.
Não permitamos que alguma vez, esta Senhora seja esquecida!

In MEMORIAM - 63 YEARS LATER

In Memoriam - 63 anos depois

Por favor, leia atentamente o cartoon mostrado abaixo.

ESTÁ TRADUZIDO MAiS ABAIXO

Tradução do cartoon:

Menina: Tenho que lhe dizer uma coisa, senhor... Tem no seu braço uma tatuagem sem graça nenhuma. É só um monte de números.
Senhor: Bem, teria a tua idade quando me a fizeram. Mantenho-a como uma recordação.
Menina: Oh! ... Uma recordação de dias mais felizes?
Senhor: Não, de um tempo em que o mundo ficou louco. "Imagina-te a ti mesma num país em que os teus compatriotas seguem a voz de um político extremista que não gostava da tua religião. Imagina que te tiravam tudo, que enviava toda a tua família para um campo de concentração, para trabalhar como escravos, e ser assassinados sistematicamente Nesse sítio tiravam-te até o teu nome para ser substituído por um número tatuado no teu braço. Chamou-se a isso “O Holocausto”, quando milhões de pessoas foram mortas só pelas suas crenças religiosas..."
Menina: Então tu usas essa tatuagem para recordares o perigo das políticas extremistas!
Senhor: Não, querida. É para que tu o recordes.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Duarte na Livraria Portuguesa

Novo disco do Duarte (Aquelas coisas da gente) já está disponível em Macau. Composto por 13 músicas, algumas da autoria do próprio cantor e outras em parceria, está na Livraria Portuguesa, ali na “Rua das Mariazinhas”, por 200 Patacas. O número de exemplares é limitado.
Neste alinhamento é possível encontrar fados como o Mistérios de Lisboa ou Évora Doce ou ainda uma música cantada em colaboração com um músico grego.
Duarte está anunciado, mas não confirmado oficialmente, como presença em Macau nos festejos do 10 de Junho. A notícia vinha há dias na imprensa portuguesa local mas, até agora, nem o Consulado, nem a Casa de Portugal, nem mesmo a Fundação Oriente, confirmaram a sua vinda para o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Seria bom que, a confirmar-se, fosse também aproveitada a ocasião para fazer actuações noutros pontos da Ásia, nomeadamente em Banguecoque, visto que dentro em breve Portugal e o Reino da Tailândia estarão a comemorar 500 anos de relações diplomáticas.

terça-feira, 9 de março de 2010

Nae's Kitchen - A Cozinha da NaE - Comida Tailandesa

Passado o fim-de-semana, a NaE voltou a publicar algumas receitas. Ou melhor, uma receita e uma explicação sobre ingredientes (neste caso o Gengibre). Para ler e experimentar. Em breve irá haver novidades...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Culpa dos políticos que permitiram alterar a lei

NOS últimos tempos, temos lido alguns artigos sobre o uso da língua portuguesa em Macau e sobre a forma como esta, apesar de considerada também língua oficial da RAEM, está a ser tratada. Se bem me lembro, a questão foi levantada, a nível oficial, por uma queixa dos Conselheiros das Comunidades Portuguesas à Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, em que se abordavam os erros, gralhas e faltas no uso de tal língua pelas escolas luso-chinesas de Macau. A DSEJ reconheceu o facto e prometeu, em nota oficial, rectificar todos os casos detectados. Os resultados ainda não são conhecidos, mas promessas são promessas… Esperemos que as autoridades façam o que prometem.
Os conselheiros afirmavam, – e ilustraram com variadas fotos, – que o português é maltratado e, muitas vezes, ignorado em vários estabelecimentos de ensino que, pelo menos a julgar pelo nome, têm obrigação de fazer bom uso das duas línguas oficiais.
A verdade é que em Macau, antes de 1999 – e pior depois desta data, – o uso do português a nível oficial é deplorável. Por muito que funcionários se esforcem para que o nível de Português, na área do Governo, seja aceitável, outros há que fazem tábua rasa das recomendações de quem tem mais conhecimentos.
A título de exemplo, – e como ilustrativo da falta de zelo, – veja-se o despacho do Tribunal enviado para Portugal a respeito do caso do empresário que a justiça de Macau quer julgar. As autoridades de Portugal pediram informações sobre as acusações que recaem sobre Pedro Chiang e as mesmas foram enviadas, a tempo e horas, mas em Chinês (segundo uma notícia publicada na Imprensa recentemente)! Este pequeno caso deixa depreender o empenho e seriedade das autoridades! Sabendo-se que o pedido vem de um país de língua portuguesa – aliás um pedido que vinha ao encontro das reivindicações da Região Administrativa Especial de Macau que está a julgar o suspeito e que o quer extraditado – enviam a informação em Chinês, quando, por lei, ela deve também estar em Português! Que mais não seja porque o arguido e o seu representante legal têm nacionalidade portuguesa e as informações eram para ser enviadas para Portugal.
Este caso leva-me a pensar em muitos exemplos de documentos vindos do exterior para tratar de formalidades em Macau e que os serviços locais exigem que sejam emitidos numa das línguas locais, ou pelo menos em inglês, e reconhecidos notarialmente. Se tais serviços exigem quando são eles a receber, por qual razão não aplicam essa exigência quando passam ao papel de emissores?
Os exemplos são muitos e, infelizmente, frequentes. Faz já parte do imaginário de todos as hilariantes gralhas que se podem ver por todo o lado na cidade. Fazem mesmo parte de muitos dos postais turísticos! Acentuam a bizarria do território!

