Tanto desprezo |
Mais uma vez um grupo de casmurros de Macau – alguns nascidos cá; outros, «filhos da terra adoptados» que consideram o território como a sua terra – vestiram-se por amor à camisola e às cores da RAEM para ir renovar um título asiático. Na Imprensa sempre se foi lendo alguma coisa acerca dos resultados, penso que por apontamentos feitos via telefone, em contacto com os atletas envolvidos. Não me parece que tenha sido enviado qualquer jornalista para acompanhar o campeonato asiático de hóquei em patins, cuja selecção de Macau é campeã. Já quanto à TDM, tanto a rádio como a televisão, que são do Governo, nem se dignaram enviar um jornalista, nem um operador de câmara. Um desprezo total pelos atletas e pelo esforço que fazem para carregar a cruz da camisola do Lótus. Tanto quanto sei, não houve cobertura televisiva do campeonato transmitido nos canais locais. Não consigo compreender como é que os atletas encontram forças para ainda continuarem a dar o seu suor, quando da parte do Governo e da Comunicação Social – esta por ele gerida e mantida – continuam a ser completamente ignorados. O campeonato asiático foi organizado numa cidade chinesa e, ao que parece e que foi noticiado na Imprensa, as condições eram péssimas: má comida, frio, poucas condições para os atletas, entre outros contratempos. No entanto, mesmo assim, a selecção liderada por Alberto Lisboa conseguiu trazer mais um título para Macau. É, sem dúvida, a equipa de Macau com mais títulos internacionais, mas nem por isso recebe o reconhecimento do Governo de Macau. Não se justificava já uma medalha da parte das autoridades da RAEM? Será por serem, maioritariamente, de origem portuguesa? Mas, afinal, o que é Macau, senão uma mistura de etnias e de nacionalidades aqui concentradas ao longo de cinco séculos? Seria bom que o Governo, de uma vez por todas, metesse esses complexos de inferioridade atrás das costas e apadrinhasse aquilo que de bem se faz em Macau. Em vez de andarem a importar atletas da «mainland», que acabam por nada dar a Macau, virem-se para o que de bem se faz aqui dentro, sejam os atletas nascidos ou não em Macau. Que eu saiba, nenhum dos patinadores foi contratado especialmente para vir representar as cores de Macau, ao contrário do que acontece em outras modalidades. Todos eles são «feitos» e desenvolvidos em Macau, com o esforço do seleccionador e de toda a equipa da entidade responsável pelo hóquei patinado do território. A triste realidade é que a selecção de Macau de hóquei patins é campeã asiática, tendo participado neste último campeonato sem ter perdido um único encontro, mas continua a ser desprezada pelas entidades oficiais do território. Os atletas treinam em péssimas condições, fazendo imensos sacrifícios para se encontrarem e, mesmo assim, os resultados aparecem. Imaginem se da parte do Governo houvesse o mesmo apoio que prestam a outras modalidades, nomeadamente ao futebol, em que existe uma selecção totalmente patrocinada pelo Governo e que nada faz, senão sofrer goleadas, quando joga com as suas congéneres estrangeiras. É uma pena que esta situação se arraste, sem que ninguém faça nada para a mudar! |
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Tanto desprezo
Desigualdades (que não se apagam com patacas)
Desigualdades (que não se apagam com patacas) |
Quantas pessoas continuam sem trabalho, mesmo com qualificações, enquanto que outras mal chegam, ou acabam cursos sem qualquer interesse numa universidade que ninguém conhece, e começam logo a trabalhar com grandes salários em bons empregos, porque conhecem as pessoas certas ou são da família tal que mexe cordelinhos nos locais de decisão? Enquanto que outros trabalham a vida inteira no duro sem nunca serem reconhecidos e vêem estes privilegiados a passar-lhes à frente. E, no campo dos apoios financeiros, quantos de nós já nos deparamos com barreiras intransponíveis quando precisamos de apoio, mas outros recebem aos milhões só porque conhecem fulano ou sicrano e têm amigos que tomam decisões acerca de dinheiros públicos destinados a apoiarem seja o que for? Há pedidos que nunca recebem resposta, mesmo após inúmeras tentativas para se saber o resultado. Enquanto que outros fazem os pedidos já sabendo quanto vão receber, quanto e quando! Basta olhar para o que é publicado na Imprensa para se ir percebendo que existem muitas injustiças, nomeadamente na atribuição de apoios a eventos e iniciativas realizadas em Macau. Méritos das iniciativas aparte, porque todas elas o têm de uma maneira ou de outra, quais são os critérios que levam a Fundação Macau (apenas como exemplo, visto ser o maior «fornecedor» de apoios com dinheiros públicos da RAEM) a financiar uma associação para despesas correntes, mas nega apoio a outra quando esta se propõe organizar um evento que pode ajudar a promover o nome de Macau no exterior por uns míseros milhares de patacas? Mas, quem diz a Fundação Macau, pode referir qualquer outra instituição do Governo ou particular. O que está em causa é a falta de critérios igualitários que dão depois origem a desigualdades difíceis de aceitar pela sociedade e que fazem com que as bases se comecem a revelar contra quem manda. Quando o Governo decide dar aos residentes uns cheques, dissimulados como forma de ajudar a combater a inflação, algo de muito errado vai no seio da nossa sociedade. Macau, pelo que sei, não é o único «país» que enveredou pela distribuição de dinheiro pelos seus cidadãos. Essa medida tem vindo a ser utilizada por muitos dos reinos do Golfo Pérsico sem resultados aparentes. Aliás, basta ver o desequilíbrio social existente nesses locais. Muitos deles deixaram de distribuir esses dinheiros para os tentar aplicar de forma mais pragmática no desenvolvimento de estruturas que realmente beneficiam a população porque, mesmo com cheques, estas reclamam mais benefícios sociais. Recentemente li na Imprensa internacional que Macau, apesar de ser o local que mais lucros tira do jogo a nível mundial, apenas tem três unidades hospitalares, enquanto que Las Vegas, a quem Macau tirou o trono, oferece dezenas de hospitais aos seus residentes e uma qualidade de vida que a RAEM nem consegue imitar, quanto mais igualar! Colocando de parte toda a propaganda que o artigo pudesse conter, uma verdade não se pode esconder: Macau está a sofrer devido à falta de capacidade dos seus governantes trabalharem para a população. A governação da RAEM está, cada vez mais, virada para as empresas e para o lucro a qualquer custo. O escamoteamento desta realidade com cheques que tentam calar os mais pobres não é mais do que uma completa falta de respeito pelas pessoas inteligentes. Pessoas essas que – na minha opinião – são ainda a maioria da população, apesar do Governo pensar que a classes média e baixa não passam de uma cambada de ignorantes que podem ser comprados, quiçá também calados, com meia dúzia de milhares de patacas por ano. Macau sofre de um sintoma social grave e que o Governo, por muito que tente, parece não conseguir curar: A sociedade está enferma devido aos abusos da máquina administrativa, pelo que o tratamento terá de passar, em primeiro lugar, por essa mesma máquina... Muitos deputados defendem uma remodelação governativa. Eu, além dessa remodelação, penso que deveria haver também uma completa reformulação da estrutura do Governo. Neste momento, cada vez que tem de se tomar uma decisão, cria-se uma comissão de avaliação!? Assim, meus senhores, não vamos a lado nenhum! |
Mais uma feira de iates (sem línguas oficiais)
Mais uma feira de iates (sem línguas oficiais) |
O que me leva este ano a escrever sobre a feira novamente é o facto de parecer não terem aprendido nada com a experiência do ano passado. Falo dos erros cometidos, começando por comunicados à Imprensa num Inglês paupérrimo, já para não falar na completa inexistência de Português ou de Chinês tradicional. Foi tudo conduzido como se se tratasse de um evento na «mainland», apenas com Mandarim e escrito em Chinês simplificado. Quanto ao que foi disponibilizado em Inglês, parece-me ter sido obra do «Google Translate». Confrontada a organização com o facto, nada adiantaram, prometendo melhorar na próxima oportunidade, à semelhança do ano passado. A minha crítica pode até ser um pouco descabida. Afinal, que benefícios trazem os barcos para os residentes de Macau? Barcos são para os ricos, ouço dizer muitas vezes! Guardo o direito de discordar, sempre que ouço este tipo de desculpas. Primeiro, sabendo-se da necessidade que Macau tem em diversificar a Economia, a opção por feiras de barcos pode muito bem ser uma opção; primeiro, porque movimenta muito dinheiro; segundo, porque a par do sector da venda de barcos pode surgir, ou ressurgir para ser mais exacto, todo um sector de indústrias de apoio, desde a reparação, a membros de tripulação, a empresas ligadas aos serviços náuticos, a desportos de água, etc. Algo que sempre foi tradição em Macau, mas que nas duas últimas décadas praticamente desapareceu com a cegueira do Jogo. Ao se fazerem feiras de barcos em Macau, e tendo o Governo visão para criar legislação que permita a ancoragem de barcos ao largo – no canal entre Macau e a Taipa, por exemplo, que é uma zona de ancoragem, mas que a Capitania não deixa utilizar, sem se saber muito bem a razão – a construção de mais uma marina iria contribuir para criar um sector forte, que pode empregar milhares de pessoas do território. Macau deve aproveitar esta oportunidade, principalmente porque o maior competidor, Hong Kong, está a atravessar uma crise no sector, não tendo mais espaço para se expandir. Além dos residentes de Macau eventualmente interessados em ter barco, muitos de Hong Kong, se as condições aqui forem adequadas, mudarão as suas embarcações para a RAEM. Todo um leque de actividades pode florescer, caso este ramo de actividade seja dinamizado e apoiado pelo Governo. Contudo, parece que se começou com o pé errado, ao se dar, de mão beijada, a organização do evento a uma empresa que nada tem a ver com Macau. Há no território, pelo menos, duas empresas capazes de organizar tais eventos e com o «knowhow» e uma equipa habituada a organizá-los: uma é obviamente a que está ligada à Doca dos Pescadores (daí se perceber agora porque não disponibilizaram o espaço este ano, penso eu!); e outra, ligada a uma das maiores famílias deste território e cujo líder tem tentado fazer algo pela náutica do território, mas a quem o Governo tem fechado todas as portas. Pergunto: que valor acrescentado traz a empresa da China que está responsável pelo evento? Nunca antes tinham realizado uma feira de barcos! E qual a justificação para que o sócio local fosse a Nam Kwong (que nem sequer é local, pois, como todos sabemos, é um braço empresarial do Governo de Pequim)? E, ainda por cima, vêm para Macau impor línguas que não fazem parte das nossas tradições, desrespeitando as línguas oficias. Recado à Capitania Por várias vezes foi pedido à Capitania dos Portos que fosse permitida a ancoragem de barcos privados na zona do Fai Chi Kei, no apelidado abrigo de tufões, que ninguém usa. Tais pedidos têm sido, repetitivamente, recusados pela autoridade marítima, dizendo que quem quer parar barcos em Macau tem de o fazer na Marina do Lamau, obrigando, assim, os residentes e visitantes a dar dinheiro a uma entidade privada. No entanto, este fim-de-semana esteve um veleiro (Kitty 1), registado em Hong Kong, mas cujo proprietário e empresa que o gere são da China, ancorado no local com pessoas a dormir no seu interior. Ao mesmo tempo, um outro veleiro, pertencente ao proprietário de uma empresa náutica de Hong Kong, foi obrigado a ficar na dita marina, tendo de pagar do seu bolso a estadia. Gostaria que a Capitania explicasse esta dualidade de critérios e fizesse pública a justificação de autorizar um barco, cujo proprietário é da China, a ficar num local onde tem recusado ancoragem, ao longo dos anos, a residentes locais. Espero que a Capitania venha a público responder a isto na língua oficial, porque os residentes merecem saber o que está por detrás desta dualidade de critérios. |
