Como blog estaremos aqui para escrever as nossas opiniões, observações e para que quem nos visite deixe também as suas. Tentaremos, dentro das possibilidades, manter este local actualizado com o que vai acontecendo à nossa volta em Macau e um pouco em todo o lado...
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ou Mun aborda rumores do Clarim

De acordo com uma notícia publicada hoje no maior jornal de Macau, ou jornal de lingual chinesa Ou Mun “existem rumores de que o jornal da Diocese de Macau, O Clarim, está a ser alvo de pressão por parte de representantes governamentais. E, ainda de acordo com a notícia do Ou Mun, depois de uma reunião entre o editor do jornal e o Bispo D. Domingos Lam, o jornal “deixa de abordar política de Macau”.
Ao Ou Mun o bispo afirmou que apenas convocou o editor do jornal para lhe reiterar a posição da Diocese em relação às questões políticas.
O jornal chinês cita ainda o deputado Pereira Coutinho como tendo sido quem deu o alerta para a situação via SMS, tendo referenciado o caso estando ligado à publicação do artigo “Em nome do Pai”, publicado na edição de 13 de Agosto, e onde se aborda a questão de sepulturas perpétuas.
Coutinho adiantou ainda que o jornalista lhe disse que na reunião com o bispo lhe foram dadas ordens para não abordar temas de política local e apenas se focar em desporto, cultura e assuntos da paróquia. O deputado disse também que o jornalista lhe ligou porque não estava satisfeito com o facto de estar a ser alvo de pressão e que o bispo lhe disse que estavam a ser alvos de pressão na paróquia porque o jornal é um órgão Católico e tem de ser cuidadoso nos assuntos que aborda.

Leiam o artigo em chinês ou usem o tradutor do Google para o traduzir. Não é o ideal mas dá para entender.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

DSAL envia jovens para o continente

Na sessão de ontem, 31 Agosto de 2009, da Assembleia Legislativa o deputado Pereira Coutinho abordou a nova medida do Governo, anunciada recentemente pela DSAL, de enviar jovens trabalhadores de Macau para o continente!
O deputado pede esclarecimentos acerca da justificação da medida aos membros do Governo.
Desde o estabelecimento da RAEM que o Governo e a sociedade em geral têm esforçado por encontrar formas de diversificação da economia local que tem sido altamente dependente da indústria do Jogo. A situação dependência da indústria do Jogo não é nova e começou a agravar e a piorar com o declínio em geral da indústria produtiva principalmente a de vestuário a partir da década de noventa derivado da transferência da maior parte das fábricas para o interior do continente chinês atraídas por uma mão-de-obra de obra mais barata e baixos custos de operação.
Por outro lado, ao longo de décadas foram desperdiçadas muitas oportunidades para criação de um mercado interno baseado na experiência e sabedoria dos nossos recursos humanos fruto de longas décadas de trocas comerciais com o estrangeiro principalmente com os países europeus e africanos, tecnologia produtiva avançada e as décadas de confiança do mercado estrangeiro no valor adicionado da marca “Made in Macau”.
Desde o estabelecimento da RAEM que quase todos os anos as universidades locais e estrangeiras formam muitos jovens licenciados que cada vez mais têm enormes dificuldades de encontrar o seu primeiro emprego. Esta situação é agravada ainda mais, porque as pequenas e médias empresas não conseguem competir com os salários praticados pelas concessionárias da indústria do Jogo que estão dispostas a remunerar com salários mais elevados trabalhadores que exercem o mesmo tipo de funções mas em empresas de pequena dimensão. Para agravar ainda mais a situação, o Governo praticamente tem ignorado e abandonado as pequenas e médias empresas locais não atendendo às suas dificuldades na área dos recursos humanos, falta de atractivos para o desenvolvimento das suas actividades económicas e burocracia administrativa.
Para agravar ainda mais as dificuldades das pequenas e médias empresas locais, o Governo antes de uma ampla audição à sociedade civil decidiu recentemente avançar com o novo “Plano de formação no posto de trabalho e de contratação” dotando em cerca de 54 milhões patacas, alegando ter como objectivos “atenuar a pressão sentida na sociedade a nível do desemprego promover o emprego dos trabalhadores residentes e atenuar o desemprego em Macau”.
Uma das principais razões dos jovens licenciados desempregados tem a ver com o facto das nossas pequenas e médias empresas não conseguirem pagar ordenados semelhantes pagos pelas empresas que dedicam à indústria do Jogo, pelo que o Governo deveria esforçar por apoiar as empresas na contratação dos jovens desempregados locais ou invés de “chuta-los” para o interior do continente chinês como mão-de-obra barata e susceptível de alvo fácil de exploração por parte de eventuais empregadores sem escrúpulos. Mas o mais grave poderá aparecer no futuro quando estes mesmos jovens regressarem a Macau terão que readaptar de novo ao mercado de Macau e eventualmente através de novos estágios. E quem vai suportar os custos com os novos estágios de readaptação destes jovens estagiários?
Por isso é que a sociedade em geral indaga quais as reais razões e interesses que poderão estar por detrás deste novel “Plano de formação nos posto de trabalho e de contratação”. Muitos cidadãos perguntam se estamos perante mais um dos muitos casos de tráfico de influências de entidades privadas que pretendem aproveitar os fundos públicos com beneplácito de alguns dirigentes que para conseguirem acomodar nos seus cargos públicos limitam a aprovar tudo que lhes são propostos.
Assim sendo, interpelo o Governo, sobre o seguinte:
1. Porque razão o Governo não procedeu a uma ampla auscultação à sociedade civil e principalmente às pequenas e médias empresas e outras associações de trabalhadores quanto à execução do referido Plano de formação no posto de trabalho e de contratação? Vai o Governo rever de imediato o referido Plano possibilitando que empresas locais possam ser apoiadas financeiramente pelo Governo para poderem contratar os jovens licenciados que estejam desempregados mas que pretendam trabalhar em Macau e poderem continuar a estar juntos dos seus principais membros da família tais como os pais, irmãos, esposas e filhos menores?
2. De que forma vai o Governo ajudar os trabalhadores residentes em Macau que estejam desempregados ou que estejam a trabalhar em regime de “part time” porque as pequenas e médias empresas não conseguem contrata-los e pagar salários similares das empresas da indústria do Jogo? Quais as razões do Governo não apoiar as pequenas e médias empresas na contratação de trabalhadores locais que estejam desempregados e portadores de elevadas habilitações escolares?