Habituámo-nos a rir destas situações, mas há alguns casos em que apetece tudo, menos rir.
Ainda recentemente foi relatado um caso, também na Imprensa de língua portuguesa, de um telefonema para a linha de emergência da Polícia de Segurança Pública, com um pedido de ajuda urgente, que ficou em espera, sem que nunca a assistência da Polícia tenha chegado. Felizmente, o caso não se revelou fatal, mas, caso o tivesse sido, teria a PSP chegado à frente e assumido responsabilidades por não ter ninguém capaz de responder a um pedido de ajuda em Português? Sinceramente, duvido!
Este exemplo das linhas telefónicas é flagrante. Se quiserem experimentar, – agora mesmo, – basta pegar no telefone e ligar para qualquer serviço de urgência e vejam em que língua são atendidos! Quantas vezes escolhemos o idioma Português nas linhas de atendimento ao público e somos saudados com um fluente Cantonense, para depois a conversa continuar em Inglês!
Quando se pede para falar Português, temos de esperar que encontrem alguém que o consiga fazer. Não tenho estatísticas oficiais, mas por experiência própria, cada dez vezes que peço para ser atendido em Português, oito vezes dizem que me ligam mais tarde, mas destas, pelo menos duas ou três vezes, esquecem-se de ligar… Por sorte nunca me aconteceu ter de o fazer num caso de urgência!
À semelhança de muitos outros países e regiões (como por exemplo Hong Kong e o Canadá) Macau precisa, urgentemente, de uma resolução a nível governamental, de modo a colocar e a considerar as duas línguas num verdadeiro plano de igualdade de tratamento. Não é suficiente sabermos que tal língua consta na Lei Básica, quando se verifica não haver qualquer fiscalização e com outros despachos a retirarem-lhe autoridade.
Para que tal seja uma realidade, é necessário que haja a obrigatoriedade do seu uso e uma fiscalização eficiente, assim como a aplicação de sanções para quem não cumpra. A começar por cima, claro! Pois só assim se pode dar o exemplo e exigir que se cumpra o pedido.

terça-feira, 2 de março de 2010

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Imaginem se a Mossad usa portugueses

Um ex-agente da Mossad veio agora a público dizer que o uso de passaportes australianos falsos é prática recorrente pelos serviços secretos Israelitas! Segundo este ex-espião, é fácil fazer-se passar por Australiano (ou mesmo qualquer outro país anglófono) porque no Médio Oriente o conhecimento sobre estes países, e os seus costumes e pessoas, são muito vagos!www.channelnewsasia.com/stories/afp_world/view/1040104/1/.html
Imaginem se descobrem os passaportes portugueses! Aí sim, seria um paraíso. Se não conhecem os Australianos, que dizer dos Portugueses!
Ainda para mais com a facilidade com que se consegue arranjar um passaporte de Lisboa!

As mal empregadas e a falta de visão legislativa

QUANTOS de nós já nos deparámos com o problema de procurar uma empregada doméstica!? É uma tarefa recorrente para quem fica em Macau por algum tempo. O facto de trabalharmos de manhã à noite não nos deixa tempo para as tarefas de casa. Ou, por outro lado, havendo tempo para tal, falta a vocação para os trabalhos caseiros. Falo por mim, porque cada vez que tento passar uma camisa a ferro acabo por ter de comprar uma nova! Daí, o proliferarem em Macau estas empregadas e empresas que sobrevivem à sua custa.
A lei que regula esta actividade é bem clara. Cada empregada pode trabalhar apenas num único local. «Lei nº 21/2009; Lei da contratação de trabalhadores não residentes; Secção II; Infracções administrativas; Artigo 32º; Infracções; 5. É punido com multa de $5 000,00 (cinco mil patacas) a $10 000,00 (dez mil patacas), sem prejuízo de outras medidas que ao caso couberem, o não residente que: 2) Estando autorizado a permanecer na RAEM na qualidade de trabalhador, preste a sua actividade a empregador diferente daquele para o qual esteja autorizado a trabalhar». As punições para o empregador e «sponsor» são ainda mais significativas.
A questão que se levanta é a seguinte: Se cada empregada pode apenas trabalhar num local, quer dizer que em Macau terá de haver, pelo menos, uma empregada por cada agregado familiar que tal precise! Digamos que sejam 10% da população, o que equivaleria a, mais ou menos, 50 mil empregadas domésticas.
Estes números são completamente irrealistas e facilmente se depreende que não é o que acontece. Isto revela simplesmente que muitos de nós andamos «fora da Lei», pois, como não será difícil compreender, nem todos precisamos de empregadas a tempo inteiro.
A verdade é que a lei assim o determina. Se precisamos ou não, os legisladores não se preocupam. Como sempre, cega e justa, a lei apenas diz que cada empregada só pode trabalhar num único local. Esquece, porém, que as empregadas são também pessoas e, como tal, têm direito à dignidade profissional. Só que, olhando para os padrões dos ordenados, será difícil com 2500 patacas mensais, ou mesmo três mil, se tiverem a sorte do empregador lhes pagar subsídio de residência, conseguir tal dignidade.
Estamos, assim, perante dois dilemas. Por um lado, as empregadas só podem trabalhar num local e recebem um salário que quase não dá para viver; por outro, a maior parte das pessoas em Macau não precisa de uma empregada oito horas por dia (seis dias por semana) em casa!
Este problema arrasta-se há anos, como é do conhecimento geral, mas a lei continua a ignorá-lo, realidade esta que é claramente impossível sustentar. Pelo que, na maioria das vezes, quando contratamos empregada, fazemo-lo à hora, duas ou três horas por dia, duas ou três vezes por semana. Ficando esta empregada (que forçosamente tem de ter um «empregador» a tempo inteiro para que possa ter a devida autorização de trabalho e residência em Macau – vulgo «sponsor») livre para ter mais do que um biscate. Muitas vezes trabalham em duas ou três casas por dia, duas ou três horas por dia, seis dias por semana. Facto que leva a que trabalhem, mais ou menos, o mesmo número de horas de um contrato normal (48 horas semanais), mas recebendo muito mais. Regra geral, recebem uma média de 25 a 30 patacas por hora, ou seja, num mês (duas horas por dia, em três casas diferentes por dia, seis dias por semana), um total que oscila entre 3.600 patacas (mínimo) e 4.320 patacas (máximo). Há algumas que conseguem ainda mais do que isto, caso queiram trabalhar mais horas por dia. Entretanto, o Governo recebe impostos de 2500 patacas mensais. Portanto, sem que ninguém fique a perder (a não ser o Estado, em impostos, porque continua com uma venda nos olhos não querendo ver a realidade), ficam as empregadas com um ordenado digno e satisfeitas as pessoas que precisam dos seus serviços.
Esta realidade sempre existiu em Macau e assim irá continuar. Com efeito, não parece ser possível que o Governo consiga pôr cobro a tal. Na verdade, tal seria um contra-senso, porque a maioria das pessoas que precisam, e podem pagar, os serviços a uma empregada, não têm necessidade do seu serviço a tempo inteiro. Muitas vezes as pessoas precisam apenas de alguém que lhes limpe a casa, prepare a roupa e pouco mais. Isto faz-se em duas ou três horas por dia. E, neste caso, o Governo não pode estar a proibir, ou obrigar, as pessoas de terem acesso a esta comodidade.
Não cabe ao Governo dizer quem precisa ou quem não precisa de ajuda em casa, pois isso é uma decisão pessoal de cada residente. Assim como não cabe ao Governo decidir se preciso de empregada a tempo inteiro ou tempo parcial. Mas, de acordo com a lei actual, o Governo obriga-me a ter uma empregada a tempo inteiro e a pagar-lhe um ordenado de miséria, quando a mesma pessoa poderia estar a trabalhar para duas ou três famílias, aliviando o encargo de cada uma delas, ao mesmo tempo que aumentava o seu rendimento mensal e as contribuições de impostos. E, ao mesmo tempo, diminuiria o número de residentes não permanentes no território.
Uma questão que urge ser repensada! Considero que está na altura do Governo, de uma vez por todas, dar o exemplo e legislar a sério e realisticamente.