Mais do mesmo nada
Mais do mesmo nada |
De entre todas as migalhas anunciadas, uma houve que me ficou no ouvido pela sua singularidade. O nosso Chefe do Executivo, com toda a pompa, anunciou como medida para fazer face à inflação e, de certa forma, beneficiar os residentes: a devolução de 60 por cento do Imposto Profissional. Até aqui, tudo bem; e a medida até seria de louvar, se o reembolso não tivesse sido agendado apenas para 2014! Então, se me vão reembolsar em 2014 o que paguei em 2012, que efeito terá isso na inflação que tenho de enfrentar diariamente cada vez que abro a carteira? Agradeço que me expliquem o alcance disto, porque eu não percebo! Ou será que nos fazem a entrega dos 60% com juros? Ainda não consegui perceber – deve ser problema da minha mente atrofiada – como se pode fazer frente a problemas relacionados com a inflação, quando as medidas anunciadas são de efeito imediato. Como se resolve o problema do contínuo aumento do custo dos produtos no mercado, quando não se resolve o problema (esse, sim, real) do monopólio do mercado abastecedor que, em grande parte, é o responsável pelos preços selvagens que cobram pelos alimentos frescos nos mercados municipais. A inflação não se resume apenas aos bens de primeira necessidade, claro está. Mas julgo que, se a população, cada vez que vai ao mercado, sentisse que os produtos estão mais baratos e que pode comprar mais comida com o mesmo dinheiro, isso muito contribuiria para reduzir o efeito, pelo menos psicológico, dessa dita malfadada inflação. Não se percebe como é que um cate de hortaliça custa, por exemplo, dez patacas em Macau, quando no mercado de Gongbei (do outro lado de fronteira) custa menos de um renmimbi! Não sou especialista em economia, nem em inflação, mas custa-me compreender como é que temos estas diferenças de preço, quando os fornecedores são os mesmos e a qualidade é igual. Nas LAG foi também anunciado um aumento dos subsídios para os idosos e outras medidas com o objectivo de lhes minorar as dificuldades. Mais uma vez, porém, se trata de paliativos, em vez de um tratamento de fundo que fosse ao encontro das reais necessidades dos nossos idosos e pessoas carenciadas. Os idosos, além de alimentos de qualidade, precisam de habitação condigna. Não têm de ser enviados para Coloane, quando há inúmeros prédios devolutos em Macau, que deveriam ser recuperados e transformados em habitação social. Desta forma os idosos e outras pessoas que precisam de habitação financiada ficariam no seu meio, sem terem de se isolar de tudo e de todos, perdendo todas as raízes que são a base de qualquer sociedade harmoniosa. Por outro lado, os idosos e pessoas mais carenciadas, precisam de cuidados médicos, que devem ser gratuitos e de boa qualidade; dar-lhes uns cheques e subsídios contribui apenas para o aumento do preço da saúde no sector privado, que aproveita para encaixar mais uns milhões à custa dos cheques de saúde. As LAG nada disseram de medidas concretas para fazer face à crescente onda de pessoas a viver nas ruas. Nada anunciaram de medidas para combater o flagelo da toxicodependência e do cada vez maior negócio da prostituição. E nada anunciaram relativamente a formas de fazer face a estes problemas estruturais do território. Apenas lançaram umas aspirinas para enfrentar problemas que se arrastam há vários anos e que, pelo que se vê, parece terem vindo para ficar. Perante tanta falta de coragem, de eficácia e de vontade em procurar resolver os problemas, resta-nos esperar pelas próximas LAG e aguardar por melhores dias. |
Tacógrafos e políticos de algibeira
Tacógrafos e políticos de algibeira |
Aqui em Macau, a autoridade responsável assobiou para o lado, prometendo mais um estudo, quando os membros da Assembleia Legislativa fizeram tal proposta. Um estudo que irá englobar o sector dos transportes – os primeiros a dizer que não interessa, claro, porque vai trazer custos acrescidos e vão deixar de poder explorar os condutores em horas de serviço a fio – e mais uma série de serviços e associações que nada percebem do assunto, mas que são sempre chamados a dar a opinião. E ficou ainda pendente a decisão do facto de não se saber se o «mercado local» estará preparado para fornecer tais equipamentos. Como se os «amigos» não fossem capazes, de um dia para o outro, de encomendar os ditos equipamentos para fornecer, mediante uns chorudos subsídios de Santa Sancha. Cada vez mais nos apercebemos que este Governo não sabe governar! Sabe, sim, produzir medidas avulsas, que nenhum efeito trazem. Apetece-me dizer que olhem para Pequim – apesar de ser uma ditadura comunista, com todos os aspectos negativos que isso possa ter – para aprender como se faz política. O Governo foi eleito (ou nomeado, o que para o caso vale o mesmo) para governar, não para andar a criar comissões, cada vez que tem de decidir alguma coisa. Se é preciso criar um grupo de trabalho para se tomar uma decisão, para que temos Secretários, Chefe do Executivo e Directores de Serviço? Servem apenas para a fotografia, jantaradas e um chorudo salário e regalias? Este exemplo dos tacógrafos, infelizmente, aplica-se a tudo. Não há uma decisão no Governo que seja tomada, sem que não se gastem uns milhões em consultas, estudos, etc. Então, afinal, para que servem os decisores, se só «decidem» depois de ouvir – o que, sinceramente, não acredito porque, depois de mais de uma década de RAEM, nunca fui inquirido – a população? O processo governativo passa, essencialmente, por ter capacidade de tomar decisões, especialmente quando estas são impopulares, mas necessárias. Mesmo sendo erradas, se o seu decisor acreditar estar certo, deve tomá-las. O resultado no futuro dirá se estava, ou não, certo. E caso se prove que tenha errado, deve assumir esses erros e prontificar-se a colocar o cargo à disposição. Infelizmente, em Macau o que se passa é exactamente o oposto. Ninguém toma decisões que são realmente importantes; e quando se fazem escolhas erradas, ninguém é punido. Pelo que dirigente da Função Pública acaba por ser o emprego mais cobiçado aqui no burgo. Aliás, quem não quereria um local de trabalho, com carro pago, cartões de crédito, secretária e assessores, ordenado chorudo, viagens e ajudas de custo se, ainda por cima, não tem que decidir nada e, quando o faz, não é chamado à responsabilidade, caso «meta o pé na poça», para não usar outro termo, que não ficaria muito bem aqui, mas que os leitores devem estar a imaginar qual é... Para quando um processo de decisão baseado em políticas e um processo sancionatório para cargos elevados da Função Pública? E, mais importante que tudo isso, para quando os tacógrafos para os veículos pesados? |
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Sai Van dos problemas
A CRIAÇÃO da via exclusiva para motociclos na ponte Sai Van era tida, pelos responsáveis da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, como a solução para todos os problemas. No entanto, poucos dias após ter entrado em funcionamento, o resultado está muito aquém do esperado. Aliás, para a população em geral o resultado é aquilo que sempre se esperou, ou seja, um autêntico fracasso que apenas os senhores da DSAT teimam em não ver!
O erro – segundo corre nas bocas do mundo – começou logo pelo facto de terem criado a referida via do lado direito do sentido de marcha, quando o Código da Estrada diz que devemos conduzir o mais à esquerda possível, ficando as faixas mais à direita para ultrapassagens e para veículos em marcha mais rápida.
A segunda queixa tipo tem a ver com o facto da via ter sido criada na ponte onde menos acidentes se registam, não tendo sido proibida a circulação dos veículos de duas rodas na Ponte da Amizade.
Apesar de ter menos importância, corre ainda outra crítica que tem a ver com o facto de terem enfiado no mesmo saco ciclomotores e motociclos! Passou tudo a pagar pela mesma moeda, mesmo que para conduzir alguns dos motociclos seja necessário uma carta de condução similar à de automóvel e os seus custos e níveis de segurança serem muito mais elevados.
Os proprietários de veículos de duas rodas de grande cilindrada não compreendem como podem ser comparados a um ciclomotor de cinquenta centímetros cúbicos. Trata-se de veículos de duas rodas extremamente pesados, difíceis de manobrar a baixas velocidades (de lembrar que a velocidade para as duas rodas foi limitada a 60 quilómetros por hora na Ponte Sai Van!) e que pagam de imposto tanto como os seus congéneres de quatro rodas. E algumas até mais! Só mesmo a DSAT para comparar uma Harley Davidson a um «aspirador com rodas», vulgo scootter!
Felizmente ainda não houve qualquer acidente fatal (até à elaboração deste texto), mas têm sido registados acidentes quase diariamente, causando uma confusão total na ponte. O acesso dos veículos de emergência tem de ser feito pelas únicas duas faixas livres para veículos de quatro rodas, o que causa grande congestionamento no escoamento dos carros. As fotos dos vários acidentes têm andado a circular no ciberespaço, mas parece que os responsáveis da DSAT continuam de palas nos olhos, não vendo o evidente.
Na altura em que a medida foi anunciada, foi dito que era resultado de muitos estudos científicos e de ponderada reflexão. Mas esses estudos, ou os seus resultados, nunca foram tornados públicos para que a população pudesse fazer um juízo mais fundamentado das medidas tomadas. A falta de transparência, aliada aos péssimos resultados que a medida tem atingido, tem gerado desconfiança e mesmo descrença quanto à existência de tais estudos e fundamentos científicos. Se tais resultados existem, que eu espero ser verdade, seria bom que fossem tornados públicos para apaziguar os ânimos.
Mesmo que o resultado real seja negativo, nada impede que a decisão tenha sido tomada de boa fé e baseada em resultados fidedignos. Pode muito bem ter acontecido que o estudo tenha apresentado resultados que não correspondiam à realidade. Mas sem que tais resultados sejam tornados públicos vamos sempre continuar a pensar que isto foi uma ideia «estapafúrdia» de um dos iluminados da DSAT, que agora não quer dar a cara nem o braço a torcer. Ao bom estilo chinês, não quer «perder a face», mesmo perante um completo desastre.
