Como blog estaremos aqui para escrever as nossas opiniões, observações e para que quem nos visite deixe também as suas. Tentaremos, dentro das possibilidades, manter este local actualizado com o que vai acontecendo à nossa volta em Macau e um pouco em todo o lado...

domingo, 16 de janeiro de 2011

O CLARIM - Semanário Católico de Macau

Não há cultura musical

capa_lrg DE há uns anos a esta parte deixei de sair à noite em Macau. Antes fazia-o regularmente, mas, por falta de escolhas, comecei a ficar por casa, ou a reunir-me com os amigos em casa destes ou na minha.

A falta de opções de diversão e culturais em Macau é um dos problemas que, mais cedo ou mais tarde, todos temos de enfrentar. Sendo ainda do tempo do Clube de Jazz na Rua das Alabardas, sinto falta daquele espaço e de outros similares. Quer se goste ou não deste estilo de música, a verdade é que qualquer cidade que se diga «desenvolvida» tem um clube desta natureza, assim como clubes de teatro e de poesia. Em Macau, infelizmente, é o que se sabe! Tenho esperança de que o novo director do Instituto Cultural, um homem que realmente sabe de cultura, tenha pulso para reavivar tudo isto.

É que para quem gosta de ouvir música e desfrutar de alguns momentos na companhia dos amigos não há local onde o possa fazer sem ser importunado por frequentadores mais excitados com o calor da noite, ou com os teores alcoólicos das bebidas maradas que vão servindo nesses sítios.

A princípio, quando abriram os bares do hotel MGM e o do Galaxy, ainda era possível ir ali desfrutar de uns momentos agradáveis e tomar uma bebida (que não deixava mossa no dia seguinte) com os amigos. No entanto, mesmo estas opções não são para todos os gostos, visto que os estilos musicais em pouco diferem.

Pelo que me é dado a saber, não existe em Macau qualquer local onde possamos ouvir bom jazz ou qualquer outro tipo de música que não seja a da «moda». Ouvi falar, – mas confesso que nunca ali me desloquei, – de um pequeno bar nas traseiras das Ruínas de São Paulo, onde se pode ouvir boa música, apreciar um «bom vinho» e desfrutar de agradáveis momentos num ambiente calmo e relaxado. Fora disto, de nada mais tenho conhecimento, a não ser de uns esporádicos acontecimentos que vão sendo organizados aqui e ali. Julgo, porém, que Macau precisa e merece mais. Deixo todas as minhas esperanças em Ung Vai Meng para voltar a agitar as águas.

O mundo cultural de Macau, no campo da música, antes de 1999, era bem mais animado, com vários locais em hotéis onde se podia ouvir piano, jazz, desfrutando, assim, de uns momentos agradáveis com os amigos, sem ser importunado por outros frequentadores do local.

Quando o Clube de Jazz mudou da zona antiga da cidade para a Casa de Vidro, no NAPE, pensava-se que seria o impulso necessário para o transformar naquilo que todos esperavam, num grande clube e dinamizador cultural de Macau. Ainda me lembro, já nas novas instalações junto ao Rio das Pérolas (uma localização privilegiada), de ver pessoas muito conhecidas de Hong Kong a apreciar a música e a vista nocturna de que se desfrutava na Casa de Vidro. Acontece que a mudança foi o fim do clube e, desde então, Macau já não dispõe de nenhum local onde se possa apreciar este tipo de música e que a ele se dedique em exclusividade.

Parece uma contradição o território estar cada vez mais próspero economicamente, mas, no que diz respeito à oferta cultural e recreativa, as opções serem cada vez mais reduzidas. As que existem em nada se diferenciam. Faltam opções e qualidade na oferta de diversão musical nocturna em Macau.

Se olharmos para Hong Kong vemos que ali se pode apreciar música jazz em diversos locais e, para quem não gosta de música, há várias outras opções, tais como clubes de humor ou de teatro, que apresentam diariamente uma panóplia de actuações para quem os visita.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

As chagas de São Lázaro

ANTES de entrarmos nos assuntos desta semana, como estamos no início de um novo ano, quero aproveitar para desejar um excelente 2011 a todos os leitores d’O Clarim.
Nos últimos dias de 2010 aproveitei para passear pelas ruas de Macau, tendo deparado com algumas situações que julgo merecedoras de seram referidas nestas páginas. Vou-me cingir a algumas que presenciei numa zona nobre deste nosso território.
No bairro de São Lázaro, tão badalado pelo Governo como a nova zona «hip» para as artes e cultura, temos situações de estacionamento completamente inadequadas para um local que se pretende ser frequentado por turistas e pessoas da cultura. O exemplo que vou referir serve para demonstrar que é necessário mais trabalho por parte das autoridades. Não basta dizer que querem fazer da zona um local aprazível. Se essa vontade não for acompanhada de medidas efectivas no terreno, de nada valerão as boas intenções de quem nos governa.
Primeiro: a questão do estacionamento. Como pode verificar quem por ali passa, são ocupados espaços que não se destinam a tal finalidade. Esta situação, que se repete um pouco por todo o bairro, incomoda os moradores e coloca em perigo quem por ali circula; é que, estando os passeios ocupados, os transeuntes têm de se movimentar na via. E quem não deixa o seu veículo a ocupar os passeios, deixa-o a ocupar locais contra-indicados para o efeito, dando mau aspecto a toda a zona e deixando uma má imagem junto de quem nos visita e que espera encontrar um local atractivo e bem arrumado.
Este bairro tem sido escolhido por muitos casais e revistas de moda para sessões fotográficas, especialmente à noite, devido às características da luz e ao efeito emprestado por todos os edifícios bem restaurados. No entanto, como em qualquer estúdio de «faz de conta», em São Lázaro só temos fachada em muitos dos edifícios. Se olharmos para dentro de alguns deles, vemos que estão em ruínas, apenas se mantendo o aspecto exterior com alguma dignidade.
Nesta zona da cidade vive gente (famílias) desde há muitos anos, porventura até há várias gerações. Tal não se coaduna com fachadas arranjadas. É necessário, de uma vez por todas, que a intervenção seja feita na totalidade e em toda a área há inúmeros prédios, de estilo semelhante ao daqueles que se encontram na rua principal, que precisam urgentemente de restauro completo para poderem ser mostrados à população e a quem ali se desloca para conhecer uma zona histórica. Para fachadas e «faz de conta» já basta a Veneza no COTAI.
Outro dos problemas graves que se pode ver na zona prende-se com o lixo. Na Rua do Volong, junto da Escola de Música do Conservatório de Macau, encontram-se uns contentores de lixo que continuamente cheiram mal. Mais à frente, o pessoal de limpeza das ruas deixa abandonado o seu material de trabalho (carrinho de mão e vassouras) no meio do passeio, preso com correntes, não vá alguém querer roubar tão precioso equipamento! No espaço que medeia estes dois locais, há sempre um rasto de líquido putrefacto e outros detritos, acumulando-se os maus cheiros e a falta de salubridade. Aliás, quem por ali passa pode inclusivamente observar que há até mesmo ratoeiras para roedores, tal deverá ser a proliferação de tais bichos, devido à falta de higiene. Algumas vezes, passando por ali, já vi mesmo turistas mudarem de passeio, por não suportarem o mau cheiro que emanava do local em dias mais quentes.
Será este o postal que se quer para São Lázaro?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