Bolo da NaE

A NaE voltou a publicar mais uma receita. Desta vez um bolo de crepe recheado de chantily... acreditem, uma delícia... e que se pode guardar no congelador para ir comendo...

http://naeskitchen.blogspot.com/2010/02/crepe-cake.html

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Nae's Kitchen: แกงส้ม~~Thai Sweet and Sour Prawn Soup (Kaeng som)

Nae's Kitchen: แกงส้ม~~Thai Sweet and Sour Prawn Soup (Kaeng som)

Nae's Kitchen: ไข่ลูกเขย ~~ Kai Look Koie: Son-in-Law Eggs

Nae's Kitchen: ไข่ลูกเขย ~~ Kai Look Koie: Son-in-Law Eggs

Nae's Kitchen: บิสกิตโรล ~~ Biscuit Roll

Nae's Kitchen: บิสกิตโรล ~~ Biscuit Roll

Nae's Kitchen: น้ำมะม่วงผสมแอปเปิ้ลเขียวกับน้ำส้มปั่น ~~ Mango + Green Apple + Orange smoothie

Nae's Kitchen: น้ำมะม่วงผสมแอปเปิ้ลเขียวกับน้ำส้มปั่น ~~ Mango + Green Apple + Orange smoothie

A cozinha da NaE, em TH, EN e PT

A Nae deu início a um novo projecto. Em sequência da sua paixão por comida e pela sua confecção, decidiu compartilhar com todos os amigos as suas receitas de comida Tailandesa e algumas sobremesas internacionais.

As receitas, que tem já escritas em tailandês, são mais de nove dezenas. O trabalho de tradução livre para inglês e português será demorado mas, acreditem, valerá a pena.

Visitem, com regularidade, o seu blog http://naeskitchen.blogspot.com/ para irem acompanhando o que se vai publicando.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

De que serve a Pataca?