Será preciso morrer alguém num acidente para que se rectifique o que está errado? E, perante tal fiasco, quem será chamado à responsabilidade?
Possivelmente, como sempre acontece em Macau, ninguém será responsabilizado pelos erros que se fazem no Executivo. O povo que vá aguentando…
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Três em um
NOS últimos tempos quem frequenta as redes de informação tem deparado com um crescente número de fotografias e de imagens vídeo que registam o mais variado tipo de infracções de trânsito em Macau. Na sua maioria, é possível identificar os seus autores pela matrícula, ou mesmo pela face da pessoa ao volante. No entanto, as autoridades da RAEM nunca fazem uso dessas imagens para penalizar os seus autores. Será que se levantam algumas questões de violação de privacidade? Será que é ilegal uma pessoa tirar fotografias em plena rua, seja do que for, e depois as colocar na Internet, mesmo tratando-se de um crime? De tal forma que as autoridades não possam usar essas provas para comprovar a infracção ou, pelo menos, para que sirvam de meio educativo?
Quando se trata de questões que envolvem a esfera privada e em que não se está a fazer nada de ilegal, considero que deve haver um certo cometimento na divulgação de fotografias que envolvem terceiros. No entanto, quando as mesmas, intencionalmente ou não, registam infracções, sejam elas de trânsito ou de outra qualquer natureza, penso que não deve haver qualquer tipo de problema com a invasão da privacidade. E, nestes casos, as autoridades deviam usá-las para levar as pessoas retratadas à barra do tribunal.
Noutros locais, nomeadamente na Europa e nos Estados Unidos da América, é já recorrente a polícia usar esse tipo de imagens recolhidas por pessoas anónimas, para tentar apurar a verdade dos factos. Recentemente, em Itália, se não estou em erro, um médico foi detido e multado em milhares de euros, depois de ter metido um vídeo a conduzir o seu Ferrari a mais de 200 quilómetros por hora numa estrada nacional, onde o limite era de sessenta! Mesmo sem se saber a matrícula ou o identidade real da pessoa que meteu o vídeo na Internet, a polícia conseguiu descobrir quem era o condutor e o proprietário do veículo, visto ser uma edição limitada, identificada por algumas marcas decorativas no interior e apenas existirem dois exemplares no País. O médico, quando confrontado pelas autoridades, confessou o crime e confirmou ter sido ele mesmo a meter o vídeo no «Youtube». Além da multa, ficou inibido de conduzir por largos meses.
Outros exemplos há, nomeadamente de fotografias de carros mal estacionados, de acidentes e de infracções ao Código da Estrada, que as polícias de países ocidentais usam para fazer prova das infracções, multando os veículos envolvidos. Aliás, por várias vezes, já vieram a público agradecer a participação da população na divulgação dessas infracções, porque, passado algum tempo, ajudam a reduzir a criminalidade e falta de respeito pela Lei.
Em Macau, se as autoridades fizessem uso de tudo o que é captado pelos cidadãos, certamente que muito mudaria na forma de comportamento de quem aqui vive e, principalmente, de quem nos visita.
Macau - 4 vs Hong Kong - 5
Os parâmetros de exigência das emissões poluentes dos veículos utilizados para transporte público são uma autêntica anedota em Macau.
Enquanto que, em Hong Kong, o Governo paga a quem quiser substituir os seus veículos de transporte por modelos EURO V (e não me venham dizer que estou enganado outra vez, basta ver os anúncios do Governo de Hong Kong que passam nos canais chineses e ingleses há vários anos) enquanto que em Macau insistem no EURO IV.
Para quem se tenha esquecido, o último concurso de alvarás de táxi tinha um caderno de encargos em que indicava que os veículos «devem ter lotação de quatro passageiros (excluindo o condutor) e cilindrada igual ou superior a dois litros, para além de corresponderem às normas EURO IV, com vista a melhorar gradualmente a qualidade do ar de Macau».
Quando aqui escrevi, aquando dos novos contratos de autocarros (que também só pedem EURO IV) e depois dos táxis, vieram-me dizer que estava enganado e que não existia nada como EURO V. Aliás, existe inclusivamente EURO VI, como referi na altura. O que não existe, aparentemente, em Macau é coragem para assumir que os contratos são feitos à medida de quem os assina, pouco se importando com os danos que irão causar à saúde da população.
Olhem para Hong Kong e aprendam com os bons exemplos!
Mais uma vez
Lembram-se, certamente, de aqui se ter falado da destruição de uma zona de lazer na Taipa para que os soldados do Exército Popular de Libertação (EPL) tivessem mais espaço. Pois, como uma tragédia nunca vem só, parece que além de destruírem o espaço de que a população precisa para fazer algum desporto, vão também destruir parte do espaço do mangal, onde as poucas garças ainda sobrevivem!
No local que foi destruído para benefício dos soldados, havia um Centro de Informação e Segurança Rodoviária sob a tutela da famosa DSAT. E, segundo consta, como a educação e o serviço daquele centro parece ser de qualidade insubstituível (basta ver o resultado nas estradas...), vai ser construído um novo, com uma área superior a cinco mil metros quadrados, ou seja 7% do mangal.
Quanto às instalações desportivas, como foi referido na altura do anúncio da grande decisão de dar o espaço aos soldados, e como são de pouca importância (comparativamente ao Centro que ensina a andar na estrada), a sugestão é que vão para Coloane e quem quiser que lá vá ter! Apanhem o autocarro e... Foi mais ou menos essa a insinuação de um membro do Governo, na altura quando se ouviram as queixas.
As prioridades de Macau estão todas trocadas, ou sou eu que não consigo ver bem a abrangência total destas ideias?
Devo estar com a visão muito opaca!…
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Prepotência e falta de educação
A PREPOTÊNCIA e arrogância de alguns dirigentes públicos começa a passar das marcas e, sinceramente, é altura da população começar a pedir contas ao Governo e às decisões por este tomadas e responsabilidade a quem as toma. A isto soma-se o que também vai acontecendo na Assembleia Legislativa, onde alguns deputados, por vezes, passam das marcas nos discursos e linguagem utilizada, sem que ninguém tome uma posição de força.
Já basta termos que levar com a frieza dos serviços prestados pelos privados, que fazem o que querem e lhes bem apetece, nomeadamente as empresas concessionárias de serviços do Governo (água, electricidade, telefones, parques de estacionamento, apenas para citar alguns) que cobram taxas altíssimas e oferecem um serviço e produtos de baixa qualidade, sem que o utente nada possa fazer.
Recentemente, essa prepotência que se vem notando nos anos de RAEM atingiu um patamar nunca visto. Num elevador do parque de estacionamento de um dos novos edifícios da Função Pública, o novo edifício da Direcção dos Serviços de Obras Públicas e Transportes, junto ao edifício da CEM, na Estrada de Dona Maria, foi colocado um aviso, onde se lia, – e passo a citar para que não digam que inventei: – «Atenção – Reservado para utilização dos dirigentes e chefias». Isto porque, segundo se veio a saber, os chefes começaram a chegar atrasados por causa dos abusos dos outros funcionários, que carregavam nos botões dos elevadores todos!
Há em alguns serviços, que pela sua particularidade precisam de elevadores separados, elevadores de serviço: os tribunais, por causa da movimentação dos detidos e dos juízes, quando se realizam julgamentos de alto risco; ou os hospitais, devido à possibilidade de contaminações, quando transportam roupas sujas e outros materiais utilizados. Outros exemplos há mas todos eles com razoáveis justificações.
Relativamente ao edifício em questão, onde funciona a Direcção dos Serviços de Obras Públicas e Transportes, a Direcção dos Assuntos de Tráfego e a Inspecção dos Jogos, qual será a necessidade das chefias e dirigentes terem de deslocar-se em elevadores separados e terem um elevador, apenas para eles, do parque de estacionamento? Tanto quanto sei, não há perigo de ataque, nem de contágio em tais departamentos! Se é porque não podem chegar atrasados, façam como eu, que vivo num quarto andar sem elevador e trabalho num segundo nadar. Saiam mais cedo, para evitar atrasos!
Algumas chefias em Macau, especialmente nos últimos anos, parecem que trazem o rei na barriga. Muitos deles, aparentemente a julgar por algumas decisões, nem sequer têm capacidades técnicas para assumir as posições que ocupam e, possivelmente, para encobrirem essas incapacidades, acabam disparando disparates em todas as direcções, apontando o dedo e fazendo a vida difícil a todos os seus subordinados. Infelizmente, e aos olhos de todos, a Administração de Macau está cheia de chefias assim e nada parece ser feito para resolver o problema.
Dá impressão que em Macau impera o princípio de Peter: as pessoas são promovidas até chegarem a um patamar em que se tornam incompetentes…
Acredito que por esta altura o dito aviso já não esteja no elevador e que tenha havido alguém com dois dedos de inteligência que o tenha mandado retirar. No entanto, quem deu a ordem para que fosse ali afixado passa sem ser chamado à responsabilidade!?
A má educação e carácter de alguns dos chefes da Função Pública começa a tornar-se visível; e estes pouco fazem, ou mesmo nada, para a disfarçar. Ainda recentemente, um dos dirigentes do meu serviço, passando por mim e por outros dois colegas num fim-de-semana, nem se dignou cumprimentar-nos. Poderia alegar que não viu, mas tal não me parece plausível, visto que trocou olhares comigo e nada disse.
Não é que eu pretendesse que a pessoa nos cumprimentasse, mas, na posição que ocupa, gostando ou não de confraternizar, tem obrigação de cumprimentar os seus subordinados, por uma questão de boa educação.
São pormenores como este, e como o do aviso colocado no elevador separando as chefias e dirigentes da restante plebe, que fazem com que o funcionalismo público ande completamente sem ânimo e sem grande vontade de se empenhar nos trabalhos da Administração. E andando os funcionários públicos desanimados, isso reflecte-se em toda a sociedade. Os cheques que vão sendo distribuídos não são mais que pensos rápidos e, como tal, não são solução permanente.
Julgo que, se fossem feitos concursos para chefias, em vez de se aplicar o princípio de Peter, o resultado final seria melhor, pelo menos a nível técnico e de conhecimentos.
O Governo e os seus dirigentes parecem viver num outro patamar e custa-lhes, descer ao nível da população, para se aperceberem dos problemas reais. Com algumas excepções, poucos são os que realmente conseguem ter uma comunicação directa com o normal cidadão. Por exemplo, quantos serviços públicos de Macau têm realmente presença na «net», especialmente no «Facebook», que hoje em dia é utilizado por quase 70% da população de Macau com acesso à rede?
Numa era como a que atravessamos, quer se goste das redes sociais ou não, estas são um meio privilegiado para os departamentos governamentais se aperceberem do pulsar da população, das suas queixas e seus anseios.