«Verdades» tiveram razão

RECENTEMENTE tem-se falado das reformas políticas no território, ouvindo os dois lados da barricada a advogarem as suas diferentes posições: uns – os que se opõem a qualquer reforma nesse sentido, – dizendo que a RAEM não estará ainda preparada; outros, os defensores da introdução de medidas democráticas, dizendo que já é mais do que tempo para avançar com as medidas previstas de reforma.
Pessoalmente, tenho uma visão relativamente à democracia em Macau e na Ásia que deverá interessar a poucos, pois não creio que ela possa funcionar nos moldes em que é concebida no mundo ocidental. Sendo a democracia a voz da população, gostaria de salientar, no entanto, um recente avanço numa polémica que, há já algum tempo, se arrastava.
Lembram-se, certamente, de ter visto nas páginas dos jornais o conflito entre os moradores da zona da Calçada das Verdades, no centro da cidade, e a Direcção dos Serviços dos Assuntos de Tráfego, relativamente ao estacionamento ilegal em toda aquela área. A troca de galhardetes arrastou-se por meses, com várias decisões tomadas à revelia pelas autoridades e os moradores a manterem sempre firme a sua posição.
Primeiro, reinava uma total anarquia, com motorizadas e carros estacionados em todo o lado, impedindo mesmo alguns moradores de abrir as portas dos próprios apartamentos do rés-do-chão. Depois, os serviços competentes, após várias queixas, decidiram criar locais de estacionamento demarcados. Mas de pouco serviram porque, como se pode ver um pouco por toda a cidade, tais demarcações não são respeitadas, e as autoridades nada fazem para corrigir a situação. Para o confirmar, basta referir, por exemplo, o que se verifica nas traseiras do Consulado Geral de Portugal, vendo as motorizadas ali estacionadas, ao lado de uma das caixas de ponto da polícia, sem que tenham uma única multa.
O arrastar do problema das Verdades, com o constante perigo para a saúde, e com os moradores a continuarem com as suas queixas, não deixou outra opção às autoridades competentes que não fosse ir ouvir o que tinham para dizer e sentar-se à mesa.
As reuniões com os moradores e seus representantes repetiram-se por diversas vezes, com os residentes no local a insistir que as ruas deveriam ser fechadas ao trânsito motorizado, deixando sempre a quem ali vive a possibilidade de estacionar, como sempre fizeram.
Em Macau fazem-se auscultações para tudo e para nada. O que acontece, porém, como criticam os nossos representantes na Assembleia Legislativa, é que as opiniões da população acabam sempre por cair em saco roto, sendo as verbas despendidas no processo auscultativo um desperdício de dinheiros públicos.
Desta vez, ainda assim, parece que o Governo foi mesmo ao encontro daquilo que os moradores sempre pediram, tendo ficado a primeira, a segunda e a terceira ruas com trânsito completamente proibido, e a quarta com trânsito condicionado a moradores.
Os condutores ainda não se habituaram à ideia, como pude verificar num destes dias, quando por ali passei e vi um agente da autoridade a multar algumas motorizadas estacionadas ilegalmente. Noto que a situação melhorou muito, quando comparada com o que se passava há algumas semanas. Os residentes da zona agradecem a melhoria da qualidade de vida.
A pergunta que fica, e que muitos fazem, é esta: por que razão os responsáveis levaram tanto tempo a decidir o que os moradores sempre pediram? E, por outro lado, por que razão o Governo não actua sempre da mesma forma? Se neste caso ouviram as pessoas envolvidas e foram ao encontro dos seus anseios, por que não aplicam a mesma fórmula noutros casos? Será que tem que se deixar a impressão de haver dois pesos e duas medidas, consoante a área da cidade ou o problema que se tem de resolver?
Certamente, se a postura fosse sempre a mesma, constante e clara, os moradores não teriam tantas razões de queixa, relativamente às decisões tomadas pelos governantes.
Não há dúvida que dar voz à população é a melhor forma de democracia que se pode pedir.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sócrates o Mestre

Então nós temos um Primeiro-ministro que é mestre e ninguém sabia de nada? É preciso virem os amigos americanos dizerem-nos que o Sócrates se licenciou em Engenharia Civil em Coimbra e tirou um mestrado no Instituto Universitário em Lisboa!!!
Afinal, para que precisou de tirar o curso de engenharia à pressa e causar toda aquela polémica com o exame de domingo?

http://www.worldleaders.columbia.edu/participants/jos%C3%A9-s%C3%B3crates-0

José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, commonly known by his given names José Sócrates, is the prime minister of Portugal and secretary-general of the Socialist Party. Sócrates first became prime minister in 2005 and was re-elected in 2009.
He was born in 1957 and spent his early years in the city of Covilhã. At the age of 18 he went to Coimbra, where he earned a degree in civil engineering. He received an MBA in 2005 from the Lisbon University Institute.