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Secretário para a Segurança esclarece em português!

O que a seguir publico é a resposta (escrita em PDF file) do Gabinete do Secretário para a Segurança a uma interpelação do deputado Pereira Coutinho, do ano passado. Refere-se ao caso de dois agentes da PSP feridos em serviço, num acidente de viação, e que, alegadamente, não estão a receber o devido apoio da instituição.
Além de todas as questões que isto pode levantar, o que mais me impressionou foi a qualidade do português! Parece traduzido pelo Google Translator!!!
Há muito que nos habituamos a ver em Macau o português maltratado. Eu próprio o mau trato assiduamente aqui.! Mas, escrever desta forma, especialmente quando se trata de uma resposta oficial para um deputado da Assembleia Legislativa?
Mais vale escrever em chinês... ou em inglês... ou mesmo em francês!!!

Para mais pormenores tentem ler as imagens que publico… São dignas de uma leitura pormenorizada!!!





Até parece que não há pessoas capazes de escrever um português que se entenda no Gabinete do Secretário para a Segurança ou na PSP…
Felizmente há muitos...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

SS recuam

Já repararam no novo anúncio dos Serviços de Saúde? Vejam a imprensa diária de hoje e leiam com atenção.
Lembram-se da indignação do deputado Pereira Coutinho acerca do recrutamento discriminatório dos SSM?
A indignação foi anunciada no passado dia 8 de Agosto. Não demorou uma semana para que reparassem o erro. Pena é que não assumam os erros publicamente e optem por ratificações pelo mansinho!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Direitos dos jovens trabalhadores