Os serviços do Governo, individualmente, deveriam ter uma página nessas redes sociais, a que a população possa aceder e deixar os seus comentários. Todos os serviços em países civilizados as têm, desde os Presidentes da República aos serviços administrativos…
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Descaramento e falta de sensatez
COMO se pode entender que uma empresa que apresenta resultados positivos de centenas de milhares de patacas venha reclamar e queixar-se que, mesmo assim, é pouco, porque o Executivo decidiu não aumentar as tarifas do serviço que presta?
Quantas empresas de Macau, que não recebem chorudos subsídios do Governo, se podem gabar de centenas (neste caso meia dúzia) de milhar de patacas de lucro no fim do ano financeiro? Poucas, tirando as empresas ligadas ao jogo e as grandes companhias que contam com estruturas mais do que solidificadas ao longo dos anos.
Na Imprensa vinham retratados dois pontos de vista da apresentação dos resultados financeiros da dita empresa, a Transportes Colectivos de Macau (TCM). Uma notícia dava conta do descontentamento de apenas terem lucrado pouco mais de seiscentas mil patacas, enquanto que outra avançava que tinham perdido mais de 15 milhões. Bom! Perder 15 milhões não é o mesmo que ter prejuízo do mesmo montante, penso eu nas minhas básicas noções de matemática. Hipoteticamente, comparando com os resultados dos anos anteriores, a empresa poderia ter lucrado esses milhões todos, mas, porque foi obrigada a melhorar os serviços e a dar condições dignas a quem faz o trabalho, o lucro caiu para as seiscentas mil patacas. E com este resultado os patrões já não podem comer «abalone» e sopa de barbatana de tubarão todos os dias!
Irá cair o «Carmo e a Trindade»? Ou reflectirá este resultado um melhor serviço para a população? Penso que nenhum dos casos irá acontecer…
A verdade, visível a todos os que se servem dos autocarros, é que mesmo com o «investimento» dos tais 15 milhões que deveriam ter sido lucro na TCM o serviço continua uma lástima e os autocarros, mesmo sendo novos, continuam a ser de uma qualidade abaixo do desejado: barulhentos, poluidores e com pouco conforto, além de serem inseguros.
O Governo, quando subsidia os serviços, neste caso os de transportes públicos colectivos, em princípio não o faz para encher a carteira dos proprietários das empresas; deve fazê-lo tendo em vista que o serviço prestado melhore em favor do utilizador utente. O dito subsídio serve para, perante as adversidades e especificidades do mercado de Macau, ajudar as empresas a fazer face aos custos e garantir que oferecem um serviço de qualidade. Portanto, fácil é de perceber que, num mercado livre, qualquer destas três empresas, que prestam o serviço de transportes colectivos, dificilmente sobreviria porque, se mesmo com subsídios quase não conseguem apresentar lucros suficientes para os seus accionistas, imaginem sem o apoio do Governo.
A verdade é que em Macau as empresas concessionárias estão mal habituadas desde sempre. Aliás, basta vermos os serviços prestados por todas elas, para se ver que a qualidade é um dos aspectos mais negligenciados. E, recentemente, o da segurança também tem andado nas bocas do mundo.
Nos sectores onde foi introduzida concorrência controlada os lucros continuam a ser elevados, tendo em conta a qualidade dos serviços. No caso dos autocarros, olhando para o que oferecem a quem os usa, caso estivessem num mercado de concorrência aberta, já há muito que tinham fechado portas. Portanto, se continuam a existir, isso deve-se ao facto de ser o Governo a sustentá-los, porque o que oferecem não tem qualidade suficiente para se auto-sustentarem.
A opção do Executivo em apoiar as empresas de autocarros deve-se ao facto de seguir uma política de descentralização, optando por atribuir aos privados um serviço que, de outra forma, teria de ser por si mantido. A estrutura de uma empresa de autocarros, com todo o seu equipamento, pessoal e forma de funcionamento, não se coaduna com a organização do Governo que, por si só, já tem uma organização pesada e lenta. Daí se ter optado por oferecer, mediante o pagamento de serviços, essa tarefa a algumas empresas privadas criadas para o efeito. Por outro lado, desta forma, o Governo consegue manter algum controlo sobre o funcionamento dos serviços, sem ter que se preocupar com a gestão corrente dos mesmos.
Todos sabemos que estas críticas vindas agora a público trazem «água no bico», como se costuma dizer. De lembrar que foram antecedidas pela decisão do Executivo em adiar o anunciado aumento de tarifas até Setembro. A questão que fica é esta: Será que se justifica um aumento de tarifas que terá de ser, novamente, suportado pelo Governo na totalidade? O serviço prestado é, para não usar uma palavra mais forte, lamentável. Por que razão têm que receber mais em troca da mesma qualidade?
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Portas abertas ao dinheiro
NUNCA uma visita ministerial teve tão pouco impacto na vida da comunidade portuguesa de Macau. O ministro Paulo Portas passou pelo território, depois de um passeio alargado, com peditório, pelas terras do Império do Meio, mas pouco ou nada deixou para os milhares de portugueses que aqui vivem, nem para a maioria das associações de cariz lusófono.
Aliás, diz-se que o Ministro dos Negócios Estrangeiros veio ao Oriente com a pasta errada. Afinal apenas falou de negócios e o quanto Portugal é apetecível para os chineses! Será que passou a ser um superministro e açambarcou a pasta da Economia, sem que Passos Coelho desse por isso?
Diplomacia Económica, dizem alguns dos defensores desta «nova» abordagem das relações entre países e as comunidades dos cidadãos desses países, espalhados pelo mundo. No entanto, não teria o MNE tido tempo para se inteirar acerca das preocupações da população portuguesa residente? Especialmente das questões relativas ao funcionamento do Consulado, onde diariamente se tem de esperar horas a fio para se tratar da documentação necessária a qualquer cidadão? Não houve tempo para se reunir com as associações de cariz português e se falar dos assuntos que as preocupam? Apenas uma minoria dos representantes da comunidade foi recebida.
Pelo que vi na Imprensa, apenas se abordaram questões económicas e de investimentos, o que me leva a crer que Paulo Portas veio com capacidade de ministro da Economia!
A verdade é que, desde sempre, nos habituámos a nada esperar dos dignitários representantes de Lisboa que, de tempos a tempos, vêm gastar o erário público em passeios pela Ásia. Desculpam-se dizendo que a presença é necessária, para manter as boas relações e angariar investimentos. Pessoalmente, não me parece que os investidores chineses que queiram investir em Portugal estejam dependentes de visitas de ministros e secretários de Estado. Quem tem dinheiro e quer investir sabe muito bem onde o fazer e, caso não saiba, tem a inteligência de pagar a quem saiba fazer o trabalho de casa para eles!
As queixas que aqui apresento não são, infelizmente, apenas minhas. Basta ler o que se publica nos vários sítios da Internet, onde a população pode ventilar livremente o que pensa, para nos apercebermos de que o simples cidadão tem uma ideia pouco abonatória destas visitas ministeriais ao Oriente e, especialmente, a Macau.
A ideia que fica, desde que Macau passou a ser RAEM, é que só passam por aqui porque no território há muito dinheiro. E, das vezes que aqui passam, pouco se interessam pelos portugueses que aqui ficaram: palavras de circunstância, uns apertos de mão, umas palmadinhas nas costas e pouco mais. Medidas concretas, para tentar apoiar quem se encontra longe do seu país, raramente são vistas, se bem que muitas vezes sejam anunciadas!
Desta vez não foi diferente! Um discurso económico, com algumas referências vagas à comunidade, sem entrar em grandes detalhes. Mas, como se costuma dizer, de palavras bonitas estamos todos fartos!
Não se consegue perceber que o ministro dos Negócios Estrangeiros venha visitar um local onde a comunidade portuguesa, por razões históricas, tem uma tradição enorme, e não reúna com os representantes da mesma, na totalidade. Não houve um momento para receber todas as associações que trabalham diariamente em prol da comunidade?
Portugal goza do prestígio que tem, graças aos cidadãos que resolveram deixar o País e não devido aos seus políticos ou políticas externas. E se o Governo em Lisboa não reconhece isso, parece-me que o País percorre um caminho que apenas o levará ainda mais à desgraça.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Falar de Nós
O ARTIGO de hoje vai fugir um pouco do estilo que nos tem acompanhado ao longo dos últimos tempos. Em vez de opinião, será mais a transcrição de uma conversa com uma «filha da terra».
Incluído nos eventos de comemoração do 10 de Junho em Macau, foi organizado o lançamento de três obras relacionadas com Macau e a comunidade macaense. Tive oportunidade de trocar algumas impressões com a autora de um dos trabalhos. «Filhos da Terra – A Comunidade Macaense, Ontem e Hoje», de Alexandra Rangel, é uma obra que vai passar, sem dúvida, a ser de referência para quem queira abordar a temática macaense. Não sendo uma obra exaustiva, começou por ser uma tese académica, que acabou publicada em livro. Ela aí está para todos lermos e percebermos melhor esta terra onde vivemos e «quem são os macaenses». Um trabalho fácil de ler, informativo e que, mesmo para os mais informados sobre a temática, traz novas achegas.
A ideia, segundo Alexandra Rangel, surgiu aquando da necessidade de escolher o tema da dissertação de fim de curso da Licenciatura e Mestrado em Ciências da Cultura (especialização em Comunicação e Cultura), na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Perante a necessidade de escolha, a autora teve de decidir entre «diversas hipóteses sobre temática abordada nos vários seminários realizados durante o curso», acabando por escolher um tema «especialmente caro: a comunidade macaense, ontem e hoje». Segundo ela, «duas razões ditaram esta escolha: por um lado, o facto de estar intimamente ligada a essa comunidade e ter acompanhado de perto a sua evolução no período especialmente difícil, de grandes transformações, resultantes do acordo firmado por Portugal e a República Popular da China sobre o futuro de Macau; e, por outro, o desejo de divulgar mais amplamente essa comunidade tão singular, mas ainda, infelizmente, tão pouco conhecida em Portugal».
Um trabalho académico seria, pois, uma boa forma de ajudar a preservar essa herança e de dar a conhecer as características e as transformações no seio dos macaenses. O livro, que fala da comunidade macaense, dos desafios e do seu passado, segundo a autora, não foi muito difícil de organizar, visto existirem muitas fontes e locais onde procurar informação. «Talvez a maior dificuldade tenha residido na selecção das vastas fontes disponíveis», – sublinha – a começar por casa, onde o seu pai, membro destacado da comunidade local, guarda e continuamente aumenta o espólio relacionado com a história dos seus antepassados.
Depois de elaborado o plano de trabalho e identificados os capítulos a escrever, foi feita uma selecção da bibliografia e das pessoas a contactar, algo que demoraria imenso tempo, caso não tivesse havido a ajuda dos ensinamentos aprendidos durante alguns dos seminários organizados pela Universidade; especialmente o de metodologias de investigação foi de grande utilidade, confidenciou-nos a autora.