Numa tradução livre:
“José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, normalmente conhecido José Sócrates, é o Primeiro-Ministro de Portugal e secretário-geral do Partido Socialista.
Sócrates foi eleito Primeiro-Ministro, pela primeira vez, em 2005, tendo sido re-eleito em 2009.
Nasceu em 1957 e passou os primeiros anos da sua vida na cidade da Covilhã. Aos 18 anos rumou a Coimbra, onde tirou um curso de Engenharia Civil. E recebeu um MBA em 2005 pelo Instituto Universitário de Lisboa.”

sábado, 11 de dezembro de 2010

Falar quando há algo para dizer

NA última deslocação que o Primeiro-Ministro de Portugal, José Sócrates, fez à Região Administrativa Especial de Macau, alguns dos «importantes» da terra ficaram indignados pelo facto de este não ter dirigido a palavra à comunidade portuguesa.

Pessoalmente, não me interessa nada que o Primeiro-Ministro, seja ele de Portugal, da China ou de qualquer outro país, venha a Macau e nos dirija a palavra (falo como residente). O que me interessa mesmo são actos e acções. De palavras e boas intenções estou cheio e, penso eu, será este o sentimento da maioria da comunidade radicada ou nascida em Macau.

Se Sócrates veio a Macau e não dirigiu a palavra à comunidade portuguesa, deverá ter sido porque não tinha nada de importante para dizer e, quando assim é, mais vale estar calado. De palavras ocas estamos todos fartos, pois sempre que por aqui passa um qualquer dirigente de Lisboa ouvimos um rol de promessas que nunca são cumpridas.

De que serve dirigir a palavra à comunidade se, logo após entrarem no barco para Hong Kong (sim, porque já nem voos de Lisboa para Macau temos), se esquecem de que existe uma comunidade significativa neste território?

Quem aqui vive e tem raízes em Portugal espera mais do Executivo de Lisboa; pelo que me toca, vivo muito bem sem que eles se preocupem. Não me pagam «tachos», nem conto com o Governo de Portugal para a reforma ou qualquer outro tipo de apoio; portanto, se aqui querem vir e não falar, tanto melhor!

Por outro lado, acho de completo mau gosto que um dignitário de Portugal venha a Macau e apenas convide uma parte da comunidade para se encontrar com ele. Se vem em representação do País, deveria «honrar» com um convite ou, no mínimo, com um encontro aberto, todos aqueles que possuem um passaporte de Lisboa. O facto de ter convidado apenas uma «elite» demonstra, de facto, a forma como olham para quem aqui tenta dignificar o nome do País.

Há muito deixei de participar em reuniões que tenham lugar no Bela Vista, pois considero que apenas se realizam para a fotografia e nada mais significam. Há outras formas de mostrar à comunidade de nacionalidade portuguesa (não nos podemos esquecer que são umas centenas de milhar), que Lisboa não os esqueceu.

Relativamente aos encontros no Bela Vista, havia quem os caracterizasse como sendo um óptimo local para beber bom vinho e comer maus aperitivos «à pala»! Como sou mau de estômago, prefiro beber bom vinho em casa e confeccionar os meus aperitivos. Assim poupo nas azias!

Para que Lisboa nos ouça, temos o Consulado Geral de Portugal, cujo trabalho, se exceptuarmos alguns funcionários que deixam nódoa na folha de serviço por serem arrogantes, apresenta um saldo muito positivo. A destacar, sem dúvida, o nosso cônsul, que tem sido hábil nos contactos e tem feito intervenções bem medidas em prol dos portugueses e da presença da cultura portuguesa em Macau.

Também a Casa de Portugal, apesar de ser uma associação particular, tem tudo feito para elevar bem alto a presença lusa nestas terras. As iniciativas estão à vista e são muitas, e quem lidera a associação só não faz mais, porque faltam os meios para isso.

Para além destas duas instituições, não nos podemos esquecer também as de cariz mais local, como a Associação dos Macaenses, a qual, embora direccionada para os «filhos da terra», nunca esquece a sua portugalidade. Isso mesmo o seu presidente, Miguel de Senna Fernandes, faz questão em manter. É o que sucede com a também local APOMAC, mais voltada para os aposentados, mas, apesar de zelar pelos interesses dos seus associados, nunca renunciou às características lusas que a viram nascer.

Por último, não gostaria de deixar passar a oportunidade de referir também a ATFPM, dos funcionários públicos e dirigida por José Pereira Coutinho e Rita Santos. Antes de mais, ela assume-se como uma associação de cariz português, embora a sua mais importante missão seja a defesa dos interesses dos funcionários públicos. Esta deverá ser, sem dúvida, a associação de Macau que mais membros tem com nacionalidade portuguesa, sem esquecer que o seu próprio presidente é também membro do Conselho das Comunidades Portuguesas, em representação de Macau.