HÁ certos hábitos em Macau que, mesmo havendo leis apontando em sentido contrário, os comerciantes continuam a seguir.
O caso das taxas abusivas referentes ao uso do cartão de crédito foi já aqui abordado mais do que uma vez. No entanto, parece que ninguém do Governo (Economia ou Finanças?) se interessa. Quanto ao Conselho dos Consumidores, funcionou (mais ou menos) bem, enquanto por lá andou Alexandre Ho. Depois do seu suicídio (a que terá sido levado, sabe-se lá por quais razões), aquele Conselho deixou de funcionar e apenas serve como receptáculo de queixas que nunca saem das gavetas. Aliás, já antes pouco ou nada podia fazer, visto ser apenas um órgão fiscalizador, sem quaisquer poderes sancionatórios. Por isso, por muito que queiram, se é que o querem, nada farão, por terem as mãos e os pés atados por via das leis que regem esta terra.
Além dos casos dos cartões de crédito, há outro aspecto ligado aos pagamentos que se tornou assunto corrente. Refiro-me ao facto de certas lojas, nomeadamente cadeias internacionais, apenas terem os preços marcados em dólares de Hong Kong. Cito, por exemplo, a sapataria na Almeida Ribeiro, junto da Esprit, que quando confrontados com o facto de terem de exibir o preço em patacas (ou seja, a moeda local), nos informaram que têm ordens dos escritórios de Hong Kong para tal não o fazerem. E, se possível, não aceitar pagamentos em moeda local. Quando tiverem de o fazer, segundo explicaram, usam uma taxa de conversão muito superior aos oficiais 103.3 mop por 100 dólares de HK.
Perante isto, e mesmo havendo uma lei que o proíbe, nada se pode fazer. De facto, se não aceitarmos as regras que nos impõem, temos de deixar o estabelecimento sem o produto pretendido.
Tive conhecimento, aliás, não nesta loja, mas em outra do género, onde um cliente chinês se deu ao trabalho de chamar a polícia para que a letra da Lei fosse aplicada e o agente disse nada poder fazer perante a inflexibilidade do comerciante.
Claro que se pode sempre recorrer à apresentação de queixa a nível dos tribunais, mas, como se compreende, a maioria dos clientes não está disposta a tanto trabalho, porque sabem que à partida pouco se irá resolver. Além de saberem que terão muitos problemas se a tal recorrerem com idas a audições e despesas judiciais.
Cabe ao Governo, seja qual for o departamento responsável, fiscalizar estes assuntos e obrigar a que a Lei seja cumprida.
Há em Macau três moedas correntes, podendo os pagamentos, desde há algum tempo, ser feitos, além da moeda local, também em dólares de Hong Kong e renminbi. No entanto, a Lei é clara quando diz que os preços e as transacções devem ser feitas em moeda local, podendo as outras ser usadas cumulativamente. Pelo que, o uso das duas moedas «estrangeiras» nunca poderá substituir a moeda local. Pode, quanto muito, ser um complemento, ficando à decisão do cliente optar por pagar nessas moedas, caso assim o entenda.
Quanto aos preços afixados, podendo ser mostrados em moeda estrangeira, têm, forçosamente, de também ser apresentados em moeda local, sendo esta a principal moeda a ser exibida.
Antes de terminar e mudar de assunto, gostaria também de referir que este problema do uso dos dólares de Hong Kong, em detrimento da moeda local, se verifica também no maior motor da economia da RAEM. Os casinos, desde sempre (tanto quanto sei) apenas usam no seu interior a moeda da antiga colónia britânica.
Se, – e como parece, – o Governo não se importa com as queixas apresentadas por residentes e turistas, porque não acabar com a pataca e implementar, de uma vez por todas, o uso ou do renminbi ou do dólar de Hong Kong? Assim acabariam muitos problemas!

UMAC fica mal na fotografia!

Não quero deixar passar em branco as declarações do vice-reitor da Universidade de Macau ao jornal Ponto Final, relativamente à resposta à interpelação feita pelos Conselheiros das Comunidades Portuguesas em que abordavam a problemática da falta do uso do Português na página da internet do estabelecimento de ensino. No mesmo artigo refere-se ainda que, na conferência de Imprensa de apresentação das novidades para o novo ano lectivo, apenas os preços foram disponibilizados na «língua de Pessoa». A estas críticas, Rui Martins, personalidade que muito estimo e tenho nos mais altos patamares de consideração no que diz respeito a pergaminhos académicos, sobre esta questão disse que «a língua da internet é o inglês» e torna-se «muito difícil para uma universidade manter um site em três idiomas». Quanto à conferência de Imprensa, defendeu que «deve ser encarado como uma situação pontual».
Podemos acreditar em tudo o que disse o meu caro amigo e digníssimo representante da UMAC, e aceitamos que não seja fácil manobrar entre tantas especificidades de Macau, mas, em minha opinião, situações pontuais numa conferência de Imprensa não são admissíveis e usar três línguas ao mesmo tempo pode ser – e é de certeza ­– difícil, mas não pode ser desculpa para que tal não se faça, tanto mais que há exemplos de quem o faz, mesmo aqui no território. Daí que, se uns conseguem, porque não conseguem todos? Aliás, penso ser esta uma questão de princípio que a UMAC deveria levar a peito, visto ser uma instituição de ensino superior e, como tal, ter o dever de dar o exemplo à sociedade e aos seus alunos.
Que mais não seja, por obrigação moral e basilar de uma instituição que forma futuros líderes, a questão do igual tratamento das duas línguas oficiais deveria ser tratada como um assunto premente e sempre na ordem do dia.
Considero que, neste caso, não possa haver qualquer tipo de desculpa que possa justificar tal acto.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Macau, a Região Autónoma

Gosto de ouvir o nosso Embaixador em Pequim chamar “Região Autónoma” a Macau!!! Graças a Deus que está de malas aviadas para a Austrália!!!
Declarações num programa da Rádio Macau emitido ontem.
Santa ignorância...e é isto o representante de Lisboa nas mais altas instância de Pequim… depois admiram-se que em Portugal não sabem de nada acerca da China… Quando nem sequer sabem que Macau é um Região Administrativa Especial da RPC… Região autónoma temos duas no meio da água!
Para ouvir aqui... para que acreditem...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Lixo nas barbas da PSP

Este monte de lixo pouco falta para estar na porta de entrada da Esquadra Número 1, na Calçada do Gamboa em Macau!
Por muito que possam dizer que não vêm, parece impossível visto que por ali são obrigados a passar, pelo menos uma a duas vezes ao dia... Está aos olhos de todos e há vários dias sem que nada se faça.
Recentemente, vi alguém do IACM a tirar fotografias do local mas ainda nada fora feito.
A responsabilidade de recolha de detritos é da CSR mas como se encontra fora do local de recolha de lixo, esta ignora. Pelo que, mesmo havendo outras autoridades habilitadas a fazer a fiscalização, os polícias deveriam, por uma questão de autoridade e para dar o exemplo, tomar em mãos o assunto. Sendo mesmo à sua porta, só lhes fica mal ignorarem-no...
A Calçada do Gamboa fica em zona de Património da Humanidade, pelo que a urgência é ainda maior porque milhares de turistas passam pela zona.