O deputado Pereira Coutinho interpelou o Governo sobre os direitos dos jovens trabalhadores e sobre a contínua violação dos mais básicos princípios da igualdade dos direitos dos trabalhadores.
Foi ontem na sessão da Assembleia Legislativa.
Fica aqui o texto completo.
As Nações Unidas decidiram decretar o dia 12 de Agosto, o Dia Internacional dos Jovens, (UN International Youth Day) sob lema “Mais e Melhor Qualidade de trabalho para Jovens Trabalhadores”, estimando-se que na próxima década cerca de um bilião jovens atingirão a idade legal para o trabalho. Deste modo, constitui um desafio e uma obrigação geral de todos os países e regiões de garantir postos de trabalho com segurança, estabilidade e boas condições de higiene e segurança, acabando de vez com todas as formas de exploração e precariedade de trabalho que quase sempre afectam principalmente os jovens trabalhadores.
De acordo com o recente relatório das Nações Unidas, em média, os jovens trabalhadores, quer do sexo masculino quer feminino, são duas ou três vezes mais susceptíveis de estarem desempregados quando comparado com os adultos. Quase sempre, os jovens trabalhadores do sexo masculino e feminino são os alvos mais fáceis de exploração laboral, muitas vezes devido à falta de informação e educação quanto aos direitos laborais outras vezes devido ao vácuo da legislação laboral.
Estes jovens são muitas vezes obrigados a exercer horas extraordinárias, trabalho nocturno e por turnos sem qualquer compensação, a aceitarem salários baixos devido à inexistência de sindicatos e legislação relacionada com a negociação colectiva, precariedade do próprio contrato de trabalho e fraca protecção social.
Em Macau e duma maneira geral, o cenário é mais ou menos igual ao acima descrito e bastante negro a nível da precariedade e insegurança do posto de trabalho, podendo a todo o momento, qualquer jovem ou a jovem trabalhadora ser despedida com ou sem justa causa, demonstrando fragilidade da relação contratual e a falta de protecção legal. Para a agravar mais a situação, contribui a inexistência de sindicatos independentes e legislação relacionada com a negociação colectiva, colocando o elo mais fraco da relação contratual como objecto fácil de exploração aquando da celebração e renovação dos contratos individuais de trabalho. Na maior parte das vezes os jovens trabalhadores são confrontados com os meros contratos de adesão, onde quase sempre nem sequer tem uma palavra a dizer sobre o seu próprio contrato de trabalho.
Para agravar mais a situação, em Macau, torna-se difícil para um jovem encontrar o seu primeiro emprego devido em parte à deficiente política de contratação de mão de obra não residente e o exercício abusivo de funções distintas para os quais foram autorizados a trabalhar em Macau, bem como o constante aumento do trabalho ilegal, cujo combate tem sido manifestamente ineficiente.
Assim sendo, interpelo o Governo, sobre o seguinte:
1. Não obstante a nova Lei das relações de trabalho (Lei n.º7/2008) ter entrado em vigor no dia 1 de Janeiro de 2009, os jovens trabalhadores continuam a ser explorados nos seus legítimos direitos tais como o direito de reivindicar os seus legítimos direitos através de sindicatos independentes e pela mesma via poderem negociar de uma forma colectiva os seus contratos individuais de trabalho. Por isso, quanto tempo mais terão de esperar os jovens trabalhadores para que seja implementada em Macau a legislação referente à constituição legal dos sindicatos independentes e legislação relativa à negociação colectiva derivada também da obrigação internacional por via das Convenções Internacionais de Trabalho nº 98 e 87 e que se encontram plenamente em vigor em Macau?
2. Quando é que o Governo vai propor alteração legislativa no sentido de acabar com a exploração dos jovens trabalhadores principalmente do sector do Jogo quanto ao não pagamento da remuneração pelo trabalho nocturno previsto nos termos do nº3 do artigo 39º e nº2 do artigo 41º da Lei das relações de trabalho?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Casinos e desemprego