Sem querer estar a enumerar todas as associações e clubes de cariz português, penso que estaremos bem representados enquanto comunidade. Pelo que não precisamos que venham de Lisboa dar-nos música…

Que venham e fiquem bem caladinhos! É melhor do que virem e, ao abrirem a boca, acabarem por sair asneiras...

O CLARIM - Semanário Católico de Macau

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Laranjas com produto tóxico (for Eng use the link)

Um aviso que vem de Xangai mas que pode muito bem ser aplicado em Macau. As laranjas à venda podem estar contaminadas com uma cera tóxica.
As autoridades de Xangai ordenaram que os vendedores de fruta parassem de comercializar laranjas por suspeitas de uso de uma cera tóxica. A notícia está a ser veiculada pela imprensa do continente como sendo um dos últimos escândalos de segurança alimentar.
O Governo de Xangai está a realizar testes nas laranjas depois de consumidores se queixarem que a pele ficava vermelha depois de estar em contacto com as laranjas compradas em alguns mercados da cidade, lia-se no Oriental Morning Post.
As ceras industriais podem afectar os cérebros dos humanos, o sistema imunitário e causar problemas respiratórios avança o jornal.
“Os guardanapos (de papel) ficam vermelhos quando se limpa a pele e se segurar a laranja na mão esta fica vermelha”, afirmou um consumidor de nome Hu.
Um vendedor não identificado no mercado abastecedor de produtos agrícolas disse ao jornal que algumas laranjas eram tratadas com esta cera industrial tóxica para “que parecessem mais frescas e pudessem ser vendidas a um preço mais alto”.
As autoridades de Xangai ordenaram a todos os vendedores que retirassem dos pontos de venda todas as laranjas enquanto os testes decorrem.
Até ao momento ainda não foi apurado se as laranjas estavam a ser tratadas com a cera tóxica pelos vendedores ou pelos produtores na provincial de Jiangxi.
O Governo chinês está cada vez mais sobre pressão, tanto dos seus cidadãos como de países como os Estados Unidos da América para que melhorem os parâmetros de segurança alimentar e dos medicamentos.
Fica a questão para Macau. Será que nos nossos mercados também estão a vender deste tipo de laranjas?
Ler aqui no Channel News Asia.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Macau e a Noruega

DAQUI a pouco mais de quatro semanas estamos no final de 2010 e parece que ainda agora estávamos a celebrar o Ano Novo Chinês do Tigre. O ano passou rápido e pouco aconteceu que mereça destaque.

Voltámos a receber uma prenda do Governo: vimos os ordenados aumentados, mas também, em contrapartida, vimos o custo de vida aumentar num grau maior do que o do dinheiro que nos entra na conta bancária. O que significa que ficámos a perder nas contas finais. No entanto, cá vamos continuando a nossa vida, como se tudo estivesse bem e Macau fosse um mundo de rosas. Sê-lo-á, talvez; mas, tal como as rosas que, apesar de belas, têm os seus espinhos, também o território tem os seus.

Hoje, felizmente, parece haver dinheiro em abundância e, se tudo correr como até agora, assim irá continuar por muitos e bons anos. No entanto, não posso deixar de comparar Macau com a Noruega. Apesar de estarem nos antípodas do globo, este dois locais partilham de algo em comum, o «superavit» das contas públicas.

Confesso que pouco sei deste país nórdico e que não conheço nenhum norueguês; o que li, porém, numa das últimas edições da Reader Digest’s asiática, de que sou assinante há vários anos, deixou-me a pensar sobre o dinheiro de Macau.

A Noruega, até há bem poucos anos, era um país esquecido e pouco importante no que diz respeito à economia global. Ainda o é; mas esta crise mundial veio dar-lhe alguma visibilidade, devido à sua racional gestão dos dinheiros vindos da exploração do petróleo, que foi descoberto na década de setenta.

Macau não tem petróleo, mas tem jogo, o que vai dar mais ou menos ao mesmo, um fluxo constante e elevado de verbas a entrar nos cofres do Governo todos os meses.

Os Noruegueses decidiram, quando começaram a explorar a sua «mina», que o dinheiro proveniente do «ouro-negro» não seria utilizado para pagar contas do Governo. Nem uma única «coroa» seria usada para pagar contas correntes provenientes dos gastos do Estado e todas as verbas provenientes da exploração do petróleo seriam aplicadas em fundos de investimento e outras formas de o rentabilizar em segurança. O lucro aí gerado seria então utilizado para «gerir» o País. Uma solução que, em pouco mais de duas dezenas de anos, fez do País um dos mais ricos do mundo, com os melhores padrões de educação e de cuidados médicos Virtualmente, todos os cidadãos têm acesso gratuito aos melhores serviços médicos (de alta qualidade), o ensino é gratuito (até ao ultimo ano da universidade) e as reformas são das mais altas do mundo (que são pagas, mesmo que não se tenha trabalhado – no mínimo o equivalente a 300 mil patacas anuais). Há instalações culturais até na mais pequena aldeia e os cidadãos têm acesso à cultura por preços quase irrisórios.

Todas as comunidades têm, para os pais que trabalham, locais para deixarem os seus filhos a partir dos seis meses de idade. Locais de excelente qualidade e que prestam serviços em diversas línguas (as que forem necessárias para fazer face à diversidade da comunidade). E, ainda no referente à família, a licença de maternidade é de um ano e paga na totalidade, podendo ser dividida em duas partes iguais por ambos os progenitores.

Não é um sistema justo e há queixas. Mas as que existem não se devem à falta de qualidade do serviço que lhes é proporcionado, mas à falta de parcialidade. Há quem não concorde que toda a população receba por igual, visto que uns esforçam-se mais do que outros. Mas, como não há sistemas perfeitos, sempre será preferível ter um imperfeito que peque pelo excesso!