Serviços de Saúde estão-se nas tintas

O DESCARADO desrespeito pela língua portuguesa nos Serviços de Saúde (SS) continua, sem que ninguém faça nada para o contrariar.
Ainda não há muito tempo, aqui referi um episódio ocorrido no hospital, na especialidade de oftalmologia, que devido a problemas de comunicação acabou por gerar um problema nos olhos de uma paciente. Algo que os SS nunca reconheceram e apenas se dignaram a pedir desculpa por telefone. Como se meras desculpas resolvessem, neste caso, alguma coisa!
Agora, e como já vem sendo hábito há muitos anos, as comunicações em português são postas de parte.
Prestem atenção à documentação referente à vacinação da Gripe A H1N1. Existe documentação em chinês e em inglês; quanto ao português, nada se sabe. Sei que existe, mas não se encontra disponível nos locais onde se pode encontrar a informação nas outras duas línguas. Por vezes, ficamos com a impressão de viver em Hong Kong. Pena é que a qualidade do serviço aqui prestado nem lhe chegue aos calcanhares! Quem nos visita acha estranho e põe em causa o facto de não encontrar informação em português.
Em variados locais do território, nomeadamente nos locais públicos, encontram-se uns panfletos referentes à vacina, à sua função, efeitos e outras informações bastante úteis, Mas, para surpresa minha, nunca encontrei a versão portuguesa nos locais onde se vêem as versões em chinês e inglês. Encontram-se também uns formulários que se devem preencher antes de sermos vacinados e nos quais se informa o pessoal médico sobre vários detalhes que podem ser contraproducentes para quem leva a vacina. Só que, também neste caso, apenas consegui encontrar versões em chinês e inglês, o que, para muitas pessoas nascidas em Macau e aqui residentes há muitas gerações, os torna obsoletos, porque não lêem chinês (mesmo que o falem fluentemente) nem lêem inglês suficientemente bem para entenderem um questionário de carácter clínico.
Perante tal facto, e na esperança de encontrar alguma informação em português, tentei consultar a página do Centro de Coordenação da Língua, que se apresenta como trilingue! Mas, pelo que pude observar, o trilinguismo é só aparente. Ao tentar usar o link (http://www.ssm.gov.mo/h1n1vaccine), que daria acesso directo à página, e passar a copiar o nome tal como aparece no cabeçalho, – «Vacinação da gripe pandémica (H1N1) 2009; Vacina “contra a gripe suína”», – deparo com uma página com título em português e em chinês, mas apenas isso. Tudo o resto constante dessa página informativa estava em chinês, sem qualquer forma de aceder à informação na outra língua oficial da RAEM.
Contactados os SS, através de um tal doutor Leong Iek Hou, do «Unit for Communicable Disease Prevention and Disease Surveillance» (!), fomos informados da existência desses panfletos em português, que nos foram enviados logo via email, mas todo este serviço foi feito numa linguagem algo «ríspida», pouco digna de quem tem por missão informar e ser prestável à sociedade.
A questão que aqui pretendo pôr em claro não é a da existência, ou não, da dita informação – aliás, mal estaríamos se a informação não fosse divulgada em português, – mas sim chamar a atenção para o facto do chinês e do português estarem em pé de igualdade nas leis que nos regem e que tal deve ser respeitado. De resto, um pouco à semelhança de Hong Kong, deveria ser o Governo o primeiro a dar o exemplo e mostrar todo o empenho e zelo em respeitar a Lei. Tal não acontece, neste caso concreto com os SS, que continuamente optam pelo inglês, por facilidade de comunicação. Acontece que o uso e respeito por leis não se coadunam com facilidades. A Lei é para ser cumprida, por muito difícil que seja. E, perante isto, não pode haver lugar para qualquer tipo de desculpa.
Quando dizem que não conseguem encontrar pessoal médico de Portugal para prestar serviço em Macau, só me dá vontade de rir. Das duas uma: ou não procuram, ou estão a atirar-nos areia para os olhos.
Apesar de não ser matéria da minha competência ou responsabilidade, eu próprio conheço, pelo menos, meia dúzia de profissionais da área que estariam disponíveis para vir para Macau! Portanto, não nos venham com «histórias» inventadas, ou de conveniência.
Para quem não saiba, profissionais a falar português podem encontrar-se não só em Portugal, como também no Brasil, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor Leste. A questão, pelo que me parece, tem a ver com a falta de vontade dos responsáveis e não com a dificuldade do recrutamento…

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

DSI rectifica

Apraz-me dizer que, pontualmente, alguns serviços públicos levam as queixas a sério! Recentemente tinha notado que a página da DSI apresentava a língua portuguesa em terceiro lugar. Ao reparo que lhes fiz no dia 1, responderam ontem a agradecer e a dizer que já tinha sido reposta a ordem correcta...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Duarte, Antena 1

DUARTE ao vivo e em directo
Quinta-feira, 04.02.2010 pelas 15:00 horas - Rádio Antena 1 - programa Viva a Música com apresentação de Armando Carvalheda e produção de Ana Sofia Carvalheda.SITE OFICIAL:http://www.duartefadista.com/
MYSPACE:http://www.myspace.com/fadistaduarte

DUARTE live
Thursday, 04.02.2010, around 03:00PM - Antena 1 Radio - Viva a Música radioshow presented by Armando Carvalheda and production by Ana Sofia Carvalheda.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ajudem o Afonso e outras crianças

Amigos, foi diagnosticada leucemia ao filho do piloto de automóveis, português radicado em Macau, André Couto.


www.macaucloser.com/save_afonso.html

Claro que existem, como ele, milhares de pessoas a sofrer de leucemia no mundo.