Apesar de ter começado como tese académica, o livro merece ser lido pela população em geral. A informação que agregou é de grande importância e lança uma nova luz sobre a comunidade macaense, desafios e futuro. Alexandra Rangel considera que é «apenas mais um contributo para um maior e melhor conhecimento dessa comunidade»; mas, depois de o ler, estou convencido ser algo mais do que isso. Agora que a obra é conhecida e que cada vez mais pessoas a lêem, continua a receber incentivos e votos para que continue o trabalho de pesquisa sobre o mesmo tema. Quanto a isso, Alexandra nada garante, mas adianta que, embora não tenha ainda planos concretos, planeia no futuro abordar outros temas relacionados com esta comunidade que bem conhece e com a sua terra.
Este trabalho, apesar de já estar disponível na Internet, na sua versão de tese, há algum tempo, apenas foi lançado como livro incluído nas comemorações do passado 10 de Junho, numa cerimónia de lançamento de três obras publicadas pelo Instituto Internacional de Macau (IIM): «Macau 1937-45 – Os anos da guerra», de João Botas; «Filhos da Terra – A Comunidade Macaense, Ontem e Hoje», de Alexandra Rangel e «The Portuguese Community in Shanghai», de António Pacheco Jorge da Silva.
A apresentação do livro de Alexandra Rangel foi também feita em Lisboa, no passado dia onze deste mês, no Palácio da Independência, durante um serão macaense, em que foi também apresentada outra obra publicada pelo IIM – «O livro de receitas da minha tia/mãe Albertina» – da autoria de Cíntia Conceição Serro.
Quanto à obra «Filhos da Terra – A Comunidade Macaense, Ontem e Hoje», diversas casas de Macau espalhadas pela diáspora já se mostraram interessadas e disponíveis para ajudar a promover a divulgação. Trata-se de um trabalho que todos os que se interessam por Macau, pela sua história e pelas suas gentes devem ler o quanto antes. Um manancial de informação e de novos dados, que irão surpreender os menos atentos e propiciar bons momentos de leitura informativa.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Não há moral para continuar
COMO é do conhecimento público, o Clube Náutico de Macau (CNM) tem sido protagonista de várias cenas menos dignas de uma instituição com mais de seis décadas de história. Recentemente, e após dois anos sem qualquer Assembleia Geral e sem prestar quaisquer explicações aos sócios, à sociedade ou à Comunicação Social sobre as polémicas que foram vindo a terreiro, teve lugar uma AG que serviu para apurar relatórios financeiros de 2009 a 2012 e para a eleição dos novos corpos gerentes. Ou melhor, reeleição dos existentes porque, mesmo havendo interessados em apresentar listas concorrentes, a presente direcção nunca providenciou a lista de membros actualizada. Isto, apesar de alguns sócios a terem pedido, com a antecedência prevista nos regulamentos e por escrito diversas vezes, para que fosse possível saber quantos sócios há com direito a voto e quais as probabilidades de haver transparência na sessão de voto. Um procedimento normal em qualquer associação, pelo que sei.
As alegações de fraude, por parte de alguns associados, são de vária índole e não vale a pena voltar aqui a enumerar todas as polémicas. Certamente que o Governo irá resolver o problema, caso a isso seja chamado e caso não venha a surgir bom senso na presente direcção e em todo o corpo de sócios. Só espero que não tenha que dissolver o Clube ou criar as condições para que isso aconteça. Se tal vier a suceder, esta direcção terá muito que explicar. Uma simples investigação dos Comissariado Contra a Corrupção ou do Comissariado de Auditoria deverá ser suficiente.
Não nos devemos esquecer que o terreno, ao redor do qual giram todas as polémicas, é propriedade do Governo. E, caso este seja retirado ao Clube, nenhuma direcção terá condições para continuar a aguentar o «barco».
Como tenho afirmado desde o início da polémica, não pretendo saber quem é o presidente ou quem são os corpos gerentes, assim como não estou interessado, nem sequer disponível, para assumir qualquer tipo de papel activo numa direcção. O que apenas me interessa é que – seja qual for a «gerência» – o faça em favor do Clube e que, acima de tudo, seja transparente para com todos os sócios e para com a sociedade.
O Clube Náutico de Macau é uma entidade sem fins lucrativos que se deve dedicar ao fomento das actividades náuticas e à gestão das instalações que lhe foram confiadas. E, sempre que algum sócio, em pleno direito, lhe requisite dados que não violem o direito à privacidade dos outros sócios (número e nome), estes lhe sejam facultados a qualquer momento e sem qualquer delongas. É uma entidade associativa, não uma sociedade privada com fins lucrativos, pelo que não há lugar a segredos. A transparência tem de ser total e acima de qualquer desconfiança.
A presente direcção, que foi nomeada para um novo mandato de dois anos, se realmente é tão sincera como diz ser, deveria ter vergonha na cara por obrigar o Clube a passar pelo vexame que tem atravessado nos últimos meses.
Costuma-se dizer que quem não deve, não teme. Portanto, a presente equipa directiva, se está tão segura de que tudo está a ser feito dentro da legalidade, deveria mostrar todos os dados públicos, para consulta de todos os sócios. Deveria cancelar os resultados desta eleição e dar a conhecer todos os dados que os sócios solicitem (mesmo que seja apenas um sócio a requerê-lo), antes das eleições, para que todos estejam em pé de igualdade.
O resultado para aprovação dos relatórios de contas (que foram aprovados todos ao mesmo tempo) foi de 69 votos a favor, 23 contra e 4 abstenções.
Para a eleição dos corpos gerentes, 64 votos a favor, visto que todos os outros abandonaram a sala em protesto.
É de salientar, – e eu posso comprovar porque estive presente no local – não havia mais de 40 pessoas na sala. A maioria dos votos foi feito por procuração; no entanto, os sócios não puderam verificar a veracidade dos nomes nas listas, porque estas não foram disponibilizadas atempadamente.
Dizer que os dados podem ser consultados na sede do Clube a qualquer altura não serve. Estes devem ser facultados antes das eleições e não após as mesmas. Aliás, se pedir para ver a lista de sócios na sede, tenho de esperar que venha autorização do presidente do Clube!
Como posso eu votar em consciência, quando não tenho conhecimento de toda informação?
Por exemplo, na última AG foram votados os relatórios financeiros relativos a 2009/2010/2011. Porque foram estes apenas entregues aos sócios minutos antes da votação? Como podia votar em consciência, se nem tempo tive de analisar os dados e confirmar os documentos apresentados?
Acredito que tudo tenha sido feito dentro da maior das legalidades e que nada haja a esconder. Mas, como a mim me pedem o cartão de sócio para comprovar o meu direito de voto, visto que a minha palavra não chega, serei eu e os outros sócios obrigados a acreditar na palavra da direcção?
Como se costuma dizer, «à mulher de César não basta ser séria, é preciso parecê-lo». Portanto, antes que peçam às pessoas que confiem neles, devem dar provas de o merecer.
Para bem do Clube Náutico, para o bom nome das pessoas envolvidas e para a boa imagem de Macau, penso não haver outra saída, para as pessoas de bem presentes na direcção, que não seja demitirem-se e proporem outro acto eleitoral com todos os elementos, a tempo e horas.
Motivo da polémica: a construção do «Club House» e o contrato que foi assinado mais do que uma vez. Esta situação tinha sido resolvida, se no princípio a actual direcção não tivesse vendido os direitos dos pontões a privados. Esta medida fez com que o CNM ficasse sem fontes de receitas, dando os lucros a associados que especulam agora em busca de lucro. Se as rendas fossem para os cofres do CNM, penso que haveria dinheiro, mais do que suficiente, para fazer o «Club House», sem ser preciso andar com contratos que apenas geram discórdia.
Basta fazer contas! O ponto de amarração mais barato custa mil e 500 patacas por mês (18 mil por ano – todos os outros são mais caros, mas faremos contas pelos preços mais baixos). Há, pelo menos, 57 lugares, pelo que seria mais de um milhão de rendas por ano (1.026.000 patacas). Numa década, haveria dinheiro mais do que suficiente para fazer as construções necessárias e que estão na base de toda esta polémica. A mim, como sócio, interessa-me ver estas contas preto no branco. Tudo o resto, é acessório.
Quanto às declarações recentes da Capitania dos Portos, ao vir dizer que as vendas dos locais de amarração são ilegais, dá vontade de perguntar: porque não tomam a iniciativa e resolvem o problema?
E prevendo a Lei a possibilidade de se ancorar os barcos de recreio noutras zonas, nomeadamente na doca do Fai Chi Kei (durante a Administração Portuguesa havia ali muitos amarrados às bóias que ainda hoje existem), por qual razão a Capitania recusa permitir que ali deixemos os nossos barcos, forçando-nos a ter de pagar a privados que exploram ilegalmente os pontões da marina?
Espero por respostas das autoridades responsáveis.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Português falado, mas não compreendido
A LÍNGUA portuguesa anda mesmo pelas ruas da amargura na terra onde vivemos. Apesar de constar como língua oficial e de existirem nos serviços públicos muitos funcionários que a «falam», fazer passar a mensagem é cada vez mais complicado, especialmente quando isso é tentado via telefone.
Recentemente, tive de entrar em contacto com a Biblioteca Central, sob a alçada do Instituto Cultural, para pedir informações sobre a forma de envio de exemplares de uma revista para a instituição. Pedi para falar em Português e, por três vezes, tive de tentar a ligação, sendo sempre transferido para uma pessoa que, supostamente, deveria entender a língua de Camões. O problema não era falar, era entender e fazer-se entender. Nenhuma das três pessoas conseguiu perceber aquilo que eu queria esclarecer e que era tão simples como dizer-me o endereço e a pessoa encarregue de receber as revistas!
O caricato de tudo isto foi que sempre que havia dificuldade em compreenderem o que eu queria, insistiam em comunicar em Inglês, nunca reconhecendo que havia falta de entendimento em Português. Aliás, a certa altura, deu-me impressão que me estariam a tentar fazer perceber que o problema de expressão era meu! A uma dessas pessoas cheguei mesmo a perguntar se «saberia falar», ao que me disse: «sabia falar, mas não entendia muito bem o que eu queria»!
O meu propósito era apenas de saber o procedimento para uma revista náutica de Hong Kong, onde colaboro, enviar alguns exemplares para leitura gratuita nas bibliotecas de Macau.
Na primeira tentativa insistiam que se eu «queria visitar a biblioteca teria que me dirigir pessoalmente». Pois! Calculo que uma visita por telefone deveria ser complicada!
Na segunda tentativa, passado o impasse da visita, diziam que sendo eu de Hong Kong (!) teria que lhes enviar uma carta para marcar dia e hora para falar do assunto…
E, da terceira vez, já eu desejoso de falar em Inglês e farto de tanta perda de tempo, fizeram-me saber que, para falar com jornalistas, tinham que pedir autorização superior! Nesta altura já eu estava pelos cabelos a tentar explicar, o mais simples que conseguia, aquilo que queria. Mais parecia uma conversa de loucos, em que eu dizia alhos e o interlocutor entendia bugalhos!