Não tenho conhecimento da forma como são aplicadas as verbas provenientes do Jogo em Macau, mas preocupa-me o facto de um dia o motor da economia local vir a encravar. Se tal acontecer, será que os lucros foram bem aplicados e dispomos de um fundo que nos permita desfrutar da mesma qualidade de vida que temos tido até agora?

Será que o Governo tenha aplicado bem as verbas e apenas use os juros que daí surgem para fazer face às despesas do dia-a-dia? Não me parece. Pelo que seria muito bom olharem para o caso da Noruega, para aprenderem com os bons exemplos a seguir, de modo a saber deles fazer uso na aplicação do dinheiro que é de Macau.

O CLARIM - Semanário Católico de Macau

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Wikileaks sob ataque

Ora aqui está a notícia que se esperava há muito tempo. Depois de meses a revelar documentos secretos de vários países, a Wikileaks está a ver o seu fundador atacado por outro ângulo. Como não os conseguem fazer parar de publicar assuntos incómodos, tentam descredibilizá-los.
O fundador da Wikileaks é acusado de violação, entre outros crimes, de duas jovens suecas.
O mandato de captura internacional já foi emitido pela INTERPOL… No entanto, levanta-se um problema, ninguém sabe onde anda Julian Assange. Aliás, o fundador da Wikileaks foi sempre um grande mistério para as autoridades internacionais porque sempre conseguiu andar sem ser notado.
A serem verdade as acusações que caem sobre este homem, tal deve ser julgado e condenado. No entanto, devem separar as águas entre a sua conduta privada e a sua prestação no desempenho da Wikileaks.
Sinceramente, considero que tudo não será mais do que uma forma de descredibilizar o incómodo website. Se não os conseguem parar atacam-lhes a credibilidade.

Ver a noticia na íntegra…

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sabe onde fica a Quia e os Natap?

NO próximo ano fecha-se mais uma década em Macau no que diz respeito à contagem da população e, de acordo com directivas internacionais, deve-se proceder a mais um censo.

O processo está já em marcha há algum tempo e, pela primeira vez, a população de Macau irá ser contabilizada no grande número dos cidadãos da China.

Quem passou pelo Largo do Senado no início deste mês de Novembro teve, certamente, oportunidade de ver um grande aparato preparado pela Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos para promover a campanha que vai prolongar-se até 26 de Agosto de 2011.

Tudo isto é de louvar, visto que a participação de todos é essencial para um exacto apuramento do total de pessoas a viver em Macau.

A participação nos censos, com informação verídica e fidedigna, é um dever cívico de todos quantos vivem e trabalham em Macau. No entanto, antes de tudo, as autoridades envolvidas devem ter sempre presente que em Macau há duas línguas oficiais e que ambas devem ser tratadas em pé de igualdade. Numa primeira abordagem ao processo, tal não se verifica, porque são visíveis alguns erros e incongruências nos valores e dados apresentados na exposição do Largo do Senado. Assim como algum material de promoção só existe em chinês, como por exemplo os calendários alusivos à iniciativa.

O território de Macau está, desde há algumas décadas, dividido em paróquias, algo que herdou da tradição católica portuguesa, e que tem sido mantido ao longo dos tempos para todo o tipo de organização territorial. Sem que se saiba ter havido uma mudança de política neste campo, aparecem nas estatísticas publicadas nos painéis do Largo do Senado denominações algo caricatas, se não mesmo abusivas.

A saber: há em Macau cinco paróquias, distritos ou o quer que lhe chamem, mais a da Taipa e a de Coloane, perfazendo um total de sete zonas demográficas e bem delineadas: Santo António, São Lázaro, São Lourenço, Sé, Nossa Senhora de Fátima, na península, Nossa Senhora do Carmo, na ilha da Taipa, e São Francisco Xavier, na ilha de Coloane, estando ainda por denominar a da zona do COTAI. Isto é facilmente constatado consultando os censos de 2001 e os intercensos de 2006, anos em que estas zonas (como se pode ver nas fotos) aparecem com os dados respectivos. No entanto, nos dados publicados no Largo do Senado aparecem zonas como Ilha Verde, Natap (a saber, isto significa, de acordo com o chinês, os novos aterros da Areia Preta), Doca do Lamau ou Ferreira do Amaral (Quia), com o erro ortográfico e tudo! Aliás, o termo da Areia Preta aparecia já nas informações relativas ao Metro Ligeiro, mas pensava-se que não fosse ainda oficial, visto estar apenas relacionado com a zona mais recente e onde, de acordo com os dados conhecidos, irá desembocar a mega ponte Macau-Zhuhai-Hong Kong.

Estou ansioso por ver a publicação dos resultados oficiais dos censos de 2011, para ficar a saber se, como indica o que foi exposto, houve alguma mudança das denominações das zonas de Macau, sem que tal tenha sido publicado ou mesmo levado a consulta pública junto da população.

Sinceramente, espero que tudo não passe de um rasgo criativo dos responsáveis pelos dados estatísticos do território. Porque, se realmente alteraram as denominações, algo terá de ser explicado em praça pública, porque quem aqui vive merece ser informado das decisões tomadas nas camadas superiores do órgão que nos governa.

Não que seja de sobeja importância, mas se se pretende que os censos sejam acreditados internacionalmente, a sua elaboração deve ser feita de acordo com as directivas internacionais. E estas não se coadunam com mudanças na estrutura administrativa do território. Se se usam paróquias como sistema de divisão administrativa, como se pode passar para um outro sistema mantendo a coerência dos dados recolhidos?

Por exemplo, o NAPE, que aparece como zona na exposição no Largo do Senado, faz parte da Freguesia da Sé.

O CLARIM - Semanário Católico de Macau

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A vender como comprei - Pouca vergonha!