Para ajudar o Afonso ou outras pessoas na mesma situação basta tornarem-se dadores de medula óssea. Não custa nada, basta dar sangue num centro de dadores para os testes iniciais. A doação, em caso de compatibilidade, pode ser feita por colheita de células estaminais no sangue, sem necessidade de recorrer a cirurgia.

No Brasil, caso pretendam participar, podem encontrar aqui todas as informações úteis.

http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=64

Em Portugal leiam aqui:

http://apcl.staging.sapo.pt/PresentationLayer/ctexto_00.aspx?ctlocalid=13

Se estiverem em Portugal, ou no Brasil, ou se aí forem passar férias, tirem umas horas para ajudar quem precisa.

Os dadores ficam registados numa base de dados internacional e podem salvar uma ou varias vidas em qualquer parte do Mundo.
Agradecemos todos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Um recado à CSR

A NOSSA cidade, aos olhos de quem nos visita, é um local aprazível e limpo. Pelo menos é o que ouço mais frequentemente da boca de amigos que me visitam e ficam impressionados pelo grau de limpeza que a cidade apresenta.
O facto de lhes mostrar uma urbe que consideram limpa deixa-me inquietado porque, apesar de considerar haver outros aspectos de Macau que merecem ser alvo de melhorias, o da limpeza ocupa um lugar de destaque.
A cidade não é suja, se a compararmos com o interior da China, mas, mesmo assim, tem muito onde melhorar. Se a compararmos, por exemplo, com qualquer cidade da Suíça, ou, aqui mais perto, com Singapura… Um dos aspectos que critico seriamente é o facto da Companhia de Sistemas de Resíduos (CSR), responsável pela limpeza, fazer recolhas de lixo durante o dia, quando em todas as grandes cidades mundiais tal serviço é feito durante a noite, para evitar incomodar os cidadãos e causar mais problemas no já caótico trânsito.
Outro dos aspectos que merece ser aqui referido é o da limpeza, ou falta dela, nos locais turísticos, nomeadamente nos locais mais antigos e que são Património Mundial da Humanidade.
Não é a primeira vez que a CSR é acusada de não fazer o serviço que lhe é pago. As desculpas são as de sempre. Falta de acessos, ruas difíceis e impossíveis de aceder pelas vias normais e falta de cooperação dos cidadãos.
Como sabemos, Macau é geminado com diversas cidades no mundo e três delas são portuguesas: Coimbra, Porto e Lisboa. Geminações que vêm dos tempos da administração portuguesa e que se mantiveram e vão dando alguns frutos.
Eu usaria o exemplo de uma cidade que também tem a sua zona histórica inserida no Património Mundial da UNESCO e que apresenta, a nível de fisionomia das suas ruelas, algumas semelhanças com Macau. Trata-se de Coimbra, nomeadamente a zona Alta e a zona da Universidade. Mas podia também ser o Porto. No entanto, como a fotografia que tenho foi tirada na cidade do Mondego, simplifica-se o assunto.
Quem conhece, sabe que a Alta de Coimbra é feita de um emaranhado de ruas e ruelas, muitas delas onde não conseguem passar duas pessoas a par. Semelhante ao que acontece em travessas e becos da zona histórica de Macau. No entanto, em Coimbra não existe lixo porque decidiram começar a usar sistemas mecânicos para limpeza das ruas. Deixaram de parte os varredores que faziam o trabalho há muitos anos e que pouco ou nada limpavam, para começar a usar uns «aspiradores» de rua que limpam, lavam, desinfectam e são operados por apenas um funcionário.
Quando me deparei com este funcionário da empresa municipal responsável pela limpeza das ruas lembrei-me da utilidade que tal mecanismo teria em Macau. Em vez de andarem pessoas de vassoura, a arrastar uns caixotes atados com uma corda que mais parece artefacto do terceiro mundo, seria preferível ter as mesmas pessoas a operar uns equipamentos desta natureza.
Segundo o que consegui apurar junto deste funcionário, o aparelho lava a quente e frio, desinfecta e aspira, havendo ainda outros que oferecem também a opção de transportar água que pode ser usada para rega de plantas.
Levantei a questão do abastecimento dos tanques, ao que o funcionário esclareceu que os detergentes e químicos usados eram mais do que suficientes para cinco horas de trabalho contínuo. Quanto à água, podiam atestar os tanques em qualquer boca de água disponível na rua. Relativamente à energia para fazer o equipamento funcionar era proveniente de uma bateria que tinha autonomia de 12 horas e levava apenas duas horas para carregar, pelo que me explicou.
Fica apenas a questão para a CSR resolver. Será que alguma vez iremos ter em Macau algo semelhante e, de uma vez por todas, ter a cidade de Macau limpa de verdade?
Seria bom que, pelo menos uma vez, a empresa concessionária se desse ao trabalho de responder às criticas dos cidadãos. Falo por mim, tenho escrito diversas vezes sobre o assunto e nunca nada me foi respondido. E daqui tiro duas conclusões: ou a CSR não lê os jornais portugueses; ou, se os lê, nem sequer se dá ao trabalho de responder às críticas de que é alvo.