Os salários e a crise financeira nos casinos foram tema de uma intervenção do deputado Pereira Coutinho na Assembleia Legislativa no dia 15 de Janeiro deste ano.
Publicamos aqui o texto dessa interpelação, na íntegra. Seguido de um link com a resposta do Governo à mesma intervenção do deputado, visto só agora ter sido tornada pública.
De acordo com dados tornados públicos, as receitas brutas das operadoras de jogo de casinos em Macau registaram, em 2008, uma subida relativamente a 2007. Os dados indicam uma subida de cerca de 31% nas receitas brutas globais: 108,7 mil milhões de patacas em 2008 contra 83,022 mil milhões apurados em 2007.
Entretanto, têm-se verificado cortes nos salários dos trabalhadores dos casinos. Registaram-se reduções salariais, em Dezembro de 2008, no «Crown» e na «Venetian», atingindo nesta última operadora, cerca de 6.800 trabalhadores, e há propostas de redução de salários, neste início do ano de 2009, no «Macau Jockey Club» e na «Galaxy».
Para além das reduções salariais referidas já em Julho de 2008 tinham sido despedidos 270 funcionários da «Galaxy». Em Novembro de 2008 a «Venetian» despediu cerca de 10 mil trabalhadores após suspender a construção de hotéis no Cotai e em Dezembro de 2008 a «Venetian» despediu cerca de 580 trabalhadores não residentes.
Relativamente às reduções pelas operadoras dos casinos das remunerações dos trabalhadores, o governo, através do Director da DSAL, tem aceitado estas reduções e argumenta que é melhor do que despedir residentes.
Tendo em conta o aumento das receitas brutas dos casinos verificadas em 2008, apesar de uma quebra de sete por cento em Dezembro relativamente ao mesmo mês de 2007, receitas que têm vindo a aumentar muito desde há alguns anos, em 2006 foi noticiado que Macau ultrapassou Las Vegas em termos de receitas geradas pelo jogo, qual a justificação para que se estejam a verificar as reduções, referidas anteriormente, na remuneração dos trabalhadores bem como os despedimentos?
Sabemos que existe uma crise do sistema financeiro que atingiu muitos países. Crise que muitos analistas relacionam com a liberalização dos mercados de capitais nos anos 90 e em que o dinheiro passou a ser usado não para que os empresários o utilizassem para produzir bens e serviços, mas para que fosse utilizado para produzir enriquecimento através da especulação nas bolsas e em novos produtos financeiros.
Mas as características desta crise financeira não explicam por si a razão das operadoras de jogo de casinos de Macau estarem a diminuir a remuneração dos trabalhadores nem a efectuar despedimentos. Afinal como se referiu as receitas brutas das operadoras de jogo de casinos em Macau aumentaram em 2008 se comparadas como 2007 e com anos anteriores.
Por outro lado Macau não tem uma bolsa de valores e até há data não há registo de problemas nos bancos locais. A economia em Macau não entrará por si só em recessão uma vez que as receitas de Macau são em grande parte provenientes do jogo e essas receitas têm aumentado há vários anos e aumentaram em 2007 como se referiu.
Aliás notícia recente informava que as acções de duas operadoras de jogo de casinos de Macau tinham subido.
Assim sendo, interpelo o Governo, sobre o seguinte:
1. Quais as razões apresentadas, ao governo, pelas operadoras de jogo de casinos de Macau para diminuírem a remuneração dos trabalhadores e para despedirem os trabalhadores? Quais as razões de facto que as operadoras têm apresentado ao governo para suspenderem obras que tinham em curso no Cotai?
2. Considera o governo que tendo em conta o aumento das receitas brutas das operadoras de jogo de casinos verificado em 2008 e nos anos anteriores se justifica a diminuição da remuneração dos trabalhadores dos casinos bem como os despedimentos verificados?
3. Considera o governo que face à crise financeira global, Macau, pelas características da sua economia em que as receitas provêm maioritariamente do jogo, onde não há bolsa de valores e nenhum banco local apresentou dificuldades, vai ser afectado?


Resposta do Governo através dos SAFP.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Concursos dos SS discriminam