Chegou-me pelo correio electrónico da mesma forma que a estou a divulgar. Sabendo, de antemão, que o Embaixador está em vias de ser substituído. Se já não o foi na última rotação diplomática.
Uma verdadeira pérola, esta série de duas fotografias. Que Vergonha!
O personagem que dorme profundamente, durante uma cerimónia oficial, é o excelentíssimo Embaixador Luis Barreira de Sousa, Embaixador de Portugal em Timor.
Quem aproveita a ocasião para tirar uma fotografia, é o Presidente da República de Timor, Ramos-Horta.

sábado, 20 de novembro de 2010

Gastronomia volta a ignorar o Português

capa_lrgPELA décima vez está a ser levado a efeito o maior certame «gastronómico» de Macau. Coloco entre aspas o termo gastronómico porque, em minha opinião, para merecer tal designação deveria melhorar em muitos aspectos. É mais um arraial de comida e tudo ao monte, em que pessoas se empurram enquanto tentam engolir o que carregam nuns pratos de papel à procura de mesa. E quando têm a sorte de encontrar mesa, o mais certo é que ela esteja imunda e, em simultâneo, ter como vizinho do lado um indivíduo que arrota como se estivesse num restaurante japonês, pertencente, por isso, ao grupo dos que acham que arrotar alto e bom som é uma forma de mostrar ao «chefe» que estão satisfeitos!

Chan Chak Mo, presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, voltou a apresentar, uma vez mais, o certame com pompa e circunstância. E, mais uma vez também, o evento esquece uma das línguas oficiais da RAEM.

Começa a ser tradição e já ninguém liga. Ora, como o certame conta com milhões atribuídos pelo Governo, considero que os seus promotores deviam usar as duas línguas oficiais. Para que se saiba, só desde 2007 e de uma instituição do Governo, receberam mais de dez milhões de patacas, sem incluir a verba que vão usar este ano. É muito dinheiro vindo do bolso do Executivo e, mesmo assim, «atrever-se» a ignorar uma das línguas oficiais.

Com o encerramento previsto para depois de amanhã (21 de Novembro), a iniciativa contou, de acordo com a organização, com mais de uma centena de quiosques.

Como é normal neste tipo de arraial, a afluência popular é grande, assim como a confusão junto dos representantes que fornecem os petiscos mais «badalados». Como já vem sendo habitual, entre as barracas mais concorridas contam-se as dos representantes da culinária da Formosa e de alguns restaurantes locais que diariamente, nos respectivos locais de origem, cobram preços proibitivos.

De acordo com o deputado/presidente da União, estiveram representados grande parte dos estabelecimentos de Macau, abrangendo a culinária chinesa, asiática, macaense e europeia. Depois de ouvir as suas declarações, aquando da apresentação oficial do certame, fiquei «satisfeito» que não tenha referido que também haveria comida portuguesa. É que usar o termo europeu soa mais «in» e poupa-nos a explicações esfarrapadas, porque o que ali é servido em nada dignifica a culinária portuguesa tradicional. Se consideram que dignifica os outros tipos de comida, deixo isso ao critério de cada um e de quem lá vai com o intuito de satisfazer a sua gula gastronómica.

Aquele deputado, já por várias vezes interpelado sobre a falta da língua oficial portuguesa no certame, sempre se esquivou e recusou responder. Não sei o que o move, para não contemplar que se faça uso das línguas oficiais da RAEM, nem compreendo como é que o Governo, que acaba por pagar todas as contas, não obriga a que tal se cumpra. Não será uma questão de casmurrice, mas sim de princípio. Se usam dinheiros públicos e o certame diz querer promover a imagem de Macau, deveriam começar pelo mais elementar.

Importa respeitar o artigo 9 da Lei Básica, o qual diz claramente que, além da língua chinesa, se pode também usar a língua portuguesa. Aliás, quem vem de fora para nos visitar, faz sempre questão de salientar que consideram bastante positivo, e diferenciador, o facto de em Macau existirem duas línguas oficiais tão distintas. O próprio facto de termos uma língua oficial ocidental e outra oriental é factor de diferenciação e, caso tal desapareça dos certames turísticos, Macau não passará de um subúrbio pobre de Zhuhai.

O presidente da referida União, – que mais não seja por ser deputado da Assembleia Legislativa, – deveria ser o primeiro a defender o uso das duas línguas.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Leituras de fim-de-semana

Chegados, mais uma vez, ao fim da semana, altura de vos deixar algumas sugestões para estes dois dias de altas velocidades pelas ruas de Macau.
Falando de rodas e aceleras, que tal as autoridades de Macau olharem para o exemplo de New York.
De acordo com uma notícia vinda a público nos últimos dias, um táxi futurista, com tecto transparente para se ver a paisagem, é um dos três finalistas da iniciativa do Município de Nova Iorque “Taxi of Tomorrow”.
O modelo (V1) do construtor Turco (Karsan Otomotiv) foi escolhido juntamente com um outro da Nissan e da Ford.
A iniciativa de procurar um taxi ecológico e eficiente partiu da comissão que tem como função regular os táxis da Big Apple. O vencedor da iniciativa, que tem de, entre outros parâmetros, ser ecológico, eficiente em níveis de consumo e ser acessível a cadeiras de rodas, irá assinar um contrato de fornecimento de veículos para os próximos dez anos.
Ora aqui está uma boa ideia para os pensadores de Macau que se “esforçam” por solucionar os problemas do trânsito e falta de táxis… Ver na íntegra aqui….
Mas se não estiver virado para os motores, que tal ajudar o Vladimir a encontrar um nome para o seu novo cachorro?
O Primeiro-ministro Russo recebeu um “puppy” de presente do seu homólogo búlgaro Quem estiver interessado por ir ao website http://www.premier.gov.ru/ e deixar a sua sugestão para o cachorro pastor búlgaro.
Mas não entrem em grandes euforias e extravagancias. É apenas para dar o nome. Não queiram fazer como o dono do “pony” de Muenster na Alemanha. O senhor, possivelmente “fan” dos Rolling Stones, queria fazer o seu animal único e preparava-se para tatuar a famosa imagem de marca dos Stones, a língua, no dorso do animal. Este já estava de pêlo rapado e pronto para ser “inked” quando um tribunal da terra ordenou que fosse proibido tal acto à luz da Lei que proíbe tatuar qualquer animal de sangue quente.
Para terminar.
Da próxima vez que lhes passar pela cabeça fugir do restaurante sem pagar a conta, pensem muito bem.
Em Londres um desempregado nunca deixou de se tratar bem nos melhores restaurantes da cidade. No entanto, à última da hora, arranjava sempre forma de desaparecer sem pagar a conta do repasto.
Foi finalmente detido e acusado de “eat and run”. A conta de uma (entre muitas durante mais de um mês) vinha com um recibo de 11 mil patacas!!!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cozinha da NaE volta a publicar