Tudo se resolveu em Inglês. Uma quarta pessoa, usando a língua de sua majestade, entendeu tudo à primeira e sem grandes confusões, esclarecendo que basta a revista de Hong Kong enviar as cópias para a Biblioteca Central, a nome ou ao cuidado do director. Pediu ainda, de forma bastante cordial, que fossem enviadas, pelo menos, cinco cópias para que fossem distribuídas por todas as bibliotecas, pois assim haveria mais pessoas a ler.
Sinceramente, é de lamentar os níveis de Português em Macau. Mesmo os que dizem falar a língua de Camões, na sua maioria, nem sequer conseguem compreender uma simples conversa pelo telefone.
Gostaria de saber que ensino se faz e como são avaliadas as pessoas que são contratadas por falarem Português.
E o mais grave é que estas pessoas estão convencidas de que falam Português. São situações como esta que devem ser abordadas pelo Governo. Muitos de nós começamos a pensar se será mesmo verdade e sincero o que se apregoa: que a língua portuguesa é importante e deve ser mantida em Macau.
Acredito, desde há muitos anos, que muitas profissões deveriam ser obrigadas a cursos de aperfeiçoamento e de actualização regulares. Defendo isto para quase todas as profissões e julgo que tal também se devesse aplicar a todos os funcionários públicos, no âmbito das suas funções, nomeadamente os que são contratados por dominarem as duas línguas oficiais. E não me refiro aos tradutores, mas sim aos normais funcionários que, por apenas referirem que falam Português na ficha de candidatura, ficam em vantagem em relação aos que o não falam.
Se um funcionário público é contratado devido à sua capacidade de falar Português, deveria ser, anualmente ou de dois em dois anos, avaliado para se saber se evoluiu (devendo ser promovido); se estagnou (deveria ser persuadido a progredir) ou se, pelo contrário, não tem conhecimentos suficientes para desenvolver as tarefas para as quais foi contratado (sendo neste caso obrigado a frequentar um curso de aperfeiçoamento ou, em caso mais graves, despedido ou transferido para outras funções).
Hoje em dia penso que, se um candidato a funcionário do Governo escrever no currículo que fala Português, quem o avalia levará isso em consideração na escolha. Mas, muito certamente, não se irá dar ao trabalho de verificar se tal é verdade. E quando se predispõe a verificar se o candidato realmente fala Português, muitas vezes é o próprio avaliador que não tem capacidade linguística para aferir os conhecimentos do outro. Quantas pessoas na Função Pública dizem falar Português e, na verdade, apenas dominam o básico?
Se as autoridades querem mesmo, e seriamente, apoiar o Português como língua oficial, devem começar a dar passos seguros e firmes, fazendo com que isso seja uma realidade e não se reduza apenas a umas linhas na Lei Básica.
Por outro lado, cabe a toda a comunidade portuguesa, e de falantes de Português, lutar diariamente para que isso aconteça.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Ainda a «diabrura» dos soldados
ESTA terra onde vivemos começa a tornar-se conhecida pela curta memória que vamos revelando ao mundo. Será mesmo que todos temos memória curta em Macau? Será que só damos atenção a certos assuntos, até que outros apareçam nas páginas dos jornais e nos façam mudar o nosso foco?
Gostaria de perguntar: quem ainda se lembra de uma notícia que veio na Comunicação Social, há uns meses, sobre a destruição do campo de jogos na Taipa, junto ao quartel da guarnição dos Exército Popular de Libertação? Uma decisão do nosso Executivo, em resposta às reivindicações dos soldados, só porque disseram que precisavam de mais espaço para guardar os «brinquedos». Como se o recinto que têm, em local nobre, não fosse suficiente! Para fazer face a essa falta de espaço vão privar a população de um dos poucos locais de desporto na ilha! As obras já arrancaram e podem ser vistas por quem ali se desloca.
Antes de enveredar pela destruição do espaço da população, e para fazerem face à falta de espaço que dizem sentir, porque não usam o que têm? Se repararem nas imagens disponíveis no «Google Maps», existe no recinto do EPL espaço livre para construírem as ditas arrecadações. Têm a maior piscina de Macau e a que maior «ratio» por utente apresenta, quando mesmo ao lado existe a piscina olímpica da RAEM e que eles também deveriam utilizar! Têm um espaço de treino e para paradas que ultrapassa o do campo desportivo que pediram ao Governo e que raramente é utilizado. E têm jardins que apenas eles podem usufruir, visto ser um local vedado à população.
Basta ver o mapa para se verificar a falta de aproveitamento do espaço disponível. Esta falta de racionalização não se coaduna com Macau, onde a escassez de terreno é um dos maiores problemas que enfrentamos.
A zona C na foto, que engloba a piscina ao ar livre, a zona de parada e as zonas de jardins e de treino é, sem qualquer dúvida, muito maior que a zona B, onde se encontram os dois campos de futebol e a parede de escalada. Portanto, qual é a necessidade de privar a população de um escasso espaço de lazer e desporto, quando existe, no recinto do exército, área livre para as ditas instalações de arrecadação?
Será que o homens da farda, sendo eles o epíteto do que deve ser a honra e rectidão na nação, não percebem que Macau tem falta de terreno e que a população tem de vir sempre em primeiro lugar? Afinal, não juram eles defender a Pátria e a suas gentes? Essas mesmas que agora atacam, espoliando o pouco que ainda têm. Pelo menos foi isso que fiz, quando jurei bandeira no meu tempo de tropa.
Quando a notícia veio a público, lembro-me de as autoridades dizerem que os campos seriam mudados para Coloane! E, nestas mesmas páginas, me indignei e pedi que me explicassem como iriam milhares de pessoas da Taipa para Coloane? Certamente que o Gabinete de Comunicação Social não enviou o texto aos visados, pois até hoje não recebi qualquer reacção das autoridades nem resposta às minhas questões.
Mas, apesar de continuar indignado e das obras estarem a arrancar no mesmo momento em que o leitor lê estas linhas, parece que mais ninguém se preocupa.
Em comparação, quando se falou da construção de um edifício junto ao lago da Avenida da Praia, até petições surgiram para tentar salvar as garças e o seu «habitat». Não descurando a importância das garças e do ecossistema de Macau, não seria também meritório organizar uma manifestação de desagrado, relativamente ao facto do Exército Popular de Libertação estar a ocupar terrenos que são do usufruto da população? Ou será que, sendo o exército, estão acima da Lei e ninguém se atreve a criticá-los? Que me desculpem os mais sensíveis, mas eu fui criado num país livre, nascido durante uma ditadura, mas criado durante um período de grande liberdade, pelo que, mesmo sendo o exército o símbolo máximo da autoridade e do poder, não me refreio de o criticar, quando considero que estão a violar direitos da população que juram proteger.
A justificação dada para a necessidade do terreno está relacionada com o facto de precisarem de espaço para armazenarem os equipamentos. Sendo o COTAI tão perto da Ilha da Montanha – no máximo cinco minutos – não seria prático que se optasse por construir o tal depósito para o material do outro lado do canal? Que diferença faria terem de se deslocar cinco minutos, quando está em causa não prejudicarem a população?
sábado, 16 de junho de 2012
Clube Náutico sem leme
O MANDATO da actual direcção do Clube Náutico de Macau (CNM) terminou no dia 6 de Junho, sem que tenham sido convocadas eleições nem apresentados quaisquer relatórios ao longo dos dois anos, para aprovação em Assembleia Geral. Para fazer frente a este problema e tentar resolvê-lo, um grupo de sócios descontentes, entre os quais se encontram o ex-deputado Jorge Fão e o ex-CEO da CTM, Paulo Alves, decidiram avançar com um abaixo-assinado para obrigar à convocação de novas eleições no clube.
Como é do conhecimento público, esta instituição, já com 63 anos de história, tem vivido desde 2007 um período conturbado, devido à actual direcção insistir em construir um «Club House», tendo para isso assinado um contrato algo confuso com uma empresa «offshore», registada nas Ilhas Virgens, britânicas, e com escritório em Hong Kong.
Em linhas gerais, o contrato diz que a empresa, a «Realgain Development», se comprometia a construir o «Club House» em troca dos direitos de construção de um edifício habitacional de 40 andares. Para tal, a direcção do Clube Náutico de Macau comprometia-se, no contrato, a interceder junto do Governo para modificar a natureza do terreno e do contrato de concessão do mesmo, permitindo-lhes, assim, construir algo que fosse para além das estruturas necessárias ao funcionamento do clube; em termos mais claros, que no terreno fosse possível também construir habitação para venda. No citado contrato haveria também uma garantia bancária, prestada aparentemente pela «Realgain», mas onde o nome que aparece é diferente, para assegurar que o contrato seria cumprido. Caso não o fosse, essa verba serviria para pagar a construção do «Club House», segundo a direcção cessante. No entanto, essa verba, dez milhões de dólares de Hong Kong, segundo se pode ver no contracto assinado, depositada num banco do continente, está bloqueada porque, entretanto, o empreiteiro encarregue das obras meteu uma acção em tribunal, por falta de pagamentos por parte do CNM.
Este grupo de sócios do CNM – intitulados SOS Clube Náutico de Macau – quer ver a situação resolvida e o clube a funcionar condignamente. No comunicado por eles lido afirmam que «de há dois anos, a actividade náutica do clube deixou de ter qualquer expressão. A doca do clube é hoje, essencialmente, um mercado especulativo para compra e venda de postos de amarração».
De salientar que os pontões da Marina do Lamau são «privados»! Quem ali tem as suas embarcações, em vez de pagar à Marina, paga a um privado que é o proprietário do lugar; daí a especulação. No entanto, nada foi adiantado relativamente à solução deste problema. Aliás, caso fosse o clube a receber as mensalidades, em vez dos proprietários privados, muitos dos problemas de financiamento da instituição estariam resolvidos, visto que o total de «rendas» é superior a 200 mil patacas mensais, mais de dois milhões por ano: um valor mais do que suficiente para fazer face a todas as despesas mensais de funcionamento do CNM, se a gestão for cuidada. Se assim fosse desde o ano 2000, já teriam dinheiro mais do que suficiente para construir as instalações.
Pede-se, veementemente e com urgência, a intervenção do Governo para resolver a situação, especialmente nesta altura em que foi anunciado por Macau, China e Hong Kong a implementação da política de visto único para iates visitantes. Algo que pode contribuir para o crescimento do número de turistas, mas que precisa de uma marina e um clube a funcionar condignamente, defendem estes sócios descontentes.