Recentemente os Serviços de Saúde publicaram dois anúncios de recrutamento técnico na imprensa local. Recrutamento que apenas, expressamente, era dirigido a quem fala chinês! Sendo um recrutamento para funções técnicas, onde o domínio das línguas vem para segundo plano, levantou-se a questão da discriminação e da desigualdade de oportunidades defendida na Lei Básica.
O deputado Pereira Coutinho apresentou contestou o facto na Assembléia Legislativa.
Fica aqui a intervenção no original feita pelo deputado hoje na AL.
O meu Gabinete de Atendimento aos Cidadãos recebeu dias atrás, algumas queixas de residentes de Macau, alegando que os Serviços de Saúde (SS) estariam a praticar discriminação das línguas oficiais aquando da contratação de trabalhadores da Administração Pública de Macau (APM).
De facto, nos dias 27 e 30 de Julho do corrente ano, os SS publicaram dois anúncios nos jornais locais com a intenção de admitir em regime de contratos além do quadro, um Técnico Superior para a área de análise laboratorial e três Técnicos Superiores para a área de terapia ocupacional, ambas funções de cariz técnicas. Para a vaga de Técnico Superior (na área de análise laboratorial) é exigido como um dos requisitos o “domínio das línguas chinesa e inglesa e para as três vagas de Técnicos Superiores (na área de terapia ocupacional) é exigido o domínio da língua chinesa, tendo discriminado e tirado as oportunidades aos queixosos portugueses ou a outros interessados com as mesmas habilitações que dominam a outra língua oficial que é a língua portuguesa.
Os queixosos são residentes permanentes possuem como língua materna portuguesa são licenciados nos cursos de especialidade de análise laboratorial e terapia ocupacional no estrangeiro sentem-se discriminados no acesso à função pública, por os SS não aceitarem as suas candidaturas. De acordo com os mesmos queixosos as funções dos referidos cargos são altamente técnicas exigindo-se prioritariamente conhecimentos do domínio técnico-profissional designadamente gestão de qualidade dos laboratórios e experiência clínica na área psicológica ou formação profissional condizente.
Os anúncios são discriminatórios, os SS fizeram tábua rasa do disposto do nº 2 do artigo 1º do Decreto-Lei n.º 101/99/M que preceitua que as línguas oficiais têm igual dignidade e são ambos meio de expressão válido de quaisquer actos jurídicos. Por outro lado, tanto o artigo 8º do D.L. nº 86/89/M de 21 de Dezembro de 21 de Dezembro como o artigo 9º da Lei n.º 14/2009 de 03.08.2009 não permite a exclusão de qualquer uma das línguas oficiais. E o mais grave é que não se respeita o Princípio de Igualdade constante do artigo 25º da Lei Básica em que os residentes de Macau são iguais perante a lei sem discriminação em razão da nacionalidade, ascendência, raça, sexo, língua, religião, convicções políticas, ou ideológicas, instrução e situação económica ou condição social.
Por outro lado, este Gabinete recebeu também muitas queixas do pessoal do quadro da carreira especial de técnico de diagnóstico e terapêutica queixando que neste momento a carreira de técnico de 2ª classe inicia-se com índice 340, sendo o índice 480 o índice mais elevado do topo da carreira, ou seja técnico especialista. Com a eventual contratação dos referidos trabalhadores mediante contrato além do quadro com a categoria de técnico superior 2ª classe índice 430 viola-se o importante Princípio para o mesmo trabalho diferente salário, ou seja, todos eles têm o mesmo tipo de trabalho, mas vão auferir salários diferentes, o que constitui uma autêntica fraude à lei existente.
Os queixosos esperam que os SS revejam a injusta situação permitindo que os queixosos possam candidatar-se aos cargos da função pública a não ser que as respectivas vagas estejam já reservadas a alguns amigos ou afilhados e as condições de ingresso moldadas à medida do “alfaiate”. Da nossa parte, pensamos que se trata de um mero lapso involuntário que poderá ser facilmente resolvido com a anulação dos dois anúncios e uma nova publicação evitando-se discriminações em função das línguas oficiais. E a bem da longevidade do segundo sistema.
Assim sendo, interpelo o Governo, sobre o seguinte:
1. Qual a razão de discriminar os residentes de Macau aquando da contratação um Técnico Superior para a área de análise laboratorial e três Técnicos Superiores para a área de terapia ocupacional limitando ao conhecimento da língua chinesa? Porque razão, foram discriminados os residentes de Macau devido ao facto de dominarem somente uma das línguas oficiais que não a chinesa?
2. Quais as razões para a diferença de índices na contratação de técnicos de diagnóstico e terapêutica designadamente índices 340 e 430 como índices de ingresso, violando-se o Princípio para o mesmo trabalho mesmo salário?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Coutinho fala da morte no EPM na AL