Para quem andado mais desatento… a Cozinha da NaE voltou, recentemente, a publicar mais algumas delícias.
Vão consultar e aproveitem para experimentar pratos mais inovadores e provar sabores menos usuais.
Se precisarem de conselhos e dicas, enviem comentários no blog que a NaE responde assim que tiver tempo.
Ah, se houver críticas, conselhos, sugestões ou mesmo pedidos, não se façam rogados!
Tenho o prazer de anunciar que a Cozinha da NaE foi contactada por um Chef brasileiro, que está neste momento a elaborar um livro (traduzido de espanhol para português), para esclarecer algumas dúvidas relativas a ingredientes da comida tailandesa.
As novas receitas:
Massa com carne de vaca em sopa de coco
Carne picada com erva-cidreira

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Waiting in CHCSJ

Waiting for my turn to be checked by the reumatology doctor...
Three patients in line...let's see how many hours... arrived at 9am...
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

FIMM merece mais promoção

É TRISTE saber que se gastam milhões em espectáculos musicais e artísticos e depois se descuida a sua promoção.

Há 24 anos que o Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) se assume como o grande cartaz cultural (no campo musical) do território. Uma incitativa que tem tido todo o apoio do Executivo e que, de ano para ano, tem visto o seu programa melhorar substancialmente.

Ponto assente, desde sempre, é o carácter ecléctico dos estilos participantes, havendo representantes de um grande leque de vertentes musicais: música clássica, moderna e popular. De ano para ano, a organização tenta inovar e trazer novas apostas.

Aparte polémicas relacionadas com o facto do director artístico privilegiar artistas que são representados pelos seus amigos ou pela sua própria empresa, a verdade é que o Festival tem sempre uma oferta de nível internacional. Claro que há sempre lugar para melhorias. E hoje quero salientar pelo menos uma delas.

No tocante à promoção, muito ficou por fazer. Tomemos como exemplo o concerto do mais sonante grupo vindo de Portugal, os «Blasted Mechanism». Actuaram no dia 1 de Novembro, pelas 20 horas, junto dos Lagos Nan Vam, mas, mesmo entre a comunidade portuguesa, havia muita gente que nada sabia. No seio da comunidade chinesa local, muitos nem sequer sabiam do Festival em si, quanto mais do concerto da mais conceituada banda portuguesa da actualidade.

Quer se goste, quer não, do estilo musical, a verdade é que os «Blasted Mechanism» são, de momento, a banda portuguesa mais conhecida no estrangeiro. Aliás, julgo até que devem ser mais conhecidos no estrangeiro do que naquele rectângulo a que nos habituámos a chamar «ocidental praia lusitana». A sua legião de fãs a nível mundial é fácil de compreender, visto que na maioria das suas músicas impera a língua inglesa. Na Ásia, apesar de nunca aqui terem actuado anteriormente, têm um grande grupo de seguidores, especialmente em países onde o estilo musical que apresentam está mais enraizado, casos do Japão, Coreia do Sul, Singapura e Filipinas.

Foi aqui que falhou a promoção. O FIMM, apesar de ser um festival para Macau, merece ser internacional (como se apresenta no nome) e ser promovido «lá fora». Se a promoção deste tipo de grupos, que potencialmente terão mais seguidores no estrangeiro do que em Macau, fosse bem feita, o Festival, certamente, atrairia mais turistas estrangeiros a visitar Macau nesta ocasião.

Se o Grande Prémio de Macau, o grande cartaz do desporto motorizado do território, merece promoção na BBC e em outros canais internacionais, porque não o FIMM, destacando o que de melhor se apresenta no cartaz para esse ano?

Um programa que custa milhões, que nos traz a Opera Australia, que actuou no encerramento do Festival, ou a orquestra Gürzenich, de Colónia, e o virtuoso pianista chinês, Yundi Li, merece muito mais promoção, tanto dentro de portas, como no exterior, porque tem, de facto, capacidade de atrair amantes de música a deslocarem-se a Macau.

Havendo milhões para trazer todo o vasto leque de artistas e havendo quem sabe fazer boa promoção, não se compreende que este aspecto essencial da organização de um evento desta envergadura seja descurado.

Vamos esperar pelo próximo ano, para ver se melhora. Estaremos atentos, assim como toda a população da RAEM.

Ouvidos moucos

Hoje li um dos pseudo-intelectuais locais a insurgir-se contra a satisfação dos moradores de Macau relativamente à possível abertura das fronteiras terrestres com a China durante 24 horas. Afirmava que tal decisão iria meter em causa toda a economia local, visto que se teria acesso, a toda a hora, aos mesmos produtos a preços mais reduzidos! Já não temos com a mesma aberta das 7 à meia noite?