Entretanto, em notícias publicadas em alguns jornais de Macau após a conferência de imprensa, podia-se ler que este grupo não mete de lado, totalmente, a construção de um prédio habitacional nos terrenos cedidos pelo Governo. Em alguns jornais podia ler-se que, numa segunda fase, poderá ser submetido um pedido ao Executivo para mudar a finalidade de parte do terreno, de modo a permitir a construção de um edifício habitacional, não se sabendo em que modos o querem fazer.
Actualmente, os sócios do clube são pouco mais de 120 e, destes, a sua maioria quer apenas ver o clube a funcionar bem e sem problemas. Afinal, quem ali tem os seus barcos quer ter a possibilidade de os usar e passar umas horas de recreio agradáveis. Muitos desses sócios defendem que os locais de amarração, que agora são particulares, deveriam ser restituídos ao Clube Náutico de Macau (à Marina do Lam Mau), porque não tem qualquer cabimento serem particulares, quando o terreno é do Governo e tem um prazo de utilização de apenas 25 anos (com início em 2000).
Se os pontões e todas as instalações fossem da marina, estaria assegurado o seu futuro financeiro com os pagamentos mensais de quem ali tem as embarcações, ficando o clube apenas dependente de si próprio, visto que as mensalidade dos sócios são insignificantes.
Outro dos aspectos que muitos sócios põem em questão é o facto de, actualmente, existirem muitos barcos na marina cujos proprietários nem sequer são membros do Clube Náutico de Macau, algo que deveria ser revisto quanto antes. Pessoas que não são sócios da instituição não deveriam ter acesso ao Clube, nem sequer deveriam ser autorizadas a ter ali a sua embarcação
Um problema para o Governo de Macau resolver quanto antes, em prol do desenvolvimento de um sector de actividade, que já teve muitas tradições no território.
Se este grupo de sócios conseguir angariar 25% de assinaturas para convocar novas eleições, pode ser que seja o primeiro passo para o ressurgimento do Clube, para bem de todos os que gostam de desportos náuticos.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Irresponsabilidade ou desleixo?
DECORRE por estes dias uma actividade promovida pelas autoridades marítimas de Macau, com a participação de centenas de pessoas do território e visitantes. Durante a época de defeso da pesca, pelo segundo ano consecutivo, pescadores, Capitania dos Portos e outras autoridades têm andado a levar residentes e turistas a passear em alguns barcos de pesca pelas águas adjacentes ao território: uma forma de fazer face à crise e ocupar os pescadores durante esta época de defeso imposta pelas autoridades de Pequim, segundo justificam os impulsionadores da iniciativa. E uma forma de dar a conhecer a ancestral forma de vida dos homens do mar, justificam as autoridades.
Até aqui, tudo bem! Aliás, considero meritória a actividade e espero que se possa manter durante muitos anos. E, se possível, deveria estar disponível durante todo o ano. Certamente que alguns pescadores iriam preferir andar a passear, do que nas lides pesadas da pesca, caso conseguissem sustentar a família dessa forma.
No entanto, o que me preocupa nisto é a questão da segurança. A legislação marítima de Macau é muito clara no que diz respeito aos requisitos de segurança das embarcações de recreio, de pesca e comerciais. Neste caso, seria uma de pesca, transformada em recreio, pelo que se terá de aplicar o que à última diz respeito.
Além de ser obrigatório estar equipada de rádio de comunicações, radar, sistema de posicionamento global e, no caso de embarcações, com as dimensões das de pesca, têm ainda de ter outros equipamentos electrónicos que, para além de ajudarem à navegação, servem para garantir a segurança a bordo, mas cuja complexidade técnica não vale a pena estar aqui a esmiuçar.
Além de tudo isto, a emissão de uma licença para uma embarcação obriga a que exista uma farmácia a bordo; e, no caso de embarcações deste tamanho, terá de ser bastante completa, desde comprimidos para enjoo, até compressas e alfinetes de ama. Uma lista abrangente e que pode ser consultada na página da Capitania dos Portos, assim como toda a restante legislação.
A par de tudo isto, no acto de registo de embarcações tem de se declarar o número de ocupantes, com a obrigação de ter um colete salva-vidas para cada um deles. E, para barcos desta dimensão, é obrigatório também dispor de embarcações salva-vidas que se encham de ar automaticamente, quando forem metidas à água.
Andar a vender bilhetes, promovidos pelo Governo e com o seu aval, para levar pessoas a passear em embarcações que não oferecem as mínimas condições de segurança, parece-me ser, em minha opinião e tendo em conta já alguma minha experiência de mar, um acto de tremenda irresponsabilidade e, por outro lado, um acto de completa falta de consideração e de justiça para com os empresários que apostaram nas embarcações de lazer e que são obrigados a pagar impostos e a cumprir todos os requisitos que atrás enunciei.
Há, pelo menos, duas embarcações que navegam, diariamente, nas águas de Macau com turistas e que cumprem, aparentemente, todos os requisitos. Esses barcos, que servem inclusivamente refeições, estão a ser discriminados, em favor dos pescadores.
Consulado fica mal na fotografia
Foi com agrado que vi, mais uma vez, se bem que por razões muitos tristes, Macau juntar esforços quando foi pedido auxílio para ajudar a família da jovem portuguesa que faleceu num trágico acidente de viação. Sem meios de suportar os custos da transladação do corpo, e depois de ter recebido uma nega do Consulado Geral de Portugal em Macau, a família ficou nas mãos da generosidade da população, para fazer com que tal fosse possível.
Foi uma onda contagiante de solidariedade que se viu em torno deste obstáculo e que rapidamente ultrapassou as expectativas iniciais. Macau, como já tinha acontecido noutras ocasiões – lembram-se das campanhas para ajudar Timor? – juntou mãos e uniu todas as comunidades no apoio a esta jovem portuguesa e à sua família.
Quem acabou por ficar mal na fotografia foi o Consulado de Portugal. As comparações não se fizeram esperar e vários casos foram trazidos à praça pública, nomeadamente pela comunidade não portuguesa ou chinesa. Por exemplo, casos de turistas filipinos e tailandeses que perdem a vida em Macau e os seus representantes diplomáticos não hesitam em prestar todo o apoio às famílias afectadas. A transladação dos corpos fica sempre a cargo das representações diplomáticas, assim como todo o processo burocrático. Afinal, para que servem as representações dos nossos países no estrangeiro, se não for para ajudar os seus nacionais em tempos de aflição?
Na verdade, não sei o que se passou no Consulado de Portugal, mas custa-me acreditar que não houvesse 15 mil euros para suportar os custos do processo. E, mesmo que não dispusessem da verba, julgo que não deveria ser muito difícil encontrá-la junto de entidades locais, nomeadamente o cônsul honorário em Hong Kong ou departamentos do Governo da RAEM.
Muito feio e um péssimo exemplo de solidariedade da parte de quem deveria ser a primeira instituição a resolver o problema. Esperemos que, futuramente, haja um plano de contingência e que não voltem a suceder casos semelhantes. Um fundo de emergência para fazer frente a estes casos deveria existir em todas as representações diplomáticas.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Carreiras 25 e 25X não respeitam contrato
NESTES últimos dias, devido a uma reparação mal feita no meu veículo pessoal, tenho andado de transportes públicos e apraz-me dizer que, não obstante a manifesta falta de qualidade dos veículos utilizados por todas as companhias, a cobertura e a eficiência dos mesmos têm melhorado muito. Durante o fim-de-semana, tendo de deslocar-me ao COTAI assiduamente, nunca demorei mais de 15 a 20 minutos, a partir do centro da cidade. Isto, incluindo o tempo de espera na Rua do Campo pelo autocarro número 25 ou 25X.
Saliente-se que os esforços das autoridades em aumentar a rotatividade e assiduidade dos autocarros nas paragens tem dado frutos. No entanto, continuamos a contar com veículos velhos ou, quando novos, são de tão má qualidade que mais valia serem velhos!
Não consigo perceber como é que autocarros com um e dois anos façam mais barulho do que uma lata velha ao vento e que o seu interior esteja a cair aos bocados, devido à manifesta falta de qualidade dos materiais utilizados pelos construtores chineses.
Por que razão não obrigaram a que se comprassem autocarros de qualidade comprovada? Não é preciso ir muito longe: o exemplo de Hong Kong, onde usam marcas britânicas, serve muito bem. Mas, mesmo em Macau há exemplos de empresas, ligadas ao jogo, que chegaram à conclusão que marcas chinesas não servem. Apesar de serem mais baratas, a longo termo, acabam por ficar mais caras, devido à manutenção e à constante substituição que é necessário fazer. A Venetian e a SJM são os primeiros exemplos, tendo optado por começar a substituir a frota por marcas europeias.
Disseram-me, aquando do concurso, – por acaso a sua minuta passou pelas minhas mãos – que as marcas envolvidas eram muito utilizadas no interior da China e que eram das mais conceituadas! Mas, sabendo nós que os critérios de qualidade que se aplicam na China continental são muito baixos, por que razão os deixaram aplicar a Macau? Não deverá a RAEM, «centro de turismo internacional», ter parâmetros de qualidade mais altos, à altura dos pergaminhos que apregoa aos sete ventos? Ou, será que o «slogan» irá passar para «centro de turismo chinês»? Bom…
No contrato de concessão que todas as operadoras aceitaram e assinaram, havia, pela primeira vez, a obrigatoriedade dos autocarros estarem equipados com sistema de GPS e com sistema de informação sonora e visual das paragens, nas duas línguas oficiais e também em Inglês. Mas, na verdade, depois de um ano de actividade sob o novo contrato de concessão, este sistema raramente funciona em muitos dos autocarros. Aliás, o sistema é igual em todas as concessionárias! Afinal teve de ser o Governo a fazê-lo, para que as empresas o usassem!
Das vezes que utilizei, nomeadamente, as carreiras 25 e 25X, nunca vi o sistema a funcionar na sua totalidade. Muitas das vezes o som está desligado e o sistema visual apenas dá informações em Chinês. Apesar de ter tentado contactar as companhias, nomeadamente a TRANSMAC, que é a que explora as carreiras referidas, não houve qualquer tipo de resposta.
Para me precaver de qualquer tipo de mal-entendido, enviei as interpelações nas três línguas usadas, referidas no contrato que assinaram com o Governo. Mas, mesmo assim, não houve direito a qualquer tipo de contacto por parte da empresa. Tentativas de abordagem feitas via telefone foram em vão, porque nunca consegui fazer-me entender, ou faziam por não entender.
Tendo conhecimento pessoal do que foi exigido nos contratos, considero que, se fossem cumpridos na íntegra, teríamos serviços de autocarro de boa qualidade. No entanto, o que acontece é que não há fiscalização. O controle que a DSAT faz restringe-se à assiduidade das chegadas e partidas, tudo o resto que foi exigido, normas EUROIV, materiais utilizados, autocarros com acesso para deficientes, sistemas sonoros e visuais nas línguas oficiais, etc. Tudo isso passa sem que ninguém regule e fiscalize, pelo que as companhias de autocarros estão-se nas tintas para a letra do contrato.