Carne de porco em vez de Viagra

Não sei se é verdade ou não mas, vindo de uma presidente de um país soberano, tenho mesmo de acreditar. Para mais, ela diz que o comprovou pessoalmente.
Comer carne de porco é tão eficiente como tomar comprimidos de Viagra para reavivar a vida sexual. Quem o afirma é presidente da Argentina, Cristina Fernandez.
A presidente aconselhou os seus concidadãos a comerem carne de porco como alternativa ao famoso comprimido Viagra na passada quarta-feira, afirmando que tinha passado um fim-de-semana bastante “satisfatório” com o marido depois de um churrasco de carne de porco.
“Recentemente foi-me dito algo que não sabia. Não tinha conhecimento que comer carne de porco poderia melhorar a minha vida sexual. Posso afirmar que é muito melhor comer um bom bocado de carne de porco grelhada do que tomar um Viagra”, afirmou a presidente perante uma plateia de criadores de suínos e de industriais do ramos da transformação de carnes.
Especificando, disse que recentemente tinha comido carne de porco e que “as coisas tinham corrido muito bem no fim-de-semana, pelo que pode muito bem ser verdade.”
Os argentinos são os maiores consumidores, per capita, de carne de vaca no mundo, mas o Governo tem tentado promover o consumo de carne de porco nos últimos anos devido ao crescente preço da carne de bovino e também como forma de tentar diversificar a indústria.
“Experimentar não custa nada, portanto, porque não...” desafiou a presidente Fernandez num discurso que foi transmitido ao vivo pela televisão.

Ver no original no YahooNews....

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Playback já era!

Duas cantoras chinesas foram multadas por recorrerem ao playback em concertos ao vivo!
Depois da vergonha que passaram na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos as autoridades chinesas não estão a facilitar a vida aos criadores do país. O recurso ao playback em concertos ao vivo foi banido em toda a China.
As primeiras vítimas do sistema, as actrizes-cantoras Yin Youcan e Fang Ziyuan foram multadas em 80 mil reminbi por um concerto realizado no ano passado.
No entanto, os advogados têm tentado inverter a pena do tribunal alegando que ambas são mais dançarinas do que cantoras, pelo que se a lei que só proíbe o playback não se lhes pode aplicar!
Só mesmo da China podem vir leis deste tipo! E depois ainda dizem que a censura da internet não é uma redução das liberdades dos cidadãos!
Acreditem… isto parece anedota mas é verdade…
Leiam na íntegra a notícia relativa às multas por playback!

Caixa para dormir

Russian architects Arch Group have designed a booth for taking a quick nap in busy urban environments.
O grupo de arquitectura russo, Arch Group, criou uma cápsula para dormir em zonas urbanas.
Called Sleepbox, the units could be rented for between fifteen minutes and several hours.
As Sleepbox podem ser alugadas por períodos entre os 15 minutos e várias horas.The architects envisage them installed at train stations, airports and shopping centres.
Os seus criadores acreditam ser possível instalá-las em zonas de grande circulação de pessoas, como estacões de comboios, centros comerciais e aeroportos.
Between users the bedding would be automatically changed, with sheets wound from one roller onto another.
A troca de lençóis é automática entre ocupantes.
Imagine the situation that you are in the modern city, where you are not a local resident, and you have not booked a hotel.
Imaginem-se numa cidade que não conhecem e que não reservaram hotel. It is not comfortable situation, because in the modern, aggressive cities there are no opportunity to rest and relax. If you want to sleep, while waiting your plane or train, it may cause many security and hygiene problems. We believe that urban infrastructure should be more comfortable for people. For this purpose we have developed a device SLEEPBOX. It provides moments of quiet sleep and rest from the city without wasting time searching for a hotel.
Não será uma situação confortável. As cidades não oferecem locais seguros para que possamos descansar e dormir. Se queremos descansar enquanto esperamos pelo comboio ou voo deparamos com problemas de segurança e mesmo de higiene. Estes criadores acreditam que as infra-estruturas urbanas devem oferecer mais conforto aos viajantes, razão que os levou a criar a Sleepbox que oferecem a possibilidade de descanso sem ter que perder tempo a procurar um hotel.
Here are the possible locations for SLEEPBOX:
Possíveis localizações para a Sleepbox:

Railroad stations
Airports
Expocentres
Public and shopping centers
Accommodation facilities
In countries with warm climate SLEEPBOX can be used on the streets. Thanks to SLEEPBOX any person has an opportunity to spend the night safely and cheaply in case of emergency, or when you have to spend few hours with your baggage.
Estações de comboio
Aeroportos
Centros de exposições
Centros comerciais
Em países com clima mais temperado podem mesmo ser instaladas na rua. Graças ao Sleepbox todas as pessoas podem encontrar um local seguro e barato quando se tem de esperar algumas horas com a bagagem.
SLEEPBOX is a small mobile space (box) 2mx1.4mx2.3m (h). The main functional element in it is a bed 2×0.6 m, which is equipped with automatic system of change of bed linen. Bed is soft, flexible strip of foamed polymer with the surface of the pulp tissue. Tape is rewound from one shaft to another, changing the bed. If a client wants to sleep in maximum comfort, he can take the normal set of bed linen for an extra fee.
A Sleepbox é uma pequena caixa móvel de 2metros por 1.4 metros e de 3 metros de altura. Com uma cama multifuncional de 2x0.6 metros equipada com um sistema automático de mudança de lençóis. Macia, feita de tiras flexíveis de um material esponjoso. Os lençóis são mudados por um sistema de fitas, que rodam dando lugar à secção limpa, como nos sistemas de toalhas das casas de banho. Se o cliente quiser um toque de conforto extra e preferir lençóis tradicionais, pode fazê-lo, pagando uma taxa extra.