Recentemente ocorreu uma morte no Estabelecimento Prisional de Macau. Uma morte que as autoridades rotularam como suicido. No entanto, a família não se mostra satisfeita com a explicação.
O deputado Pereira Coutinho apresentou a polémica na Assembléia Legislativa.
Fica aqui a intervenção no original feita pelo deputado hoje na Assembleia Legislativa.
Na madrugada do dia 18 do corrente, morreu, em circunstâncias estranhas, no Estabelecimento Prisional de Macau (EPM), uma senhora detida de apelido Lei, de 45 anos de idade, mãe de dois filhos, que se encontrava a cumprir uma pena de prisão de 3 meses por violação duma simples medida de interdição nos casinos. De acordo com as informações que obtive junto dos seus mais directos familiares, a falecida encontrava-se nos últimos dez anos sob observação médica do foro psiquiátrico, contudo a falecida tinha estado a recuperar bastante, desde que a sua filha conseguiu um contrato de trabalho.
Por solicitação dos seus mais directos familiares, desloquei-me, no dia 19 do corrente e pelas 13h30 ao EPM, onde na altura se encontravam já concentradas à entrada do referido estabelecimento prisional cerca de 30 pessoas entre familiares e amigos. Os familiares directos da vítima queriam e insistiam a minha presença na reunião com os responsáveis do EPM, uma vez que os mesmos familiares, não estavam a par dos procedimentos burocráticos e legais. Contudo, e muito lamentavelmente, e mesmo na qualidade de deputado fui impedido de assistir sem qualquer fundamento às explicações, não obstante ter dito aos responsáveis não haver qualquer impedimentos legais ou outro que impedisse a minha presença de meramente assistir à referida reunião. Aliás, ainda tentei explicar a obrigação legal do dever geral de cooperação que assiste a todos os órgãos e serviços públicos de colaborarem no exercício das funções de deputado. Por isso, fiquei na porta do EPM, cerca de uma hora, a fim de aguardar o resultado final da reunião.
No final da referida reunião, os familiares mostraram-se muito insatisfeitos e mais indignados, porque não foram dadas quaisquer explicações convincentes quanto à causa da morte, nem razões das circunstâncias de ter sido enclausurada com mais 4 prisioneiras numa única cela, sabendo de antemão que a mesma sofria de doença do foro psiquiátrico.
Por isso, os familiares, hoje presentes neste hemiciclo, pretendem saber o seguinte:
1. Porque razão, a falecida, condenada por mero crime de interdição nos casinos, ficou numa cela com mais 3 prisioneiras e não obstante os responsáveis do EPM terem pleno prévio conhecimento de sofrer de doença de foro psiquiátrico e estar sob medicação? Porque razão, não foi providenciada à vítima uma cela individual, a fim de garantir a sua segurança, face à provável instabilidade psicológica e devido aos muitos anos de ter estado sujeita a medicação?
2. Quais as razões, de até hoje, os familiares não terem conseguido visionar as câmaras de vigilância interna do EPM, a fim de apurar as circunstâncias da morte, uma vez que o cadáver aparentava sinais de escoriações na face e no peito? Porque razão, até hoje, não foram ouvidas, as três detidas que estavam na mesma cela e muito provavelmente assistiram ao trágico acontecimento?
3. Considerando que está em causa uma vida humana e independentemente do inquérito do competente órgão de polícia criminal, vai o Governo instaurar um inquérito por entidade independente e de tutela diferente, a fim de apurar as circunstâncias que originaram o nefasto acontecimento e evitar que situações idênticas venham a repetir? Que medidas vão ser adoptadas para que no futuro estas situações não venham a repetir?
Este é mais um caso, de quase total falta de transparência dum serviço público com elevadas responsabilidades, que está aparentemente a ser gerido duma forma deficiente, que nem sequer têm a consciência de como enfrentar situações de crise, impedindo que um deputado estivesse presente numa reunião a fim de poder acalmar os ânimos de familiares que perderem um familiar em circunstâncias muito estranhas. Esta forma de actuação dos responsáveis do EPM deu a entender à meia centena de presentes que estiveram horas à porta do EPM, que a instituição teria algo muito grave a encobrir. E por isso impediu um deputado de assistir à referida reunião.
Estas atitudes dos responsáveis do EPM só contribuem para por em causa em causa a credibilidade e a confiança dos cidadãos. Os responsáveis máximos do EPM, deveriam, em primeiro lugar, ter a noção, de zelar pela segurança e integridade física dos detidos e em segundo lugar, preparar os reclusos para a sua futura integração na sociedade. Neste caso, parece-nos pelo menos, que houve negligência grosseira, e como de costume, quando aparecem escândalos, tentam abafar, e utilizar todos os meios para tentar encobrir os erros e os problemas. Enfim adequa-se muito ao famoso provérbio macaense “Macau Sã Assim”.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Censura na TDM

O deputado Pereira Coutinho desanca na TDM (canal chinês) sobre a liberdade dos jornalistas reportarem aquilo que ouvem e registam. O lápis azul do tempo da censura parece ser ainda aplicado aqui por estes lados segundo o deputado ou, que mais não seja, a tão em voga auto-censura, que muitos jornalistas se vêem obrigados a fazer, mesmo que o não queiram.

Sinceramente, da Xavier Pereira acredito em tudo, por muito que a empresa já tenha vindo desmentir o deputado.
Da minha parte perdi a esperança na empresa depois que estraguei uma bateria de minisdisc privado em trabalho e que nunca foi reposta!

NaE's kitchen A Cozinha da NaE

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