Quanto à qualidade dos autocarros, visto que os accionistas das empresas concessionárias não os utilizam, os utentes que se aguentem!
Se do outro lado da fronteira servem, porque não hão-de servir em Macau? – devem dizer, indignados, os responsáveis! Nós, os residentes de Macau, somos mesmo muito exigentes!…
No meu ponto de vista, Macau não se deve nivelar pelos requisitos de qualidade da China continental, neste campo. Se pretendemos ser «civilizados» e considerar Macau como uma cidade internacional, é necessário e urgente que os responsáveis do sector dos transportes comecem a tomar medidas adequadas e a fazer cumprir os contratos.
Amigos ou não, os contratos são para cumprir!
Estamos a falar de transportes públicos. Quanto aos táxis, infelizmente, continua tudo na mesma!
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Críticas construtivas
NO seguimento do meu artigo de há duas semanas, em que falava de um bom exemplo dado pelos agentes da autoridade de Macau, não queria deixar passar a oportunidade de referir que bons e maus exemplos vêmo-los em todas as profissões. O referido artigo deu origem a uma série de comentários, uns abonatórios, outros nem tanto!
Se, na generalidade, na Imprensa se aborda mais os maus exemplos, isso se deve ao facto de serem estes a excepção e não a regra. Qualquer profissional tem por obrigação exercer bem a sua função, sendo os erros merecedores de comentários menos positivos e de críticas que se espera sejam construtivas.
Quando feitos de forma construtiva, os comentários são sempre positivos. Quem deles é alvo deve aprender a tirar o melhor proveito e usá-los como forma de aumentar a qualidade do produto do seu trabalho. As críticas que apontam para outro lado, o melhor é esquecê-las e não pensar mais no assunto!
Na verdade, a polícia de Macau, como já foi dito inúmeras vezes, é de boa qualidade e a grande maioria dos agentes são bem formados e dignos da farda que envergam. A qualidade da escola de polícia está acima de qualquer suspeita e tem provas dadas ao longo dos anos.
No entanto, alguns agentes, quando começam a trabalhar na rua,c parece terem esquecido tudo o que aprenderam durante a formação, acabando por denegrir o todo da corporação, levando a que a população tenha a polícia em muito pouca consideração.
O facto dos agentes serem frequentemente visados nas páginas dos jornais e nas redes sociais reflecte apenas a necessidade de haver uma maior fiscalização por parte dos superiores e das comissões – (Macau é a terra delas!) – que foram criadas para assegurar a qualidade. Muitos desculpam os «descuidos», pelo facto de ser um trabalho de rua, em vez de ser num escritório com ar condicionado! Contudo, não nos podemos esquecer que também são feitas muitas críticas a outros funcionários públicos da linha da frente que trabalham em locais com ar condicionado e ambiente controlado. Portanto, o facto de ser um trabalho que tem de lidar com os rigores do clima em nada os desculpa das asneiras que fazem!
Quando me aparecem com essas desculpas, só me apetece dizer que ninguém é obrigado a ser polícia. E se não querem ser alvos de críticas desse tipo, optem por outras profissões. Afinal, pelo que sei, só vai para a polícia quem quer.
Qualquer profissão, especialmente as que lidam diariamente com a população, são constantemente alvo de críticas por parte das pessoas com quem contactam. É da natureza humana apontar apenas os erros…
Por exemplo, os jornalistas, pelo simples facto de fazerem críticas em textos de opinião, ou de abordarem certos temas de forma menos «correcta», são bombardeados com comentários de pessoas que ou não entenderam, ou não concordam com o ponto de vista. Infelizmente, por muito que se tente, não se consegue agradar a todos.
O que me aborrece é o facto de alguns cidadãos não aceitarem que possa haver pessoas com pontos de vista diferentes, assim como pessoas que, no seu direito à opinião, não gostem do trabalho dos agentes (tanto da polícia como de qualquer outro serviço) e sejam alvo de represálias por expressarem a sua opinião livremente. Afinal, temos ou não liberdade de expressão em Macau?
Hipoteticamente, o eu não gostar da polícia em geral não deve ser um factor negativo para a minha vida em sociedade. Assim como não deve ser para outros cidadãos que, possivelmente, não gostem de médicos, ou juízes, ou dos fiscais do fumo, para citar alguns exemplos.
Cada cidadão tem a liberdade de apontar o que pensa estar errado e esperar, da parte das autoridades competentes, que isso seja corrigido, quando tal se justificar.
A verdade é que em Macau, neste caso a polícia, tem muito que melhorar, especialmente no que diz respeito aos agentes que andam à chuva e ao sol. O factor climatérico não pode, nem deve, interferir na sua capacidade de desenvolver e prestar um serviço de qualidade ao cidadão comum. Há muitos agentes policiais que, mesmo perante os rigores do clima de Macau, prestam um serviço exemplar.
Um erro, por pequeno que seja, causa má impressão na população e acaba por manchar a globalidade da corporação, pondo em causa os milhares de agentes que, diariamente, dão o seu melhor, à chuva e ao sol.
É isto que as chefias da corporação devem ter em conta: ver onde estão os maus exemplos e corrigi-los, para que toda a equipa fique a ganhar. Tentar desculpar as chamadas «ovelhas negras» só acaba por prejudicar toda a imagem do grupo.
Por mim, como sempre, andarei por aqui para ir apontando o dedo e aprendendo com as críticas.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Feira de iates, outra vez!
O TEMPO passa como se fosse vento, sem que nos apercebamos de que a cada dia ficamos mais velhos e as oportunidades só se concretizam uma vez. Se não as aproveitamos, vamos acabar por nos arrepender durante o resto das nossas vidas. Isto aplica-se tanto a pessoas, como ao próprio Governo.
No ano passado, mais ou menos nesta altura, escrevia sobre algo que pouco, ou mesmo nada, foi falado na Imprensa local. Apesar de ser um evento de grande envergadura e de ser, então, a primeira vez organizado nesta cidade, não mereceu o apoio que merecia da população, da Comunicação Social e, muito em especial, do Governo, que apenas olha para o Jogo, para os «patos bravos» e a especulação imobiliária com o seu lucro fácil.
Macau vai ser palco, pela segunda vez, de uma feira de iates e barcos de luxo. Ao contrário do que a maioria da população pensa, barcos não são apenas para gente rica, pois há-os para todas as bolsas. Aliás, existe o estereótipo de que os donos de barcos e quem viaja de barco são milionários. Pois, posso garantir que quem tem essa ideia nunca meteu os pés dentro de um veleiro ou de um barco a motor. Aliás, a nível mundial, os milionários nesta vertente são uma minoria e raramente embarcam em grandes viagens, servindo os seus barcos apenas para ostentar e mostrar a sua riqueza.
Há todo um outro mercado na náutica de lazer que gera riqueza e empregos, mas que não significa que os proprietários sejam ricos.
Se bem que o exemplo da feira de Macau aponte mais para as carteiras recheadas da China, a verdade é que em Macau não há condições para mais barcos. A actual marina, se é que lhe podemos mesmo chamar marina, está cheia e não tem qualquer tipo de condições. Nem casa-de-banho tem, para já não falar nas outras instalações de apoio que os sócios, que pagam mensalidades e jóias de membro, deveriam ter para uso: bar, duches, zona de reparações, entre outras, apenas para citar algumas das lacunas.
Por outro lado, quem quer comprar barco em Macau enfrenta o problema de não ter onde o colocar. E, caso opte por um barco que possa ser colocado num reboque, enfrenta um outro problema ainda maior, relacionado com o trânsito. Ao que parece, em Macau, não é permitido circular com atrelado em carros particulares, o que inviabiliza qualquer tipo de recurso a essa solução para fazer face à falta de lugares na marina.
Recentemente escrevi nestas páginas que a directora da Capitania dos Portos dizia haver dois locais para iates em Macau. Continuo à espera que me digam onde fica o segundo, porque quero ir ver!
Por outro lado, a Lei Marítima de Macau reconhece a existência de vários portos em Macau e locais de ancoragem. Mas, na verdade, isso não passa de letras no papel. Se quiserem provar isso, experimentem mandar uma mensagem a pedir um local para ancorar um barco. A resposta irá apontar para a Marina do Lamau (que, como já se referiu, está cheia). Portanto, um livre residente de Macau que pague impostos, como toda a gente, se quiser ter barco, em vez de carro, vê-se obrigado a ter de pagar a uma entidade privada para o «estacionar». Algo que, no meu ponto de vista, é injusto, pois quem tem carro pode estacionar na rua, visto ainda existirem locais sem parquímetros.
Antigamente era possível ancorar no Porto Interior, na zona onde param os barcos de pesca, mediante o pagamento de uma taxa anual à Capitania. Actualmente, porém, apesar de tal estar previsto na lei, a Capitania recusa-se a atribuir bóias de ancoragem a privados que não sejam «pescadores». Uma discriminação que não se percebe.
Com todos estes contratempos, Macau avança para a segunda feira de iates! Espero que este ano, pelo menos, os representantes do Governo, nomeadamente do Turismo, se dignem a comparecer no evento, que mais não seja para saborearem uns aperitivos de graça e beberem uns copos de champanhe!
A iniciativa este ano está a cargo das mesmas entidades que organizaram o evento há um ano. Aliás, entidades da China, algo que também não se percebe, dado haver em Macau empresas com experiência suficiente para realizar um evento desta natureza. Além disso, a empresa responsável pelo evento nem sequer tem história na organização de feiras de barcos!
Ah! Este ano parece que vai haver uma regata com dezenas de veleiros. Eu, incredulamente, pergunto-me de onde virão tais velejadores e embarcações! Em Macau há cinco, mas apenas três sobem as velas regularmente! E quando se organizam regatas de e para Hong Kong, nunca se conseguem mais de dez… Vamos esperar…
Fórum alarga esfera
Apenas um pequeno aparte, visto ter lido a notícia recentemente e não querer deixar passar a oportunidade de a realçar. O Fórum de Macau prepara-se para alargar a sua esfera de influência a actividades não económicas, nomeadamente à cultura, pelo que foi abordado por alguns dos seus membros numa reunião na semana passada. Gostaria de manifestar o meu agrado e esperar que não voltem a recusar apoio a iniciativas de cariz cultural e de promoção de Macau, como aconteceu recentemente, depois de terem garantido que dariam todo o apoio necessário a nível institucional.
Sabendo-se que o Fórum tem vindo a apoiar a Semana Cultural e a Lusofonia, é muito difícil entender a recusa de apoio a um evento que tem como propósito promover Macau e os laços que ligam os países de língua Portuguesa.
Fica o reparo, a nota de agrado e o conselho para que submetam novamente a proposta, se esse propósito avançar. Desta vez enviem directamente ao secretário-geral; pode ser que a receptividade não mude.
Afinal, a Economia e o Comércio andam sempre de mãos dadas com a cultura e os laços afectivos.