SLEEPBOX is equipped with a ventilation system, sound alerts, built-in LCD TV, WiFi, sockets for a laptop, charging phones. Also under the lounges is a place for luggage.
O Sleepbox está equipado com sistema de ventilação, sistema de alarme, ecrã de LCD, sistema wi-fi, ligações para carregar o computador e o telemóvel. Além disso tem também local para guardar a bagagem.After the clients exit, automatic change of bed linen starts and quartz lamps turns on. Payment can be made on a shared terminal, which provides the client with an electronic key. It is possible to buy from 15 minutes to several hours.
Depois da saída do cliente o sistema muda automaticamente os lençóis e lâmpadas de quartzo ligam.
O pagamento pode ser feito num terminal único que entrega a chave electrónica ao cliente. Pode-se comprar entre 15 minutos e várias horas.


SLEEPBOX is intended primarily to perform one main function – to enable a person to sleep peacefully. But it can also be equipped with various additional functions, depending on the situation. Application of the device can be very broad, not only in the form of paid public service, but also for internal purposes of organizations and companies.
A função principal do Sleepbox é providenciar um local seguro e calmo para uma pessoa dormir. No entanto, pode também ser equipado com variadíssimos extras, dependendo de cada situação. A sua aplicação pode ser muito abrangente, não só para aluguer como também em grandes organizações e empresas.Area: 3.75 m2
Architects: Goryainov A., Krymov M.
Design: 2009

CTM dá exemplo a seguir

O NÃO cumprimento das garantias é algo que nesta terra acontece frequentemente e que muitas vezes aqui falamos. No entanto, o exemplo que desta vez trago dá conta de outra história e deveria servir de exemplo para as empresas que operam em Macau.
Trata-se de um assunto relacionado com a CTM, empresa que várias vezes aqui foi criticada por diversos motivos. No entanto, importa referir que, mesmo criticando alguns aspectos, a Companhia de Telecomunicações de Macau esforça-se por melhorar, sempre que são detectadas lacunas.
Neste caso, que passo a explicar, envolve um telefone de marca Nokia, comprado na CTM e que ainda estava dentro da garantia. O aparelho foi devolvido ao balcão onde foi comprado, tendo sido posteriormente enviado ao fabricante para verificação. A Nokia devolveu-o dizendo que a garantia não servia de nada porque o aparelho não funcionava devido a ter estado em contacto com água. Não foram bem estes os termos técnicos, mas, e sendo o mais importante, a Nokia peremptoriamente disse que não reparava ou substituía o aparelho, pedindo quase quatro mil patacas para o reparar! Ou seja, custava mais repará-lo do que comprar um novo! Algo que, naturalmente, o cliente se recusou a aceitar.
O que se passou foi que o aparelho esteve desactivado praticamente desde que fora adquirido, em meados do ano passado. Por altura do Natal foi ligado e «recusou-se» a funcionar. Durante todo esse período tinha sido utilizado, no máximo, duas semanas, sem nunca ter estado em contacto com água, nem sequer perto dela. Quanto muito, segundo o seu proprietário, poderá ter apanhado humidade por não ser utilizado, visto que o clima de Macau é propenso a tal.
Apesar de todas as explicações, a Nokia continuou sem querer honrar a garantia que oferece aos clientes, insistindo que o aparelho tinha estado em contacto com água. Em suma, era a palavra do pequeno cliente contra a do gigante Nokia.
Sendo a CTM um intermediário na transacção, pouco ou nada poderia fazer neste caso, como foi explicado mais do que uma vez. Aliás, esta empresa foi além das suas atribuições, tendo conseguido mesmo negociar uma cotação mais baixa para a reparação do aparelho. Depois da intervenção da CTM ficaria, mesmo assim, por cerca de duas mil patacas, algo inaceitável visto que o telefone estava dentro da garantia.
Perante tal situação, a CTM decidiu ser ela própria resolver o assunto, tomando-o em mãos e negociando directamente com o cliente, para que o prejuízo fosse o menos possível. A decisão foi simples e rápida. Foi feita ao cliente a proposta de optar por um telefone igual, ou optar por outro modelo, pagando a diferença.
Em Macau, onde os direitos dos consumidores são constantemente atropelados, este exemplo da CTM até parece um «milagre». Esperamos que outros lhe sigam o exemplo.
Pode ser que um dia deixemos de ter casas comerciais a cobrar taxas adicionais sobre pagamentos com cartões de crédito, ou a exigir mais dinheiro, se quisermos uma garantia abrangente e que, realmente, seja «garantia» de coisa alguma. Infelizmente, as queixas ao Conselho de Consumidores de nada servem. Digo por experiência própria que um dia apresentei ao CC uma denúncia sobre uma casa comercial que me cobrou 3% sobre um pagamento com cartão de crédito. O CC disse nada estar autorizado a fazer e aconselhava que esquecêssemos o assunto, porque não iríamos conseguir resolver nada!
É isto que acontece em Macau. São cobradas taxas ilegais, são negligenciadas garantias e nada se pode fazer para inverter a situação.
Felizmente, há algumas empresas que, por bons princípios comerciais, vão reconhecendo e tomando em linha de conta os interesses dos seus clientes. Benvindos sejam estes exemplos! Não serão perfeitas em tudo o que fazem tais empresas, mas marcam a diferença, num universo onde reina a desonestidade.

NaE's kitchen A Cozinha da NaE

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