Não digo que tal não possa acontecer. Nessa situação, claro, seria o mercado a funcionar, com os clientes a procurarem aquilo que mais lhes convém. Aos comerciantes resta-lhes tornarem-se competitivos e encontrar formas de “lutar” contra os concorrentes do outro lado da fronteira.

No entanto, o problema que leva tal pensador pouco em sintonia com a realidade local de 2010, parece nem se levantar.

O que se fala, há já muitos anos, acerca da abertura das fronteiras (das Portas do Cerco entenda-se) não deverá passar do papel para já. O que se fala em Pequim, e estará prestes a ser anunciado como prenda de novo ano, é sim a abertura da fronteira de Flor de Lotus que liga à Ilha da Montanha. Aliás, parece mesmo que os condutores de Macau vão passar a ser autorizados a conduzir na Ilha da Montanha, passando a Ponte Flor de Lotus com os carros de Macau e sem terem de recorrer a matrícula ou carta de condução chinesa. Alias, como confessam alguns, é apenas um voltar às origens visto que Hengqin era parte dos domínios de Macau há muitos anos.

A separação seria feita na ponte que liga à Lapa.

Sinceramente há pessoas que mais valia estar caladas em vez de andarem a “xxxxx” postas de pescada.

Janis Joplin - Try (just a little bit harder)

This weekend will leave music... instead of readings...
Enjoy this voice...
Unforgetable

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

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Patinar no mesmo sítio

UMA selecção de Macau participou, mais uma vez, num campeonato do mundo e voltou a elevar bem alto o nome desta terra. No entanto, apesar de ser das poucas representantes do território que, invariavelmente, lhe traz medalhas e prestígio desportivamente «lá fora», é das que menos apoio oficial recebe. Falo, como já devem ter percebido, da selecção de hóquei patinado de Macau, que é comandada por Alberto Lisboa e que acabou de participar no Campeonato do Mundo B, tendo ficado em quinto lugar.
Dá pena ouvir os jogadores e seleccionador falarem apaixonadamente da modalidade e do empenho que mostram para honrar a camisola que vestem por esses países fora. Faz-nos sentir mal, porque se sabe que dentro de portas, a nível oficial, ninguém lhes dá o valor devido. Não se percebe, sendo esta selecção a única (se não a única, poucas mais haverá) a trazer medalhas mundiais e regionais para o território. Macau ficou em quarto lugar a nível mundial B, por duas vezes, em 2004 e 2006, tendo marcado presença, pela primeira vez, no Campeonato Mundial A (onde figuram todas as potências mundiais do hóquei patinado, como Portugal, Espanha e Itália), em 2005, na cidade de São José da Califórnia (Estados Unidos da América).
Ganharam o campeonato asiático em 1987, 91, 97, 2004, 2005, 2007 e este ano (2010), em Dalian. Nos anos em que não trouxeram a medalha de ouro asiática trouxeram a de prata.
Contam-se pelos dedos de uma das mãos o número de campeões que Macau pode apresentar com um palmarés como o da equipa de hóquei em patins, pelo que esta modalidade é, sem qualquer sombra de dúvida, a que maior prestígio nos traz.
Ano após ano, participam no Campeonato Mundial B, ficando sempre nos lugares cimeiros. A nível asiático são a potência da modalidade, sem terem concorrentes à altura.
Incompreensivelmente os responsáveis desportivos continuam a ignorá-los e a dar-lhes pouco apoio. Ainda antes deste mundial, que agora terminou na Áustria, poucos treinos puderam fazer, porque em Macau não têm um espaço onde possam treinar condignamente.
Não gosto de fazer comparações, mas neste caso tem mesmo de ser. Vejamos a selecção de futebol sub-21, patrocinada pelas autoridades governamentais, onde se injectam em todas as vertentes milhares de patacas anualmente e nem no campeonato local conseguem resultados positivos. Basta olhar para a tabela da competição em que participam para ver do que falo. Não se trata de má vontade ou de má-língua; são apenas factos. A selecção de futebol conta com todo o apoio, tendo mesmo em alguns períodos tido treinadores «importados», mas os resultados em nada elevam a imagem da RAEM. Ora, a selecção de hóquei em patins participa em competições internacionais de alto nível, traz títulos e coloca a bandeira do território bem alto, e nada mais recebe do que algum apoio logístico institucional.
Faltam-lhes condições de treino, locais onde possam praticar e estagiar antes das grandes competições, assim como lhes falta apoio no que diz respeito a tudo o que envolve a prática do desporto.
É altura dos responsáveis do desporto local, e também as empresas privadas, porque a elas também lhes cabe uma quota-parte da promoção da educação dos jovens locais, olharem para esta modalidade com olhos interessados e darem-lhes as condições que reclamam desde sempre. Não pedem tratamento preferencial; querem apenas ter um local onde patinar, sem estar dependentes de outras modalidades e terem todo o apoio que atletas de alta competição merecem ter.
Macau precisa de manter o seu hóquei patinado. Apesar de não perceber muito de desporto, penso que incluí-lo como modalidade escolar no território seria um importantíssimo passo para assegurar novos jogadores no futuro. Assegurava-se o futuro da modalidade e o próprio campeonato interno, caso se promovesse o hóquei como desporto, pelo menos nas escolas públicas da RAEM.
Sendo Macau um local de pequenas dimensões, penso que faria mais sentido apostar neste desporto, que precisa de menos praticantes, do que optar por modalidades que precisam de um grande número de atletas e de grandes espaços livres.

NaE's kitchen A Cozinha da NaE

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